PEF-101–Termodinˆ
amica e Mecˆ
anica
Estat´ıstica
Prof. Jos´e Kenichi Mizukoshi Aula 9 (vers˜ao 05/12/2014)
O Fator de Boltzmann
O fator de Boltzmann
O Fator de Boltzmann Valores M´edios O Teorema da Equiparti¸c˜ao Distribui¸c˜ao de Velocidades de Maxwell Fun¸c˜oes de Parti¸c˜ao e Energia Livre
■ Nas aulas 3 a 5 e parte da 6, trabalhamos com sistemas microsc´opicos
(pa-ramagneto de dois estados, o s´olido de Einstein e o g´as ideal monoatˆomico),
onde introduzimos a grandeza entropia como uma vari´avel termodinˆamica
im-portante. ´E ela que afirma para que sentido um processo termodinˆamico ocorre
espontaneamente.
■ Na descri¸c˜ao desses estados microsc´opicos, utilizamos o formalismo da
Mecˆanica Estat´ıstica num sistema conhecido como ensemble
microca-nˆonico. Trata-se de uma ferramenta poderosa, pois todas as propriedades
termodinˆamicas podem ser obtidas a partir dos primeiros princ´ıpios. Mais es-pecificamente, num ensemble microcanˆonico podemos escrever explicitamente a multiplicidade Ω de um dado macroestado, a qual fornece todas as quanti-dades termodinˆamicas.
■ No entanto, o ensemble microcanˆonico possui duas limita¸c˜oes:
◆ Ele descreve sistemas fechados, em que n˜ao interagem com a vizinhan¸ca.
O fator de Boltzmann
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◆ dificuldade matem´atica de se encontrar uma express˜ao exata para a
multiplicidade.
■ A seguir, vamos introduzir uma ferramente bastante poderosa para descrever a`
probabilidade de se encontrar o sistema num dado microestado, quando o
sistema est´a em equil´ıbrio t´ermico com um reservat´orio `a temperatura T . Este
tipo de sistema ´e conhecido como ensemble canˆonico.
Energia = UR
Temperatura = T Energia = E
Reservat´orio
O fator de Boltzmann
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■ Para se fazer uma descri¸c˜ao quantitativa, vamos trabalhar com um exemplo
espec´ıfico, o ´atomo de hidrogˆenio.
◆ Desprezando o spin, um determinado estado quˆantico ´e descrito pela
fun¸c˜ao de onda ψn,ℓ,m, onde os n´umeros quˆanticos assumem os valores
n = 1, 2, 3, . . . , ℓ = 0, 1, 2, . . . , n − 1 e m = −ℓ, . . . , ℓ.
◆ A energia ´e dada aproximadamente por En = −
13,6 eV
n2 .
■ Exceto pelo estado fundamental, cujo n ´e igual a 1, todos os outros estados
s˜ao degenerados, ou seja, existe mais de um estado com a mesma energia.
◆ Ex.: para n = 2, temos que E2 = −3,4 eV e
ℓ = 0 : m = 0
ℓ = 1 : m = −1, 0, 1
O fator de Boltzmann
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■ A figura abaixo mostra os trˆes primeiros n´ıveis de energia:
■ Cada um dos estados ´e considerado como sendo um microestado.
■ Se o ´atomo estivesse completamente isolado, a sua energia seria fixa (n fixo) e
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■ No ensemble canˆonico, h´a a troca de energia de um ´atomo com uma grande
quantidade de outros ´atomos, que por ora fazem parte de um reservat´orio t´ermico de temperatura T .
■ Neste caso, ´e conceb´ıvel que o ´atomo possa ser encontrado em qualquer dos
microestados, sendo que alguns ser˜ao mais prov´aveis do que outros (embo-ra os microestados com a mesma energia ainda continuem sendo igualmente prov´aveis).
■ Para facilitar a an´alise, vamos encontrar a raz˜ao de probabilidade entre dois
microestados particulares – os estados s1 e s2 (veja figura na p´ag. anterior).
Temos que as energias desses microestados s˜ao E(s1) e E(s2), enquanto que
as probabilidades s˜ao P(s1) e P(s2).
■ O ´atomo n˜ao se encontra isolado, mas o sistema ´atomo mais o reservat´orio est´a
isolado. Portanto, todos os microestados do sistema composto s˜ao igualmente prov´aveis.
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◆ Se por exemplo, o ´atomo estiver no estado s1, haver´a um n´umero grande de
microestados poss´ıveis para o reservat´orio, cuja multiplicidade ser´a ΩR(s1).
Similarmente, temos a multiplicidade ΩR(s2) quando ´atomo estiver no
es-tado s2.
◆ Como o sistema ´atomo + reservat´orio ´e isolado, temos que quanto menor
a energia do ´atomo, maior vai ser a do reservat´orio.
■ No nosso exemplo, como E(s1) < E(s2), tem-se que ΩR(s1) > ΩR(s2). Como
todos os microestados do sistema combinado ´e igualmente prov´avel, tem-se que P(si) ∝ ΩR(si). Logo,
P(s2)
P(s1)
= ΩR(s2) ΩR(s1)
Em termos da entropia (lembre-se que S = k ln Ω), a raz˜ao fica P(s2) P(s1) = e SR(s2)/k eSR(s1)/k = e [SR(s2)−SR(s1)]/k
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O ´ultimo termo expressa a mudan¸ca de entropia do reservat´orio, quando o
´atomo sofre uma transi¸c˜ao do estado 1 para o estado 2.
■ De acordo com a identidade termodinˆamica
dSR = 1
T (dUR + P dVR − µdNR)
◆ Um sinal global deve ser adicionado se escrevermos dSR em termos das
varia¸c˜oes das quantidades para o ´atomo (e.g. dUR = −dE).
◆ O termo P dVR ´e geralmente desprez´ıvel: a mudan¸ca no volume do ´atomo
´e desprez´ıvel com a mudan¸ca na sua energia.
◆ O termo µdNR ´e zero neste caso, pois o el´etron sempre permanece no
´atomo. (embora haja absor¸c˜ao ou emiss˜ao de f´otons na transi¸c˜ao.)
■ Temos portanto que
SR(s2) − SR(s1) = 1
T [UR(s2) − UR(s1)] = − 1
O fator de Boltzmann
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■ Substituindo a express˜ao acima na raz˜ao entre as probabilidades, obtemos
P(s2)
P(s1)
= e[E(s2)−E(s1)]/kT = e
−E(s2)/kT
e−E(s1)/kT
Cada um dos fatores exponenciais ´e chamado de fator de Boltzamnn:
fator de Boltzmann = e−E(s)/kT
■ Temos que
P(s2)
e−E(s2)/kT =
P(s1)
e−E(s1)/kT
Como o lado esquerdo s´o depende de s2 e o lado direito s´o de s1, a raz˜ao deve ser uma constante, a qual designaremos como 1/Z.
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■ Finalmente, obtemos a probabilidade do ´atomo se encontrar num dado estado
s:
P(s) = Z1 e−E(s)/kT
que ´e conhecida como sendo a distribui¸c˜ao de Boltzmann ou distribui¸c˜ao
canˆonica.
■ Para facilitar a interpreta¸c˜ao da equa¸c˜ao acima, vamos fazer
E(s) → E(s) + 13,6 eV
tal que o estado fundamental do ´atomo ter´a agora energia zero.
◆ Como Z tamb´em ter´a um termo exponencial extra e−13,6 eV/kT, as
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■ O gr´afico abaixo mostra a curva da distribui¸c˜ao de Boltzmann.
P ro b ab ili d ad e,
A fun¸
c˜
ao de parti¸
c˜
ao
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■ Lembrando que a probabilidade total de se encontrar o ´atomo em algum
estado ´e igual a 1, temos que
1 = X s P(s) = X s 1 Z e −E(s)/kT = 1 Z X s e−E(s)/kT Portanto, Z = X s e−E(s)/kT que ´e a soma de todos os fatores de Boltzmann.
◆ Trata-se de uma s´erie que pode conter infinitos termos. Sem uma
express˜ao matem´atica fechada, em princ´ıpio n˜ao teria como avali´a-la. No
entanto, para muitas situa¸c˜oes, os termos da s´erie caem muito
rapidamente (E(s) ≫ kT ) e portanto a soma pode ser truncada com um n´umero finito de termos.
■ Z ´e chamada de fun¸c˜ao de parti¸c˜ao. Observe que ela ´e constante no sentido
Valores M´
edios
Valores m´
edios
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■ Vamos supor que um determinado ´atomo possui apenas trˆes estados poss´ıveis:
estados com as energiais 0 eV (estado fundamental), 4 eV e 7 eV.
■ Se o sistema for composto por 5 ´atomos, sendo que dois
se encontram com energia 0 eV, dois com 4 eV e um quinto com energia 7 eV, qual deve ser a energia m´edia dos ´atomos?
Temos que
E = (0 eV) · 2 + (4 eV) · 2 + (7 eV) · 1
5 = 3 eV E n er gi a
■ Por outro lado, poder´ıamos ter escrito da seguinte forma:
E = (0 eV) · 2 5 + (4 eV) · 2 5 + (7 eV) · 1 5 = 3 eV
Valores m´
edios
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■ Na express˜ao acima, cada energia ´e multiplicada pela probabilidade daquele
estado ocorrer. Assim, os fatores 2/5, 2/5 e 1/5 d˜ao as probabilidades de se ter os estados com as energias, 0 eV, 4 eV e 7 eV, respectivamente.
■ Esse racioc´ınio pode ser estendido para um sistema grande com N ´atomos e
N (s) n´umero de ´atomos em um estado particular s. Neste caso, a energia
m´edia do sistema ´e E = P s E(s)N (s) N = X s E(s)N (s) N = X s E(s)P(s), onde P(s) ´e a probablidade de se encontrar o sistema no estado s.
■ No ensemble canˆonico, P(s) ´e a distribui¸c˜ao de Boltzmann. Logo, fazendo
β ≡ 1/kT , E = 1 Z X s E(s)e−βE(s)
Valores m´
edios
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■ O valor m´edio de qualquer vari´avel pode ser calculado exatamente da mesma
forma da express˜ao anterior. Se X ´e fun¸c˜ao de s, tem-se que
X = X s X(s)P(s) = 1 Z X s X(s)e−βE(s)
■ Um aspecto interessante da m´edia ´e que ela ´e aditiva: a m´edia da energia total
de dois ´atomos ´e a soma das m´edias individuais:
Etot = EA + EB = EA + EB
■ Segue dessa propriedade que para uma cole¸c˜ao de N ´atomos idˆenticos, a
energia total do sistema ´e
U = E1 + E2 + . . . + EN = E1 + E2 + . . . + EN = N E
■ Em princ´ıpio, o lado direito da equa¸c˜ao acima ´e uma energia m´edia. Contudo,
Valores m´
edios – problema
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Prob. 1 Prove que, para qualquer sistema em equil´ıbrio com o reservat´orio a uma
temperatura T , o valor m´edio da energia ´e
E = −Z1 ∂Z∂β = −∂β∂ ln Z
onde β = 1/kT . Estas f´ormulas podem ser extremamente ´uteis quando se tem
Paramagnetismo
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■ Como uma aplica¸c˜ao das ferramentas constru´ıdas aqui, vamos rederivar alguns
resultados obtidos na Aula 5 para um paramagneto, a saber, a energia do sistema U e a magnetiza¸c˜ao total M (veja p´ag. 43).
■ Relembre que um dipolo elementar de um paramagneto de dois estados possui
somente dois estados: estado “para cima”, com energia −µB e estado “para baixo”, com energia +µB. (Para esclarecimento, B ´e o campo magn´etico externo aplicado e ±µ ´e o momento de dipolo magn´etico na dire¸c˜ao do campo). Para este sistema,
Z = X
s
e−βE(s) = e+βµB + e−βµB = 2 cosh(βµB)
■ Segue que a probabilidade de se encontrar o dipolo no estado “para cima” ´e
P↑ =
e+βµB
Z =
e+βµB
Paramagnetismo
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Aula 9 20 / 41
■ Similarmente, para o estado “para baixo”,
P↓ =
e−βµB
Z =
e−βµB
2 cosh(βµB)
■ A energia m´edia ´e
E = X s E(s)P(s) = (−µB)P↑ + (+µB)P↓ = −µB(P↑ − P↓) = −µBe βµB − e−βµB 2 cosh(βµB) = −µB tgh(βµB)
■ Para uma cole¸c˜ao de N dipolos idˆenticos, a energia total do sistema ser´a
Paramagnetismo – problema
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Prob. 2 Obtenha a energia m´edia de um dipolo magn´etico `a partir da express˜ao
Paramagnetismo
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■ Finalmente, podemos calcular o valor m´edio de um momento de dipolo
magn´etico ao longo da dire¸c˜ao B:
µz = X s µz(s)P(s) = (+µ)P↑ + (−µ)P↓ = µ eβµB − e−βµB Z = µ tgh(βµB)
■ Temos, portanto, que a magnetiza¸c˜ao total ser´a
O Teorema da Equiparti¸
c˜
ao
O teorema da equiparti¸
c˜
ao
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Aula 9 24 / 41
■ Na Aula 1, p´ag. 41, enunciamos o teorema de equiparti¸c˜ao de energia, a
saber,
“A uma temperatura T , a energia m´edia de qualquer grau de liberdade quadr´atico ´e 1
2kT ”
■ Vamos provar o teorema utilizando o fator de Boltzmann. O teorema ´e v´alido
para sistemas cuja energia ´e da forma
E(q) = cq2
onde c ´e uma constante e q ´e qualquer vari´avel de coordenada ou momento, como x, px ou Lx.
■ Vamos assumir, por simplicidade, que o sistema s´o apresenta um grau de
liberdade e que ele se encontra em equil´ıbrio t´ermico com o reservat´orio, a uma temperatura T .
O teorema da equiparti¸
c˜
ao
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■ Na descri¸c˜ao cl´assica do sistema, cada valor atribu´ıdo a q corresponde a um
estado. Como ele ´e cont´ınuo, vamos utilizar um artif´ıcio matem´atico para “contar” os diferentes estados:
◆ Vamos assumir que os estados s˜ao discretos, separados por uma
quantidade ∆q, conforme mostra a figura abaixo:
■ A fun¸c˜ao de parti¸c˜ao para este sistema ´e
Z = X
q
e−βE(q) = X
q
e−βcq2
Multiplicando e divindo por ∆q e fazendo ∆q → 0,
Z = 1 ∆q X e−βcq2∆q ⇒ Z = 1 ∆q Z ∞ e−βcq2dq
O teorema da equiparti¸
c˜
ao
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■ No limite em que ∆q → 0, o integrando, que ´e o fator de Boltzmann, ´e uma
fun¸c˜ao gaussiana
Fator de Boltzmann,
■ Fazendo a mudan¸ca de vari´avel x = √βcq, obtemos
Z = 1 ∆q 1 √ βc Z ∞ −∞ e−x2dx = 1 ∆q r π βc
O teorema da equiparti¸
c˜
ao
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■ A energia m´edia pode ser dada por
E = −Z1 ∂Z∂β
Escrevendo a fun¸c˜ao de parti¸c˜ao como Z = Cβ−1/2, onde C = pπ/c/∆q,
obtemos E = − 1 Cβ−1/2 ∂ ∂βCβ −1/2 = 1 2β −1 ⇒ E = 1 2kT que ´e o teorema da equiparti¸c˜ao de energia.
Distribui¸
c˜
ao de Velocidades de
Maxwell
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ Conforme visto na Aula 1, de acordo com a teoria cin´etica dos gases, a
velocidade m´edia quadr´atica ´e dada por
vmq = p v2 = r 3kT m
Este resultado ´e consistente com o teorema da equiparti¸c˜ao de energia.
■ A velocidade definida pela express˜ao acima ´e uma esp´ecie de m´edia. O objetivo
agora ´e encontrar uma express˜ao que relaciona uma certa quantidade de mol´eculas com uma determinada velocidade. Em outras palavras, queremos saber qual a probabilidade que uma dada mol´ecula est´a se movendo a uma espec´ıfica velocidade.
■ Como h´a um n´umero muito grande de part´ıculas, com velocidades bem
variadas, na pr´atica temos uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao (cont´ınua) de velocidades, D(v). Portanto, podemos falar que a part´ıcula est´a em um intervalo de velocidades.
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ A figura abaixo mostra uma distribui¸c˜ao de velocidades moleculares, D(v),
cuja express˜ao ser´a deduzida adiante.
Probabilidade = ´area
■ Se a fun¸c˜ao D(v) estiver normalizada a ´area abaixo da curva d´a a
probabilidade de que a velocidade de uma mol´ecula esteja entre v1 e v2:
Probabilidade (v1, v2) =
Z v2
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ Para um intervalo infinitesimal de velocidade, v e v + dv, a probabilidade ´e
Probabilidade (v, v + dv) = D(v) dv
■ Vamos assumir que o g´as esteja em contato com o reservat´orio t´ermico a uma
temperatura constante T . Como s´o a energia cin´etica translacional, mv2/2, ´e
importante para caracterizar o estado, o fator de Boltzmann fica e−E(s)/kT = e−mv2/2kT. Logo, a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao fica
D(vx, vy, vz) = Ce−mv
2/2kT
onde C ´e uma constante.
■ Observe que
v = |~v| = qvx2 + vy2 + vz2 ≥ 0
Se quisermos encontrar a part´ıcula com velocidade entre v e v + dv, devemos encontrar D(v).
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ Para encontrar D(v), devemos multiplicar
D(vx, vy, vz) pelo “volume” no espa¸co das
velocidades onde v = qvx2 + vy2 + vz2 ´e constante. No caso, trata-se de uma superf´ıcie esf´erica de “raio” v, que ´e 4πv2. Logo,
D(v) = D(vx, vy, vz)(4πv2) = 4πv2Ce−mv
2/2kT
´ Area
■ Para encontrar C, impomos que a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao ´e normalizada:
Z ∞ 0 D(v) dv = 1 ⇒ 4πC Z ∞ 0 v2e−mv2/2kT dv = 1
Fazendo a mudan¸ca de vari´avel x = vpm/2kT , otemos
1 = 4πC 2kT
m
3/2 Z ∞
0
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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A integral da ´ultima p´agina tamb´em aparece com bastante frequˆencia na f´ısica
e possui o valor √π/4. Com isto, obtemos
C =
m 2πkT
3/2
■ Obtemos, finalmente, que
D(v) = m 2πkT 3/2 4πv2e−mv2/kT
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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Aula 9 34 / 41
■ O m´aximo de D(v) ocorre para v = vm´ax, que ´e a velocidade mais prov´avel.
Temos que D(v) dv v=vm´ax = 0 ⇒ 4π m 2πkT 3/2 d dv v2e−mv2/2kT v=vm´ax | {z } = 0 = 0
Usando a regra do produto, a derivada fica 2ve−mv2/2kT + v2 −mv kT e−mv2/2kT v=vm´ax = 2 − mv 2 m´ax kT | {z } = 0 vm´axe−mvm´2ax/2kT = 0 Portanto, vm´ax = r 2kT m
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ A velocidade (escalar) m´edia ´e dada por
v = Z ∞ 0 vD(v) dv = 4π m 2πkT 3/2 Z ∞ 0 v3e−mv2/2kTdv
Novamente, fazendo a mudan¸ca de vari´avel x = vpm/2kT , obtemos
v = 4π m 2πkT 3/2 2kT m 2 Z ∞ 0 x3e−x2dx
Como o resultado da integral ´e 1/2, v =
r
8kT πm
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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Aula 9 36 / 41
■ Por quest˜ao de consistˆencia, pode-se obter a velocidade m´edia quadr´atica da
p´ag. 29 `a partir da express˜ao v2 = Z ∞ 0 v2D(v) dv = 4π m 2πkT 3/2 Z ∞ 0 v4e−mv2/2kTdv
■ Fazendo-se a mudan¸ca de vari´avel x = vpm/2kT , encontramos a integral
Z ∞ 0 x4e−x2dx = 3 8 √ π e portanto confirmamos o resultado
vmq = p v2 = r 3kT m
Distribui¸
c˜
ao de velocidades de Maxwell
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■ Se tivermos N mol´eculas idˆenticas, a quantidade de mol´eculas com velocidade
entre v e v + dv ´e N (v)dv, onde N (v) = N D(v) = N m 2πkT 3/2 4πv2e−mv2/kT
O gr´afico ao lado mostra N (v) das mol´eculas de nitrogˆenio para as tem-peraturas de 300 K e 900 K, com
N = 105 mol´eculas. Para T =
900 K, est˜ao mostradas as velocidades m´edia, m´edia quadr´atica e a veloci-dade mais prov´avel.
v (m/s) N ( v) [m ol ´ec u la s/ (m /s )] vm´ax v vmq
Fun¸
c˜
oes de Parti¸
c˜
ao e Energia Livre
Fun¸
c˜
oes de parti¸
c˜
ao e energia livre
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■ No ensemble microcanˆonica, onde o sistema se encontra isolado e portanto U
´e constante, a quantidade estat´ıstica mais fundamental ´e a multiplicidade Ω. O logar´ıtmo de Ω d´a a entropia, que ´e algo que tende a aumentar.
■ No ensemble canˆonico, o sistema est´a em equil´ıbrio t´ermico com um
reservat´orio a temperatura T . Conforme visto, a quantidade an´aloga `a
multiplicidade ´e a fun¸c˜ao de parti¸c˜ao Z = Z(T ). Para este sistema, qual seria a grandeza an´aloga `a entropia, ou seja, estaria relacionada a ln Z?
■ E poss´ıvel mostrar que´
F = −kT ln Z
O sinal negativo se deve ao fato de F diminuir com o aumento da entropia.
■ Com a express˜ao acima, podemos calcular a entropia, a press˜ao e o potencial
qu´ımico (Aula 8, p´ags. 22 e 23): S = − ∂F∂T V,N , P = − ∂F ∂V T,N , µ = + ∂F ∂N T,V
Fun¸
c˜
oes de parti¸
c˜
ao e energia livre
O Fator de Boltzmann Valores M´edios O Teorema da Equiparti¸c˜ao Distribui¸c˜ao de Velocidades de Maxwell Fun¸c˜oes de Parti¸c˜ao e Energia Livre
Aula 9 40 / 41
■ Paralelo entre os ensembles microcanˆonico e o canˆonico:
Bibliografia
O Fator de Boltzmann Valores M´edios O Teorema da Equiparti¸c˜ao Distribui¸c˜ao de Velocidades de Maxwell Fun¸c˜oes de Parti¸c˜ao e Energia Livre
■ Daniel V. Schroeder, An Introduction to Thermal Physics, Addison Wesley