Nações Unidas
Instituto Latinoamericano y del Caribe de Planificaciós Económica y Social – ILPES Comisión Económica para América Latina y el Caribe -‐ CEPAL
RELATÓRIO FINAL
BrasilAprofundamento do diagnóstico do país quanto ao cumprimento dos compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, incorporando o tema das disparidades territoriais e das políticas sociais específicas e da composição institucional.
Estudo realizado no âmbito do Projecto "Reforço da capacidade dos governos locais na América Latina para abordar questões críticas decorrentes dos Objectivos de Desenvolvimento do Milênio acordados
Nações Unidas
Instituto Latinoamericano y del Caribe de Planificaciós Económica y Social – ILPES Comisión Económica para América Latina y el Caribe -‐ CEPAL
Consultora: Giselle Megumi Martino Tanaka Colaboração técnica: Camila Saraiva
junho, 2011
Sumário
1. Apresentação
2. Análise Crítica da Metodologia
3. Diagnóstico Nacional
4. Principais Iniciativas Governamentais por ODM
5. RIDE Petrolina/Juazeiro
6. Indicadores ODM para Municípios da RIDE
ANEXOS:
ANEXO I – Transferências Federais para os municípios da RIDE, 2005 ANEXO II – Transferências Federais para os municípios da RIDE, 2010
ANEXO III – Lei Complementar 113, de 2001, de criação da RIDE Petrolina-‐Juazeiro ANEXO IV – Decreto 4.366, de 2002, de regulamentação da RIDE Petrolina-‐Juazeiro Anexo V – Relatório de Informações Sociais do Bolsa Família e do Cadastro Único Anexo VI – Dados e indicadores por município, CONDEPE, Governo do Estado de Pernambuco
Anexo VII – Rede de Contatos
Anexo VIII – Fontes de Informações relacionadas aos ODM no Brasil
1. Apresentação
Este relatório tem como objetivo apresentar um aprofundamento do diagnóstico nacional para o Brasil, para o cumprimento dos compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM, incorporando o tema das disparidades territoriais, das políticas sociais específicas (nacionais e subnacionais), e da composição institucional.
Para o estudo de caso do Brasil, a Região Integrada de Desenvolvimento Pólo Petrolina/PE e Juazeiro/BA – RIDE Petrolina-‐Juazeiro foi selecionada para a análise em profundidade dos indicadores e desafios para cumprimento dos ODM. A RIDE está localizada na região do semiárido do nordeste brasileiro, região marcada por concentração de pobreza e carências. Apresenta também fatores favoráveis, por fazer parte do Projeto de Revitalização da Bacia do Rio São Francisco, e estar em localização estratégica para articulação de projetos de caráter regional.
Durante o período de desenvolvimento deste relatório, foram realizadas as seguintes atividades:
• Mapeamento dos agentes institucionais no âmbito do Governo Federal do Brasil que atuam diretamente com os ODM;
• Identificação de fontes de dados dos indicadores nacionais, para a elaboração do Diagnóstico da situação dos ODM para o país;
• Elaboração do diagnóstico nacional, apontando as metas e indicadores nacionais, e situação atual de cumprimento, com base no Relatório Nacional de Acompanhamento (IPEA, 2010);
• Levantamento e indicação das políticas públicas do Governo Federal para cada ODM; • Levantamento de dados quando à implementação das políticas públicas do Governo
Federal nos municípios da RIDE Petrolina-‐Juazeiro;
• Levantamento de dados e indicadores existentes para o nível municipal, relacionados ao cumprimento dos ODM;
• Levantamento e tratamento de dados de transferências de recursos federais para os municípios da RIDE Petrolina-‐Juazeiro;
• Elaboração de diagnóstico da RIDE Petrolina-‐Juazeiro quanto ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e síntese dos resultados dos programas do Governo Federal na região;
• Levantamento de rede de contatos institucionais do Governo Federal, relacionados aos ODM;
• Realização de contatos com órgão do Governo Federal para consultas específicas sobre dados disponíveis para os ODM e para os municípios da RIDE Petrolina Juazeiro; • Levantamento de contatos no nível estadual e municipal.
O relatório está organizado nos tópicos previstos no Termo de Referência. Em cada capítulo estão apresentados em mais detalhes as atividades realizadas e especificidades quando aos dados apresentados.
2. Análise Crítica da Metodologia
A “Metodologia para o diagnóstico de Cumprimento dos Compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio no Nível Municipal” foi utilizada como referência para desenvolvimento do trabalho.
As hipóteses apresentadas na metodologia se confirmam para o caso do Brasil, bem como as restrições e potencialidades. Existem, porém, particularidades dado o contexto de envolvimento do governo brasileiro com os compromissos dos ODM, e da estrutura institucional para o desenvolvimento de políticas públicas sociais, apresentadas a seguir. 1. Risco de Adesão meramente formal aos ODM
Para o Brasil, essa restrição não se aplica, uma vez que o Governo Federal inclusive instituiu e garantiu o funcionamento, desde 2003, do Grupo Técnico de Acompanhamento dos ODM, ligado diretamente à Presidência da República. As metas dos ODM estão em consonância com as prioridades de governo desde 2003, e foram reafirmadas na última eleição para o Governo Federal, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza e miséria, conforme apresentado nos diagnósticos relacionados ao ODM -‐ 1.
2. Indicadores dos ODM e Disparidades Regionais
Os indicadores propostos para acompanhamento dos ODM são realmente bastante genéricos como aponta a metodologia, para abarcar realidades bastante distintas em todo o mundo, e enfrentar desafios cruciais para a ampliação dos direitos humanos e da qualidade de vida.
No caso brasileiro, houve avanço no sentido de incorporar um conjunto de indicadores, disponíveis e utilizados para políticas sociais (Censo da Educação, DataSUS, IDF do Bolsa Família, por exemplo), que permitem uma leitura mais apurada das realidades locais. Grande parte desses indicadores já é trabalhada no nível do município, com enfoques específicos para o acompanhamento e avaliação das políticas do governo federal.
Por outro lado, verifica-‐se a existência de um grande número de indicadores, extremamente detalhados pois foram estabelecidos com finalidades mais específicas, que dificultam a análise dos avanços do objetivo como um todo. Uma análise mais apurada poderia levar à eleição de poucos indicadores sintéticos, que permitissem uma apropriação mais imediata dos alcances obtidos. Este ponto fica mais claro se observarmos os indicadores nacionais para os objetivos como o 1 “Acabar com a fome e a miséria” e o 7 “Garantir a sustentabilidade ambiental”.
Para a análise das disparidades territoriais, verifica-‐se um avanço no sentido de incorporar nos relatórios de acompanhamento nacional, recortes por grande região do país e por localidade – urbana e rural. O Relatório Nacional de Acompanhamento dos ODM (IPEA, 2010) aponta a necessidade de enfrentamento das desigualdades regionais, de cor/raça e gênero. O Brasil vem demonstrando que não terá dificuldades para cumprimento da maior parte das metas estabelecidas. Assim, já está colocado como principal desafio não o alcance às metas, mas o combate às desigualdades.
Para o Brasil, sob o aspecto territorial, já representa um grande avanço, visto que as áreas com indicadores mais negativos coincidem com duas grandes regiões do país – Norte e Nordeste, e ainda mais concentradas nas áreas rurais. Porém, considerando o arranjo institucional federativo, que confere aos municípios grandes atribuições na garantia dos direitos sociais básicos, a análise na escala municipal se mostra fundamental.
Há, no entanto, uma dificuldade concreta na produção dos indicadores e análises comparativas. Os ODM são acompanhados anualmente no Brasil principalmente através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, que dá conta da maior parte dos indicadores dos ODM. A PNAD, no entanto, não permite a desagregação dos dados para o nível municipal. Os dados da PNAD chegam ao nível do estado, e permite a diferenciação da população urbana e rural.
As políticas setoriais já alcançam o acompanhamento no nível municipal, principalmente em função do papel do município na implementação de políticas que são estabelecidas em nível federal. São os municípios responsáveis pelo cadastramento das famílias em situação de vulnerabilidade, pela garantia dos serviços básicos de assistência social, saúde e educação, por exemplo (como será visto adiante, na apresentação dos programas do Governo Federal por ODM, para a RIDE Petrolina-‐Juazeiro). Mas a forma de acompanhamento, os dados e indicadores produzidos e os sistemas de informação existentes, foram desenhados, naturalmente, para o acompanhamento das políticas em questão e nem sempre coincidem com os indicadores dos ODM.
Apesar do reconhecimento da necessidade de enfrentamento das desigualdades territoriais, há limitações nas políticas públicas para efetivamente fortalecer governos municipais para tal. As políticas e programas para o desenvolvimento regional ainda apresentam muitas limitações. Conforme os indicadores de renda demonstram para o nível nacional, há um impacto significativo dos programas de transferência de renda na redução da pobreza, porém a redução das desigualdades em todos os aspectos é ainda limitada.
3. ODM e políticas públicas
Conforme apresentado diagnóstico nacional e nos programas do Governo Federal para o cumprimento dos ODM, a Constituição Federal do Brasil, de 1988, confere aos direitos sociais o status de direito constitucional e de responsabilidade compartilhada entre os três níveis de governo. Nesse sentido, o Estado brasileiro tem se consolidado no sentido de garantir um aparato institucional direcionado para a construção de políticas sociais que comprometam os três níveis de governo.
As políticas sociais para os municípios pobres hoje já contam predominantemente com recursos do governo federal, e verifica-‐se nos últimos anos um grande avanço na simplificação dos mecanismos para a realização das transferências, para a realização de convênios, transferências entre fundos públicos, e inclusive transferências diretas mediante comprovação de demanda (Sistema Único da Assistência Social / Programa Bolsa Família, programas para a Educação Básica, Sistema Único de Saúde, principalmente).
É característica das políticas sociais do governo federal a descentralização administrativa, e a forma predominante é de transferência de recursos federais mediante condicionantes locais (demanda social, institucionalização do poder público, entre outras). É um grande desafio a capacitação dos governos locais para receber e aplicar corretamente os recursos recebidos.
Assim, no caso brasileiro, foi dado destaque às políticas públicas do Governo Federal, destacando seu alcance nos municípios da RIDE Petrolina-‐Juazeiro.
4. ODM e políticas locais
A leitura da realidade social por meios dos ODM para a identificação de avanços e demandas para as políticas sociais é bastante rica e positiva no sentido de apontar principais desafios. Os objetivos dão conta de temáticas estruturantes para enfrentamento da pobreza e desigualdades. Apontam especificidades do território em questão, frente ao quadro nacional.
A limitação é que deve ser complementado por um diagnóstico nacional que dê conta de demonstrar as relações de causalidade que levaram à situação de maior precariedade, e aponte potencialidades e formas de enfrentamento dos problemas sociais, considerando os recursos existentes. O enfrentamento de problemas estruturais, em geral, passa por uma escala maior do que a municipal – regional, e em muitos casos, nacional.
Para a RIDE Petrolina-‐Juazeiro, já se verifica um avanço no sentido da RIDE ser composta não somente pelos dois municípios pólo – Petrolina e Juazeiro, mas municípios adjacentes com influência direta, que caracterizam-‐se por maiores graus de pobreza e vulnerabilidade social. O Governo Federal também tem atuado na região considerando a escala regional, em função de grandes projetos em andamento e previstos de escala nacional (ver mais detalhes no diagnóstico da RIDE). Como importante exemplo, temos o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (apresentado nos programas relacionados ao ODM-‐7).
5. Rede de Agentes
No Brasil foram identificados agentes que atuam diretamente com os ODM, porém com perspectivas distintas:
o Monitoramento de políticas sociais do Governo Federal; o Acompanhamento da Agenda Internacional;
o Disseminação de Informações em áreas setoriais específicas; o Acompanhamento dos avanços nos municípios.
Outra característica é a fragmentação setorial dos agentes em sua atuação sobre o território. A relação se dá principalmente no sentido vertical (Governo Federal para Governo Municipal) por eixo setorial, e não de forma horizontal, a partir dos problemas locais.
Nesse contexto, a iniciativa de agregar o olhar sobre o território, cruzando a leitura dos problemas sociais a partir dos 8 objetivos do milênio representa certamente um avanço.
6. Fontes de informação e indicadores selecionados
O Brasil definiu um conjunto de metas mais condizentes com a realidade nacional e prioridades de governo para as políticas sociais, e elencou um conjunto de indicadores relacionados à políticas públicas existentes e dados disponíveis no país. Por outro lado, alguns indicadores comuns a todos os países signatários dos ODM, não se aplicam, ou são pouco explicativos da realidade nacional para o objetivo que se deseja alcançar.
O universo de indicadores foi, portanto, bastante ampliado, porém, mesmo para os indicadores nacionais, nem sempre há a disponibilidade dos dados para o nível municipal.
Assim, foi realizado um amplo levantamento. Para o quadro nacional, o Relatório de Acompanhamento dos ODM, produzido pelo Grupo Técnico para acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da Presidência da República, sob coordenação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -‐ Ipea e Secretaria de Planejamento e Investimento Estratégicos -‐ SPI/MP (IPEA, 2010), já traz um relatório nacional bastante completo. Optamos por reunir os dados mais significativos para o conjunto dos indicadores nacionais, reproduzindo tabelas e gráficos mais significativos.
Para o quadro dos municípios, foi realizado levantamento no Portal ODM, que reúne dados dos indicadores internacionais para todos os municípios (www.portalodm.com.br), complementados sempre que possível a partir de levantamento nos órgãos do Governo Federal.
Por se tratar de um universo extremamente amplo e diverso, principalmente em um contexto de grande atuação do Governo Federal nas dimensões dos ODM, há uma dificuldade de realização, no contexto restrito desta pesquisa, de análise e seleção de indicadores específicos. Apresentamos portanto o conjunto de indicadores que foi possível levantar no período da pesquisa, visando disponibilizar informações para análises mais apuradas.
3. Diagnóstico Nacional
O Brasil realiza o acompanhamento dos avanços para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM através do Grupo Técnico para acompanhamento dos
Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, vinculado diretamente à Presidência da República, e
com coordenação técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA. O Grupo foi constituído em outubro de 2003, e produziu relatórios de acompanhamento em 2004, 2005, 2007 e 2010, apresentando a evolução dos indicadores desde o ano “0”, de 1990.
A produção dos relatórios de acompanhamento envolve a articulação da Câmara de Políticas Sociais do Governo Federal1, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 17 ministérios setoriais e das diversas agências do sistema nas Nações Unidas.
Em 2005 o Grupo Técnico apresentou a incorporação de 60 novos indicadores nacionais e estabeleceu para si metas mais ambiciosas, compatíveis com as prioridades de governo. O Grupo acompanha também, desde 2007, as principais iniciativas do Governo Federal que tiveram impacto no alcance dos ODM.
O relatório de 2010 destaca a necessidade de enfrentamento da redução das desigualdades entre regiões, de gênero e etnorraciais. Os dados são apresentados, sempre que possível, destacando esses recortes.
O acompanhamento dos ODM para o nível nacional se dá principalmente através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios -‐ PNAD, de periodicidade anual, mas que em função da amostra coletada, não permite a medição de indicadores para o nível municipal.
O IBGE já divulgou os resultados preliminares do Censo Demográfico de 2010, porém a divulgação completa, que permitirá a construção dos indicadores dos ODM está prevista para setembro de 2011. A PNAD já revela que a década de 2000 foi de grandes avanços, mas somente o Censo poderá revelar com mais precisão o quanto os avanços refletem na redução de desigualdades territoriais.
Com relação à atuação do Brasil frente aos ODM, destaca-‐se a liderança internacional no combate à fome e à miséria.
Desde 2003, período destacado nos relatórios para a análise das políticas públicas e que abrange os dois últimos mandatos presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, verifica-‐se a estruturação e fortalecimento das políticas públicas e programas sociais dirigidos aos grupos mais vulneráveis e áreas de maior concentração de pobreza. Tais políticas e programas, portanto, em consonância com os ODM, apresentam foco na redução da pobreza e desigualdades, e garantia de direitos aos cidadãos, visando a equidade social.
Cabe já destacar o Programa Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do mundo, que articula iniciativas setoriais da educação, saúde, combate à fome,
1 Instituída em 1996, ligada à Casa Civil da Presidência da República, visa assegurar as condições necessárias para a execução dos programas sociais, financeiras e institucionais, bem como acompanhar, avaliar e propor revisões.
desenvolvimento social, entre outros. O programa focaliza os grupos sociais mais pobres e em 2010 atingiu 12,4 milhões de famílias.
Outros fatores que se destacam, para o cumprimento dos ODM, são a retomada econômica, ampliação dos investimentos públicos (principalmente através do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, iniciado em janeiro de 2007) e consequente aumento do emprego.
Desigualdades territoriais no Brasil
O Brasil é um país de dimensão continental, com 8.514.876,60 km2, distribuído em território heterogêneo tanto nos aspectos ambientais, quanto de características de ocupação e concentração populacional. São 27 Unidades da Federação – UF, com 5.565 municípios, totalizando aproximadamente 6,7 milhões de domicílios. (IBGE, 2010)
A estrutura econômica colonial concentrou a urbanização ao longo do litoral. Lentamente, e acompanhando o processo de integração do mercado nacional, este quadro foi se modificando, não apenas pela interiorização da urbanização, como pela intensificação da complexidade da rede urbana.
Figura 01: Taxa de Urbanização no Brasil
1970 2000
As regiões Sul e Sudeste ao longo do século XX concentraram riqueza, caracterizadas por maiores taxas de industrialização e urbanização. Destacam-‐se as metrópoles São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Nas últimas décadas do século, observa-‐se uma tendência à desconcentração, mas ainda contida na região Centro-‐Sul (Sul, Sudeste e sul de Minas Gerais). (DINIZ, 2002)
A retomada do crescimento da econômia agroexportador, nas últimas décadas, impulsionou novas dinâmicas econômicas, levando população e atividades econômicas para áreas antes pouco povoadas do território, nas fronteiras agrícolas das regiões centro-‐oeste e norte, porém sem uma política regional que estruture a urbanização. As fronteiras pioneiras do país ainda carecem de cidades, como pontos de apoio para a exploração das oportunidades apresentadas pelo “novo” território. Altos níveis de desigualdades sociais e pobreza se
mantém nestas áreas onde as atividades econômicas vem a reforçar padrões tradicionais de concentração de renda e desigualdades. (Tipologia das Cidades Brasileiras, 2005)
Especialmente nas regiões mais dinâmicas, evidencia-‐se a constituição de um conjunto expressivo de cidades médias que têm propiciado focos de difusão de inovações para territórios distantes das áreas urbanas históricas, reduzindo a dependência pelas grandes metrópoles e a primazia antes nitidamente verificada. A carência de infraestrutura urbana limita maior integração de novas economias.
Parcelas consideráveis do território permanecem, até os dias de hoje, ainda mal atendidas pela urbanização, seja pela falta de cidades, seja pela precária condição desta urbanização. Áreas estagnadas permanecem persistentemente à margem dos novos dinamismos, incapazes de realizar as potencialidades existentes, o que se expressa na perda de população urbana de pequenas e médias cidades. (Tipologia das Cidades Brasileiras, 2005)
Para o próximo relatório esse contexto será apresentado com maior destaque para a RIDE Pólo Petrolina e Juazeiro.
Estrutura federativa e políticas sociais
A heterogeneidade socioeconômica dos municípios se estende ao acesso aos recursos federais e à arrecadação fiscal. Esse contexto se acentua após a promulgação, em 1988, da atual Constituição Brasileira, a qual marca a transição do país de um regime ditatorial para uma democracia, caracterizada pela descentralização fiscal.
Ao mesmo tempo em que governadores (autoridades estaduais) e prefeitos (autoridades municipais) passaram a ser eleitos pelo voto popular direto também aumentou seu poder de controle e gestão sobre recursos fiscais -‐ uma vez que se ampliou a parcela dos tributos federais que é automaticamente transferida aos governos subnacionais -‐, assim como passaram a ter autoridade tributária sobre impostos de significativa importância. Em suma, no Brasil pós-‐1988, a autoridade política de cada nível de governo é soberana e independente das demais. Diferentemente de outros países, os municípios brasileiros foram declarados entes federativos autônomos, o que implica que um prefeito é autoridade soberana em sua circunscrição (Arretche, 1999).
Torna-‐se, portanto, interessante a análise das transferências federais por tipo de Programa e/ou Ação uma vez que como afirma Arretche (1999):
“a adesão dos governos locais à transferência de atribuições depende diretamente de um cálculo no qual são considerados, de um lado, os custos e benefícios fiscais e políticos derivados da decisão de assumir a gestão de uma dada política e, de outro, os próprios recursos fiscais e administrativos com os quais cada administração conta para desempenhar tal tarefa .”
Outra característica da Constituição Federal de 1988, é que no Brasil a garantia dos direitos sociais é um direito constitucional, de responsabilidade compartilhada entre todos os níveis de governo. Deste modo, o Governo Federal têm respondido com políticas sociais estruturadas, de alcance nacional e com capilaridade para atingir todos os municípios brasileiros.
No âmbito das políticas que mais nos interessam – combate à fome e miséria, assistência social, saúde e educação – sistemas compostos por órgãos federais, estaduais, municipais, e entes da sociedade, que atuam de forma pactuada e coordenada, buscam garantir que os recursos cheguem aos cidadãos.
Desde 2007 foi também regulamentado o Cadastro Único para Programas Sociais, que reúne dados de renda e condicionantes para pagamento dos benefícios. Os dados são registrados e atualizados pelas prefeituras, sob coordenação do governo federal. O Cadastro Único identifica bolsões de pobreza e permite avaliar os resultados da política.
Os dados apresentados neste capítulo são a síntese, destacando os indicadores e avanços obtidos para o alcance das metas, do Relatório Nacional de Acompanhamento de 2010 (IPEA, 2010)
Objetivo 01 -‐ Acabar com a Fome e a Miséria
1A. Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população com renda inferior a um dólar PPC por dia.
1.1 Proporção da população que ganha menos de 1 dólar PPC por dia. 1.2 Índice de hiato de pobreza (incidência x grau de pobreza).
1.3 Participação dos 20% mais pobres da população na renda ou no consumo nacional.
1A-‐BR. Reduzir a um quarto, entre 1990 e 2015, a proporção da população com renda inferior a 1 dólar PPC por dia.
a. Participação dos 20% mais pobres e dos 20% mais ricos na renda nacional b. Distribuição das pessoas entre os 10% mais pobres e o 1% mais rico, por cor/raça
c. Evolução do coeficiente de Gini no Brasil
d. Taxa de crescimento médio anual dos rendimentos, por décimo da distribuição de renda
e. Evolução da pobreza extrema no Brasil por cor/raça f. Evolução da pobreza extrema segundo área de residência g. Evolução da pobreza extrema por Regiões
h. Desnutrição protéico-‐calórica em crianças com menos de 1 ano e entre 1 e 2 anos de idade, nas áreas cobertas pela Estratégia Saúde da Família
i. Taxa de internação de crianças com menos de 1 ano de idade por desnutrição nas Regiões do Brasil
1B. Alcançar o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos, incluindo mulheres e jovens
1.4 Taxa de crescimento do PIB por pessoa empregada 1.5 Razão entre emprego e população dos dois sexos
1.6 Porcentagem de pessoas empregadas com renda inferior a 1 dólar por dia (dólar PPC)
1.7 Porcentagem de trabalhadores por conta própria e que contribuem para a previdência social, em relação ao emprego total
1C. Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome.
1.8 Prevalência de crianças (com menos de 5 anos) abaixo do peso. Fontes: UNICEF e OMS
1.9 Proporção da população que não atinge o nível mínimo de crescimento dietético de calorias.
1C-‐BR. Erradicar a fome entre
1990 e 2015 a. Disponibilidade de kcal para consumo da população b. Prevalência de crianças (com menos de 2 anos de idade) abaixo do peso, por Regiões
c. Prevalência de adultos (20 anos ou mais de idade) abaixo do peso d. Prevalência de adultos com sobrepeso ou obesidade
Verde: Indicadores estabelecidos para o Brasil a partir de 2005. Amarelo: Indicadores selecionados pela Metodologia ILPES/CEPAL.
1A -‐ Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população com renda inferior a um dólar PPC por dia;
1A-‐BR. Reduzir a um quarto, entre 1990 e 2015, a proporção da população com renda inferior a 1 dólar PPC por dia.
1.1 Proporção da população que ganha menos de 1 dólar PPC por dia
Tabela 01: Porcentagem da população sobrevivendo com menos de US$ PPC 1,25 por dia – Brasil, 1990-‐2008 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 25,6 -‐ 20,8 19,6 -‐ 16,4 16,8 17,0 15,4 14,9 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 -‐ 14,0 11,3 12,0 9,7 8,1 6,7 6,1 4,8 Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD
Linha da Pobreza de US$ PPC 1,25/dia
Fatores PPC: Nações Unidades, Divisão de Estatísticas (Banco Mundial, ICP, 2005); Inflação média anual do Brasil e dos EUA: Fundo Monetário Internacional, World Economic Outlook, 2009.
Brasil já alcançou a meta internacional e a meta nacional de redução do nível de incidência da pobreza extrema à metade e à um quarto (1A e 1A-‐BR) – meta alcançada em 2007 e superada em 2008.
Se esse ritmo de redução da pobreza extrema se manter, estima-‐se sua erradicação entre 2013/14. O novo governo eleito assumiu o compromisso de erradicação da pobreza extrema no atual mandato (2011-‐2014).
1.2 Índice de hiato de pobreza (incidência x grau de pobreza)
Tabela 02: Hiato médio normalizado de pobreza extrema em porcentagem
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 11,0 -‐ 9,2 8,6 -‐ 6,8 7,4 7,2 6,5 6,2
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 -‐ 6,0 4,9 5,1 4,1 3,5 2,9 3,0 2,3 Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD
Linha da Pobreza de US$ PPC 1,25/dia
Exclusive a população rural dos Estados de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
Fatores PPC: Nações Unidades, Divisão de Estatísticas (Banco Mundial, ICP, 2005); Inflação média anual do Brasil e dos EUA: Fundo Monetário Internacional, World Economic Outlook, 2009.
Em 2008, o hiato médio normalizado é de praticamente um quinto de 1990, reforçando que a redução da pobreza é consistente, considerando o crescimento populacional no período.
1.3 Participação dos 20% mais pobres da população na renda ou no consumo nacional a. Participação dos 20% mais pobres e dos 20% mais ricos na renda nacional
Tabela 03: Porcentagem da renda nacional detida pelos 20% mais pobres – Brasil, 1990/2008 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2,2 -‐ 2,4 2,3 -‐ 2,3 2,2 2,2 2,3 2,4
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 -‐ 2,3 2,5 2,6 2,8 2,9 3,0 2,9 3,1
Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD / Exclusive a população rural dos Estados de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
Por esse indicador é possível verificar que apesar da participação dos mais pobres na renda nacional ter avançado de 2,2% para 3,1%, a redução da pobreza no Brasil deve-‐se principalmente aos aumentos reais da renda do que da redução das desigualdades. Demonstra que há espaço para combate à pobreza via redução de desigualdades.
Gráfico 01: Porcentagem da renda nacional detida por estratos de renda – Brasil, 1990-‐2008
Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD / Exclusive a pop. rural dos Estados de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
Houve no período de 1990 a 2008 uma redução da renda dos mais ricos, mas esta migrou principalmente para estratos de renda media, e não para os mais pobres, o que confirma que a redução da pobreza esteve mais relacionada ao crescimento econômico do que à redução de desigualdades.
c. Evolução do coeficiente de Gini no Brasil Tabela 04: Coeficiente de Gini – Brasil, 1990-‐2008
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 0,612 -‐ 0,580 0,602 -‐ 0,599 0,600 0,600 0,598 0,592
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 -‐ 0,594 0,587 0,581 0,569 0,566 0,560 0,553 0,544 Fonte: IPEA, 2010. Dados: IBGE, PNAD / Exclusive a população rural dos Estados de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
e. Evolução da pobreza extrema no Brasil por cor/raça
A identificação da cor/raça no Brasil para o IBGE é definida a partir da autodeclaração. As pessoas que se declaram brancas, pretas ou pardas somam 99% da população. As principais desigualdades observadas são entre a população branca e a preta e parda.
Tabela 05: Porcentagem da população sobrevivendo com menos do que US$ PPC 1,25 por dia segundo a cor -‐ Brasil, 1990/2008
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Preta / Parda 37,1 -‐ 30,6 30,0 -‐ 25,1 25,5 26,0 23,5 22,8 Branca 16,5 -‐ 12,7 11,1 -‐ 9,2 9,9 9,6 8,6 8,4 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Preta / Parda -‐ 20,9 16,8 17,9 14,3 11,6 9,7 8,5 6,6 Branca -‐ 8,0 6,4 6,6 5,5 4,6 3,8 3,6 2,8 Fonte: IPEA, 2010. Dados: IBGE, PNAD / Exclusive a população rural dos Estados de RO, AC, AM, RR, PA e AP.
A redução da pobreza foi semelhante nos dois grupos, e a diferença foi apenas ligeiramente reduzida.
1B. Alcançar o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos, incluindo mulheres e jovens
1.4 Taxa de crescimento do PIB por pessoa empregada
Tabela 06: População residente, população economicamente ativa (PEA), produto interno bruto (PIB) e fator de conversão para paridade do poder de compra (PPC), 1990-‐2009
Ano População residente (1) x 1000 População economica mente ativa (PEA)(2) x 1000 Pessoas Ocupadas(2 ) x 1000
Produto interno bruto (PIB) em milhões
R$ correntes R$ de 2009 Em dólares correntes como paridade de poder de compra (PPC) Fator de conversão para paridade do poder de compra (PPC) 1990 146.593 64.500 … 11,5 1.875.172,10 782.969,10 0,00001475 1991 149.094 … … 60,3 1.894.486,40 817.958,60 0,000073703 1992 151.547 72.439 67.677 641 1.884.188,40 833.679,70 0,000768831 1993 153.986 73.549 68.953 14.097,10 1.976.980,20 892.610,90 0,015793123 1994 156.431 … … 349.204,70 2.092.690,30 960.176,40 0,363688055 1995 158.875 77.116 72.377 705.640,90 2.181.081,20 1.022.859,10 0,689871027 1996 161.323 76.225 70.902 843.964,00 2.227.985,40 1.064.291,30 0,792982136 1997 163.780 78.693 72.500 939.146,00 2.303.193,60 1.118.139,10 0,839918782 1998 166.252 80.592 73.328 979.277,00 2.304.005,40 1.130.564,40 0,866184209 1999 168.754 83.264 75.205 1.065.000,00 2.309.856,70 1.150.422,60 0,92574677 2000 171.280 … … 1.179.482,00 2.409.321,50 1.222.801,30 0,964573722 2001 173.822 85.227 77.252 1.302.136,00 2.440.958,80 1.266.910,40 1,027804332 2002 176.391 88.248 80.158 1.477.822,00 2.505.841,80 1.321.718,00 1,11810692 2003 178.985 90.168 81.386 1.699.948,00 2.534.574,30 1.365.721,60 1,2447251 2004 181.586 92.627 84.384 1.941.498,00 2.679.356,60 1.484.659,30 1,307706053 2005 184.184 95.927 86.999 2.147.239,00 2.764.015,50 1.582.642,40 1,356743033 2006 186.771 97.300 89.111 2.369.484,00 2.873.388,50 1.698.753,50 1,394836825 2007 189.335 98.605 90.564 2.661.344,00 3.048.418,40 1.863.990,80 1,42776672 2008 191.870 100.555 93.374 3.031.864,00 3.205.793,20 2.020.572,90 1,500497238 2009 194.370 102.533 93.990 3.185.125,40 3.185.125,40 2.044.206,50 1,558123103
Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2011. Fonte de dados:
para população residente: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); para população economicamente ativa e ocupada: Pequisa Nacional por Amostra de Domicílios -‐ PNAD (microdados) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); para o produto interno bruto em Reais: Boletim do Banco central; e para o fator de conversão PPC: World Bank.
Elaboração: Coordenação-‐Geral de Indicadores -‐ Ascav -‐ Sexec -‐Ministério da Ciência e Tecnologia. Notas: 1) estimativas populacionais com data de referencia em 01 de julho dos respectivos anos; 2) de 1990 a 2003, exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá; em 1991, 1994 e 2000 não foi realizada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Entre 2003 e 2009 verifica-‐se uma elevação bastante significativa da população economicamente ativa ocupada, de 67,7 para 93,9. Diversos fatores contribuiram para este cenário, dentre eles destacam-‐se a estabilidade macroeconômica, o crescimento econômico e ampliação e fortalecimento do mercado interno. Verifica-‐se uma tendência crescente, mesmo
1C. Reduzir pela metade, entre 1990 e 2015, a proporção da população que sofre de fome 1C-‐BR. Erradicar a fome entre 1990 e 2015
1.8. Prevalência de crianças (com menos de 5 anos) abaixo do peso
Tabela 07: Porcentagem de crianças de zero a quatro anos com peso abaixo do esperado para a idade – Brasil, 1990-‐2008
1996 2006 4,2 1,8
Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD / Exclusive a população rural dos Estados da Região Norte. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006: dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança/ Ministério da Saúde, Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. – Brasília: Ministério da Saúde, 2009. p.226. Referência: Curvas de crescimento de crianças saudáveis e bem alimentadas, OMS, 2006.
Verifica-‐se a redução para menos da metade, embora esse indicador não apresente meta. O Brasil está também abaixo da população de referencia, que é de 2,3%.
h. Desnutrição protéico-‐calórica em crianças com menos de 1 ano e entre 1 e 2 anos de idade, nas áreas cobertas pela Estratégia Saúde da Família
Tabela 08: Porcentagem de crianças de zero a quatro anos com peso abaixo do esperado para a idade* – Brasil, 1990-‐2008
1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 0-‐11 meses 10,0 8,1 7,0 6,1 4,8 3,6 2,9 2,2 1,8 1,5 12-‐23 meses 19,2 16,1 14,5 12,9 10,0 7,6 6,0 4,7 3,7 2,9 Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Sistema de Informações da Atenção Básica. *Somente para crianças atendidas pela Estratégia Saúde da Família
Considerando a meta de redução da fome pela metade, por este indicador, o Brasil supera em muito a meta internacional. Inclusive o Brasil está próximo de atingir sua própria meta, de erradicar a desnutrição na infância.
O alcance das metas para o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio 1 para o Brasil já foi atingido. O país estabeleceu metas mais rigorosas considerando todos os indicadores, e neste ano de 2011 assumiu também o compromisso de erradicação da miséria no país até 2015, com o lançamento do “Programa Brasil Sem Miséria”.
O Relatório de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – 2010 (IPEA, 2010) destaca como principais fatores para alcance das metas:
-‐ Estabilidade Macroeconomica dos últimos 8 anos;
-‐ Sistema de proteção social estabelecido pela Constituição de 1988
-‐ Programas de transferência de renda, que foram unificados e expandidos a partir de 2003/2004, associado a condicionalidades para obtenção do benefício nas áreas de assistência social, saúde e educação;
-‐ Valorização real do salario mínimo, e consequente expansão do mercado interno. Estudos recentes do IPEA demonstram que o crescimento econômico do Brasil favoreceu os mais pobres, promovendo a efetiva redução das desigualdades. A partir de uma simulação considerando a manutenção da renda média, e posteriormente, considerando a manutenção do grau de desigualdade, verifica-‐se que o crescimento é que teve maior impacto
Objetivo 02 -‐ Atingir o Ensino Básico Universal
2A.Garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, terminem um ciclo completo de ensino básico.
2.1 (6) Taxa líquida de matrícula no ensino primário.
2.2 (7) Proporção dos alunos que iniciam o 1º ano e atingem o 5º. 2.3 (8) Taxa de alfabetização na faixa etária de 15 a 24 anos. 2A-‐BR. Garantir que, até 2015, as
crianças de todas as regiões do país, independentemente de cor/raça e sexo, concluam o ensino fundamental.
a. Taxa de frequência escolar líquida das pessoas de 7 a 17 anos, por grupos de idade e nível de ensino, segundo sexo e cor/raça – Brasil e grandes regiões b. Taxa de frequência líquida das pessoas de 7 a 17 anos de idade, segundo os quintis de rendimento familiar mensal per capita
c. Proporção de pessoas de 11 e 12 anos que tenham concluído a 4a série do ensino fundamental e pessoas de 18 anos que concluíram este nível de ensino d. Índice de adequação idade-‐anos de escolaridade, da população de 9 a 16 anos, por regiões geográficas
e. Resultado do SAEB em língua portuguesa na 4ª série do ensino fundamental, por redes de ensino, em escolas urbanas
f. Resultados do SAEB em matemática na 3ª série do ensino fundamental, por redes de ensino, em escolas urbanas
g. Taxa de alfabetização das pessoas de 15 a 24 anos de idade, segundo sexo, cor/raça e situação do domicílio – Brasil e Grandes Regiões
Verde: Indicadores estabelecidos para o Brasil a partir de 2005. Amarelo: Indicadores selecionados pela Metodologia ILPES/CEPAL.
Para o Brasil, o ensino fundamental corresponde à escolarização obrigatória, e mesmo sendo atribuição dos governos locais (municipal e estadual), o Governo Federal desempenha função supletiva, complementando recursos para a redução de desigualdades.
2A.Garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, terminem um ciclo completo de ensino básico
2A-‐BR. Garantir que, até 2015, as crianças de todas as regiões do país, independentemente de cor/raça e sexo, concluam o ensino fundamental
2.1 Taxa líquida de matrícula no ensino primário
O ensino primário no Brasil corresponde ao ensino fundamental, com idade de referencia de 7 a 14 anos de idade. Os indicadores nacionais já incluem características de regionalização, diferenciação por sexo e cor/raça, visando destacar as desigualdades regionais, conforme tabela a seguir:
a. Taxa de frequência escolar líquida das pessoas de 7 a 14 anos, por grupos de idade e nível de ensino, segundo sexo e cor/raça – Brasil e grandes regiões
Tabela 09: Taxa de escolarização líquida nas faixas etárias de 4 a 14 e de 15 a 17 anos, segundo sexo, cor/raça e localização, Brasil e Regiões, 1992, 2005 e 2008
Características selecionadas
Fundamental: 7 a 14 anos Médio: 15 a 17 anos
1992 2005 2008 1992 2005 2008 Brasil 81,4 94,4 94,9 18,2 45,3 50,4 Re gi ão Norte 82,5 93,1 93,6 11,7 30,7 39,7 Nordeste 69,7 92,4 94,3 9,5 30,1 36,4 Sudeste 88,0 95,8 95,7 24,3 57,4 61,9 Sul 86,9 95,9 95,2 23,1 53,6 56,4 Centro-‐Oeste 85,9 94,7 94,5 17,5 45,9 51,8
Sex o Masculino 79,9 94,1 94,9 15,1 40,6 44,4 Feminino 82,7 94,7 94,9 21,3 50,1 56,8 Cor / Ra ça Branca 87,5 95,4 95,4 27,1 56,6 61,0 Preta / Parda 75,3 93,6 94,7 9,2 35,6 42,2 Lo cal . Rural 66,5 92,3 94,3 5,3 24,7 33,3 Urbana 86,2 95,0 95,1 22,3 50,4 54,3
Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, PNAD / Exclusive a população rural dos Estados da Região Norte.
Verifica-‐se no período uma significativa redução das desigualdades quanto ao acesso à educação, em todos os níveis e segundo as características consideradas, chegando todos ao patamar mínimo de 94% para o ensino fundamental, e com diferença máxima de 2,1 pontos percentuais (contra 18 para 1992).
Com relação ao ensino médio, verifica-‐se também um grande avanço no período para todas as situações, mas ainda há uma manutenção das desigualdades, principalmente regionais para o Norte e Nordeste, e população rural, e a distância ainda muito acentuada entre população branca e preta/parda.
b. Taxa de frequência líquida das pessoas de 7 a 14 anos de idade, segundo os quintis de rendimento familiar mensal per capita
Tabela 10: Taxa de escolarização líquida na faixa etária de 7 a 14 anos, segundo os quintos de rendimentos domiciliar per capita, Brasil, 2005 e 2008.
2005 2008 1o Quinto 91,4 94,1 2o Quinto 93,9 94,7 3o Quinto 95,0 95,5 4o Quinto 95,2 95,7 5o Quinto 96,5 95,9
Fonte: IPEA, 2010. Fonte de dados: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, PNAD; elaborado por Inep/DTDIE.
Gráficos 2 e 3: Taxa de escolarização líquida na faixa etária de 7 a 14 anos e de 15 a 17 anos, segundo os quintos de rendimento domiciliar per capita, Brasil, 2005 e 2008
Faixa etária de 7 a 14 anos Faixa etária de 15 a 17 anos
Fonte: IPEA, 2010. IBGE, PNAD, elaborado pelo Inep/DTDIE
Verifica-‐se a tendência à equiparação, com maiores avanços nos quintis de menor renda para o ensino fundamental (7 a 14 anos). No ensino médio, apesar de avanços ligeiramente superiores nos estratos baixos e médios, a disparidade entre as faixas de renda ainda é extremamente alta.