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VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM INVERTIDA

Parte I : Enquadramento Teórico

1.7. VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM INVERTIDA

Independente de seu grande potencial, a estratégia à aprendizagem invertida, como todas as metodologias educacionais (incluindo a tradicional), tem vantagens e desvantagens. As vantagens atribuídas a esta prática instrucional são geralmente relacionadas ao tempo extra que se ganha em sala de aula, possibilitando o desenvolvimento de habilidades de pensamento de ordem superior, no qual o aluno adquira os conhecimentos de forma mais significativa e duradoura, tendo em conta que ele aprende fazendo, hands-on Para além, é uma prática educacional que proporciona autonomia, acessibilidade e possibilita ao aluno avançar em seu aprendizado de forma reflexiva e crítica (Thuong, 2017), proporcionando motivação e envolvimento para os conteúdos escolares. Estes ganhos, ao que tudo indica, são independentemente do contexto da implementação ou da unidade curricular.

64 Ali e Säberg (2016) tiveram como objetivo analisar as vantagens e desvantagens da estratégia flipped classroom na disciplina de Inglês numa escola secundária sueca e também procurar entender as vantagens da implementação de uma estratégia que fizesse uso intensivo de ferramentas tecnológicas na sala de aula, onde se podem atender às necessidades dos alunos de hoje. Os resultados desta investigação mostram que há muitas vantagens quando se utiliza a sala de aula invertida. Por exemplo, a sala de aula invertida ao criar ambientes adequados onde as discussões podem ocorrer, as atividades em sala de aula visam envolver a todos os alunos, aplicando conceitos e compartilhando ideias.

Os resultados também mostram algumas desvantagens que podem ocorrer ao converter para uma sala de aula invertida. Alguns destes são: a) que a abordagem invertida leva tempo de ajuste, b) os alunos precisam se adaptar à transição para uma sala de aula invertida, c) a preparação de aulas on-line é demorada, além disso, d) tanto os alunos como os professores precisam aprender a usar a nova tecnologia que vem com o modelo de sala de aula invertida. Basal (2015) atribui que esta prática traz muitas vantagens a professores e alunos na disciplina de Inglês, visto que a prática, ao fazer uso intensivo de vídeos de situação da vida real, os alunos podem ouvir as palavras inglesas pronunciadas por um nativo, aperfeiçoando, desta maneira, a dicção e quanto aos professores, por sua vez, podem aproveitar um conteúdo rico, já pronto e disponibilizado na web para explorá-lo com seus alunos.

Da mesma forma Sung (2015) atribui à aprendizagem invertida a vantagem de motivar o aluno a trabalhar e aprender a aprender. Embora enfrentando alguns desafios de uma nova abordagem, os alunos correspondem bem a todas as atividades propostas na plataforma, visualizando os vídeos, enviando perguntas e interagindo nos chats e participando de discussões presenciais, ou seja, mantêm atitudes positivas em relação à inversão.Contrariando o ponto de vista de Sung (2015), Lin e Chen (2016) chegaram à conclusão em seu estudo, que os alunos reagiam negativamente a qualquer tipo de inovação em sala de aula e também, por outro lado, alguns alunos não tinham o hábito de estudar em casa, ou seja, no estudo de Lin e Chen (2016) foi verificado que alguns alunos ignoravam as atividades propostas e consequentemente, a inversão não alcançava os ganhos perspectivados. A respeito desse ponto de vista, o estudo de Snyder (2014, citado por Lo & Hew, 2017) coaduna com a visão de Sung (2015), pois em sua pesquisa os alunos relataram que era muito mais prazeroso assistir às palestras em vídeo do que ler materiais textuais ou ouvir o professor a falar e também os alunos consideraram que os vídeos facilitam as atividades em classe. Ademais, essa percepção dos alunos fez com que eles se responsabilizassem mais pela sua própria aprendizagem e ritmo de estudo, fazendo com que

65 muitos alunos assistissem aos vídeos muitas vezes até obterem uma melhor compreensão dos conceitos envolvidos na atividade.

Para Bergmann e Sams (2012), pioneiros da abordagem, como prática educativa ou atividade de aprendizagem que é, a aprendizagem invertida tem o inconveniente de alguns alunos não realizarem a tarefa proposta e acabar por atrapalhar o bom andamento da aula. No entanto, no caso dessa prática, há uma forma de remediar tal situação, quer dizer, aquele aluno que não assistiu ao vídeo, não poderá participar das atividades práticas em sala de aula, mas, em contrapartida, o professor poderá disponibilizar um material impresso ou até mesmo através do próprio aparelho telefônico do aluno para que ele assista ao vídeo em sala, enquanto o professor desenvolve outro tipo de atividade com aqueles alunos que realizaram a atividade pré-classe. Esta atitude do professor perante aquele aluno que não realizou a tarefa proposta, segundo os autores, com o passar do tempo, constrange o aluno, a ponto de conscientizá-lo, por si próprio, da importância de realizar a tarefa de casa proposta pelo professor, posteriormente, passando a participar ativamente.

De acordo com Moran (2015, p. 9), se os materiais on-line e os ambientes em sala de aula forem “altamente estruturados e bem planejados”, incentivarãoos alunos a participarem tanto das atividades on-line quanto presenciais, até porque, durante as aulas on-line, o professor oferece ao aluno feeedbck imediato, sendo que sua participação on-line, poderá ser computada na sua avaliação formal, ou seja, valendo nota.

Hung (2015) atribui à aprendizagem invertida uma forma de estudar ao longo da vida. Em seu estudo empírico, constatou, por meio de uma estratégia de aprendizagem utilizando a plataforma da WebQues,t que os alunos adquiriram o conhecimento do assunto de forma ativa e também de acordo com suas preferências. Na perspectiva do investigador, essa possibilidade de estudo torna os alunos mais responsáveis por sua própria aprendizagem, motivando-os a praticarem suas habilidades de linguagem, não apenas durante o ciclo de aula, mas durante a vida.

Em concordância, Moran (2015) sublinha que as plataformas adaptativas (como por exemplo, WebQuest, Moodle, Edmodo, Edpuzze, etc), utilizadas na inversão, possibilitam ao aluno monitorar o seu avanço em tempo real, sugerindo alternativas e permitindo que cada aluno adquira o conhecimento de forma autônoma e no seu próprio ritmo. Paralelamente, o uso de plataforma inerente à abordagem invertida facilita o trabalho do professor, que também, assim como os alunos, poderá, através da plataforma, visualizar esses mesmos avanços e dificuldades em tempo real de forma a preparar as aulas no sentido de ajudar os alunos a ultrapassarem suas dificuldades.

66 No que diz respeito ao uso da tecnologia educacional em contexto de sala de aula, Obari e Lambacher (2016) provaram que a inversão com recurso à tecnologia móvel apresenta-se bem adequada. Evseeva e Solozhenko (2015, citados por Thuong, 2017) afirmaram em seu estudo que o uso da tecnologia móvel em sala de aula invertida ajuda a melhorar a motivação e o desempenho dos alunos, tendo em conta que o estudo concluiu que a sala de aula invertida é um exemplo típico de estratégia bem sucedida para integrar a tecnologia nas aulas de Inglês de modo a capacitar os alunos nos conhecimentos mais atuais da disciplina e também melhorar a proficiência da mesma.

Por outro lado, Alzaytuniya (2016) sublinha que o uso de vídeos instrucionais no modelo invertido é de suma importância para sedimentar a aprendizagem, pois o aluno pode pausar, rebobinar e assistir ao vídeo quantas vezes for necessário até obter o conhecimento necessário acerca do assunto estudado. Contudo, Lo e Hew (2017) chamam-nos atenção para os vídeos com abordagem da teoria cognitiva da aprendizagem multimídia, pois esse tipo de vídeo acaba por desativar os alunos, visto que, para além de serem longos, produzem o conceito tradicional de educação.

Ademais, os autores (Lo & Hew, 2017) advertem-nos também para o uso tecnológico em sala de aula não contribuir para uma “divisão digital” ainda maior entre alunos ricos e pobres. Nesse sentido, os mesmos autores aconselham as escolas a considerar o status socioeconômico de cada aluno, por exemplo, o diretor poderá ampliar o uso de instalações de informática na escola para apoiar a implementação. Para além, os professores podem preparar algumas cópias de material de aprendizagem folheados em unidades de flash ou DVDs para os alunos que não têm conexão com a internet em casa (Clark, 2015; Schultz et al, 2014, citados por Lo & Hew, 2017). Do mesmo modo, Bergmann e Sams (2012) acreditam que o acesso equitativo da tecnologia não é um obstáculo intransponível e poderá ser superado com uma boa dose de criatividade, audácia e engenhosidade por parte do professor, afirmando ainda que o professor que pretende implementar à abordagem invertida deve fazer de tudo que estiver ao seu alcance, como subsidiar os aparelhos, redes de internet, etc., caso a escola não ofereça.