PARTE I – FASE TEÓRICA
CAPÍTULO 1: A REVISÃO DA LITERATURA
1.11 AS TIC COMO SUPORTE DO E-LEARNING
Na literatura de âmbito técnico/científico, constatamos o papel relevante que as TIC trouxeram às organizações ligadas ao conhecimento. As TIC não substituem os professores, embora possam ter influência na alteração da relação pedagógica (Moreira, 2000). Nesse sentido, um dos mais notáveis cientistas, Senge et al. (2002), através das reflexões sobre economia e sociologia, disponibilizou caminhos novos para que as instituições de ensino tenham uma função de “organização aprendente”, como por exemplo: domínio pessoal, modelos mentais, visão partilhada, aprendizagem em equipa e pensamento sistémico. Como tal, os intervenientes nesse tipo de organizações, tendem a adquirir um comprometimento pessoal com elas e com a sua missão, o que as leva a focarem-se num plano coerente e constante de aprendizagem pessoal e organizacional, obtendo caraterísticas comportamentais que os potenciam como construtores de conhecimento e, desse modo, em verdadeiros empreendedores (Paiva et al., 2010).
Dentro destas considerações em relação às organizações aprendentes, é na transição do século XX para o século XXI que as mudanças parecem ser mais
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observáveis nas sociedades, com a globalização a atingir transversalmente todos os mercados, especialmente aqueles a operarem no meio eletrónico, e por conseguinte na promoção da evolução das TIC em Portugal, nas organizações em geral e na educação/formação em particular (Rodrigues & Ferrão, 2006).
Os investigadores que sempre acompanharam e participaram nestas inovações nas áreas do ensino/aprendizagem em contexto eletrónico, já pareciam antever, com as suas dissertações à volta da temática, a relação da tecnologia com a aprendizagem, declarando, tal como (Pellanda, 2008) sugere, que a tecnologia baseada nos computadores fomenta a inteligência ampliando as perspetivas do ser humano, podendo vir a ser utilizada não só para potenciar um ensino eficaz, como também para ter um papel importante a desempenhar na aprendizagem a receber pelos estudantes (Entwistle & Mccune, 2004). À medida que as tecnologias relacionadas com a aprendizagem se tornam mais sofisticadas, também as apreciações críticas parecem acentuar-se e potenciar-se, dado o impacto que elas causam no processo (Ross, 2006).
Porém, as TIC não se limitam a contribuir para a inovação que se está a operar no EaD em contexto eletrónico. Estão a trazer novas possibilidades de visualização e simulação, tendentes a operar como uma extensão da nossa capacidade de imaginar e também a responder aos desafios que o Homem imprimiu na criação de novos materiais didáticos que possam corresponder às expectativas criadas pela emergência de uma nova ecologia cognitiva (Pinto & Andrade, 2010).
Concordamos com o que Tony Bates28 colocou na sua página pessoal, entendendo nós que o bom ensino pode superar uma má escolha de tecnologia, mas a tecnologia nunca salvará um mau ensino. Todavia, sempre que é feita a escolha adequada das TIC para suporte do ensino eletrónico, parece ser um facto que representa um acréscimo de potenciação, tão fundamental ao ensino a distância em contexto de e- learning, em especial no Capital Humano dos estudantes (Pessoa, 2007). Também alguns cientistas compreendem que os professores universitários gostariam que as TIC fossem utilizadas de modo a reduzir o tempo de docência, para poderem passar mais tempo a investigar. Contudo, isso poderá ser uma expetativa gorada uma vez que, para além de outras exigências, se trata de um tipo de ensino onde o procedimento da escrita é um dos processos mais exigentes (Bates, 2004) e que por isso requerem o seu tempo próprio. Os rápidos avanços nas TIC vieram exigir um tipo de indivíduo com boas
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competências, atitudes e agilidade intelectual que gere um pensamento sistemático e crítico dentro desse ambiente orientado a nível tecnológico (Bontis, 2004).
Felizmente que, atualmente, as TIC na sua diversidade, possuem melhores índices de fiabilidade na informação e de velocidade nas comunicações, o que tem contribuído para um maior impacto no ensino aprendizagem em geral e nas instituições universitárias em particular. Também permite economizar algum tempo, principalmente nos chamados “tempos mortos” que no ensino presencial acontecem com alguma frequência, principalmente no início e final das aulas e que, independentemente de avaliações acerca desse fenómeno, acaba por, afinal, ajudar a reduzir algum do tempo de docência ao professor e ao tutor. No que concerne à diversidade nas TIC, é uma fonte de enriquecimento por ser transversal a mentes diferentes e pessoas diferentes (Lijour, 2012). Além disso, a aprendizagem baseada na Internet não depende apenas das TIC e na sua manipulação. Por necessidade, altera-se o tipo de ensino/formação, tanto para trabalhar na Internet como para desenvolver a capacidade de aprendizagem numa economia e numa sociedade baseada em Redes. Nesse sentido, a nova aprendizagem está orientada para o desenvolvimento da capacidade educativa que permite transformar a informação em conhecimento e o conhecimento em ação, isto é, trocar o conceito de aprender pelo de aprender a aprender, já que grande parte da informação se encontra online. Podemos então afirmar que a Internet, mais do que uma tecnologia, constrói uma geografia do poder fazer, gerando conhecimento e competências (Bessa, 2007).
Em Portugal, na década de 90 do século XX, houve, segundo Sousa (1997), alguma evolução no âmbito da Ciência e das Tecnologias de Informação (TI), que não foi ainda suficiente para nos colocar em convergência com a UE. Depois de termos feito um percurso ao universo das IEUcEaD em Portugal no contexto das TIC e pelo facto do objeto empírico do estudo estar centrado nos estudantes dos PALOP a frequentarem, em modo online, IEUcEaD portuguesas a partir dos seus países, achamos oportuno apresentar dados desses mesmos países. Para compreender melhor as necessidades e/ou interesses destes estudantes (e outros extratos representativos da população-alvo a quem se dirigem as diversas temáticas ligadas ao ensino/aprendizagem), vamos, a partir de informações retiradas de diversas origens, identificar e analisar o que nos foi possível pesquisar, em termos das TIC. Podem, assim, ganhar relevância os indicadores apresentados quando extrapolados para as potencialidades do e-learning como método vocacionado para o ensino/formação que toma como suporte as TIC, uma vez que quanto maior for a estabilidade no relacionamento “e-learning / TIC / estudantes dos
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PALOP”, mais eficaz e eficiente poderá ser o contributo deste tipo de ensino/aprendizagem para a competência dos potenciais intervenientes nesse processo educativo/formativo (Boreham & Lammont, 2003).
Uma nota que se deve evidenciar é de que os indicadores disponíveis são muito poucos e isso parece-nos ter a ver com o facto da enorme dificuldade na recolha e análise dos dados pelas organizações dedicadas a estes fenómenos e por outro lado, pelo facto deste tipo de trabalho de investigação decorrer ao longo de anos e portanto a questão do enviesamento poder estar presente, tornando-os obsoletos. Também registamos que as buscas de dados orientadas para fontes internas dos PALOP revelaram-se residuais ou mesmo ineficazes no que concerne a este tipo de pesquisa. De qualquer modo, explicitamos o que nos foi possível encontrar, sempre no pressuposto de que esses dados sejam o mais fiáveis possível, apesar de ser importante referir que os números podem ficar afetados pela dimensão populacional de cada um destes países. Apesar disso, parece-nos que transmitem uma ideia válida sobre a situação das TIC e do Ensino Superior nos PALOP. De referir que colocámos nos Quadros 5, 6 e 7, para além dos PALOP, também Portugal, para se entender as dissemelhanças ainda existentes e portanto a dificuldade que os PALOP ainda parecem ter no acesso às TIC e ao Ensino Superior. Podemos observar no Quadro 5 os dados fornecidos pela Nações Unidas da Divisão de Estatística sobre a utilização de TIC nos países dos PALOP.
Quadro 5 - Utilização das TIC nos PALOP
Fonte: adaptado de, Nações Unidas – Divisão de Estatística29
Nota-se a ausência de dados, em percentagem, em relação à Guiné-Bissau e a S. Tomé e Príncipe, com Moçambique apenas com dados de 2008 relativos ao acesso e
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utilização de computadores. Cabo Verde, seguido de Angola, surge como o país com mais acesso e utilização das TIC em geral, apesar dos seus dados estarem inscritos com um ano de avanço, exceto a nível de computadores.
Em relação ao Quadro 6, contem dados fornecidos pela UNESCO – United Nations Educational Scientific and Cultural Organization a partir dos seus Serviços de Estatística sobre a frequência do Ensino Superior das populações residentes nos PALOP.
Quadro 6 - População dos PALOP no Ensino Superior
Fonte: adaptado de, UNESCO 30
É relevante o maior número de indivíduos de Angola que frequenta o Ensino Superior, seguido de Moçambique, com Cabo Verde na terceira posição, a Guiné-Bissau em quarto lugar e por fim S. Tomé e Príncipe.
Por fim, o Quadro 7 mostra dados fornecidos pela UNESCO – United Nations Educational Scientific and Cultural Organization, a partir dos seus Serviços de Estatística sobre o acesso à Internet por parte das populações residentes nos PALOP.
Quadro 7 - População dos PALOP com Internet fixa
Fonte: adaptado de, UNESCO 31 30 URL: http://pt.knoema.com/UNESCOISD2013Jul/unesco-institute-for-statistics-data-2013 http://pt.knoema.com/atlas/topics/Telecomunica%C3%A7%C3%A3o/Sevi%C3%A7os-de- Telecomunicacoes/Assinantes-de-internet-fixa, (acedido a 29/05/2014 – 00:23h). 31 URL:http://pt.knoema.com/atlas/topics/Telecomunica%C3%A7%C3%A3o/Sevi%C3%A7os-de- Telecomunicacoes/Assinantes-de-internet-fixa, (acedido a 29/05/2014 – 00:58h).
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Assim, podemos constatar que Angola é o país dos PALOP que tem mais população com acesso à Internet, seguido de Moçambique nos anos em que tem dados disponibilizados (2000 e 2009). Cabo Verde aparece na terceira posição e depois a Guiné-Bissau, na quarta posição, com dados disponibilizados em 2008 e 2009. S. Tomé e Príncipe não aparece com dados disponíveis.
Na sequência do que foi dito anteriormente, podemos afirmar que as TIC surgiram como um bom suporte às comunicações (Pereira et al., 2003). Vieram facultar às organizações em geral e às Instituições de Ensino Superior (IES) em particular, as ferramentas que necessitavam para a gestão do conhecimento (Carneiro, 2006), com a finalidade de obterem mais valor, competitividade e capital intelectual, de modo a evoluírem para posições ainda mais saudáveis no mercado (Matos & Lopes, 2008).
Na atual sociedade da informação, com uma economia baseada no conhecimento, as IES, se munidas de boas soluções em termo de TIC (Batista & Ramos, 2013), estarão prontas a enfrentar novos desafios e portanto a superarem as mutabilidades do conhecimento.