A REVOLTA DO RUPUNUN
3.3 O DECRETO DA PRETENSÃO VENEZUELANA SOBRE AS ÁGUAS TERRITORIAIS DAS ÁGUAS CONTÍGUAS ATÉ À BOCA DO ESSEQUIBO
6- A PARTICIPAÇÃO DA VENEZUELA: APOIO E RECUO
Um artigo de Carlos Edsel, publicado no jornal El Nacional do dia 17 de fevereiro de 1999, intitulado “A 30 años de la rebelión del Rupununi”, procura esclarecer, através de depoimentos de Germán Gonzáles Oropeza e com uma entrevista com Rafael Caldera, os passos da organização da Revolta na Venezuela e a vinculação do Presidente Leoni à causa dos revoltosos. Diz ele:
Fueran realizadas innumeras reuniones con Mora y la cancillería venezolana. Fueron revisadas una e otra vez los pormenores del plan. Finalmente, con la visa del presidente Raúl Leoni, se tomó la decisión de llevar adelante la iniciativa. (...) Para tal fin, los diplomáticos venezolanos en Guyana hicieron innumeros contactos con líderes
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adversos al gobierno de Burnhan y partidarios de la integración a la nación bolivariana, así con las familias más prominentes familias, a través de Jimmy y Valerie Hart233.
Edsel deixa evidente uma situação que depois se tornaria amplamente conhecida: a participação do governo venezuelano na preparação e organização da Revolta, como prosseguimento da diplomacia agressiva de Leoni.
Durante el año de 1968, el gobierno venezolano empezó el plan de aliciamiento de los residentes de la área del Rupununi. Para tal fin, los diplomáticos venezolanos establecidos en Guyana hicieron innumeros contactos confidenciales con dirigentes adversos al gobierno del primer Ministro de Guyana, Forbes Burnhan, y simpáticos a la causa de integrarse a Venezuela, así como las familias más prominentes y empresarios del Rupununi. Por intermedio de los Hart - Jimmy e su esposa Valerie [Valerie era esposa de Harry Hart e não de Jimmy] - el Gobierno venezolano estableció los contactos con las familias políticamente más influyente en Rupununi, tal como Melville y Davies, y ellas pos su vez extendieron entre los obreros de sus fincas y de sus empresas, y después entre la gran mayoría de los habitantes de la región, la idea libertadora de separarse del gobierno despótico y racista de Burnhan234.
O planejamento, como demonstra o autor, decorreu da interferência do padre Hermann, que foi um dos experts chamado pelo governo venezuelano para revisão documental sobre o Essequibo, tanto que Teddy encontrou-o fazendo anotações durante a reunião em Caracas. Edsel inclui ainda o padre del Rey:
Los dos jesuitas, José del Rey y Germán Oropeza, después de varios meses de cuidadoso planeamiento de la acción, la propusieron formalmente al entonces Ministro de las Relaciones Interiores de Venezuela, doctor Reinaldo Leandro Mora. Después de innumeras reuniones entre la Cancillería y el MRI, estudiando los pormenores de esa audaz acción, y, finalmente, con la aprobación del entonces Presidente Constitucional de la República, Raúl Leoni, se la determinó ejecutarla235.
Valerie Hart, segundo Edsel, ao deixar o Rupununi no dia 01 de janeiro de 1968, quando a ajuda venezuelana não chegou, dirigiu-se a Caracas com objetivo de insistir por ajuda como forma de evitar o “massacre” contra os 233 Idem, ibidem. 234 Idem, ibidem. 235 EDSEL, idem.
revoltosos pelas tropas de Burnhan. Na ocasião teria feito um pronunciamento, na condição de Representante do Governo Provisório, aos meios de comunicação da Venezuela:
Nosotros, habitantes del Rupununi de la Guiana Esequiba y en consecuencia, venezolanos por nacimiento, secundo el Artículo V [VII] de la Constitución Nacional, hacemos un llamado al pueblo e a las fuerzas armadas de Venezuela para que nos ayuden a impedir que las hordas del Primero Ministro de Guiana nos masacren236.
Ainda na mesma linha de raciocínio, o pedido de Valerie não teria encontrado o apoio esperado, sobretudo junto a Confederación de Trabajadores
de Venezuela, Fedecámeras e partidos políticos, devido à conjuntura política da
ocasião. A CTV, através de seu presidente, Gonzáles Navarro, teria dito que
... que el inconveniente que geraria para la estabilidad democrática, el retorno del Rupununi de un general victorioso, que después de recuperar ese territorio para nuestro país, tenia tanto prestigio entre los venezolanos que pondría en peligro la democracia partidaria, el cual se entraría en el mundo de los arreglos y de la corrupción que caracteriza el sistema político venezolano de nuestros días, en cual los dirigentes parecen apreciar mas la concupiscencia del poder de que la integridad territorial de nuestra patria237.
Entre outros motivos, havia certa resistência ao movimento do Rupununi por temor às pressões externas que a Venezuela poderia sofrer. Edsel diz que a Venezuela “não apoiou o levante porque teve medo da forma como os organismos internacionais julgariam seus atos; teve medo de que a chamassem de imperialista e expansionista”238.
Naquela época, a Venezuela vivia uma conjuntura política de transição, em que a AD deixava de governar. As iniciativas da diplomacia agressiva não valeriam mais no governo de Rafael Caldera, da COPEI que havia optado pela diplomacia prática, em que as soluções para o Essequibo se dariam no âmbito da Comissão Mista que culminou no chamado Protocolo de Puerto
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EDSEL, op. cit. p. 42. O assunto também foi comentado em El Globo, 18/08/1995.
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EDSEL, idem.
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España, congelando a reclamação venezuelana por 12 anos. O próprio Caldera
manifestou sua posição a respeito do movimento a Carlos Edsel:
Rafael Caldera, líder social cristiano, en una fiesta de final de año, en 1987, dije que Raul Leoni lo informó de los pormenores de la Revuelta que se preparaba. Y Caldera no quiso ver la Venezuela envolvida en un conflicto internacional que dificultase su gobierno. Y Caldera dije que lo departamento de Estado Norte-Americano manifestó que los Estados Unidos no estarían dispuestos a permitir que se alterase la paz e la orden geopolítica de la región. Y el Brasil había mencionado que se haría presente en la zona de conflicto, caso los venezolanos interviesen, por consideraren la región parte de sus intereses geopolíticos en el continente239.
Portanto, segundo Edsel, é dentro de um quadro de interesses da geografia política da região, que se pode entender a ausência militar da Venezuela na ocasião da Revolta do Rupununi. Edsel alude que “a Venezuela lançou a pedra e escondeu a mão”, numa referência à sua desistência em apoiar os revoltosos:
En la verdad, la Venezuela, en el momento en que se produzco el levante del Rupununi, tenían todo a su favor para recuperar ese territorio, ya que el Rupununi, situado en la frontera con Brasil, es una zona asolada, sin vías de comunicación terrestres y fluviales, lo cual se llega solo por avión. Esa condición geográfica, que había sido tan bien aprovechada por la Venezuela para apoyar la gestación del levante, no fue el mismo cuando esteró la Revuelta. En realidad, el gobierno de Dr. Raúl Leoni temió cuando el gobierno guianense respondió con sangre a la Revuelta, el escándalo que provocaría en organismos internacionales, y tal vez su condenación por los países del tercer mundo...240.
A realidade é que bem antes da Revolta iniciar, já não havia disposição da Venezuela em apoiá-la. Então, se havia a convicção de que a ajuda venezuelana não chegaria, qual então o motivo de prosseguir com o movimento? A única resposta possível é a de que os venezuelanos esperavam que os revoltosos tivessem sucesso no desencadeamento da Revolta, em primeiro lugar, e que pudessem, com suas próprias forças, ocupar militarmente todo o Rupununi, em segundo lugar. Por outro lado, havia a firme convicção de que a Revolta arrastaria a população do Essequibo para os seus objetivos, o que não aconteceu.
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Idem, ibidem.
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Como houve fracasso militar e não se deu a esperada adesão das comunidades indígenas do Essequibo, então os venezuelanos preferiram assistir à distância e ver os fazendeiros sofrerem as conseqüências do movimento. Por isso, entre os revoltosos existem muitas especulações a respeito da desistência da ajuda venezuelana, pois fora este país que conspirou para que ela acontecesse, como pretexto para a ocupação do Essequibo.
As características que cercaram o movimento produziram tais efeitos, e nenhum dos revoltosos pôde, por isso, construir uma imagem sólida da Revolta, transformando-a numa espécie de movimento misterioso. Nenhum revoltoso entende a derrota da revolta, ligando-a ao fracasso da Venezuela em recuperar militarmente o Essequibo ou ao descenso das famílias Hart e Melville no Rupununi, senão mencionam tão somente à ação da CIA, à astúcia de alguns membros das famílias envolvidos no movimento e interesses de Burnhan.
Existem, por isso, várias conjeturas sobre a ausência na Venezuela no movimento por parte dos revoltosos: muitos dizem que os chefes da Revolta traíram o movimento, principalmente Harry Hart, ou que Valerie teria ficado com o dinheiro do financiamento da Revolta; outros, que havia um interesse e participação de Burnhan, em associação com Valerie, desde o início para tirá-los da região; e ainda existem aqueles que dizem que a Revolta fracassou pelo fato de a CIA ter descoberto os planos. A verdade, é que até hoje não lhes foram esclarecidos os motivos da decisão venezuelana em apoiá-los e tampouco justificativas que os levou a abortar o apoio ao movimento no dia 23 de dezembro de 1968.