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Abordagem Estrutural e Principais Métodos

No documento JOSSIANE CARLA BERNAR LUVIZA (páginas 51-54)

1 O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES:

2.1 A LÍNGUA(GEM): OBJETO HISTÓRICO E CONCEITUAL NO CAMPO DOS

2.1.3 Abordagem Estrutural e Principais Métodos

Na Abordagem Estrutural de ensino de LE se originaram vários métodos de ensino como: os métodos audiolingual, o estrutural-funcional e o audiovisual. Tais métodos se fundamentavam na teoria behaviorista postulada por Skinner (1957) em sua influente obra Verbal Behavior. Os pressupostos teóricos desenvolvidos no apogeu da escola behaviorista influenciaram a disseminação de metodologias para o ensino de línguas que se difundiram inclusive no Brasil. Almeida Filho (1993) afirma que principalmente nos anos 60 e 70 aconteceu intenso incentivo do ensino da LI no território nacional fundamentado na metodologia do estruturalismo acoplado às bases psicológicas behavioristas de ensino audiolingual.

Com o declínio do MGT relacionado à Abordagem Tradicional o Método Direto se popularizou. Esse método, segundo Larsen-Freeman21 (2000, p. 23, tradução nossa) “tem

19 Do original: “Grammar Translation dominated European and foreign language teaching from the 1840s to the 1940s, and in modified form it continues to be widely used in some parts of the world today.”

(RICHARDS; RODGERS, 2001, p. 6).

20 Do original: “[...] language teaching specialists also turned their attention to the way modern language were being taught in secondary schools.” (RICHARDS; RODGERS, 2001, p. 7).

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Do original: “The Direct method has one very basic rule: No translation is allowed.” (LARSEN- FREEMAN, 2000, p. 23).

uma regra básica: nenhuma tradução é permitida”, ou seja, os significados devem ser demonstrados diretamente na língua-alvo e, assim, também a gramática e as pronúncias corretas eram enfatizadas. O Método Direto também influenciou uma visão de língua e cultura, a qual de acordo com Larsen-Freeman22 (2000, p. 29, tradução nossa):

Língua é primeiramente falada, não escrita. Logo, os estudantes estudam a fala do dia-a-dia na língua-alvo. Eles também estudam a cultura que consiste na história das pessoas que falam a língua-alvo, a geografia do país ou países onde a língua é falada, e informações da vida diária dos falantes da língua.

De acordo com Lima et al. (2010, p. 160) nessa abordagem “aprender uma LE configura-se como um processo de aquisição de itens lexicais e estruturas gramaticais por meio da formação de hábitos e de automatismos [...] com a memorização e a repetição.” A língua falada passou a ser considerada na abordagem estrutural e no contexto de ensino de LE e os estudantes deveriam ouvir a língua e posteriormente aprender a sua forma escrita. Preconizava-se o uso de sentenças ao contrário de palavras isoladas e exigia-se o uso da língua-alvo e a tradução deveria ser evitada. Para tal, utilizavam-se gravuras e objetos, bem como o professor detinha o papel central nas atividades em sala de aula.

Por sua vez, o Método Audiolingual tem sua origem nos Estados Unidos principalmente no período da entrada deste país na Segunda Guerra Mundial, episódio que levou o governo americano a desenvolver a fluência de seus militares em diferentes línguas. O esforço de universidades nos Estados Unidos resultou no desenvolvimento de um programa de treinamento de línguas para os militares, denominado Programa de Treinamento Especializado para o Exército ou Army Specialized Training Program (ASTP). Iniciado em 1942, de acordo com Richards e Rodgers23 (2001, p. 50, tradução nossa) “o objetivo do programa era que os estudantes obtivessem proficiência oral em diversas línguas estrangeiras.” Ocorreu um aumento no interesse entre linguistas e linguistas aplicados no ensino do inglês como LE, aliado ao fato de que os Estados Unidos despontava como uma grande potência internacional e pela procura por estudantes e especialistas em aprender a LI. (RICHARDS; RODGERS, 2001).

Castro (1998) salienta que a perspectiva teórica que embasa o Método Audiolingual advém da linguística estrutural em que ocorre ênfase nas habilidades de ouvir e falar

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Do original: “Language is primarily spoken, not written. Therefore, students study common, everyday

speech in the target language. They also study culture consisting of the history of the people who speak the target language, the geography of the country or countries where the language is spoken, and information about the daily lives of the speakers of the language.” (LARSEN-FREEMAN, 2000, p. 29).

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Do original: “The objective of the army programs was for students to attain conversational proficiency in a

primeiramente e, a leitura e escrita como momentos posteriores de aprendizagem. A língua alvo é utilizada em grande parte das situações e a tradução ou o uso da língua materna é desaconselhável. Sob essa ótica, “os diálogos e os drills formam as bases das práticas em salas de aula.” (CASTRO, 1998, p. 211). Nesse caso, “o aprendizado de línguas estrangeiras é basicamente um processo de formação mecânica de hábito. [...] Língua é comportamento verbal [...].” (RICHARDS; RODGERS24

, 2001, p. 57, tradução nossa) visto que os hábitos eram desenvolvidos pela prática e repetição de diálogos e as estruturas da gramática a ser aprendida eram automatizadas por meio dos drills.

O Método Audiolingual também introduziu o laboratório de línguas considerado um importante instrumento no ensino de LE “por fornecer oportunidades de prática de exercícios estruturais de conversações idealizadas.” (CASTRO, 1998, p. 211). O processo de ensino e aprendizagem acontece por meio da aplicação de técnicas de treinamento das habilidades, as quais devem corresponder à formação de “bons” hábitos pela prática de modelos pré-estabelecidos. Para Larsen-Freeman25 (2000, p. 46, tradução nossa) a visão de língua(gem) preconizada por esse método adverte que “toda língua é vista como possuidora do seu próprio e único sistema. O sistema é composto por vários e diferentes níveis: fonológico, morfológico e sintático. Cada nível tem seus próprios modelos distintivos.”

Já o elemento cultural consiste nos comportamentos e estilo de vida dos falantes da língua alvo. Muitos países, além dos Estados Unidos, adotaram o Método Audiolingual no ensino de LE nos anos 60 e que se propagou em diversos contextos que necessitavam de um programa pedagógico para o ensino de LE, principalmente de LI, associado ao fato da influência dos Estados Unidos iniciada no período pós-guerra. (LARSEN-FREEMAN, 2000).

Por sua vez, o Método Audiovisual se originou na França na década de 50, foi adaptado para o ensino de LE também nos Estados Unidos e teve grande expansão no Brasil na década de 70. Apesar de se aproximar do Método Audiolingual, o Método Audiovisual tem como principal característica “o cenário visualmente apresentado aos aprendizes em sala de aula e que constitui o meio principal de envolvê-los em enunciados e contextos significativos.” (CASTRO, 1998, p. 213). Contudo, ambos os métodos possuem

24 Do original: “Foreign language learning is basically a process of mechanical habit formation. […] Language is verbal behavior […].” (RICHARDS; RODGERS, 2001, p. 57).

25 Do original: “Every language is seen as having its own unique system. The system is comprised of several different levels: phonological, morphological, and syntactic. Each level has its own distinctive patterns.”

características semelhantes como a ênfase na prática oral primeiro e após a leitura e a escrita, a prática de exercícios estruturais e o uso do laboratório de línguas, os quais também consistem em métodos que se embasam nos estudos da linguística estrutural e descritiva. (CASTRO, 1998).

Após um longo período de influência dos métodos Audiolingual e Audiovisual no contexto de ensino de LE, inclusive no contexto brasileiro, ambos passaram a receber críticas quanto aos fundamentos que preconizavam. (CASTRO, 1998). De acordo com Richards e Rodgers (2001, p. 67, tradução nossa)26 as décadas de 70 e 80 marcaram um período de “[...] adaptação, inovação, experiências e alguma confusão” em que se originaram diversos métodos de ensino de línguas como, por exemplo, Total Physical Response, Silent Way e Counseling-Learning em outros campos como o Multiple Intelligences, Neurolinguistic Programming.

No documento JOSSIANE CARLA BERNAR LUVIZA (páginas 51-54)