CONFIABILIDADE E MANUTENC
¸ ˜
AO: UM ESTUDO SOBRE A
T´
ECNICA DA FMEA
Renan Lombardo Ferreira Garrido
Projeto de Gradua¸c˜ao apresentado ao Curso de Engenharia El´etrica da Escola Polit´ecnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos ne-cess´arios `a obten¸c˜ao do t´ıtulo de Engenheiro.
Orientador: Jorge Nem´esio Sousa
Rio de Janeiro Agosto de 2017
CONFIABILIDADE E MANUTENC
¸ ˜
AO: UM ESTUDO SOBRE A
T´
ECNICA DA FMEA
Renan Lombardo Ferreira Garrido
PROJETO DE GRADUAC¸ ˜AO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO
DE ENGENHARIA EL´ETRICA DA ESCOLA POLIT´ECNICA DA
UNIVERSI-DADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESS ´ARIOS PARA A OBTENC¸ ˜AO DO GRAU DE ENGENHEIRO ELETRI-CISTA.
Examinada por:
Prof. Jorge Nem´esio Sousa, M.Sc. (Orientador)
Prof. Carmen Lucia Tancredo Borges, D.Sc.
Prof. Antonio Carlos Siqueira de Lima, D.Sc.
RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL AGOSTO DE 2017
Garrido, Renan Lombardo Ferreira
Confiabilidade e Manutenção: Um Estudo Sobre a Técnica da FMEA/ Renan Lombardo Ferreira Garrido. – Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2017.
Orientador: Jorge Nemésio de Sousa
Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Engenharia Elétrica, 2017.
1. Confiabilidade 2. Manutenção 3. FMEA 4. Transformador I. Nemésio de Sousa, Jorge. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia Elétrica III. Confiabilidade e Manutenção: Um Estudo Sobre a Técnica da FMEA
Referencias Bibliográficas: p. 86-87.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Escola Polit´ecnica - Departamento de Engenharia El´etrica Centro de Tecnologia, bloco H, sala H-217, Cidade Universit´aria Rio de Janeiro - RJ CEP 21949-900
Este exemplar ´e de propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que poder´a inclu´ı-lo em base de dados, armazenar em computador, microfilmar ou adotar qualquer forma de arquivamento.
´
E permitida a men¸c˜ao, reprodu¸c˜ao parcial ou integral e a transmiss˜ao entre bibli-otecas deste trabalho, sem modifica¸c˜ao de seu texto, em qualquer meio que esteja ou venha a ser fixado, para pesquisa acadˆemica, coment´arios e cita¸c˜oes, desde que sem finalidade comercial e que seja feita a referˆencia bibliogr´afica completa.
Dedico este trabalho ao meu pai Julio Cesar (in memoriam) e ao meu avˆo Vicente.
AGRADECIMENTO
Agrade¸co, primeiramente, aos meus pais Denise e Julio Cesar (in memoriam) e a minha fam´ılia por todo suporte, incentivo e apoio incondicional dado ao longo da gradua¸c˜ao.
Em especial, a minha m˜ae e meu avˆo Vicente que sempre se doaram inteira-mente ao meu progresso.
Agrade¸co ao professor Jorge Nem´esio por toda aten¸c˜ao e empenho dedicado `
a elabora¸c˜ao deste trabalho e, principalmente, pelo imenso conhecimento comparti-lhado em todos os momentos.
Agrade¸co aos meus amigos da gradua¸c˜ao e de fora dela por toda companhia nos bons e maus momentos, pelas risadas, pelo apoio, enfim, por tudo aquilo que s´o os amigos podem nos proporcionar.
Agrade¸co `a Divis˜ao de Engenharia do HUCFF pelo suporte dado a mim para que eu me dedicasse ao estudo e desenvolvimento deste trabalho.
A todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha forma¸c˜ao, o meu muito obrigado.
Resumo do Projeto Final apresentado ao Departamento de Engenharia El´etrica como parte dos requisitos necess´arios para a obten¸c˜ao do grau de Engenheiro
Eletricista
CONFIABILIDADE E MANUTENC¸ ˜AO: UM ESTUDO SOBRE A
T´ECNICA DA FMEA
Renan Lombardo Ferreira Garrido Agosto/2017
Orientador: Jorge Nem´esio Sousa, M. Sc. Curso: Engenharia El´etrica
As disciplinas de manuten¸c˜ao e confiabilidade tornaram-se estrat´egicas para a ind´ustria de capital no atual mundo globalizado.
A fim de trazer conhecimentos `a n´ıvel de gradua¸c˜ao, criando material que po-der´a servir de base did´atica para disciplinas e trabalhos acadˆemicos, este trabalho ir´a apresentar os principais e mais relevantes conceitos de manuten¸c˜ao e confiabilidade tomando como base as mais importantes referˆencias bibliogr´aficas sobre o tema.
Ser´a apresentada a t´ecnica de confiabilidade FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) em seus principais aspectos, onde sua aplicabilidade ser´a demonstrada atrav´es de um exemplo gen´erico aplicado ao caso de um transformador trif´asico de 1000 kVA.
Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Electrical Engineer
RELIABILITY AND MAINTENANCE: A STUDY OF THE FMEA TECHNIQUE
Renan Lombardo Ferreira Garrido August/2017
Advisor: Jorge Nem´esio Sousa, M. Sc. Course: Electrical Engineering
The disciplines of maintenance and reliability have become strategic for the capital industry in today’s globalized world.
In order to bring knowledge to the undergraduate level, by creating a material that can serve as a didactic basis for academic disciplines and works, this paper will present the main relevant concepts of maintenance and reliability based on the most important bibliographical references on the subject.
The FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) reliability technique will be presented in its main aspects, where its applicability will be demonstrated through a generic example applied to the case of a three-phase 1000 kVA transformer.
SIGLAS E S´IMBOLOS
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
FMEA - Failure Mode and Effect Analysis
MCC - Manuten¸c˜ao Centrada em Confiabilidade
RPN - Risk Priority Number
S - Severidade
O - Probabilidade de Ocorrˆencia
MTTF - Mean Time to Failure
MTBF - Mean Time Between Failures
D - Probabilidade de Detec¸c˜ao
f (x) - Fun¸c˜ao Densidade de Probabilidade
R(t) - Fun¸c˜ao Confiabilidade
F (t) - Probabilidade de Falha
λ(t) - Taxa de Falhas
Sum´
ario
1 Introdu¸c˜ao 1 1.1 Apresenta¸c˜ao . . . 1 1.2 Objetivo . . . 2 1.3 Motiva¸c˜ao . . . 2 1.4 Estrutura do Trabalho . . . 32 Revis˜ao Bibliogr´afica e Base Te´orica 4 2.1 A Confiabilidade . . . 4
2.1.1 A Hist´oria da Confiabilidade . . . 7
2.2 Conceitos Matem´aticos e Express˜oes B´asicas . . . 9
2.2.1 Vari´aveis Aleat´orias . . . 10
2.2.2 Fun¸c˜ao Densidade de Probabilidade . . . 11
2.2.3 Confiabilidade . . . 13
2.2.4 Taxa de Falhas . . . 15
2.2.5 Classifica¸c˜ao da Taxa de Falhas . . . 17
2.2.6 Resumo das Fun¸c˜oes . . . 19
2.2.7 Rela¸c˜ao Gr´afica entre as Principais Fun¸c˜oes . . . 19
2.3 Exemplo de Aplica¸c˜ao . . . 20 2.4 A Curva da Banheira . . . 24 2.5 Falhas . . . 25 2.5.1 Tipos de Falha . . . 28 2.6 Manuten¸c˜ao . . . 32 2.6.1 O Conceito de Manuten¸c˜ao . . . 32 2.6.2 Os Tipos de Manuten¸c˜ao . . . 34
2.7.1 As Gera¸c˜oes da Manuten¸c˜ao . . . 43
2.7.2 Defini¸c˜ao da MCC . . . 48
2.7.3 Implementa¸c˜ao . . . 49
2.8 FMEA . . . 51
2.8.1 Alguns Termos e Defini¸c˜oes . . . 51
2.8.2 Tipos de FMEA e suas Vantagens . . . 52
2.9 Transformador . . . 54
2.9.1 O que ´e um transformador? . . . 55
2.9.2 Partes Construtivas e Acess´orios . . . 56
3 Metodologia da Pesquisa 60 3.1 Defini¸c˜ao de Pesquisa . . . 61
3.2 Classifica¸c˜ao e Tipos de Pesquisa . . . 61
4 Elabora¸c˜ao da FMEA 66 4.1 Etapas de Organiza¸c˜ao e Preparo da FMEA . . . 66
4.1.1 Definir o Sistema . . . 67
4.1.2 Estabelecer Regras B´asicas . . . 67
4.1.3 Descrever o Sistema e Seus Blocos Funcionais . . . 68
4.1.4 Identificar os Modos de Falha e Seus Efeitos . . . 69
4.1.5 Avalia¸c˜ao de Criticidade . . . 70
4.2 Elabora¸c˜ao da Planilha de FMEA . . . 75
4.2.1 Cabe¸calho . . . 75
4.2.2 Defini¸c˜ao do Sistema . . . 76
4.2.3 Listagem dos Modos de Falha e Seus Efeitos . . . 77
4.2.4 C´alculo do RPN . . . 78
4.2.5 Tomada de A¸c˜ao . . . 78
4.2.6 A Planilha de FMEA . . . 79
4.3 Exemplo de Aplica¸c˜ao da FMEA . . . 81
5 Conclus˜ao 84
Lista de Figuras
2.1 Fun¸c˜oes de probabilidade . . . 13
2.2 As trˆes classifica¸c˜oes das falhas . . . 18
2.3 Rela¸c˜oes gr´aficas . . . 19
2.4 A Curva da Banheira [1] . . . 24
2.5 Tempo de vida [1] . . . 26
2.6 Curvas de falha [1] . . . 26
2.7 Falhas aleat´orias [1] . . . 29
2.8 Substitui¸c˜ao em taxa de falhas decrescente [1] . . . 40
2.9 Substitui¸c˜ao em taxa de falhas constante [1] . . . 40
2.10 Substitui¸c˜ao em taxa de falhas crescente [1] . . . 41
2.11 Tempo ´otimo de substitui¸c˜oes [1] . . . 42
2.12 Modo de falha e seu efeito [2] . . . 52
2.13 Esquema b´asico de um transformador . . . 55
Lista de Tabelas
2.1 Resumo das fun¸c˜oes . . . 19
2.2 Tempo at´e falha (unidade de tempo: dias) . . . 20
2.3 Principais Tipos de Manuten¸c˜ao [3] . . . 39
2.4 Resumo da MCC . . . 48
2.5 Tabela de implementa¸c˜ao da MCC . . . 50
2.6 Vantagens da FMEA . . . 54
2.7 Principais partes construtivas e acess´orios de um transformador . . . 57
4.1 Tabela de severidade . . . 71
4.2 Tabela de ocorrˆencia . . . 72
4.3 Tabela de detec¸c˜ao . . . 74
4.4 Cabe¸calho da planilha . . . 76
4.5 Defini¸c˜ao do sistema na planilha . . . 76
4.6 Modos de falha na planilha . . . 77
4.7 RPN na planilha . . . 78
4.8 Tomada de a¸c˜ao na planilha . . . 79
4.9 A planilha de FMEA . . . 80
4.10 FMEA de um Transformador - Parte 1 . . . 81
4.11 FMEA de um Transformador - Parte 2 . . . 82
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
1.1
Apresenta¸
c˜
ao
Com o desenvolvimento da economia de forma globalizada foi poss´ıvel ob-servar a crescente demanda por servi¸cos e produtos menos custosos, de maior de-sempenho e mais confi´aveis. Servi¸cos que v˜ao desde os mais b´asicos como os de secretariado, at´e os mais complexos e de maior especificidade, como, por exemplo, a manuten¸c˜ao das turbinas de um avi˜ao comercial. E, para produtos, desde um parafuso usado na confec¸c˜ao de um autom´ovel at´e um turbo gerador de uma usina nuclear.
Isto ´e, todos os setores da economia est˜ao em busca de sistemas mais efici-entes, de melhor desempenho e que tenham custos competitivos. Com isso, surgiu a necessidade de reduzir a probabilidade de falhas, desde as que podem aumentar os custos de produ¸c˜ao, at´e aquelas que podem comprometer a integridade f´ısica dos usu´arios de um produto. Essa necessidade faz com que o estudo e aplica¸c˜ao dos conceitos de confiabilidade estejam cada vez mais em voga em todos os ramos da engenharia e da economia.
1.2
Objetivo
O objetivo deste trabalho ´e trazer conceitos da Engenharia de Confiabilidade, bem como a aplica¸c˜ao da t´ecnica de confiabilidade FMEA - Failure Mode and Effect Analysis (An´alise de Modos e Efeitos de Falha), como estudo de caso e, assim, formar, `a n´ıvel de gradua¸c˜ao, uma base nos conhecimentos na ´area que possam ser aplicados e desenvolvidos no meio profissional por um engenheiro que tenha foco em manuten¸c˜ao e gest˜ao de ativos em sistemas industriais.
1.3
Motiva¸
c˜
ao
Este trabalho teve sua motiva¸c˜ao iniciada no momento que comecei meu est´agio obrigat´orio numa ind´ustria farmacˆeutica. Fui contratado para atuar como apoio `a manuten¸c˜ao da f´abrica trabalhando juntamente do Coordenador de Manu-ten¸c˜ao e recebendo orienta¸c˜oes diretas do Gerente de Engenharia da planta.
De uma forma geral, a cultura instaurada no setor de manuten¸c˜ao da empresa possu´ıa caracter´ısticas reativas, ou seja, as a¸c˜oes de manuten¸c˜ao que mais deman-davam esfor¸co e tempo da equipe eram a¸c˜oes corretivas n˜ao programadas, ou seja, a preven¸c˜ao de problemas e paradas por falhas n˜ao estava enraizada na cultura da empresa.
Diante desta situa¸c˜ao, a gerˆencia viu a necessidade de se dar o ponta p´e inicial para se estabelecer uma cultura preventiva para as atividades de manuten¸c˜ao, processo que se deu justamente no momento que comecei meu trabalho na empresa.
Durante todo o meu per´ıodo de est´agio, juntamente da alta gerˆencia, atuei diretamente na implementa¸c˜ao de ferramentas e t´ecnicas que objetivavam reduzir o tempo de indisponibilidade dos equipamentos da f´abrica causado por falhas t´ecnicas e algumas operacionais.
1.4
Estrutura do Trabalho
Este trabalho est´a estruturado de forma a apresentar inicialmente o conceito de confiabilidade e, seguidamente a ele, a conceitua¸c˜ao fundamental da manuten¸c˜ao para, ao fim, trazer a t´ecnica FMEA.
Desta forma, no Cap´ıtulo 2 ´e feita a revis˜ao sobre os aspectos te´oricos de acordo com a base bibliogr´afica utilizada como referˆencia, s˜ao apresentados os con-ceitos de confiabilidade, manuten¸c˜ao e manuten¸c˜ao centrada em confiabilidade bem como outros conceitos fundamentais para compreens˜ao do tema.
O Cap´ıtulo 3 fundamenta e descreve os aspectos metodol´ogicos utilizados no estudo, classificando a pesquisa de acordo com sua finalidade e m´etodos.
O Cap´ıtulo 4 ´e composto pelo desenvolvimento da t´ecnica da FMEA, onde ser˜ao discutidas suas principais etapas e os conceitos necess´arios para sua elabora¸c˜ao. Ao fim, ser´a apresentado um exemplo da FMEA aplicado a um transformador de 1000kVA com a inten¸c˜ao de demonstrar a sua funcionalidade.
Por fim, o Cap´ıtulo 5 traz a conclus˜ao deste trabalho e, seguindamente a ele, tˆem-se a lista de referˆencias bibliogr´aficas utilizadas.
Cap´ıtulo 2
Revis˜
ao Bibliogr´
afica e Base
Te´
orica
Neste cap´ıtulo ser´a apresentada a base te´orica que comp˜oe a teoria e motiva o trabalho. Ser˜ao apresentados os conceitos de confiabilidade e manuten¸c˜ao, o en-tendimento do que s˜ao falhas, como ocorrem e seus efeitos. Ao fim do cap´ıtulo, ser´a apresentada a t´ecnica FMEA junto de seus conceitos e necessidades para aplica¸c˜ao.
2.1
A Confiabilidade
De uma forma geral, a confiabilidade est´a associada `a boa opera¸c˜ao de um determinado equipamento ou sistema nos momentos de ausˆencia de defeitos1 ou
falhas2. Isto ´e, quando um equipamento ou sistema estiver operando como previsto em suas especifica¸c˜oes e atribui¸c˜oes, atuar neles de forma que a ocorrˆencia de defeitos e falhas possa ser evitada no futuro.
1Defeito: A NBR 5462:1994 [4] define defeito como qualquer desvio de uma caracter´ıstica de
um item em rela¸c˜ao aos seus requisitos.
2Falha: A NBR 5462:1994 [4] define falha como o t´ermino da capacidade de um item
Para come¸carmos a tratar propriamente dos conceitos b´asicos de confiabili-dade ´e necess´ario, antes, definirmos o que ´e a confiabilidade.
Segundo o Dicion´ario Oxford [5], confiabilidade ´e definida como a qualidade de ser confi´avel ou de executar consistentemente bem uma a¸c˜ao. Para um estudo do ponto de vista da engenharia, a confiabilidade necessita de uma defini¸c˜ao que seja t´ecnica.
Fogliatto (2009) [6], diz que a confiabilidade de um item corresponde a sua probabilidade de desempenhar o seu prop´osito especificado, por um determinado per´ıodo de tempo e sob condi¸c˜oes ambientais predeterminadas. Lafraia (2014) [1] define a confiabilidade como a probabilidade de que um componente, equipamento ou sistema exercer´a sua fun¸c˜ao sem falhas, por um per´ıodo de tempo previsto, sob condi¸c˜oes de opera¸c˜ao especificadas.
Para Dhillon (1982) [7], confiabilidade ´e a probabilidade de um item realizar a fun¸c˜ao que lhe ´e atribu´ıda satisfatoriamente para um determinado per´ıodo de tempo quando usado sob condi¸c˜oes especificadas.
Olhando atrav´es destas defini¸c˜oes e mantendo o prop´osito do trabalho que ´e trazer uma abordagem qualitativa do tema confiabilidade, a defini¸c˜ao para confia-bilidade a ser adotada nesse estudo ser´a: capacidade de um item executar adequa-damente sua fun¸c˜ao, por um determinado per´ıodo de tempo e sob condi¸c˜oes operacionais preestabelecidas.
Nessa defini¸c˜ao est˜ao presentes alguns termos-chave que necessitam de uma explica¸c˜ao individual e mais detalhada, a fim de se ter uma completa an´alise do conceito de confiabilidade apresentado.
Na defini¸c˜ao, o termo item corresponde ao objeto no qual o estudo de confi-abilidade est´a sendo feito. Sua defini¸c˜ao pode variar de acordo com a finalidade do estudo. Isso significa que, dependendo do caso envolvido, o item pode ser:
• Um sistema complexo, composto por um conjunto de componentes. Por exem-plo, um avi˜ao a jato como um todo.
• Um componente integrante de um sistema. Por exemplo, a h´elice propulsora de um navio cargueiro.
• Uma pe¸ca espec´ıfica de um determinado componente do sistema. Por exemplo, um parafuso que prende as p´as da h´elice de um helic´optero.
O item citado na defini¸c˜ao de confiabilidade pode ser t˜ao espec´ıfico quanto for necess´ario, indo desde um sistema como um todo, formado por diversos compo-nentes, at´e uma ´unica pe¸ca dentre as milhares que podem formar o sistema.
A express˜ao ‘sua fun¸c˜ao’ ´e importante para o entendimento conceitual da confiabilidade porque, muitas vezes, um determinado item ´e produzido em dife-rentes vers˜oes, variando de acordo com a inten¸c˜ao de uso. Quando se estuda a confiabilidade de um item, ´e imprescind´ıvel que este esteja executando sua tarefa de acordo com seu projeto original de forma a se ter um perfil real´ıstico do seu n´ıvel de confiabilidade.
Por exemplo, uma furadeira pode ser produzida para fins dom´esticos ou in-dustriais; ambas tˆem as mesmas fun¸c˜oes, mas se diferenciam pela sua confiabilidade, pois foram projetadas para n´ıveis de carga diferentes.
Agora, suponha que esta furadeira dom´estica - projetada para 1.000 h de uso - esteja sendo aplicada para fins industriais com uma carga muito acima de sua capacidade e falhe com 100 h de uso.
Analisando rapidamente, verifica-se que a furadeira falhou com apenas 10% do tempo total de uso, isto ´e, falhou muito prematuramente. Entretanto, isso n˜ao quer dizer que a furadeira apresenta baixa confiabilidade devido `a falha com apenas 100 h de uso. Na verdade, n˜ao ´e razo´avel avaliar a confiabilidade para este caso visto que a furadeira foi utilizada fora de suas especifica¸c˜oes.
A confiabilidade ´e um conceito que est´a diretamente associado ao tempo de atividade de um item. Na defini¸c˜ao, o trecho ‘por um determinado per´ıodo de tempo’ traz esse aspecto `a discuss˜ao. O conceito de unidade de tempo, para a confiabilidade, varia de acordo com o perfil do item que est´a sendo objeto de estudo e, nem sempre se d´a de maneira ´obvia, assumindo diversas formas e parˆametros. Por exemplo, o tempo at´e a falha de uma lˆampada el´etrica pode ser medido como o n´umero total de horas at´e a ocorrˆencia, o n´umero da soma de horas de atividade at´e ela falhar ou o n´umero de vezes que a lˆampada foi acionada. Isto ´e, podemos definir o per´ıodo de tempo em confiabilidade n˜ao apenas como uma temporiza¸c˜ao dada em horas ou minutos, por exemplo, mas tamb´em como n´umero de dias, anos, meses, ciclos, acionamentos etc., o que for mais conveniente de acordo com o caso em quest˜ao.
Por fim, na defini¸c˜ao de confiabilidade, o trecho ‘condi¸c˜oes operacionais preestabelecidas’, que diz respeito `as condi¸c˜oes, de forma geral, nas quais o item ser´a operado. Estas podem ser desde condi¸c˜oes clim´aticas e ambientais, at´e o n´ıvel de treinamento de um operador, por exemplo.
´
E fundamental ser acentuado esse ponto da defini¸c˜ao, porque um item pode apresentar desempenho diferenciado quando operado com elevada umidade, so-brecarga, temperaturas fora das especificadas como normais, vibra¸c˜ao excessiva, condi¸c˜oes ambientais desfavor´aveis como polui¸c˜ao, excesso de chuva etc.
2.1.1
A Hist´
oria da Confiabilidade
Historicamente, os estudos de confiabilidade tiveram in´ıcio ap´os o fim da Primeira Grande Guerra Mundial (1918) onde, com o surgimento da ind´ustria ae-ron´autica, foram desenvolvidos os primeiros estudos de an´alise de confiabilidade. Naquele contexto, a confiabilidade era medida como o n´umero de acidentes por hora de voo.
Na d´ecada de 1940, durante a Segunda Grande Guerra Mundial, um grupo de engenheiros trabalhou, na Alemanha, no desenvolvimento de m´ısseis V-1. Ap´os o fim da guerra, soube-se que todos os prot´otipos falharam durante os testes, explodindo durante o voo ou aterrissando antes do alvo. Nesta mesma d´ecada de 1940 iniciou-se o deiniciou-senvolvimento de teorias matem´aticas relacionadas aos problemas que foi quando se desenvolveu a equa¸c˜ao associada `a confiabilidade de um sistema em s´erie, que estabelece que essa ´e dada pelo produto das confiabilidades de suas partes componentes. Como consequˆencia direta, os sistemas em s´erie formados por muitos componentes tˆem a tendˆencia a apresentar baixa confiabilidade e o efeito da melhoria da confiabilidade dos componentes, individualmente, tende a ser pequeno sobre o sistema como um todo. Desta forma, surgiram as primeiras tentativas de buscar melhorias na qualidade associada `as manuten¸c˜oes preventivas atrav´es de refinamento nos projetos, melhoria de equipamentos e instrumentos de medi¸c˜ao, e materiais mais resistentes.
Ao final da d´ecada de 1940, nos Estados Unidos, as for¸cas armadas come¸caram a desenvolver diversos estudos sobre reparos em equipamentos, custos de manu-ten¸c˜ao, falhas de equipamentos eletrˆonicos etc. Isso resultou na cria¸c˜ao de um comitˆe de confiabilidade pelo Departamento de Defesa norte americano. Posterior-mente, este comitˆe se transformou num grupo permanente chamado Advisory Group on the Reliability of Electronic Equipment (AGREE).
No in´ıcio dos anos 1950 surgiu o IEEE Transactions on Reliability e o Proce-edings of the National Symposium on Reliability and Quality Control, resultado da preocupa¸c˜ao crescente com a confiabilidade.
Em 1965 o Departamento de Defesa americano emitiu a norma MIL-STD-785 - Reliability Programs for Systems and Equipment Development and Production, a qual tornou obrigat´oria a integra¸c˜ao de um programa de atividades de Engenharia de Confiabilidade com as atividades de engenharia tradicionais de projeto, desen-volvimento e produ¸c˜ao.
Na d´ecada de 1970, a an´alise de confiabilidade se consolidou em diversas ´
areas, com destaque para o ramo da engenharia nuclear. Ainda nesta d´ecada, sur-giram os primeiros programas computacionais com modelos de an´alise de confiabi-lidade.
Nos anos 80, os pa´ıses que eram dominantes em tecnologia de ponta im-plementaram definitivamente as t´ecnicas da an´alise de confiabilidade nos diversos setores da engenharia, partindo do projeto at´e a utiliza¸c˜ao de equipamentos.
2.2
Conceitos Matem´
aticos e Express˜
oes B´
asicas
Esta se¸c˜ao est´a baseada nos trabalhos de Lafraia (2014) [1] e Fogliatto (2009) [6], e na Norma NBR 5462:1994 [4].
Na Se¸c˜ao 2.1 foi dada a seguinte defini¸c˜ao para confiabilidade: ‘capacidade de um item executar adequadamente sua fun¸c˜ao, por um determinado per´ıodo de tempo e sob condi¸c˜oes operacionais preestabelecidas.’. Esta defini¸c˜ao traz uma vis˜ao qualitativa ao entendimento do que ´e confiabilidade, entretanto, ´e muito comum a necessidade de se conceituar a confiabilidade olhando por um perfil quantitativo, isto ´e, matematicamente.
Desta forma, matematicamente, podemos definir confiabilidade como: pro-babilidade de um item executar adequadamente sua fun¸c˜ao, por um determinado per´ıodo de tempo e sob condi¸c˜oes operacionais preestabelecidas. Ao confrontar esta defini¸c˜ao com a primeira defini¸c˜ao de confiabilidade (se¸c˜ao 2.1), a semelhan¸ca ´e bem evidente, exceto pela introdu¸c˜ao da palavra ‘probabilidade’. Ou seja, para aborda-gem matem´atica da confiabilidade, ser´a feita uma conceitua¸c˜ao probabil´ıstica.
Reitero que o foco deste trabalho est´a direcionado `a abordagem qualita-tiva dos conhecimentos e estudos sobre confiabilidade, suas t´ecnicas, ferramentas e aplica¸c˜oes. Mas, devido `a grande importˆancia e aplicabilidade dos conceitos
ma-tem´aticos que tamb´em sustentam a base de um estudo de confiabilidade, ´e impor-tante que pelo menos as principais fun¸c˜oes matem´aticas sejam apresentadas a fim de se formar uma base mais completa e s´olida sobre Confiabilidade. ´E isto que estar´a disposto a seguir nesta se¸c˜ao.
2.2.1
Vari´
aveis Aleat´
orias
Se o parˆametro X de um evento probabil´ıstico que est´a sendo medido (por exemplo, taxa de falha de um componente, intervalo de tempo de reparo etc.) varia aleatoriamente no tempo e/ou espa¸co, ent˜ao, este parˆametro X ´e definido como uma vari´avel aleat´oria. Uma vari´avel aleat´oria pode ser definida como uma vari´avel cont´ınua ou discreta.
Uma vari´avel aleat´oria discreta ´e aquela que pode assumir somente um n´umero discreto de estados ou determinado n´umero de valores. Uma vari´avel aleat´oria con-tinua ´e aquela que pode assumir um n´umero infinito de valores dentro de um certo intervalo poss´ıvel.
2.2.1.1 Aplicando-se `a Confiabilidade
Para uma an´alise probabil´ıstica da confiabilidade ´e necess´ario definir, dentre os parˆametros que comp˜oem a confiabilidade, qual deles ser´a utilizado como vari´avel aleat´oria. Para isto, devemos, previamente, apresentar o conceito de tempo at´e falha. Desta forma:
Tempo at´e falha de um item, equipamento etc., ´e conceituado como o tempo que se transcorreu desde o momento que o mesmo entrou em opera¸c˜ao at´e a ocorrˆencia de sua primeira falha. Por conven¸c˜ao, o tempo t = 0 ´e considerado o instante de in´ıcio da opera¸c˜ao.
´e adotado como a vari´avel aleat´oria no estudo da confiabilidade, sendo representada por T.
2.2.2
Fun¸
c˜
ao Densidade de Probabilidade
Se X ´e uma vari´avel aleat´oria cont´ınua, a Fun¸c˜ao Densidade de Probabilidade de X ´e uma fun¸c˜ao f (x), de forma que para dois n´umeros reais a e b, com a ≤ b, tem-se que:
P (a < x ≤ b) = Z b
a
f (x)dx (2.1)
2.2.2.1 Fun¸c˜ao Distribui¸c˜ao Acumulada
A Fun¸c˜ao Distribui¸c˜ao Acumulada ´e a fun¸c˜ao F (x) de uma vari´avel aleat´oria X definida para um n´umero real x da seguinte forma:
F (x) = P (X ≤ x) = Z x
−∞
f (x)dx (2.2)
Isto ´e, para um dado valor de x, F (x) ´e a probabilidade de que o valor observado de X seja no m´aximo x.
2.2.2.2 Aplicando-se `a Confiabilidade
Como exemplificado na Se¸c˜ao 2.1 para o caso de uma lˆampada el´etrica, o tempo at´e falha pode ser medido como n´umero de horas at´e a falha ou n´umero de acionamentos, por exemplo. Pode tamb´em, de acordo com a dinˆamica do que est´a sendo estudada, esse tempo ser medido em dias, horas, ciclos, acionamentos etc. Ou seja, o tempo at´e falha nem sempre ´e medido de forma cont´ınua, podendo assumir
valores discretos, como por exemplo, o n´umero de ciclos at´e a falha.
Mesmo ciente do fato de o tempo at´e falha poder assumir valores discretos, para manter os prop´ositos deste trabalho, ser´a considerada uma vari´avel aleat´oria T distribu´ıda continuamente e que apresenta densidade de probabilidade dada por f (t) e fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao dada por:
F (t) = P (T ≤ t) = Z t
0
f (t)dt (2.3)
A fun¸c˜ao F (t) indica, assim, a probabilidade de falha de um equipamento ou item num per´ıodo de tempo menor ou igual a t.
A densidade de probabilidade f (t) ´e definida pela f´ormula 2.4.
f (t) = d dtF (t) = lim∆t→0 F (t + ∆t) − F (t) ∆t = lim ∆t→0 P (t < T ≤ t + ∆t) ∆t (2.4)
Para valores pequenos de ∆t, pode ser feita a aproxima¸c˜ao mostrada em 2.5.
P (t < T ≤ t + ∆t) ≈ f (t).∆t (2.5)
A Figura 2.1 representa graficamente a fun¸c˜ao densidade de probabilidade f (x) e a fun¸c˜ao distribui¸c˜ao acumulada F (x) de uma vari´avel aleat´oria cont´ınua.
(a) Fun¸c˜ao de probabilidade acumulada (b) Fun¸c˜ao densidade de propabilidade
Figura 2.1: Fun¸c˜oes de probabilidade
2.2.3
Confiabilidade
Da Se¸c˜ao 2.2, a confiabilidade foi definida como probabilidade de um item ou sistema cumprir sua fun¸c˜ao com sucesso, por um per´ıodo de tempo previsto, sob condi¸c˜oes de opera¸c˜ao especificadas.
Para os prop´ositos desta se¸c˜ao em espec´ıfico iremos adotar a nomenclatura Confiabilidade ou Fun¸c˜ao Confiabilidade, cuja representa¸c˜ao matem´atica a ser ado-tada ´e R(t)3.
Supondo um n´umero n de equipamentos em opera¸c˜ao e sem substitui¸c˜ao, ent˜ao, depois de transcorrido um per´ıodo de tempo t, o n´umero de equipamentos sobreviventes e em falha s˜ao ns(t) e nf(t), respectivamente.
n = ns(t) + nf(t) (2.6)
A confiabilidade de um equipamento ´e dada como a sua probabilidade acu-mulada de sucesso, isto ´e, ausˆencia de falhas. Desta forma, para um tempo t, a
3A letra R ´e utilizada em decorrˆencia da tradu¸c˜ao da palavra confiabilidade em inglˆes,
fun¸c˜ao confiabilidade R(t) ´e: R(t) = ns(t) ns(t) + nf(t) = ns(t) n (2.7) ou, alternativamente: R(t) = 1 − nf(t) n (2.8)
Seja F (t) a probabilidade de falha no tempo t, ent˜ao:
F (t) = nf(t) nf(t) + ns(t)
= nf(t)
n (2.9)
Tamb´em escrevendo de forma alternativa:
F (t) = 1 − ns(t)
n (2.10)
Desta forma, das equa¸c˜oes acima, como esperado, visto `a complementaridade das fun¸c˜oes R(t) e F (t), temos que
F (t) + R(t) = 1 (2.11)
Considerando a vari´avel aleat´oria T definida na Se¸c˜ao 2.2.2.2, a fun¸c˜ao con-fiabilidade em um tempo t ´e expressa da seguinte maneira:
R(t) = P (T > t) (2.12)
est˜ao relacionadas como na equa¸c˜ao 8, podendo ser rearranjadas da seguinte forma utilizado a equa¸c˜ao 3: R(t) = 1 − F (t) = 1 − Z t 0 f (t)dt (2.13)
Da´ı tem-se que:
R(t) = Z +∞
t
f (t)dt (2.14)
Assim, a fun¸c˜ao R(t) indica a probabilidade de um equipamento ou item n˜ao apresentar falhas num per´ıodo de tempo menor ou igual a t.
2.2.4
Taxa de Falhas
Falha ´e a perda da fun¸c˜ao ou a incapacidade de um item executar sua fun¸c˜ao a um n´ıvel requerido. Taxa de falha ou taxa de falha instantˆanea λ(t) ´e a rela¸c˜ao entre o total de componentes em falha e o n´umero de componentes remanescentes no instante de tempo t.
A taxa de falhas ou fun¸c˜ao de risco pode ser interpretada como a quantidade de risco que est´a associada a um determinado item no tempo t. A taxa de falha ´e conhecida tamb´em como taxa de risco.
A taxa de falha pode ser derivada com o uso de conceitos de probabilidade condicional, conforme descrito a seguir.
Considerar, inicialmente, a probabilidade de falha entre t e t + ∆t, dada por:
P (t ≤ T < t + ∆t) =
Z t+∆t
t
Condicionando no evento ao item estar operando no tempo t, tem-se a se-guinte express˜ao:
P (t ≤ T < t + ∆t|T ≥ t) = P (t ≤ T < t + ∆t)
P (T ≥ t) =
R(t) − R(t + ∆t)
R(t) (2.16)
Uma taxa de falha m´edia no intervalo (t, t + ∆t) ´e obtida dividindo-se a equa¸c˜ao 3.9 por t. Supondo ∆t → 0, obt´em-se a taxa de falha instantˆanea ou, simplesmente, taxa de falha, dada por:
λ(t) = lim ∆t→0 R(t) − R(t + ∆t) R(t).∆t = − R0(t) R(t) = f (t) R(t), t ≥ 0 (2.17)
A taxa de falha deve satisfazer `as seguintes condi¸c˜oes:
R∞ 0 λ(t)dt = +∞ ∀t ≥ 0 λ(t) ≥ 0 (2.18)
2.2.4.1 Fun¸c˜ao de Falha Acumulada
A fun¸c˜ao de confiabilidade R(t) e a fun¸c˜ao densidade f (t) podem ser derivadas a partir da fun¸c˜ao de risco, como ser´a demonstrado a seguir.
Utilizando a equa¸c˜ao 2.17 como ponto inicial, tem-se que:
λ(t) = −R
0(t)
R(t) = − d
Como, por defini¸c˜ao, R(0) = 1, temos que: Z t 0 λ(t)dt = − ln R(t) (2.20) R(t) = exp − Z t 0 λ(t)dt (2.21)
A partir da equa¸c˜ao 2.17 e do resultado mostrado na equa¸c˜ao 2.21, ´e poss´ıvel que a seguinte rela¸c˜ao seja estabelecida entre a fun¸c˜ao densidade f (t) e a taxa de falhas: f (t) = λ(t). exp − Z t 0 λ(t)dt , t ≥ 0 (2.22)
Integrando-se a fun¸c˜ao de risco sobre um per´ıodo de tempo, obt´em-se a Fun¸c˜ao de Falha Acumulada, λ(t), que ´e dada como:
H(t) = Z t
0
λ(t)dt, t ≥ 0 (2.23)
A Fun¸c˜ao de Falha Acumulada fornece uma forma alternativa de representar a taxa de falha, mostrando-se na forma de uma fun¸c˜ao n˜ao-decrescente no tempo. En-tretanto, de maneira an´aloga `as fun¸c˜oes de distribui¸c˜ao F (t), a maioria das fun¸c˜oes de falha acumulada se assemelha na forma, independente da distribui¸c˜ao que modela os tempos at´e falha.
2.2.5
Classifica¸
c˜
ao da Taxa de Falhas
A unidade de medida da taxa de falhas ´e, geralmente, dada em termos de falhas por unidade de tempo. A forma da taxa de falhas λ(t) ´e um indicativo de
como o ´e o processo de envelhecimento do item.
A taxa de falha tem trˆes classifica¸c˜oes b´asicas, estas s˜ao:
• Taxa de Falha Crescente: onde o risco de falhas do item cresce com o tempo;
• Taxa de Falha Decrescente: onde o risco de falhas do item decresce com o tempo;
• Taxa de Falha Constante: onde o risco de falha do item ´e constante ao longo de um determinado tempo.
Lafraia (2014) [1] em seu texto diz que equipamentos e produtos manufatu-rados costumam apresentar a taxa de falha λ(t) dada pela ocorrˆencia sucessiva das trˆes classifica¸c˜oes acima, como mostrado na Figura 2.2.
Figura 2.2: As trˆes classifica¸c˜oes das falhas
A curva da Figura 2.2 ´e muito conhecida em atividades de gest˜ao da manu-ten¸c˜ao, ´e chamada de Curva da Banheira. Na se¸c˜ao 2.4, esta curva ser´a detalhada.
2.2.6
Resumo das Fun¸
c˜
oes
A Tabela 2.1 apresenta uma resumo das fun¸c˜oes empregadas nas an´alises aqui apresentadas.
Tabela 2.1: Resumo das fun¸c˜oes
f (t) R(t) λ(t) H(t) f (t) – ∞ R t f (t)dt ∞f (t) R t f (t)dt − ln ∞ R t f (t)dt R(t) -dR(t)dt – -dR(t)dt R(t)1 -ln[R(t)] λ(t) λ(t).e[− Rt 0λ(t)dt] e[− Rt 0λ(t)dt] – Rt 0λ(t)dt H(t) H0(t).e−H(t) e−H(t) H(t) –
2.2.7
Rela¸
c˜
ao Gr´
afica entre as Principais Fun¸
c˜
oes
2.3
Exemplo de Aplica¸
c˜
ao
Um determinado fabricante de lˆampadas el´etricas interessado em avaliar as caracter´ısticas de confiabilidade de seu produto avaliou uma amostra de 39 unidades num laborat´orio fazendo-as operar de acordo com as condi¸c˜oes de projeto, isto ´e, suas condi¸c˜oes adequadas de funcionamento.
Na avalia¸c˜ao, o fabricante testou o n´umero de dias at´e falha das lˆampadas el´etricas numa condi¸c˜ao de uso cont´ınuo e obteve os seguintes resultados:
Tabela 2.2: Tempo at´e falha (unidade de tempo: dias)
20,1 115,3 332,6 750,7 20,4 116,9 378,6 771,1 21,5 190,9 417,4 907 32,5 191,8 433,1 952,2 35,3 219,2 522,4 1072,4 56 234,5 560,4 1168,4 63,6 235,7 577 74,1 253,3 581,7 78,1 254,2 662,6 82 256,4 668,9 98,7 267,2 702,7
Ap´os a coleta de dados, o estudo indicou que os tempos at´e falha das lˆampadas el´etricas eram melhor descritos por uma distribui¸c˜ao exponencial.
A distribui¸c˜ao exponencial ´e muito comum em estudos de confiabilidade de equipamentos eletro-eletrˆonicos. Sua FDP gen´erica ´e dada por:
f (x) = αe−αx p/ x ≥ 0 0 p/ x < 0 (2.24)
Para a confiabilidade, sua FDP adota a nota¸c˜ao:
f (t) = λe−λt (2.25)
Desta forma, de acordo com os dados obtidos dos testes:
f (t) = 0, 0027e−0,0027t
A partir dos dados coletados, vamos ver as informa¸c˜oes que s˜ao poss´ıveis de se obter:
Primeiramente, em posse da fun¸c˜ao de densidade de probabilidade f (t), po-demos determinar a fun¸c˜ao confiabilidade R(t) das lˆampadas atrav´es da equa¸c˜ao 2.14. R(t) = Z +∞ t f (t)dt = Z +∞ t 0, 0027e−0,0027tdt = −e−0,0027t +∞ t = e −0,0027t
Com a fun¸c˜ao confiabilidade determinada ´e poss´ıvel obter informa¸c˜oes como, por exemplo, a probabilidade das lˆampadas n˜ao falharem nos primeiros 200 dias de opera¸c˜ao. Da seguinte forma:
Para determinar a probabilidade de sucesso do item para os primeiros 200 dias de opera¸c˜ao, precisamos calcular R(t) para t = 200, assim:
R(200) = e−0,0027.200= 0, 58
F (t) = 1 − R(t) = 1 − 0, 58 = 0, 42
Interpretando esses resultados, tem-se que dentro do per´ıodo dos primeiros 200 dias de opera¸c˜ao cerca de 58% dos itens funcionar˜ao como o esperado e que 42% falhar˜ao.
Caso este percentual de itens sobreviventes esteja em acordo com o projetado pelo fabricante, indica que o produto est´a funcionando como esperado. Caso esteja reduzido, indica que os itens estejam com baixo n´ıvel de confiabilidade, sinalizando a poss´ıvel existˆencia de problemas no projeto ou no processo de produ¸c˜ao.
A taxa de falhas (fun¸c˜ao de risco) que ´e um ´ındice important´ıssimo para os estudos de confiabilidade tamb´em pode ser determinado, sendo assim:
λ(t) = f (t) R(t) =
0, 0027e−0,0027t
e−0,0027t = 0, 0027
A taxa de falhas λ(t) apresentou como resultado um valor num´erico constante, ou seja, a taxa de falhas n˜ao varia de acordo com o tempo de opera¸c˜ao. Isso indica que as falhas ocorrem de forma aleat´oria.
Um outro parˆametro que ´e muito utilizado nos estudos de confiabilidade ´e o MTTF4, que ´e calculado pela f´ormula 2.26:
M T T F = Z +∞
0
R(t)dt (2.26)
Aplicando-se ao problema em quest˜ao, tem-se que:
4MTTF: Sigla que significa, em inglˆes, Mean Time to Failure, ou, em portuguˆes, Tempo M´edio
Para Falha. O MTTF ´e principalmente atribu´ıdo a itens que n˜ao s˜ao pass´ıveis de reparo, j´a para
M T T F = Z +∞ 0 R(t)dt = Z +∞ 0 e−0,0027tdt = − 1 0, 0027e −0,0027t +∞ 0 = 1 λ
Desta forma, o MTTF, para um item onde os tempos at´e falha s˜ao descritos por uma distribui¸c˜ao exponencial, ´e o inverso da taxa de falhas.
Sendo assim, as lˆampadas deste fabricante possuem o seguinte MTTF:
M T T F = 1 λ = 1 0, 0027 ∼ = 370
Isto ´e, para os itens em quest˜ao o tempo m´edio at´e que uma falha ocorra ´e de aproximadamente 370 dias de opera¸c˜ao.
Estes s˜ao exemplos de informa¸c˜oes que podem ser obtidas com o uso das f´ormulas de confiabilidade apresentadas na se¸c˜ao 2.2 e que s˜ao muito ´uteis e impor-tantes num estudo de confiabilidade quantitativo.
2.4
A Curva da Banheira
A curva da banheira representa, de uma forma geral, as fases da vida ´util de um componente e/ou equipamento. Na figura 2.4 est´a a representa¸c˜ao da curva da banheira.
Figura 2.4: A Curva da Banheira [1]
Como visto na figura 2.4, a curva da banheira ´e apresentada com trˆes divis˜oes bem demarcadas, que representam os trˆes per´ıodos de vida caracter´ısticos de um componente: per´ıodo de mortalidade infantil, per´ıodo de vida ´util e per´ıodo de desgaste ou fim de vida ´util.
O per´ıodo de mortalidade infantil ´e onde ocorrem as falhas prematuras e tem perfil decrescente com o tempo, isto ´e, apresenta, com passar do tempo, di-minui¸c˜ao na probabilidade de ocorrˆencia de falhas. Esta diminui¸c˜ao ocorre quando os problemas de projeto, fabrica¸c˜ao, instala¸c˜ao, opera¸c˜ao e manuten¸c˜ao v˜ao sendo gradualmente eliminados, muitas vezes por substitui¸c˜ao por melhores componentes, treinamentos de equipe etc. Alguns exemplos de falhas neste per´ıodo s˜ao: pro-cesso de fabrica¸c˜ao deficiente, controle de qualidade ineficiente, falta de qualifica¸c˜ao na opera¸c˜ao e/ou manuten¸c˜ao, excesso de carga, materiais fora de especifica¸c˜ao, erro humano.
O per´ıodo de vida ´util ´e caracterizado por ter uma taxa de falhas constante, n˜ao variando `a medida que o componente envelhece dentro deste per´ıodo. Normal-mente essas falhas s˜ao causadas por eventos aleat´orios e muitas vezes imprevis´ıveis. Alguns exemplos de causas de falha neste per´ıodo s˜ao: sobrecargas acidentais, er-ros de opera¸c˜ao e/ou manuten¸c˜ao, fator de seguran¸ca insuficiente, falhas n˜ao de-tect´aveis pelas t´ecnicas preditivas e os programas de manuten¸c˜ao preventiva, causas inexplic´aveis e pontuais e at´e fenˆomenos naturais n˜ao previstos.
No per´ıodo final, de desgaste ou fim de vida ´util, `a medida que o equipamento est´a envelhecendo, h´a o cont´ınuo crescimento da taxa de falhas, ou seja, a proba-bilidade de ocorrˆencia falhas. S˜ao causas deste per´ıodo: desgaste, fadiga, corros˜ao, manuten¸c˜ao insuficiente ou deficiente, vida de projeto muito curta.
2.5
Falhas
´
E comum que se pense que a melhor maneira de otimizar a disponibilidade de um determinado item ou at´e mesmo de uma planta industrial ´e atrav´es da ado¸c˜ao de uma rotina s´olida de algum tipo de manuten¸c˜ao preventiva, que consiste, geralmente, na substitui¸c˜ao e recondicionamento de itens e/ou equipamentos em intervalos fixos e predeterminados.
Na figura 2.5, tem-se uma ilustra¸c˜ao que exemplifica essas rotinas de ma-nuten¸c˜ao preventiva por substitui¸c˜ao peri´odica. Considera-se que a maioria dos equipamentos opera de forma confi´avel durante um determinado per´ıodo de tempo e, ap´os este per´ıodo, tem in´ıcio um per´ıodo de desgaste.
Atrav´es de uma adequada an´alise estat´ıstica de falhas e dos dados obtidos, se ´e capaz de determinar o tempo de vida dos componentes, de forma que medidas de preven¸c˜ao possam ser adotadas a fim de se evitar as poss´ıveis falhas que viriam a ocorrer devido ao envelhecimento e ao desgaste.
Figura 2.5: Tempo de vida [1]
Olhando para os dias atuais, an´alises estat´ısticas mostram que a natureza das falhas tem sofrido consider´aveis mudan¸cas de acordo com a evolu¸c˜ao da com-plexidade dos equipamentos. A figura 2.6 representa algumas curvas de falhas que podem ser observados em componentes diversos que est˜ao dispon´ıveis atualmente nos sistemas industriais.
Figura 2.6: Curvas de falha [1]
• Curva de Falha A: a tradicional curva da banheira, descrita na se¸c˜ao 2.4.
bem acentuada.
• Curva de Falha C: taxa de falhas continuamente crescente e sem zona de desgaste definida.
• Curva de Falha D: baixa taxa de falha no per´ıodo inicial de atividade, ou seja, equipamento novo e/ou rec´em-sa´ıdo da f´abrica, com taxa de falha constante ao longo de toda a sua vida.
• Curva de Falha E: falhas aleat´orias ao longo do tempo de vida do equipamento.
• Curva de Falha F: alta taxa de falha no per´ıodo inicial de atividade e, em seguida, assume um regime constante de falhas.
Hoje, o pensamento de que a confiabilidade est´a diretamente associada ao tempo de atividade de um dado equipamento caiu por terra, salvo em casos es-pec´ıficos e com modos de falha predominantemente dependentes do tempo. Por-tanto, n˜ao h´a uma rela¸c˜ao direta entre a idade do equipamento e a sua confiabilidade associada. (Lafraia, 2014).
Isto quer dizer que manuten¸c˜oes programadas podem, na realidade, aumentar a taxa de falhas de um item pela introdu¸c˜ao de falhas prematuras que n˜ao existiam no sistema. No entanto, isto n˜ao se traduz no abandono das rotinas de manuten¸c˜ao.
Para falhas que n˜ao apresentem maiores consequˆencias, as manuten¸c˜oes cor-retivas podem ser as mais eficazes. Para falhas que tenham consequˆencias mais graves, s˜ao necess´arios planejamento e gest˜ao para sua preven¸c˜ao e atenua¸c˜ao de seus efeitos. Em outras palavras, um plano de aplica¸c˜ao de t´ecnicas preditivas de manuten¸c˜ao ou de realiza¸c˜ao de manuten¸c˜ao preventiva tradicional.
2.5.1
Tipos de Falha
2.5.1.1 Falhas Relacionadas `a Idade
Componentes aparentemente iguais podem ter resistˆencia vari´avel `as cargas, visto que a resistˆencia `a carga diminui com o tempo de maneira diferente mesmo para componentes idˆenticos.
Pequenas varia¸c˜oes no uso podem levar a grandes diferen¸cas na vida de um equipamento, fazendo com que a previs˜ao das falhas seja extremamente dif´ıcil. Os gr´aficos das curvas de falha A e B (Figura 2.6) ilustram o comportamento da taxa de falhas de componentes que apresentam falhas relacionadas `a idade.
2.5.1.2 Falhas Aleat´orias
Componentes Simples
Contrariamente `as falhas relacionadas `a idade dos equipamentos, nas falhas aleat´orias, tem-se que:
• A degrada¸c˜ao nem sempre ´e proporcional `a tens˜ao aplicada.
• A tens˜ao nem sempre ´e aplicada consistentemente.
Figura 2.7: Falhas aleat´orias [1]
A figura 2.7-A, mostra uma situa¸c˜ao em que a resistˆencia ´e constante e a falha ocorre devido a um s´ubito aumento da tens˜ao aplicada. Por exemplo, uma placa de vidro caindo de uma altura de aproximadamente 3m, tornando-a totalmente inutiliz´avel.
Sobre causas, efeitos e preven¸c˜oes dessas falhas, Lafraia (2014) [1] diz o se-guinte:
“[...] a ‘preven¸c˜ao’ deste tipo de falha ´e feita tentando-se limitar
o aumento anormal das tens˜oes. A instala¸c˜ao de v´alvulas de
se-guran¸ca era uma tentativa de preven¸c˜ao dessa natureza. Muitas
eleva¸c˜oes de tens˜ao s˜ao causadas por erros humanos de operadores
de equipamentos (por exemplo, partido uma m´aquina muito
rapi-damente, acidentalmente invertendo a dire¸c˜ao de um mecanismo
de movimento, colocando carga muito rapidamente em um equi-pamento de processo etc.). Nestes casos de erro humano, para
evitar a eleva¸c˜ao da carga, o melhor m´etodo de preven¸c˜ao ´e o
treinamento. Outras cargas podem ser causadas por fatores
ex-ternos, como relˆampagos, terremotos, inunda¸c˜oes etc. Para estas
situa¸c˜oes, ´e pr´atica usual de projetar os componentes para
su-portar estas condi¸c˜oes extremas. Se isso inviabilizar o projeto,
medidas para redu¸c˜ao dos riscos podem ser indicadas”.
resistˆencia do item, entretanto, sem lhe causar uma falha. Por exemplo, ao cair com o carro num buraco na estrada, formou-se uma rachadura na estrutura da roda dianteira direita diminuindo sua resistˆencia, mas n˜ao causando perda de sua fun¸c˜ao. Conforme Lafraia (2014) [1], a reduzida resistˆencia torna o componente vulner´avel ao outro pico de carga, por qualquer raz˜ao.
Observando a figura 2.7-C, a ocorrˆencia de um pico de carga reduz tempo-rariamente a resistˆencia do componente que, logo depois, retorna a sua condi¸c˜ao inicial de resistˆencia. Por exemplo, objetos de materiais pl´asticos que se tornam mais flex´ıveis e amolecem com o aumento de temperatura e retomam sua resistˆencia quando resfriados.
Por fim, na figura 2.7-D, ´e mostrado o caso em que o pico de carga faz o processo de desgaste do item se acelerar, assim, reduzindo o seu tempo de vida.
Para Lafraia (2014) [1]:
“Quando isso ocorre, a rela¸c˜ao causa-efeito pode dificilmente ser
determinada, porque a falha pode ocorrer meses, ou mesmo anos,
ap´os o pico ter ocorrido. Este caso, geralmente, ocorre quando
parte de equipamentos s˜ao verificados na montagem (por
exem-plo, a montagem de um rolamento com desalinhamento). Para garantir a confiabilidade, nesses casos, preciso assegurar que a
manuten¸c˜ao ou instala¸c˜ao sejam executadas de maneira correta,
por pessoas treinadas e capacitadas”.
Nas quatro situa¸c˜oes expostas, n˜ao ´e poss´ıvel determinar quando as falhas ir˜ao ocorrer, por este motivo, estas s˜ao denominadas falhas aleat´orias. Voltando `a figura 2.6, os gr´aficos C, D, E e F exp˜oe o comportamento da taxa de falhas de itens que apresentam falhas aleat´orias.
Componentes Complexos
As situa¸c˜oes dadas na se¸c˜ao anterior s˜ao aplic´aveis para componentes razoa-velmente simples. Ao se considerar componentes complexos, a situa¸c˜ao se apresenta ainda mais imprevis´ıvel.
O aumento da complexidade ´e realizado na inten¸c˜ao de incrementar o de-sempenho e/ou a seguran¸ca atrav´es de: aplica¸c˜ao de novas tecnologias, melhores equipamentos de prote¸c˜ao, inser¸c˜ao de redundˆancias etc. Isto se traduz na seguinte rela¸c˜ao: melhores desempenho e seguran¸ca s˜ao resultado de maiores custos e com-plexidade, e se aplica para equipamentos e para a maioria das atividades industriais.
Sobre o aumento da complexidade e suas implica¸c˜oes, Lafraia (2014) [1] diz que:
“Aumento do n´umero de componentes que podem falhar e,
tamb´em, do n´umero de interfaces e conex˜oes entre componentes.
Isso, por sua vez, aumenta o n´umero e variedade das poss´ıveis
falhas. Por exemplo, muitas falhas mecˆanicas est˜ao relacionadas
com soldas e parafusos, enquanto falhas el´etricas envolvem
co-nex˜oes entre componentes. Quanto maior o n´umero de conex˜oes,
maior a probabilidade de falha”.
Isto mostra que componentes complexos est˜ao amplamente mais sujeitos a falhas aleat´orias que os componentes simples, portanto, o per´ıodo de desgaste, geral-mente, n˜ao se aplica nesses casos. Dessa forma, substitui¸c˜oes e recondicionamentos programados, isto ´e, ter apenas uma rotina manuten¸c˜ao preventiva, a fim de evitar falhas, podem ter pouca ou nenhuma efetividade.
2.6
Manuten¸
c˜
ao
Historicamente, as atividades de manuten¸c˜ao eram vistas como um ‘mal ne-cess´ario’ pelo corpo produtivo do setor industrial (Tavares, 1999). Por´em, mais recentemente, tendo in´ıcio nos anos 1980, esta postura frente `as atividades de ma-nuten¸c˜ao tem sido alterada, sendo considerada uma fun¸c˜ao estrat´egica para a cadeia produtiva nos mais diversos setores da ind´ustria.
Essa mudan¸ca no comportamento e vis˜ao do setor industrial se deu pela necessidade de se ter maior preocupa¸c˜ao com a qualidade, produtividade e confi-abilidade dos sistemas produtivos, enfatizando-se gradativamente mais os assuntos relacionados `a seguran¸ca, envelhecimento dos equipamentos e instala¸c˜oes, redu¸c˜ao de custos, redu¸c˜ao no tempo de parada de equipamentos etc.
Nesta se¸c˜ao, ser˜ao abordados conte´udos b´asicos e fundamentais sobre as pr´aticas de manuten¸c˜ao trazendo `a discuss˜ao os conceitos de manuten¸c˜ao em si e seus tipos, corretiva e preventiva.
2.6.1
O Conceito de Manuten¸
c˜
ao
Segundo Dicion´ario Aur´elio da L´ıngua Portuguesa [8], manuten¸c˜ao ´e definida como ”as medidas necess´arias para a conserva¸c˜ao ou a permanˆencia de alguma coisa ou de uma situa¸c˜ao ou cuidados t´ecnicos indispens´aveis ao funcionamento regular e permanente de motores e m´aquinas”.
Para a norma NBR 5462:1994 [4], manuten¸c˜ao ´e definida como a “combina¸c˜ao de todas as a¸c˜oes t´ecnicas e administrativas, incluindo as de supervis˜ao, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma fun¸c˜ao requerida”. De acordo com a NBR 5462:1994 [4], a manuten¸c˜ao pode incluir uma modifica¸c˜ao do item.
Segundo Dhillon (1982) [7], apud Raposo (2005) [9], manuten¸c˜ao ´e o conjunto de a¸c˜oes que devem ocorrer a fim de reparar um equipamento que tenha falhado, para uma condi¸c˜ao operacional satisfat´oria.
Para Tavares (1999) [10] manuten¸c˜ao s˜ao todas as a¸c˜oes necess´arias para que um item seja conservado ou restaurado de modo a poder permanecer de acordo com uma condi¸c˜ao especificada.
Desta forma, manuten¸c˜ao ´e o ato ou efeito de manter que, por sua vez, est´a relacionado `as a¸c˜oes que s˜ao necess´arias para garantir que um equipamento continue desempenhando as fun¸c˜oes para as quais foi projetado. Isto ´e, a manuten¸c˜ao tem como objetivo manter a fun¸c˜ao requerida de um item, sendo este, feito atrav´es de a¸c˜oes regulares que busquem este fim.
2.6.1.1 A Vis˜ao Distorcida da Manuten¸c˜ao
Como dito na se¸c˜ao 2.6, as atividades de manuten¸c˜ao eram vistas como um ‘mal necess´ario’ pelo corpo produtivo do setor industrial e esta vis˜ao tem sido alte-rada com o passar dos anos.
Apesar disso, mesmo nas corpora¸c˜oes modernas, nem sempre a atividade de manuten¸c˜ao ´e vista com a devida importˆancia, apresentando deficiˆencias no enten-dimento de seu conceito e utiliza¸c˜ao.
Xenos (2014) [11] escreveu que:
“[...], ainda h´a muitas ideias incorretas e formas de pensar
ultra-passadas sobre a essˆencia das atividades de manuten¸c˜ao e sobre
o seu gerenciamento. [...]. Parece que essas deficiˆencias de
enten-dimento – que encontramos tamb´em nos profissionais de
manu-ten¸c˜ao – s˜ao em grande parte respons´aveis pelos problemas de
re-lacionamento t˜ao comuns entre os departamentos de manuten¸c˜ao
e de produ¸c˜ao e pela forma como as atividades de manuten¸c˜ao
ainda s˜ao vistas em muitas empresas: uma dor de cabe¸ca sem
´
E comum e constante o uso da express˜ao ‘em manuten¸c˜ao’ no que se refere a uma atividade de reparo de um equipamento que apresentou quebra e apresenta recorrˆencia em defeitos e/ou falhas. Isso pode evidenciar um n˜ao-entendimento do conceito das atividades de manuten¸c˜ao. Para Xenos (2014) [11] a n˜ao ser que a¸c˜oes concretas estejam sendo tomadas de forma sistem´atica para evitar os defeitos e falhas, o reparo dos equipamentos depois que as ocorrˆencias anormais surgem n˜ao pode ser entendido como manuten¸c˜ao.
Desta forma, reitera-se o conceito de que as atividades de manuten¸c˜ao est˜ao associadas exclusivamente a se fazer um equipamento manter as suas condi¸c˜oes ori-ginais atrav´es de a¸c˜oes sistˆemicas que visam evitar a recorrˆencia de defeitos e falhas, manter a confiabilidade intr´ınseca do item, n´ıveis de seguran¸ca etc., assim, por con-sequˆencia, esquivando-se do n˜ao atendimento a sua fun¸c˜ao requerida originalmente.
2.6.2
Os Tipos de Manuten¸
c˜
ao
A manuten¸c˜ao ´e classificada de diversas formas, sendo as principais as manu-ten¸c˜oes corretiva e preventiva. h´a tamb´em o uso de express˜ao citando as manuten¸c˜oes preditiva. As Se¸c˜oes 2.6.2.1 a 2.6.2.3 est˜ao destinadas a detalhar o conceito destas classifica¸c˜oes da manuten¸c˜ao.
2.6.2.1 Manuten¸c˜ao Corretiva
Esse tipo de manuten¸c˜ao caracteriza-se pela sua execu¸c˜ao, que se d´a ap´os a ocorrˆencia de um defeito ou falha; envolvendo reparos, substitui¸c˜ao de pe¸cas ou de um equipamento completo, ou at´e mesmo a modifica¸c˜ao de projeto e fabrica¸c˜ao.
De acordo com a NBR 5462:1994 [4], manuten¸c˜ao corretiva ´e aquela “efetuada ap´os a ocorrˆencia de uma pane destinada a recolocar um item em condi¸c˜oes de executar uma fun¸c˜ao requerida”.
Uma das filosofias da manuten¸c˜ao5 corretiva, de acordo com Nem´esio Sousa (2017) [3], se pauta em “operar at´e surgir uma falha que interrompa o equipamento, ou ocorrer um defeito que provoque a perda, parcial ou total, da sua fun¸c˜ao opera-cional e que justifique a interven¸c˜ao”.
Desta forma, a frequˆencia da manuten¸c˜ao corretiva ´e determinada atrav´es da confiabilidade associada ao equipamento e n˜ao h´a possibilidade de ser totalmente planejada, ocorrendo normalmente de forma imprevista e indesejada.
Adotar a manuten¸c˜ao corretiva como o m´etodo principal para se manter um determinado sistema tem seus pr´os e contras. Do ponto de vista da manuten¸c˜ao, a corretiva pode at´e ser economicamente menos dispendiosa em rela¸c˜ao `a preven¸c˜ao de falhas nos equipamentos, mas, em compensa¸c˜ao, como n˜ao se pode prever os mo-mentos de ocorrˆencia das falhas do sistema, existe a possibilidade de haver paradas de produ¸c˜ao inesperadas, causando, assim, maiores preju´ızos.
2.6.2.2 Manuten¸c˜ao Preventiva
Nem´esio Sousa (2017) [3], mostra que, dentre os desafios da manuten¸c˜ao moderna na gest˜ao de equipamento e sistemas, destacam-se: minimizar a sua Indis-ponibilidade (INDI)6, manter alta a Disponibilidade (DISP)7 e a Confiabilidade
(CONF)8, baixar as Taxas de Falhas Observadas (TXFO)9, aumentar o Tempo
5Filosofia da manuten¸c˜ao: A NBR 5462:1994 [4] define que filosofia da manuten¸c˜ao ´e um
conjunto de princ´ıpios para a organiza¸c˜ao e execu¸c˜ao da manuten¸c˜ao.
6INDI: Probabilidade que um item n˜ao esteja dispon´ıvel para produzir
7DISP: Probabilidade que um item possa estar dispon´ıvel para utiliza¸c˜ao (oper´avel e confi´avel)
em um determinado momento ou durante um determinado per´ıodo de tempo, quando for solicitado
de forma aleat´oria
8CONF: Probabilidade de um item de desempenhar uma fun¸c˜ao requerida, sob condi¸c˜oes
estabelecidas
M´edio Entre Falhas (TMEF)10, diminuir o Tempo M´edio Para Reparo (TMPR)11, reduzir custos e, para as empresas de energia el´etrica, por exemplo, eliminar as fontes de multas por interrup¸c˜ao do fornecimento.
A manuten¸c˜ao preventiva tem como objetivo principal a conserva¸c˜ao do es-tado de opera¸c˜ao e disponibilidade de um equipamento ou sistema, por meio da pre-ven¸c˜ao da ocorrˆencia de defeitos ou falhas. Sua atividade est´a baseada em tarefas sistem´aticas, como inspe¸c˜oes, reformas, servi¸cos de limpeza, lubrifica¸c˜ao, calibra¸c˜ao etc. e, principalmente, trocas de pe¸cas. Vale ressaltar que ´e fundamental a presen¸ca de t´ecnicas de detec¸c˜ao, preven¸c˜ao e corre¸c˜ao de defeitos e falhas em est´agios iniciais na implementa¸c˜ao de um ecossistema preventivo.
Segundo Nem´esio Sousa (2017) [3], “manuten¸c˜ao preventiva ´e o conjunto das a¸c˜oes desenvolvidas sobre um equipamento ou um sistema, com programa¸c˜ao an-tecipada, dentro de uma periodicidade adequada, atrav´es de inspe¸c˜ao sistem´atica, detec¸c˜ao e de medidas necess´arias para evitar defeitos e falhas, com objetivo de mantˆe-lo operando, ou em condi¸c˜oes de operar, dentro das conformidades, isto ´e, especifica¸c˜oes. Pode ser organizada com base no tempo de opera¸c˜ao, tempo ca-lend´ario, condi¸c˜oes f´ısicas do equipamento, quando estas podem ser monitoradas etc.”
De acordo com a NBR 5462:1994 [4], manuten¸c˜ao preventiva ´e aquela que ´e “efetuada em intervalos predeterminados, ou de acordo com crit´erios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degrada¸c˜ao do funcionamento de um item”.
De forma semelhante `a manuten¸c˜ao corretiva, a manuten¸c˜ao preventiva tamb´em apresenta seus pr´os e contras. Se comparada `a manuten¸c˜ao corretiva, a manuten¸c˜ao
10TMEF: Para um per´ıodo estabelecido de tempo, ´e o valor m´edio do espa¸co de tempo entre
falhas consecutivas
11TMPR: Para um per´ıodo estabelecido de tempo, ´e o valor m´edio do tempo necess´ario para
preventiva tem custo mais elevado, pois para sua execu¸c˜ao ´e necess´aria a dispo-nibilidade de pe¸cas de reposi¸c˜ao, reparos de componentes antes de atingirem seu tempo de vida etc. Em compensa¸c˜ao, a frequˆencia de falhas diminui, aumentam-se as disponibilidades e confiabilidade dos equipamentos e reduzem-aumentam-se as paradas inesperadas na produ¸c˜ao.
Considerando uma vis˜ao geral sobre os dois tipos de manuten¸c˜ao j´a aborda-dos, Xenos (2014) [11] diz:
“[...], se considerarmos o custo total, em v´arias situa¸c˜oes a
ma-nuten¸c˜ao preventiva acaba sendo mais barata que a manuten¸c˜ao
corretiva, porque se tem dom´ınio das paradas dos equipamentos,
em vez de ficar sujeito `as paradas inesperadas por falhas nos
equi-pamentos”.
2.6.2.3 bManuten¸c˜ao Preditiva
Na se¸c˜ao 2.6.2.2 foi mencionado que o custo da manuten¸c˜ao preventiva ´e, normalmente, mais elevado em rela¸c˜ao `a manuten¸c˜ao corretiva, isso quando se leva em considera¸c˜ao apenas o custo da atividade de manuten¸c˜ao em si, visto que pe¸cas e componentes s˜ao substitu´ıdos e reformados antes de alcan¸carem seu tempo de vida ´
util.
Aperfei¸coar as t´ecnicas de detec¸c˜ao e acompanhamento do desgaste de uma ou mais pe¸cas (ou componentes), visando determinar o exato momento de intervir para troca ou reparo. Observar o equipamento para par´a-lo no momento certo; mi-nimizar as interven¸c˜oes; elaborar planos de troca e reforma de pe¸cas e componentes; estender os intervalos de manuten¸c˜ao; aumentar a disponibilidade; reduzir custos e determinar parˆametros preventivos adequados e pertinentes.
´
E nesse cen´ario, que permite prever quando um determinado item estar´a se aproximando do fim de sua vida ´util, que a ‘manuten¸c˜ao preditiva’ tem seu campo
de atua¸c˜ao.
Em outras palavras, a ‘manuten¸c˜ao preditiva’ ´e um meio de otimiza¸c˜ao da manuten¸c˜ao preventiva. Devido a este perfil, a express˜ao ‘t´ecnicas preditivas de manuten¸c˜ao’ ´e a certa a ser utilizada, em detrimento ao termo ‘manuten¸c˜ao predi-tiva’. Isso se d´a justamente porque sua vertente de atua¸c˜ao est´a inserida no contexto da obten¸c˜ao de parˆametros adequados para realizar a manuten¸c˜ao preventiva. Pode ser considerada como uma das atividades necess´arias para o estabelecimento de uma s´olida gest˜ao da manuten¸c˜ao.
As defini¸c˜oes de ‘manuten¸c˜ao preditiva’, segundo Mirshawka (1991) [12], est˜ao associadas a duas ‘filosofias’: manuten¸c˜ao condicional, que s˜ao as ativida-des de “manuten¸c˜ao preventiva, subordinadas a acontecimentos pr´e-determinados revelador do estado de degrada¸c˜ao do material - acompanhamento da especifica¸c˜ao - filosofia europeia”; e ‘manuten¸c˜ao preditiva’ (previsiva), que ´e o “tipo de manuten¸c˜ao condicional que permite reajustar as previs˜oes de manuten¸c˜ao atrav´es da an´alise da tendˆencia evolutiva do funcionamento n˜ao adequado detectado no equipamento e da estimativa do tempo poss´ıvel de continuar a utiliz´a-lo antes da falha - filosofia americana”. Essa estimativa ocorre a partir da an´alise peri´odica do estado do equipamento pelas t´ecnicas preditivas de manuten¸c˜ao.
Portanto a ‘manuten¸c˜ao preditiva’ ´e efetuada em fun¸c˜ao do estado do material e reveste-se totalmente de caracter´ısticas preventiva - intervir no equipamento antes que a falha ocorra e provoque uma avaria. Pode ser organizada com base no tempo de opera¸c˜ao, tempo calend´ario, condi¸c˜oes f´ısicas do equipamento etc. As t´ecnicas preditivas de manuten¸c˜ao tamb´em est˜ao associadas `a gest˜ao da preven¸c˜ao de falhas, isto ´e, s˜ao atividades que visam entender a falha e buscar solu¸c˜oes para as suas causas b´asicas. Implicam em solu¸c˜oes de engenharia para corre¸c˜ao de projetos, materiais, m´etodos de manuten¸c˜ao e/ou opera¸c˜ao etc.
possibilidade de se ter o m´aximo proveito da vida ´util de componentes, programando-se a substitui¸c˜ao e reparo somente das pe¸cas comprometidas do equipamento ou sistema. Por outro lado, para sua aplica¸c˜ao se faz necess´ario o acompanhamento rotineiro de itens, uso de recursos computacionais com instrumentos espec´ıficos e profissionais especializados, acarretando o aumento nos custos.
A Tabela 2.3 mostra os principais tipos de manuten¸c˜ao.
Tabela 2.3: Principais Tipos de Manuten¸c˜ao [3]
2.6.2.4 Vis˜ao Estrat´egica
Ao se levar em considera¸c˜ao a distribui¸c˜ao do tempo para falha dos itens que est˜ao sob manuten¸c˜ao e o comportamento da taxa de falhas do sistema, a efic´acia e economia das atividades de manuten¸c˜ao podem ser maximizadas, como mostrado nesse item.
Se o item apresenta como caracter´ıstica uma taxa de falhas decrescente com o tempo, ao se fazer uma substitui¸c˜ao, a probabilidade de falha ser´a aumentada, conforme pode ser visto na figura 2.8.
Figura 2.8: Substitui¸c˜ao em taxa de falhas decrescente [1]
Para uma taxa de falhas constate no tempo, a substitui¸c˜ao n˜ao influenciar´a a taxa de falhas, considerando uma substitui¸c˜ao bem executada e com caracter´ısticas que se enquadram nas especifica¸c˜oes necess´arias. A figura 2.9 ilustra essa situa¸c˜ao.
Figura 2.9: Substitui¸c˜ao em taxa de falhas constante [1]
J´a, se a taxa de falhas tiver comportamento de crescimento ao longo do tempo, a substitui¸c˜ao, poder´a, teoricamente, melhorar a confiabilidade do sistema, mesmo que executada a qualquer tempo (ver figura 2.10).
Figura 2.10: Substitui¸c˜ao em taxa de falhas crescente [1]
Segundo Lafraia (2014) [1] esse processo de otimiza¸c˜ao das substitui¸c˜oes em a¸c˜oes de manuten¸c˜ao preventiva deve ser pautado no conhecimento de parˆametros bem definidos, estes s˜ao:
1. Tempo para falha dos principais modos de falha;
2. Efeitos de todos os modos de falha;
3. Custo da falha;
4. Custo da substitui¸c˜ao programada;
5. Efeito da manuten¸c˜ao sobre a confiabilidade;
Para os casos onde os defeitos ou falhas necessitam de ensaios, testes ou inspe¸c˜oes para sua detec¸c˜ao, h´a de se considerar ainda:
1. Taxa de propaga¸c˜ao de defeitos capaz de causas a falha;
´
E importante tamb´em se conhecer a curva de desgaste do equipamento a fim de se determinar o tempo ´otimo para as a¸c˜oes de manuten¸c˜ao, caso contr´ario pode haver as implica¸c˜oes ilustradas na figura 2.11.
Figura 2.11: Tempo ´otimo de substitui¸c˜oes [1]
Utilizando-se do entendimento e da vis˜ao estrat´egica que se pode obter das figuras 2.8, 2.9 e 2.10 para fazer a an´alise da figura 2.11, tem-se que, se a manu-ten¸c˜ao preventiva for executada no intervalo [t1, t0], vai ocorrer o aumento da taxa
de falhas. Pode-se concluir que a a¸c˜ao foi prematura, ou seja, foi executada antes que houvesse real necessidade de interven¸c˜ao. J´a para o tempo [t2, t3], a taxa de
falhas j´a se encontrava muito elevada, indicando que a manuten¸c˜ao preventiva se deu tardiamente. Por fim, tem-se o intervalo [t0, t2], que ´e considerado ideal para a
execu¸c˜ao da manuten¸c˜ao preventiva, uma vez que n˜ao se observa o aumento da taxa de falhas, e ela ainda n˜ao se encontra com grande eleva¸c˜ao.
Lafraia (2014) [1] diz que este enfoque sistem´atico para o planejamento da manuten¸c˜ao - levando-se em conta aspectos de confiabilidade - ´e denominado Manu-ten¸c˜ao Centrada em Confiabilidade (MCC). Este tema ser´a abordado para melhor detalhamento na se¸c˜ao 2.7.
2.7
Manuten¸
c˜
ao Centrada em Confiabilidade - MCC
Nos ´ultimos 30 anos, a gest˜ao da manuten¸c˜ao tem sofrido muitas mudan¸cas. Estas mudan¸cas tˆem sido causadas pelo grande aumento na variedade de equipa-mentos, plantas e empreendiequipa-mentos, com designs mais complexos e que necessitam da aplica¸c˜ao de novas t´ecnicas para seu gerenciamento, bem como mudan¸cas de pensamento no planejamento, programa¸c˜ao e controle da manuten¸c˜ao.
´
E nesse cen´ario de enfrentamento de tantas mudan¸cas no ramo da manu-ten¸c˜ao que a MCC faz sua atua¸c˜ao, transformando o relacionamento entre as em-presas, os equipamentos, os operadores e mantenedores.
Nessa se¸c˜ao ser´a apresentada a filosofia por de tr´as da MCC. Inicialmente, ser´a feita uma r´apida retomada hist´orica sobre o desenvolvimento da manuten¸c˜ao a fim de tornar clara a sua evolu¸c˜ao e as diferen¸cas entre o passado e o presente. A seguir, ser˜ao discutidos, brevemente, os passos necess´arios para a implanta¸c˜ao da MCC.
2.7.1
As Gera¸
c˜
oes da Manuten¸
c˜
ao
Com o prop´osito de definir solidamente a Manuten¸c˜ao Centrada em Confia-bilidade ´e necess´ario, antes, saber em qual cen´ario ela est´a inserida a fim de facilitar a fixa¸c˜ao de seu conceito.
Moubray (1997) [13] diz que:
“Desde a d´ecada de 1930, a evolu¸c˜ao da manuten¸c˜ao pode ser
tra¸cada atrav´es de trˆes gera¸c˜oes. A Manuten¸c˜ao Centrada em
Confiabilidade est´a rapidamente se tornando o pilar da Terceira
Gera¸c˜ao, mas essa gera¸c˜ao pode apenas ser enxergada em