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A ADOÇÃO DO E-LEARNING

No documento A influência do e-learning no capital humano (páginas 114-117)

PARTE I – FASE TEÓRICA

CAPÍTULO 2: A EVOLUÇÃO DO E-LEARNING

2.2 A ADOÇÃO DO E-LEARNING

A dualidade riqueza/poder, deslocou-se para o par riqueza/saber, com o saber relacionado com o conhecimento. Este, será tanto mais eficiente quanto mais e melhor os países, as organizações e as pessoas souberem transformar a informação em conhecimento, aplicando-o eficaz e eficientemente (Serrano & Fialho 2005A). Nesse sentido, o e-learning perfila-se como um dos métodos mais importantes, acolhidos nos setores formativos em contexto do ensino/aprendizagem, tal como já vinha dizendo Carneiro (2004).

A esse propósito convém refletir em torno do conceito de e-learning. Percebe-se que as diversas conotações relativas às expressões e-learning, b-learning, formação online, etc., vêm, possivelmente, de organizações com diferentes interesses nessas áreas, como sejam, a venda de plataformas tecnológicas, venda de conteúdos, ou de equipamento informático, que assim se associam a determinada modalidade para, talvez, mais facilmente obterem melhores resultados (Machado & Almeida, 2010).

Neste contexto, Trindade (2001) já tinha dado ideias acerca da proliferação de operadores ligados a diversas formas de ensino por via eletrónica: basta acionar qualquer motor de busca que detém expressões-chave como “e-learning”, “b-learning”, “virtual universities”, “distance education”, “online courses”, etc., para se registarem múltiplos juízos à volta deste assunto.

No caso do e-learning, por ser uma metodologia 100% virtual, a sua compreensão em termos de solução parece ser evidente. No caso do b-learning, contém imensas possibilidades de sucesso, sendo a sua aplicabilidade no contexto empresarial e económico atual muitíssimo válida e até pertinente. A expressão "blended" indica uma combinação de ingredientes, o que equivale a, em termos formativos, dizer que recorre a diversas formas ou metodologias para transmissão de conhecimentos. Algumas organizações procuram criar um elo quase indissociável entre o b-learning e o e- learning quando da hospedagem deste tipo de formação. Esta associação é, no entanto, apenas uma das múltiplas soluções que o b-learning oferece. Passamos, assim, a

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enumerar alguns argumentos, no contexto das duas modalidades de ensino/formação, que preenchem critérios mínimos de funcionalidade e acolhimento em termos de transmissão de conhecimentos, como já se referiam Rodrigues e Ferrão (2006):

Sejam adequados ao público-alvo em questão (ou seja, ao estilo de aprendizagem dos formandos, às suas experiências anteriores, incluindo as suas habilitações e, não menos importante, às suas "barreiras" emocionais);

Sejam viáveis e exequíveis (nem os conteúdos mais apelativos e carregados de multimédia e interação, se transmitidos por e-learning, por exemplo, têm qualquer valor, se a estrutura de rede não tiver a largura de banda mínima necessária para que o curso decorra normalmente, sem timeouts, sem lentidões, e muitas vezes sem som ou vídeo);

Estejam disponíveis no momento propício e para cumprir os objetivos; Sejam ajustados ao montante de investimento que a empresa tem disponível; Sejam acomodados à dinâmica de trabalho dos formandos;

Permitam uma avaliação final da eficiência e eficácia de todo o processo formativo.

Por este motivo, é fundamental continuar a estudar novas formas abreviadas de aprendizagem (Plaisent et al., 2004), para que o e-learning e o b-learning possam ser aceites de forma transversal e equilibrada e portanto possam acompanhar não só as mudanças nas organizações, como os ritmos que a sociedade do conhecimento está a imprimir. Isto porque, contrariamente ao que acontecia há alguns anos atrás (Rodrigues & Ferrão, 2006), o saber científico é agora mais disseminado, e não estrategicamente ocultado. Para as organizações continuarem num rumo de sucesso, os processos formativos de cariz avançado, através dos seus atores, têm que continuamente sofrer inovações em todos os seus domínios. Desde a maximização da rendibilidade das TIC, ao estudo de processos que inovem conteúdos, comunicações, interações sociais, etc., sempre numa linha de equilíbrio com as restantes estruturas que integram todo o processo (Lagarto, 2010).

As fórmulas que se utilizam na FaD continuam a ser de índole essencialmente prática (Rekkedal, 2006), isto é, a informação que é vinculada não é suscetível de grande fundamentação teórica tendo sido porém, nos últimos anos, motivo de grande atenção por parte dos investigadores, principalmente nos processos de aprendizagem, metodologias, pedagogias e mecanismos do saber. Nesta sequência, têm sido reanalisadas também algumas das razões de base ainda existentes em algumas UC no ensino universitário presencial como seja, por um lado, a falta de preparação dos

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estudantes, a sua falta de hábitos de trabalho, a sua passividade perante a exposição das matéria e da linguagem com que é ministrada e a pouca empatia na utilização das TIC, e por outro lado o número elevado de estudantes a frequentar este tipo de ensino (Paraskeva, 2006A), embora esta última razão, infelizmente, tenha sofrido algum retrocesso nesta última década58.

Algumas dessas IEU equacionaram a adoção e utilização do b-learning como método adicional e complementar ao método presencial que funciona em determinadas UC, de forma a reduzirem os referidos insucessos. Por isso foram avançadas diversas alterações nos processos de aprendizagem presencial, de modo a que ficassem ajustados os dois métodos para, eventualmente, produzirem resultados mais positivos no desempenho dos estudantes (Ross, 2006).

Ponderados pelos responsáveis os pós e contras e tecidos argumentos que teriam que passar por reflexões acerca da opinião dos intervenientes num novo processo metodológico, seria importante receber informações dos estudantes acerca das suas perceções relativamente ao seu desempenho perante o b-learning nas suas vertentes mais evidentes como sejam os fóruns de discussão, a partilha de opiniões e os resultados que daí advinham (Paraskeva, 2006B).

Vamos tomar como exemplo um caso onde o tipo de abordagem a novos métodos de aprendizagem tem a ver com o descrito anteriormente. Tratou-se, de facto, de se experimentar o método b-learning na UC de Análise Matemática I do 1º ano dos cursos do Departamento de Ciências e Tecnologias da Universidade Autónoma de Lisboa. Incluíram uma metodologia baseada nas TIC com a introdução de uma sala de aula virtual, à metodologia presencial tradicionalmente utilizada na Universidade. Colocaram cerca de 80 estudantes em cada metodologia com a pretensão de futuramente compararem os seus desempenhos. Em traços gerais, verificaram os responsáveis que relativamente à metodologia baseada nas TIC os estudantes tiveram um aumento significativo nas taxas de aprovação e um crescimento global nas classificações. Também inquiridos os estudantes, estes mostraram-se favoráveis a esta metodologia considerando-a decisiva para o seu desempenho (Fallen & Fernandes, 2010).

Continua a haver um grande caminho a percorrer ao nível do e-learning, facto que segundo Carneiro (2003A), implica o desenvolvimento do conceito e transmissão correta deste. Provavelmente, há que desmistificar o e-learning, desenvolvendo

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plataformas acessíveis a todo um universo de estudantes/formandos que ainda desconhece este meio de operar na área do ensino/formação. As IEUcEaD, com a adoção do e-learning, parecem caminhar para a abertura e incremento de novos cursos e, por consequência, o panorama universitário parece reestruturar-se nesse contexto para ações consistentes de forma a consolidar as suas estruturas académicas e ficar em sintonia com o evoluir da sociedade do conhecimento (Lagarto, 2010).

No documento A influência do e-learning no capital humano (páginas 114-117)