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A proposta do MS na implantação de uma política Nacional de Atendimento Integral às Urgências, de acordo com as diretrizes gerais do SUS e Normas Operacionais de Assistência à Saúde, ficou evidenciado a necessidade da implantação e/ou implementação de sistemas de atendimento pré-hospitalar organizados, que permitam uma assistência eficiente e eficaz, exercida por profissionais capacitados e qualificados para desenvolver as atividades, assim como, toda uma estrutura de projetos de engenharia, de materiais específicos e também uma organização político-administrativa.

Assim, considerando a área de Urgência e Emergência como um importante componente da assistência à saúde e tendo como política nacional à redução da morbi-mortalidade por acidentes e violências, o Ministério da Saúde aprova a Portaria no. 2048/GM (Brasil, 2002 b) que dispõe sobre regulamento técnico dos sistemas estaduais de urgência e emergências, estabelecendo os princípios e diretrizes, as normas e os critérios de funcionamento, classificação e cadastramento desses serviços. Essa portaria estabelece normas para elaboração de planos estaduais de atendimento às urgências e emergências, regulação médica das urgências e emergências, atendimento pré-hospitalar, atendimento pré-hospitalar móvel, atendimento hospitalar, transporte inter-hospitalar e a criação de núcleos de educação de emergência e urgência. Para contemplar as diretrizes, ainda propõe as grades curriculares para qualificação de recursos humanos da área.

Em setembro de 2003, o MS institui a Portaria 1863/GM (Brasil, 2003 a) que estabelece a Política Nacional de Atenção às Urgências composta pelos sistemas de atenção estaduais, regionais e municipais às urgências reforçando as diretrizes de regionalização da atenção que visam desenvolver e adotar estratégias promocionais de qualidade de vida, organizar redes loco regionais de atenção integral às urgências.

Nesse mesmo período, foi instituída a Portaria 1864/GM (Brasil, 2003 b), por meio da qual é determinado o componente pré-hospitalar móvel da Política Nacional de Atenção às Urgências, por intermédio da implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência em municípios e regiões do Brasil. Por meio desta portaria, fica instituído o SAMU-192, suas Centrais de Regulação (Central SAMU-

192), seus Núcleos de Educação em Urgência, com financiamento de recursos financeiros para investimento e custeio do componente pré-hospitalar móvel, visando à implantação e implementação dos SAMU.

Esta portaria determina a adequação dos recursos e equipamentos conforme a população existente em cada município, preestabelecendo que para cada 100.000 a 150.000 habitantes será adquirido um veículo de suporte básico de vida e para 400.000 a 450.000 habitantes será adquirido um veículo de suporte avançado de vida. Estabelece ainda a estruturação das Centrais de Regulação desde de adequação física, como equipamentos e também os recursos para capacitação de multiplicadores que atuarão junto aos Núcleos de Educação em Urgências.

A organização do sistema de urgências deve ainda contemplar a organização do atendimento às urgências em quatro fases como: ações de prevenção, atendimento pré-hospitalar, atendimento hospitalar e ações de reabilitação.

A operacionalização de um sistema de urgência deve incluir a criação de um Conselho de Urgência reunindo um corpo coletivo com função consultiva e deliberativa, sendo que, todas as entidades envolvidas no sistema tenham um representante inclusive o poder público. Sua função é definir direitos e deveres das instituições envolvidas, discutir o funcionamento do sistema e pactuar todas estas decisões. Este conselho deve estabelecer normas, segundo níveis de complexidade para o atendimento ao doente em qualquer nível de assistência (GONÇALVES; RODRIGUES, 2001).

A regionalização e hierarquização dos hospitais são necessárias, identificando em cada área um hospital de referência para os demais e equipe multidisciplinar comprometida com este tipo de atendimento, 24 horas em todos hospitais de referência (MARTINI, 2001).

Para Gonçalves e Rodrigues (2001), ao atendimento pré-hospitalar móvel compete um conjunto de ações que se inicia na Central de Regulação que recebe os chamados de emergência, despacha o recurso mais adequado para o local do evento, orienta o emergencialista e facilita a entrada da vítima/ doente no sistema hospitalar.

Outro componente essencial do sistema de atendimento às urgências é a Central de Comunicações, constituindo-se no elo entre as equipes de APH Móvel e fixo e as unidades hospitalares e destas entre si. Não menos importante, é a parte integrante da organização que promove o controle do sistema, sendo considerada autoridade sanitária controladora, acessível 24 horas por dia, com plena autonomia e responsabilidade sobre o sistema; o médico regulador (MARTINI, 2001).

A rede pré-hospitalar móvel deverá estar preparada para prestar assistência básica às emergências ocorridas por qualquer natureza, em qualquer local da cidade e a qualquer cidadão. A funcionalidade do sistema exige a existência de veículos adequados e a formação e participação de recursos humanos nas áreas de comunicação, de resgate, de transporte, integrados por médicos, enfermeiros, técnicos especializados, assim como, por membros do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.

Essa nova modalidade de assistência têm vários objetivos, como o de determinar a forma de melhor resposta à demanda solicitada, pela regulação de todos os chamados, por prestar atendimento emergencial no campo pré-hospitalar móvel, atendimento este que responda às necessidades prementes do paciente crítico.

O Serviço de APH ou Serviços Móveis de Urgência são destinados ao atendimento às vítimas no local da ocorrência, sendo constituídos por profissionais da saúde e veículos equipados conforme a sua finalidade, sendo os mais utilizados:

- UT (Unidade de Transporte) - veículo tripulado com dois profissionais, sendo um motorista e um auxiliar ou técnico de enfermagem, destinado ao transporte de pacientes que não apresentam risco de vida, utilizados para remoções simples e de caráter eletivo.

- USB (Unidade de Suporte Básico) - veículo tripulado por dois profissionais, sendo um motorista e um auxiliar ou técnico de enfermagem, destinado ao transporte inter-hospitalar de pacientes com risco de vida conhecido e ao atendimento pré-hospitalar de pacientes com risco de vida desconhecido, não classificado como potencial de intervenções médicas no local e /ou durante o transporte até o serviço de destino. Atuam por meio de medidas conservadoras não invasivas, como imobilizações da região cervical com protetor específico, compressão de sangramento, aspiração de vias aéreas, colocação de cânulas de guedel, liberação de vias aéreas por manobras manuais, etc.

- USA (Unidade de Suporte Avançado) - veículo tripulado por três profissionais, sendo um motorista, um médico e um enfermeiro, destinado ao atendimento e

transporte de pacientes de alto risco em emergência pré-hospitalar e/ou de transporte inter-hospitalar que necessitam de cuidados médicos intensivos, por intermédio de medidas não invasivas ou invasivas que garantam a vida do paciente (BRASIL, 2002 b).

Eidi et al. (s.d.) apontam que os princípios básicos do APH deverão ser: 1. A intervenção no local da ocorrência deve ser rápida, segura, eficaz e com

meios adequados.

2. A responsabilidade de cada profissional e as inter-relações com os demais devem ser estabelecidas claramente.

3. A qualidade da assistência prestada está diretamente relacionada ao nível de competência dos profissionais e ao desenvolvimento do trabalho em equipe. 4. As ações preventivas e educativas devem ser um complemento das ações de

urgência.

5. O Código de Ética, a Lei do Exercício Profissional, as determinações do Código Nacional de Trânsito, as leis do Código Penal e outros documentos, deverão ser conhecidos pelos profissionais de acordo com a sua formação acadêmica e função desempenhada. Assim sendo, o APH pré-hospitalar móvel desempenha importante papel na qualidade da assistência oferecida à população, resultando em diminuição significativa das mortes evitáveis (MARTINI, 2001).