PARTE II – ENQUADRAMENTO EMPÍRICO
4.4 POPULAÇÃO E AMOSTRA
Na presente investigação, define-se como população o universo de alunos do 10º ano de escolaridade. Mais especificamente, todos os alunos do 10º ano da escola pública do ensino secundário no concelho de Lisboa na disciplina de Inglês no ano letivo de 2018/2019.
4.4.1 Caracterização da amostra produtora dos dados
A descrição da amostra foi realizada a partir dos indicadores considerados relevantes para esta investigação, nomeadamente, os correspondentes às variáveis dependentes e os de natureza demográfica, socioeconómica e familiar.
A informação foi recolhida em fontes diversas: registos estatísticos disponíveis da autoridade local de educação52, pautas finais do ano letivo de 2018/2019 de cada turma, fichas individuais
recolhidas pelos diretores de turma; Questionário de Motivação de Aprendizagem e
153 Questionário do Envolvimento do Aluno face à Aprendizagem. O primeiro instrumento continha uma parte destinada a recolher elementos de caracterização dos alunos.
A escolha desta amostra prendeu-se pelo fato destes estudantes apresentarem uma maior maturidade face à escola e também porque não estavam sob pressão dos exames nacionais, como é o caso dos estudantes do 11º e 12º anos.
No que concerne às investigações no campo educacional há uma grande dificuldade em se conseguir amostras representativas, seja por razões éticas ou práticas (Fernandes, 1991; Cohen, Manion, & Marisson, 2007; Creswell, 2007). Nestes caso, devido à falta de seleção aleatória da amostra e de modo que as diferenças que surjam na experiência sejam relativas ao tratamento e não às características dos grupos, realizamos um pré-teste para demonstrar que os grupos são equivalentes em relação às variáveis relevantes (idade, género, grau acadêmico do pai e da mãe, profissões do pai e da mãe, número de reprovações, acesso e modos e uso da internet).
Para compor a amostra foram considerados os alunos formalmente inscritos numa escola secundária do concelho de Lisboa no ano letivo de 2018/2019 na disciplina de Inglês, com duas turmas do 10º ano do curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias e seus respetivos professores. As duas turmas existentes na referida escola inicialmente apresentavam um total de 57 alunos. Destes, apenas 53 alunos constavam do registo oficial das pautas no início do primeiro período, resultado de anulação de matrículas, desistências e transferências para outro estabelecimento de ensino. No entanto, destes 53 participantes, um não participou nesta investigação, uma vez que o seu respetivo encarregado não autorizou que houvesse recolha e análise de dados sobre o seu educando, totalizando uma amostra de 52 (N=52). Dentro da amostra total, constituída por dois grupos distintos, atribuímos aleatoriamente um grupo para ser o grupo experimental (alunos submetidos à estratégia de aprendizagem invertida) , composto por 25 (N=25) e outro grupo para ser o de controlo (submetidos à estratégia tradicional), composto por 27 (N= 27) alunos (ver gráfico abaixo, referente à Figura 11).
154 Figura 11. Estudo da amostra: número de alunos no Grupo Experimental e Grupo Controlo
Nota: Gráfico produzido no Excel.
Tabela 1
Estudo da Amostra: Idade dos Alunos
Em ambos os grupos, a idade dos alunos é predominantemente 15 anos. Contudo, numa análise comparativa e complementar, verificamos que na turma de controlo, o número de alunos com idade de 15 anos é superior à turma experimental.
25 27 0 10 20 30 Experimental Controlo Fr eq u en cy Grupo Grupo Idade
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent Experimental Valid 14 8 32,0 32,0 32,0 15 16 64,0 64,0 96,0 16 1 4,0 4,0 100,0 Total 25 100,0 100,0 Controlo Valid 14 4 14,8 14,8 14,8 15 21 77,8 77,8 92,6 16 1 3,7 3,7 96,3 19 1 3,7 3,7 100,0 Total 27 100,0 100,0
155
Tabela 2
Modelo da Tabela para Calcular o Tempo de Aprender
Em ambos o grupo prevalece o sexo feminino. No entanto, ao fazer uma análise comparativa e adicional, constata-se que o número de alunos com o género feminino na turma de controlo é bem maior do que na turma experimental.
Tabela 3
Estudo da Amostra: Grau Académico dos Pais
No grupo experimental, relativamente ao grau académico dos pais, preponderam os graus de ensino secundário completo, graduação e mestrado. Os outros graus de ensino básico completo, especialização e doutoramento são menos representados.
Género
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent Experimental Valid masculino 12 48,0 48,0 48,0
feminino 13 52,0 52,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid masculino 10 37,0 37,0 37,0
feminino 17 63,0 63,0 100,0
Total 27 100,0 100,0
Qual o grau acadêmico que possuí o seu pai? (por favor, indicar apenas um)
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent Experimental Valid Ensino Básico Completo 1 4,0 4,2 4,2
Ensino Secundário Completo 7 28,0 29,2 33,3
Graduação 7 28,0 29,2 62,5 Especialização 2 8,0 8,3 70,8 Mestrado 4 16,0 16,7 87,5 Doutoramento 1 4,0 4,2 91,7 outros 2 8,0 8,3 100,0 Total 24 96,0 100,0 Missing System 1 4,0 Total 25 100,0
Controlo Valid Ensino Básico Completo 1 3,7 4,2 4,2 Ensino Secundário Completo 6 22,2 25,0 29,2
Graduação 2 7,4 8,3 37,5 Especialização 2 7,4 8,3 45,8 Mestrado 7 25,9 29,2 75,0 Doutoramento 6 22,2 25,0 100,0 Total 24 88,9 100,0 Missing System 3 11,1 Total 27 100,0
156 Numa análise comparativa e complementar, verificamos que o grau de mestrado, e doutoramento está mais representado na turma de controlo.
Os dados indicam que os pais dos alunos da turma controlo são, no conjunto, pessoas possuidoras de graus académicos mais elevados do que a turma experimental.
Tabela 4
Estudo da Amostra: Grau Académico das Mães
No grupo experimental, no que diz respeito ao grau académico das mães, predominam os graus de graduação, doutoramento e ensino secundário completo, respetivamente. Os outros graus de ensino básico completo, especialização e mestrado são os graus menos representados.
Numa análise mais robusta e comparativa, constata-se que os graus de mestrado e doutoramento estão bem mais representados na turma de controlo. Os dados indicam que as mães dos alunos da turma controlo são, no conjunto, pessoas possuidoras de graus académicos mais elevados do que à turma experimental.
No que diz respeito às variáveis “já reprovaste algum ano”, “tem computador em casa”, “tem acesso à internet”, “possui smartphone (ou tablet)”, os dados revelam que há semelhanças entre o grupo experimental e controlo, visto que nenhum aluno de ambos o grupo nunca reprovou. Todos os alunos de ambos os grupos possuem computador em casa e smartphone (ou tablet) e todos os alunos de ambos os grupos têm acesso à internet.
Qual o grau acadêmico que possuí a tua mãe? (por favor, indicar apenas um)
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent Experimental Valid Ensino Básico Completo 1 4,0 4,0 4,0
Ensino Secundário Completo 5 20,0 20,0 24,0
Graduação 7 28,0 28,0 52,0 Especialização 2 8,0 8,0 60,0 Mestrado 3 12,0 12,0 72,0 Doutoramento 6 24,0 24,0 96,0 outros 1 4,0 4,0 100,0 Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Ensino Básico Completo 2 7,4 7,4 7,4
Ensino Secundário Completo 7 25,9 25,9 33,3
Especialização 2 7,4 7,4 40,7
Mestrado 8 29,6 29,6 70,4
Doutoramento 8 29,6 29,6 100,0
157
Frequência e finalidades de uso da NTIC
Uma das características da amostra que era interessante determinar e que diz respeito a alguns dos aspectos mais importante deste estudo refere-se à frequência e finalidades do uso da NTIC.
a) Frequência do uso das NTIC (smartphone, tablet, internet, etc.).
Esta variável foi organizada em função de categorias previamente encontradas e determinadas durante a revisão da literatura.
Tabela 5
Estudo da Amostra: Frequência do Uso do Smartphone (ou Tablet)
A leitura da Tabela 5 revela-nos que grande parte dos alunos da turma experimental usa o smartphone entre 3 e 4 horas.
Numa análise comparativa e complementar, verifica-se que os alunos da turma experimental gastam muito mais tempo do dia usando as NTIC do que os alunos da turma de controlo.
b) Finalidade das NTIC
De acordo com o contexto em que foi levantado o problema deste estudo, é interessante percebermos as características da amostra no que diz respeito às finalidades do uso das NTIC.
Com que frequência usa o smartphone (ou tablet) diariamente?
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid mais de 5 horas 6 24,0 24,0 24,0
entre 3 e 4 horas 11 44,0 44,0 68,0
entre 1 e 2 horas 6 24,0 24,0 92,0
no máximo 1 hora 2 8,0 8,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid mais de 5 horas 6 22,2 22,2 22,2
entre 3 e 4 horas 8 29,6 29,6 51,9
entre 1 e 2 horas 11 40,7 40,7 92,6
no máximo 1 hora 2 7,4 7,4 100,0
158
Tabela 6
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC - Fazer Pesquisa na Internet
A Tabela 6 revela que os alunos da turma experimental usam maioritariamente as NTIC para fazer pesquisa na internet.
Numa análise comparativa e complementar, verifica-se que não há diferenças significativas entre a turma experimental e a turma controlo, visto que ambas apresentam praticamente as mesmas percentagens.
Tabela 7.
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC - Fazer Tratamentos de Imagens e/ou Sons
Os dados apresentados na Tabela 7 revela-nos que os alunos da turma experimental usam maioritariamente as NTIC para fazer tratamento de imagens e/ou sons.
Numa análise comparativa e complementar, averiguou-se que a turma experimental usa muito mais as NTIC para fazer tratamentos de imagens e/ou sons do que a turma controlo.
( ) Fazer pesquisa na internet
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 21 84,0 84,0 84,0
Não 4 16,0 16,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 22 81,5 81,5 81,5
Não 5 18,5 18,5 100,0
Total 27 100,0 100,0
( ) Fazer tratamento de imagens e/ou sons
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 13 52,0 52,0 52,0
Não 12 48,0 48,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 3 11,1 11,1 11,1
Não 24 88,9 88,9 100,0
159
Tabela 8
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC - Participar em Redes Sociais
Os dados da Tabela 8 mostram que os alunos usam muito as NTIC para participarem em redes sociais. Esta Tabela nos permite fazer uma outra leitura, ou seja, assim como a turma experimental, a turma de controle usa maioritariamente as NTIC para participar de redes sociais.
Tabela 9
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC - Ver Vídeos Online
Conforme os dados da Tabela 9, a turma experimental usa muito as NTIC para ver vídeos on- line.
Numa análise comparativa e complementar, verifica-se que não há diferença entre as duas turmas, já que ambas (experimental e controlo) usam as NTIC predominantemente para ver vídeos.
( ) Participar em redes sociais
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 23 92,0 92,0 92,0
Não 2 8,0 8,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 25 92,6 92,6 92,6
Não 2 7,4 7,4 100,0
Total 27 100,0 100,0
( ) Ver vídeos online
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 22 88,0 88,0 88,0
Não 3 12,0 12,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 22 81,5 81,5 81,5
Não 5 18,5 18,5 100,0
160
Tabela 10
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC – Jogar
Os dados da Tabela 10 revelam que os alunos da turma experimental raramente usam as NTIC para jogar.
Numa análise comparativa e complementar, constata-se que ambas as turmas são semelhantes no que diz respeito ao uso das NTIC para jogar, visto que ambos os grupos (experimental e controlo) raramente fazem uso das NTIC para jogar.
Tabela 11
Estudo da Amostra: Finalidade do Uso da NTIC - Ouvir Música
Os dados da Tabela 11 mostram que a turma experimental usa maioritariamente as NTIC para ouvir música.
( ) Jogar
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 11 44,0 44,0 44,0
Não 14 56,0 56,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 12 44,4 44,4 44,4
Não 15 55,6 55,6 100,0
Total 27 100,0 100,0
( ) Ouvir música
Grupo Frequency Percent Valid Percent
Cumulative Percent
Experimental Valid Sim 22 88,0 88,0 88,0
Não 3 12,0 12,0 100,0
Total 25 100,0 100,0
Controlo Valid Sim 25 92,6 92,6 92,6
Não 2 7,4 7,4 100,0
161 Numa análise comparativa e complementar ambas as turmas (experimental e controlo) são semelhantes no que diz respeito ao uso da NTIC para ouvir música.
Procurando fazer uma síntese sobre os aspectos tratados no que diz respeito à frequência e finalidade do uso das NTIC, podemos caracterizar os grupos da seguinte forma:
a) No que diz respeito à frequência do uso das NTIC, verificou-se que mais da maioria dos alunos usa as NTIC entre 3 e 4 horas por dia;
b) Quanto à finalidade, concluiu-se que a maior parte dos alunos usa as NTIC para fazer pesquisa na internet, participar em redes sociais, vê vídeos e ouve música.
4.5 INSTRUMENTAÇÃO
O objeto deste estudo consiste em investigar em contexto de sala de aula a estratégia de aprendizagem invertida no âmbito do currículo do ensino secundário. Assim sendo, nesta seção, apresentaremos e discutiremos a estratégia geral de recolha de dados adotada para esta investigação: descrever as origens e o desenvolvimento das medidas usadas na recolha de dados, descrever e discutir os procedimentos utilizados para garantir a validade e fiabilidade das medidas.
Em virtude da natureza do objeto em estudo – marcado pela diversidade e complexidade social e cultural –, sugere uma abordagem multi-métodos, visto que o objeto da investigação inclui níveis de análise quantitativo e qualitativo.
Ao considerar que a abordagem exclusivamente quantitativa apresenta algumas limitações, decidimos que uma possível resposta para superar essas limitações seria propor a triangulação de descobertas derivadas de diversas fontes (abordagem quantitativa e qualitativa e meta-análise) e técnicas diversificadas de recolha de dados, tendo em vista que os vieses inerentes ao método quantitativo poderiam ser neutralizados por dados de diversas fontes e técnicas de recolha de dados (Cf. Jick, 1979; Cherryholmes, 1992; Creswell, 2007; Flick, 2009, entre outros).
Esclarecida esta estratégia geral de recolha de dados, importa agora identificar, de acordo com os objetivos da investigação, fontes de dados e técnicas utilizados na coleta de dados, bem como, seus respectivos instrumentos e indicadores de medida.
O quadro abaixo, referente à Figura 12 resume a estratégia geral de recolha de dados, identificando as perguntas de investigação, as variáveis, os objetivos, os procedimentos de análise e fases e as fontes de dados.
162
Correspondente de Perguntas de Pesquisa, Variáveis, Procedimentos de Análise e Fontes de Dados
Questões da Pesquisa Variáveis Procedimentos de Análise e Fases Fontes de Dados
QP1: A aprendizagem invertida contribui para melhores resultados de
aprendizagem dos
alunos face aos
conteúdos de Inglês em comparação aos alunos de turmas sujeitas ao modelo tradicional de ensino?
Resultados de aprendizagem Quantitativo: Análise estatística das
classificações dos alunos (pré e pós teste) (F1 e F3).
classificações atribuídas pelos
professores das competências
cognitivas e sócio afetivos. Qualitativo: Análise de conteúdo das
entrevistas (F2 e F3). Conteúdo das entrevistas (alunos e professor);
Triangulação: Exploração de descobertas integradas (F1 e F3).
Classificações atribuídas pelos
professores das competências
cognitivas e sócio afetivos;
Conteúdo das entrevista (alunos e professor).
QP2: A aprendizagem invertida na disciplina de
Inglês do Ensino
Secundário oferece mais tempo de oportunidade
de aprender em
comparação aos alunos de turmas sujeitas ao modelo tradicional de ensino?
Oportunidade de aprender Quantitativo: análise estatística do tempo de
oportunidade para aprender (Model Caroll) (F2 e F3)
Conteúdo da Equação TOP (Caroll, 1963, 1989).
Qualitativo: Análise de conteúdo das observações, do inquérito/checklist (modo
flip) e da entrevista ao professor. (F2 e F3).
Conteúdo das notas de campo; Conteúdo das entrevistas (professor); Conteúdo do checklist (modo flip). Triangulação: Exploração de descobertas
integradas (F2 e F3)
Conteúdo das notas de campo;
Conteúdo da Equação TOP (Caroll, 1963, 1989);
Conteúdo das entrevistas (professor e alunos);
Conteúdo do checklist (modo flip). QP3: A aprendizagem
invertida tem efeitos
positivos sobre a
motivação dos alunos face à aprendizagem de Inglês em comparação com o modelo tradicional de ensino?
Motivação Quantitativo: Análise estatística do pré e pós
teste de motivação (F1 e F3) Conteúdo da escala de motivação.
Qualitativo: Análise de conteúdo do
checklist (questão 06), das observações e
das entrevistas (F2 e F3)
Conteúdo das notas de campo;
Conteúdo das entrevistas (alunos e professores);
Conteúdo do checklist (modo flip). Triangulação: Exploração de descobertas
integradas (F1, F2 e F3) Conteúdo da escala de motivação; Conteúdo das notas de campo; Conteúdo das entrevistas (alunos e professores),
163
Correspondente de Perguntas de Pesquisa, Variáveis, Procedimentos de Análise e Fontes de Dados
Questões da Pesquisa Variáveis Procedimentos de Análise e Fases Fontes de Dados
QP4: A aprendizagem invertida tem efeitos
positivos sobre o
envolvimento dos alunos face à aprendizagem de Inglês em comparação com o modelo tradicional de ensino?
Envolvimento Quantitativo: Análise estatística do pré e pós
teste de envolvimento (F1 e F3) Conteúdo da escala de envolvimento
Qualitativo: Análise de conteúdo do
checklist (questão 06), das observações e
das entrevistas (F2 e F3)
Conteúdo das notas de campo;
Conteúdo das entrevista (alunos e professor).
Triangulação: Exploração de descobertas integradas (F1, F2 e F3)
Conteúdo da escala de motivação; Conteúdo das notas de campo;
Conteúdo das entrevistas (alunos e professores),
Conteúdo do checklist (modo flip). Nota: As referências "F" entre parênteses diz respeito à fase de análise na qual ocorreu o procedimento.
164 4.5.1 Instrumentação
Numa investigação em Ciências Sociais, nomeadamente em Educação, a qualidade dos instrumento de medida é um fator muito importante em um processo investigativo. Vários são os instrumentos utilizados pelos investigadores em uma pesquisa em educação (guiões de observações, guiões de entrevistas, formulários para inquérito por questionários, testes de medidas de conhecimento ou medida de atitudes, etc.). Estes instrumentos são escolhidos conforme a estratégia e os objetivos da investigação.
Na realidade, as preocupações com a utilização de instrumentos de recolha de dados não perpassam somente no que diz respeito à escolha do instrumento a ser utilizado, mas sobretudo, à qualidade da fiabilidade e validade desses instrumentos. Parece-nos importante definir o que entendemos por fiabilidade e validade dos instrumentos de pesquisa.
Entendemos por fiabilidade a capacidade de um instrumento particular medir aquilo que realmente pretende medir e pode ser examinado através da análise da consistência ou estabilidade desse instrumento (Cohen, Manion, & Marisson, 2007). Diz-se que um instrumento é fiável se ele for capaz de reproduzir os mesmos resultados se for repetido sobre o mesmo indivíduo ou objeto.
A avaliação da estabilidade de um instrumento pode ser feita através do método teste-reteste. Este procedimento consiste na aplicação de uma mesma medida em dois momentos (Cf. Polit DF, Beck CT, 2011, citados por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 651). O uso deste método advoga que o fator a ser medido permaneça o mesmo nos dois momentos dos testes e qualquer mudança no escore pode ser causada por erros aleatórios (Cf. Keszei AP, Novak M, Streiner DL, 2010, citado por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 651).
A consistência interna indica se todas as subpartes de um instrumento medem a mesma característica (Streiner DL, 2003, citado por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 651). Por exemplo, se um instrumento que avalia a motivação dos alunos para a aprendizagem possui quatro domínios (atenção, relevância, confiança e satisfação) todos os itens do domínio “atenção” têm que medir realmente tal construto e assim sucessivamente com os outros domínios de forma que o instrumento apresente consistência interna. Esta medida pode ser avaliada por meio do coeficiente alfa de Cronbach. O teste de Cronbach reflete o grau de covariância entre os itens de uma escala. Apesar do teste de Cronbach ser altamente utilizado pelos pesquisadores, ainda não há na literatura um consenso no que diz respeito a sua interpretação, o que a maioria defende é que valores superiores a 0.70 são considerados ideais (Cf. Keszei AP, Novak M, Streiner DL, 2010; Streiner DL, Kottner J, 2014, citador por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 651).
165 Já a validade de um instrumento de medida é alcançada se o instrumento conseguir traduzir de forma correcta a grandeza que pretende medir. Conforme Roach KE (2006, citado por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 652), a validade não é uma característica do instrumento e deve ser determinada com relação a uma questão particular, uma vez que se refere a uma população definida. Cohen, Manion, e Marisson (2007) sublinham que a validade e fiabilidade não são totalmente independentes, visto que um instrumento não confiável não pode ser válido. Assim, um instrumento altamente fiável não é sinônimo de validade deste mesmo instrumento. Há vários tipos de validade: nesta seção serão abordadas as duas principais, a saber: validade de conteúdo e validade de construto.
A validade de conteúdo refere-se ao grau em que um instrumento demonstra um domínio específico de conteúdo que pretende medir. Como não exista um teste estatístico específico para avaliar a validade de conteúdo, os pesquisadores geralmente utilizam uma abordagem qualitativa, levando em consideração os seguintes aspectos (Cf. Cohen, Manion, & Marisson, 2007):
a) Garantir os procedimentos de elaboração do instrumento (identificação do domínio, a formação dos itens e o conteúdo);
b) Aplicar o instrumento para uma amostra adequada;
c) Indicadores de medida devem ser precisos, isentos de ambiguidades; d) Parecer positivo de um comitê de especialistas;
e) Se adaptado e traduzido, o investigador precisa levar em consideração o idioma, o contexto cultural e o estilo de vida da população alvo, ou seja, deve considerar os aspectos técnicos, linguísticos e semânticos.
A validade de construto refere-se à extensão em que um conjunto de variáveis realmente representa o construto a ser medido. A validade de construto está diretamente relacionada com a teoria, ou seja, o pesquisador ao construir as hipóteses, gera previsões e estas são testadas para dar apoio à validade do instrumento. (Cf. Cohen, Manion, & Marisson, 2007). Assim sendo, quanto mais evidências, mais válida é a interpretação dos resultados (Cf. Lamprea JA, Gómez-Restrepo C., 2007; Kimberlin CL, Winterstein AG., 2008; citado por Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017, p. 654). De acordo com Souza, Alexandre, e Guirardello (2017), há uma variedade de formas para se testar a validade de construto e, nesta seção, abordaremos apenas o teste de hipóteses, visto que este está subjacente a este estudo.
Existe uma variedade de estratégia para confirmar a validade de construto pelo teste de hipóteses. Uma delas é a validade convergente e divergente do instrumento de pesquisa. Segundo Ramos (1997), esta estratégia refere-se ao estudo de dois tipos de hipóteses: no
166 primeiro comprova-se a hipótese de dois instrumentos ou escalas distintas medirem o mesmo