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A proposta da escola para o Programa Mais Educação

4 DAS CENAS DO COTIDIANO ESCOLAR ÀS PERCEPÇÕES: APRESENTAÇÃO

4.1 A ESCOLA E O PROGRAMA MAIS EDUCAÇÃO

4.1.2 A proposta da escola para o Programa Mais Educação

A escola pesquisada foi contemplada com o Programa Mais Educação entre os anos de 2013 e 2015. Entretanto, faço uma leitura centrada nos acontecimentos ocorridos no ano de 2015, período em que realizei o trabalho de campo.

Após ter apresentado meu projeto de pesquisa à direção da escola, passei a visitá-la para a realização do trabalho de campo na busca de dados que pudessem me auxiliar nesta investigação. Conversei com a diretora sobre o plano de ação do PME da escola. Perguntada

sobre a forma de como ele foi elaborado ela disse

Na verdade, o plano de ação do PME foi feito só pela escola, por mim e pela coordenadora. Estudamos o plano na sua totalidade e fomos fazendo. Quando tínhamos dúvidas perguntávamos ao pessoal responsável da CRE, mas nem eles não sabiam, tanto é que, quando acabamos o plano e fomos mostrar na CRE, eles queriam que cedêssemos o plano para as outras escolas, terem uma referência para fazer os deles (DIÁRIO DE CAMPO, 12 maio 2015).

O plano de ação do PME para o ano de 2015, desenvolvido pela escola, exibe os dados de identificação da escola, sua filosofia, princípios e diretrizes. Considerando as especificidades do programa, apresenta o que ele é, os macrocampos selecionados, os critérios para inclusão dos alunos e para a escolha dos voluntários (monitores), atribuições do professor comunitário (coordenador), atribuições do monitor, as normas de organização e convivência (para os alunos e para os monitores), os objetivos do programa, organização dos recursos e espaços, a grade de horário das oficinas, a justificativa e a metodologia.

Embasado no plano de ação supracitado, trago alguns fragmentos que ajudarão explanar sobre a proposta do PME da escola. Mostro suas diretrizes, o processo de escolha dos voluntários, as atribuições do professor comunitário, bem como dos voluntários. Apresento, ainda, suas normas de organização e convivência, seu horário de funcionamento, os objetivos propostos e a justificativa para sua implantação O plano diz que no final do ano de 2014 foi realizada uma reunião com a comunidade escolar na qual se decidiu optar pelos macrocampos apresentados no quadro 1.

Quadro 1- Macrocampos ofertados pela escola

Acompanhamento Pedagógico, com o desenvolvimento da alfabetização e letramento, para envolver os participantes na leitura e escrita de forma lúdica, diversificada, coletiva e prazerosa. Inserindo todas as atividades (alfabetização, matemática, história, ciências, geografia e línguas estrangeiras), ensejando assim o permanente diálogo entre os professores da escola e os monitores. Esporte e Lazer, com a atividade Esporte na Escola/Atletismo e Múltiplas Vivências Esportivas (basquete, futebol, futsal, handebol, voleibol e xadrez), possibilitando ação pedagógica, por meio de uma proposta planejada, inclusiva, participativa, que possibilita o desenvolvimento de diversas modalidades. E valorizando o prazer e o lúdico, pressupostos do Esporte Educacional.

Cultura, Artes e Educação Patrimonial, com a prática da Capoeira, possibilitando ação pedagógica, por meio de uma proposta planejada, inclusiva, participativa, que possibilita o desenvolvimento de diversas modalidades. E valorizando o prazer e o lúdico, pressupostos do Esporte Educacional. Cultura, Artes e Educação Patrimonial, desenvolvendo a Dança, tendo como enfoque a organização de danças coletivas (regionais, clássicas, circulares e contemporâneas) que permitam apropriação de espaços, ritmos e possibilidades de subjetivação de crianças, adolescentes e jovens. Promoção da saúde e socialização por meio do movimento do corpo em dança.

Fonte: Adaptado de Plano de Ação (2015, s.p.).

O plano tem como diretrizes, a partir dessas atividades, oportunizar aos discentes momentos lúdicos, diversidade no aprendizado, pensando na perspectiva do aluno aprender de maneira prazerosa. Apresenta como critérios de inclusão “o nível de vulnerabilidade [social] de cada criança” (PLANO DE AÇÃO, 2015, s.p.), se o aluno tem problemas na

aprendizagem, se participa do Programa Bolsa Família, além do desejo do aluno em participar das oficinas.

Para a escolha dos voluntários, o plano de ação prevê análise de currículo realizado pela direção da escola, juntamente com o professor comunitário. Propõe levar em consideração o perfil e as habilitações dos candidatos, bem como, se eles já exercem atividades voluntárias, se têm experiência com crianças e se demonstram simpatia e dedicação ao trabalho que realizam e com os alunos.

No que se refere às atribuições do professor comunitário, o plano antevê que o mesmo controle a assiduidade dos alunos e voluntários, tenha um planejamento de seu trabalho, auxilie na seleção dos oficineiros, administre os materiais e equipamentos do programa, monitore e avalie o desempenho dos alunos e dos voluntários e garanta o funcionamento das oficinas. Prevê, ainda, que o professor comunitário faça reuniões periódicas com os voluntários, participe efetivamente no planejamento das oficinas e esteja disponível para a busca de orientações técnicas. Planejar atividades extracurriculares, acompanhar/avaliar os documentos preenchidos pelos voluntários e dar visibilidade ao programa perante a comunidade também são tarefas indicadas no documento.

Da mesma forma que o plano de ação estipula as atribuições do professor comunitário, também estabelece as responsabilidades dos voluntários. Dentre elas, destacam- se a busca por parceiros para o aperfeiçoamento das atividades, aproximação com a direção da escola, orientação e avaliação dos alunos participantes, atuação em eventos promovidos pelo programa, participação em reuniões organizadas pela escola, produção dos planos de trabalho seguindo as diretrizes da atividade proposta e participação conjunta com os professores do ensino regular, planejando e sugerindo atividades nas diferentes áreas do conhecimento. Por fim, destaca que fica a cargo do voluntário, ainda, o planejamento da atividade proposta e a apresentação do plano de trabalho para o professor comunitário, a fim de ser avaliado.

No que tange às normas de organização e convivência, o plano de ação apresenta de maneira distinta, regras para os alunos e regras para os voluntários. Para os alunos há uma série de itens, em sua maioria, voltada as questões relacionadas aos valores sociais, sobretudo, os de convivência. Já para os voluntários, a redação das normas foi pautada com base em direitos e deveres. Como direitos, apresenta boa parte arrolados ao tratamento despedido a eles no espaço de trabalho, além da ênfase dada aos espaços e materiais a serem disponibilizados para o bom andamento das oficinas. Já como deveres, aparecem com destaque questões de relacionamento com alunos e demais integrantes da comunidade escolar, primando pelo espírito de colaboração nas questões inerentes à educação dos alunos.

No que se refere aos horários (quadro 2) e locais das atividades, o plano previa a realização da oficina de dança nas segundas e quartas feiras, em uma sala de aula. A oficina de capoeira nas terças e quintas feiras, em uma sala de aula e/ou no pátio da escola. O letramento nas segundas e quartas feiras, em uma sala de aula e/ou na sala de informática. E, as atividades de esporte e lazer nas terças e quintas, em uma sala de aula e/ou na quadra esportiva.

Quadro 2 – Horários das oficinas do PME

Horário Segunda feira Terça feira Quarta feira Quinta feira Sexta feira 9h00 às 11h45 Letramento e Dança Esporte e lazer e Capoeira Letramento e Dança Esporte e lazer e Capoeira Planejamento Voluntários 13h00 às 15h30 Letramento e Dança Esporte e lazer e Capoeira Letramento e Dança Esporte e lazer e Capoeira Livre

Fonte: Adaptado de Plano de Ação (2015, s.p.).

Os objetivos traçados no plano para o PME na escola indicavam, de forma geral, a proteção da infância e da adolescência com o respeito ao aluno, valorizando “a disciplina e resgatando os valores humanos” (PLANO DE AÇÃO, 2015 s.p.), sobretudo, pensando a união de esforços da escola e da família, tentando mostrar a importância da caminhada conjunta para atingir as metas almejadas em relação à educação dos alunos. De forma específica, destacava cinco eixos que apresento de forma resumida: primar pela participação da família nas ações do programa; contribuir na melhora do desempenho escolar dos estudantes; ocupar o tempo ocioso dos alunos de forma objetiva; oportunizar vivências que ampliam as ações da escola; e desenvolver nos alunos um perfil participante nas diferentes esferas sociais, especialmente, agindo com responsabilidade frente às injustiças sociais.

O plano de ação apresentava, ainda, a justificativa com alguns pressupostos. Que as ações do programa, em conjunto com a comunidade escolar e outros segmentos da sociedade, possam produzir um efeito positivo ao minimizar o tempo ocioso dos estudantes a partir de atos educativos e prazerosos, prioritariamente, aos jovens em situação de vulnerabilidade social, levando em consideração toda a conjuntura econômica-social dos sujeitos. Nesse contexto, o plano foi pensado para estimular o aprendizado, estreitar “os laços de amizade, solidariedade e responsabilidade entre os sujeitos – escola família, consequentemente

melhorando o desempenho dos estudantes em sala de aula e nas relações interpessoais” (PLANO DE AÇÃO, 2015, s.p.).