Responsabilidade dos administradores de sociedades

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A responsabilidade civil dos administradores perante sócios e terceiros: o conceito de dano diretamente causado do artigo 79º do Código das Sociedades Comerciais

A responsabilidade civil dos administradores perante sócios e terceiros: o conceito de dano diretamente causado do artigo 79º do Código das Sociedades Comerciais

Cândido Lemos, cujo relatório refere que: “Os requisitos que se exigem, cumulativamente, para que o credor social possa exercer o direito à indemnização, são: - Que o facto do administrador ou gerente constitua uma inobservância culposa de disposições legais destinadas à proteção dos interesses dos credores sociais; - Que o património social se tenha tornado insuficiente para a satisfação dos respetivos créditos”; pelo acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 29 de Novembro de 2007, relatado pelo Desembargador José Ferraz, cujo relatório menciona que: “A responsabilidade dos gerentes pelos danos causados a terceiro exige, deste modo, a presença de todos os requisitos de que, nos termos do artigo 483º, nº1 do C. C[ivil], depende a obrigação de indemnizar – inobservância da disposição legal (destinada a proteger o interesse dos credores, a culpa, o dano do credor e a causalidade entre a violação do dever legal e o dano (importando que o dano se tenha produzido no âmbito de proteção da norma). Acresce a necessidade da atuação dos gerentes ser determinante da insuficiência do património social para a satisfação dos respetivos créditos. Requisitos a serem demonstrados pelo credor lesado – arts. 342º, nº1 e 487º, nº1 do C. C[ivil]” e, principalmente, o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa de 19 de Dezembro de 2007, relatado pelo Desembargador Santos Geraldes, acórdão que defendeu que para que os administradores fossem responsabilizados perante os credores da sociedade não seria suficiente “o mero preenchimento dos requisitos gerais do art. 483º, nº1, do Código Civil”, acrescentando que seria necessário que se “verifi[casse], especificamente, a violação de normas de proteção dos credores e que essa violação [fosse] causa de insuficiência patrimonial (art. 78º, nº1, do C.S.C.)”.
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Das modalidades de prestação de caução pelos administradores – O seguro de responsabilidade civil

Das modalidades de prestação de caução pelos administradores – O seguro de responsabilidade civil

O contrato de seguro de responsabilidade civil afigura-se, numa primeira análise, a modalidade de contrato, cujos requisitos permitem dar resposta às exigências de um contrato de seguro destinado a caucionar a responsabilidade dos administradores de sociedades anónimas. Determina o disposto no n.º 1 do artigo 483.º do CC que, “Aquele que, com dolo ou mera culpa, violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação”. Ora, neste sentido, o administrador que, por ação ou omissão, violar os seus deveres, provocando danos à sociedade, aos credores, aos sócios e a quaisquer terceiros, incorrerá em responsabilidade, apurada nos termos gerais da responsabilidade civil. Decorre, outrossim, de diversas normas do CSC que os administradores respondem pelos danos que culposamente causarem à sociedade, aos credores, aos sócios e a terceiros. Seguindo tal entendimento, propugnamos que o contrato de seguro de responsabilidade civil se coaduna com os objetivos enunciados, na medida em que o mesmo visa cobrir “o risco de constituição, no património do segurado, de uma obrigação de indemnizar terceiros”, conforme consta do disposto no artigo 137.º do Regime Jurídico do Contrato de Seguro, aprovado pelo DL n.º 72/2008, de 16 de abril.
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A aplicabilidade do seguro de responsabilidade civil de administradores e diretores...

A aplicabilidade do seguro de responsabilidade civil de administradores e diretores...

vontade do ente coletivo. No relacionamento com terceiros, é a própria sociedade anônima que se obriga, inexistindo, em consequência, qualquer razão capaz de justificar o comprometimento pessoal do administrador e de seu patrimônio particular em virtude dos atos praticados como representante da companhia, ressalvadas as exceções previstas em lei, quer no diploma que rege as sociedades por ações, que na legislação especial.” GUERREIRO, José Alexandre Tavares, Responsabilidade dos Administradores de Sociedades Anônimas, in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, ano XX (nova série), nº 42, São Paulo: RT, 1981, p. 73. Neste mesmo sentido, vide BULGARELLI, Waldirio. Apontamentos sobre a responsabilidade dos administradores das companhias, in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro nº 50, abr-jun/1983, p. 87.
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Responsabilidade pessoal dos administradores e sócios por atos praticados em nome da sociedade e desconsideração da personalidade jurídica

Responsabilidade pessoal dos administradores e sócios por atos praticados em nome da sociedade e desconsideração da personalidade jurídica

Esses casos, entretanto, vêm sendo ampliados desmesuradamente no Brasil, especialmente pela Justiça do Trabalho, que vem de certa maneira e inadvertidamen- te usurpando as funções do Poder Legislativo, visto que enxergam em disposições legais que regulam outros institutos jurídicos fundamento para decretar a desconsi- deração da personalidade jurídica, sem que a lei apontada cogite sequer dessa hipó- tese, sendo grande a confusão que fazem entre os institutos da co-responsabilidade e solidariedade, previstos, respectivamente, no Código Tributário e na legislação societária, ocorrendo a primeira (co-responsabilidade) nos casos de tributos deixa- dos de ser recolhidos em decorrência de atos ilícitos ou praticados com excesso de poderes por administradores de sociedades, e a segunda (solidariedade) nos casos em que genericamente os administradores de sociedades ajam com excesso de poderes ou pratiquem atos ilícitos, daí por que, não obstante a semelhança de seus efeitos, a matéria está a exigir diploma processual próprio, em que se firmem as hipóteses em que a desconsideração da personalidade jurídica possa e deva ser decretada.
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O dever de cuidado dos administradores: uma perspetiva atual do governo das sociedades anónimas

O dever de cuidado dos administradores: uma perspetiva atual do governo das sociedades anónimas

americana para demonstrar como este tema tem sido abordado. Primeiramente, apontamos a decisão proferida em Caremark, que transferiu para o conselho de administração o ónus de implementar e avaliar a adequação dos controlos internos e sistemas de informação e reporte, levando em consideração o ambiente legal e económico da empresa. Em Caremark, a Corte abraçou o modelo de um conselho de administração que atua ativamente e deu indícios da intenção de impor a responsabilidade aos diretores que falhassem no dever de investigar e questionar os detalhes das transações. Em Stone, a Suprema Corte de Delaware reformulou o standard estabelecido em Caremark utilizando o seguinte teste: haverá responsabilização dos administradores se verificada: 1) a falha total em implementar qualquer sistema de informação e reporte; ou se 2) na existência de tais sistemas e de controlos, conscientemente falhem na monitorização ou vigilância das operações. O chanceler William Allen da Corte de Chancelaria de Delaware afirmou, obter dictum, na decisão do caso Caremark, que desde Graham ficou reconhecida a seriedade do papel do conselho de administração na gestão da empresa. Ele especificamente citou a decisão Smith v. Van Gorkom e Paramount Communications v. QVC como uma evidência dessa mudança de comportamento. Em Van Gorkom, QVC e sucessores, a Corte sustentou um elevado standard of review: 1) passou a exigir do Conselho a demonstração de um engajamento razoável na investigação e deliberação antes de aprovação de certas operações da empresa. Similarmente, o conselho deve executar suas responsabilidades na monitorização das atividades da corporação; 2) estabeleceu a inerente necessidade de existência de sistemas de informação. Deixou consignado que os sistemas de informação e reporte
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Dos crimes contra o sistema financeiro nacional: a responsabilidade penal dos administradores de cooperativas de crédito

Dos crimes contra o sistema financeiro nacional: a responsabilidade penal dos administradores de cooperativas de crédito

paradigma do Estado Democrático de Direito. Revista de Direito Comparado. Belo Horizonte: Mandamento, 1999, v. 3, p, 110. “A autonomia privada [...] era um espaço isolado no qual o burguês poderia exercer a tão desejada liberdade contratual e amealhar patrimônio através da ampla faculdade de estipular contratos e adquirir propriedade, sem que o ordenamento jurídico (leia- se sociedade) pudesse interferir no exercício da atividade econômica do cidadão”. Requer-se “uma reformulação do conceito de autonomia privada, não mais como mera emanação do princípio da livre iniciativa, situada exclusivamente na esfera da ordem econômica - Constituição Federal - CF (BRASIL, 1988, art. 170,), porém como derivação do princípio da dignidade da pessoa humana” (FARIAS, 2011, p. 2). No mesmo sentido, Carvalho Netto: “com a chegada das sociedades hipercomplexas da era da computação ou pós-industrial, as relações tornaram-se extremamente complexas e fluidas. Nesse contexto, a relação entre o público e o privado é novamente rediscutida, as associações da sociedade civil passam a representar o interesse público contra um Estado privatizado ou omisso. Surge, nesse iter, os chamados interesses ou direitos difusos, que compreendem os direitos do consumidor, ambientais, entre outros ” (CARVALHO NETTO, 1999, p, 110).
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As sociedades por quotas por responsabilidade limitada: a noção de responsabilidade tributária no direito brasileiro e no direito português

As sociedades por quotas por responsabilidade limitada: a noção de responsabilidade tributária no direito brasileiro e no direito português

Na presente obra o autor aborda a questão da responsabilidade tributária no Direito Brasileiro e no Direito Português, com especial enfoque para a legislação, doutrina e jurisprudência dos dois países. Para a análise do tema proposto, dentre os tipos societários existentes, foi escolhida a sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ou simplesmente sociedade limitada, na terminologia adotada pelo novo Código Civil. Ponto importante a ser abordado no presente trabalho é referente ao ônus da prova, isto é, a quem compete demonstrar que a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, quando não honrados pelas empresas, deve ser suportada pelos seus sócios e administradores. Relevante também se mostra a discussão da teoria de desconsideração da pessoa jurídica - a disregard doctrine - através da qual se torna possível levantar o véu que encobre a pessoa jurídica, e responsabilizar o sócio, pessoa física, pela prática de atos contrários à lei, em especial o não pagamento de tributos. A definição de infração à lei, bem como a que tipo de lei se refere o nosso ordenamento jurídico, no que toca ao não pagamento dos tributos no prazo devido, é matéria que será enfrentada com destaque, dada a sua importância para a solução da controvérsia. O trabalho foi desenvolvido tendo em vista o caráter sistêmico do tema, eis que não inserido apenas no campo do Direito Tributário, mas também no Direito Constitucional, Direito Civil, Direito Comercial.
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A responsabilidade dos administradores societários no processo de insolvência: em especial o incidente de qualificação de insolvência

A responsabilidade dos administradores societários no processo de insolvência: em especial o incidente de qualificação de insolvência

Insolvência, in: O Direito, II, Ano 142.º, p. 941, considera que “a autonomia das causas penais e das ações referidas no n.º [3] do artigo 82.º […] concretiza-se na circunstância de a decisão factual proferida no incidente vincular o juiz dessas causas e na inexistência de uma relação de prejudicialidade entre a qualificação jurídica decidida no incidente e essas mesmas causas”, o mesmo autor considera ainda que “no incidente de qualificação estamos perante um conceito de culpa específico e cujos fundamentos não se reconduzem aos normais quadros da responsabilidade civil aquiliana, da responsabilidade civil contratual ou da responsabilidade dos administradores das sociedades comerciais perante a sociedade, os sócios e os credores”. Para Frada, Carneiro, A responsabilidade.. op. cit., p. 672 a “independência da ação de responsabilidade civil em relação ao incidente da qualificação da insolvência tem consequências. Assim, o caso julgado absolutório (de culpa) neste incidente (quando se decidiu, portanto, pelo caráter fortuito da insolvência) não atinge as ações de responsabilidade civil. Mas as últimas também não aproveitam do caso julgado condenatório” considerando-a assim de “exacerbada”. Neste sentido, vd. AcRelPorto 22 maio 2007 (Mário Cruz), em que se considera que o incidente de qualificação foi alvo de uma “divisão maniqueísta” quanto à sua forma (culposa ou fortuita). O mesmo sucede no direito espanhol, no art. 163.º, n.º 2 da LC.
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A Responsabilidade Civil dos Gerentes e Administradores pelo pagamento das coimas e multas imputáveis à sociedade

A Responsabilidade Civil dos Gerentes e Administradores pelo pagamento das coimas e multas imputáveis à sociedade

Todavia, importa diferenciar o conceito de sujeito passivo direto e indireto, uma vez que muitas vezes o sujeito passivo responsável pelo pagamento do tributo não é aquele que efetivamente paga. Assim os sujeitos passivos diretos serão todos aqueles que detém uma relação pessoal e direta ao facto tributário. Diferentemente os sujeitos passivos indiretos, serão aqueles que não detendo uma relação direta e pessoal com o facto tributário, são responsáveis pela entrega do tributo, como é o caso dos administradores nos termos do artigo 24.º da LGT. Cfr. José Casalta NABAIS, Direito Fiscal, 7.ªEd., Coimbra Almedina, 2013, pp. 240 a 243. A doutrina tem por isso entendido que o sujeito passivo engloba o devedor originário, os substitutos, nos termos do artigo 20.º da LGT e os responsáveis tributários, sendo que estes últimos ainda se dividem em responsáveis solidários, nos termos do artigo 21.º da LGT e subsidiários nos termos do artigo 22.º do mesmo diploma legal. Podemos indicar como exemplos de substitutos a situação prevista no artigo 21.º do Código do Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares. Como exemplos de responsáveis solidários podemos apontar a responsabilidade solidária dos sócios nas sociedades em que a responsabilidade dos sócios é ilimitada.
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A responsabilidade civil dos administradores de companhias abertas não financeiras por danos causados à sociedade e aos acionistas e o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários brasileiro

A responsabilidade civil dos administradores de companhias abertas não financeiras por danos causados à sociedade e aos acionistas e o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários brasileiro

responsabilidade civil contra administradores de companhias abertas é perniciosa, na medida em que pode desencadear o fenômeno das strike suits Tal fenômeno, originado nos EUA, consistia na propositura desenfreada e abusiva de ações de responsabilidade civil com vistas à obtenção de benefícios pessoais. Assim, certos indivíduos tornaram-se litigantes profissionais: detectavam falhas na administração de determinadas companhias, adquiriam ações destas companhias, e desta forma, celebravam acordos altamente vantajosos, em detrimento do interesse social. Tratava-se, destarte, de modalidade de abuso de poder por parte da minoria. O risco de que a criação do referido incentivo possa desencadear fenômeno similar ao das strike suits norte- americanas, no entanto, não nos parece significativo. Conforme mencionado no início deste trabalho, o Brasil, ao contrário dos EUA, apresenta baixos volumes de ações de responsabilidade civil contra administradores de companhias abertas. Ademais, o art. 246, § 2 o , já prevê modalidade de incentivo, e nem por isso notamos um aumento na propositura de ações de responsabilidade contra sociedades controladoras.
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Informação privilegiada e a responsabilidade dos gerentes e administradores

Informação privilegiada e a responsabilidade dos gerentes e administradores

A primeira regulação do insider trading enquanto crime surge em 1980 com o Companies Act, porém a grande regulação surge em 1985 com o Insider Dealing Act (doravante IDA). É neste último que surge a categorização entre insiders primários (administradores das sociedades) e insiders secundários (todos os restantes, como sejam os funcionários das sociedades, pessoas que lhe possam prestar serviços, consultores, advogados ou até mesmo qualquer outra pessoa que possa ter acesso a informação que apenas se encontra circunscrita à sociedade emitente). Para além desta definição, o IDA oferece ainda a definição de tippee, nos termos da qual este será sempre um agente que, de algum modo, tenha obtido essa informação mediante conhecimento desta por um insider (este será, assim, o ponto de ligação) 45 .
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A responsabilidade subsidiária tributária dos gerentes e administradores no regime da LGT: a sua reversão

A responsabilidade subsidiária tributária dos gerentes e administradores no regime da LGT: a sua reversão

Verifica-se que a função dos gestores é um cargo de alto risco, por vezes imprevisíveis, porque envolve responsabilidade pelo acautelamento dos interesses dos sócios, responsabilidade nas questões laborais, interesses dos consumidores e nas questões ambientais e um acautelamento do que é devido por lei aos cofres do Estado. Deste modo todas as manifestações de acções dos gerentes ou administradores estão associadas, ao conceito da responsabilidade, e que por sua vez, tendo atribuído um cargo a determinado sujeito de gerir ou administrar uma empresa, este deve estar ciente de que não é apenas uma regalia, mas sim um dever de governá-la com precisão e princípio da responsabilidade, da transparência e de boa fé. A própria lei estabelece art. 64º do Código das Sociedades Comerciais (CSC), aos gerentes e administradores deveres fundamentais no qual estão vinculados a um particular obrigação de actuar como um gestor criterioso e ordenado em todas as diligências praticadas.
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O dever de não concorrência dos administradores nas sociedades comerciais

O dever de não concorrência dos administradores nas sociedades comerciais

A inexistência da previsão de consentimento ulterior ao início do exercício das funções de gerência, nas situações em que tenha sido deliberado uma nova actividade de uma sociedade de responsabilidade ilimitada, não deve ser vista como um obstáculo à consagração da previsão normativa neste tipo de sociedades. Caso contrário, estar-se-ia perante uma incoerência sistemática. Por um lado, estar-se-ia a proteger o administrador relativamente à actuação que este vem a desenvolver antes de entrar na sociedade. Por outro lado, estaríamos a sujeitá-lo ao livre arbítrio da sociedade mediante qualquer alte- ração superveniente do objecto social, ao não conferir um prazo razoável findo o qual seria possível proteger-se da alteração ou da modificação da actividade da sociedade depois de este ter iniciado as suas funções junto da mesma. Para esta situação, deverá
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Responsabilidade civil dos administradores na insolvência

Responsabilidade civil dos administradores na insolvência

Como nos reportamos acima, o interesse social amiúde está relacionado ao interesse patrimonial dos sócios, logicamente pelo critério do risco empresarial assumido pelos investidores. Os sócios são, portanto, “proprietários” da empresa e de que são eles quem, através da sociedade, estabelece uma relação contratual com os administradores. Seguidamente, no mesmo raciocínio, não haverá dúvidas de que os administradores deverão, no exercício de suas funções, prosseguir o interesse da sociedade: diga-se, o interesse comum dos sócios. Assim, podemos ministrar da leitura da lei que o dever de lealdade dos administradores é com relação à sociedade como tal. Os gestores passarão a ter, em primeira linha, o dever de tentar adotar a solução que melhor compatibilize todos os interesses em confronto e, como esta será em princípio difícil de alcançar, subsidiariamente, o dever de ponderar bem os interesses, de forma a evitar, em última instância, que a satisfação dos interesses dos sócios (que se mantêm os interesses prevalentes) seja perseguida para lá daquilo que é razoável ou eticamente admissível ou, por outras palavras, «seja obtida com o sacrifício intolerável, desnecessário ou desproporcionado de algum dos interesses dos outros grupos de sujeitos» Cfr. S ERRA , Catarina. “O novo Direito das Sociedades: para uma governação socialmente responsável”, Scientia Iuris, vol. 14, Londrina, 2010, p. 165. O interesse dos sócios – diga-se na sua forma individualizada -, não deverá ser atendível, mas sim o interesse social (interesse comum dos sócios), tampouco, vê-se, que o interesse dos stakeholders é garantido na norma como expressão do dever de lealdade, mas percebe-se o seu escopo residual, pautado na eticidade empresarial. Cfr. V EIGA , Fábio da Silva. O interesse social... ob. cit., p. 5-6.
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Deveres e responsabilidade dos administradores da sa

Deveres e responsabilidade dos administradores da sa

“infeliz foi a lei das sociedades anônimas, ao conceder um verdadeiro Bill de indenidade aos administradores culposos, no § 6º. do art. 159, dispondo que: “O juiz poderá reconhecer a exclusão da responsabilidade do administrador, se convencido de que este agiu de boa-fé e visando ao interesse da companhia”. Pela sistemática geral do direito das obrigações, são fatores excludentes de responsabilidade apenas a “força maior” e o “caso fortuito”; agora, devem ser acrescidos, em tema de sociedade anônima, também a “boa-fé” e o “fim visado”. Seria ridículo, não fosse triste, e parece mesmo ser ambas as coisas, tal dispositivo, que ensejará por certo, tendo em vista a tendência sempre benévola dos nossos magistrados, que nenhum administrador de companhia, de ora em diante, venha a ser responsabilizado.” 189
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SHIRLEY MESCHKE MENDES FRANKLIN DE OLIVEIRA A INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA E SEUS REFLEXOS NA RESPONSABILIDADE CIVIL DOS ADMINISTRADORES DAS

SHIRLEY MESCHKE MENDES FRANKLIN DE OLIVEIRA A INTERNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA E SEUS REFLEXOS NA RESPONSABILIDADE CIVIL DOS ADMINISTRADORES DAS

Diante de todo o exposto, concluímos que a abertura do comércio internacional ajudou vários países a crescer muito mais rapidamente do que teriam crescido sem essa abertura. O comércio internacional ajuda o desenvolvimento econômico quando as exportações de um país impulsionam seu crescimento econômico. Graças à globalização, assim entendida como a aceleração da integração econômica entre os países, a expectativa de vida em todo o mundo aumentou bastante, e o padrão de vida melhorou. A globalização, como afirma Joseph E. Stiglitz, reduziu a sensação de isolamento que muitas das nações em desenvolvimento sentiam um século atrás, e deu acesso a um conhecimento que estava além do alcance de muitas pessoas nesses países – até mesmo dos mais ricos em qualquer país 201 . Com isso, as empresas passaram por inúmeras transformações. A competição aumentou e para que pudessem sobreviver muitas delas tiveram de optar pela captação de recursos mais baratos, optando pelo mercado de capitais, que, por sua vez, se desenvolveu em todo o mundo. Além disso, as sociedades se modernizaram, já não são comandadas pelos próprios
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As empresas em sociedades contemporâneas: a responsabilidade social no Norte e no Sul.

As empresas em sociedades contemporâneas: a responsabilidade social no Norte e no Sul.

associaram as iniciativas de responsabilidade so- cial da empresa com propostas para racion alizar (reduzir) custos, aumentar as vantagens competiti- vas e admin istrar os riscos e a repu tação de su as empresas. As repercu ssões in tern acion ais de al- guns indicadores sociais (incidentes de trabalh o, trabalh o infantil, trabalh o forçado, entre outros), ao proporcionarem uma imagem desfavorável, le- varam algumas empresas brasileiras a priorizar seu envolvimento em algumas áreas específicas, entre as quais a pobreza, a violência, a educação e a pro- teção ao meio ambiente. A responsabilidade social da empresa torn ou -se, assim, parte de u ma estra- tégia mais ampla de legitimidade, uma maneira de limpar a imagem maculada dos empresários e das empresas, considerados por muitos como respon- sáveis pela concentração da riqueza e pelo caráter cada vez mais especu lativo dos in vestimen tos fi- nanceiros. Em outras palavras, muitas empresas e seus dirigentes brasileiros utilizaram-se do lema da responsabilidade social da empresa para restabele- cer a confiança dos trabalhadores – aqueles que ti- nham permanecido empregados – após as signifi- cativas fusões, reestruturações e modernizações in- ternas para aumentar sua competitividade e, sobre- tudo, consolidar a fidelidade dos consumidores e a aceitação da coletividade. Numa época de merca- dos de trabalho flexíveis e de desregulamentação dos cu stos da mão-de-obra, a respon sabilidade social permite às empresas amen izar os efeitos desses processos.
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OS PROCESSOS DE AUTONOMIA E DESCENTRALIZAÇÃO À LUZ DAS TEORIAS DE REGULAÇÃO SOCIAL

OS PROCESSOS DE AUTONOMIA E DESCENTRALIZAÇÃO À LUZ DAS TEORIAS DE REGULAÇÃO SOCIAL

O argumento de Fukuyama (1992) é que a democracia liberal, a tolerância que ela traz consigo e a riqueza que a torna possível removeram a vontade de lutar por grandes causas, Estamos afundados em conforto. Quando competimos é pela taça do mundo ou por medalhas de ouro, objectivos que não produzem grandes ideais, nem alimentam revoluções. Sentimo-nos contentes no conforto. Quando o progresso científico e económico levar cada vez mais sociedades à fase do contentamento veremos o fim da História. “… O fim da História será muito triste. A luta pelo reconhecimento, a disposição para arriscar a própria vida por um objectivo puramente abstracto, a luta histórica a nível mundial que provocou audácia, coragem, imaginação e idealismo serão substituídos por cálculos económicos, pela resolução sem fim de problemas tecnológicos, pelas preocupações ambientais, e pela satisfação das exigências do consumidor sofisticado. No período pós-histórico não haverá nem arte, nem filosofia, apenas a guarda e cuidado perpétuos do museu da historia humana.
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NOTAS ACERCA DO CRIME DE FURTO DE COISA COMUM

NOTAS ACERCA DO CRIME DE FURTO DE COISA COMUM

De lege lata, é possível adotar duas importantes restrições a essa interpretação: pri- meira, caso a coisa não tenha sido formal e expressamente — i.e., por um ato jurídico solene — incorporada ao patrimônio da pessoa jurídica, não se configura o crime de furto simples, mas o furto de coisa comum (a circunstância da transferência propriedade de bens móveis se dar pela mera tradição, não exigindo ato solene, não ilide o fato de que a incorporação de um bem móvel ao patrimônio de uma sociedade exige ato solene); e segunda, no caso de empresa individual de responsabilidade limitada (introduzida pela lei 12.441, de 2011, cf. art. 980-A e segs., Código Civil), não há crime contra o patrimônio, eis que o único sócio é dono da totalidade das cotas sociais. De lege ferenda, seria desejável que a redação do art. 156 CP fosse alterada para incluir
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QUEM ACESSA E QUEM VIOLA DIREITOS HUMANOS NA TUTELA JURISDICIONAL DO STF?  Juliana Ribeiro Brandão

QUEM ACESSA E QUEM VIOLA DIREITOS HUMANOS NA TUTELA JURISDICIONAL DO STF? Juliana Ribeiro Brandão

Ocorrências com pessoas jurídicas de direito privado, envolvendo associações, sociedades e empresas de responsabilidade limitada no polo passivo da ação. 10 Poder Legislati[r]

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