IDAAM Educação Superior
MBA Executivo em Gestão de Pessoas e Coaching
Trabalho de Conclusão de Curso – TCC Position Paper
Empregabilidade e Planejamento de Carreira: Uma Análise da Perspectiva de Alunos de Graduação
Aluno: Marta Nogueira de Alencar da Silva Orientador: Prof. Dr. José Carlos Reston Filho Turma: GC83B
Manaus 2018
I – Da obra e do autor
Mariana Stachiu é mestre em Psicologia pela Universidade Tuiuti do Paraná. Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2003). Atualmente é professora titular da Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco e Coordenadora do Núcleo de Apoio ao Discente. Tem experiência na área de Comportamento Organizacional, com ênfase em Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: gestão de pessoas, comportamento organizacional, desenvolvimento pessoal e profissional, comunicação eficaz, gestão do conhecimento e coaching. É sócia-diretora da Potencial Desenvolvimento Humano. Atua como Consultora e Coach.
Neste position paper será feita uma síntese sobre sua dissertação “Coaching de carreira: Análise de uma intervenção em um grupo de alunos de graduação” tratando especificamente do Artigo I da dissertação com o tema “Empregabilidade e planejamento de carreira: uma análise da perspectiva de alunos de graduação”. O artigo apresenta a perspectiva que os alunos têm a respeito de sua empregabilidade e de sua carreira profissional, a partir da análise de entrevistas individuais com um grupo de alunos de graduação voluntários da pesquisa. Stachiu busca analisar criticamente a conjuntura do processo de empregabilidade e oportunizar maior reflexão ao grupo de alunos, por fim ela conclui que o futuro profissional já é pensado, porém pouco articulado com a realidade e com planos concretos.
II - Síntese
No primeiro tópico do artigo a autora explana sobre os conceitos de carreira e empregabilidade, não apenas enquanto conceitos formais, mas que também representam maneiras de buscar inserção social por meio do sucesso profissional, de forma que contribua não apenas com o ganho financeiro, mas que vão ao encontro de valores, desejos, escolhas assertivas, reconhecimento e felicidade pessoal. Ela ressalta ainda a atuação da psicologia social comunitária, analisando o homem como participante e contribuinte de uma comunidade, gerando desenvolvimento através do trabalho e de uma maior conscientização dos processos psicossociais.
No tópico que trata dos métodos e dos participantes, a autora apresenta a metodologia utilizada, foram entrevistados 12 alunos de uma instituição de ensino superior particular, localizada na cidade de Curitiba/PR. Utilizando a metodologia de coaching e da epistemologia social comunitária a pesquisadora efetuou entrevistas individuais e procedeu à análise dos dados. As categorias elegidas para a análise foram: (a) escolha profissional, (b) percepções em relação ao mercado de trabalho, (c) empregabilidade, (d) projeto de vida, e (e) preparo para o mercado de trabalho.
No tópico dos resultados e discussão a autora analisa e apresenta os resultados obtidos nas entrevistas de cada categoria:
A escolha profissional dos discentes pesquisados foi influenciada pelas informações que adquiriam ao longo de sua vida a respeito do mundo do trabalho. Dessa forma, ampliar o conhecimento sobre diferentes profissões dará oportunidade ao sujeito de ampliar possibilidades de escolhas mais adequadas para seu futuro profissional.
Sobre as percepções em relação ao mercado de trabalho, a pesquisadora evidenciou que a maioria dos participantes possuía uma percepção pessimista em relação ao mercado de trabalho atual, caracterizado por suas constantes mudanças. Outra questão evidenciada é o pensamento individualista, onde o discente desconsidera as condições socioculturais e políticas em que está envolvido, sendo ele considerado como único responsável pelo seu sucesso profissional. Isso pode gerar a insegurança descrita pelos participantes, que percebem o mercado de trabalho como ameaçador, gerando angústias e incertezas, acreditando que estão sozinhos e
que tudo depende apenas deles, desconsiderando outros fatores relevantes à sua trajetória profissional.
A maioria dos entrevistados, mesmo sem conseguir definir o real significado de empregabilidade, relataram suas ações para aperfeiçoar sua empregabilidade e ainda demonstraram manter uma rede de contatos no intuito de contribuir para o sucesso da carreira profissional.
Quando questionados sobre o projeto de vida, os entrevistados buscam por uma ascensão profissional, apontando que gostariam de ter seu próprio negócio, buscando estabilidade através de concurso público e ainda estar em uma posição de gerência e/ou coordenação.
Sobre o preparo para o mercado de trabalho, a maioria relatou não se sentir preparado para sua futura profissão. Os entrevistados apontam que esse preparo depende em grande parte das ações específicas de cada um.
III – Contribuição de outros autores sobre o tema
O termo empregabilidade tornou-se muito recorrente pela importância que assumiu no contexto atual para enfrentar as mudanças num mercado de trabalho cada vez mais exigente e de fortes concorrências.
Para Silva (2016, p. 3), a empregabilidade não se resume apenas às características de alguém apto a assumir um novo emprego, inserindo-se no mercado de trabalho, como julga o senso comum.
Silva (2016, p. 3 apud Lena, 2010, p. 35) conceitua empregabilidade como “a capacidade do indivíduo de conseguir novas oportunidades de emprego, manter-se empregado e também de conseguir promoções, por meio de seus conhecimentos, habilidades e atitudes”.
A carreira profissional, segundo Sampaio (2011), está relacionada diretamente ao projeto de vida de cada pessoa, com um horizonte mais amplo e mais distante no tempo e no espaço. Para Sampaio (2011), a carreira é um sinônimo de vida profissional, uma trajetória ocupacional ao longo de toda a vida de uma pessoa. O foco é uma perspectiva abrangente, que envolve o tempo e a abertura para um possível leque de ocupações. “No enfoque de uma carreira, o mais importante passa a ser a trajetória ocupacional, o movimento evolutivo e progressivo para a realização pessoal de um projeto de vida.” (Sampaio, 2011, p. 37).
Para Martins (2007, p. 311), as escolhas relacionadas à profissão devem ser baseadas no conhecimento sobre si mesmo e sobre a realidade do mundo do trabalho, pois, “se não no início de sua trajetória de vida, mas em pelo menos algum momento desse percurso, alcança um conhecimento do mundo e de si mesmo a partir do qual possa fundamentar as escolhas que pautam o curso de sua vida”.
Segundo Lisboa e Soares (2017, apud, Soares, 2000), o planejamento de carreira se constitui num processo no qual o indivíduo determina suas habilidades, seus interesses e valores. Ele possibilita a elaboração de objetivos profissionais e o estabelecimento de planos para alcançá-los. Supõe planificar a direção que se deseja ter no desenvolvimento da carreira, em função das características pessoais e das condições da realidade laboral. Não significa uma escolha rígida e definitiva, mas principalmente uma direção pela qual o indivíduo está optando ao iniciar a trilha de sua trajetória profissional.
Na era da informação, criam-se tecnologias a cada dia. Nesse contexto o mercado de trabalho é cada vez mais instável e altamente competitivo, gerando nos trabalhadores uma necessidade constante de desenvolvimento de suas competências (Silva, 2016. p. 18).
Em suma, o trabalhador deve estar preparado para enfrentar o mundo do trabalho flexível e muitas vezes precário, o que implica aprendizagens multidisciplinares que se fazem e desfazem ao mover de um mercado regido pela fluidez, incerteza e rapidez (Lisboa e Soares, 2017).
IV – Posicionamento crítico
Com a visão de empregabilidade apresentada pelos autores referenciados no item anterior e corroborando com o posicionamento de Stachiu, percebe-se que a carreira e o sucesso profissional tornam-se cada vez mais responsabilidade do próprio profissional, que deve buscar investir em sua carreira para desenvolver as suas competências e aumentar suas chances de alocação no mercado de trabalho. Outro ponto levantado pela autora e também bastante válido é de que o ser humano sempre tende a acreditar que é o único responsável pelo seu sucesso profissional, desconsiderando o ambiente ao seu redor, as condições socioculturais e políticas e até mesmo outros fatores relevantes em sua trajetória, como a família por exemplo.
Concordo que a maior parte do sucesso profissional é devida ao próprio indivíduo e seu esforço em construir seu futuro, mas há também uma grande influência do meio/comunidade em que está inserido, coadunando com o conceito de psicologia social comunitária apresentado por Stachiu, que correlaciona os sistemas sociais e o comportamento humano.
A percepção pessimista apontada pelos entrevistados em relação ao mercado de trabalho é um exemplo real e vivenciado tanto pelos jovens (iniciando a carreira) quanto pelos trabalhadores mais experientes (já inseridos no mercado de trabalho), sendo fruto de um mercado em constante mudança e que exige adaptação contínua do profissional, gerando muitas vezes o sentimento ansiedade, angústia e extrema vulnerabilidade.
No aspecto da carreira, como ocorre com a maioria dos discentes, a escolha se dá a partir das vivências e habilidades já desempenhadas ou conhecidas pelos indivíduos. Mesmo que o estudo desenvolvido por Stachiu tenha abrangido apenas 12 alunos, representa a grande parte dos acadêmicos, sendo as experiências de vida um fator determinante ou colaborativo para a escolha da carreira, fato também evidenciado por outros autores.
Um fator muito importante para o sucesso profissional é o planejamento de carreira, a visão do futuro almejado e o caminho a ser trilhado para alcança-lo. É interessante que no resultado da pesquisa, Stachiu identificou nos alunos uma noção do que queriam ser, ter e fazer, mas o trajeto para efetivar a visão ainda era pouco claro e específico, demonstrando ausência de planejamento para atingir os resultados desejados. De fato, na fase acadêmica ainda somos inexperientes e o planejamento de carreira exige muito autoconhecimento para tornar mais fácil a condução da trajetória profissional. A inexperiência dos alunos é também uma oportunidade para
que eles busquem o desenvolvimento pessoal e profissional através de cursos extracurriculares, da própria graduação, bem como outras ações apontadas pelos próprios alunos durante a pesquisa.
No aspecto geral as ideias apresentadas pela autora são representativas da realidade vivenciada no âmbito acadêmico da graduação e ressaltam a contribuição positiva da atuação da psicologia social comunitária e das técnicas do coaching para ampliar o conhecimento dos participantes sobre si mesmos e sobre seus objetivos de vida.
V – Referências bibliográficas
STACHIU, Mariana. Coaching de carreira: Análise de uma intervenção em um grupo de alunos de graduação. 2013. 85p. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Tuiuti do Paraná.
LISBOA, Marilu Diez; SOARES, Dulce Helena Penna (Org.) Orientação profissional em ação: formação e prática de orientadores. São Paulo: Editora Summus, 2017.
MARTINS, L. C. “Escolha profissional e desenvolvimento: contribuições a partir da perspectiva sócio-histórico-cultural”. In: Barros, D. T. R.; Lima, M. T.; Escalda, R. (Orgs.). Escolha e inserção profissional: desafios para indivíduos, famílias e instituições – Orientação profissional: teoria e técnica. v. 3. São Paulo: Editora Vetor, 2007.
SAMPAIO, M. Coaching de Carreira. São Paulo: Editora Rideel, 2011.
SILVA, Altair José da (Org.). Desenvolvimento pessoal e empregabilidade. São Paulo: Editora Pearson Education do Brasil, 2016.