UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA CATARINA
Centro de Ciências Físicas e MatemáticasDepartamento
deMatemática
L
Curso
de Especializaçãoem
Matemática
/`
MÉTODO
DAS
CURVAS
CARACTERÍSTICAS
PARA
OSOLUÇÃO
DE
EQUACÕES
DIFERENCIAIS
PARCIAIS
DE
PRIMEIRA
ORDEM
Aumresz
STENIO
HENRIQUE
DO
NASCIMENTO CERQUEIRA
JOSUÉ
DE
JESUS
SOARES
Orientador: Prof. Dr.
JOEL
SANTOS SOUSA
v
São Luís
STENIO
HENRIQUE
DO
NASCIMENTO CERQUEIRA
JOSUÉ
DE
JESUS
soAREs
MÉTODO
DAS
CURVAS
CARACTERÍSTICAS
PARA
SOLUÇÃO
DE
EQUACÕES
DIEERENCIAIS PARCIAIS
DE
PRIMEIRA
ORDEM
São
Luís2009
Monografia
apresentada aoCurso
de Pós-graduaçãoem
Matemática
da Universidade Federal de Santa Catarina para obtençãodo
grau de Especialistaem
Matemática.MÉTODO
DAS
CURVAS
CARACTERÍSTICAS
PARA
SOLUÇÃO
DE
EQUAÇÕES
DIEERENCIAIS PARCIAIS
DE
PRIMEIRA
ORDEM
por
STENIO
HENRIQUE
DO
NASCIMENTO CERQUEIRA
JOSUÉ
DE
JESUS
SOARES
Esta
monografia
foi julgadaadequada
como
trabalho de conclusãodo
curso de Especializaçãoem
Matemática, e aprovadaem
suaforma
final pelaBanca Examinadora
designada pela portaria n°38/CMM/08.
BANCA
EXAMINADORA
Pr f.' r.JOEL
SANTOS
S~
\t _-zf/
¿`./
_ .“W/\
/ÊÍ/\~
Prof. Dr.
lNDE){
JEET
TANEJA
~^
AGRADECIMENTOS
Agradecemos
aDeus
pela nossa existência.Aos
nossos familiares que muito nos incentivaram e ajudaram nosmomentos
mais tortuosos nesta caminhada.
Ao
Professor Joel, pela colaboração e orientação efetiva para a concretização deste trabalho.A
todos os nossos amigos,em
especial, a Sidney e Fabiano, pela colaboraçãona
conclusão deste trabalho.SUMÁRIO
;_;_;
ëzz
O\O\-k-l>›-^\O\OO\UI
1.
INTRODUÇÃO
... ..2.
UM
POUCO DE
HISTÓRIA
SOBRE
EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS
... .. 3.DEFINIÇÕES
PRELIMINARES
... ..3.1 Definições Básicas ... ..
3.2 Linearidade e Superposição ... ..
3.3 Princípio
da
Superposição ... ..3.4
Condições
deContomo
e Iniciais ... .. 4.EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS
ORDINÁRIAS
DE
PRIMEIRA
ORDEM
... ..4.1 Existência e unicidade de soluções ... ..
4.2
Equações
Diferenciais Ordinárias Exatas ... .. 174.3
Equações
Diferenciais OrdináriasNão
Exatas ... ._ 194.4
Equações
Diferenciais Ordinárias LinearesCompletas
... ..20
5.
MÉTODO
DAS
CURVAS
CARACTERÍSTICAS
PARA SOLUÇÃO DE
EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS PARCIAIS
... .. 22 5.1Método
das curvas características planas para solução de equações diferenciais parciais lineares ... ..22
5.2
Método
das características espaciais para equações diferenciais. parciais quase-lineares ... _.
27
6.
CONCLUSÃO
... .. 30 7.REFERENCIAS
... .. 315
1.
INTRODUÇÃO
O
objetivo deste trabalho é apresentarum
método
de resolução de equações diferenciais parciaisdenominado método
das curvas características,ou
simplesmente,método
das caracteristicas.
Primeiramente, introduzimos
um
pouco da
história das equações diferenciais.Em
seguida, apresentamos alguns conceitos que serão importantes tais
como;
a definição defunção de
n
variáveis, notações sobre conjuntos numéricos e derivadas, e os conceitos de linearidade, superposição e condições iniciais e decontomo.
Prosseguimos
estudandoum
método
de resolução paraum
tipo específicode
equações diferenciais de 1” ordem,que
são as equações diferenciais exatas.Quanto
às equaçõesdiferenciais
não
exatas, teremos que transforma-laem
uma
exata, atravésdo método do
fator integrante.Finalmente,
estudamos
o
método
das curvas características para resolver problemas deCauchy
para equações diferenciais parciais tanto linearescomo
quase-lineares.6
2.
UM
POUCO
DE
HISTÓRIA
SOBRE
EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS
D”Alembert
(1717~
1783),homem
de interesses variados, hoje talvez sejamelhor
conhecido peloque
sechama
o
princípio de d”Alembert: “as ações internas deum
sistema de corpos rígidosem
movimento
estãoem
equilibrio”. Esse princípio apareceuem
1743em
seu célebre tratado.T
raíté de dynamíque. Outros tratados de d”Alembertversavam
sobre música,o problema
dos três corpos, a precessão dos equinócios,movimentos
em
meios
resistentes c perturbações lunares.Ao
estudar oproblema
das cordas vibrantes ele foi levado à equação2 2
diferencial parcial
al
=
al,
para a ualem
1747 eledeu
(nasMemórias
daAcademia
deõfi
õxz qBerlim) a solução u
=
f
(x+t)+
g(x-t), onde
f
eg
são funções arbitrárias.As
teorias das equações diferenciais ordinárias tinham sido já bastante desenvolvidasmas
o assuntoque
desafiou os pesquisadores
na
resolução das equações diferenciais parciais era entãoum
campo
para pioneiros. Euler (1707
-
1783) fez progressos nesseramo
da análise,dando
para a2 2
equação mais geral
ÊT?
=
azígigl) , a solução u=
f(x+
at)+
g(x-
at).x
.A
resolução de equações diferenciais ordináriasnum
certo sentido tinhacomeçado
assim que a relação inversa entre diferenciação e integração tinha sido percebida.Mas
amaior
parte das equações diferenciais nãopode
ser facilmente reduzida a simples quadraturas, exigindoem
vez disso engenhosas substituiçõesou
algoritmos para sua resolução.Uma
das realizaçõesdo
século dezoito foi a descoberta de grupos de equações diferenciaisque
são resolúveis por artiflcios bastante simples.As
equações deBemoulli
(1654-
1705)fonnam
um
tal grupo. Outro tipo foi identificado pelo precoce matemático Alexis Claude Clairaut (1713-
1765) etem
seunome
-
a família de equações daforma
y =
xy
'+f(y')
.Nesse
casoa substituição
p
=
y' seguida de diferenciação dos termos da equaçãoem
relação ax
leva auma
equaçãoem
x,p
e%,
que é resolúvel, a solução geral sendoy=cx+ f
A
equação de Clairauttemtambém
uma
solução singular,uma
das primeiras desse tipo a serem descobertas, tendo Taylor anteriormentedado
uma
tal solução.D°Alembert
também
achou
uma
solução singular de equação diferencialy =
xf(y')+
g
(y') , por isso essa equação deum
tipoum
pouco mais
geral é conhecidacomo
equação de d'Alembert.7
OS
CLAIRAUT
Alexis Clairaut foi
um
dos matemáticosmais
precoces, superando até Blaise Pascal nesse ponto,Aos
dez anos ele lia os textos de L”Hôspital sobre cônicas e Cálculo, aos treze ele apresentou àAcadémie
des Sciencesum
artigo sobre geometria, equando
tinha apenas dezoito anos foi aceitocom
dispensa especialem
relação às exigências de idade,como
membro
da
Académie. (D°AIembert
foi eleito para aAcadémie
aos vinte e quatro).No
ano
em
que foi eleito, Clairaut publicouum
tratado célebre, Recherches sur les courbesà
doublecourbure, cuja substância ele tinha apresentado ã
Academia
dois anos antes.Como
a Géométrie de Descartes, as Recherches de Clairaut apareceramsem
nome
de autorna
páginade título,
embora
também
nesse caso a autoria fossebem
conhecida.Clairaut, de
uma
família de vinte filhos da qual sóum
sobreviveu ao pai, deu outras importantes contribuições à análise.Observou
que as derivadas mistas de segundaordem
fxye fyx de
uma
funçãof
(x, y) sãoem
geral iguais(sabemos que
isso valecom
hipóteses decontinuidade das derivadas
no
pontoem
questão) e usou esse fatono
critérioMy
EN”
familiarem
equações diferenciais, para que a expressão diferencialM
(x,y)dx+N
(x,y)dy
seja exata.Incidentalmente, Clairaut tinha
um
irmão maismoço
quecomo
ele era precoce, pois aos quinze anos, o irmão, conhecido apenascomo
“le cadet Clairaut”, publicouem
1731 (o anoem
que
apareceramtambém
as Recherchesdo
irmão mais velho)um
livro sobre Cálculochamado
T
raíté de quadratures circulaíres et hyperboliques. Esse gênio quase desconhecidomorreu
tragicamente de varíolano
ano seguinte.O
pai dos irmãos Clairaut era ele próprioum
matemático competente,mas
hoje é lembrado principalmente atravésda
obra de seus filhos, dois dos mais precoces matemáticos de todos os tempos.OS RICCATI
Uma
das equações diferenciais interessantes estudadasno
século dezoito é a que d'Alembeitchamou
equação deRiccati-
y'= p(x)y2
+q(x)y+r(x).
Essa equação fora estudada pornumerosos
matemáticos, inclusive vários dos Bemoulli,bem como
por Jacopo Riccati (1676-
1754) e seu filhoVicenzo
(1707-
1775).Mas
Euler foi 0 primeiro achamar
a atenção para o fato deque quando
se conheceuma
solução particularv=
f
(x), então a. . ~ 1 , a . . ~ . . .
substituição
y
=
v+-
transforma a equaçao de Riccatinuma
equaçao diferencial linearem
z,Z
-8
1763, Euler observou
também
que
se duas soluções particulares são conhecidas entãouma
solução geralpode
ser expressaem
termos deuma
simples quadratura.Euler foi,
sem
dúvida, o maior responsável pelosmétodos
de resolução usados hojenos cursos introdutórios sobre equações diferenciais, e até muitos dos problemas específicos que
aparecem
em
livros textos de hojeremontam
aos grandes tratadosque
Euler escreveu sobre Cálculo-
Instítutíones calculí dzffirrentíalís (Petesburgo, 1755) e Instítutíones calculí íntegralís (Petesburgo, 1768-
1770),' 3 volumes.O
uso de fatores integrantes, osmétodos
sistemáticos para resolver equações lineares de
ordem
superior a coeficientes constantes, e adistinção entre equações lineares
homogêneas
e não-homogêneas, e entre solução particular e solução geral, estão entre suas contribuições ao assunto.A
equaçãoy"+
Ky= f
(x), tinha sido resolvida independentemente de Eulermais ou
menos
na
mesma
época, 1739-
1740, e d'Alembert tanto 'quanto Euler tinhammétodos mais
gerais, por volta de 1747, para resolver equações lineares complexas.Até
certo ponto, a ubiqüidade (condição de estarem
toda aparte) de dívida
que
temos
com
Eulerno
campo
das equações diferenciais está indicadano
fato de queum
tipo de equação linear a coeficientes variáveistem
seunome.
A
equação de Euler x"y(")+a,x"" y("`l)+...+a,,y(°)=
f
(x), (onde o expoente entre parênteses indicaordem
de derivação) se reduz facilmente, pela substituiçãox=e',
auma
equação linear a coeficientes constantes.Os
quatrovolumes
de Instítutíones de Eulercontêm
de longe' o tratamentomais
completodo
Cálculo, até então.Além
dos elementosdo
assunto e da resolução de equações diferenciais, encontramos coisascomo
o “teorema de Euler sobre funçõeshomogêneas”:
sef
(x, y) éhomogênea
deordem
n, então xj;+
yfy=
nf
,um
desenvolvimentodo
cálculo dediferenças finitas, formas padrão para integrais elípticas
(campo
em
que
d'Alemberttambém
trabalhará) e a teoria das funções beta e
gama
(ou fatorial) baseada nas “integrais eulerianas”F(p) =
fx'”"e`*dx eB(m,n)=
fx'"`](l-x)""dxe relacionadas por fórmulas
como
B(m,n)=~.
Qallis já conheciaalgumas
das+n
propriedades dessas integrais,
mas
graças à organizaçãodada
por Euler essas funções transcendentes superiores setomaram
parte integrantedo
cálculoavançado
e da matemática aplicada.Cerca
deum
século depois, a função beta foi generalizada por Pafiiuti L.Tchebycheff
(1821-
1894) que provou que a “integral de Tchebycheff” jx”(1-x)qdx
é9
3.
DEFINIÇÕES
PRELIMINARES
Neste capítulo, introduziremos alguns conceitos básicos
que
serão importantes ao longodo
nosso estudo.Daremos
aqui a definição de equação diferencial e apresentaremos alguns tipos de equações diferenciaisque
podem
ocorrer.Definição
1.1De
modo
geral,uma
equação diferencial éuma
equação envolvendouma
função e suas derivadas, cuja incógnita éuma
função.Existem dois tipos principais de
Equações
Diferenciais:l.
Equação
Diferencial Ordinária(EDO):
Quando
a função envolvidadepende
deuma
única variável;
2.
Equação
Diferencial Parcial (EDP):Quando
a função envolvidadepende
de várias variáveis.Vejamos
algunsexemplos
de equações diferenciais:Exemplo
3.1 íiäÉ
3x -1 (EDO).
Exemplo
3.2xdy
-
ydx
=
O(EDO).
õu
õzu ~Exemplo
3.3E
--Ô-7=
2, u=
u(t,x)(EDP
-
equaçaodo
calor).X
3.1 Definições Básicas
Introduziremos
algumas
notações e tenninologias,conforme
seguem: 0N
=
{ne
Z;n
2
l}-
conjunto dosnúmeros
naturais;0
Z
-
conjunto dosnúmeros
inteiros;0
Z* =
{ne
Z;n
2
0}~
conjuntos dosnúmeros
inteirosnão
negativos;0
C
-
conjunto dosnúmeros
complexos; ç0 IR"
-
espaço euclidiano dedimensão n
,onde
{ne
Z;n
2
l} (Observação:IR'
=
R
).Seja
Q g
R"
,um
aberto, e u :Q
-›R",
(x,y,z,t,...)-›
u(x,y,z,t,...)uma
função del0
derivada parcial de u
em
relação à variável x,que
e' a primeira variável, poderá ser denotadapor:
Õu
ã,
ux, õxuou
DluAnalogamente,
denotaremos as derivadas de segundaordem
por õzuF,
un, ÕšuOu
D¡2u.x
No
caso de derivaçãoem
relação a variávelx
e depoisem
relação ay,
denotaremos por2
ai,
uv, õ õ,uou
D,D,zz.ôyõx y
Em
geral,uma
equação diferencial ordinária(EDO),
envolvendouma
funçãoy =
f
(x) , éuma
equaçãoda forma
-
F(x,f(x),f'(x),f"(x),...,f"(x))zo
(3.1)sendo
F
(x, yo, y,,..., yn)alguma
função.Uma
equação a derivadas parciaisou
equação diferencial parcial(EDP)
éuma
equação envolvendo duasou
mais variáveis independentes (x¡,. . .,x,,) e derivadas parciais deuma
função u=u(xl,...,x,,).De
maneira mais precisa,uma
EDP
com
n
variáveis independentes (x, ,. . . , xn) éuma
equação daforma
2
F
x,,...,x,,zz,Ô”,...,Õ",ô'j,..., k=o
(32)
ôx, ax, õx, õx, õxlôxn ax, õ2u õ2z¡am)
onde
x=(x,,...,x,,)eQ,Qgllš",
éum
aberto,F
e'uma
funçãodada
e u=u(x)
é a funçãoque
queremos
determinar.A
ordem
deuma
EDP
édada
pela derivada parcial demaior ordem que
aparece na equação.A
ordem
da equação (3.l) ék
seF
,como
função dealguma
das derivadas deordem k
fornão
constante.Uma
EDP
é dita linear se é de primeiro grauem
u eem
todas as suas derivadasparciais
que aparecem na
equação; caso contrário, aEDP
é ditanão
linear.A
forma
geral deuma
EDP
linear de primeiraordem
éÊaj
(x)D¡u+
b(x)u+
c(x)=
O,ll
onde
algum
dos coeficientesa
J. não é identicamente nulo.E
No
caso de duas variáveis independentes, Êc=
(x,,x2)=
(x, y)e
Q
g
R2, a equação(3.2)
pode
ser reescritacomo:
A(x,y)ux+B(x,y)uy+C(x,y)u+D(x,y)=0
(33)
Uma EDP
linear é ditahomogênea
se o termoque
nãocontém
a variável dependenteé identicamente nulo.Por
exemplo, a equação (3.3) éhomogênea
se, esomente
se,D(x,
y)=
0.Observação: u
=
0 ésempre
solução de qualquerEDP
linearhomogênea.
A
parte principal deuma
EDP
é a parte da equação quecontém
as derivadas demaior
ordem
que,em
muitos casos, determina as propriedades das soluções. por exemplo, a parte principalda
equação (3.3) éI
A(x,y)ux
+
B(x,y)
uy (3.4)As
equaçõesnão
linearesque tem
parte principal linear sãochamadas
de equações semi-lineares.Por exemplo,
uma
EDP
de primeira ordem, semi-linear,com
3 variáveis independentes (x, y,z) éda forma
_Ô
A(x,y,z)-Ê-š+B(x,y,z)%+ C(x,y,z)í: =
F(x,y,z,u).
Vejamos
algunsexemplos
deEDP°s:
Exemplo
3.4 xu,-
yuy=
sen (xy) éuma
EDP
nãohomogênea
de 1” ordem.Exemplo
3.5A
equação de Burgercom
viscosidade,õ,u+uôxu =võÍu
,onde
v éconstante, é semi-linear,
mas
de segunda ordem.3.2
Linearidade
eSuperposição
As
consideraçõesque
faremos a seguir são válidas para equações diferenciais parciais (EDP°s) lineares de qualquerordem
mas, parafixar
as ideias,vamos
consideraruma
EDP
de primeiraordem
com
n variáveis independentes x,,x2,..., xn.Seja
x
=(x,,x2,...,x")eR".
Consideremos
a equação12
onde, existe j,
lSjsn,tal
que al.¢0.
Podemos
reescrever a equação (3.5) naforma
'
Lu = f,
(3.6)onde
f(x) =
-c(x)
eLu
(x)=
Z
al. (x)D¡u+
b(x)u. (3.7)A
cada função u diferenciável correspondeuma
única funçãoLu
e dessa maneiradefinimos
um
operadorou
uma
transformação L.De
forma mais
precisa: SejaQ
um
subconjunto abertodo
R"
e al. e b,lí
jSn,
funções contínuas
em
Q
tomando
valores reais.Podemos
definir:L:C1(Q)-›C(Q)
(3 8) u |-› Lu,
i
onde
Lu
édado
pela fórmula (3.7);C'(Q)
é o conjunto das funçõesu:Q-›lR,
continuamente diferenciáveis;C
(Q)
é o conjunto das funções u:Q
-›R
, contínuas.A
funçãoL
estádefinida
entre espaços de funções, isto é,L
levauma
função u(com
determinadas propriedades)
em
outraLu.
O
operadorL
éum
exemplo
deum
operador diferencial parcial.O
fatoda
equação (3.5) ser linear implica que o operadordefinido
por (3.7) éum
operador linear,ou
seja,L
(0)=
0 (L
leva a função identicamente nula nelamesmo)
eL(u+av)=Lu+aLv,
`v'u,veD(L)
e \7'aelR3.. (3.9)L(u)
=
0 , é a equaçãohomogênea
associada à equação (3.3) (3.10)Usando
a linearidade deL
e induçãopodemos
verificarque
qualquercombinação
linear de soluções da equação (3.l0) étambém
uma
solução de (3.l0), isto é, se u,,...,umsatisfazem (3.10)e a1,...,am
e
R
entãouzzajuj
(311)
13
é
também
uma
solução de (3.l0).Em
outras palavras,L
éum
operador linear definidonum
espaço vetorialV
de funções(V=C'
e as soluções deueV
da
equação (3.10),formam
um
subespaço vetorial deV.
Esse resultado é conhecidocomo
princípioda
superposição (na sua
forma
Íinita).O
espaço de soluções deEDP°s
lineareshomogêneas do
tipo (3.l 0),pode
terdimensão
infinita.
Além
disso, existemEDP°s
lineares de 1”ordem
que nãotêm
solução.Exemplo
3.6 Procuraremos soluções clássicas da equação linearhomogênea
/
uxy
=
0 , (3.l2)2
para qualquer (x,y)
e
R2
e ue
C
(R2).
Queremos
encontraruma
solução clássica u=
u (x, y). Seja o operadorL
,dado
porL
zC2(R2) -›c(R2)
H *-> (Lu)(X,,v)
=
11,, (X, y)-Integrando (3.l2)
em
relação ay
,ou
seja, fixando a variávelx
, obtemos:Im
‹›‹,y›)dy=
‹››então
u,(x,y)=F(x)
(3.13)onde
F(x) éuma
funçãoem
C1(R), arbitrária.Fixando agora a variável y e integrando (1.13)
em
relação a x, obtemos:jzz,(x,y)âz
z jF(x)âx,
entãouX(x,y)=f(x)+g(y),
'(3.l4)
onde
f
éuma
função primitiva deF
em
C
2(R)
eg
éuma
função arbitráriaem
C2
Como
F
é arbitrária, entãof
eg
são funções arbitráriasem
C2
Queremos
soluçõesueC2(lR2).
Como
todas as funçõesda forma
(3.l4),com
f
egeC2(lR),
são soluções da equação (3.l2), concluímosque
o espaço das soluções clássicas de (3.l 2) é precisamente o conjunto{u
e C2
(lR2):u(x,y)=f(x)+g(y),
(x,y)e
R2,f
eg
e C2
Portanto, o espaço das soluçõestem dimensão
infinita.14
3.3 Princípio
da
Superposição
Proposição
_Se_ja \L_-›um
-.operador diferenciagl parcial linearde
1”ordem
cujoscoeficientes estão definidos
num
abertoQ
g
R". Suponha
que (um ):l sejaum
conjunto de funções de classe Clem
Q
satisfazendoaEDP
linearhomogênea
(l.l0).Então
” se(am
)+°°m=l éuma
sequência de escalares tal que a sérieu(x)
=
Êamum
(x) (3.l5)seja convergente e diferenciável
termo
a termoem
Q
, então u satisfaz a equaçãoLu =
0.3.4
Condições de
Contorno
e IniciaisEstamos
procurando as soluçõesque
estão definidasnum
abertoQ
g
R".
É
natural substituir os extremosdo
intervalo (cason
=
l ) pela fronteira (ou bordo)ÔQ
da região
Q.
Quando impomos
condições sobre o valor da solução e de suas derivadasno
bordo da região (condições decontomo) temos
um
problema
de valores decontomo
ou, simplesmente,problema
decontomo.
Condições
iniciais:Em
EDP's
temos
mais deuma
variável independente.É
natural fixaruma
delas eimpor
0 valor da solução e de suas derivadas parciaisem
relação à variável fixacomo
função das outras variáveis (porexemplo
u(x,0)= f(x)
e u, (x,0)=
g(x),
f
eg
sendo funções dadas).Observe que
sen
=
2,com
variáveisx
e t, isso significaimpor
o valorda
solução ede suas derivadas normais ao longo da curva
t=0;
analogamente,no
cason=3, com
variáveis x,y
e t,fixar
t=
O significa olhar a solução (e suas derivadas normais, se for o caso) ao longoda
superficie t=
0.`
Podemos
generalizar o conceito de condições iniciaisimpondo
o valorda
solução de suas derivadas normais ao longo deuma
curva (sen
=
2) ou
superfície (sen
=
3) inicial._Oproblema
correspondente éum
problema
deCauchy ou
valor inicial.Quando
temos
uma
EDP
com
condições iniciais e condições decontomo
temos
um
problema
misto. uy=
0,emlR2Exemplo
3.7O
problema
{ . u(X, P(X))=
f
(X),XG
R
15
1
onde
p
,f
e
C'(lR) são funções dadas, éum
problema
deCauchy.
Como
aEDP
é de 1”f¬
ordem, basta
impor
o valor da solução sobre a curva inicialy
=
p(x) no
plano paraque
setenha
uma
solução clássica. _>
=
0,R2
Exemplo
3.8O
problema
{uyem
V
u(0,y)
=
f(y),y
ER
.é
também
um
problema
deCauchy
envolvendouma
EDP
linear de la ordem.A
curva inicial éo
eixo dosy.
Ao
contrário 'doexemplo
anterior, esteproblema
nãotem
solução (sef
não éconstante)
ou tem
uma
infinidade de soluções (sef
'é constante).Veremos
porque isso acontece equando
existe solução única para oproblema
deCauchy envolvendo
EDP°s
lineares de 1°ordem
em
duas variáveis independentes. '16
4.
EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS
ORDINÁRIAS
DE PRIMEIRA
ORDEM
Desejamos
aqui, deforma
breve, fazerum
estudo deum
método
de resolução paraEquações
Diferenciais Ordinárias(EDO”s)
de 1”ordem
e 1.° grau. Essemétodo
consisteem
verificar se
umavdeterminada
EDO
éuma
equação diferencial exata e aplicar, então,um
procedimento para a obtenção da solução; caso aEDO
não seja exata, a transformaremosem
uma
equação diferencial exata, através da multiplicação porum
fator integrante, demodo
que
seja possível a aplicaçãodo
método
de resolução paras asEDO's
exatas.Mostraremos,
também, que
é possível transformaruma
EDO
linear completa de 1”ordem
em
uma
equação diferencial exata, através deum
fator integrante, possibilitando,assim, a resolução
da
EDO
pelomesmo
método.Antes, porém, veremos, através
do
Teorema
que
enunciaremos abaixo, que existesolução única para problemas de
Cauchy
envolvendoEDO”s
de 1”ordem quando
determinadas condições são satisfeitas.
4.1 Existência e unicidade
de
soluçõesTeorema
4.1(Teorema
de Peano) SejaD,
um
domínio
deR2,
f
:D-›lR,
uma
função. Considereo
PVI:{y'=f(×,y)
~y(×0)=y0z
com
(x0,t0)eD.
(4.1)Õf
Se
f
(x, y) eã(x,
y) são contínuasem
D,
então (4.1) possuiuma
única soluçãodefinida
em
algum
intervalo I contendo xo.Observação:
Podemos
substituir as hipótesesacima
porf
(x, y) contínuaem
D
eLipaschitziana
em
D
relativamente à segunda variável, isto é,que
existeK
>
0 tal que|f(w‹›)~f(wz)|SK|yz
-MI»
17
4.2
Equações
DiferenciaisOrdinárias Exatas
Definição 4.2
Uma
equação diferencial ordináriada forma
M(x,y)d.›z+N(x,y)dy =
0 (4.2)é
denominada
exataquando
existeuma
função u(x, y), de classe C'em
um
retânguloR
,cuja diferencial total é
dada
por:du
=M(x,y)dx+N(x,y)dy,
em
R,onde
R
é o retânguloR={(x,y)eR2,a<x<bec<y<d},
ou
seja,É-u=M(x,y)
eX
%zzv(x,y).
rFazendo
uma
aplicaçãodo
teorema que apresentaremos abaixo,podemos
checar seuma
EDP
do
tipo (4.2) é exataou
não,bem como
obter a função,que
é a solução de (4.2) amenos
deuma
constante. VTeorema
2.3A
equação (4.2),onde
Me
N
são funções de classeC
1(R)
, éuma
EDO
exata, se, esomente
se, for satisfeita a condiçãou
Ê-Aí=ÔlV-,emR.
(4.3)Õy ôx
Assim, a relação (4.3) é condição necessária e suficiente para
que
a equação (4.2) sejauma
EDO
exata.Demonstração:
1.
A
condição é necessáriaMostraremos
que seMdx+
Ndy
éuma
diferencial total, entãoÊlízôl
õyôx
Por hipótese, o primeiro
membro
de (4.2),Mdx+
Ndy
, é diferencial total, então existeu (x, y), tal
que
.du
=
Mdx
+
Ndy
(4.4)Por outro lado, u
=u(x,
y) é solução de (4.2), então a diferencial de upode
serdu
=
Õ-u dx+
ÊI- dy, ôx õy e valeque
-êlídx+@
=
Mdx+Ndy.
õx õyComparando
(4.6), obtemos:M
z
Õl
õx eN
z
Êti õyDerivando
(4.7)em
relação ay
e (4.8)em
relação a x,temos
respectivamenteÔM
õzuÕN
õzuÉzfihãzízã
_ ôzu õzu ~ ,
Se u
e C2,
entao,--
e--
sao continuasem
R
,eõxôy õyõx pelo teorema de Schwarz,
Õ_f_W_
_
Õl
õy ôx is (45) (4.ó) (4.7) (4.8)Assim, a condição (4.3) é necessária para que o primeiro
membro
de (4.2) seja a diferencial total de u (x, y).2.
A
condição é suficienteMostraremos que
vale a volta,ou
seja, se (4.3) é verificada então o primeiromembro
de (4.2) e' a diferencialtotal de u (x, y) .
i
Podemos
achar u , solução de (4.2), integrando (4.7)em
relação à variável u. Assim,u,(x,y)
= _[M(x,y)dx+¢(y),
(4.9)onde
¢(y)
éuma
função arbitrária quedepende
exclusivamente dey
.Derivando
(4.9)em
relação ay,
obtemos:Nzâ-:z
[Êšdx+¢'(y).
Ou
seja,¢'(y)=N-
I%dx,
oque
resultaem
¢(y)=
JÍN-
J.%dx)dy.
19
[M(x,y)âx+
ƒlzv-
lÕ%dxlây=1<,
que é a solução geral de
uma
equação diferencial exata, etambém
a função u=
u(x,y) dada
por: Eu(z,y)z
]M(x,y)âx+
[ÍN-jâšíalây,
¢(y)tem
como
diferencial total o primeiromembro
de (4.2).4.3
Equações
DiferenciaisOrdinárias
Não
Exatas
É comum
nos depararmoscom
equações diferenciaisdo
tipo (4.2) que não sãoõfijfifl
lõy ax `
No
entanto, é possível mostrar-se que háuma
infinidade de funções /l(x, y), para asequações diferenciais exatas,
ou
seja, tais quequais a equação
Â
(Mdx
+ Ndy) =
0 , torna-seuma
equação diferencial ordinária exata,em
que
À
denomina-se fator integrante da equação (4.2).Essa função
Ã
,quando
consideradacomo
dependendo
apenas deuma
única variável,pode
ser obtida da seguinte maneira::
e.iV'(Y)¡Ô',Onde
`Qu
/l(x)
=
el'/1(x)dx 3Qndê
=
.X
Exemplo
4.1 Resolver a seguinteEDO
não exata(xz
-y2)dx+2xya'y=
0 Resolução:Verificamos que esta
não
e'uma
EDO
exata, poisV
Ê_^í=_zy,
ÊÍ_L2y_
ôy
ÕxUtilizando os resultados obtidos acima,
temos
1 1 2
1/jlx)
_
š(-21'"
ZY)
- šc;(-4Xy) -
';-
Agora, -
20
Como
À(x)
=
elwldx ,temos
que_,,,, 1
Â.(X)=€2l()=xi2..
Multiplicando a equação diferencial
não
exata porÂ(x)
, resultaque
šfixz
-y2)dx+(2xy)dy] =
0,ou
ainda,2
li-X2-}1x+2lây=o,
(4.1o)X
X
que é
uma
equação exata. _Agora, (4.l 0)
pode
ser resolvida pelométodo
das equações diferenciais exatas. Assim,de (4.8),
obtemos que
2 u= _lNdy+¢(x)=
Jg-}ídy+¢(x)=L+¢(x).
x
x
Logo,
Ô
2 , ‹›‹›»ecomo
Mili
._ Ôx, C 2M(x,y)={1-Í?
, resultaque
2 2 J'_
J' .1-¡__x_,+¢
(x). Por conseguinte, ¢'(x)=
1› e¢(x)
=
l.dx+ c. Assim,¢(x)
=
x
+
c,de
modo
que
a solução u(x, y)tem
aforma
2
u
=
L
+
x
+
c.x
4.4
Equações
DiferenciaisOrdinárias
LinearesCompletas
Vamos
estudar agora as equações diferenciais ordinárias lineares de primeiraordem
que
sãoda
forma:21
-í%+P(x)y=Q(x),xeI,
(4.ll)onde
P(x)
eQ(x)
são funções quedependem
apenas davariávelx
e estão definidasem
um
intervalo aberto IC
IR.Uma
maneira mais geral de se escrever a equação (4.1 1), é atravésda forma
a0(x)y'+al(x)y=b(x),
xel,
(4.12)onde
ao (x), a, (x) eb(x)
são funções apenas de x, definidasem
I.Quando
ao (x)¢
0, paratodo
x e
I , (4.12)pode
ser reduzida àforma
(4.l 1).Podemos,
ainda, reescrever (4.l 1) naforma
y'=f(x,y),
(4.l3)onde
f(x,y) =
-P(x)y+
Q(x)
,em
D
=
{(x,y)e
R2,x
e
I}.Definição
2.4Uma
equação diferencial ordinária é dita linear completa se é daforma
%+Py=Q,
(4.14)onde
P
eQ
são funções dex ou
constantes. Ela é dita linearhomogênea
ou
incompleta,quando
Q
=
0.A
equação (4.l4)pode
ser reescritacomo
(Py-Q)dx+dy=0,
(4.l5)que é
uma
equaçãodo
tipoM(x,y)dx+
N(x,y)dx =
0.Vimos,
anteriormente,que
uma
equaçãodo
tipo (4.l 5)pode
ser classificadacomo
equação diferencial ordinária exata ou não exata, e apresentamosum
método
parao
cálculoda função u (x, y) ,que
dá a solução daEDO.
Caso
a equação (4.l5) não sejauma
EDO
exata,um
fator integranteque
atoma
exataé
dado
por 9/(x)=
eímx.Assim, a
EDO
eípdxP
J”~
dx+d
J'=
0 é exata eo
método
utilizado anteriormente22
5.
MÉTODO
DAS
CURVAS
CARACTERÍSTICAS
PARA SOLUÇAO DE
EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS PARCIAIS
5.1
Método
das curvas
características planaspara
soluçãode equações
diferenciais parciais linearesNeste capítulo,
vamos
estudar oproblema
deCauchy
(P.V.I.) paraEDP°s
de 1”ordem
da
forma
a(x,y)u,,+b(x,y)uy=c(x,y).
(5.1) Para isso, sejay
uma
curva plana inicial. Parametrizando-a por (cr (t),p(t)), te
I,onde
I éum
intervalo aberto,podemos
escrever oproblema
naforma
{fl(X› y)u×
+
¡>(X, y)u,=
C(X, y),(5 2)
“(00)
P(I))=f(f)VIGI-
Consideremos
as seguintes hipóteses adicionais:(i) a curva inicial
y
éuma
curva suave,ou
seja, as funções0
ep
são continuamente diferenciáveisem
Ie
a'(t)2+
p'(t)2¢
O , qualquer que seja te
I;(ii)
feC'(I);
(iii) a,b,c
e
C'(Q)
e as funções a, bnão
seanulam
aomesmo
tempo
em
Q,
onde
Q
<;R2
éum
aberto contendo y.Para
resolvemos o problema
(5.2), precisamos, primeiramente, encontrar as curvascaracterísticas planas da equação (5.1) (curvas ao longo das quais a
EDP
(5.1)pode
ser escritacomo
uma
derivada totalem
relação auma
variável s).Assim, as curvas características planas da equação (5.1) são curvas
que
admitem
uma
0¢'(S)
=
fl(0¢(S)› fl(S))B'(S)
=
b(<1(S)z/3(S))Para obtermos
uma
única solução para o sistema deEDO°s
(5.3), precisamos deum
parametrização
(a
(s),fique
satisfaz{ (53)
par de condições iniciais. Para isso,
como
a,be
C'(Q)
,dado
(x0,y0)e
Q,
obteremosuma
única solução de (5.3), (cr (s),
5
(s)), para snuma
vizinhança de so talque
23
A
existência e a unicidade de soluçãodo problema
(5.2)depende
decomo
as curvas características intersectam a curva inicial y.Daremos, no
Teorema
abaixo, as condições, suficientes para que oproblema
(5.2)tenha
uma
solução únicanuma
vizinhança da curva inicialy
(que é coberta por características planas).Teorema
5.1Sejam
Q g
R2
aberto, Ig
R
intervalo aberto,y
uma
curva suaveem
Q
parametrizada por (a(t),p(t)),te
I,fe
C' (I) e a,b,ce
C'Suponha
que a(x,y)2+b(x,y)2
¢
0, para todo (x,y)e
Q,
e0(U(f)›
PU)
b(0(f), />(f)0
'(1)P
'(1)Então, o
problema
(5.2)tem
uma
única solução de classe C'numa
vizinhançada
¢0, paratodotel.
curva
y
em
Q.
Essa solução édada
poru(xo,y0)
z
f(to)+
£°c(x(s,to),y(s,to))dsObservação:
A
soluçãono
ponto (xo, yo)=
(x(s, to), y(s,to)) é obtida integrando-se aEDP
ao longoda
característica que passa por (xo, yo), de s=
0 até s=
so.Demonstração: Consideremos
que as curvas característicasnão
são tangentes à curvainicial y. Então, o vetor tangente (a'(t),p'(t)) e o vetor (a(a(s),,3(s)),b(a(s),,6(s)))
não são paralelos (ou seja,
não
são linearmente dependentes). .Com
esta hipótese, para cada te
I , existeuma
única curva característica planapassando pelo ponto
(0
(t), p(t)),que
é a solução de (5.5) e (5.6): Y{0¢'(S)
=
‹1(0¢(S)› /5'(S))(55)
ms)
=
1›<‹z‹s›, /1<s››a(so)=0(t),
/3(so)=p(t),tel
(5.6)numa
vizinhança de so (tomar so=
0 para simplificar).Além
disso,(U
(I) ,p
é o único pontoda
curva característica que intersecta a curvainicial y.
Do
contrário, haveriaum
ponto sob a curva característica cujo vetor tangente seriaparalelo a (a'(t), p'(t)) , contradizendo a hipótese.
Desse modo,
podemos
cobrir a vizinhança24
Isso permite-nos fazer a
mudança
de variável (x, y) 1-› (s,t). Agora, para cadate
I,denotamos
a curva característicaque
passa por(0
(t),p
por (x,y)
=
(x(s, t), y(s,t)).Fazendo
isso,podemos
reescrever (5.5) e (5.6) da seguinte maneira:XS (SJ)
=
‹1(X(S›f)›J/(S, 1))y,(Szf)
=
b(X(S›f )z y(S, 1))x(o,z)
=
õ(z), y(o, z)z
p(z),vz
E
1.Agora
observe que:Oi
de{a(0(l)›P(f)) b(U(l)›/)>(f)))= de{X,-(OJ) y,-(0,f)} G'(f) P'(fX
(0 1)y
(0 f)para todo
te
I . Então, por continuidade,x
det{ X ysj
¢
0 , para s na vizinhança de zero.xz yr
Logo, a transformação (s,t)|-›(x(s,t),y(s,t)) é localmente injetora.
Podemos,
então, fazer a
mudança
de variável (x,y)|-›(s(x,y),t(x,y)) e considerar amudança
v(s,t)
=
u(x,y). Daí, tem-se:Õ
Õ Õ
Õ
-(š(s,t)
=
ä-õš+í:/gy;=
auxbuy=
c(x,y).A
condição inicial para v é:v(0,t)
=
u(x(0,t),y(O,t))=
u(o(t),p(t))=
f(t),`v'te
I.Então v
deve
ser .soluçãodo problema
deCauchy
(P.V.l.) ôv__(s›t) :c(x(S›t)ay(S:t)) âs
v(0,t)
=
f(t),Vte
I.Este é
um
problema
de valor inicial parauma
EDO
de 1” ordem, na variável s paracada t fixo, cuja solução é obtida integrando-se de s
=
O a s=
so ,que
resultaem:
v(s0,t0)
=
v(0,t0)+ £°c(x(s,t0),y(s,t0))ds`
25
Para voltar para u(x, y),
dado
(x0,y0), nessa vizinhança de y, seja (swto) tal queso
=s(x0,y0)
e to =t(x0,y0), isto é,xo =x(so›to)
{yo
=
y(so›t‹›)Então,
u(x0,y0)=f(t0)+
£°c(x(s,t0),y(s,t0))ds (5.7)Se u
é solução de (5.2), então u satisfaz (5.7).Como
(5.7) é solução de (5.2), estádemonstrado que
(5.2)tem
solução única.Assim,
vimos que
(5.7) é a soluçãodo problema
(5.2)..
I
Exemplo
5.1 Considereo problema
avx
+bvy
+cv =
d, (5.8)com
a,b,c,delR
e az+b2
¢0.
O
método
para encontrar a solução geral de (5.8) é, de certa forma, semelhante aométodo
para encontrar a solução única de (5.2).Devemos
procuraruma
mudança
de variável que coloque a equação (5.8)numa
fonna
mais simples: seja s=
s(x, y), t=
t(x,y)
talque
t é constante ao longo das curvascaracterísticas planas.
As
características planas satisfazem, neste caso:x'(s)=a,então
x(s)=as+c,
(5.9)y'(s)==b,então
y(s)=bs+c2
(5.l0)Por (5.9), temos:
sz?-“-lí (5.11)
a
Substituindo (5.ll)
em
(5.l0),temos
y=
b{£:-ç'-¶+c2. Então,ay
=bx-bc,
+ac2
eG
daí,
ay-bx
=
kl.Concluímos
que as curvas caracteristicas planas são as retasay-bx
=k,,sendo k, constante.
As
retas ortogonais a essas são as retas by+
ax
=
kz , sendo kz constante.Tomando
t constante ao longo das retas características e s constante ao longo das retas26
=
b{s
“My
. (5.12)t=-bx+ay
Com
amudança
de variável (5.l2), a equação (5.8)fica
(a2+b2)ws+¢w=d.
(5.13) Para cada t fixo, a equação (5.l3) éuma
EDO
de 1”ordem
na variável scom
fator integrante(514)
az
+
bMultiplicando (5.l3) por (5.l4),
tomamos
aEDO
exata eobtemos
%|:W'€(TcšFji|
:(a2Íbz
Jeíiãí Portanto, se c¢
0 , a solução geral de (5.l3) éd
-cs w(s, t)=
;+
exp{f
+
bz J, e a solução geral de (5.8) éd
_
v(x, y)
=
-
+ f(-bx +
ay) exp (ax+
by))c
a
+b
no
caso de c=
0 , a solução geral de (5.l3) éds W(S›f)
=m+f(Í)
e a solução geral de (5.8) é Vd
v(x,y)=Ê¿-(ax+by)+f(-bx+ay),
onde
f
e
C'(R)
é arbitrária. iI
A
ideiaacima
também
pode
ser utilizadano
caso dos coeficientes de (3.8)não
serem constantes.Assim, as curvas características planas satisfazem
{x
'(8)=
fl(x(S)›y(S))y
'(8)=
b(X(S)› y(S)),e portanto, são soluções
da
EDO
de 1”ordem
27
Se
as soluções daEDO
(5.l5) foremda forma
t(x,y)=k
sobre as curvascaracterísticas,
onde k
éuma
constante arbitrária, é naturaltomar
tcomo uma
das nossasnovas variáveis.
Há
certa liberdade na escolha da variável s, bastando garantirque o
jacobianoV
det sx sy
=-(19-(Lo)-¢0,emQ.
fz ly Õ(x›y)
Observe
que
sety¢0
em
Q
(respectivamente, tx¢0
em
Q),
podemos
tomar
s=x
(respectivamente,
s=y)
e, neste caso, o determinante jacobiano seránão
nulo e, porconseguinte, a curva inicial 'y não será tangente às curvas características planas.
5.2
Método
das
características espaciaispara equações
diferenciais parciais quase- linearesConsidere o
problema
de Cauchy:a(x,y,u)u,
+b(x,y,u)uy
=
c(x,y,u)Observe que na
equação a função incógnita u aparecena
parte principal da equação, oque
caracterizauma
não linearidade,como
também
no tenno
independente das derivadas.Agora, seja
y
uma
curva plana inicial, parametrizada por(0
(1), p(t)),te
I , e assimpodemos
escrevero problema
naforma
_ a(x, y,u)ux +b(x, y, u)uy=
c(x, y, u) u(õ(f),p(f))=
f
(1),:e
1Se
a curva inicialy
não for tangente às curvas características planas, então asuperficie solução
da
equação será gerada pela curvaF
:ze
I 1-> (a(t),p(t),f
, e pelascurvas características
em
R3 que
interceptam I`.Essa curva I¬(t) é dita regular,
quando o
vetor tangente (0'(t),p'(t))não
forparalelo ao vetor (a,b), vetor tangente às curvas características planas, sobre y(t). Neste
caso, haverá
uma
mudança
de variável inversívelbem
definida (garantida peloTeorema
da unçao nversa),ou
seja,F
~ I(X, y)
H
(SJ)28
Com
isso,podemos
transformar aEDP
em
uma
EDO,
em
que
o parâmetro t éconstante sobre as curvas características planas e, portanto, teremos
uma
EDO
na
variável sem
uma
função incógnita v=
v(s,t) ,em
que t é constante.Exemplo
5.2 Considereo problema
xux
-
yuy=
uz u(x,l)=l,xelR
Neste caso, as características planas são retas horizontais, logo o
problema
tem
solução e as curvas características espaciais serão obtidas resolvendo
o
seguinte sistema deEDO
na
variável s.xs(Szf)=0(x›yzV)
ys-(sat)
:
b(x›y›V)V..(S›Í)=C(X›)'›V)
As
condições iniciais são obtidasquando
s=
0 ,ou
seja, x(0, t)=
a(t)y(0,r)
=
/>(f)v(0zf)
=
f
(I),então, neste caso, teremos o seguinte P.V.I.:
xs
=
x
,Vs
=
*Y
vs
=
vzcom
as seguintes condições iniciaisx(0,r)
=r
y(0›f)
=1
v(0,t)
=
1Resolvendo o
sistema desacoplado temos:x
=
x
fi> {,;;0,,> Daí, x(s,t)=
te* .. {y_,=-y
11) y(0›f)=1
29
Daí, y(s,t)
=
e"` v=v2
111) S
iwanzi
Daí
É v(s ,t)-L
Se u(x, y)
=
v(s(x, y),t(x,y)), precisamos encontrar s(x, y) e t(x, y), fazendouma
inversão
na
mudança
de variável,ou
seja,'
{x
=
x(s,t)H
{s=
s(x, y)y=yUJ)
f=Kny)
Como
x(s,t)=tes e y(s,t)=e`s, resultaque
t=xy
e s=-lny.
Portanto, se a solução
da
EDO
é v(s,t)=
IL
, então a solução geralda
EDP
serál
u(xsy)_~:
com
algumas
restrições: a)y
>
O ,eb)
1+lny¢0,logo
lny¢-1,e,po11anto,
yâfil.
e30
6.
CONCLUSÃO
Muitos fenômenos
queocorrem na
física, biologia e economia,podem
ser descritosatravés de
uma
equação
diferencial parcial,como
por exemplo: as leis deNewton
para o resfriamento dos corpos, as equações deMaxwell,
e as equações damecânica
quântica de Schrödinger,que
são descritas por equações que relacionam o espaço eo
tempo.Através
do
estudodo método
das curvas características para resolução de equações diferenciais parciais de primeira ordem,percebemos
a importânciaque
essemétodo tem no
estudo das equações
que aparecem
namodelagem
defenômenos
físicos de diversas áreasda
ciência.Ao
longo deste trabalhopudemos
ver a íntima relaçãoque
existe entre asEquações
Diferenciais Parciais (EDP”s) e as
Equações
Diferenciais Ordinárias (EDO's).Em
geral, para resolvermosuma
EDP
precisamos transformá-laem
uma
EDO.
Para fazermos isso, nosvalemos
aquido
Método
das Curvas Características. Essemétodo
consisteem
obter-seuma
mudança
de variável especialque tem
como
propriedade o fato deuma
das variáveis serconstante, ao longo dessas curvas características. Assim, através dessa
mudança
de variável,aEDP
é transformadaem
uma EDO,
sobre tais curvas características. Resolvemos, então, aEDO
sobre essas curvas características e,em
seguida,retomamos
às variáveis originais,através
da
transformação inversa damudança
de variável.Dentre as áreas
em
que
sepode
aplicar oMétodo
dasCurvas
Características Planas, destacamos a Teoria daCombustão, o
Estudo das Leis deConservação
e asOndas
deChoque.
Quanto
ásCurvas
Características Espaciais,fazemos
uso dasmesmas
quando
oMétodo
dasCurvas
Características Planas não funciona,ou
seja,quando o
vetor tangente à curva inicialdada
é paralelo ao vetor tangente aalguma
das curvas características planas.O
Método
dasCurvas
Características Espaciais étambém
utilizadona
resolução deEDP's
quase-lineares, isto é,EDP”s
em
que
os coeficientesda
equaçãodependem
da função incógnita u, enquantoque
as derivadas parciais semantém
com
grau 1.O
estudoque
apresentamos aqui trata-se apenas deuma
pequena
iniciação. Paraum
estudomais avançado
recomendamos
a leiturado
livro de J.SMOLLER
(SMOLLER,
1994).(
7.
REFERÊNCIAS
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S. A.,Equações
diferenciais. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos,Editora S.A., 1984.
AYRES,
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1959.BOYER,
C. B., Históriada
matemática.
Revista porUta
C.Merzbach;
tradução Elza F.Gomide.
2. ed.São
Paulo: Blucher, 1996.FIGUEIREDO,
D. G. de;NEVES,
A. F.,Equações
diferenciais aplicadas. 2“d Ed.Rio
deJaneiro:
IMPA,
2005. 'IÓRIO,
V.,EDP,
um
cursode graduação.
2"d Ed.Rio
de Janeiro, 2005.SMOLLER,
J.,Shock waves and
reactions: diffusion equations. 2"d ed..New
York: Spring,1994.
-F