Mestranda em Educação pela Universidad del Salvador, Enfermeira, Especialista em Enfermagem em Cuidados Críticos/Cardiologia
Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, Comunicóloga, Coordenadora da Central de Estágio e Produção Científica da Faculdade Anhanguera de São José dos Campos Anhanguera Educacional
Doutora em Cirurgia Cardíaca, Enfermeira, Coordenadora do Curso de Especialização em Enfermagem em Cuidados Críticos/ Cardiologia da Universidade do Vale do ParaíbaUniversidade Federal do
Estado de São Paulo (UniFESP)
Juliana Marques Cianni
Ana Cabanas
Regimar Carla Machado
MEMÓRIA CELULAR DO CORAÇÃO
TRANSPLANTADO: REFLEXÕES ACERCA DA
VISÃO TRANSCENDENTAL DO ENFERMEIRO
RESUMO
Como não perceber profundas mudanças no corpo e na mente da pessoa que foi submetido ao transplante cardíaco? No cerne destas alterações, esta revisão sistemática da literatura visa perceber possíveis responsabilidades do órgão transplantado de acordo com as premissas da Medicina Tradicional Chinesa que atribui, não só ao coração, mas, aos demais órgãos e vísceras do corpo físico, aos sentimentos e às cores responsáveis, a interação da relação psicossomática. Mesmo que, sutilíssimo, são perceptíveis as mudanças em atividades de vida diária dos receptores cardíacos, os quais não apresentam todas as características esperadas, porém, fosforila a ideologia da Medicina Tradicional Chinesa íntima aos mistérios do cosmos. Com isso, fomenta-se visão omnilateral dos Enfermeiros acerca da saúde dos pacientes transplantados, a fim de promover transposição na qualidade da assistência.
PALAVRAS CHAVE:
Transplante cardíaco, Qi, Bioética.
ABSTRACT
How not to notice profound changes in body and mind of the person who underwent the heart transplant? At the heart of these changes, this systematic literature review aims to realize possible responsibilities of the transplanted organ in accordance with the assumptions of traditional Chinese medicine that attaches not only to the heart but to other organs and viscera of the physical body, feelings and colors responsible, the interaction of psychosomatic relationship. Even though, Subtlest, are noticeable changes in activities of daily living cardiac receptors, which do not have all the features expected, however, phosphorylates the ideology of Traditional Chinese Medicine intimate mysteries of the cosmos. With that fosters up holistic vision of Nurses about the health of transplant patients in order to promote the quality of care implementation.
KEY WORDS:
INTRODUÇÃO
O que é real? O que existe, de fato existe? Seriam os sentidos responsáveis por ver, ouvir, tocar, sentir a realidade em todas as complexas entranhas? E a lógica, então? A razão é capaz de compreender aquilo que os olhos não veem, aquilo que as mãos não podem tocar? Sim, a eletricidade é clássica em explicações do que não se vê, mas existe. O choque lembra as mãos dessa possibilidade.
A Física já sabe que o ser vivo emana energia que se movimenta endógena e exogenamente ao corpo. Isso é aceito pela ciência, que viu e tocou esse acontecimento com as lógicas e cálculos. Portanto, pode-se elevar esse conhecimento à categoria dos fatos.
Se o ser humano é energético(1), torna-se pertinente a ideia de que qualquer
desequilíbrio físico, mental ou emocional, tem início no campo de energia extracorpórea e intracorpórea para, finalmente, atingir o corpo físico e se metamorfosear no que se denomina doença (2) .
Conforme a Medicina Tradicional Chinesa, é essencial que, em qualquer patologia, o profissional de saúde, como o Enfermeiro, resolva, definitiva ou paliativamente, o problema corpóreo nas raízes energéticas. Por esse motivo e também pelo alto nível de eficácia atingido, a medicina alternativa tem ganhado espaço tanto no meio acadêmico quanto na sociedade em geral, que vislumbra nesse paradigma possibilidades infinitas que a medicina ocidental ainda não foi capaz de atingir (3) .
Estudos nas áreas da Psicologia e da Psiquiatria, entre outros, têm, aos poucos, evidenciado que o ser humano é representado por complexo biofisiológico, emocional-afetivo e intelectual altamente mutante na interação intra e interpessoais. Mudanças essas ocorridas com o decorrer das experiências vivenciadas desde o útero materno até a atualidade de existência terrena (4) .
Essas experiências, uma vez vivenciadas tornam-se registro no intelecto humano, ficando gravadas, não somente no psiquê, mas, sobretudo, em cada célula daquele que a experimentou, de forma a percorrer livremente o corpo e a alma, embalsamando-os, ou como sutil veneno amargurando e matando pouco a pouco órgãos, vísceras e emoções (5) .
Esses registros recebem, de estudiosos na área, o nome de memória
celular. E o grande foco deste estudo é justamente identificar e comprovar
a existência desta memória por meio de tênues mudanças de comportamento mental em pessoas que receberam coração transplantado. Órgão que, de acordo com a Medicina Chinesa é a morada do Shen (alma)(6). Está impregnado
de “memórias”, advindas do peito onde nasceu.
Grande parte dos doadores de órgãos perdeu a vida de modo trágico, o que, teoricamente elevaria os níveis de hormônios simpáticos na corrente sanguínea, registrando ainda antes da morte encefálica (ME), situação e consequente lembrança extremamente desagradável no corpo frente à morte. Esse órgão, quando transplantado, como fênix, retorna à vida com toda potencialidade, vigor e plenitude (7) .
Nesse sentido, reabilitar alguém acostumado com coração insuficiente, que recebeu esse mesmo órgão saudável, não é tão difícil, pois, a Medicina Ocidental se encarregou de criar procedimentos e fármacos que atendam a essa realidade, já bastante difundida atualmente.
Sobre o tratamento de reabilitação cardíaca, este não se restringe apenas à sala de cirurgia, tampouco termina no consultório médico, onde drogas essenciais para a sobrevivência são prescritas. O paciente e a família recebem apoio psicossocial relevante, que os orienta acerca dos mecanismos de ação das drogas em uso, da importância da atividade física e da relação com a melhora na qualidade de vida sexual e profissional do paciente, entre outros esclarecimentos (8) .
Esse apoio, porém, chega ao ponto final antes de entrar nos aspectos relacionados aos sintomas da memória celular, visto que os profissionais da equipe multidisciplinar da saúde não têm acesso a esse tipo de conhecimento ainda pouco estudado e os transplantados, por sua vez, não conseguem compreender sentimentos recentes, que nestas concepções, não têm relação nenhuma com o coração transplantado (9,10) . Isso ocorre, devido ao desinteresse
da comunidade científica de todas as áreas do conhecimento, acerca desse assunto (11) .
Ao revisar literaturas pertinentes a esta pesquisa, foi constatada a ínfima informação científica relevante a esse respeito, daí a importância deste trabalho como olhar sério e academicamente aceito sobre conceito ainda pouco conhecido e explorado.
Não obstante a essa realidade, o ser humano ocidental mantém interesse deveras científico na arte de desvendar a fisiologia cardíaca, alcançado já conhecimentos visuais em todas as densidades, como o fato de que o coração humano encontra-se no mediastino, cercado por dois pulmões que lhe amparam as necessidades respiratórias e que é o objeto de existir do coração: transportar sangue oxigenado através das artérias que irrigam e sustentam a vida, ânimo às células (12) .
implicitamente sobrevêm conceitos que vão muito além da fisiologia ocidental, são as abstrações que os microscópios não visualizam com as mais avançadas das tecnologias, que se pretende estudar nessa pesquisa, destinada a impetrar à milenar Medicina Chinesa nos bancos acadêmicos.
Donde, senão, na efetiva presença da Enfermagem, em todas as fases do transplante cardíaco (TC), esse conhecimento se otimizaria? O Enfermeiro(13)
poderá estar apto a acolher esse conhecimento inovador, atando de maneira indelével vínculo tão intrínseco que é o TC e a memória celular precedente.
Como, quando se fala em TC, a única óptica aplicada é vinculada às ciências médicas, quase mecânicas da fisiologia humana, é imperativa observação diferenciada, que talvez não faça tanta diferença entre a vida e a morte do transplantado, mas, causa profundas mudanças no pós-operatório. Por isso, este estudo torna-se relevante, visto que se pretende entender melhor o funcionamento da memória celular e como ela se faz presente na vivência cotidiana, sendo essencial para a evolução do TC até mesmo para outra diferente de selecionar os doadores.
VISÃO TRANSCENDENTAL NA ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM
Com origem no antigo Lácio, o prefixo trans indica ultrapassar, ir além(14).
Transplantar significa plantar em outro lugar, ou no caso deste estudo, é o “enxerto de um órgão ou parte de um órgão ou tecido de um indivíduo em outro” (15) .
Essa intervenção se faz necessária em indivíduos cujo órgão já não mais responde a nenhum tipo de tratamento, não mais realizando a tarefa no todo, incomodando, sobrecarregando e não dando subsídio necessário aos órgãos irmãos que trabalham em prol do bom desempenho do conjunto.
Quando o órgão, coração, inicia o processo de falência patológica, são iniciados tratamentos dos mais diversos níveis de complexidade, como hipóteses diagnósticas, medicações, estímulos mil que, quando não suscitam resultados positivos satisfatórios, culminam no que a classe médica chama de Insuficiência Cardíaca Crônica (ICC).
A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa de caráter sistêmico, definida como disfunção cardíaca que ocasiona inadequado suprimento sanguíneo para atender necessidades metabólicas tissulares, na presença de retorno venoso normal, ou fazê-lo somente
Durante o processo de falência patológica do coração, a pessoa traz no peito fragilidade, medo, ansiedade e dor. Ciente de que este órgão direciona e encerra a vida no “fundo do peito”, anunciando a morte, em qualquer que seja o sentido – razão, sentimentos, sonhos ou outro ciclo de vida ou da própria morte (17) .
A ICC, em estágio avançada, induz, inevitavelmente, o indivíduo à necessidade do TC, em que consiste na retirada do referido órgão já inutilizado nas funções, para ser substituído pelo mesmo órgão terceirizado advindo de falência prematura de alguém a quem se chama: doador. Há troca justa entre as partes, visto que o doador já não mais necessita de determinada parte para manutenção geral que não mais existe enquanto dimensão, já o receptor, aquele que recebe a parte, ainda possui dimensão, por isso, a parte do doador fará somatória importante para o receptor que ainda dimensiona frente ao cosmo.
A dimensão adentra a totalidade do existir enquanto anthropos e, consequentemente, do agir. Focaliza o pensamento na já entendida ideia de que o homem é complexo, jamais parte que pensa, dialoga, cria, afetiva-se em relacionamentos diversos, faz afetiva-sexo e é afetiva-sexual, é por fim: imanente e transcendente. Cada dimensão é e sempre será caracterizada pela totalidade, portanto a palavra fração inexiste neste contexto(18).
Desse modo, é inevitável a compreensão de que a dimensão física e biológica é infragmentável, visto que o todo a precede e funda em toda a cosmologia, transformando o que antes era micro em macrocosmo. Então,
supõe-se a vida dentro da vida, há interação interpessoal em que se
fazem presentes elementos que fundam o existir humano e que não podem ser menosprezados, como: a razão, o emocional, a intuição e o sensitivo (19).
Nesse sentido, percebe-se o quanto é fecunda a percepção transcendental que aponta para horizonte diferenciado e que remete às Teorias Vygotskiana e Freiriana, quando já cheia de sapiência, revela a complexidade da compreensão de que o biológico, pleno em soma e embebido de multidimensões, não visuais, mas perceptíveis, capazes de interagir – influenciar e ser influenciado pelo meio(20,21) .
Em se tratando desta perspectiva, meio, é flexionado neste trabalho, como toda dimensão física, social, espiritual e comportamental do macrocosmo analisado em relação ao microcosmo e, estes últimos, variam de acordo com o ser analisado. Portanto, homem – no sentido grego - é considerado microcosmo, se comparado à comunidade ou sociedade a que pertence, mas é macrocosmo se a mesma comparação for feita com coração transplantado.
entre as Doutrinas Moriniana e Vygotskiana, que adaptada à realidade desta produção, vem suscitar a idea do egoísmo como forma de significar as inter e intra-relações humanas possíveis. Neste caso, é tão intensa que chega ao clímax no momento em que se observa o fenômeno da rejeição celular (21,22).
Rejeita-se o que é alheio na desesperada tentativa de se manter singular e íntegro frente ao meio vivente. Tamanha é a gana nesse sentido, que o corpo prefere matar o órgão implantado, este representante do outro em si, mesmo que isso represente a morte do macrocosmo e a desencarnação das dimensões celulares. Neste Sitz im leben – contexto vital – para, celularmente, driblar o egoísmo, (22) medicamentos produzidos a partir da capacidade humana
de superar obstáculos foram criados com o intuito de enganar as defesas celulares, esticando a sobrevida do ser (23) .
Forçadamente, o coração é aceito e, com isso inicia-se movimento de interação macro/micro no qual se verifica a permuta pela sobrevivência de ambos, transformando, o que antes era ilegítimo em células irmãs. Como meio de fundamentar e provar a existência da relação: “coração transplantado e receptor do transplante” no âmbito comportamental, nada mais conveniente que recorrer à sabedoria oriental para preencher as lacunas pertinentes a essa questão (18) .
A filosofia do Bhagavad Gita, livro sagrado dos indianos, é enfática ao difundir que não se deve lamentar o passado, - o passado não morre, ele é sempre presente – pois, nenhuma história é vivida pela pessoa, mas pelo Uno que nela se faz presente (6). É por pensamentos como este que se faz
necessário iniciar esclarecimentos para que o entendimento oriental vá ao encontro da visão ocidental, a qual se perpetua no Brasil.
No oriente, o lado do cérebro mais usado é o da criatividade. Contudo, para que se entenda essa parte do trabalho, abrindo a mente do leitor é preciso despir-se dos paradigmas europeus e americanos para que se possa entrar por inteiro nesse mundo de mistérios (e até mesmo de magias) que representa a cultura do outro lado do mundo (24) .
É preciso que se analise o órgão, coração, de duas formas distintas, que se relacionam tão intensamente, que é impossível separá-las: a primeira é a visão ocidental, tão estudada pelas ciências médicas, que, em linhas gerais, é de conhecimento da população mundial. Quem não sabe, mesmo, superficialmente, a função fisiológica do coração?
Bomba impulsória centrada na cavidade meadiastínica, trabalha em parceria com o pulmão, que lhe provê o oxigênio – objeto de existir da circulação sanguínea – este, uma vez íntimo das plaquetas percorre o corpo, nutrindo e mantendo as células para que estas possam promover o ciclo vital
e manter o macrocosmo saudável e ativo (25,26) .
Em contrapartida, a segunda visão, a oriental, poucos conhecem. Aliás, está implicitamente incutida no senso comum. E responsável por provérbios, como: você mora no meu coração, Ele partiu meu coração, e tantos outros que não se sabe quem inventou e por quê.
A resposta encontra-se no fato de que, segundo os chineses, o coração como vários outros órgãos e vísceras do corpo humano, é constituído a priori pelo que se chama de Qi, ou Chi – como queira o leitor – que significa, paradoxalmente, alguma coisa que possa ser material e imaterial ao mesmo tempo (27) .
Sendo matéria e imaterial, o Qi – também chamado de prana, pelos indianos – é energia vital cujas palavras são insuficientes para descrevê-la, então de acordo com a sabedoria chinesa, recebeu o caráter ou o ideograma (colocar ideograma do Qi) de vapor e arroz (6) .
Utilizou-se o arroz, porque na China, como no Brasil, ele é a base da alimentação, força motriz da vida terrena. Símbolo máximo de tudo aquilo que é matéria e que, de forma ou outra precisa ser alimentada para continuar existindo no plano físico. E o vapor, ao contrário, o que há de mais etéril e delicado na matéria. É no cozimento do arroz que se observa a união dessas duas faces (6) .
Em linhas gerais: tudo é energia em movimento, ora condensada a tal ponto que, de tão pesada, adquire forma; ora dispersada, desfazendo a forma já construída, dando lugar à fluidez no aspecto mais amplo. Tudo isso é parte de ciclo eterno, de acordo com os pensamentos filosóficos de Demócrito (460 a 370 aC.) ( 28) .
Vários filósofos chineses, de todas as épocas, entendem que os infinitos fenômenos de graus variados ocorridos no universo é resultado do contínuo englobamento e dispersão de Qi, então, pode-se dizer que a vida humana é condensação de Qi e a morte, a dispersão (28) .
No corpo físico, o Qi fluídico dos órgãos e das vísceras, tem a função de: transformar os alimentos; manter a urina; transportar Gu Qi (energia, ou qi dos alimentos); ascender; proteger o corpo contra fatores patogênicos; e aquecer o organismo (28) .
Energeticamente, o coração ocidental é orientalizado como Xin. A energia (Qi) que rege e se materializa em coração. Com esse conceito em mente, durante toda a parte teórica que se refere à Medicina Tradicional Chinesa, nesta pesquisa, tudo aquilo que se conhece como coração, a partir de agora atenderá pelo nome de Xin (2) .
responsável pelos aspectos da condição humana. Como parte ativa do complexo conjunto, são a ele delegadas algumas funções importantes, como governar o sangue e os vasos sanguíneos, e abrigar a mente. Além disso, as características principais são: controlar a sudorese, abrir-se na língua e manifestar-se na compleição (6) .
O Xin saudável é essencial para que, junto com Fei (energia de pulmão), Pi (energia do baço) e Gan (energia do fígado), haja o suprimento adequado de Xue (energia do sangue) para todos os tecidos do corpo e dessa maneira, possa controlar, adequadamente, os vasos sanguíneos (Xue mai). Dessa forma, é fácil entender que essa relação, em perfeita harmonia, gera pulso cheio e regular, ao passo que, ao contrário, o pulso será débil e irregular (29) .
A partir desse conhecimento, não é difícil entender a razão pela qual Xin (energia do coração) se manifesta fisicamente na compleição. Desta forma, se Xin é forte e saudável, Xue será abundante e qualificado o suficiente para gerar compleição rosada e lustrosa. Numa primeira análise, pode-se avaliar a condição de Xin em alguém, a partir da compleição que esta apresenta (29) .
A condição de Xin também afeta a língua e todas as habilidades físicas e extrafísicas, pois se sabe que a mente sem morada atordoa os pensamentos e, consequentemente, a fala. Portanto, este órgão é considerado a ramificação de Xin, controlando toda aparência, sendo mais perceptível na porção do ápice, tanto que é utilizada como uma das opções para a definição do diagnóstico (29) .
Outro fator importante é entender o significado da palavra Shen. Todavia, como Qi, não é uma palavra, mas, significado, ideia que os acupunturistas traduzem como sendo alma ou mente. Representa complexo que engloba todas as faculdades mentais e, segundo o livro do Imperador Amarelo, clássico da Medicina Oriental e tantos outros, Xin é a residência de Shen (30) .
Geralmente, também pode indicar fenômenos emocional, mental e espiritual do ser humano. Portanto, sinteticamente, é compreensível aceitar o fato de que cinco funções são afetadas pelo estado de Xin: a atividade mental (incluindo as emoções), a consciência, a memória, o pensamento e o sono (30) .
O homem é complexo biofisiológico, emocional, afetivo e intelectual altamente mutante nas interações intra e interpessoais. Essas mudanças ocorridas com o decorrer das experiências vivenciadas desde o útero materno até à atualidade da existência terrena (4). Vivenciadas, tornam-se registro no
intelecto humano, ficando gravadas, não somente na psiquê, mas também, e sobretudo, em cada célula daquele que as experimentou.
Essas informações percorrem livremente o corpo e a alma, embalsamando-os, ou como sutil veneno amargurando e matando pouco a pouco órgãembalsamando-os,
vísceras e emoções. Esses registros recebem dos estudiosos na área, o nome de memória celular, são lembranças que, mesmo escondidas da porção consciente do intelecto, acompanharão o indivíduo até a morte (7) .
Vivências como tal são perenes, sejam felizes ou infelizes e permaneçam durante a existência celular, seja lá em que corpo estiver, quando estiver, não havendo tempo e espaço capaz de minimizá-las.
Sendo a doença em qualquer órgão ou partes do corpo humano, segundo Friederich Nietzsche, este valor moral, alicerçado sobre o ideal da verdade final, chega à conclusão que inexiste. Pois, segundo Sócrate, o processo de vida/morte é cíclico (31,32,33) .
É a existência de doenças degenerativas ou na velhice avançada, que ocorre o fenômeno no qual se afrouxam os laços fluídicos retentores do espírito à cela carnal, responsáveis pelo lento processo da morte, também e melhor chamado de desencarne, em que pouco a pouco, dia a dia promovem desmame lento e gradativo das funções vitais nas esferas física, psíquica e espiritual (34) .
Quando essas condições são inexistentes, há casos em que pessoas relatadas em estudos científicos, elucidaram experiências de quase morte, como hoje são chamadas pelos estudiosos na área. Permaneceram conscientes mesmo presenciando as vestimentas carnais sendo consideradas mortas e, não raro, foram motivo de surpresa para os médicos e os assistentes o retorno ao estojo celular, não havendo, neste caso, desligamento completo entre as porções carnal e espiritual (34) .
Nesse contexto, a questão da memória celular é pertinente no sentido de que vem imprimir definitivamente nos anais científicos a presença deliberada de vida inteligente em cada célula vivente e que elas, participantes de microcosmo interagem indelevelmente com novo macrocosmo, quando retiradas de ambiente natural (35).
Essa situação corrobora com os pensamentos freirianos, quando se admite relacionamento físico, afetivo e até mesmo social entre coração (órgão – microcosmo) e receptor (pessoa – macrocosmo), numa situação em que a porção micro e biológica age sistematicamente sobre o comportamento macro, suavemente (20).
Quando o TC acontece, essa relação encontra solo fértil para crescer, visto que a interação supramencionada se une célula a célula e a interação intra e inter é completa em todas as potencialidades, que são tanto físicas quanto energéticas. Todavia, não foi sempre assim, é verdadeiro o insucesso ocorrido no primeiro TC do planeta cujo mérito pertence ao solo africano e que acabou ceifando a vida do novo hospedeiro em poucos dias, após a
cirurgia (36). Esse dado revela apenas o desconhecimento dos cientistas da
época acerca das interfaces celulares, problema já superado na atualidade. Como a superação é a potencialidade do homem prevista na lei moral de destruição,(37) confirmada pela máxima: “Nada se cria , tudo se transforma”
do químico e filósofo Lavousier(38)? Quando desprovido de qualquer intenção
moral e religiosa, sem saber, fortalece cientificamente a revelação que há dois mil anos o mestre Jesus já expunha à humanidade, de que “é preciso nascer novamente(39)”.
Alicerçados por essa necessidade e pelo precioso dom da superação, todas as possibilidades de compatibilidade físico-química, agora aprendidas, são pesquisadas a fim de que o processo do transplante incorra em menos riscos de rejeição por parte do transplantado, em relação ao órgão doado. Pequenas e ainda atrasadas demais, as células como o macrocosmo, fisiologicamente não se afinam com o órgão recente, sem compreender que nada trouxe consigo, tudo lhe fora dado ora ou outra no processo de criação que a qualquer momento se faz presente(40).
Outrossim, medicamentos de uso contínuo são de grande valia no processo de driblar o egoísmo celular que perdurará por toda a existência do ser. Esse sentimento, inconformado, tenta a qualquer custo expulsar o órgão que assumiu papel salvador do macrocosmo. Eis, o paradoxo da Química!
Portanto, entender o TC apenas como “troca de peça” é permanecer na caverna descrita por Platão (428 - 347 aC), ou ainda comparar os cientistas da área a pulga na base do pelo do coelho escondido na grande cartola do universo, cego de que participa da mágica da eterna transcendência da existência(38,41).
Muito além de assistir às necessidades físicas dos convalescentes, a enfermeira Wanda de Aguiar Horta inova o fazer enfermagem considerando as Necessidades Humanas Básicas (NHB) descritas por Maslow(42,43).A base
da pirâmide de Maslow é constituída de elementos brutos, animalizados, absolutamente necessários à sobrevida neste planeta. Desta maneira, o funcionamento cardiovascular íntegro é fundamental para que se alcance os demais estágios da pirâmide, rumo ao desenvolvimento pleno do corpo humano(42,43) .
Mediante estes teóricos, os aspectos psíquicos referentes ao espírito estão incluídos no topo da pirâmide por ele desenvolvida, para que didaticamente, os estudiosos adventícios entendessem com maior clareza tudo o que é basicamente necessário ao ser humano para que este seja pleno em todas as potencialidades.
Contudo, deve-se promover ruptura às ideologias que caracterizam Taylorismo e Fordismo, (42) criados no final do séc. XIX e início do XX, que
imperam até o momento no consenso mundial de administração, infelizmente aplicados à área da saúde. Fragmentam mais e mais a ação da enfermagem, confundindo-a à linha de montagem, em que o objetivo principal é o aumento da produção e maior lucro do empresário.
Sem compreender o fundamento filosófico, que é o Princípio da Produtividade descrito por Henry Ford,42 atualmente, determinante das
ações de enfermagem, o profissional cegamente inicia o tratamento da doença, esquecendo-se de que deve sim, tratar o doente. Este é o conceito que passa pelo crivo apurado da Bioética, trabalhada por Van Potter que a assina como: A ciência da sobrevivência, englobando conceitos de Biologia, Medicina, Filosofia e Direito, e tem por fundamento investigar as condições necessárias para administração responsável da vida biológica no planeta, considerando questões que ainda não existem no consenso moral da sociedade
ominlateral(44,4) .
Esse ponto de vista, não pode deixar de ser considerado o pilar para este trabalho, porque enfatiza e torna coerente a verdade de que o enfermeiro, muito mais do que técnico, precisa urgentemente assumir a condição do que Mahatma Gandhi chama de “Satyagraha” (Satia = verdade, amor; Agraha = firmeza, força), alguém capacitado a amparar o outro amplamente e não meramente patológica e mecanicista(46) .
Em concordância aos ideais de Gandhi, é crucial que o opositor, no nosso contexto, a doença, deva ser apartada pela paciência e simpatia. Apartada, não esmagada, visto que, na obra A Metafísica da saúde, a existência de causa psíquica para cada doença desenvolvida pelo corpo, tendo a mesma, razão de existir(47) .
A satyagraha aplicada à saúde assume interação benéfica constante, tendo em vista a reconciliação entre o homem e a saúde, o verdadeiro ego.46 Isto
significa que como o eletrocardiograma analisa as variações da propagação dos estímulos elétricos no coração, a bioética está para a Enfermagem em Cardiologia, como base para apreciar oscilações de estímulos afetivos e morais ante a progressão da tecnociência, neste estudo, o TC(48).
OBJETIVO
Evidenciar, aos Enfermeiros e demais profissionais de saúde, que sinais da memória celular podem se transformar ou se fazer presentes na vida de transplantados cardíacos, vislumbrando novos horizontes nas relações humanas ao trabalho desses profissionais, fazendo-os refletir muito além das hipóteses já existentes em relação ao bem estar deste paciente.
MÉTODO
Por existir hiato científico acerca da memória celular, o estudo bibliográfico retrospectivo e analítico de caráter qualitativo partiu da abordagem hipotético-dedutiva que teve procedimentos: fenomenológico, tipológico e funcionalista(49).Pretendeu-se verificar e validar a ocorrência do
fenômeno empírico, do qual pouco se comenta acerca da memória celular do coração pós-transplante por meio de análise de resultados de artigos científicos. Nesse sentido, primeiramente, fez-se necessário entender o funcionamento deste fenômeno, classificando-o adequadamente, objetivando conhecer o “como” e os “porquês”, vislumbrando ao fenômeno estudado nos meandros.
Como o comportamento humano é variável surpreendentemente aberta, esta não poderia ser analisada simplesmente de modo matemático. Isso seria subestimar a genialidade humana. Para tanto, o estudo analítico foi focado no período pós-operatório de TC e as reações em termos de memória celular. Os dados obtidos foram pilares para compreensão deste fenômeno ainda pouco estudado pela ciência do século XXI. Foram validados e classificados de modo a maximizar o conceito e o significado de memória celular nos aspectos mais ocultos.
Ao visar à mudança de olhar da equipe multidisciplinar de saúde, em especial, do Enfermeiro, acerca dessa nova realidade, elegeram-se as teorias (Figura 4) antropoéticas de Lev Vygotsky, Edgar Morin e Paulo Freire com a finalidade de proporcionar a esta pesquisa, alicerce teórico substancial para fundamentar a concepção transcendental da assistência de enfermagem à pessoa receptora do novo coração, correlacionando-as às doutrinas de Van Potter45 sobre Bioética e Volpi(7) acerca da Psicologia da Saúde, fazendo à
correlação com as dimensões das mudanças pós-transplante cardíaco dos pensamentos de Arduini (7,18.20,21,22,45) .
Como os dados analisados nas publicações científicas foram analisados de forma subjetiva, o impacto das respostas obtidas foi imprevisível, por isso, a análise adequada foi subjetiva, o que caracterizou o aspecto qualitativo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Por meio da revisão sistemática da literatura de quatro artigos científicos, detectou-se que a Pesquisa da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte confirma que após o TC o receptor apresenta certa intolerância ao exercício físico, isso é por ela justificada devido ao déficit no desempenho hemodinâmico, que é resultado de anormalidades de ordens, como: musculoesqueléticas, neurormonais, vasculares derivadas, entre outras, do estado mórbido existente no período de pré-transplante(50).
Num estudo retrospectivo realizado no Brasil, no período de 2003 a março de 2004, envolvendo 26 pessoas submetidas ao TC, de ambos os gêneros, de diversas procedências e ocupações profissionais, a intenção foi investigar a experiência do TC vivenciada por pacientes transplantados, buscando compreender os significados que eles atribuem a mesma(51).
Este estudo nacional indicou nos resultados oscilações na condição emocional em alguns períodos, persistência de sintomas depressivos e dificuldades dos pacientes em superar dificuldades, cinco a dez anos pós TC. Dificuldades em voltar ao trabalho, dificuldade de aceitar a troca do órgão expressa por alguns participantes, conflito do receptor diante da perda do próprio coração com toda a simbologia que este órgão carrega, a não aceitação do coração do doador que apenas lhe foi destinado em virtude da morte(51).
Sendo a morte fator preponderante para o TC, em: “O velho e o novo: uma aproximação antropológica das mudanças socioculturais nas pessoas transplantadas” questiona-se sobre a ética implícita no fato de se precisar de TC, pois, disso custará uma vida humana(51).
Lo que nunca he sido capaz es de pedir un corazón para mí. A mí me decían, pídelo, porque si lo pides viene antes y tal, pero he sido incapaz. Que tenga que morir una persona es algo que cala mucho, que yo francamente nunca he tenido el valor de pedir, yo dije ¡Dios mío, cuando quieras!, Nunca he tenido el valor de pedirlo, porque si lo hubiera pedido y hubiera llegado rápido, puede pasar ¿No?, Me hubiera sentido culpable (Entrevistado n.6, 2004).52:4
O referido estudo foi realizado mediante entrevistas com 24 pessoas que estavam na fila de espera para o TC e aquelas que já passaram por esse procedimento nos anos de 2003 a 2005, na Espanha. Ele ainda complementa o presente estudo com o depoimento de receptor do gênero masculino que relata a experiência de perceber o órgão recebido como sendo algo feminilizado(52).
Yo desde el primer día lo he dicho, el corazón es de una chica joven y guapa. Ha de ser de una persona muy guapa para que haga esto, si, si, todo El mundo que estaba en ese corazón, debía ser muy “guapo”, fue un entornoque se presto a hacerlo, eso si (Entrevistado n.16, 2003).52:17
Em Fortaleza (CE), a pesquisa qualitativa aplicada entre dezembro de 2004 e janeiro de 2005, por meio de entrevista semiestruturada, que visou analisar a experiência vivida por familiares durante o processo de TC dos parentes, apontou que este transplante gera mudanças, crises e momentos de desestruturação, e que não só a pessoa é abalada, mas também a rede familiar que se esforça para se adaptar à nova situação(53).
A rotina da casa mudou toda, mudou tudo, mudou a família, foi isolamento total. Todo mundo sofreu. Eu tenho muitos filhos, muitos netos e foi um desespero, assim, uma separação muito brusca. Porque o coração apareceu assim de uma vez, a gente não estava preparada
[...] nós apressamos em tudo, foi como um vendaval (Sujeito 6).53:169
Enquanto, algumas pessoas superam com dificuldades as mudanças forçadas de hábitos; outras já conseguem se adaptar com mais facilidade, pois se sentem recompensadas com os benefícios que o órgão recebido proporciona ao ente querido.53 “A mudança para mim, eu acho que foi boa, devido ela
ter ganhado o coraçãozinho novo, foi transplantada, mudou para melhor” (Sujeito 7) (53).
A morte abstém-se da iminência, mas é sabidamente próxima e talvez seja essa a grande diferença do transplantado cardíaco para o indivíduo comum: saber que muito provavelmente não se passará de determinado ponto cronológico. Antes que o processo de falência do órgão começasse, pouco se pensava na finitude da vida(54).
É em cada fase cognitiva, no processo de digestão mental da morte física que o indivíduo, globalmente, passa a analisar a vida sob o crivo da transcendentalidade, deixando para trás o supérfluo consumista, até então indispensável, para dedicar-se à manutenção da vida em forma mais simples e básica(55).
Ele faz o processo inverso à pirâmide de Maslow, (56) em que a ascensão
social abre espaço à sobrevivência, pois, nos casos em que o coração é insuficiente para realizar as funções, sofre o ser, porque poucas são as condições para realizar as atividades de vida diária(9).
Mantendo os cuidados necessários, as portas de nova vida são abertas para o indivíduo que não apenas é renovado nas funções vitais, mas também na ótica de avaliar e experimentar as situações da vida, agora com preciosismo. Esse valor é expresso, em outras vertentes, pela necessidade de manter o corpo no mais perfeito estado de saúde possível. Então, trata o ser de medicar-se, alimentar-se e potencializar todas as funções possíveis, mesmo que estas estejam limitadas por certas restrições advindas do cuidado exigido pelo coração hospedeiro que traz consigo contravalores, como a baixa imunidade(57).
O órgão recebido carece de dietas especiais, exercícios físicos que o impulsionam e incentivem na preciosa tarefa de circular sangue de qualidade para o corpo(58). Não há como negar o impacto dessas influências nas
atividades de vida diária do transplantado.
Como recém nascido pode-se, filosoficamente, entender que, o receptor do coração também nasce, pois readquire condições para o trabalho, para o amor, para as convivências familiar e social, entre tantos outros aspectos da multiplicidade humana(59).
Devido à experiência da morte ocorrida durante o processo de falência cardíaca e espera de doador compatível, que “parece nunca chegar”(51),
verifica-se neste ponto a dicotomia entre a espera pela vida e pela morte. O que chegará primeiro? Passar por essa experiência afeta de forma indelével não só o indivíduo, mas, os entes mais próximos.
Como a Teoria Moriniana pilariza esta pesquisa, é indispensável citar que o egoísmo manifesta-se, nesta fase, variadas formas, pois, o indivíduo, vivencia a antítese psicológica ao valorizar muito mais a saúde em detrimento
de outras condições anteriormente amadas, além desse egoísmo manifestar-se fisicamente na agora eterna luta contra o coração que, salvadoramente, reanima o corpo em geral(22).
Egoísmo sim, mas por outro aspecto, bioética aplicada à manutenção da vida. Afinal manter-se vivo e singular é assustadoramente o único meio pelo qual o corpo humano consegue completar o ciclo vital, objetivo estabelecido desde a concepção nos primórdios da humanidade(45,59).Deste modo, é
possível traçar paralelo virtual entre as características de possível doador de órgãos com os hábitos remodelados e manias do indivíduo transplantado, principalmente se forem considerados os sentimentos atribuídos aos órgãos, de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa.
Seriam essas manias apenas fruto do estilo de vida ainda em adaptação, ou resquícios de memória celular do coração transplantado indiretamente presentes nos hábitos do atual dono? Sabe-se que qualquer órgão necessita ser absolutamente saudável para ser transplantado, desde o período de vida intratorácico até a forma como o antigo hospedeiro morreu(60).
Vygotsky(21) e Freire(20) são enfáticos ao teorizar a relação entre o meio e
o indivíduo, o todo e as partes, (18) como o macro e o microcosmo, sejam eles
analisados a qualquer visão subjetiva.
Como o coração é a morada de Shen, vulgarmente traduzido como alma, espírito, ou ainda consciência pela cultura ocidental, é natural associar o órgão aqui em discussão com a qualidade do sono – aspecto das NHB, (42,43,50)
haja vista que alma sem morada não consegue repousar por não conseguir situar-se no local a qual está habituada.
É preciso que haja, nesta fase, adaptação profunda a outro estilo de vida, cuja qualidade vai perdendo espaço para a involução da saúde, principalmente no que tange à espera do doador ideal, e isso se reflete diretamente na qualidade do sono. De fato, essa preocupação é determinante e também elo entre medicina oriental e ocidental.
Na medicina ocidental, a ciência da psicologia denomina essas características como preocupação, medo do desconhecido, do futuro incerto, da morte e tantos outros(61). Orientalmente, Shen é alma sem sossego e
perturbada, que não encontra pouso, por isso, vaga durante a noite pelos labirintos da preocupação e do medo.
Alguns anos após o procedimento cirúrgico, já com coração qualificado para as necessidades corporais, ainda é perceptível a essência do antigo Xin (energia do coração), pois se o novo Xin já tivesse estabelecido supremacia sob o órgão retirado, seria possível afirmar lembranças sutis de pessoas ou
situações ocorridas no peito ao qual ele surgiu(62).
Nessa conjuntura, é impossível não se detectarem mudanças no aspecto sentimental, como paciência, humor e carinho, visto que se tornaram muito diferentes depois do transplante devido não só à marcante vivência, mas também às restrições de vida impostas pela imunidade deficiente.
Em suma, o enfermeiro tem que considerar a visão omnilateral, tanto do candidato ao transplante, quanto do transplantado cardíaco. Análise fundamental para nova tomada de atitude frente à pessoa humana de forma a ampliar a prática assistencial. Ao transcendentalizá-la é sinal de valorização do homem frente às realidades profissional, pessoal e cósmica, visto que por mais que se fale em humanização, no Brasil, pouco se vivencia essa realidade no dia a dia(63,64,65).
Isso é evidenciado, principalmente, pelo stress vivido por toda a equipe de Enfermagem que, por vezes, não se sente valorizada, mas, em contrapartida, sobram cansaço, desânimo e mau-humor, senão verbal, tecnicista ou apenas energeticamente ao doente ou convalescente. Energia essa que vai de encontro com estado geral e holístico do recém transplantado(66).
A implicação é o conflito de três energias, discutivelmente, ruins: a do doente angustiado associado à da memória celular, cuja última lembrança é, por vezes, a morte traumática do antigo hospedeiro e a energia da equipe de enfermagem desgostosa. Frente a esta conjuntura, cabe ao enfermeiro, como líder, que é, fomentar visionariamente trabalhar e assistir aos transplantados. Sabe-se que Volpi, quando cientifica a transcendentalidade, traduz para os enfermeiros a urgente necessidade de enxergar o que os olhos não são capazes de reconhecer, mas que, como a eletricidade existe, mas não é captada por esse sentido(7).
Entende-se que, não somente os enfermeiros envolvidos diretamente com a arte do transplante, contudo, aqueles que se envolverão posteriormente com este cliente devem saber que a presença de resquícios de memória celular pode fazer a diferença frente à terapêutica, seja ele em que especificidade biomédica for(17).
Frente às situações envolvidas no processo de transplante é fundamental abordagem multiprofissional e interdisciplinar, que envolva não só os aspectos clínicos, mas, as repercussões psicológicas e sociais, tanto para a pessoa como aos familiares. É importante focalizar a família como unidade sistêmica, que se organiza de modo singular, de acordo com as crenças, experiências e estágio no ciclo de vida(53) .
CONCLUSÃO
A revisão sistemática da literatura possibilitou reconhecer que há existência de memória celular do coração transplantado, responsável por mudanças de comportamento, mesmo que sutil.
A Medicina Tradicional Chinesa, tão rica, prova neste estudo que há sim, algo a mais a ser observado, como a memória celular, algo que os olhos humanos não são capazes de captar, e que somente o feeling da pesquisadora e dos transplantados cardíacos que futuramente possam ser pesquisados é capaz de detectar. No entanto, mesmo com essa deficiência foi possível identificar nos resultados dos artigos analisados a sutil presença de mudanças no comportamento dos transplantados cardíacos, o que de alguma forma comprova presença da memória celular, fato que serve de base para os enfermeiros refletirem muito além das hipóteses já existentes em relação ao bem estar destas pessoas.
De modo geral, evidenciaram-se, aos Enfermeiros e demais profissionais de saúde, que sinais da memória celular podem se transformar ou se fazer presentes na vida de transplantados cardíacos. É no enfermeiro, em diversas especialidades, que a mudança de paradigma deve ocorrer, visto que ele acompanha o processo, do início ao fim mais longínquo que possa ocorrer. Tratam-se, aqui, de todas as equipes de Programa de Saúde da Família (PSF), Unidades Básicas de Saúde (UBS), atendimento hospitalar de retaguarda e os demais atendimentos primário, secundário e terciário mantidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como o sistema privado.
Nesse contexto, conclui-se que diversificados horizontes são vislumbrados nas relações humanas ao trabalho desses profissionais, em especial o Enfermeiro, que está presente durante o processo – da identificação do problema cardíaco até o mais longínquo pós-operatório do transplante cardíaco.
A sutil evidência da memória celular faz refletir muito além das hipóteses já existentes em relação ao bem estar deste paciente, retomando os princípios da Lei nº 8080/1990 que regulamentou o SUS, no sentido de ter feeling à análise profunda do transplantado cardíaco, focado no processo saúde-doença. Entendendo melhor os mistérios e nuances, talvez será possível tratar o coração insuficiente (objeto do transplante) mais satisfatoriamente, melhorando a qualidade de vida do doente, ou ainda – e por que não - diminuir ou até mesmo substituir a necessidade do transplante por tratamentos energéticos.
Como, quando se fala em ciência, tudo é possível e nada é verdade universal, as situações indicadas neste estudo e outras ainda não imaginadas
são perfeitamente passíveis de serem realizadas se houver empenho por parte das comunidades científicas do mundo que pouco valorizam os conhecimentos ancestrais. Infelizmente, essa realidade foi verificada no decorrer da pesquisa, cuja literatura, na referida área, mostrou-se escassa e insuficiente, necessitando ser tangenciada por estudos afins que tornaram possível a realização desta monografia.
Seriam necessárias mais pesquisas sobre o assunto para que a conclusão real fosse tomada, pois apenas dois estudos (um nacional e um europeu) analisados aparentam ser muito pouco para a percepção clara das mudanças ocorridas em nível energético que se estendem aos detalhes, às características e até mesmo mudanças nos níveis psicossociais.
Estudos randomizados com entrevistas, variações de tempo pós-transplante cardíaco e aplicação multicêntrica também serão opções inteligentes para validar melhor os conceitos abordados nesta pesquisa, visto que cada indivíduo deve apresentar percepções diferentes acerca da mesma realidade.
Percebe-se a urgência do fomento de perspectivas contemporâneas à assistência ao transplantado cardíaco, visando ao complexo holismo existente muito além dos cuidados físicos gerenciados pelo enfermeiro à equipe. Portanto, tornam-se imperativas que tais sutilezas sejam mais pesquisadas para serem consideradas pela equipe de enfermagem e em especial pelo enfermeiro, o profissional responsável por sistematizar a assistência prestada ao cliente enfermo, que traz consigo infinito arsenal interior.
Unido a isso, também se devem trabalhar os recentes aspectos cognitivos e emocionais advindos do novo órgão, que aos poucos se manifestam nas atividades de vida diária do transplantado, sem que este, muitas vezes, não consiga perceber. Pois, é imprescindível que comece na assistência de enfermagem essa nova atitude, esta visão omnilateral e conceber a ideia de TC, porque para os demais profissionais de saúde, exceto os psicólogos, o transplante é aquilo que aparenta ser: troca de peças.
A Medicina Tradicional Chinesa, popularmente chamada de acupuntura, vem aos poucos ocupando espaços na sociedade, adentrando principalmente no SUS, como terapia alternativa/complementar (TAC) resolutiva de problemas que a medicina ocidental não alcança na atualidade. Daí a prioridade de se estudar com profundidade as veredas do processo energético expresso pela Medicina Tradicional Chinesa, tornando-a ciência baseada em evidências e não mais em crendices milenares, dando a ela o devido espaço na qualidade de vida, mas, principalmente, dos transplantados cardíacos que podem vir a usufruir do prognóstico mais longo e com menos efeitos colaterais.
Entender melhor a existência e o processo da memória celular suscitará futuramente, quando a cultura da doação de órgãos estiver enraizada na população brasileira, opções de escolha que possam promover a otimização do TC, escolhendo o órgão com o melhor perfil para cada receptor. Isso será indispensável para se minimizarem efeitos potencialmente danosos no pós-operatório permanente do receptor, diminuindo conflitos intrínsecos e extrínsecos para melhor relação humana na prática profissional do Enfermeiro.
Além da rigorosa pesquisa necessária para aumentar o conhecimento científico sobre este assunto pouquíssimo estudado, há que se fomentar, em caráter nacional a necessidade da legítima doação de órgãos no Brasil, visto que a conscientização sobre esse assunto é irrelevante, se for considerada a importância deste ato.
A morte é processo pelo qual todos passarão e passam nas mais variadas maneiras, por isso, é fundamental que a discussão sobre a doação de órgãos seja desmistificada e, inclusive, disseminada em salas de aula, analisada sob a ótica da Filosofia, da Matemática, da Biologia e tantas outras disciplinas formadoras de opinião.
Salienta-se que, desde pequenas, as pessoas tomem para si a responsabilidade pela vida do outro, pois o ato da doação de órgãos é, muito mais do que gesto de solidariedade, é cidadania, palavra muito divulgada na Educação formal brasileira e reflexo da própria responsabilidade social.
REFERÊNCIAS
1. Volpi JH, Volpi SM. Etapas do desenvolvimento emocional [on line]. Curitiba:
Centro Reichiano; 2006. 1-8.
2. Ding L. Acupuntura: teoria do meridiano e pontos de acupuntura. São Paulo:
Roca; 1996.
3. Wolf U. Livre-se das dores pela acupuntura e acupressura. Rio de Janeiro:
Ediouro; 1980.
4. Wilheim J. Traumas pré-natais. Federação Brasileira de Psicanálise [on line]. 2009. 1-13.
5. Ross G, Zang Fu. Sistema de órgãos e vísceras da Medicina Tradicional Chinesa: funções, inter-relações e padrões de desarmonia na Teoria e na prática. São Paulo: Roca; 1994.
6. Maciocia G. Os Fundamentos da Medicina Chinesa: um texto abrangente
7. Volpi JH. O corpo na prática clínica: psicologia corporal [on line]. Curitiba: Centro Reichiano; 2003.
8. Moraes RS. Diretrizes de reabilitação cardíaca. Arq Bras Cardiol 2005 maio;
Vol. 84. 431-440.
9. Nuñez HMF, Ciosak SI. Terapias alternativas/complementares: o saber e o
fazer das enfermeiras do distrito administrativo 71, Santo Amaro, São Paulo. Rev Esc Enferm USP 2003; 37(3):11-8.
10. Barros NF, Nunes ED. Medicina alternativa e complementar no Brasil: um conceito e diferentes significados. Cad Saud Publ. 2006 out. 622(10):2023-39.
11. Xavier C, Curell N, Curell J. Atlas de Anatomia e Saúde: atualizado e nova nomenclatura. São Paulo: Brasil; 1997.
12. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem: lei n. 7498, do Conselho Federal de Enfermagem (25 jun 1986).
13. Abaurre MLM, Pontara MN, Fadel T. Português: língua e literatura. São Paulo: Moderna; 2008.
14. Cipro Neto P. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione; 2004. 15. Publicações Cardiológicas. III Diretriz de Insuficiência Cardíaca.
16. Tesser CD, Barros NF. Medicalização social e medicina alternativa e complementar: pluralização terapêutica do sistema único de saúde. Rev Saud Publ 2008; 42(5):914-20.
17. Arduini J. Destinação antropológica. São Paulo: Paulinas; 1989.
18. Moraes MC. Transdiciplinaridade e educação. Rizoma Freireano. 2010. Vol.6. 19. Freire P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: EGA; 1996.
20. Vygotsky LS. A formação social da mente. São Paulo: Martins; 2007. 21. Morin E. Os sete saberes à educação do futuro. 3 ed. São Paulo: Cortez; 2001. 22. Alberti S. Primeiras questões sobre psicanálise e neurociências. Estados Gerais da Psicanálise. II Encontro Mundial. Rio de Janeiro; 2003.
23. Russel P. O despertar da terra: o cérebro global. São Paulo: Cultrix. 1992. 24. Dângelo JG, Fanttini CA. Anatomia humana básica. 2 ed. São Paulo: Atheneu; 2005.
25. Netter FH. Atlas interativo de anatomia humana. 4 ed. Porto Alegre: Artmed; 2010.
26. Charles MSM. Finito o infinito: uma cuestión de gusto. Ontol Stud. 2009;9:43-54.
27. Peixoto MCD. A emergência da reflexão sobre a responsabilidade moral na Grécia Antiga: Homero e Demócrito. Rev Filos. 2002; 29(95):301-22.
28. Petter FA. Reiki: o legado do Dr. Mikao Usui-Ground. São Paulo: Ground; 2002.
29. Chuncai Z. Clássico de medicina do Imperador Amarelo. São Paulo: Roca; 2002.
30. Souza PC. Friederich Nietzche: genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Cia Letras; 2003.
31. Palma A, Estevão A, Bagrichevsky M. Considerações Teóricas acerca das questões relacionadas à promoção da saúde. In: Bagrichevsky M, Palma A, Estevão A. (Orgs.). A saúde em debate na educação física. Blumenau: Edibes. 2003. p.15-31.
32. Dinucci A. A bela morte é o fim da bela vida de Sócrates. Aisthe. 2008; Vol.2. 33. Cajazeiras FAC. Eutanásia: enfoque espírita. São Paulo: EME; 2009. 34. Pereira JA, Carneiro AD, Souto MC, Costa SFG, Morais FSN. O cuidar humanizado em enfermagem ao paciente no contexto hospitalar: uma abordagem bioética. Departamento de Enfermagem Médico-cirúrgica e Administração, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa; 2006.
35. Silva PR. Transplante cardíaco e cardiopulmonar: 100 anos de história e 40 de existência. Rev Bras Cir Cardiovasc. 2008:23(1): 143-52.
36. Kardec A. Livro dos espíritos: filosofia espiritualista. 2010.
37. Lopes LC. Percepção e comunicação: mitos e problemas contemporâneos. 2001 dez.
38. Figueiredo O. O homem e seus males.
39. Barboza J. Uma terapia para ser menos infeliz no inferno: sabedoria de vida e prudência em Schopenhauer. Rev Adv Verbum. 2008 ago-dez; 3(2):119-24.
40. Feres CM, Rivera TC. Narciso na caverna: o efeito da ausência do outro. Tempo Psicanal. Rio de Janeiro. 2008; 40(2):358-76.
41. Daft RL. Administração. 6 ed. Rio de Janeiro: Thomson; 2005. 42. Horta WA. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU; 1979. 43. Boccatto M. A importância da bioética. Genet Esc. 2007; 2(2):11-4.
44. Heck JN. Bioética: contexto histórico, desafios e responsabilidade. Florianópolis. 2005 dez; 4(2): 123-39.
45. Fischer L. Gandhi: sua vida e mensagem para o mundo. São Paulo: Martin Claret; 1983.
46. Valcapelli, Gasparetto LA. Metafísica da saúde: sistemas circulatório, urinário e reprodutor. v. 2. São Paulo: Vida & Consciência, 2009.
47. Grinberg M, Cohen C. Falando com o coração: auscultando a bioética. Rev Soc Cardiol Est SPaulo. 2002 nov-dez; 12(6):805-21.
48. Cabanas A. Manual técnico para elaboração de projeto de pesquisa e monografia. 3 ed. São José dos Campos: UniVaP; 2010.
49. Guimarães GV, D’Ávila VM, Chizzola PR, Bacal F, Stolf N, Bocchi EA. Reabilitação física no transplante de coração. Rev. Bras. Med. Esp. 2004 set/out; 10(5): 408-11.
50. Stolf NAG, Sadala MLA. Os significados de ter o coração transplantado: a experiência dos pacientes. Braz J Cardiov Surg 2006;21(3):314-23.
51. Venturas Nieto M. Lo viejo y lo nuevo: uma aproximación antropológica a los cámbios socioculturales em lãs personas transplantadas. Perifèria; 2005 Vol. 3.
52. Brito LMPM, Pessoa VLMP, Santos ZMSA. A família vivenciando o transplante cardíaco. REBEn 2007 mar-abr; 60(2):167-71.
53. Sommer M. Possibilidades paliativas da terapêutica homeopática nas fases terminais da vida. Rev Homeop. 2008; 71(1/4):65-9.
54. Guerra MP, Costa S. Luto no transplantado cardíaco. Psic Saud Doenc. 2009:10(1):49-55.
55. Regis LFLV, Porto IS. A equipe de enfermagem e Maslow: (in)satisfações no trabalho. Rev Bras Enferm. 2006 jul-ago; 59(4):565-8.
56. Lima MJV, Costa G. Imunossupressão. Publicação em: 22 ago 2000. Boa Saúde.
57. Salles AF, Oliveira FJA. Adaptações ao exercício pós-transplante cardíaco. Arq Bras Cardiol. 2000; 75(1):79-84.
58. Sadala MLA, Stolf NAG, Bicudo MAV. Transplante Cardíaco (TC): a experiência do portador da doença de chagas. Rev Esc Enferm. 2009; 43(3):588-95..
59. Santin S. Corpo sob a proteção da bioética. EFDEPortes [on line]. 2003 fev; 8(57).
60. Fusco CC, Marcelino CAG, Araújo MN, Ayoub AC, Martins CP. Perfil de doadores efetivos de múltiplos órgãos e tecidos viabilizados pela organização de procura de uma instituição pública de cardiologia. J Bras Transp. 2009 abr-jul; 12(2):1109-12. 61. Rabelo ER, Aliti GB, Domingues FB, Ruschel KB, Brun AO ¿Qué enseñar a los pacientes con insuficiencia cardiaca y por qué? El papel de los enfermeros en clínicas de insuficiencia cardíaca. Rev Lat Am Enferm. 2007 jan-fev; 15-21.
guia fundamental para as técnicas complementares de cura que trabalham com sua energia interna, reforçando os tratamentos convencionais. São Paulo: Manole; 2000.
63. Gottschall CAM. Bioética e seus fundamentos. Rev AMRIGS 2003 out-dez; 47(4):300-3.
64. Santos ZMSA, Oliveira VLM. Consulta de enfermagem ao cliente transplantado cardíaco: impacto das ações educativas em saúde. Rev Bras Enferm. 2004 nov-dez; 57(6):654-7.
65. Regulamento da Lei n. 7498 (25 jun 1986): decreto n. 94.406, do Conselho Federal de Enfermagem (09 jun 1987).
66. Leite RS, Nunes CV, Beltrame I. Humanização hospitalar: análise da literatura sobre a atuação da Enfermagem. Sobragfen.
Responsável pela submissão Ana Cabanas [email protected] Recebido em 18/10/2012 Aprovado em 29/11/2012