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Doutorando e mestre em Direito pela Universidade de Brasília – UnB, na Linha Internacionalização, Trabalho e Sustentabilidade, com ênfase em Sustentabilidade, Meio Ambiente e Direitos Humanos. Membro do Grupo de Estudos em Direito, Recursos Naturais e Sustentabilidade, da Universidade de Brasília – GERN/UnB. [email protected]

Recebido em: 01.03.2018 Pareceres em: 09.04.2018, 27.06.2018 e 23.07.2019

áreasdO direitO: Consumidor; Internacional resumO: O artigo analisa a ocorrência de violações aos direitos do consumidor no meio digital, em relações comerciais eletrônicas ou interações por plataformas, com ênfase na proteção de dados e na violação ao direito fundamental à privacidade e à autodeterminação informativa no âmbito interna-cional. Por meio da revisão bibliográfica, normativa e jurisprudencial pertinente à temática, propõe que o âmbito adequado para a solução de tais pro-blemáticas é o mesmo âmbito de ocorrência das violações, o global. Tal proteção pode ocorrer pelo uso de instrumentos de cooperação, convenções e políticas públicas voltadas para tais fins. Para tanto, serão abordadas algumas considerações acerca das relações de consumo digitais, assim como sobre o conceito de consumidor no plano internacional, a fim de que, delineados tais pressupostos, se possa arrolar os principais aspectos problemáticos das re-lações de consumo digitais em âmbito internacional no que diz respeito, especificamente, à proteção de dados, para que se proponham alguns instrumentos potencialmente adequados ao regular desenvolvi-mento de tais relações.

abstraCt: The article analyzes the occurrence of consumer rights violations in the digital environ-ment, in electronic business relations or interac-tion platforms, with emphasis on internainterac-tional data protection and violation of the fundamental right to privacy and informational self-determi-nation. Through the bibliographic, normative and jurisprudential review pertinent to the thematic, it proposes that the adequate scope for the solution of such problems is the same scope of occurrence of violations, the global one. The protection can oc-cur through the use of instruments of cooperation, conventions and public policies for such purposes. In order to do so, some considerations about digital consumer relations, as well as the concept of con-sumers at the international level, will be addressed, so that, in the light of such assumptions, the main problematic aspects of digital consumer relations in the international arena can be which specifically concerns data protection, in order to propose some instruments that are potentially suitable for the reg-ular development of such relationships.

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Palavras-Chave: Internet  – Relações de

consu-mo  – Direito internacional  – Privacidade  – Dados pessoais.

KeywOrds: Internet – Consumer relations – Inter-national law – Privacy – Personal data.

suMáRio: Introdução. 1. A Era Digital e a primazia do e-commerce. 2. O conceito de consumidor

no contexto internacional. 3. Privacidade e proteção de dados pessoais no e-commerce.

4. Me-canismos e perspectivas para proteção internacional do consumidor. Conclusões. Referências bibliográficas.

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ntrodução

O avanço tecnológico e a difusão da internet possibilitaram que as interações comerciais passassem a ocorrer em um novo âmbito relações, marcado, predomi-nantemente, pela intertemporalidade e informalidade, assim como pela presença do caráter transnacional e de semianonimato, elementos característicos do e-commerce. No Brasil, a recente Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) solidificou a autodeter-minação informativa como um de seus fundamentos (art. 2º da Lei 13.709/2018), fortalecendo a necessidade do livre acesso e da transparência em relação aos titulares dos dados na forma de seus princípios (art. 6° da Lei 13.709/2018), proibindo o tra-tamento de dados pessoais sem o consentimento específico e em destaque (art. 11,

caput, e alínea I da Lei 13.709/2018)1.

A autodeterminação informativa compreende o poder decisório do indivíduo quanto ao controle, à determinação e à utilização de seus dados pessoais em geral2. A

autodeterminação informativa é um elemento que compõe o núcleo da privacidade, uma vez que se vincula às informações que compõem a vida privada do indivíduo e, por essa razão, merece especial guarida para que se assegure o regular exercício da dignidade humana, consubstanciada na autonomia da vida privada dos indivíduos.

No que tange às transações comerciais eletrônicas, o âmbito de relações digitais possui todos os elementos necessários para o adequado exercício das atividades de consumo. Em tese, o consumidor pode exercer com maior rapidez e comodidade o contato com os bens e serviços de consumo, assim como ter acesso irrestrito às

1. A regra comporta exceção também para os casos em que o tratamento de dados for necessário para o cumprimento de obrigações do controlador de dados ou em ocasiões em que se verifi-ca manifesto interesse público ou, ainda, à proteção da vida, conforme se verifiverifi-ca no art. 11, II, da LGPC.

2. CANOTILHO, J. J. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 7. ed. Coimbra: Almedina, 2003. p. 515 e CARVALHO, Ana Paula Gambogi. O Consumidor e o Direito à Autodeter-minação Informacional: considerações sobre os bancos de dados eletrônicos. In: Revista de

Direito do Consumidor, São Paulo, n. 46, 2003.

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propõe-se que instrumentos de cooperação, convencionais e políticas públicas, não casuísticos, possam atuar no estabelecimento de padrões e marcos orientadores pa-ra condutas e papa-ra instituições a fim de que se estabeleçam boas práticas comerciais também no âmbito digital.

Ao adotar uma legislação específica para proteção de dados pessoais, o Brasil apresenta avanços em direção ao patamar protetivo internacional. Essa medida se re-vela como necessária diante da intensificação das relações digitais, bem como para a adequação quanto ao meio por uma perspectiva econômica, ao passo que a regulação das relações digitais implica em ganhos econômicos a partir do aumento da confia-bilidade do meio em que se desenvolvem.

Ressalta-se, aqui, a necessária atenção para a modernização do direito, a qual muito dificilmente acompanhara o cenário e constante evolução da Era Digital. Esse aspecto também ventila a necessidade de modernização dos padrões éticos de con-duta das partes envolvidas, o acesso à informação de modo transparente, a imple-mentação de políticas educacionais que proporcionem ao consumidor um melhor conhecimento do meio e de sua capacidade de autodeterminação informacional, a fim de que se resguarde o núcleo essencial da privacidade.

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esquisas dO

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ditOrial Veja também Doutrinas

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• Bancos de dados e superendividamento do consumidor: cooperação, cuidado e informação, de Káren Rick Danilevicz Bertoncello – RDC 50/36-57 e Doutrinas Essenciais de Direito do Consumidor 2/749-774 (DTR\2004\879);

• O direito fundamental à proteção de dados pessoais, de Laura Schertel Mendes – RDC 79/45-81 (DTR\2011\2474);

• Segurança da informação, proteção de dados pessoais e confiança, de Laura Schertel Men-des – RDC 90/245-260 (DTR\2013\11631); e

• Um novo direito fundamental: algumas reflexões sobre a proteção e o uso informatizado de seus dados, de Silney Alves Tadeu – RDC 79/83-100 (DTR\2011\2466).

Referências

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