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Parte I : Enquadramento Teórico

1.8. A PESQUISA SOBRE A APRENDIZAGEM INVERTIDA

Embora não seja recente a ideia da aprendizagem invertida com o intuito de melhorar os resultados de aprendizagem dos alunos, todavia só ganhou forma em 2007 com a divulgação da estratégia pedagógica pelos professores norte-americanos, Jonathan Bergman e Aaron Sams, para diversos institutos universitários de renome, como Duke, stanford e Havard. Desde então, “[…] has been widely used to enhance teaching practices in many subject

67 domains and educational levels, reporting promising results for enhancing student learning experiences […]” ( Kostaris, Sergis, Sampson, Giannakos, & Pelliccione, 2017).

Em consequência disto, há uma vasta gama de pesquisas acerca da aprendizagem invertida, especialmente, no que diz respeito ao ensino universitário. Nestas próximas páginas, faremos uma síntese de alguns estudos, enfatizando os estudos que procuraram investigar a estratégia de aprendizagem invertida ou sala de aula invertida na melhoria do desempenho, motivação e engajamento de aluno do ensino secundário.

Moore e Chung (2015) tiveram como objetivo investigar os efeitos da estratégia de aprendizagem invertida nas atitudes, percepções e envolvimento dos alunos numa turma de Álgebra 2 do Ensino Secundário. A pesquisa também procurou investigar como a aprendizagem invertida poderia ser um fator motivador na aprendizagem de Matemática. Para alçancar tais objetivos, os autores implementaram uma pesquisa-ação no período de agosto a dezembro de 2014 com uma amostra composta por 35 alunos. Várias medidas foram usadas durante este estudo para determinar as atitudes, percepções, envolvimento e motivação dos alunos na disciplina de Matemática. Os autores fizeram entrevistas aos alunos para tentar perceber suas opiniões em relação à abordagem invertida, observações e anotações dos comportamentos dos alunos durante o período do tratamento em que foram realizadas. Destas ferramentas de coleta de dados, seis categorias dos sentimentos gerais dos alunos foram codificadas: compreensão, percepções, atitude, envolvimento e motivação. Os resultados sugerem que o modelo de sala de aula invertida teve impacto positivo nas atitudes e percepções, envolvimento e motivação dos alunos na disciplina de Matemática.

Bhagat, Chang e Chung (2016) tiveram como objetivo central examinar a eficácia do ambiente da sala de aula invertida na motivação dos alunos, bem como seu efeito sobre os diferentes níveis de desempenho na aprendizagem dos conceitos de Matemática. Os autores utilizaram um desenho quase-experimental com pré teste/pós teste com uma amostra composta por 82 alunos, sendo que 41 alunos pertencentes ao grupo experimental e os outros 41 ao grupo de controle. O modelo da sala de aula invertida foi usado no ensino de Geometria para o grupo experimental, enquanto o grupo controle seguiu uma lição semelhante usando o método tradicional de ensino por um período de seis semanas. Os pesquisadores aplicaram um teste de conhecimento de Matemática (pré e pós) e tambémaplicaram uma escala de motivação (pré e pós) para medir as reações motivacionais dos alunos para a disciplina de Matemática. O estudo concluiu que houve diferenças significativas entre os dois grupos no desempenho de aprendizagem e na motivação em favor do grupo experimental.

Al-Harbi e Alshumaimeri (2016) implementaram a estratégia de sala de aula invertida no ensino da gramática inglesa para examinar seu impacto no desempenho, percepção e

68 atitudes dos alunos do ensino secundário em relação à aprendizagem tradicional. A amostra era composta por 43 alunos, sendo que 20 alunos integravam o grupo experimental e 23 o grupo controle. O autor adotou um desenho quase-experimental com grupos aleatórios e não equivalentes. Antes da experiência propriamente dita, foi aplicado um pré-teste de conhecimento para ambos os grupos e um pós-teste foi administrado após o tratamento experimental. Além disso, foi aplicado um questionário quantitativo para ambos os grupos e uma entrevista semiestruturada no final do experimento para avaliar as opiniões dos alunos do grupo experimental e atitudes em relação à implementação da sala de aula invertida. A estratégia de sala de aula invertida foi aplicada somente para o grupo experimental, o grupo controle seguiu o ensino tradicional da gramática inglesa. As atividades do grupo experimental consistiam em assistir a um vídeo com base no manual escolar inserido na plataforma Edmodo para ser visualizado antes da aula presencial e na aula presencial o professor estimulava a interação e a aprendizagem ativa. Os autores não encontraram diferenças significativas em ambos os grupos no que diz respeito ao desempenho gramatical. Contudo, eles chegaram à conclusão de que adotar a prática invertida na disciplina de Inglês poderia ajudar a resolver algumas das questões problemáticas das escolas secundárias sauditas, nomeadamente, a passividade e desmotivação para os conteúdos de Inglês, visto que essa estratégia propicia um papel ativo aos alunos, melhorando, desta forma, suas atitudes face aos conteúdos de Inglês epor conseguinte, aumentando a motivação também.

Alzaytuniya (2016) teve como objetivo investigar a eficácia do uso da sala de aula invertida na aprendizagem gramatical na disciplina de Inglês, bem como na motivação em turmas do 10º ano de escolaridade na Ata Ashawwa Secondary-Gaza. Para atingir tais objetivos, o pesquisador adotou um estudo experimental, comparando com duas amostras, uma turma composta por 30 alunas, representando o grupo experimental e a outra, também constituído por 30 alunas representando o grupo controle. O método tradicional foi usado no ensino da gramática para o grupo controle, enquanto a estratégia Flipped Classroom foi usada no grupo experimental no segundo semestre do ano letivo (2015-2016). O pesquisador aplicou um teste de conhecimento para a língua inglesa (pré e pós) e também usou uma escala de motivação (pré e pós) para determinar a motivação dos alunos para o idioma inglês. O estudo concluiu que havia diferenças significativas na aprendizagem da gramática inglesa entre os dois grupos: o experimental e o controle em favor do grupo experimental, e isso pode ser atribuído ao uso de sala de aula invertida. As descobertas revelaram também diferenças significativas na pós-aplicação da escala de motivação entre os dois grupos, favorecendo o grupo experimental. Isso também pode ser atribuído ao uso da sala de aula invertida.

Kostaris, Sergis, Sampson, Giannakos, e Pelliccione (2017), através da implementação de uma pesquisa-ação, procuraram estudar o efeito da abordagem da sala de aula invertida no

69 ensino das TICs em turma do ensino básico e secundário. A pesquisa-ação empregou um delineamento quase-experimental, utilizando grupo de controle e grupo experimental entre duas turmas (total= 46 alunos) durante um semestre inteiro do ano letivo curricular nacional grego. Os resultados deste estudo forneceram evidências para vantagens potenciais nos resultados do conhecimento do conteúdo, na exploração do tempo de sala de aula em atividades de ordem superior, bem como no aumento do nível de motivação e envolvimento do aluno para aprender.

1.9. EXEMPLOS DE IMPLEMENTAÇÃO CURRICULAR DA ESTRATÉGIA DE