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LISTA DE SIGLAS UTILIZADAS

3) O tipo “expert idea generator” tem a sua origem na pesquisa de Minor, Smith, Bracker (1992) e Roberts (1991) Estes empreendedores também podem ser

1.4. A Abordagem Processual – A Visão dos Gestores

Das três perguntas fundamentais levantadas por Stevenson e Jarillo (1990), faltava responder ao How: ”How are new firms established?”, “How is the entrepreneur acting?” (Fayolle, 2002).

Como já referido, o aparecimento desta corrente é justificada pela idéia, cada vez mais aceite, da existência de uma grande diversidade de situações empresariais e na criação de empresas (Fayolle, 2002). De facto, os empresários e os seus projetos empresariais são diferentes uns dos outros. Esta visão é, contudo, bastante recente na história, embora nas últimas três decadas, muitos autores tenham proposto a concentração da investigação sobre o estudo do processo empreendedor (Gartner, 1985; Gartner, 1988, Stevenson & Jarillo, 1990; Bygrave & Hofer, 1991; Van de Ven, 1992; Bruyat, 1993; Bouchikhi, 1993; Gartner, 1993; Bruyat, 1994; Fayolle, 1996; Landstrom, 1998; Hernandez, 1999; Bruyat & Julien, 2001).

Bygrave e Hofer (1991, p. 14) definem o processo empreendedor da seguinte forma: “The entrepreneurial process involves all the functions, activities and actions associated

with the perceiving of opportunities and the creation of organisations to pursue them”.

Um dos primeiros a destacar-se na área das ciências empresariais, foi Penrose (1959) que considerava o papel dos empreendedores inportante na introdução e na aceitação de novas ideias em nome da empresa (Duarte, 2008).

Peter Druker, um dos pensadores de gestão mais influentes de sempre, centra-se igualmente na noção de oportunidade, mas, para ele, não é necessário que os empreendedores causem a mudança, mas antes explorem as oportunidades que a mudança cria na tecnologia, na preferência dos consumidores, nas normas sociais, etc. Estas mudanças rápidas afetam também as organizações públicas sem fins lucrativos, que precisam de ser ainda mais empreendedoras e inovadoras do que qualquer outra empresa (Duarte, 2008). É esta ideia muito clara que fica na sua obra Innovation and Entrepreneurship, de 1985, referindo-se à criação da universidade moderna como o melhor exemplo da história do empreendedorismo (Nogueira, 2009).

Drucker (1985) dissocia a figura do empresário da do empreendedor, já que os últimos inovam no seu trabalho e empresa e não se limitam à gestão operacional dos negócios. Para o autor, o empreendedor não é um iluminado e o espírito empreendedor não é uma característica de personalidade, qualquer indivíduo pode aprender a comportar-se de forma empreendedora.

O empreendedor é para Druker (1985), aquele que pratica a inovação sistematicamente, isto é, procura de forma deliberada e organizada oportunidades.

Segundo Peter Drucker (1986, p. 25), “[…] inovação é o instrumento especifico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente.” A inovação pode ocorrer em um negócio existente, em uma instituição pública, ou em um empreendimento iniciado por um único individuo na cozinha da família.

Druker (1986) afirma ainda que o meio ambiente em que o empreendedor está inserido é também importante, salientando que o surgimento da economia empreendedora é um evento tanto cultural e psicológico, quanto económico ou tecnológico.

Resumidamente, o empreendedorismo é visto como um processo criativo associado a inovações, que resulta da interação entre os elementos ligados ao individuo e os elementos

ligados ao meio ambiente. O empreendedorismo não trata apenas de pequenas empresas, de novos empreendimentos e da criação de novos produtosou serviços, mas, sim, inovações em todos os âmbitos do negócio (produtos,processos, negócios e/ou ideias).

O processo empreendedor é definido por Bygrave e Hofer (1991, p.14) da seguinte forma: “O processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações associadas com a perceção de oportunidades e a criação de empreendimentos para persegui-los”.

Alguns autores (Gartner, 1985; Bygrave, 1997) elaboraram quadros conceptuais ou modelos para descrever o fenómeno, dando origem a duas correntes de pensamento distintas que procuram explicar o processo empreendedor.

A primeira, iniciada por Gartner, defende que o estudo do empreendedorismo deve centrar-se sobre a análise do nascimento de novas organizações, chamada emergência organizacional (Fayolle, 2002).

O fenómeno do empreendedorismo integra no modelo de Gartner (1985), designado pelo “modelo de Gartner de quatro dimensões”, as principais perspetivas da criação de novos empreendimentos: o empreendedor, o processo de abrir a empresa, a própria empresa e o ambiente que os cercam e influenciam. Cada uma das dimensões relaciona-se com as outras. Por exemplo, o empreendedor age influenciado pelo ambiente, pela empresa em formação e pelo processo de criação do novo negócio (Scheel, 2009).

Fonte: Adaptado de Scheel, 2009.

Figura 3 - Uma estrutura para descrever a criação de um novo negócio (Gartner, 1985) Empresa em formação Indivíduo Ambiente Processo Condições Nacionais

Gartner ao contrário de Drucker, sustenta que não há uma real diferença entre o conceito de empreendedor e o de proprietário de uma pequena empresa (Araújo, 1988) e que devemos concentrarmo-nos no estudo do processo de criação de empresas, abstraindo-nos do estudo do comportamento do empreendedor, já que este varia ao longo do tempo e por não ser suscetivel de prever e compreender com nenhum dos instrumentos atuais (Carland et al., 2000).

Esta corrente de pensamento foi criticada por alguns autores (Shane & Venkataraman, 2000; Davidsson, Low & Wright, 2001; Wiklund, Dahlqvist & Havnes, 2001) por se interessar na criação de organizações em detrimento do empreendedorismo, esquecendo que o processo de criação de uma nova organização por clonagem, duplicação ou por transferência da atividade não é uma forma de empreendedorismo (Fayolle, 2002).

A segunda corrente de pensamento de Shane e Venkataraman (2000) sustenta que o empreendedorismo está diretamente ligado à identificação e exploração de oportunidades económicas e definem o campo do empreendedorismo como o campo de estudo que procura compreender como as oportunidades que geram novos produtos e serviços são descobertas, criadas e exploradas, por quem e com que consequências. Esta perspetiva, como a anterior, refere-se à emergência, mas aqui é entendida como o surgimento de novas atividades económicas, não estando necessariamente ligada ao surgimento de uma nova organização.

Para Pacheco (2009, p. 13): “tanto a emergência organizacional como a oportunidade empreendedora baseiam-se na emergência (nascimento), embora esta última se baseie na emergência de uma nova atividade económica, enquanto a primeira aponta para a emergência de uma nova organização.”

Carland, Hoy & Carland (1988) sugerem de forma metafórica que, não se pode compreender a dança sem compreender o dançarino, por muito difícil que se avizinhe a tarefa. O empreendedor é apontado por Carland et al. (2000), como sendo o núcleo do empreendedorismo. O processo empreendedor é iniciado por um ato de vontade humana.

Segundo as conclusões do relatório “Nature or nurture? Decoding the DNA of the

entrepreneur” da Ernst & Young (2011) a construção de um empreendimento de sucesso

depende não só das características dos empreendedores mas também da complexa interação dos fatores internos e externos, incluindo o timing, geografia, cultura e algumas vezes sorte.

A formação e a experiência profissional também são apontadas como vitais para o sucesso dos empreendedores. No gráfico 1 podemos visualizar os fatores de sucesso mais identificados pelos empreendedores no relatório.

Gráfico 1 – Fatores de sucesso mais identificados pelos empreendedores

Fonte: Adaptado do relatório “Nature or nurture? Decoding the DNA of the entrepreneur”

Os inqueridos e entrevistados concordam que existem três desafios principais para criar e fazer crescer um negócio: financiamento (existem cada vez mais barreiras no acesso ao crédito bancário), pessoas (encontrar as pessoas certas para executar a visão estratégica do empreendedor) e know-how.

Como podemos visualizar no gráfico 2, o financiamento é apresentado como o desafio mais importante dos três.

0 33% 30% 26% 21% 16% 13% 12% 11% 9% 5%

Experiência como empregado Educação superior Mentores Familia Cofundadores Educação secundária Colegas Pertencer ao quadro de executivos nivel C (o mais

elevado)

Amigos Investidores

Gráfico 2 – Maiores desafios para um arranque de sucesso

Fonte: Adaptado do relatório “Nature or nurture? Decoding the DNA of the entrepreneur”

Para além do já referido, o estudo realizado pela Ernst & Young considera um erro considerar os empreendedores inerentemente diferentes dos gestores tradicionais. Os resultados apontam que a experiencia profissional, cultura e ambiente externo são mais importantes que as características pessoais inatas. Simplificando, a educação é mais importante do que a natureza na formação da mentalidade empreendedora.

Com base na literatura apresentada, podemos resumir o processo empreendedor nas seguintes expressões; organização, criação de mais-valia, inovação e criação de novas atividades.

No entanto, Bruyat e Julien (2001) chegaram à conclusão que, apesar do contributo para o conhecimento do empreendedorismo de todos esses trabalhos, por causa das suas características específicas, o campo do empreendedorismo, continua a ser um dos mais dificeis de estudar de um ponto de vista metodologico.