V. A organização da Administração Pública Portuguesa
3. A actividade administrativa de direito público
a) Advertência escrita; b) Anulação da validade de actos do processo formativo; c) Suspensão do reconhecimento até ao período máximo de um ano; d) Revogação do reconhecimento.
6. A aplicação das sanções previstas no número anterior, da competência do IMTT, I. P., rege ‑se por critérios de adequabilidade e de proporcionalidade.
7. As decisões que apliquem sanções referidas no n.º 5 são impug‑
náveis nos termos gerais.]
b) Sanções administrativas especiais
Para além das sanções aplicáveis à generalidade das pessoas, há san‑
ções especiais, que podem ser sectoriais (aplicáveis no âmbito de sectores privados sujeitos a regulação especial, nos domínios económico, social e cultural, como a banca, seguros, telecomuni‑
cações, saúde, segurança social, ensino), disciplinares (violação de deveres no âmbito das "relações especiais de direito administrativo") e contratuais (no âmbito de relações contratuais administrativas).
2.3.5. A actividade administrativa sancionatória suscita a necessidade de estabelecer garantias substanciais e procedimentais dos particulares, que em grande medida são inspiradas pelo direito penal: princípio da legalidade, princípio da tipicidade, princípio da culpa, princípio da au‑
diência prévia, princípio da tutela judicial efectiva e em prazo razoável.
Devem, contudo ter ‑se em conta as diferenças entre as sanções adminis‑
trativas e as sanções penais, atendendo especialmente a que a administração não visa fazer justiça, mas assegurar a realização do interesse público.
São problemas específicos neste domínio, por exemplo, o do alcance do princípio da tolerância administrativa e o da admissibilidade do não exercício ou da renúncia pela Administração ao poder de punir.
135
ceira ou gestora, o objecto principal da nossa análise será a actividade administrativa de direito público, que pode ser formal e informal, ju‑
rídica e material.
Impõe ‑se, neste contexto, o estudo específico das actuações.jurídicas.
formais de direito público da Administração: o regulamento e o acto.
administrativo cujo regime geral procedimental e substantivo consta do Código do Procedimento Administrativo (hoje em grande medida desac‑
tualizado ou carente de reforma), bem como o contrato.administrativo, regulado agora no Código dos Contratos Públicos.
Mas não podemos esquecer que, em regra, a actividade administrativa sempre envolveu, em volta destas pronúncias jurídicas formais (antes, a par e depois delas):
a) actos.jurídicos.instrumentais, que podem ser preparatórios (abertura de concurso, pareceres, relatórios de exames ou vistorias), executivos (alvarás, aprovação de actas, ordens de execução) e comunicativos (notificações, publicações) de decisões administrativas;
b).acções.ou.operações.materiais, que podem ser de exercício (prestação de serviços aos utentes, vistorias, exames, obras, campanhas de esclarecimento, vigilância e coacção directa policial) e de execução (demolições, pagamentos, ocupação de terrenos);
c) declarações.negociais (por exemplo, sobre a validade e a interpretação de cláusulas no âmbito da execução de contratos administrativos).
E são cada vez mais frequentes – por razões de flexibilidade, previsibi‑
lidade, participação, consensualização, designadamente nos procedimentos de concertação e parceria, nas áreas da economia, saúde, ambiente, ur‑
banismo e ordenamento do território, apesar dos riscos de ilegalidade e para os direitos de terceiros:
d) actuações.informais.que, embora não estejam juridicamente regu‑
ladas, nem visem produzir directamente efeitos jurídicos, também têm relevância. jurídica. prática. e. efectiva, de incentivo, de coo‑
peração, de ameaça, de aviso (são actuações sujeitas apenas a
regras técnicas ou de soft.law e, obviamente, a princípios jurídi‑
cos fundamentais) – por exemplo: contactos prévios ou paralelos no âmbito de procedimentos comunicativos; iniciativa privada de planos urbanísticos; declarações administrativas de intenção; reco‑
mendações e advertências; manifestações reiteradas de tolerância;
informações e avisos; monitorizações; incentivos e promessas informais; protocolos e acordos de cavalheiros; guias de boas práticas e divulgação de standards; cartas de direitos dos utentes;
conferências procedimentais (interadministrativas).
Tal como as actuações jurídicas instrumentais, as actuações materiais e informais têm relevo jurídico indirecto no âmbito dos procedimentos administrativos dos regulamentos, actos ou contratos, enquanto momentos de formação ou de execução dessas actividades formais.
Mas, outras vezes, adquirem relevo próprio e justificam uma conside‑
ração autónoma por parte da doutrina administrativa, como actuações que geram expectativas dignas de protecção jurídica ou como comporta‑
mentos ilícitos geradores de responsabilidade civil – medidas provisórias que atinjam direitos dos particulares, acções materiais de exercício ilegais ou incorrectas, coacção directa em situações de urgência (selagem de instalações, proibição de circulação), informações erradas, advertências prejudiciais, acordos geradores de confiança legítima.
Há ainda formas de actuação administrativa, que, embora possam integrar‑
‑se nas categorias tradicionais, de algum modo as forçam nos seus limites.
Devem considerar ‑se, desde logo, os planos.administrativos, enquan‑
to formas específicas de actuação jurídica, que contêm normas. finais, são de tipo misto, regulamentar e concreto, e desempenham funções de harmonização de interesses públicos e de racionalização estabilizadora de situações ou da utilização espaços – são muito heterogéneos, quanto à forma (regulamento, acto ou contrato), e quanto à força vinculativa (uns são indicativos ‑ plano rodoviário nacional, plano de reestruturação hospitalar; outros são imperativos, com alcances diversos e graus dife‑
rentes de vinculatividade ‑ planos de ordenamento do território e planos urbanísticos, municipais, regionais e nacionais).
137
A par dos planos tradicionais, aprovam ‑se programas, que definem directrizes de orientação das políticas.públicas [infra ‑estruturas energéti‑
cas (barragens), de transportes (rodovias, portos), saúde, ambiente] e de regulação nos domínios de partilha público ‑privada de exercício de tarefas de interesse público (estratégia nacional de desenvolvimento sustentável) – os quais, embora constituam, em princípio, actos políticos, podem ter uma incidência administrativa concreta, substancial ou procedimental.
São de referir ainda, no âmbito da actividade das autoridades.regula‑
doras, um conjunto diversificado de “decisões regulatórias”, que embora assumam a forma das categorias tradicionais – regulamentos, actos e contra‑
tos –, não se enquadram perfeitamente no respectivo regime. Destacam ‑se, entre elas, as regulamentações.técnicas.independentes (que, tendo carácter regulamentar, podem pôr em causa a reserva normativa da função legisla‑
tiva), as decisões.administrativas.arbitrais.e.de.resolução.de.litígios.entre.
privados (que se aproximam de decisões judiciais e podem comprimir a reserva do juiz), bem como os contratos.regulatórios.(alguns dos quais são “quase ‑internos”, por serem celebrados entre entidades administrativas sem verdadeira autonomia entre si).
No entanto, como dissemos, impõe ‑se o estudo mais aprofundado do regime das formas típicas mais solenes da actividade administrativa de direito público: o regulamento.administrativo (norma geral e abstracta emitida no exercício da função administrativa), o acto administrativo (decisão unilateral de autoridade, concreta e, em regra, individual) e o contrato administrativo (acordo de vontades desigual).
(Página deixada propositadamente em branco)
t Í t u l o i
o r e g u l a m e n t o a d m i n i S t r at i v o
Bibliografia:
AFONSO QUEIRÓ, “Teoria dos Regulamentos”, in Revista.de.Direito.e.Estudos.Sociais, XXVII (1ª série), p 1 e ss, e ano 1.º (2ª série), p. 5 e ss;
VIEIRA DE ANDRADE, O.ordenamento.jurídico.administrativo.português, in Contencioso.
Administrativo, Braga, p. 58 ‑68;
ANA RAQUEL MONIZ, A. titularidade. do. poder. regulamentar. no. direito. administrativo.
português,.in BFDUC, 80 (2004), p. 483 ‑562.
Bibliografia facultativa:
FREITAS DO AMARAL, Curso. de. Direito. Administrativo, vol. II, p. 151 e ss; Acórdão do Tribunal Constitucional n.º 1/92, in Diário.da.República, I Série ‑A, de 20 ‑02 ‑92;
GOMES CANOTILHO, Direito.Constitucional.e.Teoria.da.Constituição, 7.ª ed., 2003, p. 833 ‑846;
GOMES CANOTILHO/VITAL MOREIRA, Constituição.da.República.Portuguesa.Anotada, 3.ª ed., 1993, anotações XVIII a XXIX ao (então) artigo 115.º.