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Rev. dor vol.18 número2

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Academic year: 2018

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ABSTRACT

BACKGROUND AND OBJECTIVES:Chest pain is a major reason for hospitalization in the public network due to its sub-jectivity, non-speciicity, lack of nurses and physicians’ qualii-cation, quality of assistance and the fact that chest pain patients satisfaction is still far away from ideal. his study aimed at evalu-ating the quality of assistance of acute chest pain patients in the State of Ceará, Brazil.

METHODS: his is a descriptive, exploratory and analytical study. After applying a form, a sample of 430 patients and 50 professionals of a reference hospital was obtained. Non-parame-tric statistics was used for analysis and discussion. Dependent variables and users’ satisfaction were correlated for the develop-ment of tables and simple descriptive statistical analysis.

RESULTS:hree hundred and eighty-one patients (65.65%) have looked for assistance more than once, returning for several reasons, even when there were other units for health follow up in their respective region. Most users (n=422) have not noticed assistance barriers with regard to materials and human resources (83.17). However, delay in assistance (9.0%) was the most im-portant barrier perceived by those referring diiculties (n=38). CONCLUSION:he complex assistance to acute chest pain pa-tients afects the analysis of the quality of assistance provided to users. he high number of patients makes the service chaotic be-cause the relationship between health professionals and structure is not satisfactory, requiring the insertion of more professionals and improvement in assistance time.

Keywords: Chest pain, Patients’ satisfaction, Quality.

Quality of assistance of acute chest pain patients in the State of Ceará, Brazil

Qualidade da assistência à pacientes com dor torácica aguda no estado do Ceará, Brasil

Ana Cláudia de Souza Leite1, Amaurilio Oliveira Nogueira2, Luis Gustavo Oliveira Farias1

1. Universidade Estadual do Ceará, Centro de Ciências da Saúde, Curso de Graduação em Enfermagem, Fortaleza, CE, Brasil.

2. Universidade Federal do Ceará, Departamento de Fisiologia e Farmacologia, Unidade de Farmacologia Clínica, Fortaleza, CE, Brasil.

Apresentado em 22 de agosto de 2016. Aceito para publicação em 04 de abril de 2017.

Conlito de interesses: não há – Fontes de fomento: Programa de Pesquisa para o SUS-PPSUS do Ministério da Saúde (MS), Fundação Cearense de Amparo à Pesquisa-FUNCAP e Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e Tecnológico-CNPq.

Endereço para correspondência:

Avenida Dr. Silas Muguba, 1700 - Campus do Itaperi 60740-000 Fortaleza, CE, Brasil.

E-mail: [email protected]

© Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor

RESUMO

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A dor torácica é uma das principais causas de internação na rede pública e devido ao ca-ráter subjetivo da dor, à inespeciicidade da dor torácica, e à de-iciência na capacitação de proissionais enfermeiros e médicos, à qualidade dos atendimentos e à satisfação dos pacientes com dor torácica que ainda está longe de ser o ideal. Neste contexto, este estudo teve como objetivo analisar a qualidade da assistência à pacientes com dor torácica aguda no estado do Ceará-Brasil. MÉTODOS: Pesquisa do tipo descritiva, exploratória e analítica. Aplicou-se um formulário e obteve-se uma amostra 430 pacientes e 50 proissionais do hospital de referência. Utilizou-se estatística não paramétrica para análise e discussão. As variáveis dependentes e a satisfação dos usuários foram correlacionadas para a construção de tabelas e análise estatística descritiva simples.

RESULTADOS: Trezentos e oitenta e um pacientes (65,65%) já buscaram o serviço mais de uma vez para atendimento, retornan-do por diversos motivos, mesmo existinretornan-do outras unidades para o acompanhamento de saúde em sua respectiva regional. A maio-ria dos usuários (n=422) não percebeu barreiras no atendimento quanto a materiais e recursos humanos (83,17%). No entanto, a demora no atendimento (9,0%) constituiu a maior barreira percebida por aqueles referiram haver diiculdades (n=38). CONCLUSÃO: A complexidade do atendimento à pacientes com dor torácica aguda afeta a análise da qualidade da assistência prestada aos usuários. O elevado número de atendimentos torna o serviço caótico, pois a relação entre proissionais de saúde e estrutura é insatisfatória, requerendo a inserção de mais prois-sionais e a melhoria do tempo de atendimento.

Descritores: Dor torácica, Qualidade, Satisfação do paciente.

INTRODUÇÃO

A Constituição Federal de 1988 reformulou os paradigmas brasi-leiros de saúde levando a um novo sistema até então pouco visto e posteriormente elogiado por muitos países de primeiro mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS), trazendo em suas formulações rele-vantes princípios de uma assistência em saúde igualitária, integral e universal, entre outros1. A adesão ao novo sistema de saúde também gerou novas necessidades administrativas e gerenciais que viessem a suprir todas as demandas de um sistema dessa magnitude e comple-xidade. Dessa forma, a otimização de recursos, bem como a busca pela qualidade e resolutividade da assistência em saúde se tornaram imprescindíveis2.

Nessa visão, é importante ouvir e compreender as demandas dos usuários quanto às expectativas do atendimento, pois outros estudos

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já demonstraram que as expectativas associadas à percepção sobre o cuidado recebido apontam para medidas sobre a satisfação do usu-ário3. Além disso, atualmente, a visão do usuário pode ser ampliada à avaliação da qualidade do SUS perfazendo opiniões a respeito do ambiente e das relações com os proissionais4.

O termo qualidade é deinido pelo QualiSUS como um índice de que os serviços de saúde estão satisfazendo às necessidades, expec-tativas e padrões de atendimento dos indivíduos e suas famílias. A obtenção dessas informações congrega um verdadeiro banco de dados para a construção do conhecimento sobre o alcance da qua-lidade da atenção4.

As unidades hospitalares vinculadas ao SUS são asseguradas pelos gestores de saúde no processo de planejamento estratégico do atendimento, seguindo ideais no sentido de atender às necessi-dades de saúde e expectativas do ser humano, viabilizando eici-ência e eicácia no cuidado ao paciente, promovendo a qualidade da assistência2.

A dor torácica tem sido uma das principais causas de internação na rede pública, uma vez que as doenças cardiovasculares são respon-sáveis pelo maior índice de mortalidade e a sua avaliação adequada é um desaio. Devido ao caráter subjetivo da dor, à inespeciicidade da dor torácica e à deiciência na formação e na capacitação de pro-issionais enfermeiros e médicos, à qualidade dos atendimentos, e a satisfação dos pacientes com dor torácica ainda está longe de ser a ideal5. Diante desse contexto, esta pesquisa teve como objetivo ana-lisar a qualidade da assistência à pacientes com dor torácica aguda no estado do Ceará-Brasil.

MÉTODOS

Estudo categorizado como uma pesquisa exploratória com aborda-gem quantitativa, no qual foi avaliada a qualidade da assistência à pacientes com dor torácica aguda.

A população constou de 430 usuários e 52 proissionais (médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem) de uma unidade de emergência cardiopulmonar de referência no estado, durante o período de março de 2007 a fevereiro de 2010, onde foram incluí-dos usuários e proissionais com idade de 18 a 60 anos de ambos os sexos, e excluídos os que tinham relato de transtornos psiquiátricos, incongruência verbal, auditiva e irritação.

Aplicou-se formulário aos usuários com questões sobre dados só-cio-demográicos (sexo, idade, estado civil, escolaridade, ocupação e procedência) e as diiculdades do atendimento (materiais, equi-pamentos, recursos humanos e satisfação do usuário). Para os pro-issionais, aplicou-se formulário contendo questões sobre os dados sócio-demográicos, formação acadêmica e as diiculdades percebi-das sobre materiais, equipamentos e recursos humanos. Além desses instrumentos de coleta de dados, buscaram-se informações sobre o número de atendimentos no serviço de internações hospitalares da emergência do hospital da pesquisa.

A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa do Hospi-tal do local da pesquisa, conforme a Resolução n° 196, do Conselho Nacional da Saúde, de 10 de outubro de 1996, que regulamenta a pesquisa com seres humanos. Após parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa com protocolo de número 431/07, obteve--se registro da aceitação dos pacientes em participar da pesquisa por

meio de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, tendo sido informado aos pacientes os objetivos da pesquisa e o sigilo conferido às informações e identidades.

Análise estatística

Os dados foram organizados em planilha do programa Excel 2007 para leitura transversal dos resultados. As variáveis dependentes (per-cepção das diiculdades sobre o atendimento) e a satisfação dos usu-ários foram colocadas em relação e lidas de forma transversal para a construção de tabelas para análise estatística descritiva simples com discussão conforme literatura pertinente sobre responsividade, satis-fação do usuário e textos do QUALISUS.

RESULTADOS

No setor de emergência do hospital de referência cardiovascular da macrorregião de Fortaleza encontrou-se que o número de atendi-mentos totais, ocorridos em 2008 e 2009, foi de 242.276 mil pa-cientes com média (M±) de 80758,67 e desvio padrão (DP) de 122394,67. A organização dessa demanda sob a forma de gerencia-mento de risco engloba pacientes em sala de parada e em observação, e também aqueles agendados para consultas médicas e atendimento clínico para dor torácica aguda do setor de emergência.

Desse total de atendimentos, a parcela que interessa para a pesquisa (n=430) era de usuários que passaram por atendimento clínico para dor torácica aguda e não foram internados, representando 57,07% do total de atendimentos. Em média havia 10.593 mil atendimen-tos em 2008 com 52,47% e de 9.597 mil, respectivamente com 47,53% em 2009. Ambos tiveram diferença entre as médias (M±) mensais de atendimento de 6,9314 e desvio padrão de 8,1738, com resultado signiicativo para o t de Fisher (t=1,19) com intervalo de coniança de 95%, tendo valor de p=1.

Dos usuários atendidos neste setor após triagem e consulta médica, obteve-se amostra de 430 pacientes com dor torácica. A maioria era do sexo feminino (53,4%) com idade entre 61 a 70 anos (33,79%), com ensino fundamental incompleto (47,32%), casada (52,56%), aposentada (39,07%), procedente ou com moradia na cidade de Fortaleza (96,78%).

Estes usuários buscaram atendimento no setor de emergência deste hospital de referência do Estado por motivações variadas (n=429) (Tabela 1) e possuíam atendimentos clínicos anteriores (n=281) (Tabela 2).

Tabela 1. Motivação pelo atendimento em uma unidade de referên-cia. Fortaleza/CE, Brasil, 2007-2010

Motivo da busca de atendimento (n=429) n (%)

Proximidade ao domicílio 28(6,52)

Busca de serviço cardiopulmonar 146(34,03)

Devido à qualidade e rapidez do atendimento 19(4,42)

Por encaminhamento de outras unidades de saúde 124(28,9)

Por orientação de familiares ou pessoas próximas 22(5,12)

Já faz acompanhamento neste hospital 66(15,38)

Outros 24(5,59)

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A motivação predominante referida pelos usuários (n=429) ocorreu devido ao fato de que o serviço em questão é uma unidade de refe-rência em atendimento na especialidade cardiopulmonar (34,03%) (Tabela 1).

A macrorregião de saúde “Fortaleza” dispõe de serviços de baixa, média e alta complexidade, disponibilizados nas diversas unidades de saúde. As Unidades Básicas de Saúde da Família (UBASF) garan-tem o livre acesso aos serviços e programas de saúde, principalmente a usuários com riscos para doenças cardiovasculares e pulmonares, enfatizando os programas “Hipertensão” “Diabetes”, e “Saúde do Idoso”, que teoricamente devem contribuir para diminuir atendi-mentos e sobrecargas nas emergências cardiovasculares. Neste con-texto, apenas 28,9% (Tabela 1) dos usuários desta pesquisa infor-maram que foram encaminhados de outras unidades de saúde que frequentavam.

Desse modo, 65,65% (381) já buscaram o serviço mais de uma vez para atendimento, retornando por diversos motivos, mesmo existin-do serviços de referência para o acompanhamento de saúde na sua respectiva Regional de Saúde.

A maioria dos usuários (n=422) não percebeu barreiras no aten-dimento quanto a materiais, equipamentos e recursos humanos (83,17%). No entanto, a demora no atendimento (9,0%) consti-tuiu na maior barreira percebida por aqueles que referiram ter dii-culdades (n=38) (Tabela 2).

Na percepção dos proissionais, a maioria (n=40) referiu como barreira predominante o número insuiciente de médicos no setor (80%) (Tabela 2), Embora 84,61% desses proissionais tenha con-siderado a equipe capacitada para desenvolver suas atividades com êxito. Quanto à resolução dos problemas de saúde pelo serviço, a maioria da amostra (n=281) com o percentil de 71,6%, referiu que o serviço era resolutivo (Tabela 3).

Aqueles que airmaram que o serviço de atendimento à dor torácica aguda não tinha resolução apresentaram um percentil muito baixo

de 2,04%, no entanto relataram algumas diiculdades enfrentadas no serviço anteriormente, como por exemplo, demora no atendi-mento, falta de proissionais e desorganização. Parte daqueles que descreveram diiculdades no atendimento (Tabela 2) foram os mes-mos usuários que airmaram que o serviço estava em processo de resolução (24,82%) apresentando as diiculdades descritas na tabela 2 e também frequentavam o serviço pela primeira vez.

Desse modo, encontraram-se pólos de satisfação com respectivos ní-veis. O primeiro daqueles que se sentiram satisfeitos, representados por níveis entre estar “muito satisfeito” e simplesmente “satisfeito”, e o segundo pólo daqueles que se consideram insatisfeitos, represen-tados pelos “pouco satisfeitos” e os “insatisfeitos” completamente. Desse modo, observou-se que o nível de satisfação (Tabela 4) dos usuários atendidos com dor torácica teve predomínio da categoria “satisfeitos” com o percentil de 63,8% (n=268).

Tabela 4. Satisfação e diiculdades do atendimento segundo usuários do serviço. Fortaleza/CE, Brasil, 2007-2010

Nível de Satisfação Diiculdade no atendimento

Inexistente (n=351)

Existente (n=69)

n=420

Muito satisfeito 106 (30,19%) 5 (7,24%) 111 (26,42%)

Satisfeito 229 (65,24%) 39 (56,52%) 268 (63,8%)

Pouco satisfeito 13 (3,7%) 19 (27,53%) 32 (7,61%)

Insatisfeito 3 (0,8%) 6 (8,69%) 9 (2,14%)

Fonte: dados primários.

Porém percebeu-se que mesmo estando satisfeitos, 39 pacientes rela-taram diiculdades enfrentadas com relação ao atendimento, poden-do estar relacionadas a diversos fatores, que mesmo assim não inter-feriram no índice de satisfação, uma vez que a comparação entre o que ocorre de fato e o que é percebido pelo o paciente é diferente. Esse percentil analisado é pouco expressivo quando comparado aos que não relataram diiculdades.

DISCUSSÃO

O cuidado clínico de pessoas com dor torácica deve estar presente des-de o processo des-de planejamento, até a execução com avaliação contínua e em coparticipação com os usuários e proissionais envolvidos. Dessa forma, a participação social ganha espaço na gestão de saúde e permite a formulação de estratégias eicazes para a avaliação e manuseio desses pacientes, evitando o retardo no atendimento passível de complica-ções, oferecendo, assim, atendimento com qualidade e satisfação6. A busca pelo atendimento de emergência por pacientes que sofrem com dor torácica constitui um valor signiicativo, pois, anualmente

Tabela 2.Barreiras no atendimento para usuários e proissionais. For-taleza/CE, Brasil, 2007-2010

Barreiras no atendimento n (%)

Percepção do usuário (n=422)

Nenhuma 351(83,17)

Demora 38 (9,0)

Lotação 12(2,84)

Poucos proissionais 9 (2,13)

Desorganização 5 (1,18)

Burocracia 4 (0,94)

Falta de prioridade 1 (0,23)

Sem eiciência 1 (0,23)

Percepção dos proissionais (n=50)

Elevada demanda de pacientes 13 (26,92)

Carências de proissionais para a demanda 14 (28,84)

Falta de alguns materiais e equipamentos (material para curativo, vestuário dos pacientes, maca, cadeira de rodas e oxímetro de pulso)

8 (17,30)

Número insuiciente de médicos no setor 40 (80,00)

Fonte: dados primários.

Tabela 3. Resolução do problema que ocasionou a busca do serviço de atendimento referido pelos pacientes desta pesquisa. Fortaleza/ CE, Brasil, 2007-2010

Resolução (n=392) n (%)

Resolutividade 281 (71,6)

Sem resolução 8 (2,04)

Em resolução 103(26,27)

(4)

no Brasil são realizado mais de 4 milhões de atendimentos a pacien-tes caracterizados com essa dor e de acordo com dados de 2001, as doenças do aparelho circulatório constituíram a terceira principal causa de internação pelo SUS7,8.

Essa realidade é comparada à estatística realizada no hospital do es-tudo, pois de acordo com os dados fornecidos pelo SAME (Serviço de Atendimento Médico e Estatística), o número de internações no setor emergência por pacientes acometidos por essa dor representa um valor signiicativo, cujos dados já foram apresentados nos resultados, e a literatura evidenciou que a situação dos serviços de emergência, de uma forma geral, é motivo de preocupação, pois o seu uso tem experi-mentado um importante crescimento nas últimas décadas9.

O setor de emergência é a melhor porta de entrada para o serviço público de saúde, sendo este meio bastante utilizado por pacientes com dor torácica, uma vez que as doenças do aparelho circulatório foram as principais causas de morte no Brasil, em ambos os sexos, não existindo um impacto de gênero signiicativo10.

As causas das diferenças relacionadas ao sexo ainda não foram dei-nidas de forma absoluta11, porém, a presença de um maior quanti-tativo do sexo feminino (53,4%), principalmente com idade entre 61 e 70 anos, no presente estudo, pode estar associada ao fato de elas estarem no período de climatério, uma vez que pesquisas evidencia-ram que o período de queda hormonal em mulheres pode acarretar propensão à presença de doença cardiovascular12.

As demais evidências encontradas na caracterização da amostra, como a prevalência de aposentados, casados e com baixo índice de escolaridade, mostraram-se similares a uma pesquisa realizada na ci-dade de Campinas13.

A motivação para a procura do serviço hospitalar em estudo traz em evidência o fato de a unidade onde se realizou a pesquisa ser de refe-rência no SUS, pois 33,95% o procuraram por ser local de referefe-rência em atendimento cardiopulmonar e 28,84% por encaminhamento de outras unidades de saúde.

Os demais apontamentos com relação ao motivo da busca do atendi-mento, mesmo possuindo percentil inferior, conferem um reconheci-mento por parte de seus usuários como um serviço que presta aten-dimento qualiicado, aceitando e coniando na assistência prestada. A busca do serviço evidencia um luxo de funcionamento em con-sultórios de atendimentos com especialistas cardiologistas e pneu-mologistas com alto percentil (65,65%) de atendimentos anteriores, compondo o quantitativo de pacientes que validam a superlotação da unidade, uma vez que existem serviços de saúde alternativos para dar continuidade ao tratamento, devendo-se orientar a população de forma adequada, para permitir melhor organização no sistema hospitalar. Essa busca pode também ser prevenida através da im-plementação de estratégias de educação em saúde, possibilitando maior adesão ao tratamento farmacológico, diminuindo, assim, as readmissões hospitalares13.

As readmissões hospitalares podem estar relacionadas à existência de falhas no próprio sistema organizacional da instituição e a fatores comportamentais dos usuários do serviço, como por exemplo, a não adesão à terapia farmacológica, a diiculdade para modiicar o estilo de vida e até mesmo a demora na busca de atendimento médico quando reconhece a piora do seu quadro clínico13.

A resolubilidade dos serviços de saúde é uma maneira de se avaliar as instituições e a qualidade da assistência proissional a partir dos

re-sultados obtidos do atendimento ao usuário, pois relete a resolução inal dos problemas trazidos ao serviço somada à satisfação dos clien-tes14. Dentre os 281 pacientes remanescentes, o serviço mostrou--se resoluto para 65,35%, atendendo às expectativas do paciente, motivando-os a buscar o serviço sempre que julgarem necessário. A unidade em questão demonstrou efetividade para atender às ne-cessidades da população na qual ele deveria suportar, porém, devido à alta demanda, ocorrem algumas diiculdades que foram relatadas por proissionais e usuários do serviço, como por exemplo, o quanti-tativo insuiciente de médicos para a demanda (83,14%) e a demora no atendimento (63,45%), respectivamente.

Segundo relatos de pacientes, a satisfação do atendimento mostrou--se positiva; 26,24% airmaram estar muito satisfeitos e 63,35% es-tavam satisfeitos, podendo atribuir esses valores, a partir da análise da percepção deles, a um sistema hospitalar que rege com qualidade, uma vez que somente 16,31% vivenciaram diiculdades no aten-dimento, embora o quantitativo de idosos (>65 anos) e a baixa es-colaridade da amostra desta pesquisa possam indicar uma aceitação maior dos serviços públicos ofertados.

Atualmente autores sustentam a ideia da importância da percepção do paciente ao avaliar a qualidade de assistência15,16. No Brasil, o Conselho Nacional de Secretários da Saúde juntamente com o Mi-nistério Público realizou o estudo “A saúde na opinião dos brasilei-ros”, em 2003, com o intuito de analisar a satisfação dos usuários com o sistema de saúde17. Essa satisfação é considerada uma meta a ser alcançada pelos serviços, devendo, portanto, ser pesquisada vi-sando ao aperfeiçoamento no sistema de serviços de saúde. O Sistema Público de Saúde possui suas diretrizes voltadas para tor-nar digno o acesso à saúde, empenhando-se, por meio do Ministério Público, para formulações de programas que visam à qualidade da assistência, com princípios que visam a elevar o nível dessa quali-dade, gerando maior satisfação do paciente, legitimando, assim, a política de saúde desenvolvida no país4.

CONCLUSÃO

A complexidade do atendimento à pacientes com dor torácica aguda oferecida pela unidade de referência em atendimento cardiopulmo-nar do Ceará afeta a análise da qualidade da assistência prestada aos usuários.

O elevado número de atendimentos torna o serviço caótico, pois a relação entre proissionais de saúde, estrutura e organização é insatis-fatória, requerendo a inserção de mais proissionais e a melhoria do tempo de atendimento. Esses elementos foram considerados barrei-ras principais para o atendimento, embora o nível de satisfação tenha sido bom com baixo percentual de diiculdades no atendimento.

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Tabela 1. Motivação pelo atendimento em uma unidade de referên- referên-cia. Fortaleza/CE, Brasil, 2007-2010
Tabela 3. Resolução do problema que ocasionou a busca do serviço  de atendimento referido pelos pacientes desta pesquisa

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