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2.3. COMO ANALISAR OS DOCUMENTOS PREVIDENCIÁRIOS?

3.1.6. Adicional de hora extra

Todo trabalhador é contratado para prestar serviços ao seu empregador mediante o pagamento de salário correspondente a uma determinada jornada diária. Tem-se assim, uma adequação do salário à jornada pactuada.

A jornada de trabalho é limitada no tempo. Os limites são estabelecidos pela Constituição Federal:

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CF/88

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais [...]

XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;

Estabelece também a Constituição Federal jornada diária máxima de 6 horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento (inciso XIV), que não comentaremos, por representar hipótese de dificílima ocorrência em contratos de terceirização.

Desde que previsto em acordo escrito entre empregador e empregado ou em instrumento coletivo de trabalho, a jornada diária pode ser acrescida de, no máximo, duas horas extraordinárias (ressalvados os casos excepcionais previstos no art. 61 da CLT), que serão remuneradas com acréscimo de, no mínimo, 50% do valor das horas normais.

CLT

Art. 59. A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho.

CF/88

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais [...]

XVI – remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal;

O adicional de hora extra corresponde, portanto, a esse acréscimo remuneratório devido pelos serviços extraordinários prestados além da jornada normal de trabalho.

A Súmula 264 do TST esclarece didaticamente o modo de calcular o adicional de hora extra.

JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO Súmula 264

A remuneração do serviço suplementar é composto do valor da hora normal, integrado por parcelas de natureza salarial e acrescido do adicional previsto em lei, contrato, acordo, convenção coletiva ou sentença normativa.

119 Segue exemplo de cálculo do valor de uma hora extra, considerada a jornada semanal de 44 horas:

 Hora extra = (hora normal / 220) + 50%

Considerando o salário mensal de R$ 2.000,00 para uma jornada de 44 horas semanais (220 horas/mês) e a realização de 10 horas extras no mês, temos:

 Salário = 2.000,00

 Horas trabalhadas no mês = 220

 Valor da hora normal = (2.000,00 / 220) = 9,09

 Valor da hora extra = 9,09 x 1,5 = 13,63

 Valor do adicional de hora extra = (13,63 x 10) = 136,30

A regra é, portanto, que os serviços extraordinários sejam devidamente remunerados, sendo cada hora extra acrescida de 50% do valor da hora normal.

Não obstante, a CF/88 (art. 7º, XIII) e a CLT admitem a compensação de jornada, vale dizer, dispensam o pagamento do adicional de hora extra pela realização de serviço extraordinário em um dia, se for assegurada ao trabalhador a correspondente diminuição da jornada em outro dia.

CLT

Art. 59. ... [...]

§ 2º Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias.

O requisito essencial para que seja admissível a compensação de jornada é a expressa autorização em acordo individual (compensação na semana) ou em norma coletiva de trabalho (compensação no ano, ou “banco de horas”).

120 Há uma série de outros aspectos do adicional de hora extra que não abordaremos neste Curso. Para aprofundar seus conhecimentos a respeito do assunto, consulte o material indicado na seção “Leitura Complementar”. Recomendamos, também, o atento exame dos seguintes enunciados do TST a respeito da matéria:

- Súmulas TST que tratam de hora extra: 115, 118, 132, 172, 199, 215, 230, 264, 291, 338, 347, 366 e 376.

- Orientações Jurisprudenciais da Seção de Dissídios Individuais 1 do TST (OJ-SDI-1): 47, 97, 233, 242, 355, 394 e 415.

Para os fins do nosso estudo, o que abordamos até aqui é suficiente. Frisamos que o adicional de hora extra somente será cotado em nossa planilha se os estudos preliminares sugerirem expressa previsão, no Projeto Básico ou Termo de Referência e no contrato, das horas suplementares estritamente necessárias para a execução dos serviços.

Consideramos pouco provável que os contratos administrativos prevejam a realização sistemática de horas extras, vale dizer, que a Administração exija a prestação habitual de serviços com extrapolação da jornada máxima prevista na Constituição Federal.

O Tribunal de Contas da União tem considerado ilegal a previsão de horas extras habituais nas planilhas orçamentárias para contratos de terceirização:

JURISPRUDÊNCIA DO TCU

[VOTO]

52.3. Há previsão injustificada de horas-extras para diversas categorias profissionais, o que, a princípio, é uma decisão gerencial da empresa, não devendo a Administração Pública prever no orçamento-base da licitação a adoção de tal prática pela futura contratada.

[...]

53. Considerando que a Hemobrás não teve oportunidade de se manifestar sobre os indícios de sobrepreço verificados no orçamento base do edital de licitação, entendo pertinente determinar que a estatal reavalie o orçamento-base da licitação com base nas considerações realizadas acima, por ocasião da publicação de nova licitação para a contratação dos serviços de gerenciamento da implantação da fábrica de hemoderivados. [ACÓRDÃO]

9.3. determinar à Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, com fundamento no art. 250, inciso II, do Regimento Interno do TCU, que:

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9.3.1 reavalie orçamento-base do objeto da referida licitação à luz das considerações feitas no voto condutor que fundamenta a presente deliberação;

(Acórdão 479/2015 - Plenário )

JURISPRUDÊNCIA DO TCU

[RELATÓRIO]

63. O pregoeiro afirma, ainda, que após a fase de lances, o valor final da proposta da referida empresa passou a ser de R$ 2.549.524,51 para um período de 12 meses, o que seria inferior ao valor estimado de R$ 3.163.944,00 pela Administração da Eletronorte para o mesmo período, conforme teria constado da requisição de compra.

64. Assim o valor estimado pela Administração da Eletronorte correspondeu a R$ 2.392.061,30 referente ao custo de salários fixados pela Eletronorte, os quais teriam sido somados ao valor de R$ 771.932,70, que corresponderiam ao pagamento de horas extras, que, segundo registrou, somente seriam pagos se fossem autorizados pela Eletronorte.

[...]

77. Portanto, não merece prosperar o argumento do pregoeiro da Eletronorte no sentido de que o valor contratado (R$ 2.549.524,51) estaria abaixo do valor estimado pela empresa (R$ 3.163.944,00), porquanto o valor contratado deveria ter como parâmetro a planilha orçamentária elaborada pela empresa contratante específica para o Pregão sob exame (R$ 2.392.061,30).

78. Ora, reitera-se que não se pode admitir que se tenha por base para licitação um valor que compreenda o pagamento de horas extras fixas. O próprio conceito do vernáculo extraordinário denúncia o equívoco na sua fixação para fins de orçamento de licitação, pois significa “não ordinário, fora do comum, excepcional, anormal”.

79. A propósito, verifica-se que o termo de referência do certame já estipulava uma jornada de duzentas e vinte horas para os profissionais contratados, procedimento que afronta o caráter de excepcionalidade e temporariedade do qual o serviço extraordinário deve estar revestido. Ressalte-se que a legislação trabalhista vigente estabelece que a duração normal do trabalho, salvo os casos especiais, será de 8 horas diárias e quarenta e quatro semanais, no máximo, o que representaria uma média mensal de 176 (cento e setenta e seis) horas, podendo, todavia, a jornada diária de trabalho dos empregados maiores ser acrescida de horas suplementares, em número não excedentes a duas, no máximo, para efeito de serviço extraordinário, mediante acordo individual, acordo coletivo,

convenção coletiva ou sentença normativa. Excepcionalmente, ocorrendo

necessidade imperiosa, poderá ser prorrogada além do limite legalmente permitido.

80. Desse modo, entende-se que a afirmação de que a proposta da empresa Servi-San foi analisada frente à estimativa da Eletronorte para o dispêndio naquele exercício, na qual estava computada parcela significativa

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de recursos para pagamento de horas extraordinárias não deve ser acolhida, porque se constitui em conduta antieconômica, haja vista ter ultrapassado o orçamento elaborado pela própria Eletronorte.

[ACÓRDÃO]

9.3.2. a fixação de horas extraordinárias no edital de procedimento licitatório é ilegal, porque afronta seu conceito e o caráter de excepcionalidade e temporariedade do qual o serviço extraordinário deve estar revestido.

(Acórdão 6776/2014 - Segunda Câmara)

De fato, esse tipo de previsão – horas extras habituais – é um risco para a Administração, porquanto a habitualidade acarreta a integração da parcela ao salário do trabalhador, para todos os fins, e a sua supressão gera direito a indenização. É o entendimento do TST:

JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO Súmula 376

I - A limitação legal da jornada suplementar a duas horas diárias não exime o empregador de pagar todas as horas trabalhadas.

II - O valor das horas extras habitualmente prestadas integra o cálculo dos haveres trabalhistas, independentemente da limitação prevista no "caput" do art. 59 da CLT.

JURISPRUDÊNCIA DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO Súmula 291

A supressão, pelo empregador, de serviço suplementar prestado com habitualidade, durante pelo menos 1 (um) ano, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor de 1 (um) mês das horas suprimidas, total ou parcialmente, para cada ano ou fração igual ou superior a seis meses de prestação de serviço acima da jornada normal. O cálculo observará a média das horas suplementares efetivamente trabalhadas nos últimos 12 (doze) meses anteriores à mudança, multiplicada pelo valor da hora extra do dia da supressão.

Assim, em face do entendimento jurisprudencial e das ponderações aqui aduzidas, recomendamos que o adicional de hora extra somente seja previsto, e cotado na planilha, se for absolutamente imprescindível para a execução dos serviços, com amparo em justificativas técnicas expressamente consignadas nos estudos técnicos preliminares e nos autos do processo de contratação.

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IN 02/2008

Art. 11. A contratação de serviços continuados deverá adotar unidade de medida que permita a mensuração dos resultados para o pagamento da contratada, e que elimine a possibilidade de remunerar as empresas com base na quantidade de horas de serviço ou por postos de trabalho.

§ 1º Excepcionalmente poderá ser adotado critério de remuneração da contratada por postos de trabalho ou quantidade de horas de serviço quando houver inviabilidade da adoção do critério de aferição dos resultados.

§ 2º Quando da adoção da unidade de medida por postos de trabalho ou horas de serviço, admite-se a flexibilização da execução da atividade ao longo do horário de expediente, vedando-se a realização de horas extras ou pagamento de adicionais não previstos nem estimados originariamente no instrumento convocatório.

Ordinariamente, portanto, o adicional de hora extra não será previsto na planilha de custos e formação de preços, porquanto não se recomenda a execução dos serviços contratados com extrapolação da jornada de trabalho máxima permitida.

Ordinariamente, portanto, o adicional de hora extra não será previsto na planilha de custos e formação de preços, porquanto não se recomenda a execução dos serviços contratados com extrapolação da jornada de trabalho máxima permitida.

Concluímos, aqui, nosso estudo sobre a estimativa da remuneração da mão de obra. Vamos agora começar a preencher nossa planilha de custos e formação de preços para um posto de recepção.

Para os fins dos nossos estudos, adotaremos arbitrariamente os seguintes dados para cálculo da remuneração mensal da nossa recepcionista:

- salário base (piso estabelecido pela CCT) = 2.000,00 (sem, contudo, fixá-lo

como base de cálculo de adicionais)

- trabalha em condições insalubres (grau médio)

- horas extras (10 horas por mês)

Consideradas as variáveis acima indicadas, eis como ficará o Módulo 1: composição da remuneração.

124 MÓDULO 1:COMPOSIÇÃO DA REMUNERAÇÃO

1 Remuneração % Valor (R$)

A Salário Base 2.000,00

B Adicional de periculosidade

C Adicional de insalubridade 176,00

D Adicional noturno E Hora noturna adicional

F Adicional de Hora Extra (10h/mês) 148,30

G Outros (especificar) Total da Remuneração 1.236,50 Memória de cálculo Adicional de insalubridade: = (880,00 x 0,2) = 176,00; onde:

 R$ 880,00 = valor do salário mínimo a partir de 1º.1.2015, conforme Decreto 8.618, de 29.12.2015;

 20% (ou 0,2) = percentual incidente sobre o salário mínimo, para apuração do adicional de insalubridade em grau médio, conforme art. 192 da CLT

Adicional de hora extra:

= {[(2.000,00 + 176,00) / 220] x 1,5} x 10 = {[2.176,00 / 220] x 1,5} x 10

= {9,89 x 1,5} x 10 = 14,83 x 10 = 148,30

125 onde:

 R$ 2.000,00 = valor do salário mensal da copeira

 R$ 176,00 = valor do adicional de insalubridade (deve ser somado ao salário mensal, para compor, assim, a base de cálculo da hora extra, conforme OJ- 47, SDI-1, TST: Hora extra. Adicional de insalubridade. Base de cálculo. A base

de cálculo da hora extra é o resultado da soma do salário contratual mais o adicional de insalubridade.)

 220 = divisor utilizado para apurar o valor do salário/hora

 1,5 (acréscimo de 50%) = multiplicador utilizado para calcular o valor da hora extra (valor da hora normal acrescido de 50%)

 10 = quantidade de horas extras realizadas no mês

Segue a nossa planilha, preenchida com os quadros iniciais e o Módulo 1 – Composição da Remuneração:

PLANILHA DE CUSTOS ESTIMADOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS

(Para Contrato de Terceirização) Nº do Processo

Licitação n.º

Data: ______/_______/____________ às ______:______ horas

DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS (Dados Referentes à Contratação)

A Data da apresentação da proposta 29.07.2016

B Município/UF Brasília/DF

C Ano do Acordo, Convenção Coletiva ou Sentença Normativa

em Dissídio Coletivo 2016

D Tipo de serviço Recepção

126 IDENTIFICAÇÃO DO SERVIÇO

Tipo de Serviço Unidade de Medida Quantidade total a contratar (em função da unidade de medida)

Recepção Posto 1

MÃO DE OBRA MÃO DE OBRA VINCULADA À EXECUÇÃO CONTRATUAL

Dados complementares para composição dos custos referentes à mão de obra 1 Tipo de serviço (mesmo serviço com características distintas) Recepção 2 Salário Normativo da Categoria Profissional R$ 2.000,00 3 Categoria profissional (vinculada à execução contratual) Recepcionista

4 Data base da categoria (dia/mês/ano) 1º.1.2017

MÓDULO 1:COMPOSIÇÃO DA REMUNERAÇÃO

1 Remuneração % Valor (R$)

A Salário Base 2.000,00

B Adicional de periculosidade

C Adicional de insalubridade 176,00

D Adicional noturno E Hora noturna adicional

F Adicional de Hora Extra (10h/mês) 148,30

G Outros (especificar)

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3.2. 13º SALÁRIO E ADICIONAL DE FÉRIAS

Segundo o modelo de planilha previsto na IN 02/2008, as despesas da empresa prestadora de serviço com o pagamento do 13º salário são consignadas no Submódulo 4.2.

Alteração no modelo de planilha, promovido pela IN 06/2013, “deslocou” a rubrica “adicional de férias” para o Submódulo 4.5 (Custo de Reposição do Profissional Ausente), sob o título “terço constitucional de férias”, aglutinando a despesa com aquela destinada à remuneração do substituto do terceirizado que goza férias.

Consideramos absolutamente imprópria a modificação, pois trata como semelhantes despesas totalmente distintas: o adicional de férias é devido ao terceirizado que goza férias e, por tal razão, deverá ser substituído. Essa despesa, como se vê, é custo que a empresa tem com o terceirizado “titular” e não com o substituto; já a rubrica “férias”, consignada no Submódulo 4.5 corresponde ao pagamento do salário do substituto.

Nada tem, portanto, uma despesa com outra, sendo de todo imprópria a aglutinação, na mesma rubrica e no mesmo submódulo, das parcelas remuneratórias em comento.

Por tais razões, optamos por manter no Submódulo 4.2 o adicional de férias.

Trata-se de verbas remuneratórias decorrentes de direitos dos trabalhadores previstos em lei, de observância obrigatória, razão pela qual seu custo deve ser estimado. Segue quadro demonstrativo da fundamentação legal de tais parcelas:

13º SALÁRIO E ADICIONAL DE FÉRIAS

Direito Trabalhista Fundamento Legal

13º Salário Leis 4.090/62 e 4.749/62; art. 7º, VIII, CF/88; Decreto 57.155/65

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3.2.1. 13º salário

A gratificação natalina, também chamada 13º salário, é devida a todo empregado. Corresponde a 1/12 da remuneração (salário e adicionais, além de horas extras ou noturnas habituais) devida em dezembro, por mês trabalhado no ano correspondente (vide art. 7º, inciso VIII da CF/88; Lei 4.090/62 e Decreto 57.155/65).

Entretanto, importa registrar que nada impede a norma coletiva de trabalho de fixar o 13º salário em patamar superior ao legalmente previsto, como reconhece o TCU:

JURISPRUDÊNCIA DO TCU

[VOTO]

26. Quanto à possível ocorrência de sobrepreço e/ou ganho indevido em virtude da majoração dos percentuais específicos das rubricas férias e 13º salário, não é possível chegar a essa conclusão examinando, isoladamente, os percentuais de 14,88% e 11,44%, mormente quando se constata que estes percentuais foram estipulados por força de convenção coletiva firmada entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas e Órgãos Públicos de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares do Estado da Bahia e o Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Similares do Estado da Bahia, local da prestação dos serviços.

27. Ademais, a UFBA encaminhou os comprovantes de pagamento dos empregados da CPM Braxis Outsourcing S.A. que efetivamente trabalharam no âmbito do contrato (peça 39, p. 1- 205; peça 40, p. 1-480; peça 41, p. 1- 607; peça 42, p. 1-329; peça 43, p. 10-300). Considero tais documentos aptos a comprovar o pagamento aos empregados dos valores cotados. 28. Diferentemente do que sustenta a SEFTI, o percentual de 11,11% [(1 + 1/3) x (100% / 12)] referente a férias [resultante do acréscimo de 1/3 ao salário (art. 7º, XVII, da Constituição Federal), dividido pelo número de meses do ano], bem como o percentual de 8,33% (100% / 12) referente a 13º salário (correspondente a um salário mensal dividido pelo número de meses do ano), a que alude o art. 7º, VIII, da Lei Maior, devem ser tomados como patamares (percentuais) mínimos, não havendo óbice a que sejam ultrapassados com respaldo em negociação coletiva de trabalho, cuja norma resultante é de observância cogente pela empresa contratada, por força do art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, que garante o "reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho" como direito fundamental dos trabalhadores.

129 Em regra, o 13º deverá ser pago em duas parcelas: a primeira entre os meses de fevereiro e novembro (até o dia 30.11) e a segunda até o dia 20 de dezembro (art. 3º, Decreto 57.155/65).

Essa despesa o contratado terá anualmente com todos os seus empregados prestadores de serviço no âmbito do contrato com a Administração. O custo mensal deve ser, portanto, inserido em nossa planilha. Faz-se o cálculo da seguinte maneira, considerando a remuneração mensal:

(2.324,30 / 12)

= 193,69

Onde:

2.324,30 = remuneração mensal do terceirizado (Módulo 1)

12 = número de meses no ano (para fins de obtenção do custo mensal da despesa)