http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3855/5/CAROLINA%20VITT%C3%93RIA%20ORTENZI%20BORTOLOZZO
Texto
(2) CAROLINA VITTÓRIA ORTENZI BORTOLOZZO. PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS: Estudo, análise e impacto de ações táticas no espaço público paulistano. Dissertação apresentado. de ao. Mestrado programa. Acadêmico de. Pós-. Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade. Presbiteriana. Mackenzie,. como requisito à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Prof. Dr. José Geraldo Simões Junior. São Paulo 2018.
(3) B739p Bortolozzo, Carolina Vittória Ortenzi. Práticas urbanas criativas : estudo, análise e impacto de açőes táticas no espaço público paulistano / Carolina Vittória Ortenzi Bortolozzo. 120 f. : il. ; 30 cm Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2018. Orientador: José Geraldo Simőes Junior. Bibliografia: f. 116-120. 1. Práticas urbanas criativas. 2. Espaço público. 3. Açőes táticas. 4. Convívio social. 5. Cidade contemporânea. I. Simőes Junior, José Geraldo, orientador. II. Título. CDD 711. Bibliotecária responsável: Paola Damato CRB-8/6271.
(4)
(5) Á minha família, minha eterna fonte de inspiração. Ao Evaldo, meu mais fiel incentivador..
(6) AGRADECIMENTOS Agradeço acima de tudo a Deus, pelo dom da vida, por ser minha força nos momentos de desânimo e por guiar sempre meus passos. À minha família, pelo amor incondicional e compreensão nas horas em que eu estive ausente. Em especial aos meus pais, minha maior fonte de inspiração e por não medirem esforços para a realização desse sonho. Tudo isso foi por vocês e para vocês. Aos meus irmãos e cunhados, pelo constante apoio e incentivo. Aos meus sobrinhos, as maiores riquezas da minha vida. Obrigada por sempre me receberem com o coração cheio de amor, como se a distância não existisse. Vocês me fazem ser melhor a cada dia. Ao Evaldo, meu mais fiel incentivador. Obrigada por me amparar em todos os momentos que pensei em desistir. Só cheguei até aqui porque você acreditou em mim. A todos os professores do Programa de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelos conhecimentos repassados e por contribuírem para a minha formação. Ao meu orientador, Prof. José Geraldo Simões Junior, por ser referência em minha longa caminhada pelos fundamentos do Urbanismo. Obrigada pela paciência e compreensão nos momentos em que mais precisei e por contribuir com o meu crescimento pessoal e acadêmico. Muito obrigada. É por todos vocês que sou capaz de sonhar..
(7) Nossa primeira ideia: é preciso mudar o mundo. Queremos a mais libertadora mudança da sociedade e da vida em que estamos aprisionados. Guy Debord..
(8) RESUMO. A condição efêmera da contemporaneidade, a fluidez das relações interpessoais, a ênfase rodoviarista no desenho das cidades e a presença de lacunas no planejamento urbano contribuíram para a supressão da escala humana do contexto urbano, propiciando assim, um cenário de transformações físicas e sociais. A degradação, subutilização e abandono de áreas urbanas impossibilitam os espaços públicos de exercerem sua função primordial de induzir vitalidade, trocas de experiências e convívio social entre pessoas. O objetivo central da pesquisa é explorar e considerar a relevância da aplicação das práticas urbanas criativas no contexto urbano atual, através do estudo dos impactos dessas intervenções nos espaços públicos, por meio, sobretudo, do engajamento coletivo. Com o intuito de comprovar os reais benefícios e impactos positivos das práticas criativas nos espaços públicos, foram analisados três programas implantados na região metropolitana de São Paulo (Centro Aberto, “A Batata precisa de Você” e Inova Cajamar) dos quais possibilitaram a transformação e ativação do local em que foram inseridos, melhorando índices sociais e criando novas formas de uso. As ações táticas surgem como ferramentas mitigatórias para este processo de deterioração urbana, pautado em uma abordagem mais inclusiva e dialética do planejamento urbano. Este conceito se desafia a promover novas dinâmicas urbanas através, a princípio, de iniciativas efêmeras, de baixo custo e grande flexibilidade, para que, posteriormente, transformem-se em ações concretas. Portanto, o incentivo a execução de determinadas iniciativas, práticas e intervenções no espaço urbano configura-se como ferramenta essencial para o combate a extinção da vida urbana e a gradual decadência dos espaços públicos. Palavras-chave: Práticas Urbanas Criativas. Espaço Público. Ações Táticas. Convívio Social. Cidade Contemporânea..
(9) ABSTRACT. The ephemeral condition of contemporaneity, the fluidity of interpersonal relations, the emphasis on urban design and the presence of gaps in urban planning contributed to the suppression of the human scale of the urban context, thus providing a scenario of physical. and. social. transformations.. The. degradation,. underutilization. and. abandonment of urban areas make it impossible for public spaces to exercise their primary function of inducing vitality, exchanges of experience and social interaction among people. The main objective of the research is to explore and consider the relevance of the application of creative urban practices in the current urban context, through the study of the impacts of these interventions in public spaces, mainly through collective engagement. In order to prove the real benefits and positive impacts of creative practices in public spaces, three programs were implemented in the metropolitan area of São Paulo (Centro Aberto, “A Batata precisa de Você” and Inova Cajamar), which enabled the transformation and activation of the where they were inserted, improving social indexes and creating new forms of use. Tactical actions appear as a mitigating tool for this process of urban deterioration, based on a more inclusive and dialectical approach to urban planning. This concept is challenged to promote new urban dynamics through, in principle, ephemeral, low-cost and highly flexible initiatives, which can then be transformed into concrete actions. Therefore, encouraging the implementation of certain initiatives, practices and interventions in urban space is an essential tool to combat the extinction of urban life and the gradual decay of public spaces. Keywords: Creative Urban Practices. Public Space. Tactical Actions. Social Interaction. Contemporary City..
(10) LISTA DE FIGURAS. Figura 01 - Praça Franklin Roosevelt antes da reforma ............................................ 14 Figura 02 - Espaço público qualificado ...................................................................... 15 Figura 03 - Movimento “A cidade é nossa” ................................................................ 16 Figura 04 - Segregação sócio espacial ..................................................................... 17 Figura 05 - Diagrama do impacto das intervenções. ................................................. 19 Figura 06 - Planejamento urbano ineficaz. ................................................................ 29 Figura 07 - Ocupação do espaço público. ................................................................. 31 Figura 08 - Livro The Art of Building Cities ............................................................... 33 Figura 09 - Plano Voisin de Le Corbusier .................................................................. 34 Figura 10 - Conjuntos habitacionais nos anos 50...................................................... 35 Figura 11 - Vida entre muros. ................................................................................... 40 Figura 12 - Relação pessoas X espaço público. ...................................................... 41 Figura 13 - Funções do espaço público. ................................................................... 48 Figura 14 - Placemaking em calçadas. ..................................................................... 49 Figura 15 - Movimento Conviva. ............................................................................... 51 Figura 16 - Diagrama da Amabilidade. ...................................................................... 52 Figura 17 - Intervenção Inova Cajamar ..................................................................... 53 Figura 18 - Definições de temporalidade....................................................................54 Figura 19 - Intervenção efêmera Times Square. ....................................................... 56 Figura 20 - Intervenção temporária Times Square.....................................................57 Figura 21 - Intervenção permanente Times Square. ................................................ 57 Figura 22 - Espaço atrativo. ..................................................................................... 60 Figura 23 - Cidadãos produzindo equipamentos públicos. ........................................ 61 Figura 24 - Intervenção na Times Square. ................................................................ 62 Figura 25 - Calçada ativa. ......................................................................................... 63 Figura 26 - Intervenção temporária em Detroit. ........................................................ 64 Figura 27 - Ações do urbanismo insurgente. ............................................................. 65 Figura 28 - Cidadão ativista. ..................................................................................... 67 Figura 29 - Projeto Inova Cajamar. ........................................................................... 68 Figura 30 - Placemaking em Detroit. ......................................................................... 69 Figura 31 - Participação infantil em ações do Placemaking ...................................... 70.
(11) Figura 32 - Curso de Urbanismo Tático. ................................................................... 71 Figura 33 - Banner “Opinião da população”. ............................................................. 72 Figura 34 - Diagrama do Placemaking ...................................................................... 73 Figura 35 - Intervenção Campus Martius Park, Detroit. ............................................ 74 Figura 36 - Ação do microplanejamento .................................................................... 75 Figura 37 - Intervenção em Chicago. ........................................................................ 76 Figura 38 - Intervenções pontuais. ............................................................................ 77 Figura 39 - Diagrama dos conceitos.......................................................................... 79 Figura 40 - Diagrama dos processos. ....................................................................... 83 Figura 41 - Programa Centro Aberto. ........................................................................ 88 Figura 42 - Programa Centro Aberto. ........................................................................ 89 Figura 43 - Índices de Permanência. ......................................................................... 90 Figura 44 - Central de Informações Centro Aberto ................................................... 91 Figura 45 - Largo do Paissandú. ............................................................................... 92 Figura 46 - Largo do Paissandú. ............................................................................... 92 Figura 47 - Largo São Bento. ................................................................................... 93 Figura 48 - Largo São Bento. .................................................................................... 93 Figura 49 - Praça General Osório. ............................................................................ 94 Figura 50 - Rua Galvão Bueno. ................................................................................. 95 Figura 51 - Intervenção no Largo da Batata. ............................................................. 97 Figura 52 - Mobiliários flexíveis ................................................................................ 98 Figura 53 - Ações e Placemaking no Largo da Batata. ............................................ 99 Figura 54 - Crianças usufruindo do espaço. ............................................................ 100 Figura 55 - Largo da Batata antes da intervenção. ................................................. 101 Figura 56 - Evento do Programa Inova Cajamar. .................................................... 102 Figura 57 - Participação da população na intervenção. .......................................... 103 Figura 58 - Ação Viva Viela: recuperação de becos ............................................... 104 Figura 59 - Apresentações musicais. ...................................................................... 105 Figura 60 - Desigualdade social. ............................................................................. 106 Figura 61 - Ativismo urbano......................................................................................107 Figura 62 - Plano Diretor SP - 2014 ........................................................................ 108.
(12) LISTA DE TABELAS. Tabela 01 - Comparação entre os conceitos ............................................................. 79 Tabela 02 - Semelhanças no discurso dos conceitos ................................................ 80 Tabela 03 - Matriz de análise ..................................................................................... 85 Tabela 04 - Análise Centro Aberto ............................................................................. 96 Tabela 05 - Análise “A batata precisa de Você” ....................................................... 101 Tabela 06 - Análise Inova Cajamar .......................................................................... 105 Tabela 07 - Comparação entre Planejamento Convencional e PUC ........................ 110 Tabela 08 - Detalhamento das Práticas Urbanas Criativas ...................................... 111.
(13) SUMÁRIO. 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 13 2. VIDA URBANA E ESPAÇO PÚBLICO: DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO ........ 29 3. PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS ..................................................................... 47 3.1. CONCEITO DE PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS .......................................... 47 3.2. INTERVENÇÕES E TEMPORALIDADE: O EFEMERO, O TEMPORÁRIO E O PERMANENTE ......................................................................................................... 54 3.3. MODALIDADES E CONCEITOS ........................................................................ 58 3.3.1. URBANISMO TÁTICO ..................................................................................... 58 3.3.2. PLACEMAKING .............................................................................................. 69 3.3.3. MICROPLANEJAMENTO URBANO ............................................................... 75 3.4. SINTESE DOS CONCEITOS ............................................................................. 78 4. PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS EM SÃO PAULO ......................................... 82 4.1. PROCESSOS .................................................................................................... 82 4.2. CRITÉRIOS DE ANÁLISE .................................................................................. 84 4.3. CASOS-REFERÊNCIA ...................................................................................... 86 4.3.1. CENTRO ABERTO ......................................................................................... 87 4.3.2. A BATATA PRECISA DE VOCÊ ..................................................................... 96 4.3.3. INOVA CAJAMAR ......................................................................................... 102 5. NOVOS CONCEITOS E PLANEJAMENTO URBANO CONVENCIONAL ................................................................................................................................. 106 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 112 7. REFERÊNCIAS .................................................................................................. 116 7.1. BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................... 116 7.2. GUIAS COMPLEMENTARES .......................................................................... 120.
(14) 13. 1. INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DO TEMA O tema a ser desenvolvido ao longo da pesquisa refere-se a Práticas Urbanas Criativas, das quais se conceituam como ações participativas, flexíveis, que promovem impactos positivos no contexto urbano e que possibilitam a transformação, ativação e interação social em determinado espaço público. O contexto que abrange o estudo é diagnosticado por meio de espaços públicos anteriormente deteriorados e subutilizados, que sofreram intervenções e foram ativados funcionalmente, fisicamente e socialmente através da execução de práticas urbanas criativas. Desde a Revolução Industrial, as cidades vêm crescendo de forma vertiginosa e o processo de expansão urbana, decorrente do contínuo fluxo migratório, bem como o de industrialização das mesmas, geraram um intenso e desordenado desenvolvimento social, econômico e cultural (GEHL, 2013). Tal fenômeno concebeu espaços segregados e promoveu a degradação de muitos locais de uso público suprimindo, desta forma, a escala humana do contexto urbano e o valor de sociabilidade. O paradigma da subutilização, do abandono e do esvaziamento de áreas urbanas impossibilitam os espaços públicos de exercerem sua função primordial de induzir vitalidade, urbanidade e convívio social entre as pessoas. A ideia de transitoriedade e subjetividade está cada vez mais presente no cenário urbano, ocasionando a superficialidade e indiferença mútua nas relações sociais, fatores que induzem a hostilidade e a falta de interesse em vivenciar o ambiente coletivo e em criar-se novos vínculos..
(15) 14. Figura 01 - Praça Franklin Roosevelt antes da reforma.. Fonte: Disponível em < http://ipiu.org.br >. Acesso em 09 jul. 2018.. Com isso, o espaço público perdeu sua potencialidade e sua relevância para a vida urbana, tornando-se um local inativo, negligenciado, sem identidade visual e valor social. A ocupação do espaço público amplia o senso de pertencimento por parte das pessoas e reforça o valor de identidade do espaço público, que este, por sua vez quanto maior for, maior será a capacidade do espaço de se transformar (KOOLHAAS, 2014). O reforço da importância e a ativação intencional de tais locais comportam-se como facilitadores das relações sociais (LEFEBVRE, 2008) e encontram-se diretamente ligados à capacidade coletiva de vivenciar, entender, captar e, assim, transformar o meio em questão. Em “Invenção do Cotidiano”, o filósofo Michael de Certeau (2014) afirma que é na vivência da cidade que se passa a entendê-la como produto dessa experiência. As cidades são cognitivas por natureza e dependem rigorosamente de suas redes, sistemas, fluxos, movimentos e interações, para que se mantenham vivas (HARVEY, 2014). A abordagem sistêmica, dialética e pode-se dizer, sensorial da cidade, surge como ferramenta mitigatória em combate a sua progressiva decadência. Ao tratar a cidade como um artefato vivo, compreende-se imediatamente suas reais necessidades e tensões, despertando assim em seus habitantes o senso de pertencimento a este sistema de relações. Somente através da vivência e do convívio urbano adquire-se conhecimento acerca de ações prioritárias que busquem uma.
(16) 15. gestão eficaz, que possibilitem a amenização das mazelas urbanas e estimulem o potencial de convivência entre grupos sociais distintos. Figura 02 - Espaço público qualificado.. Fonte: Disponível em < https://www.pps.org/ >. Acesso em 06 mai. 2018.. A inversão de valores presente do ambiente urbano atual gera impactos não somente no arranjo territorial bem como na dinâmica das cidades, transformando-as em um reduto de espaços desarticulados, estagnados e carentes de função pública. A paisagem urbana reflete muito acerca do “estado de saúde” da cidade (FERRÃO, 2003), pois a presença constante de um cenário fragmentado, degradado e desconecto revela uma cidade doente, com um passado marcado por negligência dos espaços públicos, um presente e um futuro de constantes reparos. Nesse contexto, Rogers, ao descrever a imagem da cidade atual, relata: Quando perguntamos sobre as cidades, provavelmente as pessoas irão falar de edifícios e carros, em vez de falar de ruas e praças. Se perguntadas sobre a vida na cidade, falarão mais de distanciamento, isolamento, medo da violência ou congestionamento e poluição do que de comunidade, participação, animação, beleza e prazer. Provavelmente dirão que os conceitos “cidade” e “qualidade de vida” são incompatíveis. No mundo desenvolvido este conflito está levando os cidadãos ao enclausurarem-se em territórios particulares, protegidos, segregando ricos e pobres, e retirando o verdadeiro significado do conceito de cidadania. (ROGERS, 2001, p.52). Segundo Jacobs (2000), as pessoas são os “olhos” das ruas, portanto a troca de experiências nas cidades, a interação de seus habitantes em locais públicos, a coletividade e a convivência social configuram-se como elementos fomentadores de urbanidade não somente em pequenos centros urbanos, bem como em metrópoles globais. Desse modo, o incentivo a participação popular e a democracia tornam-se um.
(17) 16. importante aliado da recuperação social e física da cidade. A busca pela vida urbana, pelos movimentos sociais e pela qualidade de vida nas cidades são propósitos que se encontram na lista de prioridades da maioria dos cidadãos, que por ventura estão insatisfeitos com as ações do poder público. A ideia do direito a cidade é uma questão discutida há tempos por aqueles que acreditam que a melhoria da qualidade de vida nas cidades procede diretamente do engajamento e ativismo de seus habitantes. Primordialmente salientado por Lefebvre, a concepção do direito dos cidadãos ao espaço público bem como as suas dinâmicas, impulsionou um intenso movimento de participação popular nos grandes núcleos urbanos. Figura 03 - Movimento “A cidade é nossa”.. Fonte: Disponível em < https://www.agambiarra.com >. Acesso em 03 jul. 2018.. Determinada corrente ganhou o rótulo de cidadania insurgente por James Holston (2013). As cidades, portanto, tornaram-se palcos de reinvindicações de grupos vulneráveis, fomentando assim, a emergência de uma cidadania urbana, de caráter revolucionário. Tal constatação torna-se necessária retomar a ideia do direito a cidade de Lefebvre, do qual acredita que este propósito não se restringe somente ao direito de acesso do cidadão aos recursos urbanos, mas sim e mais especificamente, ao direito de transformar e reinventar a cidade com base nos anseios individuais e coletivos (HARVEY, 2014). A atual conjuntura urbana expressa física e socialmente a suposta perda de senso comunitário. A onda de privatizações, controle espacial, gradeamentos, embate.
(18) 17. entre público e privado e insegurança pública moldaram o ambiente urbano das grandes cidades, salientando a promoção de uma vida pública, porém individualista. Os espaços públicos não são convidativos, as pessoas estão cada vez mais voltadas ao seu próprio cotidiano e veem a cidade apenas como peças coadjuvantes deste cenário (GEHL, 2013). Figura 04 - Segregação sócio espacial.. Fonte: Disponível em < https://www.archdaily.com.br >. Acesso em 02 jul. 2018.. O protagonismo social é algo distante e não assimilado pela maioria da população, em razão de admitirem que o cerne da mudança se encontra em escalas maiores do poder. Este contexto de abnegação social está se transformando gradativamente, pois a consciência e engajamento coletivo está ganhando forças diante da falta de políticas públicas voltadas a questões sociais. Previsões pessimistas acerca do futuro das cidades apontam a decadência e futuramente a morte dos espaços públicos (JACOBS, 2000). A condição efêmera da sociedade contemporânea configura-se como uma das principais molas propulsoras do que hoje é visto e vivenciado nas cidades, entretanto, este mesmo agente degradante dos espaços públicos pode tornar-se um aliado na busca por novos estilos de vida. O estado efêmero induz a liberdade, a criatividade e a rapidez na aceitação do novo. Adriana Sansão comenta acerca da efemeridade na vida contemporânea: Transformado em um valor positivo, a hipervelocidade pode revelar a sua potência, e que, no lugar do conhecimento pronto e transmitido como norma, podem surgir a inquietação e a imaginação. (SANSÃO, 2011, p.02). Esta inquietação relatada pela autora é o que move e sustenta a criação de novas práticas urbanas, das quais serão citadas ao longo da presente pesquisa..
(19) 18. Uma cidade oclusa, com espaços públicos subutilizados e sem função social diz muito acerca dos modos de vida presentes no ambiente urbano. A priorização da vida intramuros impede a cidade, como organismo vivo, de realizar suas atividades e funções essenciais, como a possibilidade da vivencia humana nos espaços públicos, a sombra das condições de segurança, conforto e acessibilidade. A inviabilidade de determinadas funções urbanas, desencadeada a partir da crescente sensação de insegurança, leva a construção de verdadeiras “ilhas de isolamento” em meio ao tecido urbano, sendo elas residenciais, comerciais ou administrativas. A própria paisagem urbana impõe barreiras físicas e psicológicas através do seu arranjo territorial, bem como por meio do controle de acesso a certos locais, ainda que sem muros. Este contexto de segregação torna-se um empecilho no que diz respeito as diversas formas de atividades humanas, que acontecem em meio ao espaço urbano, e que tem o potencial de catalisar a sociabilidade e atrair o encontro, a troca e a convívio entre as pessoas (ESTEVES, 2016). Partindo do pressuposto de que o homem é um ser social e de que “gente atrai gente” (GEHL, 2013), as práticas, as experiências e a vida urbana como um todo, devem ser incentivadas e promovidas regularmente, apresentando assim, caráter prioritário na escala de transformação dos espaços públicos. A condição básica de atração é o movimento local das próprias pessoas, que aliado a espaços receptivos e convidativos, promovem a vitalidade e urbanidade almejada pelos cidadãos, ONGS e Poder Público, no ambiente urbano. A fim de ilustrar esse fenômeno citado acima, é possível se fazer uma analogia dessa abordagem com as ideias de Alexander, em seu livro A cidade não é uma árvore (1968), no qual afirma que as intervenções temporárias permitem a “conexão entre partes fixas e móveis e também entre as partes móveis mesmas”. Diante dessa relação, a autora Adriana Sansão (2011) busca caracterizar determinada situação através de diagramas, para que haja a maior compreensão do caso, como observado na figura abaixo..
(20) 19. Figura 05 - Diagrama do impacto das intervenções.. Fonte: Sansão (2011). O diagrama de Sansão (2011) faz alusão igualmente a uma outra abordagem de conexão entre lugar e pessoas, o processo de triangulação criado por Whyte (1980). Determinado processo é diagnosticado através da presença de um estímulo intencional no espaço público (intervenções e ações criativas), cujo possui a capacidade de gerar uma conversação e uma conexão instantânea entre pessoas estranhas. Isto é, diante do inesperado as pessoas tendem a reagir de outras maneiras e se sentem provocadas a dividir a experiência com o público ao seu redor, criando assim relações sociais. Visto que, a transformação de um lugar é pautada primordialmente pela ocupação e apropriação do espaço, a ação de intervir na cidade contemporânea utilizando iniciativas criativas, com medidas rápidas e de fácil execução, demonstram a possibilidade de transformações em larga escala e de longo prazo (ESTEVES, 2016). Determinadas práticas urbanas comportam-se como ferramentas táticas no combate aos desequilíbrios sociais e físicos da cidade, desencadeando, desse modo, uma conexão entre planejamento urbano e iniciativas táticas, com o propósito para a obtenção de uma visão mais estratégica da cidade. Dessa maneira, o modo como as pessoas compreendem os espaços está diretamente relacionada com o uso que elas fazem desses locais (Sansão, 2011). Nesse sentido, identificar os fatores que interferem no uso os espaços é uma forma de contribuir para ambientes mais satisfatórios..
(21) 20. RECORTE ESPACIAL E TEMPORAL Apresentando-se com o título de Práticas Urbanas Criativas: estudo, análise e impacto de ações táticas no espaço público paulistano, a presente pesquisa possui amplas interpretações e aplicações. Portanto, torna-se importante a definição preliminar dos limites e recortes do objeto central do estudo. A cidade contemporânea configura-se como o laboratório das ações que serão abordadas na pesquisa. Desse modo, foi realizada uma seleção de três intervenções na região metropolitana de São Paulo, sendo duas na região central e uma no município de Cajamar (Centro Aberto, “A Batata precisa de você” e Inova Cajamar) das quais caracterizam este fenômeno recente, a partir da análise dos impactos positivos gerados no espaço público em que foram inseridas. A amostra investigativa composta por estas três intervenções busca analisar as peculiaridades e os impactos das práticas criativas no espaço público, regidas sob diferentes contextos, escalas e processos. A grande São Paulo foi eleita como objeto de estudo, preliminarmente, pelo fato de tratar-se de uma típica metrópole contemporânea, hibrida, heterogênea, da qual apresenta um crescimento desordenado, elevado índice de desigualdade social, flexibilidade nas relações sociais, territórios fragmentados e espaços públicos subutilizados, comportando-se assim como um local propício ao desenvolvimento de ações e práticas alternativas ao planejamento convencional. Porém, a escolha da cidade não se deu exclusivamente por conta da condição física e social do seu ambiente urbano, sendo assim, o outro fator determinante, a facilidade de acesso a informações perante ao vasto acervo de levantamentos. Embora constatada a existência de práticas similares implantadas em outras regiões do Brasil, a carência de fontes, referencias e documentação configura-se como um empecilho ao estudo e análise das mesmas, uma vez que os conteúdos levantados são, em sua maioria, inconsistentes. Além do mais, São Paulo apresenta uma quantidade significativa de grupos atuantes, como ONG’S e Start-Ups, das quais fazem com que as discussões sobre a garantia da qualidade de vida nos espaços públicas sejam realizadas com maior intensidade. Diante disso, São Paulo configura-se como o “pilar” do recorte espacial da pesquisa..
(22) 21. O recorte temporal foi definido com base nas principais referências bibliográficas utilizadas para fundamentar a pesquisa, através da explanação de ações, iniciativas e experiências datadas após a primeira década do século XXI. Determinado período foi escolhido por marcar a fase de concretização, aplicação e efetivação de conceitos urbanísticos até então abordados teoricamente, como a temática de “cidade para pessoas”. Ao analisar todo o material levantando para o presente estudo, chega-se à conclusão que a origem das intervenções criativas no cenário urbano se sucedeu a partir do ano 2010 até os dias atuais. Cabe ressaltar que essa constatação engloba somente as práticas e intervenções realizadas no Brasil, pois em países como Estados Unidos, Canadá e a Europa como um todo, este fenômeno já estava consolidado antes mesmo da virada do século.. OBJETIVOS DA PESQUISA O objetivo central da pesquisa é explorar, compreender e avaliar a relevância da aplicação das práticas urbanas criativas no contexto urbano atual, através do estudo dos impactos dessas intervenções nos espaços públicos, por meio, sobretudo, do engajamento coletivo. Especificamente, a pesquisa pretende caracterizar essa recente modalidade de intervir no espaço urbano, oriunda do estado efêmero da contemporaneidade, da qual trabalha e prioriza a escala humana e o valor da presença das pessoas no ambiente urbano das cidades. Com base em tal objetivo, a dissertação comporta-se como um agente provocador de discussão acerca do futuro dos espaços comuns das cidades e das relações humanas desenvolvidas nesses locais. Dentre os diversos caminhos para gerar essa inquietação na sociedade, o que se propõem é a análise de resultados obtidos em ambientes transformados por meio de ações criativas. A partir dos resultados, ressalta-se, especificamente, o potencial dessas intervenções, temporárias ou não, como ferramentas voltadas à melhoria da apropriação de espaços públicos subutilizados. Além do mais, busca-se, por meio da pesquisa, identificar o papel desempenhado pelo espaço público nas cidades da atualidade e o motivo da indiferença, por parte das pessoas, para com esse espaço teoricamente comum a todos e no qual a vida urbana acontece de fato. Ao retratar o cenário das cidades contemporâneas, desenhadas a fim de priorizar o deslocamento de automóveis, dotadas de relações pessoais passageiras e.
(23) 22. efêmeras e marcadas pela negligencia de seus espaços públicos, consegue-se assim identificar alguns determinantes históricos para o atual “estado” do meio urbano. Por que o espaço público perdeu sua potencialidade e capacidade de atração? Por qual motivo as pessoas passaram a evitar a permanência e encarar esses espaços com caráter transitório? O que torna um espaço público em um espaço atrativo? Quais benefícios um local “ativado” socialmente pode trazer a vida das pessoas? A partir de quais ferramentas o cidadão comum ou um grupo de cidadãos engajados podem transformar lugares antes subutilizados em locais vivos? Essas e outras questões serão abordadas na pesquisa com a finalidade de gerar o entendimento da função do espaço público na sociedade atual, de como ele pode ser transformado e sob o controle de quais elementos e agentes. Em suma, essas determinantes para a produção de um espaço urbano de qualidade serão elencadas a partir da análise e da efetividade do objeto da pesquisa em questão, as tais práticas urbanas criativas. Ao longo dos capítulos pretende-se conceituar novos termos e práticas ligadas a esta abordagem recente, assim como diagnosticar e investigar o que está se produzindo no Brasil atualmente através da análise de cases e sobre quem está à frente dessas novas experiências realizadas em espaços públicos.. REFERENCIAL CONCEITUAL A dissertação apresenta sua fundamentação teórica pautada em três categorias distintas de fontes de referências. Por tratar-se de um tema emergente, porém com raízes fincadas nas bases do Urbanismo Moderno e Contemporâneo, houve a necessidade de conceituar quais são esses determinantes que produziram a atual condição urbana. Com base neste quesito, foram levantados conceitos defendidos por grandes autores ligados a temática da priorização da escala humana nos espaços públicos, bem como a idealização de “cidades para pessoas”. Os preceitos aqui abordados provêm desde as abordagens adotadas por David Harvey, em seu livro A condição pós-moderna (1993), no qual relatava a ruptura com a ideia modernista de que o planejamento e o desenvolvimento devem concentrar-se somente em planos urbanos genéricos, de larga escala, quebrando assim paradigmas na gestão urbana e criando pressupostos e experiências inovadoras para problemas urbanos emergentes e remanescentes. Outros autores colaboraram igualmente para.
(24) 23. o desenvolvimento do referencial conceitual como Henri Lefebvre (2001) com sua tônica do “Direito à Cidade” e Jane Jacobs (2000) com sua constatação de quanto mais pessoas nas ruas, mais viva e segura serão as cidades, como a autora mesmo cita que as pessoas são os “olhos” das ruas. Determinados autores foram essenciais para a construção do pensamento acerca do novo olhar sob a cidade. François Ascher (2010), em “Os novos princípios do urbanismo”, colabora com a embasamento teórico da presente pesquisa ao afirmar que as cidades estão passando por constantes mutações das quais sucedem em novas formas de pensar e agir na cidade, da qual ele caracteriza com uma “nova revolução urbana moderna”. Tal constatação fundamenta alguns preceitos para a criação das práticas urbanas criativas. Kevin Lynch (1980), em “A imagem da cidade”, introduziu uma nova forma de percepção das cidades por meio da identidade visual que cada local deveria possuir. A criação do conceito de legibilidade urbana, contribuiu para a presente pesquisa no que diz respeito ao reconhecimento de locais com potencial para o desenvolvimento de experiências humanas. Ao afirmar que nada é experimentado individualmente no espaço urbano, e sim deve haver relação com seu entorno, o autor lança premissas para as novas formas de atuação no espaço público. Presente na veia teórica do século XXI, Jan Gehl é considerado o ponto chave no que diz respeito a escala humana no cenário das cidades. Em seus livros Cidades para Pessoas (2010), La Humanización del Espacio Urbano (2013) e A vida na cidade: Como estudar (2017), este último sendo escrito juntamente com Birgitte Savarre, o autor em questão aborda novas articulações do urbanismo considerado convencional e lança o olhar sobre o urbanismo tátil, realizado nas ruas, em pequenas escalas e que se necessita apenas da apropriação coletiva para ser efetivado. Considera-se que, Jan Gehl é o mais relevante autor para a fundamentação teórica, conceitual e pratica da presente pesquisa. Considerado precursor no campo do Urbanismo Tático, Willian H. Whyte citou pela vez o termo placemaking no ano de 1970. Tempo depois produziu seu livro The Social Life of Small Urban Spaces, o qual aborda a funcionalidade e acessibilidade dos espaços públicos e elege fatores considerados relevantes para o sucesso da vida pública dos mesmos. Aprofundando-se no conceito de Urbanismo Tático e suas ferramentas, apresenta-se como principal fonte de pesquisa dos novos conceitos e termos relacionados a pesquisa, o livro Tactical Urbanism, de Mike Lydon e Anthony.
(25) 24. Garcia. Determinados autores foram fundamentais para a construção do tema e da ideia central da dissertação, pois ambos acreditam na transformação do espaço público por meio de ações simples que geram marcas permanentes no ambiente urbano como um todo. Distanciando-se da escala mais ampla de Urbanismo e aproximando-se de conteúdos mais específicos ao tema do estudo, busca-se referências em livros que relatam implicações realizadas no cenário das cidades brasileiras como em: Acupuntura Urbana (2003) de Jaime Lerner; Microplanejamento: Praticas Urbanas Criativas (2011) de Marcos L. Rosa; O espaço público na cidade contemporânea (2007) de Ângelo Serpa; Cidade pelo Avesso (2006) de Rachel Coutinho. Tais autores são relevantes para a pesquisa por abordarem os impasses físicos e sociais presentes nas cidades brasileiras, permitindo com isso, a análise minuciosa dos locais onde foram implantadas as intervenções escolhidas como estudos de caso. As bibliografias estrangeiras, apesar de relatarem realidades diferentes das que se vivenciam no Brasil, se inserem adequadamente ao cenário que se quer transformar, como por exemplos os livros: Convivial Urban Spaces (2008) de Henry Shaftoe e Emerging Concepts In Urban Space Design (1990) de Geoffrey Broadbent. Ambos os autores colaboram para a construção do presente discurso acerca da qualidade dos espaços públicos, pois buscam demostrar que espaços urbanos de sucesso são partes essenciais de um ambiente sustentável e equilibrado, e acreditam que sem eles as cidades continuariam polarizadas e fragmentadas. No âmbito acadêmico de artigos, dissertações e teses encontra-se uma das principais fontes de material para esta pesquisa, a autora Adriana Sansão, da qual explana conceitos, princípios, ferramentas e novas formas de interpretar e compreender o espaço urbano atual, além de introduzir conceitos inéditos como a “amabilidade” presente nos espaços públicos transformados a partir de intervenções criativas. Foi utilizada como base de dados sua tese de doutorado, “Intervenções temporárias, marcas permanentes”, assim com seu artigo “Urbanismo Tático: Experiências temporárias na ativação urbana”. Por fim e não menos importantes, os textos e autores a seguir foram igualmente relevantes para a construção do conceito de práticas urbanas criativas apresentado na pesquisa, são eles: “Intervir na Cidade: Complexidade, Visão e Rumo” de João Ferrão (2003), “Urbanismo Tático: A força do coletivo na transformação da cidade“ de Carolina Guido Monteiro, “Taxonomia do Urbanismo Tático: Uma proposta para.
(26) 25. leitura, compreensão e articulação das táticas urbanas emergentes” de Ana Carolina Carvalho Farias, “Urbanismo Tático e a Cidade Neoliberal” de Pedro Caetano Eboli Nogueira, “Do vazio ao espaço público: Requalificando Paisagens, Reestruturando Território” de Eugenio Fernandes Queiroga e “Vazios Urbanos: perspectivas contemporâneas” de Andréa Borde. Determinados autores contribuíram de forma considerável no que diz respeito à aplicação e execução de ações dessa natureza no contexto urbano em que se insere as cidades brasileiras, pois a partir dos seus relatos e analises, ficou comprovado que a transformação dos espaços públicos por meio de ações participativas pode acontecer em um pais subdesenvolvido, mesmo este apresentando fragilidades na gestão urbana e no senso coletivo. Foram utilizados alguns guias complementares a fim de embasar e contextualizar o fragmento pratico da pesquisa, são eles: Guia do Espaço Público, Placemaking Lab, Caderno Centro Aberto e The Planner to Tactical Urbanism.. METODOLOGIA Com o intuito de identificar o que são, como são realizadas as práticas urbanas criativas e quais são seus agentes, bem como investigar os impasses e articulações sociais e espaciais da cidade contemporânea será realizada uma pesquisa qualitativa dividida em quatro etapas: pesquisa bibliográfica; analise das intervenções e seus benefícios, os atores desse processo (quem está realizando ações dessa origem no contexto urbano atual), abordagens in loco e apresentação de casos-referência; a criação de uma matriz metodológica para embasar os critérios de análise de espaços públicos; e por fim, o levantamento, a avaliação e discussão dos resultados. Compondo a primeira parte da dissertação, o exame bibliográfico trata-se do marco conceitual da pesquisa, na qual se apresenta a contextualização espacial e temporal do objeto de pesquisa e onde a temática será aprofundada por meio da leitura crítica de livros, trabalhos acadêmicos e artigos em meio eletrônico, a fim de obter o embasamento teórico dos conceitos a serem abordados. Esta fase dedica-se a conceitos até então pouco abordados no campo da Arquitetura e Urbanismo – sendo eles em sua maioria princípios originados em outros países – nos quais serão discorridos de forma clara e sucinta, a fim de gerar o conhecimento prévio e concreto acerca do que está sendo exposto. O resultado final desta fase é a obtenção de.
(27) 26. material suficiente para compreensão do tema e sua importância para o ambiente urbano atual. A segunda fase, ocorre a exposição de casos exemplares e a definição dos tipos de intervenção a serem estudados. A análise das intervenções, seus benefícios e agentes, as abordagens in loco e apresentação de casos-referência consistirá na tentativa de diagnosticar concretamente o fenômeno das práticas urbanas criativas, relacionando seus atributos conceituais e com as principais características práticas diagnosticadas nos recortes espaciais selecionados. Com a finalidade de fundamentar e analisar o material levantado na segunda parte da pesquisa, propõem-se criar uma matriz metodológica no que diz respeito a identificar as principais características dos espaços públicos de qualidade. Nessa fase detalha-se o método de observação e investigação das intervenções, procedente e embasado na abordagem de Jan Gehl e Birgitte Svarre em seu livro Vida na Cidade: Como Estudar. O propósito principal dessa etapa da dissertação é criar-se um aparato conceitual sustentado em um estudo concreto, pautado sob as atitudes humanas perante o espaço público, do qual se pudesse fazer o julgamento da qualidade estrutural e social de determinado local. Por fim, na última parte realiza-se a junção dos fundamentos procedentes do conteúdo conceitual juntamente com o diagnóstico das práticas urbanas criativas, a caraterização das mesmas e a análise da sua real efetividade no cenário urbano da cidade contemporânea. As considerações finais concentram-se na evidencia dos inúmeros benefícios que a promoção de práticas como as relatadas ao longo da pesquisa, trazem aos espaços públicos e a devolução do valor humano a vida urbana. Para finalizar, apresentam-se alguns pressupostos para o desenvolvimento de projetos-referência para espaços coletivos.. ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO A fim de conhecer, compreender e verificar as questões principais da temática, a pesquisa organiza-se em cinco capítulos, tendo como base central as práticas urbanas criativas e suas contribuições para o futuro dos espaços públicos. O Capitulo 1, trata-se da Introdução, da qual contém o Projeto de Pesquisa em síntese e o Referencial Teórico. Determinada etapa busca transmitir o conhecimento.
(28) 27. prévio das intenções e métodos da pesquisa, bem como busca introduzir o leitor ao âmbito em qual o tema está inserido. No capítulo seguinte é realizado um breve levantamento histórico com o propósito de apresentar a trajetória da valorização do espaço público em meio a cidade moderna, pós-moderna e contemporânea, tal como o grau de participação dos cidadãos em questões urbanas ao longo dos anos. Determinada investigação lançou premissas acerca da atual situação física, social e cultural das cidades, contribuindo assim para o entendimento primordial da pesquisa, que se trata do valor da presença humano no espaço público. Posteriormente ao levantamento histórico, o Capitulo 3 trata especificamente do marco conceitual, onde os novos conceitos abordados na pesquisa são explorados por meio da apresentação das suas caraterísticas e principais ferramentas. Esta etapa configura-se como de extrema importância para o processo de construção do conhecimento e pensamento crítico a respeito das ações, das intervenções e seus impactos na cidade. Ao relatar o fenômeno das práticas urbanas criativas com base em conceitos sólidos e evidentes como Urbanismo Tático, Placemaking e Microplanejamento Urbano, reduziu-se a margem para dúvidas e a contestação da efetividade das mesmas. O Capitulo 4 dedica-se aos estudos de casos, onde três intervenções presentes na região metropolitana de São Paulo, foram escolhidas para servirem de casosreferência para a pesquisa. Previamente ao diagnóstico das práticas, são apresentados tópicos como o conceito dos processos de criação (top-down e bottomup), e os critérios de analise a serem utilizados na qualificação das intervenções. Ao final de cada estudo de caso apresenta-se um quadro demonstrativo, desenvolvido através dos conceitos analíticos de Gehl e Svarre (2018). Tal aparato metodológico contribui para o entendimento do fenômeno por meio da compilação de suas caraterísticas mais relevantes e instiga a discussão dos resultados. Por fim, o Capitulo 5 aborda os contrastes e os desdobramentos entre os Novos Conceitos e novas formas de atuação no espaço público com os paradigmas do Planejamento Urbano convencional. Tal comparação se faz importante na pesquisa pois expõe de forma precisa as lacunas do sistema dominante e as carências da sociedade. Após a comparação torna-se claro que as práticas urbanas criativas, pautadas nos novos modelos urbanísticos, são essenciais no meio urbano e.
(29) 28. comportam-se como ferramentas eficazes no combate a degradação dos espaços públicos. Após a última etapa, a Conclusão centra-se nas evidencias presentes nos conceitos e práticas abordadas ao longo da pesquisa. É realizada a compilação dos argumentos e busca-se ao final da pesquisa, chegar a um entendimento comum a respeito da qualidade de vida nas cidades, uma vez que, este elemento, só pode ser garantido e mantido no cenário urbano através de ações criativas e participativas..
(30) 29. 2. VIDA URBANA E ESPAÇO PÚBLICO: DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO A preocupação com o distanciamento e falta de inclusão do cidadão na apropriação dos projetos urbanos que transformam o entorno em que vivem convertese na principal motivação para o presente estudo. Por meio dos processos de gestão urbana, o engajamento popular tem sido uma temática da qual procura-se modernizar a partir de novas metodologias e estratégias de aplicação, para que assim, ocorra a consolidação da mesma em prol da construção, desenvolvimento e transformação da cidade. No Brasil, o conceito de Urbanismo recebe, ocasionalmente, algumas denominações distintas, um exemplo é a denominação de planejamento urbano, sendo que este último se aplica a ação do estado sobre os processos de urbanização, e por sua vez, é utilizado como substituição ao primeiro nas últimas décadas. No entanto cabe ressaltar que segundo Souza (2002), Urbanismo e Planejamento Urbano não seriam sinônimos. Acredita-se que o campo do Urbanismo tende a priorizar o desenho e os projetos urbanos, em seu sentido genérico, concebendo assim a cidade como um espaço físico social de transformações eminentes (CARVALHO, 2011), enquanto o planejamento antes de agir diretamente no ordenamento físico das cidades, ele por sua vez trabalha nos processos que a constroem, portanto refere-se a uma escala mais política e instrumental. Figura 06 - Planejamento urbano ineficaz.. Fonte: Disponível em < https://dialogospoliticos.wordpress.com >. Acesso em 10 mai. 2018..
(31) 30. Para Lefebvre, o urbanismo reflete um contexto ambíguo, onde primordialmente é abordado como um sistema de conhecimento capaz de enfrentar e solucionar os fenômenos urbanos, entretanto, de acordo com o que se vê na gestão pública atual, este campo de estudo opera de modo indiferente às práticas sociais. A discussão acerca da qualidade do espaço público vive uma fase indefinida, na medida em que “se substitui, tranquilamente, a práxis por suas representações do espaço, da vida social, e dos grupos” (LEFEBVRE, 2001). Em termos concretos, isto ocorre quando se entende o espaço como um produto neutro, desconsiderando o fato de que este é socialmente produzido. Em tese, o meio urbano é produzido através da justaposição de redes, reunião de pessoas e sistemas complexos, dos quais acontecem no próprio amago do ambiente das cidades. Lefebvre relata que: As relações sociais continuam a se tornar mais complexas, a se multiplicar, a se intensificar, através das contradições mais dolorosas. A forma do urbano, suas razões supremas, a saber, a simultaneidade e o encontro, não podem desaparecer. A realidade urbana, no próprio âmago de sua deslocação, persiste e se densifica nos centros de decisão e de informação. Os habitantes (quais? Cabe às pesquisas e aos pesquisadores encontrá-los) reconstituem centros, utilizam certos locais a fim de restituir, ainda que irrisoriamente, os encontros. O uso (o valor de uso) dos lugares, dos monumentos, das diferenças, escapa às exigências da troca, do valor de troca (...). Ao mesmo tempo que lugar de encontros, convergência de comunicações e das informações, o urbano se torna aquilo que sempre foi: lugar do desejo, desequilíbrio permanente, sede da dissolução das normalidades e coações, momento do lúdico e do imprevisível. (LEFEBVRE, 2001, p.. 121) Por conseguinte, o propósito do planejamento urbano passa a não centralizar somente a questão estética e viária das cidades, além de começar a possuir certo grau de participação popular que, de acordo com Abranches (2007), possui sua ideia central pautada no esforço de compatibilização do desenvolvimento urbano e na presença de valores “comunitários”. Diante deste cenário de aceitação da relevância do ambiente urbano de qualidade para as cidades, uma nova corrente surgiu nos Estados Unidos na década de 80, denominada New Urbanism e lançou premissas para o surgimento de novas modalidades de Urbanismo, como as que serão relatadas na presente pesquisa. Sob a concepção geral de que o movimento é, na verdade, um esforço de compatibilização dos setores urbanos, provido de valores "comunitários" e com uma certa escala.
(32) 31. humana (SOUZA, 2002), manifesta-se a contestação acerca das condições de vida no espaço urbano. Esta corrente obteve igualmente reflexos no Brasil. Figura 07 - Ocupação do espaço público.. Fonte: Disponível em < https://www.pps.org/ >. Acesso em 09 jul. 2018.. A ideia de um planejamento urbano mais crítico, complexo, humano e inesperado retrata um diálogo mais aberto com os interesses coletivos. Determinada corrente lança olhar sobre os ensinamentos do filósofo Castoriadis (1986), onde o princípio central para embasar os processos e as mudanças sócio espaciais é a ideia de autonomia individual e coletiva, possivelmente influenciado pela ekklesía da antiguidade (corpo de cidadãos reunidos em assembleia). Contudo, de acordo com esta nova perspectiva de planejamento o Estado não atua sozinho, é preciso que a participação popular se radicalize e a sociedade civil se qualifique para se organizar e elaborar propostas e estratégias para intervir no espaço urbano da cidade. O presente capitulo irá abordar questões históricas que relatam a trajetória da relação do espaço público com o desenvolvimento da vida urbana ao longo do século XX, desde a segregação imposta pela ideologia modernista a integração fundamental na cidade contemporânea. A retrospectiva a ser realizada será pautada em autores e países pioneiros na implantação de valores sociais e intervenções criativas no espaço público, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e França. No Brasil, as cidades enfrentavam processos de desenvolvimento urbano e problemas sociais similares aos encontrados nos países supracitados, portanto, a adequação de valores e modelos internacionais configurou-se como uma solução eficaz para tais questões. Embora a realidade brasileira fosse um pouco diferente das demais e o fato de tais práticas serem implantadas cerca de duas décadas após a sua.
(33) 32. eclosão, o processo de inclusão do espaço público na vida dos brasileiros obteve suas diretrizes pautadas nos ideais dos autores e acontecimentos a serem analisados a seguir. Por meio de um breve levantamento histórico no campo urbanístico e no processo de desenvolvimento das cidades em geral, obteve-se um agrupamento de princípios estruturais e sociais que impulsionaram e embasaram estudos sobre o comportamento das pessoas no ambiente urbano ao redor do mundo. Com o intenso fluxo de pessoas e atividades nos centros urbanos gerou-se um acelerado e desenfreado processo de urbanização, do qual desencadeou diversos problemas físicos e sociais para as cidades. Superpovoamento, déficit habitacional, condições sanitárias precárias, locais insalubres e surgimento de doenças caracterizou-se como o cenário encontrado das cidades industriais. As cidades densas eram desafiadoras para arquitetos e urbanistas da época, que por sua vez, buscavam soluções para as mazelas urbanas no processo de desenvolvimento e planejamento das cidades. Durante o século XX, havia apenas duas frentes conceituais a se seguir em busca da mitigação dos problemas urbanos, como explanado por Jan Gehl (2018): O primeiro modelo, que dominou o planejamento urbano na década de 1920, baseava-se nas formas urbanas clássicas e nas tipologias construtivas do urbanismo tradicional. O segundo foi a ruptura radical do modernismo com a tradição construtiva do passado, que deu uma demonstração de força nos anos 1960, após um início mais modesto entre as duas guerras mundiais. (GEHL, 2018, p.39). Diante deste cenário, houve divergências de pensamentos entre arquitetos, urbanistas e historiadores do período citado, pois uns acreditavam na permanência de moldes tradicionais e outros acreditavam que a cidade moderna, planejada e funcional se configuraria como o fim dos problemas urbanos. Em meio a este contexto ambíguo, dois grandes nomes no campo da Arquitetura e Urbanismo posicionaram-se em lados opostos no que diz respeito ao planejamento das cidades. Camillo Sitte acreditava que a reinterpretação e aplicação de conceitos tradicionais nas cidades do século XX, iria contribuir para a criação de uma cidade mais humana, onde edifícios e espaço público pudessem interagir sem as barreiras, linhas retas e soluções técnicas das cidades modernas. A retomada de antigos estilos de vida faria com que a ênfase do planejamento urbano se voltasse para as pessoas e para o desenvolvimento de espaços orgânicos e atrativos..
(34) 33. Figura 08 - Livro The Art of Building Cities.. Fonte: Disponível em < http://www.vitruvius.com.br >. Acesso em 30 ago. 2018.. Em contrapartida, Le Corbusier considerava que as formas convencionais no traçado das cidades impediam o seu desenvolvimento e processo evolutivo. As atividades e a vida urbana do século XX retratavam a necessidade de uma estrutura física mais ampla e propícia ao uso do automóvel. Segundo o arquiteto, a cidade funcional deveria possuir linhas retas, edifícios altos e modernos, grandes áreas verdes e vias expressas, ou seja, julgava a escala humana como elemento secundário no ambiente urbano. A ideologia modernista rompeu parcialmente com as formas clássicas e assim, muitos dos princípios de Le Corbusier foram incorporados pela Carta de Atenas, o mais importante documento do Urbanismo Moderno, produzido a partir do Congresso Internacional de Arquitetura Moderna (CIAM), em 1933..
(35) 34. Figura 09 - Plano Voisin de Le Corbusier.. Fonte: Disponível em < https://planocidade.wordpress.com >. Acesso em 08 jul. 2018.. Pautados em argumentos que priorizavam as questões sanitárias e habitacionais das cidades, os urbanistas e arquitetos da época usaram a industrialização ao seu favor. Com o surgimento de novas técnicas construtivas e a implantação de elementos pré-fabricados na construção civil, unidades habitacionais e edifícios de apartamentos poderiam ser executados de maneira mais rápida, permitindo além do mais, a criação de ambientes maiores no interior das mesmas. Devido ao aumento da quantidade de unidades habitacionais, o número de pessoas convivendo em uma única moradia diminui significativamente, e houve um aumento nas condições de conforto. As questões de saúde pública foram sanadas por meio de incentivos a avanços no campo cientifico, dos quais culminaram na criação e uso difundido da penicilina, importante medicamento usado em combate as doenças bacterianas..
(36) 35. Figura 10 - Conjuntos habitacionais nos anos 50.. Fonte: Disponível em < http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br >. Acesso em 10 jul. 2018.. Contudo, o processo de desenvolvimento das cidades modernas obtinha como pressuposto primordial, o espraiamento urbano e negação a cidade densa e consolidada. Com isso, a população passou a ocupar as áreas suburbanas, favorecendo a demanda cada vez maior por automóveis e distanciando cada vez mais da vivencia do espaço público. Devido ao crescimento desenfreado, a racionalização dos setores e a falta de interesse pelo ambiente urbano, a população como um todo era indiferente em relação ao espaço público e a vida entre os edifícios. A vivencia na cidade e o ambiente urbano não aconteciam de forma simultânea nas cidades modernas, bem como não haviam incentivos e políticas públicas para a integração de ambos. Somente a partir da década de 1960 que arquitetos, urbanistas e gestores lançaram um olhar mais atento a questão da qualidade de vida nas cidades, e assim, começaram a tratar o estudo deste tema como um campo especializado. Contudo, a mudança de pensamento não aconteceu de maneira tão simples. Gehl (2011), acreditava que o nível de especialização dos campos, atividades e serviços era o ponto chave para o distanciamento entre espaço e pessoas. Engenheiros, arquitetos e urbanistas atentavam-se para a execução de projetos em larga escala, como o sistema viário das cidades, projetos de edifícios emblemáticos e projetos de paisagismo, dos quais planejavam-se extensas áreas verdes. Portanto, em linhas gerais, o planejamento urbano não contemplava as interconexões do espaço público, os locais de passagem entre as áreas edificadas e as sobras do sistema viário..
(37) 36. O paradigma do modernismo disseminado na segunda metade do século XX não demorou muito a ser criticado pela falta de escala humana presente em seus planos urbanos e edifícios isolados. A década de 60 reúne uma grande quantidade de textos acerca da precariedade da cidade moderna, considerada fragmentada e padronizada, abordando consequentemente as alternativas para a mitigação dos seus problemas. Neste momento entraram em cena grandes pesquisadores como Jane Jacobs, Willian Whyte, Kevin Lynch, Gordon Cullen, Jan Gehl e Christopher Alexander, os quais acreditavam que o conceito de “vida na cidade” havia sido enfraquecido e posto em segundo plano. O intuito desta equipe de pensadores era o de responder questionamentos como, de que maneira retomar a vivacidade do espaço público e de como a vida poderia ser trazida de volta a estes locais de caráter permanente. Em meio a este contexto, de tímida conscientização da importância do espaço público para a qualidade de vida na cidade, as cidades passaram a deter uma nova onda de doenças, não mais relacionadas as condições higiênicas, mas sim ao estilo de vida moderno. O aumento dos níveis de estresse, de diabetes e doenças cardíacas em decorrência da vida agitada, das longas jornadas de trabalho e da disseminação de comidas industrializadas, alarmava a sociedade e seus gestores de que algo teria que ser feito em prol da vida mais saudável nas cidades. E esta solução poderia ser encontrada na melhoria dos espaços públicos, incentivando, portanto, o seu uso, o lazer através de atividades recreativas e o fator de caminhabilidade nas cidades (National Institute Of Public Health, 2004). Diante do surgimento das doenças de estilo de vida e da rotina desumana que muitas pessoas possuíam, a partir dos anos 50 houve um encurtamento na jornada de trabalho semanal e a extensão do período de férias para os trabalhadores. Esta nova norma para as condições de trabalho foi embasada em uma pesquisa realizada na Dinamarca, em 1974, onde os dados levantados relatavam que quanto mais tempo livre as pessoas tinham, mas elas utilizavam o espaço público e menos doenças elas contraiam. Diante da redução da carga horária, os trabalhadores obtinham mais tempo livre e necessitavam de locais para o desenvolvimento de atividades recreativas e sociais, isto é, houve a necessidade de recuperar e projetar espaços públicos propícios para a promoção destas atividades..
Documentos relacionados
O direito tributário tem na legalidade um princípio basilar de toda sua estrutura jurídica, tendo exigências específicas para a aplicação da lei tributária, de
Um guia de onda é uma região de um substrato em que o índice de refração é maior do que em outra, de tal modo que a luz (ou uma onda eletromagnética), possa ser confinada e
A partir desses pressupostos, desenvolveu-se aqui uma proposta de formação inicial e continuada de professores, visando à utilização de geotecnologias para o ensino
Para este grupo de frutas, a forma mais fácil para obtenção do suco é a trituração em liquidificador com adição de uma pequena porção de água. Após a trituração, filtra-se
À premência da adoção da perspectiva social na Constituição, reconhecendo a organização da sociedade em grupos que mereciam representação, expandindo direitos trabalhistas
Tendo como referência a letra da música Camaro Amarelo, julgue os itens de 83 a 85 e faça o que se pede no item 86, que é do tipo D.. 83 Nas canções Camaro Amarelo e Cuitelinho,
Um dos principais objetivos deste trabalho é produzir conhecimento sobre o comportamento do consumidor, através de sua reação às exposições que lhe são propostas. O objetivo
Devido ao seu impacto frente ao projeto e operação de sistemas de separação por membranas, uma vez que ela afeta a definição do pré-tratamento, limpeza das