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O E-LEARNING EM IEUCEAD PORTUGUESAS

PARTE I – FASE TEÓRICA

CAPÍTULO 1: A REVISÃO DA LITERATURA

1.14 O E-LEARNING EM IEUCEAD PORTUGUESAS

O Ensino Universitário com Ensino a Distância compreende fatores exógenos e endógenos, intrínsecos à sua condição específica de ensino superior formal. Atualmente, com o e-learning, alguns desses fatores sofreram alterações. São os produtos e serviços das IEUcEaD que se vão diversificando, tarefas e funções que se vão modificando, o tempo e o espaço que sofrem transmutações, os conteúdos que são renovados continuamente, obrigando estas organizações académicas a inovar e a tomar decisões cada vez mais rapidamente (Carneiro, 2003a).

Uma das decisões que as IEUcEaD têm estado a tomar, prende-se com a questão das tecnologias relacionais48 que, como Carneiro (2004) vaticinou, seria inevitável a importação de boa parte desses benefícios para o seio das aprendizagens formais em estabelecimentos de ensino superior. Os benefícios a que o referido cientista parece aludir referem-se à prioridade que iria ser concretizada no futuro: não para as LMS, que desempenhariam um papel mais dissimulado porque o seu desempenho e gestão tende a ser mais estruturado na ótica do programador dada a inevitabilidade da nova geração de tecnologias educacionais, mas sim para a “densidade relacional” passível de ser incutida

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Assim chamadas por Seymour Papert, no contexto de relação das TIC com a Educação: URL: [online] - http://web.mit.edu/, http://web.media.mit.edu/~papert/ e http://www.media.mit.edu/people/papert, (acedidos a 01/05/12 - 19:44h).

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em contextos humanos de aprendizagem, isto é, passaria a ser cada vez mais apelativa e relevante, na perspetiva do estudante: a empatia, a comunicação e o conteúdo que o suporte permitiria veicular.

Assim, nas IEUcEaD, a liderança exercida na gestão inteligente de conteúdos, poderia caminhar para o aproveitamento dos instrumentos de autoria disponíveis, transformando-os, de forma a criarem os seus próprios materiais de aprendizagem, o que de facto já se passa no contexto de e-learning em Universidades portuguesas49.

As instituições, Universidades e organizações privadas e públicas estão cada vez mais a empregar potencialidades do e-learning como um contributo para a inovação no interior das mesmas (Carvalho, 2006).

No que respeita ao binómio Ensino Universitário a Distância/e-learning, concordo com Lagarto (2002), quando nos transmite a ideia que há que rever os sistemas de ensino e formação, para que estes possam acompanhar a revolução provocada pelo aparecimento das novas tecnologias da informação e da comunicação, caraterísticas desta nova Sociedade, porque se é verdade que a componente tecnológica só por si não leva a que o sistema de formação se inove, também é certo que é um parâmetro extremamente importante dentro do dito sistema.

Desta forma, é fundamental que o e-learning esteja inserido num contexto de projeto inovador, cujos resultados sejam positivos e encorajadores, que motivem mais IES a aderir a este tipo de modalidade enquanto oferta educativa/formativa, ou mesmo combinada com a oferta tradicional (educação/formação presencial). Neste sentido, o enquadramento das LMS enquanto suporte do e-learning, facilita a implementação deste tipo de ensino a distância por via eletrónica e potencia uma redução do esforço a desenvolver pelos alunos/formandos e pelos professores (Guedes et al., 2007). Esta convergência educativa/formativa oferece referenciais educativos e de formação na modalidade de blended learning adaptada, com rigor, às especificidades dos setores a que se destinem, respeitando sempre o tempo e os ritmos de aprendizagem dos potenciais estudantes/formandos.

Segundo Carneiro (2003a), o b-Learning poderá ser, então, uma alternativa para todas as organizações que privilegiam o ensino/formação presencial mas que colocam como válida a possibilidade de uma componente de aprendizagem eletrónica na

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Universidade Aberta, situada em Lisboa: URL: [online] - http://www.moodle.univ-ab.pt/moodle/, (acedido a 01/05/12 - 20:04h).

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formação dos seus recursos humanos. Os estudantes/formandos poderão e deverão, assim, utilizar os conteúdos plasmados na plataforma tecnológica, e essas organizações deverão disponibilizar-lhes o suporte de aprendizagem mais apropriado e o acompanhamento mais consistente, através dos seus tutores, formadores e professores.

É necessário, portanto, conceber conteúdos que tirem o máximo proveito das tecnologias, se adaptem às caraterísticas dos estudantes/formandos, sejam reutilizáveis e se ajustem às diversas ações formativas, isto é, segundo Lima e Capitão (2003), e- conteúdos interativos, de qualidade, e em formato multimédia.

Assiste-se ao incremento das comunicações virtuais, com a sua proliferação pelas Escolas, Universidades e Institutos virtuais, bem como em Centros virtuais com conteúdos acessíveis através da Web, com a possibilidade de aulas interativas síncronas (videoconferência, áudio, chat, whiteboards, etc.) ou assíncronas (email, mailing lists, fóruns, grupos de discussão, etc.), utilizando diversos tipos de metodologias e de tecnologias, que fazem a promoção da aprendizagem (ensino ou formação), tendo como suporte a utilização da Internet – e é neste contexto que o e-Learning está inserido (Programa Sócrates Grundvig, 2004). É possível implementar cursos de aprendizagem a distância, como o e-learning, em instituições como centros de formação ou universidades que nunca tiveram experiência prévia de ensino/formação online, na educação/formação, quando as Tecnologias de Informação (TI) e os Sistemas de Gestão da Aprendizagem (LMS) possuem a estabilidade necessária. Porém, Cardoso e Bidarra (2007), permutam o parecer de que, baseados em dados recolhidos através do projeto ODL-NET Experience, podemos identificar problemas de usabilidade relevantes, várias dificuldades ao nível do utilizador e muitas limitações de LMS. Os resultados do estudo mostram que a tecnologia é a solução por um lado, mas que a tecnologia é também (e ainda) o problema, pelo que a tecnologia continua a ser um tema relevante, mesmo se representa só uma das componentes da mistura complexa que abarca as organizações educacionais, os conteúdos de aprendizagem, as estratégias pedagógicas, etc.

Pensamos que se deverá, porém, fazer a distinção entre as caraterísticas do contexto organizacional que dão suporte às especificidades próprias da formação profissional, e as formas de ensino enquadradas em contexto escolar: ensino básico, secundário, universitário, etc.. Uma das particularidades é a transmissão pedagógica dos conteúdos, ou seja, que tipo de conteúdos e de que forma eles são observados pelos estudantes. Aqui cabe uma responsabilidade acrescida aos professores, tutores e formadores, em suma aos instrutores.

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O EaD, mesmo quando efetuado e designado por ensino por correspondência, sempre teve uma forte componente pedagógica. Atualmente, com a contribuição das TIC, o e-learning detém muitas das funcionalidades que se podem encontrar no ensino presencial, com a vantagem de, segundo Carneiro (2003a), ser uma solução mais económica, de vencer as barreiras do tempo e da distância.

Em Portugal, a grande questão de adoção do e-learning tem sido a dificuldade de verdadeiramente mobilizar os formadores, tutores e professores para a utilização de pedagogias ativas e colaborativas em ambientes online (Dias, 2005). Também num contexto de aprendizagem e de gestão da mudança, as tecnologias e os conteúdos são soluções interativas online a perfilhar, e nesse sentido pensamos que o e-learning possa reunir boas condições para se tornar um processo dinâmico, envolvendo a formação permanente dos grupos intervenientes (Carneiro, 2003a).

Portugal tem organizações a usar plataformas de e-learning tanto como base de apoio aos estudantes/formandos, como para o desenvolvimento e implementação do ensino/formação online. No entanto, reconhece-se ainda haver múltiplos fatores que, de uma forma ou de outra, levam Universidades a experienciar esse tipo de ensino superior. A testemunhar isso, explicitamos dois exemplos, respetivamente:

A Universidade do Algarve (UAlg) refere50 que na passagem de 2009 para 2010, a sua taxa de crescimento em relação ao ensino em e-learning foi inferior à média nacional. Porém, no período seguinte (2010 para 2011), essa taxa foi substancialmente superior à nacional e, portanto, em contraciclo, um período em que a oferta total nacional a nível de vagas praticamente estabilizou. Correspondeu a uma estratégia pontual da UAlg que não vingou e que se destinou a tentar mobilizar um número acrescido de estudantes em regime pós-laboral e a organizar cursos em regime de educação a distância.

A Universidade de Évora, em fevereiro de 2012, passa a oferecer formação de nível superior na área do ensino à distância, mais concretamente, dois cursos em e- learning: o curso de mestrado em Engenharia Informática e a pós-graduação em Ambiente, Sustentabilidade e Educação, oferecendo, ainda, a possibilidade de frequência da Universidade como estudante externo para uma grande diversidade de

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Texto criado em setembro de 2012 com a designação de “Livro_Branco_Oferta_Formativa_UAlg.pdf” e enviado pelo Reitor da UAlg para a Presidente do CIEO – Centro de Investigação dos Espaços Organizacionais, que por sua vez o distribuiu pelos investigadores do CIEO; (correio electrónico: 11 de setembro de 2012, às 15:15h)

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unidades curriculares. Assim, a instituição disponibiliza a mais estratos da população a possibilidade de aprofundarem e/ou diversificarem conhecimentos e competências, em particular aos que, embora interessados, têm dificuldade em adquirir formação superior pela via presencial51.

Tal como se observa em outros países, o e-learning funciona em Portugal muitas das vezes, não de uma forma integral, isto é, não ocupa num qualquer ciclo de formação a totalidade das ações formativas, mas vai ocupar o seu espaço próprio enquanto módulo a distância, combinado com módulos presenciais. Para que se perceba melhor esta dualidade na utilização do e-learning, complementamos com a exposição sobre um curso de Formação de Formadores Online, na Universidade Aberta52.

O curso foi realizado em 2003, tendo como destinatários indivíduos com habilitações a nível de licenciatura e ligados às áreas de ensino e formação. Refira-se que tanto as inscrições como os seus deferimentos foram feitos em modo presencial. O Plano Curricular deste curso consistiu em 12 módulos, distribuídos do seguinte modo: 8 módulos – e-learning (total de 110h); 3 módulos – presenciais (15h). Como recursos tecnológicos foram utilizadas a Internet e a plataforma tecnológica (Intralearn), com tutoria assíncrona.

Também em 2006, a Universidade Aberta iniciou um curso de Mestrado para Formação de Professores em e-learning53.

Finalmente e no contexto da ALV, também são administrados cursos integrados em Programas: Profissionais, de Extensão Universitária e Cultural, e de Estudos Integrados ou Complementares, o que faz com que a Universidade Aberta esteja definitivamente em consonância com o regime de e-learning54.

É interessante a focagem de todas estas situações, quando presentemente a UAb já ministra, na prática, todos os ciclos universitários integralmente em e-learning.

A aprendizagem em e-learning permite aos estudantes universitários aprender, gerindo o seu próprio percurso de vida sem constrangimentos de tempo ou de local. No seu espaço de aprendizagem terão acesso aos módulos que mais se adequem às suas necessidades, através de um conjunto diversificado de procedimentos: correio

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URL: [online] - http://www.estudar.uevora.pt/Oferta/e_learning#pane130, (acedido a 16/03/12 - 13:41h).

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URL: [online] - http://www.univ-ab.pt/disciplinas/dce/pagina_dce/cursos.html; (acedido a 29/04/10, às 19:29h).

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URL: [online] -http://www.univ-ab.pt/disciplinas/dce/pagina_dce/MCEMPUB2006.htm; (acedido a 29/12/10, às 21:00h).

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URL: [online] -http://www.uab.pt/web/guest/estudar-na-uab/oferta-pedagogica/alv/apresentacao; (acedido a 03/04/12, às 21:50h).

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eletrónico; conversação eletrónica; páginas da Internet; salas de aulas virtuais; avaliação e recursos suplementares. Para o sucesso de um curso de formação em ambiente e- learning, são inseparáveis os seguintes componentes estratégicos mencionados por Correia (2006): recursos humanos; materiais (e-conteúdos); tecnologia; sistema de interação e avaliação. Obviamente que estes elementos devem estar devidamente salvaguardados com um modelo pedagógico específico e subjacente a cada situação.