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3. PODER E SUBJETIVIDADE DO TRABALHADOR

3.3 Abuso de Poder e seu Impacto na Subjetividade do Trabalhador

Sabe-se que existem diferentes tipos de poder, assim como, existe seu uso adequado e inadequado. Para discutir sobre o exercício do poder e os modos como ele é utilizado muitos são os autores que associam o poder com ética. Ética, na língua portuguesa, significa: estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.

Para responder a questão: “como deve os detentores do poder determinar se o seu uso é apropriado ou não?” os autores Wagner III e Holenbeck (1999) utilizam três teorias para explicar:

Perspectiva Utilitarista – julga-se a adequação do uso do poder em termos de suas consequências, ou seja, se proporcionar o bem para o maior numero de pessoas é apropriado. Teoria dos Direitos Morais – o poder é utilizado adequadamente apenas quando nenhum direito nem liberdades pessoais são sacrificados. Nesse caso, os detentores do poder devem respeitar os direitos e os interesses da minoria, bem como procurar o bem-estar da maioria; Teoria da Justiça Social – o uso do poder é adequado quando as pessoas forem tratadas com equidade, certificando-se de que as pessoas dotadas de certos aspectos similares sejam tratadas similarmente e que pessoas dotadas de aspectos diferentes e relevantes sejam tratadas diferentemente, na razão direta das diferenças existentes entre elas. (WAGNER III E HOLENBEK, 1999, p. 273).

Para que a política organizacional ocorra de forma adequada, o respeito pela justiça e pelos direitos humanos deveria prevalecer. As ações éticas das pessoas devem coincidir com as metas da organização, e jamais, violar o direito de outra pessoa para satisfazer os próprios interesses. Se o comportamento político nas organizações não concordarem com padrões de equidade e justiça é considerado antiético.

Krumm (2005) fala dos líderes carismáticos antiéticos, dizendo que estes são pessoas que só pensam em atingir os próprios interesses. Eles não aceitam que as pessoas discordem de suas opiniões, e exigem que os seus seguidores os obedeçam sem qualquer questionamento. Eles agem sem levar em consideração as necessidades das pessoas, levando em conta somente benefícios pessoais.

Maquiavel se tornou um adjetivo – maquiavelismo – que é utilizado para caracterizar o comportamento e ações das pessoas. “O verbete maquiavélico refere-se ao [...] sistema político caracterizado pelo principio amoralista de que os fins justificam os meios, política desprovida de boa-fé ou procedimentos astuciosos, [...] traiçoeiros”. (SILVA 2007, p. 20). A personalidade chamada de maquiavélica se caracteriza pela vontade de manipular os outros e pelo desejo de obter o poder, pensando em obter ganhos pessoais para favorecer os próprios interesses.

Entrando mais especificamente na discussão sobre o abuso de poder, autores como Robbins (1999) e Spector (2002) dizem que uma das formas mais conhecidas de abuso de poder é o abuso sexual. Existem supervisores ou chefes, que tratam mal seus subordinados, utilizando medidas punitivas como meio para o melhor desempenho e rendimento do funcionário. O assédio sexual, que é uma das formas de abuso de poder mais conhecidas, diz respeito a “pedidos sexuais” mal recebidos, utilização de linguagens ofensivas, pedidos

amorosos, pedidos para encontros, piadas de mau gosto entre outras situações constrangedoras, e ainda, o superior passa a submeter o funcionário à punições caso ele recuse seus pedidos.

O conceito de poder torna-se fundamental para a compreensão do assédio sexual. Por este motivo, Robbins (1999) afirma que assédio sexual trata-se de abuso de poder, e não somente, de sexo. Supervisores e gerentes, por exemplo, possuem poder legítimo, atribuído pela organização, além de utilizarem diversos meios de poder devido a sua posição formal dentro da empresa, muitos deles pensam que essa posição lhes dá o direito de estender essa posição ao assédio sexual, sendo que as principais vítimas são as mulheres. O assedio sexual pode ocorrer tanto por parte dos superiores devido ao seu cargo, e, por parte dos subordinados, que muitas vezes quando a chefe é uma mulher, tendem a desvalorizá-las para retirarem parte do seu poder sobre eles.

O assédio sexual, teorizado aqui como abuso de poder, é um comportamento indesejado que traz diversas consequências principalmente para a pessoa submetida a esse abuso. Pode afetar de modo negativo a pessoa, interferindo no desempenho do seu trabalho; cria um ambiente desagradável, hostil e que intimida as pessoas; o abuso de poder, além da diminuição do desempenho, pode ocasionar o stress no trabalho, bem como, a ausência da pessoa envolvida, e, o aumento de rotatividades.

Para saber a adequação ou inadequação da forma com que o poder é exercido, pode-se considerar ético o uso do poder e da influência para atingir resultados e metas organizacionais, e antiético quando esses mesmos elementos são utilizados para atingir objetivos pessoais.

As práticas de relações de poder existem em toda a sociedade, produzem variados efeitos, e podem ser exercidas de diferentes maneiras. Este poder intervém sobre as pessoas, atingindo seu corpo – o corpo social – e que acaba influenciando em sua vida cotidiana. O poder que queremos nos referir aqui é justamente o que Foucault (1986) chamou de poder que realiza um controle detalhado, minucioso do corpo – gestos, atitudes, comportamentos, hábitos, discursos.

Luke (1980, apud, Paz et al, 2004) diz que o poder é a noção de uma pessoa afetar de modo significativo a outra pessoa, no sentido de que a pessoa afetada tenha interesses

contrários à pessoa que exerceu o poder. Ou seja, o poder exercido produz efeitos na pessoa justamente porque a pessoa que exerce o poder impõe seus interesses sobre a outra pessoa que tem interesses diferentes. O poder não é algo que alguém possui, mas é algo que é exercido e que passa pelas pessoas. Maquiavel (2004 apud Silva 2011) diz que “só o poder limita o poder”.

Não se pode caracterizar o poder somente como um fenômeno que diz respeito à lei ou à repressão. As teorias que tem origem nos filósofos do século XVIII definem o poder como direito originário que se cede, se aliena para constituir a soberania, e que criticarão os excessos, os abusos de poder. As teorias que criticam os abusos do poder, caracterizam o poder não somente por transgredir o direito, mas o próprio direito por ser um modo de legalizar o exercício da violência, e o Estado cujo papel é realizar a repressão. Então o poder nesse sentido é caracterizado como violência legalizada.

O poder não é somente negativo, algo que recalca, que censura, que reprime. O poder não pode ser percebido como algo que mutila o ser humano, é justamente nesse sentido que tem como algo o corpo humano, pois o poder é visto como algo que serve para “adestrar” o ser humano

[...] Não é expulsar os homens da vida social, impedir o exercício de suas atividades, e sim gerir a vida dos homens, controlá-los em suas ações para que seja possível e viável utilizá-los ao máximo, aproveitando suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento gradual e continuo de suas capacidades. Objetivo ao mesmo tempo econômico e politico: aumento do efeito do seu trabalho, isto é, tornar os homens força de trabalho dando-lhes uma utilidade econômica máxima; diminuição de sua capacidade de revolta, de resistência, de luta, de insurreição contra as ordens do poder, neutralização dos efeitos de contra-poder, isto é, tornar os homens dóceis politicamente. (FOULCAULT, 1986, p. 16).

Existe o poder, como já citado anteriormente, sendo uma relação especifica de poder que incide realmente sobre o corpo das pessoas, utilizando uma tecnologia própria de controle, que pode ser encontrado em diversas instituições. Foucault (1986) chamou este tipo de relação de poder de poder disciplinar. Percebe-se que este tipo de relação não encontra limites, pois, “[...] permitem o controle minucioso das operações do corpo, que asseguram a sujeição constante de suas forças e lhe impõe uma relação de docilidade-utilidade”. (FOUCAULT, 1987, p. 139). É um mecanismo do poder que não atua no exterior, mas sim, trabalha no corpo do ser humano, manipulando seus comportamentos, fazendo com que o homem funcione de acordo com aquilo que a sociedade capitalista exige dele.

Essa dominação do corpo está associada com a explosão demográfica do século XVIII e com o crescimento do aparelho de produção, e essa dominação diz respeito às necessidades de que o homem se utilize de modo intenso principalmente racionalmente, no sentido econômico. Segundo Foucault (1986) o corpo só se torna força de trabalho quando trabalhado pelo sistema politico de dominação, que é característico do poder disciplinar descrito pelo autor.

A disciplina serve para organizar um determinado espaço. É um controle do tempo. Isso quer dizer que ela estabelece uma sujeição do corpo ao tempo, com o intuito de produzir o máximo de rapidez, com o máximo de eficácia. Esse controle minucioso das operações do corpo é realizada por meio da elaboração temporal do ato, da correlação de um gesto especifico com o corpo que o produz, e através a articulação do corpo com o objeto a ser manipulado.

Ao mesmo tempo em que o poder é exercido, se exerce também um saber, pois o mesmo olhar que controla é o mesmo que transfere informações, anota etc... “Tornar o homem útil e dócil” (FOULCAULT 1986, p. 18). O poder não pode ser visto somente como negativo, pois o poder produz a individualidade. O sujeito é uma produção do poder e do saber.

O poder capitalista é, na maioria das vezes, explicado como algo que massifica, que descaracteriza. Ou seja, é visto como a inexistência de uma individualidade que apresenta características, desejos, comportamento... O sujeito passa a ser considerado como alguém que é sufocado pelo poder, dominado e que não pode e não consegue se expressar. “O poder disciplinar não destrói o individuo; ao contrario, ele o fabrica. O individuo não é o outro do poder [...] que é por ele anulado; é um dos seus mais importantes efeitos”. (FOUCAULT, 1986, p. 20).

A ação sobre o corpo, o adestramento do gesto, a regulação do comportamento, a normatização do prazer, a interpretação do discurso, com o objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar, tudo isso faz com que apareça pela primeira vez na historia esta figura singular, individualizada – o homem – como produção do poder. (FOUCAULT, 1986, p. 20).

Existe uma relação entre disciplina e virtude organizacional, sendo que essa relação é caracterizada como “a efetivação organizacional da disciplina ordenada que regulamenta a avaliação interna e estabelece os deveres de cada membro da organização” (CLEGG, 1996, p.

51). Foucault chama de práticas disciplinares as micro técnicas utilizadas para regulamentar não somente o sujeito, mas também a sociedade. Existem mecanismos de controle do tipo pessoal, burocrático, técnico ou jurídico, sendo que estes mecanismos podem apresentar-se de diferentes formas: supervisão, rotinização, formalização, automatização.... Sendo que estes mecanismos buscam reforçar o poder sobre o comportamento do sujeito.

Os tipos de mecanismos que obtém o controle sobre o ser humano, acabam levantando algumas questões:

É aceitável que os empregadores obriguem os empregados ou candidatos a empregos submeterem-se a testes de AIDS? Um supervisor pode escutar chamadas telefônicas dos empregados? Um empregador pode permitir programar computadores para emissão de mensagens subliminares com o objetivo de influenciar comportamentos? [...] Se os detentores de mentira não são considerados confiáveis nos processos criminais, seus resultados podem ser utilizados para admitir ou demitir empregados? Uma empresa pode demitir o empregado porque o supervisor não aprova suas amizades e relações sociais? Os executivos deveriam ter acesso ao prontuário médico de seus subordinados? Até que ponto a mesa, o armário ou o carro colocados em espaços reservados aos empregadores são privativos? (SCHACHTER, 1987 apud CLEGG, 1996, p. 52).

Com essas inúmeras questões pode-se pensar na extensão do poder direto e pessoal sobre as esferas da vida individual do sujeito, que muitas vezes além de prejudicar o sujeito na produtividade do seu trabalho, acaba levando esses conflitos para fora do trabalho, como no seu ambiente familiar e social. Porém, a melhor supervisão não é aquela que se reduz exclusivamente a controles diretos, mas, ela se estende também a práticas culturais de adesão, de persuasão morais e de permissão, ou seja, técnicas formalizadas. (CLEGG, 1996).

CONCLUSÃO

A partir do trabalho realizado, pôde-se observar o quanto o poder é um fenômeno dinâmico e complexo, e, que por sua complexidade tem sido objeto de estudo de diversas

ciências e diferentes autores, apresentando assim, diferentes concepções. Para compreender e

conhecer melhor uma organização precisa-se reportar ao modo como o poder é configurado. As formas com que o poder se estabelece no trabalho diz respeito à maneira que o trabalho está colocado na vida dos trabalhadores, sendo que, a maneira que o trabalho está organizado para o sujeito é muito importante para a construção de sua subjetividade, e esta organização remete ao exercício do poder. Como mencionado no decorrer do trabalho, é necessária a existência do poder e da política organizacional, para dar início à execução dos trabalhos, para que existam as definições dos cargos, diferentes pessoas trabalhando na organização, diferentes tarefas de trabalho, e para que principalmente haja organização na realização dos trabalhos. Mas, para tanto, existem diferentes maneiras que o poder pode ser exercido, podendo este ter a capacidade de auxiliar os sujeitos na produção de suas atividades, possibilitando a melhor relação interpessoal entre os trabalhadores, ou, tendo a capacidade de controlar os trabalhadores e as suas atividades, impossibilitando o trabalhar de modo construtivo e criativo, tornando os trabalhadores submissos ao seu trabalho, produzindo o possível sofrimento e adoecimento do sujeito, advindo do próprio trabalho e do modo com que este está organizado.

O poder que controla os trabalhadores pode, consequentemente, aumentar a rotatividade de trabalhadores, pois o poder muitas vezes causa medo nas pessoas fazendo com que as pessoas sintam-se pressionadas e que não queiram mais permanecer no emprego. Ainda nessa visão, percebeu-se com a realização desta pesquisa, que os trabalhadores muitas vezes aceitam ser submissos a esta forma de poder por medo de não encontrar outro emprego, ou por medo do que pode acontecer caso o sujeito desrespeite e não obedeça ao poder. Contudo, compreendeu-se que o poder é reforçado com o comportamento das pessoas influenciadas, pois quando a pessoa aceita e obedece ao poder, significa que ela aceitou sua submissão e está reforçando o poder da pessoa que a influenciou.

Uma das observações realizadas após esta pesquisa é de que o poder pode advir tanto do sujeito trabalhador, quanto do sistema da própria organização. Foi possível perceber a relação existente entre o laço social e o poder, o modo como o poder circula e influencia no campo do

trabalho produzindo efeitos na subjetividade do gestor e do trabalhador. Algumas vulnerabilidades psíquicas, certamente, podem predispor alguns sujeitos mais e alguns menos que os outros, a uma posição mais ou menos vulnerável às formas deletérias do poder.

Foi possível compreender que, no primeiro momento criam-se vínculos entre os sujeitos que configuram o laço social, e que, neste contexto, o trabalho ganha uma significação importante pelas funções que, tanto o trabalho quanto os vínculos sociais exercem para o

sujeito. O poder só pode ser exercido dentro de relações sociais, visto que o poder não pode

ser exercido de forma individual, pois ele precisa ser mencionado para alguém ou para alguma coisa.

Percebeu-se que para compreender a dinâmica do poder é preciso situá-lo em sua ancoragem. Tanto os trabalhadores detêm alguma forma de poder quanto os gestores. Em

ambas as posições reconheceu-se a importância do rastreamento do poder. Todas as pessoas,

independente de seu cargo e hierarquia podem apresentar capacidades e condições de influenciar outras pessoas, e quem tem capacidade de influenciar ou ocasionar alguma mudança significa dizer que essa pessoa apresenta poder.

O poder configura-se a partir da autoridade que se legitima ou não e que interfere decisivamente na expressão do poder, ou seja, quanto menor a autoridade que um líder tem maior a probabilidade do uso do poder como força coercitiva. Pois, como se identificou com a realização do trabalho, se é necessária a utilização de força ou violência, significa que a autoridade falhou.

Com este trabalho compreendeu-se melhor também os significados e as diferenças entre gestão e liderança, que muito se confunde. O gestor já possui um cargo determinado dentro da organização, um poder legítimo concedido pela empresa. O líder não necessita de um cargo para exercer o poder, pois qualquer pessoa da organização, independente do seu cargo, pode exercer a liderança, basta que as outras pessoas confiem no líder e acreditem nele. Se o líder consegue a confiança e a aceitação de seus seguidores, significa que ele também possui um poder legítimo.

Quando o trabalhador começa a trabalhar em uma empresa, na maioria das vezes, sente- se satisfeito e realizado com a execução de suas tarefas e com a maneira de organização da empresa e do seu trabalho. Após um tempo, este mesmo trabalhador pode vir a se deparar

com um gestor que não pensa mais no bem-estar e na boa produtividade do trabalho dos seus subordinados, mas passa a pensar somente em ganhar dinheiro, em obter sucesso com a empresa em cima dos seus funcionários, o que acaba impactando de forma negativa a subjetividade do trabalhador. Muitas vezes, principalmente quando o sujeito está trabalhando há muitos anos na empresa, já construiu uma identidade dentro dela, uma carreira, uma vida profissional. Mesmo que o trabalhador apresente o desejo de realizar seu desligamento da empresa pelo seu bem-estar emocional, isto passa a não ser uma decisão, e uma tarefa fácil. O trabalhador passa a pensar no seu sustento e da sua família e no medo de não conseguir outro emprego.

Com a realização deste trabalho percebeu-se o quanto o poder e as relações de poder dependendo da maneira como se manifesta pode influenciar positivamente ou negativamente na produtividade do trabalho e na subjetividade dos trabalhadores, podendo causar o sofrimento psíquico dos mesmos. Muitas vezes este sofrimento causado pelo poder, faz com que o trabalhador acabe levando questões do trabalho, do seu sofrimento, para fora dele, como no seu contexto social e familiar, o que acaba prejudicando sua convivência com as pessoas nesses contextos. Por este motivo, a realização desta pesquisa foi muito importante para compreender melhor sobre o exercício do poder nas organizações, e as formas com que ele pode ser exercido, buscando sempre a maneira que faz com que ele facilite e auxilie nas tarefas do trabalho, nas relações interpessoais entre subordinados e entre o chefe e o subordinado, fazendo com que o trabalho auxilie na construção da subjetividade do trabalhador, sem causar prejuízos emocionais e sofrimentos.

É importante concluir ainda, retomando o estudo de caso relatado no início deste trabalho, que demonstra o quanto o fenômeno do poder se faz presente nas organizações, e o quanto é importante compreender sua dinâmica e o modo que o poder se estabelece, para compreender como o trabalho se coloca na vida do trabalhador. Foi possível perceber o quanto o poder pode influenciar no estabelecimento dos laços sociais entre as pessoas, bem como, na subjetividade do sujeito. Percebe-se com este caso que o poder só pode ser exercido dentro das relações sociais entre as pessoas, e, o quanto o poder de uma pessoa é reforçado de acordo com a dependência da pessoa submetida a ele.

Também, por meio deste relato de caso, compreende-se o quanto o trabalhador apresenta uma relação subjetiva com a empresa em que trabalha há muito tempo, não apenas uma relação salarial. E que mesmo muitas vezes submetendo-se a situações constrangedoras e

desagradáveis, o trabalhador tem uma ligação com a forma que se deu a fundação da empresa em que trabalha.

Este relato de caso trouxe a reflexão do fenômeno do poder nas organizações e suas implicações no trabalho, no laço social e na subjetividade do trabalhador. Trazendo também a reflexão sobre a importância da psicologia no contexto de compreender o poder e a maneira que ele é executado, ao invés de partir para o julgamento do poder. A psicologia trabalha por meio da compreensão da dinâmica do poder, e não por meio do julgamento.

Compreendeu-se que é possível conhecer melhor a cultura de uma organização, após conhecer as dimensões do poder e as características da dinâmica do poder dentro dela, sendo que, como se percebeu, a personalidade do executivo pode influenciar a organização de uma maneira vital tornando-a um lugar de relações mais saudáveis ou palco de manifestações disfuncionais e de proliferação de patologias e sofrimento no trabalho.

Por fim, considera-se que as organizações têm a capacidade de influenciar o inconsciente de seus membros fazendo deles aliados na busca do poder e perfeição, mas são também elas próprias lugares onde os sonhos, desejos e aspirações dos seres humanos podem

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