-Você sabe muito bem qual o problema: o horário novo de almoço para o pessoal do tratamento térmico e das máquinas de CN, disse O'Donnell. Ele está transgredindo o contrato. De acordo com o Artigo Sete, Parágrafo Quatro...
Eu disse: - Ok, espere um momento, Mike. Já é hora de dar ao sindicato uma visão atual do que está acontecendo na fábrica.
Durante o restante da manhã, descrevi a ele a situação da fábrica. Depois contei-lhe algumas coisas que descobrimos e expliquei porque as mudanças eram necessárias.
Resumindo, disse: - Você entende, não, que isso provavelmente só vai afetar no máximo umas vinte pessoas?
Ele balançou a cabeça e disse:
- Olhe, aprecio sua tentativa de explicar tudo isto. Mas temos um contrato. E, se deixássemos passar uma coisa, quem me garante que você não começará a mudar tudo o que não gosta?
-Mike, com toda honestidade, não posso garantir que, com o tempo, não precisaremos fazer outras mudanças. Mas, basicamente, estamos falando em empregos. Não estou pedindo por cortes nos salários, nem concessões em benefí cios. Mas estou pedindo flexibilidade. Precisamos ter a liberdade necessária para fazer mudanças que permitirão que a fábrica ganhe dinheiro. Ou, muito simples, talvez não haja uma fábrica em alguns meses.
-Para mim, isso parece uma tática de pânico, disse ele finalmente. -Mike, tudo o que posso dizer é, se você quiser esperar alguns meses para ver se estou apenas tentando assustar a todos, será tarde demais.
O'Donnell ficou em silêncio por um momento.
Finalmente ele disse: - Terei que pensar no assunto, discutir com os outros, todas essas coisas. Falarei com você depois.
No inicio da tarde, já não aguentava mais. Estava ansioso por saber como o novo sistema de prioridade estava funcionando. Tentei ligar para Bob Donovan, mas ele estava na fábrica. Por isso, decidi ir ver tudo por mim mesmo.
O primeiro lugar que verifiquei foi a NCX-10. Mas, quando cheguei na máquina, não havia ninguém para perguntar. Sendo uma máquina automática, ela Podia trabalhar bastante tempo sem que o operador ficasse por perto. O problema foi que quando cheguei lá: a maldita coisa estava simplesmente parada. Ela não estava operando e ninguém estava fazendo nenhuma preparação. Fiquei louco.
Fui procurar Mário.
- Por que diabo aquela máquina não está trabalhando? perguntei a ele.
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ETAEle verificou com o chefe da seção. Finalmente voltou onde eu estava e disse: -Nós não temos os materiais.
-Como assim, não têm os materiais, gritei. O que você me diz dessas pilhas de aço por todos os lugares?
-Mas você nos disse para trabalhar seguindo o que estava na lista. -Você quer dizer que terminou todas as peças atrasadas?
-Não, eles fizeram os dois primeiros lotes de peças. Quando chegaram na terceira peça da lista, procuraram por todos os lados e não puderam encontrar na fila os materiais para ela. Por isso, estamos parados até que eles apareçam.
Eu estava pronto para estrangulá-lo.
- É isso que você queria que fizéssemos, certo? disse Mário. Você queria que fizéssemos apenas o que estava na lista e na mesma ordem relacionada, não? Não foi isso que você disse?
Finalmente disse: - Sim, foi isso o que eu disse. Mas não lhe ocorreu que se você não pudesse fazer um item da lista, você deveria passar para o seguinte? Mário parecia desconcertado.
-Bem, diabos, onde está o material de que você precisa? perguntei a ele. -Não tenho ideia. Ele pode estar em muitos lugares. -Mas acho que Bob Donovan já mandou alguém procurar por ele.
-OK,ouça. Mande o pessoal da preparação manter esta máquina pronta para qualquer que seja a próxima peça da lista, para a qual você tenha material. E mantenha este monte de lixo operando.
-Sim, senhor.
Furioso, voltei para o escritório para mandar chamar Donovan e saber o que havia saído errado. Na metade do caminho, passei por alguns tornos e lá estava ele, conversando com Otto, o chefe da seção. Não sei qual fora o tom da conversa. Otto parecia estar apavorado com a preseça de Bob. Parei e fiquei ali esperando que Bob terminasse e notasse a minha presença, o que não demorou a acontecer. Otto se afastou e reuniu os operadores. Bob veio em minha direção.
Eu disse: - Você sabe o que está acontecendo?... -Sim, eu sei, disse ele. É por isso que estou aqui. -Qual é o problema?
-Nada, nenhum problema, ele disse. Apenas o procedimento padrão de operações.
Bob me explicou que as peças pelas quais eles estavam esperando na NCX- 10 estavam paradas ali, havia mais ou menos uma semana. Otto estava fazendo outros lotes de peças. Ele não sabia nada sobre a importância das peças destinadas
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ETApara a NCX-10. Para ele, pareciam iguais a qualquer outro lote e bem pouco importantes, a julgar pelo tamanho. Quando Bob chegara ali, eles estavam na metade de uma série grande e longa. Otto não quisera parar, até que Bob explicou tudo para ele.
- Maldição, Alex, tudo está como era antes, disse Bob. Eles fazem uma preparação e começam a processar uma coisa e depois têm que interromper na metade para que possamos terminar alguma outra coisa. É a mesma droga!
-Espere um pouco. Vamos pensar sobre isto por um momento. Bob balançou a cabeça. - O que há para se pensar?
-Vamos apenas tentar relacionar. Qual foi o problema?
-As peças não chegaram à NCX-10, o que significa que os operadores não puderam processar o lote que deveriam estar processando, disse Bob, como se estivesse recitando.
-E a causa foi que as peças do gargalo ficaram retidas por este não gargalo, que estava processando peças que não eram gargalo, eu afirmei. Agora temos que nos perguntar por que isso aconteceu.
-O encarregado daqui só estava tentando se manter ocupado, isso é tudo, disse Bob.
-Certo. Porque se ele não ficasse ocupado, alguém como você viria aqui e cairia em cima dele, eu comentei.
-É, e se eu não fizesse isso, alguém como você cairia em cima de mim, disse Bob.
-OK,reconheço. Mas, mesmo estando ocupado, ele não estava nos ajudando a ir em direção^da meta.
-Bem...
-Ele não estava, Bob! Veja, eu disse, apontando para as peças destinadas à NCX-10. Precisamos destas peças agora e não amanhã. As peças que são não gargalo podem não ser necessárias por semanas, ou até meses, talvez nunca. Por Jsso, ao continuar a processar as peças que são não gargalos, este empregado estava, «a verdade, interferindo em nossa capacidade de expedir um pedido e ganhar dinheiro.
-Mas ele não sabia disso, comentou Bob.
- Exatamente. Ele não pôde distinguir entre um lote importante de peças e Outro que não era importante, eu disse. Por quê?
- Ninguém disse a ele.
- Até você chegar. Mas você não pode estar em todos os lugares e este mesmo tí po de coisa vai acontecer novamente. Então como diremos a todos da fábrica quais
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peças são importantes?
-Acho que precisamos de algum tipo de sistema, afirmou Bob.
-Certo. Vamos criar um imediatamente para que não tenhamos de continuar a nos conformarmos com essa situação. E, antes de fazermos qualquer outra coisa, vamos nos certificar de que o pessoal dos dois gargalos sabe o que fazer para continuar a trabalhar segundo a ordem de prioridade da lista.
Bob deu uma última palavra com Otto para se certificar de que ele sabia o que fazer com as peças. Depois nos dirigimos para os gargalos.
Finalmente, estávamos voltando ao escritório. Pela expressão de Bob, podia dizer que ele ainda estava aborrecido com o que acontecera.
-O que há? Você não parece muito convencido disto tudo, eu disse. -Alex, o que vai acontecer se mandarmos repetidamente o pessoal interrom per os processos para processar peças para os gargalos? ele perguntou.
-Seremos capazes de evitar o tempo ocioso nos gargalos, respondi. -Mas o que vai acontecer com os nossos custos nos outros 98 por cento dos centros de trabalhos que temos aqui? ele perguntou.
-Não se preocupe com isso agora. Vamos apenas manter os gargalos ocupados. Olhe, estou convencido de que você fez a coisa certa ali. Você não está?
-Talvez eu tivesse feito a coisa certa, mas eu tive de infringir todas as regras. -Então as regras tinham de ser infringidas. E, para começar, talvez elas não fossem boas regras. Você sabe que sempre tivemos de interromper processos, por conveniência, para expedir os pedidos. A diferença entre antes e agora é que agora sabemos fazer isso antecipadamente, antes que surja uma pressão externa. Preci samos ter fé no que sabemos.
Bob concordou com a cabeça. Mas eu sabia que ele só acreditaria vendo. Sinceramente, acho que eu também. Alguns dias se passaram enquanto desen- volvíamos um sistema para resolver o problema. Às oito da manhã de sexta-feira, no início do primeiro turno, eu estava na lanchonete, observando os empregados entrarem. Bob Donovan estava comigo.
Depois daquele mal-entendido, decidi que quanto mais pessoas soubessem sobre os gargalos e a importância deles, melhor estaríamos. Planejamos fazer palestras de cinquenta minutos para todos os que trabalhavam na fábrica, tanto os chefes das seções quanto os horistas. Naquela tarde, faríamos o mesmo com o pessoal do segundo turno e eu voltaria à noite para conversar com o terceiro turno também. Quando todos estavam reunidos, levantei-me, fiquei na frente deles e disse:
- Todos vocês sabem que esta fábrica está enfrentando uma situação difícil já
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faz algum tempo. O que vocês não sabem é que estamos a ponto de começar a mudar isso. Vocês estão aqui nesta reunião porque hoje estamos introduzindo um sistema novo... um sistema que, na nossa opinião, tornará a fábrica mais produtiva do que no passado. Nos próximos minutos, explicarei rapidamente alguns antecedentes que nos fizeram desenvolver este sistema novo. Depois, Bob Donovan vai lhes dizer como ele funciona.
O limite de cinquenta minutos para as palestras não nos deu tempo para contar-lhes muita coisa. Mas, usando a analogia de uma ampulheta, expliquei rapidamente sobre os gargalos e porque tínhamos que dar prioridade às peças que passavam pelo tratamento térmico e pela NCX-10. Para as coisas que não tivéramos tempo de lhes contar, haveria uma circular que substituiria o antigo jornal dos empregados, informando sobre o desenvolvimento e progressos na fábrica.
Depois, passei o microfone para Donovan e ele falou sobre o sistema de prioridade de todos os materiais da fábrica, para que todos soubessem o que processar.
-Até o final do dia, todo o estoque em processo no piso receberá uma etiqueta com um número nela, disse ele e exibiu algumas amostras. As etiquetas serão de duas cores: vermelha e verde.
-A etiqueta vermelha significa que o trabalho no qual ela está afixada tem maior prioridade. As etiquetas vermelhas estarão em todos os materiais que precisam ser processados por um gargalo. Quando um lote de peças com etiquetas dessa cor chegar em sua estação de trabalho, vocês têm que processá-lo imedia tamente.
Bob explicou o que entendíamos por "imediatamente". Se o empregado estivesse fazendo um serviço diferente, poderia terminá-lo, desde que isso não levasse mais de meia hora. Antes que se passasse uma hora, as peças com etiqueta vermelha já deveriam estar recebendo atenção.
-Se vocês estiverem na metade de uma preparação, interrompam-na imedia tamente e preparem-se para as peças vermelhas. Quando você terminarem as peças do gargalo, podem voltar ao que estavam fazendo antes.
-A segunda cor é a verde. Quando houver uma opção entre processar peças com etiqueta vermelha e peças com uma etiqueta verde, processem primeiro as peças com a etiqueta vermelha. A maioria do estoque terá etiquetas verdes. Mesmo assim, trabalhem nos pedidos verdes apenas se não tiverem nenhum vermelho na fila.
- Isso explica a prioridade das cores. Mas o que acontece quando vocês tiverem dois lotes da mesma cor? Cada etiqueta terá um número marcado nela.
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Vocês devem sempre processar os materiais com o número mais baixo.
Donovan explicou alguns dos detalhes e respondeu a algumas perguntas. Depois disso, eu encerrei a reunião, dizendo:
- Esta palestra foi ideia minha. Decidi tirar vocês do que estavam fazendo principalmente porque queria que todos ouvissem a mesma mensagem ao mesmo tempo, para que, eu espero, vocês entendam melhor o que está acontecendo. Mas outra razão é que sei que já faz muito tempo que a maioria de vocês não ouve notícias boas a respeito da fábrica. O que vocês acabaram de ouvir é um inicio. Mesmo assim, o futuro desta fábrica e a segurança dos seus empregos só estarão garantidos quando começarmos a ganhar dinheiro novamente. A coisa mais importante que vocês podem fazer é trabalhar conosco... e, juntos, todos estaremos trabalhando para manter esta fábrica funcionando.
No final daquela tarde, meu telefone tocou.
- Oi, é 0'Donnell. Vá em frente com a nova política do almoço e das pausas para café. Não vamos contestá-la.
Contei a novidade para Donovan. E, com estas pequenas vitórias, a semana terminou.
No sábado à noite, às 7h29min, estacionei meu Buick lavado, encerado, polido e limpo com aspirador na entrada da casa dos Barnett. Peguei o buque de flores que estava no outro banco e saí do carro, usando minha roupa nova para namorar. Às 7h30min, toquei a campainha.
Julie abriu a porta.
-Ora, você está muito bonito, disse ela. -Você também.
E ela estava mesmo.
Fiquei alguns minutos conversando com os pais dela. O Sr. Barnett pergun- tou como estava tudo na fábrica. Disse a ele que parecia que estávamos a caminho de uma recuperação e mencionei o novo sistema de prioridades e o que estávamos fazendo para a NCX-10 e o tratamento térmico. Os pais dela olhavam para mim, confusos.
- Vamos? sugeriu Julie.
Brincando, disse à mãe de Julie: - Vou trazê-la de volta às dez horas. - Bom, disse a Sra. Barnett. Estaremos esperando.