SeTor miNeiro Do vale Do rio SÃo fraNciSco
Marcelo Ferreira de Vasconcelos1 Marcos Rodrigues1,2
José Maria Cardoso da Silva3
1departamento de zoologia, instituto de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Minas gerais, CP 486, 30161-970, Belo Horizonte, Mg, Brasil; [email protected]; 2[email protected];
3Conservation international, 2011, Crystal drive Suite 500, arlington, Va 22202; [email protected]
iNformaÇõeS geraiS
Nome da área: Setor mineiro do Vale do rio São Francisco
Coordenadas geográficas centrais: 16o45’S e 45o01’W
estado: Minas gerais
Municípios: Montalvânia, Januária, Manga, Matias Cardoso, itacarambi, Jaíba, Varze-lândia, Janaúba, São Francisco, Pedras de Maria da Cruz, São João da Ponte, Brasília de Minas, icaraí de Minas, São Romão, Ubaí, Santa Fé de Minas, Buritizeiro, ibiaí, Lagoa dos Patos, Jequitaí, Várzea da Palma, Pirapora, Lassance, Três Marias, São gonçalo do abaeté, Morada Nova de Minas e Felixlândia.
altitude: 560 m
Limites: Setor mineiro do Vale do rio São Francisco, desde a divisa do estado da Bahia até a represa de Três Marias.
Área total: 53.000 km2
Situação de conservação: a maior parte da área está desprotegida, embora existam as seguintes unidades de conservação: Parque Nacional do Peruaçu; estação ecológica de Pirapitinga; Áreas de Proteção ambiental (aPas) Lajedão, Cavernas do Peruaçu, Serra do Sabonetal e Bacia do rio Pandeiros; Parques estaduais Verde grande, Lagoa do Cajueiro, Veredas do Peruaçu e da Mata Seca; e Terra indígena Xacriabá (Camargos 2001).
DeScriÇÃo geral
O setor mineiro do Vale do rio São Francisco compreende zonas de contato entre os biomas Cerrado e Caatinga, onde diversas fisionomias do Cerrado são encontradas (cerradão, cerrado sentido restrito, campo sujo, campo limpo, veredas, matas secas e matas ciliares), além de áreas de caatinga arbórea e arbustiva. Lagoas marginais são muito comuns ao longo do rio São Francisco e de seus afluentes principais (Kirwan et al. 2001, 2004). a agropecuária representa a principal atividade econômica da região, embora vastas áreas de ambientes nativos e relativamente bem conservados ainda sejam encontradas ao longo do vale e em unidades de conservação.
eSpécieS migraTóriaS
No setor mineiro do Vale do rio São Francisco foram registradas, até o momento, 12 espécies neárticas migratórias. Observações sobre seus registros são citadas a seguir: • Águia-pescadora (Pandion haliaetus): foi registrada nos municípios de Pirapora e Morada Nova de Minas (andrade et al. 1991, Kirwan et al. 2001, obs. pess.). Seus registros de campo foram efetuados sempre na estação chuvosa, compreendida entre os meses de dezembro e janeiro (Kirwan et al. 2001, M.F. Vasconcelos obs. pess.);
• Sauveiro-do-norte (Ictinia mississippiensis): três indivíduos foram observados sobrevoando a região de Pirapora (Fazenda Jatobá da Mata) no dia 10 de janeiro de 2003 (Kirwan et al. 2004);
• Falcão-peregrino (Falco peregrinus): o único registro desta espécie provém das observações de Kirwan et al. (2001) na região de Januária. entretanto, os autores não mencionam a data do registro e o ambiente utilizado por esta espécie;
• Maçarico-pintado (Actitis macularius): registrado nos seguintes municípios: Januária, itacarambi, Pirapora e Três Marias (Mattos et al. 1991b, Ribon et al. 1995, Kirwan et al. 2001). Ribon et al. (1995) observaram quatro indivíduos no dia 16 de dezembro de 1988 em uma pequena barragem na região de Três Marias. Kirwan et al. (2001) registraram a espécie em Pirapora entre 16 e 18 de dezembro de 1999;
• Maçarico-solitário (Tringa solitaria): registrado nos seguintes municípios do setor mineiro do Vale do rio São Francisco: Manga, Januária e itacarambi (Mattos et al. 1991a,
Kirwan et al. 2001). Kirwan et al. (2001) encontraram a espécie na região da Fazenda Olho d’Água, município de itacarambi, entre 18 e 19 de dezembro de 1999;
• Maçarico-grande-de-perna-amarela (Tringa melanoleuca): registrado nos municípios de Manga, itacarambi, Jaíba e Pirapora (Mattos et al. 1991a, b, Kirwan et al. 2001). Mattos et al. (1991b) observaram alguns indivíduos em julho de 1985 às margens do rio Calindó, município de Manga. estes mesmos autores observaram dois indivíduos alimen - tan do-se em um brejo na região de Mocambinho, município de Jaíba, entre os dias 17 e 21 de outubro de 1989 (Mattos et al. 1991a). Kirwan et al. (2001) observaram a espécie em Pirapora, entre 16 e 18 de dezembro de 1999;
• Maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes): registrado nos seguintes municípios: Manga, Januária, itacarambi, Janaúba e Pirapora (Mattos et al. 1991b, Kirwan et al. 2001). O registro apresentado por Kirwan et al. (2001) para a região de Pirapora foi efetuado entre 16 e 18 de dezembro de 1999;
• Papa-lagarta-de-asa-vermelha (Coccyzus americanus): encontrado no setor mineiro do Vale do rio São Francisco no município de Janaúba e na região da Fazenda Olho d’Água, município de itacarambi, sendo o registro nesta última localidade efetuado entre 18 e 19 de dezembro de 1999 (Mattos et al. 1991a, Kirwan et al. 2001);
• Andorinha-azul (Progne subis): os únicos registros da espécie na região são baseados nas observações de dois machos sobrevoando o rio das Velhas, ao sul de Pirapora, além de dois machos sobrevoando o rio São Francisco em Mocambinho (Vasconcelos et al. 2006). ambas as observações ocorreram entre os dias 4 e 6 de setembro de 2005; • Andorinha-do-barranco (Riparia riparia): O único registro desta espécie no setor mineiro do Vale do rio São Francisco provém de observações na região de Pirapora, entre 16 e 18 de dezembro de 1999 (Kirwan et al. 2001);
• Andorinha-de-bando (Hirundo rustica): registrada na região nos seguintes municípios: Manga, Janaúba, Morada Nova de Minas e Felixlândia (Mattos et al. 1991a, M.F. Vasconcelos obs. pess.). Na região da Represa de Três Marias, municípios de Morada Nova de Minas e Felixlândia, a espécie foi registrada em janeiro de 2004, não sendo posteriormente detectada em expedições conduzidas nas mesmas localidades durante os meses de abril, julho e outubro do mesmo ano (M.F. Vasconcelos obs. pess.). Quando presentes nestas áreas, foram observadas centenas de indivíduos pousados em fios da rede elétrica próximo a fazendas (obs. pess.);
• Sabiá-norte-americano (Catharus fuscescens): um único registro desta espécie no setor mineiro do Vale do rio São Francisco é representado por um exemplar de sexo indeterminado, coletado por Frederico Q. amaral em ambiente florestal na Fazenda Santa Cruz, município de Felixlândia, no dia 31 de novembro de 2004. este espécime encontra-se depositado na Coleção Ornitológica do departamento de zoologia da Universidade Federal de Minas gerais (dzUFMg 4308). este registro está entre as áreas de invernada conhecidas para a espécie (Remsen 2001). Outro espécime, coletado em arinos em 17 de novembro de 1987, também na bacia hidrográfica do rio São Francisco, porém não em seu vale, é reportado por Remsen (2001).
ameaÇaS e recomeNDaÇõeS
as atividades agropecuárias são as principais responsáveis pela destruição e fragmentação de matas ciliares e matas secas. além disso, há produção clandestina de carvão vegetal e ocorrência de assentamentos agrários, além de extração de calcário (Silva e Oren 1997, Stattersfield et al. 1998, Kirwan et al. 2001, 2004, drummond et al. 2005). espécies migrantes tipicamente florestais podem ser afetadas por tais atividades, a exemplo de C. fuscescens (Baughman 2003). a poluição dos rios e a degradação das lagoas marginais é uma grave ameaça às espécies migratórias limícolas e aquáticas (Sick 1997, drummond et al. 2005). Maiores esforços devem ser direcionados ao estudo dos padrões temporais de ocorrência das espécies migratórias nessa região.
referênCias BiBliográfiCas
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