Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Instituto de Matem´
atica, Estat´ıstica
e Computa¸
c˜
ao Cient´ıfica
Departamento de Matem´
atica
T´
opicos em Combinat´
oria
Deborah P. Domingues
Disserta¸c˜
ao de mestrado orientada pelo professor
Dr. Jos´
e Pl´ınio de Oliveira Santos
Resumo
Neste trabalho estudamos dois importantes t´opicos em combinat´oria. O primeiro deles ´e o Teorema Enumerativo de P´olya. No cap´ıtulo 2 ´e dada uma demonstra¸c˜ao deste teorema usando o Teorema de Burnside. Tamb´em neste cap´ıtulo, encontram-se algumas de suas diversas aplica¸c˜oes. O segundo t´opico trata de Teoria de Parti¸c˜oes. Esta disserta¸c˜ao aborda alguns objetos de estudo desta ´area. O primeiro objeto ´e o m´etodo de Partition Analisys, usado para achar fun¸c˜oes geradoras de v´arios tipos de interessantes fun¸c˜oes de parti¸c˜ao. Ainda relacionado a fun¸c˜oes geradoras, o cap´ıtulo 3 aborda um pouco sobre q-s´eries. O segundo objeto ´e o m´etodo gr´afico, que utiliza a representa¸c˜ao gr´afica de Ferrers para uma parti¸c˜ao. Ainda neste cap´ıtulo, s˜ao usados os conceitos de quadrado de Durfee e s´ımbolo de Frobenius para provar algumas identidades.
Abstract
This paper presents two important topics in combinatorics. The first one is the P´olya Enumeration Theorem. In chapter 2 is given a demonstration of this theorem by Burnside’s Theorem. Also in this chapter are some of their various applications. The second topic deals with the Theory of Partition. This dissertation addresses some aspects of the study on this area. The first is Partition Analysis, this method is used to find the generating functions of various kinds of interesting partition functions. In the third chapter we deal with q-series which is also related to generating functions. The second is the graphical method, which uses a Ferrers’s graphical representation of a partition. In addition, we use the concepts of Durfee square and Frobenius’s symbol to prove some identities.
Agradecimentos
Este mestrado ´e mais uma conquista que Deus me permitiu alcan¸car e pela qual agrade¸co. Gostaria tamb´em de agradecer a CNPq, pelo apoio financeiro a este projeto. E finalmente, agrade¸co a todas as pessoas que me deram suporte durante esses dois anos de mestrado. Em particular, gostaria de mencionar algumas dessas pessoas. O meu orientador, Pl´ınio, por ter aceitado me orientar e por estar sempre disposto a sanar minhas d´uvidas e ensinar. Aos meus pais e meus irm˜aos, pois se tive for¸cas para chegar at´e aqui foi por saber que eles sempre est˜ao ao meu lado. Ao meu namorado, Tiago, que ´e imposs´ıvel descrever o quanto ele me ajudou. As meninas que moram comigo, a Gra e a Paty, por todo apoio que elas me deram para a apresenta¸c˜ao. Por fim, a Cec´ılia, que teve sempre a paciˆencia de corrigir meus textos e minha apresenta¸c˜ao.
Deborah, Agosto de 2010.
Conte´
udo
Resumo iv Abstract iv Agradecimentos v Introdu¸c˜ao 1 1 Pr´e-Requisitos 31.1 Rela¸c˜ao de Equivalˆencia . . . 3
1.2 Teoria de Grupos . . . 4
1.2.1 Teorema de Lagrange . . . 4
1.2.2 Grupos de Permuta¸c˜ao . . . 7
1.3 Fun¸c˜oes Geradoras . . . 9
1.3.1 Fun¸c˜oes Geradoras de Uma Vari´avel . . . 9
1.3.2 Fun¸c˜oes Geradoras de V´arias Vari´aveis . . . 13
2 Teorema de P´olya 15 2.1 Introdu¸c˜ao . . . 15
2.2 Teorema de Burnside . . . 15
2.3 Cicle Index . . . 20
2.4 Colora¸c˜oes, Peso e Invent´ario . . . 21
2.5 O Teorema de P´olya . . . 22
2.6 Alguns Exemplos . . . 25
2.6.1 Faces do Cubo . . . 25
2.6.2 Colar de Pedras . . . 27
2.6.3 Grafos Simples . . . 29
3 Teoria de Parti¸c˜oes 36 3.1 Breve Introdu¸c˜ao a Parti¸c˜oes . . . 36
3.2 Partition Analisys . . . 39
3.3 Mais sobre Partition Analisys . . . 42
3.4 Fun¸c˜oes Geradoras . . . 46
3.5 Introdu¸c˜ao a q - s´eries . . . 49
3.5.1 Caminhos Reticulados e os N´umeros q-binomiais . . . 49
3.5.3 Identidade do Produto Triplo . . . 58 3.6 Alguns Resultados em Parti¸c˜oes . . . 62 3.7 M´etodos Gr´aficos . . . 68
Bibliografia 73
Introdu¸
c˜
ao
Os t´opicos tratados neste trabalho s˜ao o Teorema de P´olya e dois objetos de estudo de Teoria de Parti¸c˜oes. O primeiro t´opico resolve diversos problemas de contagem e foi desenvolvido pelo matem´atico h´ungaro G. P´olya (1887 - 1985). O segundo est´a dividido em dois im-portantes m´etodos para encontrar fun¸c˜oes geradoras. O primeiro ´e o m´etodo de Partition Analisys de MacMahon. O segundo ´e o m´etodo gr´afico de Ferrers.
O Teorema de P´olya foi um marco na hist´oria da combinat´oria enumerativa. Como no exemplo dos grafos, v´arios problemas de diversas ´areas podem ser resolvidos utilizando este teorema. Para isso basta colocar o problema na linguagem adequada.
O m´etodo de Partition Analisys de MacMahon tem sido muito implementado nos ´ultimos anos e ´e uma das mais incriveis ferramentas para encontrar fun¸c˜oes geradoras.
O m´etodo gr´afico de Ferrers ´e muito usado atualmente, pricipalmente porque este tipo de representa¸c˜ao supriu a defasagem do m´etodo de MacMahon para encontrar resultados significativos em parti¸c˜oes planas.
A motiva¸c˜ao para este estudo vem da vasta aplicabilidade dos dois t´opicos acima para a resolu¸c˜ao de problemas combinat´orios.
O texto est´a dividido em trˆes cap´ıtulos. O primeiro cap´ıtulo cont´em uma breve revis˜ao dos pr´e-requisitos que ser˜ao necess´arios ao longo do texto. A primeira se¸c˜ao deste cap´ıtulo, que ´e baseada em [Her], trata de rela¸c˜ao de equivalˆencia. O material n˜ao vai al´em da defini¸c˜ao e um exemplo no assunto. A segunda se¸c˜ao trata de Teoria de Grupos e foi baseada em [Her] e [Slo]. Ela cobre apenas uma parte de Teoria de Grupos que ´e necess´aria para estudar o Teorema de Burnside e o Teorema de P´olya. A terceira se¸c˜ao cont´em as no¸c˜oes b´asicas de Fun¸c˜oes Geradoras e foi baseada em [Cha] e [Aig]. Este material fornece as no¸c˜oes iniciais necess´arias para o estudo de Teoria de Parti¸c˜oes.
O segundo cap´ıtulo trata do Teorema de P´olya e algumas de suas diversas aplica¸c˜oes. Este cap´ıtulo tem como objetivo fornecer uma demonstra¸c˜ao do Teorema de P´olya usando o Teorema de Burnside e os seus principais resultados foram baseados em [Slo]. A primeira se¸c˜ao tem o objetivo de provar o Teorema de Burnside que ´e uma ferramenta utilizada para contar classes de equivalˆencia da a¸c˜ao de um grupo sobre um conjunto. A segunda e a terceira se¸c˜ao deste cap´ıtulo fornecem a formaliza¸c˜ao da linguagem que ser´a utilizada para a demonstra¸c˜ao do Teorema de P´olya. Na quarta se¸c˜ao encontra-se a demonstra¸c˜ao do Teorema de P´olya divida em v´arios lemas t´ecnicos. Por fim, no intuito de mostrar a versatilidade de aplica¸c˜oes deste teorema, a quinta se¸c˜ao ´e composta de trˆes exemplos de como o Teorema de P´olya pode ser aplicado. Estes exemplos tiveram como base [Mar], [Slo] e [Cam].
o m´etodo de Partition Analisys que ´e desenvolvido para encontrar fun¸c˜oes geradoras para as mais diversas fun¸c˜oes de parti¸c˜ao. Este ´e o tema das se¸c˜oes 3.2, 3.3, 3.4 e 3.6. A primeira se¸c˜ao ´e dedicada a introduzir os termos de parti¸c˜oes e a quinta se¸c˜ao ´e dedicada a um breve estudo em q-s´eries. A ´ultima se¸c˜ao trata do m´etodo gr´afico que utiliza a representa¸c˜ao gr´afica de Ferrers. Esta se¸c˜ao mostra como a representa¸c˜ao gr´afica pode facilitar a resolu¸c˜ao de problemas que, com outros m´etodos, s˜ao complicados, nesta se¸c˜ao damos interpreta¸c˜ao combinat´oria para alguns dos resultados que foram demonstrados nas se¸c˜oes anteriores de forma anal´ıtica. Este cap´ıtulo foi baseado em [And], [AnS] e [AnT].
Cap´ıtulo 1
Pr´
e-Requisitos
Este cap´ıtulo ´e dedicado a fornecer os pr´e-requisitos para o desenvolvimento desta dis-serta¸c˜ao.
1.1
Rela¸
c˜
ao de Equivalˆ
encia
Defini¸c˜ao 1.1.1. Seja A um conjunto. Uma rela¸c˜ao bin´aria ∼ em A ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em A se para todo a, b, c∈ A valem as seguintes propriedades:
(i) Reflexividade: Para todo a ∈ A, a ∼ a. (ii) Simetria: Se a ∼ b ent˜ao b ∼ a.
(iii) Transitividade: Se a ∼ b e b ∼ c ent˜ao a ∼ c.
O conceito de rela¸c˜ao de equivalˆencia ´e de extrema importˆancia em toda a matem´atica, em particular, ´e muito importante para a demonstra¸c˜ao do Terorema de P´olya.
Exemplo 1.1.2. Considere o conjunto de todos o inteiros, R, e a seguinte rela¸c˜ao: dados a, b∈ R, a ∼ b se a − b ∈ R.
(i) Para todo a ∈ R, a − a = 0 ∈ R.
(ii) Se a ∼ b ent˜ao a − b ∈ R. Logo, b − a = −(a − b) ∈ R, portanto b ∼ a.
(iii) Se a ∼ b e b ∼ c ent˜ao a − b e b − c pertencem a R. Logo, a − c = (a − b) + (b − c) ∈ R, portanto, a∼ c.
Defini¸c˜ao 1.1.3. Sejam A um conjunto e ∼ uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em A. Ent˜ao a classe de equivalˆencia de a∈ A ´e o conjunto {x ∈ A ∶ x ∼ a}.
Duas classes de equivalˆencia de A ou s˜ao iguais ou disjuntas. Portanto, uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em um conjunto A determina uma decomposi¸c˜ao de A em subconjuntos n˜ao vazios e disjuntos. Esta decomposi¸c˜ao ´e dita uma parti¸c˜ao de A.
1.2
Teoria de Grupos
Essa se¸c˜ao tem como objetivo expor as defini¸c˜oes e os resulados sobre Teoria de Grupos que ser˜ao usados no desenvolvimento dos pr´oximos cap´ıtulos.
As demontra¸c˜oes dos resultados mais b´asicos ser˜ao omitidas. As defini¸c˜oes e resultados desta se¸c˜ao tiveram como base os livros [Slo] e [Her].
1.2.1
Teorema de Lagrange
Defini¸c˜ao 1.2.1. Seja um conjunto n˜ao vazio G e uma opera¸c˜ao ∗ ∶ G × G → G
(g, h) ↦ g ∗ h. O par (G, ∗) ´e chamado de grupo se satisfaz:
(i) Associatividade: Para todos g, h, t ∈ G,
(g ∗ h) ∗ t = g ∗ (h ∗ t).
(ii) Elemento neutro: Existe um elemento e ∈ G, tal que, para todo g ∈ G, e∗ g = g ∗ e = g.
(iii) Elemento inverso: Para todo g ∈ G, existe h ∈ G, tal que h∗ g = g ∗ h = e.
Neste caso, h ´e chamado de inverso de g e denotado por g−1.
A partir de agora sempre que falarmos de um grupo G, estaremos nos referindo a um grupo finito.
Segue como consequˆencia direta desta defini¸c˜ao que o elemento neutro ´e ´unico e, para cada g∈ G, o elemento inverso tamb´em ´e ´unico.
Defini¸c˜ao 1.2.2. Sejam(G, ∗) e (H, ○) dois grupos. Uma fun¸c˜ao f ∶ (G, ∗) → (H, ○) ´e dita um homomorfismo se, para todo a, b∈ G,
f(a ∗ b) = f(a) ○ f(b).
Todo homomorfismo leva elemento neutro em elemento neutro. Seja i o elemento neutro de(H, ○). Se f ´e tal que f(G) = i ent˜ao f ´e chamado de homomorfismo trivial.
Quando f ´e injetora ent˜ao f ´e um monomorfismo, quando f ´e sobrejetora ent˜ao f ´e um epimorfismo e quando f ´e bijetora ent˜ao f ´e um isomorfismo. Neste ´ultimo caso denota-se (G, ∗) ≃ (H, ○).
Para simplificar a nota¸c˜ao, desde que n˜ao cause ambiguidade, o grupo ser´a denotado apenas por G.
Seja G um grupo. Se para quaisquer g1, g2∈ G
g1∗ g2 = g2∗ g1, (1.2.1)
ent˜ao G ´e chamado abeliano.
Denotemos a n-´esima potˆencia de g, a opera¸c˜ao de g com ele mesmo n vezes, por gn.
Defini¸c˜ao 1.2.3. Seja G um grupo e H um subconjunto de G. Dizemos que H ´e um subgrupo de G se H ´e grupo com respeito `a opera¸c˜ao de G.
A partir de agora, o s´ımbolo ∗, que representa a opera¸c˜ao do grupo, ser´a omitido. Lema 1.2.4. Sejam G um grupo, e o elemento neutro de G e H um subconjunto de G. Ent˜ao H ´e subgrupo de G se, e somente se,
(i) e ∈ H.
(ii) Se x, y ∈ H ent˜ao xy ∈ H. (iii) Se x ∈ H ent˜ao x−1 ∈ H.
Segue diretetamente deste lema que o menor subgrupo de G ´e H= {e}. Este subgrupo ´e chamado de subgrupo trivial.
Dado um homomorfismo f de G em H, ent˜ao a imagem de G por f , Im(G), ´e subgrupo de H e, o n´ucleo de f , Ker(f), tamb´em ´e subgrupo de G.
Defini¸c˜ao 1.2.5. Seja G um grupo, a ordem de G, denotada por ∣G∣, ´e a cardinalidade de G como conjunto.
Defini¸c˜ao 1.2.6. Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Uma classe lateral `a esquerda (respectivamente `a direita) de H em G ´e o conjunto gH = {gh ∶ h ∈ H} (respectivamente, Hg= {hg ∶ h ∈ H}) , onde g ´e um elemento fixo de G.
Existe uma rela¸c˜ao biun´ıvoca entre as classes laterais `a direita e as classes laterais `a esquerda de G por H.
Para todo subgrupo H de G, eH = {eh ∶ h ∈ H} = {h ∶ h ∈ H} = H. Lema 1.2.7. Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Ent˜ao:
(i) Se t ∈ gH , ent˜ao tH = gH. (ii) Se t ∉ gH , ent˜ao tH ∩ gH = ∅.
Demonstra¸c˜ao. (i) Se t ∈ gH, ent˜ao existe um elemento h ∈ H tal que gh = t. Portanto, tH = (gh)H = g(hH). Como hH = H, segue o resultado.
(ii) Suponha que tH ∩ gH ≠ ∅. Ent˜ao existe α ∈ tH ∩ gH. Como α ∈ tH, por (1), αH = tH. Por outro lado, como α∈ gH, ent˜ao αH = gH. Logo, gH = tH e t ∈ gH, o que contradiz a hip´otese.
Defini¸c˜ao 1.2.8. Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. O ´ındice de H em G ´e a cardinalidade do conjunto de clases laterais `a esquerda(respectivamente `a direita) distintas de H em G e ser´a denotado por [G ∶ H].
Lema 1.2.9. Sejam G um grupo, H um subgrupo de G e M um subgrupo de H. Ent˜ao, [G ∶ M] = [G ∶ H][H ∶ M].
Demonstra¸c˜ao. Sabemos que
G= ⋃
g∈G
gH.
Como, dados dois elementos g, h ∈ G, ou gH = hH ou gH ∩ hH = ∅, ent˜ao existe um subconjunto T de G, tal que
G= ⊍
t∈T
tH. Logo, ∣T ∣ = [G ∶ H].
Analogamente, existe um subconjunto S de H tal que H= ⊍ s∈S sM. Portanto, G= ⊍ t∈T s∈S tsM.
Teorema 1.2.10 (Teorema de Lagrange). Sejam G um grupo e H um subgrupo de G. Ent˜ao,
∣G∣ = ∣H∣[G ∶ H].
Demonstra¸c˜ao. Considere M = {e}. Ent˜ao M ´e subgrupo de H que ´e subgrupo de G. Portanto, segue do lema anterior que
[G ∶ M] = [G ∶ H][H ∶ M]. Como M ´e o grupo trivial, ent˜ao
[H ∶ M] = [H ∶ {e}] = ∣H∣ e
[G ∶ M] = [G ∶ {e}] = ∣G∣.
Defini¸c˜ao 1.2.11. Sejam G um grupo e g∈ G. A ordem de g ´e o menor inteiro positivo, n, tal que gn= e, onde e ´e o elemento neutro de G.
Exemplo 1.2.12. Sejam G um grupo e g um elemento de G cuja ordem ´e n. Considere H= {g, g2, . . . , gn= e}. Ent˜ao H ´e um subgrupo de G e H ´e chamado de grupo gerado por g
Segue como corol´ario do Teorema de Lagrange que, se g ´e um elemento de G, ent˜ao a ordem de g divide a ordem G. Se existe g ∈ G tal que a ordem de g ´e igual a ∣G∣, ent˜ao G=< g >, ou seja, G ´e gerado por g.
Defini¸c˜ao 1.2.13. Um grupo G ´e dito c´ıclico se existe g∈ G tal que G =< g >.
Em particular, se∣G∣ = p, onde p ´e um primo, ent˜ao pelo Teorema de Lagrange segue que G ´e um grupo c´ıclico.
Lema 1.2.14. Se G ´e um grupo c´ıclico de ordem n, ent˜ao existe um ´unico subgrupo de ordem d para cada d divisor de n.
Para provar este lema, basta considerar G =< g >, ent˜ao um subgrupo de ordem d ´e o subgrupo gerado por gnd e, para concluir o lema, basta mostrar que qualquer outro grupo de
ordem d ´e< gnd >.
Para todo inteiro positivo n definimos φ(n) como o n´umero de inteiros positivos menores do que n que s˜ao coprimos com n.
Teorema 1.2.15. Se n ´e um inteiro positivo, ent˜ao n= ∑
d∣n
φ(d)
onde a soma percorre todos os divisores de n e φ ´e a fun¸c˜ao de Euler. A prova do Teorema ´e aplica¸c˜ao do lema anterior.
1.2.2
Grupos de Permuta¸
c˜
ao
Defini¸c˜ao 1.2.16. Seja X um conjunto. Uma permuta¸c˜ao de X ´e uma bije¸c˜ao f ∶ X → X. O conjunto de todas as permuta¸c˜oes de X, com a opera¸c˜ao de composi¸c˜ao forma um grupo. Este grupo ´e chamado de grupo das permuta¸c˜oes de X e ´e denotado por S(X).
Se X = {1, 2, . . . , n} denota-se S(X) por Sn e este ´e chamado de grupo sim´etrico de grau
n. A ordem de Sn ´e n!.
Observa¸c˜ao 1.2.17. Se ∣X∣ = n < ∞, ent˜ao existe um isomorfismo de S(X) em Sn.
Teorema 1.2.18 (Teorema de Cayley). Todo grupo finito G, onde ∣G∣ = n, ´e isomorfo a um subgrupo de Sn.
Demonstra¸c˜ao. Seja G= {g1, g2, ..., gn} ent˜ao o grupo de permuta¸c˜oes de G ´e Sn. Defina
φ∶ G → S(G)
Como
φ(g1g2)(h) = (g1g2)h
= g1(g2h)
= φ(g1)(g2h)
= φ(g1)φ(g2)(h)
ent˜ao φ ´e um homomorfismo de grupos. Al´em disso, o n´ucleo de φ ´e, por defini¸c˜ao, a permuta¸c˜ao identidade. Ent˜ao φ ´e injetora e, portanto, G≃ Im(G), que ´e um subgrupo de Sn.
Seja X um conjunto com n elementos {x1, x2, . . . , xn}. Se f ∈ S(X) ≃ Sn ent˜ao uma
forma de descrever f ´e mostrar a qual elemento ela associa cada elemeto de X, isto ´e, f(x1) = x2, f(x2) = x4, f(x3) = x1, f(x4) = x3 e assim sucessivamente para cada elemento de
X. Mas isto ´e muito trabalhoso. Uma forma curta de descrever f ´e pela nota¸c˜ao de bracket, (x1 x2 ⋯ xn
xi1 xi2 ⋯ xin
)
onde xik ´e a imagem de xi por f . Como S(X) ≃ Sn pode-se simplificar um pouco mais a
nota¸c˜ao de bracket suprimindo o x assim,
(1 2 ⋯ n i1 i2 ⋯ in) .
Exemplo 1.2.19. Se X = {x1, x2, x3, x4} e f ∈ S(X) ≃ S4 ´e tal que f(x1) = x2, f(x2) =
x4, f(x3) = x1, f(x4) = x3, ent˜ao a nota¸c˜ao simplificada em bracket de f ´e:
(1 2 3 42 4 1 3).
No exemplo acima, f(1) = 2, f2(1) = f(f(1)) = f(2) = 4, f3(1) = f(f2(1)) = f(4) = 3 e
f4(1) = f(f3(1)) = f(3) = 1, que pode ser representada pelo seguinte diagrama:
4 3 2 1 f f2 f3 f4
Isto ´e, ap´os f ser aplicada quatro vezes, ela volta para o n´umero em que come¸cou. Como f ∈ S4 ent˜ao a odem de f ´e 4 e f corresponde a um ciclo de tamanho 4, ou seja, podemos
representar f simplesmente por(1 2 4 3).
Toda permuta¸c˜ao f ∈ Sn pode ser representada em nota¸c˜ao de ciclos, da seguinte forma:
de ciclos. Caso contr´ario, f ´e um produto de ciclos sendo que um deles ´e um i-ciclo que acabou de ser representado. Para representar o pr´oximo ciclo de f tome j ∈ {1, 2, . . . , n} − {f(1), f2(2), . . . , fi(1)} e escreva o pr´oximo ciclo de f como (f(j) f2(j) ⋯ fr(j)). Se r+i = n
ent˜ao a representa¸c˜ao de f terminou, se r+ i < n repita o procedimento anterior tomando l∈ {1, 2, . . . , n} − {f(1), f2(2), . . . , fi(1)} − {f(j), f2(j), . . . , fr(j)}.
Desta forma f tem uma representa¸c˜ao simplificada e esta representa¸c˜ao de f ´e feita tomando ciclos disjuntos. Isto ´e, cada j∈ {1, 2, . . . , n} pertence a somente um ciclo de f. Exemplo 1.2.20. Considere f ∈ S9 com nota¸c˜ao de bracket dada por:
(1 2 3 4 5 6 7 8 93 6 4 2 5 1 7 8 9).
Ent˜ao a nota¸c˜ao em ciclos para f ´e : f = (1 3 4 2 6)(5)(7)(8)(9). O que quer dizer que f fixa os pontos {5, 7, 8, 9}.
Seja f ∈ Sn, e seja f = τ1τ2⋯τk a decomposi¸c˜ao de f em ciclos disjuntos, onde cada ciclo
τi tem tamanho li, ent˜ao segue que l1+ l2+ ⋯ + lk= n.
Al´em disso, uma representa¸c˜ao de f ∈ Sn em ciclos disjuntos induz uma parti¸c˜ao no
conjunto {1, 2, . . . , n}.
Um grupo de permuta¸c˜oes bastante usado ao aplicar o Teorema de P´olya ´e o grupo diedral de grau n, Dn.
1.3
Fun¸
c˜
oes Geradoras
Nesta se¸c˜ao ´e apresentado o conceito de fun¸c˜ao geradora, que ´e de extrema importˆancia em combinat´oria. Ser˜ao introduzidos os tipos de fun¸c˜oes geradoras quanto ao n´umero de vari´aveis e a forma como a fun¸c˜ao ´e apresentada. Os resultados e defini¸c˜oes apresentados nesta se¸c˜ao foram baseados nos livros: [Cha] e [Aig].
1.3.1
Fun¸
c˜
oes Geradoras de Uma Vari´
avel
Defini¸c˜ao 1.3.1. Seja ak, k= 0, 1, 2, ... uma sequˆencia de n´umeros reais, denotada por (ak).
A soma A(t) = ∞ ∑ k=0 aktk ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora ordin´aria, enquanto a soma E(t) = ∞ ∑ k=0 ak tk k! ´
As opera¸c˜oes de adi¸c˜ao, multiplica¸c˜ao por escalar e o produto de fun¸c˜oes geradoras ordi-n´arias s˜ao definidas da seguinte forma:
Sejam A(t) = ∞ ∑ k=0 aktk e B(t) = ∞ ∑ k=0
bktk duas s´eries formais e c∈ R ent˜ao:
(i) Soma: ∞ ∑ k=0 aktk+ ∞ ∑ k=0 bktk= ∞ ∑ k=0 (ak+ bk)tk
(ii) Produto por escalar:
c ∞ ∑ k=0 aktk= ∞ ∑ k=0 (cak)tk (iii) Produto: (∑∞ k=0 aktk) ( ∞ ∑ k=0 bktk) = ∞ ∑ k=0 (∑k n=0 (akbk−n)tk) (1.3.1)
O produto, definido na equa¸c˜ao (1.3.1), ´e chamado de convolu¸c˜ao das sequˆencias (ak) e
(bk).
Com as defini¸c˜oes acima, ´e fac´ıl observar que as s´eries A(t) = 0 e B(t) = 1 s˜ao os elementos neutros da adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao, respectivamente.
A ´algebra correspondente `as fun¸c˜oes geradoras formais ´e conhecida como ´Algebra de Cauchy e a ´algebra correspondente `as fun¸c˜oes geradoras exponenciais ´e conhecida como
´
Algebra de Blissard.
Note que a igualdade entre duas fun¸c˜oes geradoras implica na igualdade dos coeficientes que possuem mesma potˆencia de t.
As opera¸c˜oes de soma, multiplica¸c˜ao, diferencia¸c˜ao e integra¸c˜ao com respeito a t, das fun¸c˜oes geradoras, podem ser utilizadas para se obter rela¸c˜oes entre coeficientes correspon-dentes. Considere as seguintes s´eries formais
A(t) = ∞ ∑ k=0 aktk, B(t) = ∞ ∑ k=0 bktk, C(t) = ∞ ∑ k=0 cktk.
Uma consequˆencia direta da igualdade de fun¸c˜oes geradoras s˜ao as seguintes rela¸c˜oes: (i) Soma:
C(t) = A(t) + B(t) se, e somente se, ck= ak+ bk, k = 1, 2, . . .
(ii) Produto:
C(t) = A(t)B(t) se, e somente se, ck= k
∑
j=0
ajbk−j, k= 1, 2, . . .
Considere a seguinte s´erie, que ´e uma s´erie geom´etrica, B(t) = ∞ ∑ k=0 bktk= ∞ ∑ k=0 tk= (1 − t)−1, ∣t∣ < 1.
Para avaliar a seguinte fun¸c˜ao geradora A(t) = ∞ ∑ k=0 aktk= ∞ ∑ k=0 ktk, diferencie a rela¸c˜ao ∞ ∑ k=0 tk= (1 − t)−1. Desta forma obt´em-se,
∞
∑
k=0
ktk= (1 − t)−2.
Portanto, utilizando igualdade de s´eries formais, conclui-se que A(t) = t
∞
∑
k=0
ktk−1= t(1 − t)−2. Al´em disso, observe que:
C(t) = A(t)B(t) = t(1 − t)−3.
Usando a f´ormula do binomial generalizado na fun¸c˜ao geradora C(t), com n = 3, ent˜ao ela tem expans˜ao em potˆencias de t como
C(t) = t ∞ ∑ r=0 (3+ r − 1 r )t r =∑∞ r=0 (2+ r 2 )t r+1 =∑∞ k=1 (k+ 1 2 )t k. Observe que ck= ( k+ 1 2 ) = k(k + 1) 2 , k= 1, 2, . . . .
Ou seja, cada coeficiente ck ´e a soma dos k primeiros termos de uma progress˜ao aritim´etica.
Algumas fun¸c˜oes geradoras s˜ao muito usadas em Teoria de Parti¸c˜oes, dentre elas: (a) ∞ ∑ k=0 tk= (1 − t)−1, (b) ∞ ∑ k=0 (−1)ktk= (1 + t)−1, (c) ∞ ∑ k=0 t2k= (1 − t2)−1,
(d) ∞ ∑ k=0 (c k)t k= (1 + t)c , c∈ C, (e) ∞ ∑ k=0 (c+ k − 1 k )t k= (1 + t)−c , c∈ C, (f) ∞ ∑ k=0 (m+ k k )t k= (1 − t)−(m+1) , m∈ Z, (g) ∞ ∑ k=0 tk k!= e t, (h) ∞ ∑ k=0 (−1)k+1tk k = log (1 + t).
Para c∈ N ∖ {0}, a f´ormula para (d) vem do Teorema Binomial. O caso geral ´e provado em c´alculo. Para (e) usando a f´ormula do binomial generalizado,
(−r k) = (−1) k(r+ k − 1 k ) (r ∈ C , k ∈ Z), obt´em-se, (c+ k − 1 k )t k= (−c k)(−t) k e o resultado segue de (d).
A f´ormula (f) segue de (e) com m = c − 1.
A transforma¸c˜ao de ´ındices pode ser expressa facilmente. Se A(t) = ∑∞
k=0aktk, ent˜ao
tmA(t) = ∑∞
k=0aktk+m = ∑∞k=mak−mtk. Isto ´e, multiplicar por tm corresponde a reduzir o
´ındice em m. Por exemplo, da f´ormula (f) obt´em-se a seguinte equa¸c˜ao:
∞ ∑ k=0 (k m)t k= ∞ ∑ k=0 ( k k− m)t k= tm(1 − t)−(m+1).
Para muitas fun¸c˜oes de contagem ´e vantajoso considerar a fun¸c˜ao geradora exponencial da sequˆencia (ak), isto ´e,
A(t) = ∞ ∑ k=0 ak k!t k.
Segue da f´ormula do produto que, dadas duas fun¸c˜oes geradoras exponenciais, A(t) = ∑∞ k=0 ak k!t k e B(t) = ∑∞ k=0 ak k!t
k, ent˜ao C(t) = A(t)B(t) ´e dada por:
C(t) = ∞ ∑ k=0 ck k!t k, onde c k= k ∑ n=0 (k n)anbk−n.
A fun¸c˜ao geradora ordin´aria e a fun¸c˜ao geradora exponencial s˜ao casos particulares da seguinte defini¸c˜ao de fun¸c˜ao geradora.
Defini¸c˜ao 1.3.2. Sejam (ak) uma sequˆencia de n´umeros reais e (gk(t)) uma sequˆencia de
fun¸c˜oes reais linearmente independentes. Ent˜ao a soma G(t) = ∞ ∑ k=0 akgk(t) ´
e a fun¸c˜ao geradora da sequˆencia (ak) com respeito a sequˆencia (gk(t)).
A seguinte defini¸c˜ao tamb´em ´e um caso particular da defini¸c˜ao acima. Defini¸c˜ao 1.3.3. Seja(ak) uma sequˆencia de n´umeros reais, ent˜ao a soma
A(t) = ∞ ∑ k=0 ak( t k) ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora binomial da sequˆencia (ak).
1.3.2
Fun¸
c˜
oes Geradoras de V´
arias Vari´
aveis
A no¸c˜ao de fun¸c˜oes geradoras pode ser estendida para casos com v´arias vari´aveis. Consi-dere, inicialmente, o caso com duas vari´aveis.
Defini¸c˜ao 1.3.4. Seja(an,k) uma sequˆencia dupla de n´umeros reais, ent˜ao a soma
A(t, u) = ∞ ∑ n=0 ∞ ∑ k=0 an,ktkun ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora ordin´aria de duas variav´eis e A(t, u) = ∞ ∑ n=0 ∞ ∑ k=0 an,k tk k! un n! ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora exponencial da sequˆencia (an,k).
Ambas fun¸c˜oes geradoras da defini¸c˜ao acima s˜ao casos particulares da seguinte fun¸c˜ao geradora G(t, u) = ∞ ∑ n=0 ∞ ∑ k=0 an,kfk(t)gn(u), (1.3.2)
onde as sequˆencias de fun¸c˜oes (fk(t)) e (gn(u)) s˜ao linearmente independentes.
Note que para cada n e para cada t ´e poss´ıvel escrever Fn(t) = ∞ ∑ k=0 an,kfk(t) e Gk(u) = ∞ ∑ n=0 an,kgn(u).
Desta forma, a equa¸c˜ao (1.3.2) pode ser reescrita como G(t, u) = ∞ ∑ k=0 Gk(u)fk(t) ou G(t, u) = ∞ ∑ n=0 Fn(t)gn(u).
De forma an´aloga ao que foi feito para fun¸c˜oes geradoras de duas vari´aveis, ´e definida uma fun¸c˜ao geradora com n vari´aveis, ou uma fun¸c˜ao geradora multinomial.
Defini¸c˜ao 1.3.5. Seja(ak1,...,kn) uma sequˆencia de n´umeros reais, ent˜ao a soma
A(t1, . . . , tn) = ∞ ∑ k1=0 ⋯ ∑∞ kn=0 ak1,...,knt1 k1⋯t nkn ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora multinomial ordin´aria e A(t1, . . . , tn) = ∞ ∑ k1=0 ⋯ ∑∞ kn=0 ak1,...,kn t1k1 k1! ⋯tnkn kn! ´
e chamada de fun¸c˜ao geradora multinomial exponencial da sequˆencia (ak1,...,kn).
E sua generaliza¸c˜ao ´e G(t1, . . . , tn) = ∞ ∑ k1=0 ⋯ ∑∞ kn=0 ak1,...,knf 1 k1(t1)⋯f n kn(tn),
onde as sequˆencias de fun¸c˜oes (f1
k1(t1)), . . . , (f
n
Cap´ıtulo 2
Teorema de P´
olya
2.1
Introdu¸
c˜
ao
Este cap´ıtulo ´e dedicado ao estudo do Teorema de P´olya. Essencialmente, este teorema fornece uma ferramenta para a contagem de classes de equivalˆencia de um conjunto finito com respeito `a a¸c˜ao de um grupo de permuta¸c˜oes. O primeiro passo ser´a contar quantas ´
orbitas distintas obtemos por meio desta a¸c˜ao de grupo. Isto ser´a feito demonstrando o Teorema de Burnside. Depois, faremos uma apresenta¸c˜ao do cicle index de um grupo de permuta¸c˜oes, terminando com a demonstra¸c˜ao e algumas aplica¸c˜oes do Teorema de P´olya.
Os principais resultados deste cap´ıtulo tiveram como base [Slo].
2.2
Teorema de Burnside
O objetivo desta se¸c˜ao ´e provar o Teorema de Burnside, que pode ser usado para resolver v´arios problemas de contagem. De fato, embora este teorema seja comumente atribu´ıdo a Burnside, ele foi provado por Georg Frobenius em 1887. Aparentemente, esta confus˜ao se deve ao fato de que na segunda edi¸c˜ao do livro Theory of Groups of Finite Order, de autoria de W. Burnside, faltou mencionar que o resultado era de G. Frobenius, embora isso tenha sido feito na primeira edi¸c˜ao.
Uma das aplica¸c˜oes mais comuns deste teorema ´e contar o n´umero de padr˜oes distintos de colora¸c˜oes. Para isso, a primeira coisa a ser feita ´e definir quando duas colora¸c˜oes pertencem ao mesmo padr˜ao. De fato, o que ´e feito ´e descrever uma situa¸c˜ao onde h´a intera¸c˜ao entre um grupo G e um conjunto X. Os pad˜oes s˜ao determinados pelas ´orbitas da a¸c˜ao de G em X.
Defini¸c˜ao 2.2.1. (A¸c˜ao de grupo sobre conjunto). Seja G um grupo e X um conjunto, ent˜ao G age sobre X se, para cada g ∈ G e para cada x ∈ X, existe um elemento g ∗ x ∈ X tal que:
(ii) Para todos g1, g2 ∈ G e para todo x ∈ X vale
g1∗ (g2∗ x) = (g1g2) ∗ x
(onde (g1g2) denota o produto em G).
Existem in´umeras a¸c˜oes de grupo sobre conjunto, um exemplo ´e a a¸c˜ao pela conjuga¸c˜ao.
Exemplo 2.2.2. Seja G um grupo qualquer e X o conjunto dos elementos de G, isto ´e, G= {g1, g2, . . .}. Ent˜ao a a¸c˜ao de G sobre X via conjuga¸c˜ao ´e dada por
πg∶ X Ð→ X
xz→ gxg−1.
Lema 2.2.3. Seja G um grupo que age sobre um conjunto X. Ent˜ao para cada g∈ G e para todo x, y∈ X
g∗ x = y ⇔ g−1∗ y = x
.
Demonstra¸c˜ao. Pela segunda propriedade de a¸c˜ao de grupo sobre conjunto, g∗ x = y
⇔ g−1∗ (g ∗ x) = g−1∗ y
⇔ (g−1g) ∗ x = g−1∗ y
⇔ x = g−1∗ y.
Defini¸c˜ao 2.2.4. Seja G um grupo que age sobre um cojunto X. Defina a rela¸c˜ao ∼G em
X da seguinte forma:
Para todo x, y ∈ X ent˜ao x ∼Gy⇔ existe algum g ∈ G tal que g ∗ x = y.
Lema 2.2.5. ∼G ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia.
Demonstra¸c˜ao. Observe que pela primeira propriedade de a¸c˜ao de grupo ∼G ´e reflexiva.
Pelo lema anterior, ∼G ´e sim´etrica.
Se x∼Gy e y∼Gz, ent˜ao existem g1, g2∈ G tais que
g1∗ x = y e g2∗ y = z, logo, g2∗ (g1∗ x) = z (g2g1) ∗ x = z.
As classes de equivalˆencia de ∼G s˜ao chamadas de ´orbitas da a¸c˜ao de grupo. A ´orbita
que cont´em o elemento x∈ X ´e denotada por Ox= {g ∗ x ∶ g ∈ G}. Logo,
Ox= Oy ⇔ x ∼Gy.
Observe que, dadas duas ´orbitas, Ox e Oy, ou Ox= Oy ou Ox∩ Oy = ∅. Assim, as ´orbitas da
a¸c˜ao de grupo em X formam uma parti¸c˜ao de X.
Para qualquer a¸c˜ao de grupo, o elemento e de G fixa todos os elementos de X, isto ´e, e∗ x = x ∀ x ∈ X.
Defini¸c˜ao 2.2.6. Dado x∈ X o estabilizador de x ´e o conjunto Sx = {g ∈ G ∶ g ∗ x = x}.
Observe que e∈ Sx para todo x∈ X.
Lema 2.2.7. Para todo x∈ X , Sx ´e subgrupo de G.
Demonstra¸c˜ao. Dados g, h−1∈ S
x ent˜ao
(gh−1) ∗ x = g ∗ (h−1∗ x)
= g ∗ x = x.
Pelo lema acima, para todo x∈ X, Sx ´e subgrupo de G. Ent˜ao aplicando o Teorema de
Lagrange a Sx decorre o seguinte resultado.
Teorema 2.2.8. Seja G um grupo que age sobre um conjunto X. Ent˜ao para todo x∈ X ∣Ox∣∣Sx∣ = ∣G∣.
Demonstra¸c˜ao. Como Sx ´e subrupo de G segue do Teorema de Lagrange que
∣G ∶ Sx∣∣Sx∣ = ∣G∣.
Para obter o resultado do teorema basta mostrar que ∣Ox∣ = ∣G ∶ Sx∣.
Observe que os elementos de Ox s˜ao da forma g∗ x e as classes laterais de Sx s˜ao da
forma gSx. Ent˜ao basta estabelecer uma rela¸c˜ao biun´ıvoca entre os elementos de Ox e as
classes laterais de Sx, o que ´e feito do seguinte modo:
g∗ x ↔ gSx.
De fato, dados g1, g2∈ G ent˜ao
g1Sx = g2Sx ⇔ g−1 2 g1 ∈ Sx ⇔ (g−1 2 g1) ∗ x = x ⇔ g−1 2 (g1∗ x) = x ⇔ g1∗ x = g2∗ x
Para contar quantos padr˜oes distintos existem, o pr´oximo resultado, que mostra como contar as ´orbitas distintas de uma a¸c˜ao de grupo, ´e bem ´util.
Teorema 2.2.9. Seja G um grupo finito que age sobre um conjunto X. Ent˜ao o n´umero de ´
orbitas distintas ´e:
1 ∣G∣ ∑x∈X
∣Sx∣
Demonstra¸c˜ao. Suponha que existam k ´orbitas distintas. Para 1≤ t ≤ k, segue que
∑ x∈Oxt ∣Sx∣ = ∑ x∈Oxt ∣G∣ ∣Ox∣ . Como para todo x∈ Oxt, Ox= Oxt, ent˜ao
∑ x∈Oxt ∣G∣ ∣Ox∣ = ∑x∈Oxt ∣G∣ ∣Oxt∣ = ∣G∣ ∣Oxt∣ ∣Oxt∣ = ∣G∣. Portanto, ∑ x∈X ∣Sx∣ = k ∑ t=1 ∑ x∈Oxt ∣Sx∣ =∑k t=1 ∣G∣ = k ∣G∣.
Este teorema fornece um resultado muito ´util se∣X∣ n˜ao ´e muito grande. No entanto, se ∣X∣ ´e grande, utilizar este m´etodo para contagem das ´orbitas ´e impratic´avel. A n˜ao pratici-dade desta f´ormula decorre do fato de que ao computar todos os estabilizadores percorre-se o conjunto X, que pode ser muito grande. Para contornar este problema, ´e necess´ario definir uma forma de contagem que percorra G no lugar de X.
Defini¸c˜ao 2.2.10. Dado g ∈ G, o conjunto dos elementos de X que s˜ao fixados por g ´e o conjunto
Fg= {x ∈ X ∶ g ∗ x = x}.
Observa¸c˜ao 2.2.11. Fg ´e subconjunto de X enquanto Sx ´e subconjunto de G.
Lema 2.2.12. ∑ g∈G ∣Fg∣ = ∑ x∈X ∣Sx∣.
Demonstra¸c˜ao. Considere o seguinte conjunto, A= {(x, g) ∈ X × G ∶ g ∗ x = x}. ´E poss´ıvel contar os elementos de A de duas formas distintas.
(i) Fixando a primeira coordenada dos elementos de A.
Neste caso, para cada x∈ X associamos a cardinalidade do conjunto Sx= {g ∈ G ∶ g ∗ x = x}, isto ´e,
∣A∣ = ∑
x∈X
∣Sx∣.
(ii) Fixando a segunda coordenada dos elementos de A.
Neste caso, para cada g∈ G associamos a cardinalidade do conjunto Fg = {x ∈ X ; g ∗ x = x}, isto ´e,
∣A∣ = ∑
g∈G
∣Fg∣.
O que ´ılustrado da seguinte forma:
xi
gj
√
O Teorema de Burnside ´e consequˆencia dos lemas anteriores.
Teorema 2.2.13 (Teorema de Burnside). Seja G um grupo que age sobre um conjunto X. Ent˜ao o n´umero de ´orbitas da a¸c˜ao de G em X ´e:
1 ∣G∣ ∑g∈G
∣Fg∣,
onde Fg = {x ∈ X ∶ g ∗ x = x}.
Esta forma de contagem ´e mais ´util, pois, frequentemente,∣G∣ ´e pequena em compara¸c˜ao com a ∣X∣.
2.3
Cicle Index
Para resolver o problema de contar quantos padr˜oes distintos possuem aj objetos da cor
j, s˜ao necess´arias mais algumas defini¸c˜oes, como o cicle index do grupo G.
Seja X = {1, 2, . . . , n} e considere uma permuta¸c˜ao π ∈ Sn qualquer. Ent˜ao a
decom-posi¸c˜ao de π em ciclos disjuntos fornece o tipo c´ıclico de π. Logo, π tem tipo c´ıclico ct(π) = xk1 l1x k2 l2 . . . x kr lr, onde ∑ r
i=1kili = n. O tipo c´ıclico de π diz que para cada 1 ≤ i ≤ r
existem ki ciclos de comprimento li.
Defini¸c˜ao 2.3.1. Seja G um grupo de permuta¸c˜oes tal que ∣G∣ = n, ent˜ao o cicle index de G, que ´e denotado por CG, ´e o polinˆomio nas vari´aveis x1, . . . , xn, dado por:
CG=
1 ∣G∣ ∑π∈G
ct(π).
O cicle index ´e um polinˆomio em x1, x2, . . . , xlr e a soma dos coeficientes deste polinˆomio
´ e 1.
Para calcular o cicle index de um grupo de permuta¸c˜oes ´e de grande ajuda saber quantas permuta¸c˜oes de cada tipo c´ıclico existem no grupo.
Como calcular o n´umero de permuta¸c˜oes em Sn que tˆem tipo c´ıclico xkl11x
k2
l2 . . . x
kr
lr?
Observe que o n´umero destas permuta¸c˜oes corresponde `a seguinte parti¸c˜ao de n, l1k1+ l2k2+ . . . + lrkr= n.
Para contar as permuta¸c˜oes, primeiro escolha os n´umeros que far˜ao parte dos k1 ciclos
de comprimento l1. O primeiro destes ciclos pode ser escolhido de (ln1) formas. E os l1
n´umeros podem ser rearranjados formando (l1 − 1)! ciclos distintos. Para o pr´oximo ciclo
de comprimento l1 sobraram (n − l1) n´umeros para serem escolhidos. Cada um destes ciclos
pode ser tomado de(n−l1
l1 ) formas e, cada um, por rearranjos, fornece (l1−1)! ciclos distintos.
A ordem em que os k1 ciclos de comprimento l1 ´e tomada ´e irrelevante. Logo, o n´umero total
destes ciclos ´e: 1 k1! ((n l1 )(l1− 1)!( n− l1 l1 )(l1− 1)! ⋯ ( n− (k1− 1)l1 l1 )(l1− 1)!) = (l1− 1)! k1 k1! (( n l1)( n− l1 l1 )( n− 2l1 l1 ) ⋯ ( n− (k1− 1)l1 l1 )) = (l1− 1)!k1 k1! ( n! l1!(n − l1)! (n − l1)! l1!(n − 2l1)! (n − 2l1)! l1!(n − 3l1)! ⋯ (n − (k1− 1)l1)! l1!(n − k1l1)! ) = n! lk1 1 k1!(n − k1l1)! .
Usando o mesmo racioc´ınio, escolha os k2 ciclos de comprimento l2. Logo, o n´umero de
formas para a escolha destes ciclos ´e:
(n − k1l1)!
lk2
2 k2!(n − k1l1− k2l2)!
Repetindo este procedimento para a escolha de todos os ki ciclos de comprimento li,
conclui-se que o n´umero de permuta¸c˜oes com o tipo c´ıclico xk1
l1x k2 l2 . . . x kr lr ´e: n! lk1 1 k1!l k2 2 k2! . . . l kr r kr! .
Exemplo 2.3.2. Quantas permuta¸c˜oes de tipo c´ıclico x1x22 existem em S5?
Basta aplicar a f´ormula deduzida acima com l1= 1 = k1 , n= 5 e k2= 2 = l2. O resultado
´ e:
5!
111!222!= 15.
2.4
Colora¸
c˜
oes, Peso e Invent´
ario
Sejam C e D dois conjuntos distintos e seja X o conjunto de todas as aplica¸c˜oes de D em C. Essas aplica¸c˜oes, que s˜ao os elementos de X, s˜ao ditas colora¸c˜oes de D.
Suponha que G ´e algum grupo de permuta¸c˜oes de D (G ´e subgrupo de SD) e defina a
a¸c˜ao de G no conjunto de colora¸c˜oes, X, por:
para cada π∈ G e f ∈ X (2.4.1) π∗ f = f ○ π−1.
Lema 2.4.1. A f´ormula (2.4.1) define uma a¸c˜ao de grupo.
Demonstra¸c˜ao. Seja i a identidade de G. Ent˜ao i ´e a aplica¸c˜ao identidade, i∶ D → D. Logo, para todo f ∈ X,
i∗ f = f ○ i−1 = f ○ i = f. Portanto, vale o primeiro axioma de a¸c˜ao de grupo.
Sejam π1, π2 duas permuta¸c˜oes em G e f ∈ X. Ent˜ao
π2∗ (π1∗ f) = π2∗ (f ○ π1−1)
= f ○ π−1 1 π−12
= f ○ (π2π1)−1
= (π2π1) ∗ f.
A a¸c˜ao de cada elemento de G permuta X, ou seja, para cada π∈ G a aplica¸c˜ao φ ∶ X → X que para cada f ∈ X associa φ(f) = f ○ π−1 ´e uma permuta¸c˜ao de X.
Agora, para cada cor c ∈ C associe um s´ımbolo ω(c) definido por uma fun¸c˜ao peso ω. Assim, para cada colora¸c˜ao f ∈ X, o peso de f, W (f), ´e dado pela express˜ao
∏
d∈D
ω(f(d)).
Logo, se S ´e um subconjunto de X, define-se o invent´ario de S pela express˜ao: ∑
f ∈S
W(f).
2.5
O Teorema de P´
olya
Utilizando as ferramentas obtidas nas se¸c˜oes anteriores, provar o Teorema de P´olya n˜ao ser´a uma tarefa t˜ao ´ardua. A demonstra¸c˜ao segue de pequenos lemas t´ecnicos.
Este teorema, que foi um marco na hist´oria da combinat´oria enumerativa, ´e devido ao matem´atico h´ungaro G. P´olya (1887 - 1985), que o publicou em 1937.
Teorema 2.5.1 (Teorema de P´olya). Seja X o conjunto de todas as aplica¸c˜oes de um conjunto D em um conjunto C e ω a fun¸c˜ao peso de C. Seja G um grupo de permuta¸c˜oes de D que age em X como definido em (2.4.1). Se o cicle index de G ´e
CG(x1, x2, . . .)
ent˜ao o invent´ario padr˜ao ´e
CG( ∑ c∈ C
ω(c), ∑
c∈C
ω(c)2, . . .).
A estrat´egia para provar este teorema ´e particionar X de acordo com os pesos de suas aplica¸c˜oes e obervar que G age em cada conjunto desta parti¸c˜ao de forma isolada e, enfim, aplicar o Teorema de Burnside para contar o n´umero de padr˜oes distintos para um peso dado.
A primeira observa¸c˜ao a ser feita ´e que uma colora¸c˜ao f ´e fixada por uma permuta¸c˜ao π, se e somente se, f ´e constante em cada ciclo de π. Isto ´e, para cada ciclo (d1 d2 . . . dk)
de π deve-se ter f(d1) = f(d2) = . . . = f(dk).
Observe tamb´em que se (d1 d2 . . . dk) ´e um ciclo de π ent˜ao, escrevendo d = d1, segue
que d2= π(d), d3 = π(d2) = π(π(d)) e assim sucessivamente.
Logo, dizer que f ´e constante em cada ciclo de π ´e equivalente a dizer que, para todo d∈ D,
f(d) = f(π(d)). (2.5.1)
Lema 2.5.2. Seja π uma permuta¸c˜ao de D. Ent˜ao para cada f ∈ X, f ∈ Fπ, se e somente
Demonstra¸c˜ao. Pela defini¸c˜ao da a¸c˜ao de G em X, f ∈ Fπ ⇔ π ⋅ f = f
⇔ f ○ π−1= f
⇔ ∀ d ∈ D, f(π−1(d)) = f(d).
Como π ´e uma permuta¸c˜ao de D ent˜ao quando d percorre D, π−1(d) percorre D, ou seja,
D= {π−1(d) ∶ d ∈ D}. Denote π−1(d) = d′, assim
f ∈ Fπ ⇔ ∀ d′ ∈ D, f(d′) = f(π(d′)).
Logo, segue de (2.5.1) que
f ∈ Fπ ⇔ f ´e constante em cada ciclo de π.
O pr´oximo lema fornece uma f´ormula para o invent´ario de Fπ. Observe que, pelo lema
anterior, este invent´ario corresponde ao invent´ario de todas as aplica¸c˜oes de X que s˜ao constantes em cada ciclo de π.
Observe ainda que cada permuta¸c˜ao π de D particiona D em subconjuntos disjuntos. Lema 2.5.3. Seja D = D1 ∪ D2 ∪ ⋯ ∪ Dk uma parti¸c˜ao de D em subconjuntos disjuntos.
Ent˜ao, o invent´ario de todas as fun¸c˜oes em X que s˜ao constantes em cada Di ´e:
∑ c∈C ω(c)∣D1∣ × ∑ c∈ C ω(c)∣D2∣ × ⋯ × ∑ c∈C ω(c)∣Dk∣ .
Demonstra¸c˜ao. Escolher uma fun¸c˜ao que ´e constante em cada Di ´e equivalente a escolher
para cada 1≤ i ≤ k um elemento ci ∈ C que ´e o valor de f(d) para todo d ∈ Di.
Como f assume esse valor ∣Di∣ vezes em Di ent˜ao a escolha de ci contribui ω(ci) ∣Di∣
no peso de f . Logo, o peso de f ´e:
W(f) = ∏ d∈D ω(f(d)) =∏k i=1( ∏d∈Di ω(f(d)))
Agora, observe que para cada Di, ∏d∈Diω(f(d)) corresponde a um termo de ∑c∈Cω(c)
∣Di∣.
Portanto, a soma dos pesos de todas as fun¸c˜oes que s˜ao constantes em cada Diconsiste de
todas as fun¸c˜oes obtidas pelo procedimento explicado acima, isto ´e, o invent´ario do conjunto de todas as fun¸c˜oes que s˜ao constantes em cada Di ´e:
∑ c∈C ω(c)∣D1∣ × ∑ c∈ C ω(c)∣D2∣ × ⋯ × ∑ c∈C ω(c)∣Dk∣ .
Lema 2.5.4. Se ct(π) = xk1
l1x
k2
l2 . . . x
kr
lr, ent˜ao o invent´ario de Fπ ´e:
(∑ c∈C ω(c)l1) k1 × ( ∑ c∈ C ω(c)l2) k2 × ⋯ × (∑ c∈C ω(c)lr) kr . Demonstra¸c˜ao. Pelo Lema 2.5.2, f ∈ Fπ ⇔ f ´e constante em cada ciclo de π.
Suponha que ct(π) = xk1
l1x
k2
l2 . . . x
kr
lr. Ent˜ao os ciclos de π particionam D em
k1+ k2+ . . . + kr conjuntos, onde k1 conjuntos tˆem tamanho l1, k2 conjuntos tˆem tamanho l2
e assim sucessivamente. Logo, o invent´ario de Fπ ´e dado pelo lema 2.5.3.
A express˜ao do lema 2.5.4 ´e obtida substituindo xi por ∑c∈Cω(c)i no tipo c´ıclico de π.
Logo, a f´ormula do lema 2.5.4 pode ser reescrita da seguinte maneira: ct(∑
c∈C
ω(c), ∑
c∈ C
ω(c)2,⋯) .
O pr´oximo passo ´e particionar X em conjuntos de fun¸c˜oes de mesmo peso e definir a rela¸c˜ao ∼ :
f ∼ g ⇔ W (f) = W (g).
Logo, ∼ ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia e, portanto, determina uma parti¸c˜ao de X em classes de equivalˆencia, X1, X2, . . . , Xt.
Lema 2.5.5. Suponha que f e g pertencem ao mesmo padr˜ao ( isto ´e, pertencem `a mesma ´
orbita da a¸c˜ao de grupo). Ent˜ao W(f) = W (g).
Demonstra¸c˜ao. Suponha que f e g est˜ao no mesmo padr˜ao, logo f e g est˜ao na mesma ´
orbita, ent˜ao existe π∈ G tal que π ⋅ f = g. Portanto, g = f ○ π−1 assim,
W(g) = ∏ d∈D ω(g(d)) = ∏ d∈D ω(f(π−1(d))) = ∏ d′∈D ω(f(d′)) = W (f) (onde d′= π−1(d)).
O lema anterior diz que G age em cada Xi separadamente. Portanto, para encontrar o
n´umero de ´orbitas em cada Xi basta aplicar o Teorema de Burnside.
Denote πi = π∣ Xi.
Demonstra¸c˜ao: Teorema de P´olya. Suponha que todas as fun¸c˜oes de Xi tˆem peso Wi e seja
mi o n´umero de padr˜oes distintos representados pelas fun¸c˜oes em Xi.
Pelo lema 2.5.5 nenhum padr˜ao pode ser representado por fun¸c˜oes em mais de um conjunto da parti¸c˜ao de X. Assim, o invent´ario padr˜ao(Ip) ´e dado por:
Ip=
t
∑
i=1
Segue do lema 2.5.4 que cada π ∈ G age separadamente em cada conjunto Xi. Ent˜ao, pelo Teorema de Burnside, mi= 1 ∣G∣ ∑π∈G Fπi,
logo, o invent´ario padr˜ao de X ´e:
Ip= 1 ∣G∣ t ∑ i=1(∑π∈G Fπi) Wi.
Como as somas s˜ao finitas, trocando a ordem dos somat´orios, obt´em-se Ip= 1
∣G∣ ∑π∈G
(∑t
i=1
Fπi) Wi.
Observe que o somat´orio interno ´e o invent´ario de Fπ, logo ele pode ser escrito como:
ct(π) (∑
c∈C
ω(c), ∑
c∈C
ω(c)2,⋯) . Agora, a f´ormula do invent´ario padr˜ao fica:
Ip= 1 ∣G∣ ∑π∈G ct(π) (∑ c∈C ω(c), ∑ c∈C ω(c)2,⋯) .
Observe que na f´ormula acima, primeiro somar e depois subtituir fornece o mesmo resultado de primeiro substituir e depois somar.
Como CG=∣G∣1 ∑π∈Gct(π), ent˜ao Ip= CG(∑ c∈C ω(c), ∑ c∈C ω(c)2,⋯) .
2.6
Alguns Exemplos
O Teorema de P´olya tem in´umeras aplica¸c˜oes. Esta se¸c˜ao ´e dedicada a apresentar trˆes destas aplica¸c˜oes.
2.6.1
Faces do Cubo
Para encontrar o invent´ario padr˜ao das colora¸c˜oes das faces de um cubo o primeiro passo ´
e definir quem ´e o grupo de simetrias do cubo.
Observe que um cubo possui trˆes tipos de eixos de simetria. O eixo que conecta o centro de faces opostas, o eixo que conecta v´ertices opostos e o eixo que conecta ponto m´edio de arestas
opostas. Existem trˆes eixos conectando faces opostas, seis eixos conectando arestas opostas e quatro eixos conectando v´ertices opostos. Para cada eixo de face, aplicando rota¸c˜oes de π,π2,2π3 obtˆem-se cubos distintos do original, isto ´e, cada eixo de face tem ordem 4. Cada eixo de v´ertice tem ordem 3 e cada eixo de aresta tem ordem 2. Logo, o grupo de simetrias do cubo possui 24 elementos. Denotamos o grupo de simetrias do cubo por Gc.
Numerando as faces do cubo de 1 a 6, onde a face 1 est´a no topo do cubo e a 6 ´e sua face oposta, e dado que s˜ao conhecidos todos os elementos do grupo de simetrias do cubo ent˜ao s´o falta computar o cicle index de Gc para aplicarmos o Teorema de P´olya. Para isso
´
e necess´ario computar o tipo c´ıclico da a¸c˜ao de cada elemento de Gc no cubo, como segue
na tabela abaixo.
Elemento de Gc Tipo c´ıclico
identidade x6 1 face + rota¸c˜ao de ±π2 x4x21 face + rota¸c˜ao de π x2 1x22 arestas x3 2 v´ertice + rota¸c˜ao de ±π3 x2 3
Desta forma, o cicle index de Gc´e:
CGc =
1 24(x
6
Agora considere o conjunto de r cores, C, e o conjunto de s´ımbolos S= {c1, c2, . . . , cr} que
s˜ao os pesos de cada cor. Logo, pelo Teorema de P´olya, o invent´ario padr˜ao das colora¸c˜oes das faces do cubo com r cores ´e:
CGc( r ∑ i=1 ci, r ∑ i=1 c2i, r ∑ i=1 c3i, r ∑ i=1 c4i, r ∑ i=1 c5i, r ∑ i=1 c6i) . Ou seja, Ip= 1 24(( r ∑ i=1 ci)6+ 3(( r ∑ i=1 ci)2( r ∑ i=1 c2 i)2+ 2( r ∑ i=1 ci)2( r ∑ i=1 c4 i)) + 6( r ∑ i=1 c2 i)3+ 4(2( r ∑ i=1 c3 i)2)) .
Para ilustrar melhor esta id´eia, se o conjunto das cores fosse composto somente das cores preto e branco com pesos {b, w}, onde ω(preto) = b e ω(branco) = w, ent˜ao o invent´ario padr˜ao seria:
Ip= w6+ w5b+ 2w4b2+ 2w3b3+ 2w2b4+ wb5+ b6.
2.6.2
Colar de Pedras
Considere o seguinte problema:
Maria est´a usando um colar com n pedras, onde cada pedra ´e colorida com uma cor do conjunto C que possui r cores. Dois colares pertencem ao mesmo padr˜ao se um pode ser levado no outro por uma rota¸c˜ao. Quantos padr˜oes distintos existem? E quantos padr˜oes possuem exatamente aj pedras da cor j?
O primeiro passo ´e determinar o grupo de simetrias dos colares, G.
Observe que para um colar com quatro pedras, onde as pedras s˜ao coloridas de preto ou branco, os seguintes colares pertencem a padr˜oes distintos, pois n˜ao existe nenhuma rota¸c˜ao que possa ser aplicada no colar I que o leve no colar II.
I II
Para o problema dos colares com n pedras o grupo de simetrias em quest˜ao, G, ´e o grupo formado pelas rota¸c˜oes gi ∶ a → a + i(modn), i = 0, 1, . . . , n − 1 e o produto em G ´e a
seja, G ´e o grupo gerado por g1. Como a ordem de g1 ´e n, denote G= Cn, o grupo c´ıclico de
ordem n.
Seja N = {1, . . . , n} o conjunto das pedras e C = {c1, c2, . . . , cr} o conjunto das cores. Uma
colora¸c˜ao de um colar ´e uma aplica¸c˜ao f ∶ N → C, portanto existem rn colora¸c˜oes. Denote
RN = {conjunto de todas as aplica¸c˜oes de N para C}.
Cada colar corresponde a uma colora¸c˜ao. Logo, se dois colares, a e b, s˜ao equivalentes ent˜ao as aplica¸c˜oes correspondentes, fa e fb s˜ao equivalentes, ou seja, existe g ∈ Cn tal que
fb= fa○ g. Denote esta rela¸c˜ao de equivalˆencia por ∼ .
Assim, responder `a primeira pergunta ´e contar as classes de equivalˆencia de RN por ∼,
ou seja, basta aplicar o Teorema de Burnside.
No intuito de responder `a segunda pergunta, para cada cor cj associe um s´ımbolo yj, que
´
e o peso da cor cj.
Agora, para aplicar o Teorema de P´olya s´o falta descrever o cicle index de Cn.
Seja N o conjunto das pedras e gi uma rota¸c˜ao de Cn. Por simetria, pode-se observar
que gi decomp˜oe N em ciclos de mesmo comprimento, d, para algum d. Portanto, o tipo
c´ıclico de gi ´e ct(gi) = x
n d
d, em particular d ´e divisor de n. A a¸c˜ao de gi leva cada posi¸c˜ao a
em a+ i(modn), ent˜ao d ´e o menor inteiro tal que a + di ≡ a(modn). Logo, n∣di.
Existem examente φ(d) inteiros i tais que mdc(n, i) = nd, onde φ ´e a fun¸c˜ao de Euler. Ent˜ao, o cicle index de Cn´e descrito por:
CCN = 1 n ⎛ ⎝∑d∣n φ(d)x n d d ⎞ ⎠. Observa¸c˜ao 2.6.1. ∑d∣nφ(d) = n.
Logo, o invent´ario padr˜ao ´e:
Ip= 1 n ⎛ ⎝∑d∣n φ(d)( r ∑ i=1 yid) n d⎞ ⎠.
Para responder `a segunda pergunta basta tomar o coeficiente do termo que possui yjj. Para ilustrar melhor, considere o caso n = 4, C = { preto, branco}, ω(preto) = b e ω(branco) = w.
O grupo que age nos colares ´e C4, o conjunto do divisores de 4 ´e {1, 2, 4}. Logo, o cicle
index de C4 ´e: CC4 = 1 4 ⎛ ⎝∑d∣4 φ(d)x 4 d d ⎞ ⎠ =1 4(φ(1)x 4 1+ φ(2)x22+ φ(4)x4) =1 4(x 4 1+ x22+ 2x4).
Portanto, o invent´ario padr˜ao ´e: Ip=1
4((b + w)
4+ (b2+ w2)2+ 2(b4+ w4))
Assim, por exemplo, o n´umero de padr˜oes de colares com duas pedras pretas e duas pedras brancas ´e 2.
2.6.3
Grafos Simples
Este exemplo ilustra como o Teorema de P´olya pode ser usado para contar o n´umero de grafos simples distintos com n v´ertices. Para ilustrar melhor a generaliza¸c˜ao ser˜ao contados explicitamente os casos com trˆes e cinco v´ertices.
O termo grafo simples est´a sendo usado para expressar grafos sem arestas m´ultiplas e sem la¸cos. Observamos que, quando s˜ao consideradas arestas m´ultiplas, com apenas dois v´ertices ´e poss´ıvel obter infinitos grafos.
Para aplicar o Teorema de P´olya a este problema ´e necess´ario olhar para os grafos em termos de colora¸c˜oes, isto ´e, em termos de aplica¸c˜oes de um conjunto N em um conjunto C. Considere, por exemplo o seguinte grafo com cinco v´ertices.
3 4
5 1 2
´
E conveniente supor que o conjunto dos v´ertices ´e o conjunto dos cinco primeiros inteiros positivos {1, 2, 3, 4, 5}. Um grafo ´e determinado pelos subconjuntos de dois elementos {i, j} de {1, 2, 3, 4, 5}, onde os v´ertices i e j s˜ao unidos ou n˜ao no grafo. Desta forma, um grafo ´
e descrito por uma fun¸c˜ao cujo dom´ınio ´e o conjunto de todos os subconjuntos de dois elementos. Denote este conjunto por En.
E5 = {{1, 2}, {1, 3}, {1, 4}, {1, 5}, {2, 3}, {2, 4}, {2, 5}, {3, 4}, {3, 5}, {4, 5}}
Um grafo com n v´ertices pode ser descrito por uma apli¸c˜ao
f ∶ En→ {0, 1}tal quef({i, j}) = 1 ⇔ i e j s˜ao ligados por uma aresta. (2.6.1)
Assim, o grafo da figura acima coresponde `a aplica¸c˜ao f definida pela seguinte tabela: Em geral, para cada inteiro positivo, n, seja En o conjunto de todos os subconjuntos de
dois elementos de {1, 2, . . . , n}. Este conjunto ´e chamado de conjunto de todas as poss´ıveis arestas. Logo, um grafo com n v´ertices ´e definido por uma aplica¸c˜ao f ∶ En → C, onde
{i, j} f({i, j}) {1, 2} 1 {1, 3} 1 {1, 4} 1 {1, 5} 0 {2, 3} 0 {2, 4} 0 {2, 5} 0 {3, 4} 1 {3, 5} 1 {4, 5} 1
Uma fun¸c˜ao peso conveniente ´e a definida por: ω∶ C → {1, c}
ω(0) = 1 ω(1) = c.
Com esta fun¸c˜ao peso, um grafo com k arestas tem peso ck.
O pr´oximo passo ´e descobrir qual ´e o grupo de permuta¸c˜oes que age em En. Considere
o seguinte exemplo de grafos isomorfos:
2 1 3 g1 1 3 2 g2
Estes grafos correspondem `as colora¸c˜oes f1 e f2 que possuem as seguintes tabelas:
{i, j} f1({i, j}) {1, 2} 1 {1, 3} 0 {2, 3} 1 {i, j} f2({i, j}) {1, 2} 1 {1, 3} 1 {2, 3} 0
A aplica¸c˜ao π∶ {1, 2, 3} → {1, 2, 3} definida por: π(1) = 3 π(2) = 1 π(3) = 2
´
e um isomorfismo entre estes dois grafos.
Reinterpretando este isomorfismo em termos de colora¸c˜oes do conjunto En, conclui-se
que existe uma permuta¸c˜ao π∗ de poss´ıveis arestas que corresponde a permuta¸c˜ao π. Como
π(1) = 3 e π(2) = 1, ent˜ao a poss´ıvel aresta {1, 2} ´e associada por π∗ `a poss´ıvel aresta
{3, 1} = {1, 3}. A tabela abaixo mostra a a¸c˜ao da permuta¸c˜ao de poss´ıveis arestas, π∗,
correspondente `a permuta¸c˜ao π.
{i, j} π∗({i, j})
{1, 2} → {1, 3} {1, 3} → {2, 3} {2, 3} → {1, 2}
Como π ´e um isomorfismo entre dois grafos e comparando a tabela de π∗ com as tabelas
das colora¸c˜oes f1 e f2, ent˜ao as poss´ıveis arestas associadas por π∗ tˆem a mesma colora¸c˜ao
de f1 e f2, ou seja,
f2(π∗({i, j})) = f1({i, j}) , ∀ {i, j} ∈ E3.
Desse modo,
f1 = f2○ π∗.
Portanto,
f2 = f1○ π∗ −1. (2.6.2)
A a¸c˜ao de π∗ nas colora¸c˜oes que definem os grafos ´e exatamente a mesma que a a¸c˜ao de
grupo considerada no Teorema de P´olya.
Generalizando esta ideia, ent˜ao, dada uma permuta¸c˜ao π de {1, 2, . . . , n} (π ∈ Sn) existe
um permuta¸c˜ao correspondente, π∗, de E
n definida por:
π∗({i, j}) = {π(i), π(j)} , ∀ {i, j} ∈ E n.
Logo, o grupo de simetrias em quest˜ao ´e o grupo de todas as permuta¸c˜oes π∗
correspon-dentes `as permuta¸c˜oes π∈ Sn. Denote este grupo por Sn∗, ent˜ao Sn∗= {π∗ tal que π∈ Sn}.
O grupo S∗
n age no conjunto X de aplica¸c˜oes de En em C = {0, 1} da forma desejada.
Isto ´e, para π∗∈ S∗
n e f ∈ X
π∗⋅ f = f ○ π∗ −1
.
A aplica¸c˜ao que leva π em π∗ ´e um isomorfismo entre S
n e Sn∗, portanto Sn∗ tem n!
permuta¸c˜oes. Como o conjunto En cont´em (n2) elementos, ent˜ao Sn∗ consiste, em geral, de
um subconjunto de todas as permuta¸c˜oes de En.
Agora, ´e poss´ıvel utilizar o Teorema de P´olya para efetuar o c´alculo do invent´ario padr˜ao dos grafos com n v´ertices. Como exemplo, considere os casos em que n= 3 e n = 5.
i) n= 3 ´
E conveniente simplificar a nota¸c˜ao utilizada at´e agora para efetuar os c´alculos de tipo c´ıclico. Ent˜ao escreva E3= {{1, 2}, {1, 3}, {2, 3}} como E3 = {12, 13, 23}.
O primeiro c´alculo a ser realizado ´e o cicle index de S∗
3. Para isso tome as permuta¸c˜oes
de S3 com seus respectivos tipos c´ıclicos e encontre o tipo c´ıclico da permuta¸c˜ao
as-sociada em S∗
3. Se duas permuta¸c˜oes, π1 e π2, tˆem o mesmo tipo c´ıclico, ent˜ao as
permuta¸c˜oes associadas, π∗ 1 e π
∗
2, tamb´em possuem o mesmo tipo c´ıclico. Logo, basta
considerar apenas uma permuta¸c˜ao de cada tipo c´ıclico em S3.
Se π ´e a identidade de S3, que tem tipo c´ıclico x31, ent˜ao π∗ ´e a identidade de S ∗ 3.
Excepcionalmente, como ∣E3∣ = 6 = ∣S3∣ ent˜ao π∗ tem o mesmo tipo c´ıclico de π.
Suponha que π tem tipo c´ıclico x1x2, como por exemplo π= (12), ent˜ao a nota¸c˜ao de
bracket para π∗ ´e
(12 13 2312 23 13).
A nota¸c˜ao de bracket para π∗ foi obtida listando os elementos de E
3 na primeira linha
da matriz e escrevendo abaixo de cada elemento o par π(i)π(j). Portanto, π∗ tamb´em
pode ser denotada na seguinte nota¸c˜ao:
π∗= (13 23).
Logo, π∗ tamb´em tem tipo c´ıclico x 1x2.
Finalmente, considere o caso em que π tem tipo c´ıclico x3 por exemplo, π = (123),
ent˜ao:
π∗= (12 13 23
23 12 31) = (12 23 13) e, portanto, π∗ tamb´em tem tipo c´ıclico x
3.
Resumindo os c´alculos acima, obt´em-se a seguinte tabela.
tipo c´ıclico em S3 n´umero de permuta¸c˜oes tipo c´ıclico em S3∗
x3
1 1 x31
x2x2 3 x1x2
x3 2 x3
Segue que o cicle index de S∗ 3 ´e: CS3∗= 1 6(x 3 1+ 3x1x2+ 2x3).
Agora, para usar o Teorema de P´olya e obter o invent´ario padr˜ao, basta substituir no cicle index de S∗
Portanto,
Ip= 1
6((1 + c)
3+ 3(1 + c)(1 + c2) + 2(1 + c3)).
Para saber o n´umero de grafos distintos basta substituir c = 1 no invent´ario padr˜ao. E, para classificar estes grafos pelo n´umero de arestas, basta expandir o invent´ario padr˜ao. Nesta expans˜ao o coeficiente de ci ´e o n´umero de grafos distintos com i arestas
(i= 1, 2, 3). Fazendo a expans˜ao,
1+ c + c2+ c3.
O que mostra que existe, a menos de simetria, um grafo com nenhuma aresta, um grafo com uma aresta, um grafo com duas arestas e um grafo com trˆes arestas. Estes grafos s˜ao:
ii) n= 5
Assuma que o conjunto de v´ertices dos grafos com cinco v´ertices ´e{1, 2, 3, 4, 5}. Ent˜ao o conjunto E5das poss´ıveis arestas tem dez elementos. Usando uma nota¸c˜ao simplificada,
como a do caso anterior, E5 pode ser expresso como:
E5 = {12, 13, 14, 15, 23, 24, 25, 34, 35, 45}.
Como no exemplo anterior, para cada permuta¸c˜ao, π ∈ S5, de um tipo c´ıclico ser´a
calculado o tipo c´ıclico da permuta¸c˜ao, π∗, correspondente.
Suponha que π tem tipo c´ıclico x2x3, por exemplo π = (123)(45), ent˜ao a permuta¸c˜ao
π∗ correspondente ´e denotada em bracket por:
π∗= (12 13 14 15 23 24 25 34 35 45
23 12 25 24 31 35 34 15 14 45) = (12 23 13)(14 25 34 15 24 35)(45). Assim, π∗ tem tipo c´ıclico x
1x3x6.
Repetindo este processo para cada um dos outros tipos c´ıclicos das permuta¸c˜oes de S5,
obt´em-se a seguinte tabela: Segue que o cicle index de S∗
5 ´e dado por: CS∗5 = 1 120(x 10 1 + 10x41x32+ 20x1x33+ 15x21x42+ 30x2x24+ 20x1x3x6+ 24x25).
tipo c´ıclico em S5 n´umero de permuta¸c˜oes tipo c´ıclico em S5∗ x5 1 1 x101 x3 1x2 10 x41x32 x2 1x3 20 x1x33 x1x22 15 x21x42 x1x4 30 x2x24 x2x3 20 x1x3x6 x5 24 x25
E, portanto, o invent´ario padr˜ao ´e: Ip= 1
120((1 + c)
10+ 10(1 + c)4(1 + c2)3+ 20(1 + c)(1 + c3)3+ 15(1 + c)2(1 + c2)4
+ 30(1 + c2)(1 + c4)2+ 20(1 + c)(1 + c3)(1 + c6) + 24(1 + c5)2)
= 1 + c + 2c2+ 4c3+ 6c4+ 6c5+ 6c6+ 4c7+ 2c8+ c9+ c10.
Desta forma, o n´umero de grafos distintos com cinco v´ertices e k= 0, 1, . . . , 10 arestas ´e descrito na pr´oxima tabela .
n○ de arestas n○ de grafos 0 1 1 1 2 2 3 4 4 6 5 6 6 6 7 4 8 2 9 1 10 1
Cap´ıtulo 3
Teoria de Parti¸
c˜
oes
Teoria de Parti¸c˜oes ´e um assunto que, por um lado, se encaixa naturalmente com o estudo de q-s´eries e, por outro lado, ´e altamente combinat´orio em seus m´etodos. Neste cap´ıtulo ser´a discutida uma pequena variedade de tratamentos deste tema. Os resultados e demonstra¸c˜oes encontrados neste cap´ıtulo foram baseados em [AnS].
3.1
Breve Introdu¸
c˜
ao a Parti¸
c˜
oes
Uma parti¸c˜ao de um inteiro positivo n ´e uma decomposi¸c˜ao de n como soma de inteiros positivos. Cada inteiro que comp˜oe uma parti¸c˜ao de n ´e chamado de parte. Duas parti¸c˜oes de n s˜ao ditas iguais se uma ´e apenas uma reordena¸c˜ao da outra. Neste sentido, a ordem n˜ao ´e importante em uma parti¸c˜ao. Por exemplo, o n´umero 4 possui cinco parti¸c˜oes:
4 3+ 1 2+ 2 2+ 1 + 1 1+ 1 + 1 + 1
No exemplo acima, 3+ 1 ´e uma parti¸c˜ao de 4 que possui como partes 3 e 1 e, conforme foi observado, 1+ 3 n˜ao ´e uma nova parti¸c˜ao de 4, mas apenas uma reordena¸c˜ao da parti¸c˜ao 3+ 1.
Uma fun¸c˜ao que conta o n´umero de parti¸c˜oes de n, com ou sem restri¸c˜oes, ´e chamada fun¸c˜ao de parti¸c˜ao. Estas fun¸c˜oes constituem um importante objeto da Teoria de Parti¸c˜oes. Alguns exemplos de fun¸c˜oes de parti¸c˜ao s˜ao:
(i) p(n): o n´umero de parti¸c˜oes de n;
(iii) p(1)
N (n): o n´umero de parti¸c˜oes de n em partes distintas.
Durante o desenvolvimento da Teoria de Parti¸c˜oes, um passo muito importante foi obter f´ormulas para as fun¸c˜oes de parti¸c˜ao. Para este fim, o estudo de fun¸c˜oes geradoras se tornou fundamental, pois com esta ferramenta ´e poss´ıvel encontrar, por exemplo, o n´umero de parti¸c˜oes de n restrito a um dado subconjunto.
Suponha que A ´e um subconjunto de n´umeros inteiros positivos, ent˜ao uma parti¸c˜ao de n em elementos de A ´e uma decomposi¸c˜ao de n como soma de elementos de A. Isto ´e, n= a1+a2+. . .+ar , onde ai ∈ A. Para garantir a unicidade desta decomposi¸c˜ao basta tomar
a1 ≥ a2≥ . . . ≥ ar.
Seja pA(n) o n´umero de parti¸c˜oes de n em elementos de A, ent˜ao a fun¸c˜ao geradora para pA(n) ´e dada por
∞ ∑ n=0 pA(n)qn= ∏ a∈A (1 + qa+ q2a+ . . .). (3.1.1)
A igualdade na equa¸c˜ao (3.1.1) fica clara uma vez que o produto seja realizado e os termos de mesmo expoente agrupados. De uma forma geral o expoente de q ´e da forma
f1a1+ f2a2+ . . . + frar+ . . .
A express˜ao acima se refere a uma parti¸c˜ao arbitr´aria em elementos de A, onde a1 aparece
f1 vezes, a2 aparece f2 vezes, e assim sucessivamente. Logo, usando s´eries geom´etricas em
cada termo do produto na equa¸c˜ao (3.1.1), obtemos
∞ ∑ n=0 pA(n)qn= ∏ a∈A 1 1− qa. (3.1.2)
Restringindo o n´umero de vezes que cada elemento de A pode aparecer em uma deter-minada parti¸c˜ao no m´aximo s vezes e definindo pA(s)(n) como o n´umero destas parti¸c˜oes de
n, ent˜ao ∞ ∑ n=0 p(s) A (n)q n= ∏ a∈A (1 + qa+ q2a+ . . . + qsa) = ∏ a∈A 1− q(s+1)a 1− qa . (3.1.3)
Note que para obter a equa¸c˜ao (3.1.3) basta fazer um truncamento em cada termo do produto em (3.1.1).
Observe que quando s = 1 ent˜ao pA(1)(n) ´e o n´umero de parti¸c˜oes de n em elementos
distintos de A e ∞ ∑ n=0 pA(1)(n)qn= ∏ a∈A 1− q2a 1− qa = ∏ a∈A (1 − qa)(1 + qa) 1− qa = ∏ a∈A (1 + qa). (3.1.4)
A partir destes resultados, segue a demonstra¸c˜ao do seguinte teorema que foi provado por Euler.
Teorema 3.1.1. Seja O o conjunto dos n´umeros ´ımpares. Ent˜ao o n´umero de parti¸c˜oes de n em elementos de O ´e igual ao n´umero de parti¸c˜oes de n em partes distintas. Mais sucintamente,
pO(n) = p(1)
N (n).
Demonstra¸c˜ao. Basta observar que:
∞ ∑ n=0 pO(n)qn= ∞ ∏ k=1 1 1− q2k−1 = 1 (1 − q)(1 − q3) . . . = (1 − q2)(1 − q4)(1 − q6) . . . (1 − q)(1 − q2)(1 − q3)(1 − q4)(1 − q5) . . . =∏∞ k=1 1− q2k 1− qk =∑∞ n=0 p(1) N (n)q n.
Proposi¸c˜ao 3.1.2. O n´umero de parti¸c˜oes de n em partes n˜ao divis´ıveis por 3 ´e igual ao n´umero de parti¸c˜oes de n onde cada parte ocorre no m´aximo duas vezes, isto ´e,
∞ ∑ n=0 p(2) N = ∞ ∑ n=0 pDc 3.
Demonstra¸c˜ao. Seja Dc
3 o conjunto dos n´umeros n˜ao divis´ıveis por 3, ent˜ao ∞ ∑ n=0 pDc 3q n= ∞ ∏ n∈Dc 3 1 (1 − qn) = 1 (1 − q)(1 − q2)(1 − q4)(1 − q5) . . . = (1 − q3)(1 − q6) . . . (1 − q)(1 − q2)(1 − q3)(1 − q4) . . . =∏∞ n=1 (1 − q3n) (1 − qn) =∏∞ n=1 (1 − q(2+1)n) (1 − qn) =∑∞ n=0 p(2) N q n.
Para diminuir a dificuldade em estudar Teoria de Parti¸c˜oes, foram desenvolvidos alguns m´etodos para encontrar fun¸c˜oes geradoras para as fun¸c˜oes de parti¸c˜ao. Estes m´etodos s˜ao o objeto de estudo de Partition Analisys.
3.2
Partition Analisys
Como encontrar uma fun¸c˜ao geradora para
∞
∑
n=0
pm(n)q
n ?
Observe que ´e poss´ıvel escrever esta fun¸c˜ao geradora como uma soma multinomial, isto ´ e, ∞ ∑ n=0 pm(n)q n= ∑ n1≥n2≥...≥nm≥0 qn1+n2+...+nm. (3.2.1)
Para garantir que cada parti¸c˜ao seja escrita de forma ´unica como soma de uma sequˆencia n˜ao crescente ´e que assumimos
n1 ≥ n2 ≥ . . . ≥ nm≥ 0.
A ideia para resolver este problema ´e de MacMahon e consiste em introduzir na soma multinomial alguns parˆametros λ1, λ2, . . . , λm−1para controlar as desigualdades que as partes
nj, j= 1, . . . , m, devem satisfazer, deixando as variav´eis nj, j = 1, . . . , m, livres. Logo, (3.2.1)
fica: ∑ n1,n2,...,nm≥0 qn1+n2+...+nmλn1−n2 1 λ n2−n3 2 . . . λ nm−1−nm m−1 . (3.2.2)
Selecionando nesta soma somente os termos com o expoente de λi, i = 1, . . . , m − 1 n˜ao
negativo, ent˜ao o expoente de q correspondente se refere a uma parti¸c˜ao de n em no m´aximo m partes.
O m´etodo de Partition Analysis consiste em aplicar um operador linear, chamado ope-rador ˆomega e denotado por Ω≥, na s´erie dada pela equa¸c˜ao (3.2.2) que age nos parˆametros
λ1, λ2, . . . , λm−1. Este operador anula os termos com expoente negativo e faz λi = 1 nos
demais termos. Portanto,
∞ ∑ n=0 pm(n)q n= Ω ≥ ∑ n1,n2,...,nm≥0 qn1+n2+...+nmλn1−n2 1 λ n2−n3 2 . . . λ nm−1−nm m−1 = Ω≥ ∑ n1≥0 (qλ1)n1 ∑ n2≥0 (qλ2 λ1 )n2⋯ ∑ nm−1≥0 (qλm−1 λm−2 )nm−1 ∑ nm≥0 (q 1 λm−1 )nm = Ω≥ 1 (1 − qλ1)(1 − qλλ21) . . . (1 − qλλm−1m−2)(1 − qλm−11 ) . (3.2.3)
O pr´oximo passo ´e descobrir como Ω≥ age em (3.2.3). Para isso algumas propriedades
Lema 3.2.1. Ω≥ 1 (1 − λx)(1 −y λ) =(1 − x)(1 − xy)1
Demonstra¸c˜ao. Observe que, Ω≥ 1 (1 − λx)(1 − y λ) = Ω≥∑ n≥0 (λx)n ∑ m≥0 (y λ) m = Ω≥ ∑ n,m≥0 xnymλn−m = Ω≥ ∑ n≥m≥0 xnym.
Observe que na primeira igualdade foi realizado o processo no sentido inverso do desenvol-vimento de (3.2.3).
Agora, tome k= n − m. Ent˜ao ∑ k,m≥0 xm+kym= ∑ k≥0 xk ∑ m≥0 (xy)m = 1 (1 − x)(1 − xy).
Repetindo o resultado obtido pelo Lema 3.2.1 pode-se obter uma fun¸c˜ao geradora para pm(n). Teorema 3.2.2. ∞ ∑ n=0 pm(n)qn= 1 (1 − q)(1 − q2) . . . (1 − qm−1)(1 − qm).
Demonstra¸c˜ao. Usando o fato de que o operador omega pode ser usado primeiro em λ1,
depois em λ2, . . . , e finalmente a λn ent˜ao a demonstra¸c˜ao deste teorema segue do uso
recursivo do Lema 3.2.1.
No primeiro passo, tome x1 = q e y1= qλ2;
Ω≥ 1 (1 − qλ1)(1 − qλλ21) . . . (1 − qλλm−1m−2)(1 − qλm−11 ) = Ω≥ 1 (1 − x1)(1 − x1y1) . . . (1 − qλλm−1m−2)(1 − qλm−11 ) = Ω≥ 1 (1 − q)(1 − q2λ 2) . . . (1 − qλλm−1m−2)(1 − qλm−11 ) .