1. Introdução
1.2 Algumas araterístias de materiais vitrosos
1.2.1 Densidade de Estados: exesso de modos de baixa
freqüênia
As informações a respeito das propriedades oletivas do sólido estão ontidas em seus
modos vibraionais. A densidade de estados
D(ω)
de um sólido é a medida do númerode modos vibraionais por unidade de freqüênia por unidade de volume. No apítulo
seguinte mostraremos matematiamenteque podemos estudar a rigidezde um sólido
es-tudando a estabilidade de seus modos vibraionais. Neste momento,é neessário apenas
saber que esta medida fornee informações sobre propriedades oletivas de rigidez: um
sistema é meaniamente estável rígido se não possuir modos vibraionais instáveis
(26; 41).
Em sólidos ristalinos, para estudar seus modos vibraionais, são feitas as seguintes
suposições: (i)osátomososilamemtornodeumpontodeequilíbrio,(ii)estãosubmetidos
a um potenial harmnio e (iii) impõem-se ondições periódias de fronteira. Estas
aproximações levam à onlusão de que os modos de vibração de baixa freqüênia são
muito bemdesritos porondas planas ujas energiassão distribuídas de talmaneira que
a densidade de estados, para um sistema de
d
dimensões, é expressa pela lei de Debye,D(ω) ∼ ω d−1
(26),que estáemótimo aordoomos experimentosrealizados omsólidos ristalinos.Uma araterístia interessante e universal dos materiais vitrosos é que eles
apresen-tam um exessode modos de baixafreqüênia om relaçãoaoomportamentode Debye.
Este exesso de modos, o qual é hamado na literatura de Pio de Bóson
§
, aparee em
experiênias de espalhamento, omo no exemplo da Fig.(1.7). Há duas grandes razões
paraqueeste exessode modos de baixafreqüêniaseja umaaraterístiaintrigantedos
materiaisamorfos.
A primeirarazão parte de uma observação experimental: na maioria dos vidros, este
exessode modos sedesloaemdireçãoàfreqüênia zeroquandoatemperaturaaumenta
(42), omonoexemplodagura (1.7). Atingiro valorde freqüêniazero impliaaperda
de rigidez deste sólido e portanto sua relaxação para o estado líquido. Esta observação
sugere queestes modos podem estar relaionados à transição vitrosa.
A segunda razão éque se sabe,por um lado, que osmodos vibraionaisde um sólido
estão diretamente ligados às propriedades de transporte destes materiais. Por outro, a
literaturarelataquemateraisamorfosapresentampropriedadesdetransportequediferem
daquelasenontradasemsólidosnormais. Exemplosbastanteestudadossãoapropagação
deforçaemmateriaisgranulares(43;44)eaondutividadetérmiaemvidrosestruturais,
que,emlugar dadependêniaúbiaomatemperaturaobservadaemristais,apresenta
uma dependênia quadrátia seguida de um plat (45). Estas observações sugerem que
exista uma relação entre os modos vibraionais de baixa freqüênia que apareem em
exesso nos materiaisamorfos aestas propriedades anmalasde transporte.
§
OtermoBoson Peak serefereàamplitudedopioespalhado, aqualvariade aordoomofator
Auniversalidadedoexessodemodosdebaixafreqüêniaemsólidosamorfosassoiado
aofatode queeles estãorelaionadosaimportantespropriedadesdomaterialfezom que
elefosse objetode umaextensa literaturanas últimasdéadas (46;47;48; 49; 50; 45;51;
52; 53).
Fig. 1.7: Densidade de estados reduzida (
g(E) ≈ D(ω)
segundo a nossa notação) dosmovimentos oletivospara um materialvitroso. A densidadeédividida por
ω 2
para quese ompare diretamenteo desvio de
D(ω)
omrelação àleide Debyeobserva em sólidos normais e representada na gura pela linha horizontal. O
írulo india a região om exesso de modos de baixa freqüênia. A legenda
dentrodagura indiaomo estes modos sedesloam emdireçãoàfreqüênia
nula onformea temperatura aumenta. Figuramodiadadareferênia (42).
Algumas abordagens foram utilizadaspara tentar entender aorigem deste exesso de
modos esuas impliaçõesnaspropriedadesdomaterial. Emuma delas,osvidros possam
são simuladospor uma rede desordenada de partíulas ligadas pormolas, ujas
onstan-tes de força são distribuídas aleatoriamente (54; 55). Uma outra maneira de abordar
o problema é usando a teoria Eulidiana de matrizes aleatórias (56; 51; 57; 58), onde
onsidera-se um onjunto de partíulas a temperaturainnita. Elasosilam emtorno de
posiçõesaleatoriamentedistribuídaseinteragemsegundoumpotenialgenério. A
densi-dadedeestadosdomaterialorrespondeaoespetrodamatrizHessiana,queéonstruída
a partir das derivadas segundas da energiapoteniale é desordenada. Estas abordagens
apturam uma parte da fenomenologia da fase vitrosa que prevê uma instabilidade
me-ânia bem omo um omportamento anmalo da densidade de modos vibraionais
próximoa esta instabilidade. No entanto,em todas elas, a desordemé o elemento
essen-ialpara oapareimentodo exesso de modos. Oorre que,experimentalmente, mede-se
também este exesso no espetro de vibraçãode ristais,omo porexemplo nosilíioem
om materiais ristalinos onrmam a existênia deste exesso de modos num material
ordenado (29; 61). Portanto, a desordem do material não deve ser onsiderada omo a
araterístiaresponsávelpelaexistêniadesteexesso demodosdebaixafreqüênia,mas
algum outro elementodeve ter importâniafundamental nadesrição do fenmeno.
Outro ponto ruial a ser ompreendido, e para o qual não há onsenso, é a imagem
espaial destes modos. Sabe-se que os modos vibraionais de baixa freqüênia de um
sólido ontínuo são aproximadamente ondas planas, mas não se sabe a que os modos do
pio de Bóson orrespondem nos sistemas amorfos.
1.2.2 Envelheimento (aging)
Quando fazemos medidas dependentes do tempo em sistemas no equilíbrio, é neessário
apenas onheermos a diferençade tempo entre o momento que amedida omeçou a ser
feitae o tempo nal,denido omo
τ
na parte superior da Fig.(1.8). Isto é,não importase a medida omeçaem
t 1
out 2
quaisquer, mas depende apenas da diferençaentre estestempos. No entanto, emsistemas fora do equilíbrio,tais medidas dependem também do
tempo
t w
que esperamos para omeçá-las: quanto mais tempo esperamos, mais lento osistema se torna. Por isto diz-se que sistemas vitrosos envelheem (Bouhaud em (62),
Kob eCugliandolo em (11)).
Quando denimos a função de autoorrelação de densidades na seção 1.1.1,
F (~q, τ )
,não espeiamos otempo
t w
,poisnoaso de líquidos super-resfriados osistema está no equilíbrio eportanto:F (~q, τ ) = h e i~ q . (~ r(τ)−~ r(0)) i = h e i~ q . (~ r(t+τ)−~ r(t)) i .
(1.2)No entanto, esta segunda igualdade não é válida para sistemas fora do equilíbrio.
Desta forma,épreiso redenir a autoorrelação para estes asos de maneiraa manter a
informaçãosobre
t w
:C(~q, t w + τ, t w ) = h e i~ q . (~ r(t w +τ)−~ r(t w )) i
(1.3)A Fig(1.8) ilustra a dependênia em
t w
para sistema de partíulas submetidas aopotenial de Lennard-Jones. Este sistema foi onduzido à fase vitrosa ao se fazer um
rápido abaixamento da temperatura no tempo
t = 0
. A partir daí, foram realizadasmedidasda
C(~q, t w + τ, t w )
para diferentest w
. Cada urvada gurarepresenta um valordiferente de
t w
, deixando laro que o sistema a ada vez mais lento om o passar dotempo.
Fig. 1.8: Em ima: Denição dos tempos araterístios. O tempo de espera
t w
e otempo de medida
t m
são tempos denidos pelo experimento; não são tempos intrínseos ao sistema. Em medidas dependentes do tempo em sistemas noequilíbrio, a resposta do sistema depende apenas de
τ
, tempo durante o qualo experimento foirealizado. No aso de sistemasfora doequilíbrio, aresposta
depende também do tempo de espera
t w
até omeçar a medida. Embaixo:Dependênia temporal da função de autoorrelação de densidades
C(q, t w + τ, t w )
para uma mistura de partíulas submetidas ao potenial deLennard-Jones nafase vitrosa. Cadaurva orresponde aum tempo
t w
de espera antesde omeçar amedida dosistema. Observamos que asesalas de tempo típias
para o deaimento das orrelações mudam de aordo om o tempo de espera
t w
. Figuramodiadadareferênia (11).equilíbrio, oenvelheimento ainda não é ompreendido em grandeparte deles. Materiais
vitrosos são exemplos onde não se ompreende em nível mirosópio a razão pela qual
os sistemasenvelheem.