Universidade Federal da Bahia Faculdade de Medicina
Departamento de Pediatria Sessão Clínica
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal da Bahia
Faculdade de Medicina Faculdade de Medicina Departamento de Pediatria Departamento de Pediatria Sessão Clínica Sessão Clínica
Meningoencefalite Tuberculosa
Meningoencefalite Tuberculosa
Meningoencefalite Tuberculosa
Hospital Couto Maia
-- Hospital Couto Maia Hospital Couto Maia -
-Orientador:
Orientador: Dr. Dr. Hagamenon Hagamenon RodriguesRodrigues
Internos:
Internos: Bruno de Paula FreitasBruno de Paula Freitas Laís de Araújo Pinheiro
Laís de Araújo Pinheiro
Mirela Frederico de Almeida
Caso Clínico:
Informante: Avó paterna
Grau de informação: Regular Data da admissão: 23/09/2003
Identificação: R.V.C. , sexo feminino, 04 anos e 7
meses, mulata clara, natural e procedente de Salvador/BA.
Queixa Principal: Cefaléia, febre não mensurada e
Caso Clínico:
HMA: A informante relata que, há oito dias da
admissão, a paciente, previamente hígida, começou a cursar com febre não aferida, vômitos que não se relacionavam com a alimentação, associados à
cefaléia intensa holocraniana, sonolência excessiva e comportamento alterado, apresentando mudanças súbitas de humor. Refere ainda episódios de dor
abdominal difusa e mal caracterizada no mesmo
período. Nega história de trauma craniano, síncope ou convulsões.
Caso Clínico:
Interrogatório Sistemático: Refere perda
ponderal, não medida, e diminuição do apetite.
Diurese e dejeções sem alterações. Nega lesões em pele e sintomas respiratórios.
Antecedentes Obstétricos e Neonatais: Nascida
de parto normal, sem intercorrências, a termo. Genitora não fez acompanhamento pré-natal.
Hábitos Alimentares: Refere aleitamento materno
Caso Clínico:
Antecedentes Fisiológicos: DNPM normal.
Antecedentes Médicos e Imunizações : Nega
patologias prévias. Não sabe sobre vacinas.
Antecedentes Familiares: Pais e avós saudáveis,
refere tio materno, que reside na mesma casa da paciente, em tratamento para tuberculose.
Hábitos de Vida: Nível sócio-econômico precário,
residência sem esgoto, 4 cômodos (1 quarto) onde moram 5 pessoas.
Caso Clínico:
Exame Físico (na admissão):
Paciente em regular estado geral e nutricional,
hipoativa, hidratada, anictérica, acianótica, corada. PR= 100 bpm, FR= 16 ipm, T= 38,8ºC, P= 15,0kg
Pele: Presença de cicatriz vacinal (BCG). Sem lesões; Otoscopia e Orofaringe: sem alterações;
AR: MVBD sem ruídos adventícios;
ACV: BRNF em 2 tempos, sem sopros;
ABD: RHA+, plano, flácido, pouco doloroso
difusamente, sem massas ou visceromegalias. EXT: Sem edema, perfundidas.
Caso Clínico:
Formulação Diagnóstica:
Paciente de 4 anos, com história de febre, vômitos, cefaléia intensa, sonolência, alterações do humor, dor abdominal difusa, perda de peso e diminuição do apetite há 8 dias. Convive na mesma residência com um tio que faz tratamento para tuberculose.
Ao exame físico encontrava-se sonolenta,
apresentando dor abdominal, de leve intensidade e difusa, rigidez de nuca e Brudzinski positivo.
Suspeitas Diagnósticas:
- SÍND. DE HIPERTENSÃO INTRACRANIANA + SÍND. DE IRRITAÇÃO MENÍNGEA + FEBRE
+ DOR ABDOMINAL + ALTERAÇÃO DO HUMOR + SONOLÊNCIA + PERDA DE PESO sec. à:
1 – Meningoencefalite Tuberculosa 2 – Meningoencefalite Fúngica
3 – Meningoencefalite Viral
4 – Meningoencefalite Bacteriana 5 – Afastar Neoplasia de SNC
Exames Complementares:
-+ 180 mg% 50 mg% NEG. 190 cels. (MNC) Xanto-crômico 29/10 -+ 280 mg% 50 mg% NEG. 807 cels. (70% M) Lig. Hemor. 15/10 -Frac. + 90 mg% 56 mg% NEG. 100 cels. (MNC) Límpido 27/09 -+ 200 mg% 50 mg% NEG. 156 cels. (MNC) Límpido 24/09 -Frac. + 90 mg% 50 mg% NEG. 102 cels. (MNC) Límpido 23/09 Cult. Piog Glob Ptn. Glc. Gram / Ziehl / T.China Celula-ridade Aspecto Data do LCREstudo do LCR
(cont.)
:
Exames Complementares:
PPD (26/09/03): (18mm) REATOR FORTE Sorologia para HIV (03/10/03): NEGATIVA Sumário de Urina (16/10/03): Densidade: 1013 Proteínas: ausentes Glicose: ausentes Hemáceas: ausentes Cristais: ausentes
Exames Laboratoriais:
DATA: 23/09 25/09 14/10 22/10 06/10 02/10 Ht 36,2 35,5 38,1 33,0 - 36,1 Hb 12,1 12,1 12,8 10,0 - 11,9 Leuco 7100 7600 11400 11800 - 6000 Bast. 2% 2% 3% 2% - 2% Na+ - - 131 - 135 132 K+ - - 5,0 - 4,2 4,0 Uréia - - 18 - 46 10 Creat. - - 0,4 - 0,5 0,3 AST - - 38 - 21 -ALT - - 41 - 45 -gamaGT - - 59 - - -FA - - 61 - --Exames de Imagem:
Exames de Imagem:
Exames de Imagem:
Exames de Imagem:
Exames de Imagem:
Exames de Imagem:
Diagnóstico:
Meningoencefalite Tuberculosa
Conduta Terapêutica:
Introduzido esquema tríplice:
RIFAMPICINA 20 mg/kg/dia ISONIAZIDA 20 mg/kg/dia
PIRAZINAMIDA 35 mg/kg/dia
+
Dexametasona 0,15mg/kg/dose de 6/6 h por 5 dias
+
Evolução:
A paciente evoluiu com manutenção do quadro até o terceiro dia de internamento, quando foi
introduzida terapia para BK. Na evolução cursou com oscilação do humor, presença de sinais focais e variação no padrão liquórico. Atualmente ela se encontra estável, com melhora do estado geral, afebril há mais de 72 horas, em ganho ponderal,
porém com ptose palpebral. Encontra-se em uso de esquema tríplice e em desmame de corticoterapia.
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
INTRODUÇÃO
• Meningite X Meningoencefalite
• Formas extra-pulmonares mais comuns em crianças
• Forma mais grave de tuberculose EPIDEMIOLOGIA
• 5% dos casos extra-pulmonares
• Acomete mais crianças de 0 – 4 anos • Mortalidade entre 15 a 44%
Meningoencefalite tuberculosa
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• BCG
• Fatores de risco:
Baixa idade
Infecções concomitantes
Imunodeficiências
Baixo nível sócio-econômico
Grande inóculo
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
PATOGENIA• Disseminação linfo-hematogênica →
granulomas caseosos nos tecidos do SNC → aumento do volume ou ruptura dos
granulomas → tuberculomas ou meningite
• Exsudato difuso, principalmente em base →
Aracnoidite
- Edema cerebral, alterações perivasculares
- Hidrocefalia
- Comprometimento dos III, VI e VII pares cranianos, quiasma óptico
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS• Evolução subaguda X abrupta • Estágios clínicos:
- I (inicial): Sinais e sintomas inespecíficos. Ausência de déficit neurológico ou alteração da consciência
- II (intermediário): Letargia, alteração do
comportamento. Sinais de irritação meníngea +. Déficits neurológicos focais
- III (tardio): Movimentos anormais,
convulsões ou coma. Déficits neurológicos severos
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
27,1% Perda de peso 31,3% Tosse 31,9% Anorexia 34,7% Apatia 35,4% Alt. nível consciência53,1% Convulsões 59,2% Vômitos 93,6% Febre Quadro clínico GUSMÃO, F. 1996
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
DIAGNÓSTICO• Presuntivo → História epidemiológica + Quadro clínico + Exames laboratoriais a) PPD: nem sempre fidedigno
b) BCG teste: > sensibilidade, < especificidade c) LCR: - Pleocitose – 100 a 500 cél/mm3 (LMN* X PMN – 21,3%) - Proteinorraquia – 100 a 500 mg/dl - Glicorraquia – 15 a 20 mg/dl
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
d) ADAe) Sedimento do líquor – Ziehl + em 25% (EUA) x 4,8 (BRA) f) Culturas: LCR: 20% (82% - EUA) Lavado gástrico: 30% f) ELISA, PCR g) Raio X tórax: 50 – 85% Padrão miliar – 27%
Outras: Adenopatia, complexo primário, calcificações
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
h) TC: > 50%
Tríade: Dilatação ventricular, lesões
parenquimatosas isquêmicas,
espessamento de meninges de base
Tuberculomas: <10%
i) USG crânio
i) RNM
j) EEG: alterações inespecíficas em
75% dos casos
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL • Meningoencefalite viral
• Meningite bacteriana parcialmente tratada • Abscessos cerebrais
• Neurocisticercose, neurocriptococose, neurossífilis, neurotoxoplasmose,
neurobrucelose
• Causas não infecciosas:
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
TRATAMENTO I. Clínico: • Pirazinamida – 2 meses Isoniazida – 9 meses Rifampicina – 9 meses • Corticoterapia – 4 a 6 semanas Uso controverso II. Cirúrgico: • Derivação ventricularMeningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
PROGNÓSTICO
• Baixa idade, estágio da doença,
alterações liquóricas, HIC, alteração do
nível de consciência, déficits
neurológicos, infecções concomitantes,
associação com outras doenças
• Seqüelas neurológicas importantes
Hidrocefalia, alteração de pares
cranianos, RDNP, convulsão, atrofia
óptica
Meningoencefalite tuberculosa
Meningoencefalite tuberculosa
PREVENÇÃO:
• BCG
• Contactantes
• Melhoria das condições
sócio-econômicas
Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas
• RODRIGUES, E. Determinação da atividade
adenosina deaminásica, no líquido
cefalorraquidiano, como importante ajuda no diagnóstico da meningite tuberculosa, An Acad
Nac Med, 1995, 155 (1): 23 – 25
• FIGUEIRA, F. Pediatria, Rio de Janeiro, MEDSI, 1996, p 248 – 249
• NUNES, C. Fatores prognósticos de letalidade na
meningoencefalite tuberculosa. Salvador-BA.
UFBA-Famed, 1996
• GUSMÃO, F. Neurotuberculose em crianças:
aspectos clínicos, laboratoriais e epidemiológicos,
FMUSP, 1999
Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas
• NUNES, C. Meningoencefalite tuberculosa:
avaliação de 231 casos. Rev Soc Bras Med Trop,
1998, 31 (5): 441 - 447 • www.funasa.gov.br