• Nenhum resultado encontrado

Accessibility for the visualy impaired: Anglo Memorial Results

Desirée Nobre Salasar,Terapeuta Ocupacional; Francisca Ferreira Michelon, Doutora em História. Universidade Federal de Pelotas – UFPel

[email protected]

Resumo

Este trabalho apresenta as formas de tradução das fotografias expostas no Memorial do Anglo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para pessoas com deficiência visual e para normovisuais que desejarem fazer a visitação com os olhos vendados. As fotografias expostas no Memorial fazem parte da coleção Frigorífico Anglo de Pelotas da Fototeca Memória da UFPel e remontam a história do extinto frigorífico Anglo até o momento em que o prédio passou a ser da Universidade Federal de Pelotas. Tendo em vista que no local ainda há vestígios do que em outrora fora um espaço de trabalho e industrial importante para a cidade, o Memorial do Anglo busca resgatar esta memória social comprometendo-se com a acessibilidade cultural, através de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Estes recursos visam proporcionar aos visitantes experiências múltiplas de informação apresentadas em diferentes suportes que se complementam de forma a traduzir o que está impresso na fotografia para o visitante através dos seus sentidos remanescentes. Os resultados aqui apresentados foram coletados em avaliações qualitativas feitas logo após as visitas. Conclui-se que o principal recurso deste espaço é a mediação acessível, pois é através dela que há potencialização dos recursos assistivos do Memorial.

Palavras-chave: Memorial do Anglo; Deficiência Visual; Acessibilidade Cultural.

Abstract

This paper aims to present the ways of translating the photographs exhibited at the Anglo Memorial for visually impaired people and normovisuals who wish to visit using sales. The photographs on display at the Memorial are part of the Anglo Pellets Anglo Fridge Collection at UFPel Memory and go back to the history of the extinct Anglo Fridge until the building became the Federal University of Pelotas. Given that there are still traces of what was once an important

industrial and working space for the city, the Anglo Memorial seeks to rescue this social memory by committing itself to cultural accessibility through accessibility resources for people with disabilities. Visual impairment. These resources aim to provide visitors with multiple experiences of information presented on different media that complement each other in order to translate what is printed on the photograph to the visitor through their remaining senses. The results presented here were collected in qualitative assessments made immediately after the visits. It is concluded that the main resource of this space is accessible mediation, because it is through it that there is potentialization of Memorial's assistive resources.

Keywords: Anglo Memorial; Visual impairment; Cultural accessibility.

Introdução

A Fototeca Memória da Universidade Federal de Pelotas, criada em junho de 2009 e sob este nome deste 2011, quando passou a ser vinculada ao Departamento de Museologia, Conservação e Restauro do Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas, tem como missão recolher e sistematizar coleções fotográficas sobre a história da UFPel, tratando-as segundo os princípios da documentação museológica. Através da construção da narrativa memorial sobre as unidades fundadoras da instituição encontra-se a Coleção Anglo. Esta coleção iniciou em 2012 com a doação da Professora Neuza Regina Janke, autora do trabalho de dissertação “Entre os Valores do Patrão e os da Nação, como fica o Operário? O Frigorífico Anglo em Pelotas: 1940-1970” que foi publicado em formato de livro pela Editora da Universidade Federal de Pelotas em 2011.

O conjunto doado pela Professora Neuza inclui documentos escritos e cópias de fotografias feitas à época da pesquisa. Somaram-se a esse as fotografias publicadas no livro “Sociedade Anônima Frigorífico Anglo de Pelotas: O trabalho do passado nas fotografias do presente”. Algumas destas fotografias encontram-se expostas hoje no Memorial do Anglo/UFPel.

O Memorial do Anglo é o primeiro resultado do Programa de Extensão “O Museu do Conhecimento para Todos” apoiado no Edital ProExt MEC/SESu (2012/2015). Este espaço está localizado no prédio central do atual Campus Porto da Universidade Federal de Pelotas, onde ficavam as extintas câmaras frias do frigorífico. Tendo o Programa como uma das suas ações principais defender e aplicar o conceito de museu inclusivo, o Memorial conta com recursos de acessibilidade que foram pensados desde o início para que este fosse um espaço inclusivo. Os recursos apresentados no Memorial (expositores acessíveis, audiodescrição, legenda em braile, maquete e esquemas táteis e a mediação acessível) através de suas diferentes funções, unem-se ao propósito de traduzir a informação que é essencialmente visual (a fotografia) através dos sentidos remanescentes do visitante.

Estes recursos são imprescindíveis para àqueles que não têm o sentido da visão, para que possam estar incluídos neste ambiente e terem acesso as mesmas informações que os normovisuais estão tendo. Este trabalho de tradução das fotos foi um grande desafio para o grupo

de trabalho do projeto e envolveu muita pesquisa, além de contar com a consultoria da audiodescritora Josélia Neves, pesquisadora portuguesa membro da TransMedia Research Group.

1. Metodologia

A fotografia é um documento de informação essencialmente visual que possui características próprias e singularidade por ser um instrumento de memória. Entretanto, fazer com que esta singularidade seja traduzida em outros formatos é uma grande tarefa.

O Memorial do Anglo, através dos recursos de acessibilidade, buscou fazer uma tradução intersemiótica, utilizando-se do recurso de Audiodescrição, para que pessoas com deficiência visual pudessem ter acesso a este espaço e a estas informações que são essencialmente visuais.

Os recursos de acessibilidade disponíveis no Memorial do Anglo são utilizados em conjunto durante as visitas com mediação acessível. A mediação acessível ocorre baseada na tríade ambiente, visitante e recursos de tecnologia assistiva.

O visitante deverá requerer a visita mediada antecipadamente e assim terá o acesso a estes recursos.

A visita guiada dura uma hora e quinze minutos, variando de acordo com a interação entre mediador e visitante. Ao final é feita uma avaliação qualitativa, através de uma entrevista estruturada, para a verificação da eficácia dos recursos do Memorial.

2. Resultados e Discussão

A Audiodescrição (AD), segundo Nóbrega (2013), é uma arte que transforma imagens em palavras. Atuando como uma forma de tradução intersemiótica, ela tem como objetivo principal transmitir as informações visuais em uma descrição objetiva daquilo que está sendo visualizado, para que pessoas com deficiência visual tenham acesso a formatos que são essencialmente visuais, como a fotografia.

Embora seja um recurso relativamente novo no país, vem tornando-se muito fomentada a pesquisa e a prática nesta área. Mesmo sendo muito eficaz no que tange o acesso universal, a AD não consegue suprir todos os elementos que compõem uma foto artística, fazendo com que alguns elementos percam o impacto ou não sejam percebidos. A perspectiva da foto é um exemplo, pois algumas cenas, nas quais o ponto de fuga cria planos, com grande significação visual, perdem o impacto quando descritas. É neste momento em que se encontra o limite da audiodescrição. Portanto percebeu-se que se fazia necessário outro recurso para dar conta da informação, assim o Memorial do Anglo conta também com os esquemas e maquetes táteis e legendas em braile. O que faz com que a pessoa com deficiência visual consiga, de fato, enxergar a foto que está sendo mostrada é o somatório dos recursos: primeiro ele ouve a audiodescrição da foto, em seguida a mediadora conduz a sua mão pelo esquema tátil explicando-o cada detalhe, através do toque, sobre o que ele acabou de ouvir e depois ele tem o acesso à legenda da foto em braile.

Desta forma, o visitante consegue enxergar a foto através dos seus sentidos remanescentes, de forma que a visão não é necessária para o entendimento da exposição.

Assim observou-se que a ordem em que os recursos são apresentados e a forma com que a mediação é feita são fundamentais para que a informação seja passada com êxito, uma vez que se trocada a ordem de apresentação dos recursos, a informação torna-se confusa. Portanto é de suma importância, neste espaço, a presença do mediador e a sua capacitação nesta área.

3. Conclusão

As conclusões apresentadas neste trabalho derivam das visitas mediadas no Memorial do Anglo/UFPel com pessoas com deficiência visual e com normovisuais. Para ambos os casos os recursos de tecnologia assistiva mostram-se eficazes e significativos. O que diferencia é que para a pessoa com deficiência visual a AD abre o caminho enquanto que para o normovisual, pode ser um excesso. Diferentes percepções dos sentidos remanescentes foram apresentadas por ambos os públicos, tanto da audição (através da audiodescrição), como no tato (através das maquetes e esquemas táteis). Entretanto, as legendas em braile foram utilizadas somente pelos visitantes cegos.

Assim, a mediação acessível é adaptável e são os visitantes que determinam o limite da participação do mediador e a forma com que a mediação será conduzida.

Segundo Sarraf (2012), o vínculo estabelecido pela mediação acessível resulta em um equilíbrio dos sentidos na percepção de mensagens culturais que estão dispostas em exposições. Portanto, o limite do sentido predominantemente visual é extrapolado mostrando que há possibilidade de traduções para outras perspectivas que utilizem os outros sentidos remanescentes, extinguindo, assim, a premissa de que a visão é essencial para o acesso cultural.

Neste sentido, percebendo as potencialidades dos visitantes e das experiências sensório-motoras proporcionadas pela exposição, pode-se afirmar que as fotos expostas no Memorial do Anglo também podem ser vistas através dos outros sentidos. Em consonância com a sensibilidade do mediador a experiência proporcionada neste espaço acrescenta significativamente o empoderamento cultural dos visitantes, gerando uma experiência enriquecedora para ambos.

Segundo as avaliações qualitativas sobre o Memorial do Anglo, realizadas sempre ao final da visita através de uma entrevista estruturada, o espaço garante o acesso de informações que são essencialmente visuais através das diversas formas de tradução que apresenta. Destaca-se que todos os recursos apresentados no Memorial sozinhos não têm o mesmo efeito do que quando estão entrelaçados.

Portanto, conclui-se que é possível visualizar uma fotografia através dos outros sentidos para além da visão, fazendo assim, com que o acesso à cultura para pessoas com deficiência visual, seja garantido em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Com este trabalho espera-se que os ambientes disseminadores de cultura repensem as suas atitudes frente às potencialidades de cada um, não focando somente nas deficiências. É

preciso que os profissionais estejam capacitados para trabalharem em locais assim e que as pesquisas e práticas em acessibilidade cultural sejam cada vez mais fomentadas para que se possa fazer cumprir a lei vigente no país e proporcionar, de fato, o acesso a todos.

Referências

NÓBREGA, Andreza. A Dança no compasso da Inclusão. In: Acessibilidade Comunicacional para produções culturais. Recife : Ed. Do Organizador, 2013.

SARRAF, Viviane Panelli. Acessibilidade para pessoas com deficiência em espaços culturais e exposições: Inovação no Design de espaços, comunicação sensorial e eliminação de barreiras atitudinais. In: Acessibilidade em Ambientes Culturais. Porto Alegre : Marca Visual, 2012.

Terapia Ocupacional em Museus: Acessibilidade Cultural para pessoas