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CAPÍTULO 2 Educação, Aprendizagem e Desenvolvimento do Aluno com a Síndrome

2.2 A Importância da família e da escola no processo educativo desenvolvido com

A família exerce um papel muito importante no processo de aprendizagem e desenvolvimento de seus filhos, ela possui dados importantíssimos deste processo.

A família é o primeiro contato da criança com o mundo. É na família que são transmitidos os primeiros valores, princípios, ética, que posteriormente serão ampliados na escola, como instituição cultural/social que responde pela educação formal dos alunos. Se no primeiro momento as vivências acontecem no contexto da família, a continuidade de sua formação humana dá-se no âmbito da escola, o que pressupõe um processo educativo articulado por parte destas instituições, respeitando a especificidade de cada uma delas.

Para a criança, a família é expressão de afeto e segurança, desde o seu nascimento, os princípios construídos pela ora se apoiam nas relações familiares, ora são adquiridos nos processos socializadores da escola, o que pressupõe interações efetivas na tarefa dos alunos. A tarefa educativa de transmitir às novas gerações conceitos, conhecimentos e saberes fundamentais à vida em sociedade, ou seja, que precisam ser ensinados aos bebés.

É interessante entender a questão da educação familiar, onde a criança se apropria de conhecimentos do senso comum relacionados com o conjunto de ideias e valores presentes na vida quotidiana, por exemplo, a criança interpreta a realidade e interage com o mundo de forma espontânea e de forma natural, mediada pelas experiências adquiridas no núcleo de

familiar.

Assim, a educação é um processo construído em parceria entre a família e a escola, com a finalidade de oferecer as melhores condições de vida às crianças. A educação é um desafio complexo que deve exigir parceria entre a família e a escola.

Muitas vezes, a família reage com sentimento de angústia, quando percebe que o desenvolvimento do seu filho não corresponde à sua faixa etária, embora não expresse tais expectativas em termos de conhecimentos científicos referentes às características etárias, expressa com certa sabedoria, pois é detentora, por outro lado, de um conhecimento construído com base na herança cultural, forjada nas observações, nas visões e nos desejos elaborados a partir dos processos de desenvolvimento de outras crianças, pertencentes muitas vezes ao seu grupo familiar ou de amigos.

Nesta ótica, Rego (2003) esclarece que a escola e a família compartilham funções sociais, políticas e educacionais, na medida em que contribuem e influenciam na formação do cidadão. Assim, a família e a escola são parcerias indissociáveis neste processo de relacionamento; ambas precisam caminhar juntas para compreenderem os processos de desenvolvimento das crianças.

O trabalho educativo envolvendo crianças com Necessidades Educativas Especiais - NEE, seja na família ou na escola, torna-se mais significativo, na medida em que essas instituições e seus vários atores valorizam a importância deste trabalho coletivo. Segundo Franco (2013, p.75) esclarece as “relações familiares e o impacto de ter um filho com SXF, mostram um aumento da conscientização sobre esta condição, em que o nível de educação dos pais contribui fortemente para tal”, segundo os autores Dunsford (2007), Mines & Steiner (2009), Van der Molen (2010) & Zwink (2011).

Estudos têm mostrado um crescente interesse entre as famílias e as escolas por entender a importância da participação no processo de educação e no desenvolvimento humano dos alunos com Necessidades Educativas Especiais. Neste sentido, os autores Franco, Melo, Santos e Bertão (2015) explicitam que o envolvimento na escola das crianças com perturbações do desenvolvimento é um factor decisivo para o seu percurso inclusivo, mobilizando a escola e os seus profissionais, por um lado, e a criança e família, por outro. Assim, é possível compreender como a família percebe a inclusão e como os professores trabalham com a diversidade.

Afirma Morgado (2003, p. 80) que, na escola, “a prática inclusiva deve assumir um trabalho em conjunto no que se refere ao processo de ensino e de aprendizagem, com vista à

construção de um estreitamento entre o currículo, as necessidades e características individuais dos alunos”.

Neste caso, a heterogeneidade de comportamentos coloca um nível de exigência especialmente à escola, quanto à necessidade de compreender como o aluno aprende. Braden (2004, p. 85) explica que “o ambiente da sala de aula é tipicamente movimentado, acelerado, barulhento e inclui uma variedade de transições. Os perfis cognitivo e comportamental definidos acima podem tornar este ambiente frustrante para a criança com Síndrome do X Frágil.”.

Se a escola é um espaço físico, psicológico, social e cultural em que os indivíduos se desenvolvem, é neste contexto educativo que as atividades intencionais adquirem significado que possibilitam, aos alunos, a apropriação de conhecimentos formais, cabendo às famílias neste processo, caminharem junto com as escolas, acompanhando o desenvolvimento dos seus filhos e contribuindo como sujeitos ativos, especialmente nas orientações formais da escola.

Todos os pais querem obter os melhores resultados na educação escolar de seus filhos. Não podemos deixar de considerar a importância de programas de aprendizagem, adaptações necessárias e sua respectiva articulação com métodos de trabalho apropriados para cada criança.

A família e a escola precisam trabalhar em conjunto, pois as crianças estão em constante movimento e, quanto maior for a integração entre família e escola, melhor será para elas.

Segundo Bailey et al. (2009) um estudo de famílias de crianças com transtornos genéticos indicou que os pais esperavam que eles estivessem dispostos a aprender mais sobre a condição da criança.

Os autores Dunst et al. (2007), Shonkoff, Hauser-Cram, Krauss, & Upshur (1992), e Singer, Ethridge, & Aldana (2007) relatam que os profissionais podem facilitar a adaptação familiar através de apoios e intervenções formais, usando práticas centradas na família para ajudar as famílias a construir seus próprios sistemas informais de apoio. Bailey et al. (2009), explica que, quando a família recebe o disgnóstico, quer unir-se a outras famílias em prol da busca de conhecimentos.

Para Landry, Smith & Swank (2006) as crianças, com atrasos podem beneficiar substancialmente de uma exposição cumulativa à parentalidade altamente responsiva ao meio de oportunidades de aprendizagem que isso proporciona, quando descoberto precocemente.

Segundo Bailey et al. (2009) as famílias podem contribuir com informações precisas, fornecer apoio formal e informal, possibilitar a participação na vigilância ativa e participar em pesquisas sobre intervenções gerais, à medida que estiverem disponíveis. Estes componentes fazem parte de uma abordagem de intervenção maior, que possibilita aos profissionais e às famílias lidarem melhor com as preocupações sociais, éticas, tecnológicas e logísticas.

Sabemos que a inclusão não fica restrita à escola; ela engloba outros segmentos, sociais, culturais e familiares. Quando recorremos às famílias compreendemos melhor as necessidades que os filhos apresentam. Bailey et al. (2009), explica que o trabalho deve ser caracterizado por uma ética centrada na família de parcerias entre pais e profissionais e colaboração que elimine redundâncias, maximize eficiências, use critérios de elegibilidade e ofereça acesso a serviços de qualidade para todas as famílias.