2. Teoria de vibrações em sistemas pouo onetados
2.7 Resumo dos prinipais pontos apresentados no apítulo
apítulo
Nesta seção, faremos um resumo breve dos pontos esseniais que foram disutidos neste
apítuloe que serão utilizadosaolongo datese.
•
Aestabilidademeâniadeumsólidopodeserestudadaapartirdeseusmovimentos oletivos: seus modos vibraionais. Se onheermos o potenial de interaçãoV ij
entreduaspartíulas dosistemaeseeste potenialforontínuo,podemosenontrar
amatrizdinâmiadosistemaeportantoteraessoaos seusmodosvibraionaisom
suas respetivas freqüênias
ω
. A partir da análise de estabilidade destes modos, inferimos seum sistema é rígidoou não.Para que um sistema seja meaniamente estável, ou rígido, todos seus modos
vi-braionais devem ser estáveis. Modos vibraionais instáveis são representados no
eixonegativo das freqüênias.
•
Sistemas om número de oordenaçãoz
próximo ao limite isostátio,z c
, são ditospouo onetados. Em razão da baixa onetividade, tais sistemas apresentam um
exesso de modos vibraionais de baixa freqüênia om relação ao que seesperaria
para um sólido normalque obedee à leide Debye.
A densidade de estados de um sistema pouo onetado tem um valor típio de
D(ω) ∼ 1/ √
B
paraω > ω ∗
.Anaturezadestesmodosorrespondentes aoexessoéaraterizada: elessãomodos
anmalos, os quais diferem ompletamente de ondas planas. Eles são estendidos
pelo sistema, possuindo um omprimento araterístio
l ∗ ∼ δz −1
, o qual divergenolimite isostátioe uma frequênia
ω AM
araterístia.•
A rigidez oorre se e apenas seδz ≥ p/B
. Como este ritériodeveser respeitadoemadasubsistemade tamanho
l ∗
,elerevelaumaaraterístiaimportantesobrea rigidez nestes materiais: elaé uma propriedade não-loal. Esta ondição de rigidezé representada pelodiagramada Fig.(2.9).
•
Seaondiçãoderigidezésatisfeitaapenasmarginalmente,ouseja,quandooexesso deoordenaçãoδz
temovalorexatoparasustentarsua própriapressão, istoimpliaaexistênia de modos anmalosde baixa frequêniano sistema.
O modelo de esferas duras é um sistemaonde aspartíulas não interagem enquanto não
se toam e, uma vez que se enontram, experimentam um potenial repulsivoinnito de
forma que não podem se interpenetrar. Tais elementos desrevem sistemas físios ujas
interaçõesde urto alane sejam as mais relevantes. Embora seja um sistema
extrema-mente simples, vimos no apítulo 1 que ele apresenta uma fenomenologia bastante ria,
exibindo diversas fases. Conforme expliadonaintrodução,aumentando-se lentamente a
fração de volume
φ
a partir de uma fase uida, o sistema ristaliza. No entanto, seφ
aumentarapidamente,aspartíulasnãotêm tempode seorganizarnumafaseristalinae
o sistema experimenta uma transição vitrosa. O tempo
τ α
que arateriza asdesorrela-çõesdasutuaçõesde densidade reserapidamenteom
φ
. Afasevitrosa aontee entreum dado
φ 0
, aima doqual o tempoτ α
se torna inaessívelnumeriamenteeφ c
, onde seatinge o limite máximo de oupação para um sistema desordenado (
φ RCP
). A Fig.(3.1)esquematizaodiagramade fasesdasesferas duras emduas situaçõesdiferentes: aumento
gradativo da densidade e oorrênia da fase ristalina e, na parte inferior, um aumento
abruptodadensidadedetalmaneiraqueasesferasdurasexperimentamumafasevitrosa.
O sistema de esferas duras será utilizado ao longo do trabalho omo modelo para
estudar propriedades estátiasde sistemas amorfos e araterístiasda dinâmiade
ma-teriais vitrosos. Para estudar as propriedades mirosópias do sistema e assoiá-las à
suarigidez,desejamosapliarosresultados dateoriadevibraçõesdesólidospouo
one-tados apresentados no apítulo anterior. Em partiular, há dois resultados importantes:
(i) sistemas pouo onetados apresentam um exesso de modos de baixa freqüênia em
omparaçãoa sólidos normais. Taismodos emexesso orrespondem amodos anmalos,
os quais são araterizados por um omprimento araterístio
l ∗ ∼ δz −1
e (ii) a rigidezoorre se esomentese
δz ≥ C 0
q p/B
em ada subsistema de tamanhol ≥ l ∗
.Estes resultados, se apliáveis aovidro de esferas duras, nos permitiriam(i)
ompre-ender que meanismos mirosópios garantem a rigidez do sistema em sua fase vitrosa
Fig. 3.1: Diagramadasfasesparaumsistemadeesferasdurasomofunçãodadensidade
de partíulas. Na partede ima dagura háum esquemadatransição da fase
líquidapara afaseristalina. Napartede baixo, aeharepresentaum rápido
aumentodadensidade,de formaqueosistemaatingeafasevitrosa. Osvalores
de
φ
são para um sistema de esferas monodisperso em3d.vitrosa e próximoà transição para oestado líquido.
Masestesresultadossãoapliáveisaovidrode esferasduras? Porumlado, osistemaé
pouoonetadoparavaloresde
φ
próximosaφ c
,estandoexatamentenolimiteisostátioquando
φ = φ c
(92; 44; 99). Por outro, a teoria de vibrações é derivada om base naanálisede estabilidadedosmodosnormaisdosistemaeportantoéneessária aexistênia
de um potenial ontínuo que nos permita alular estes modos. Para esferas duras, o
potenial é fortemente desontínuo o que, em prinípio, impediria a apliação da teoria
para este sistema.
Noentanto,mostraremosnesteapítuloqueasesferasdurasseomportamomo
siste-maselástiosumavez queumamédiatemporalsejafeita: osistemapodeser desritopor
um poteniallogarítmio, oqual setorna exato nolimite emque
φ → φ c
. Este resultadoestá em ótimo aordoom as simulações numérias. Talpotenialefetivo permite denir
os modos normais do sistema e apliar os resultados que foram deduzidos para sistemas
elástiosàs esferas duras.
3.1 Número de oordenação e força de ontato
Consideramosum sistemade esferas durasemduas dimensõesauma fração de oupação
φ
próxima aφ c
, onde a relaxação estrutural do sistema é pratiamente ongelada. Osistemaébidisperso
∗
,tendometadedas partíulasdiâmetro
σ
eaoutrametadediâmetro1.4σ
. Partimos de uma onguração amorfa àφ = φ c ≈ 0.84 †
, onde as partíulas estãoemontato. Reduzimos seus diâmetros poruma quantidade relativa
ǫ
, o que leva aumafração de oupação
φ = φ c (1 − ǫ) 2
. Atribuímosveloidadesaleatóriaspara adapartíulae lançamos a simulação tipo evento dirigido (event-driven) (101; 102): a ada tempo
omputaional
t c
, alulam-se as possíveis olisões entre todas as partíulas do sistema.Cadapartíula
i
sedesloaumadistânia∆~r i = ~v i t min
,onde~v i
éaveloidadedapartíilai
et min
é o menor tempo de interação entre os pares de partíulas. Apenas um par departíulas interage a ada
t c
e as suas veloidades no tempo posterior são denidas demaneira que a interação onserve energia inétia e momentum linear. Lembramos que
neste sistema não háatrito e portanto não preisamos onsiderar omomentoangular.
Noteque,aodiminuirmososdiâmetrosdaspartíulaseatribuirmosveloidadesaelas,
introduzimosmovimentotérmioaosistema. Podemosentãodenirumatemperatura
efe-tiva,aqualédadapelosomatóriodos quadradosdas veloidadesdaspartíulas. Comoas
olisõesonservamenergiaemomentum, estamostratando de um sistemaàtemperatura
onstante (103). Para grandes temperaturas, as partíulas têm grandes veloidades e o
tempo de olisão
t min
entre elas é pequeno. Ao ontrário, se a temperatura for baixa, o tempo é grande. Portanto, o valor que atribuímos à temperatura apenas determinaa esala de tempo da dinâmia e por isto podemos xá-la sem perda de generalidade.
Fixamos
β = 1/k B T = 1
. Odiâmetroσ
das partíulasdene aunidade de omprimento.Como o tempo de relaxação estrutural
τ α
do sistema é muito grande durante a fasevitrosa, a dinâmia é pratiamente ongelada. Assim, duranteum intervalode tempo, a
posição média das partíulas é bem denida. Durante estes intervalos de tempo onde o
sistema se omporta omo um sólido, é possível denir uma rede de forças de ontato
‡
.
Introduzimosumtempoarbitrário
t 1
quedeve ser muito maior queotempoτ c
de olisãoentre duas partíulas e muito menor do que
τ α
. Duas partíulas são onsideradas em ontato se elas olidirem durante o intervalo de tempot 1
. Isto nos permite denir onúmero de oordenação do sistema
z ≡ 2N c /N
, ondeN c
é o número total de ontatosdurante
t 1
eN
é onúmero de partíulas. A forçade ontatof ~ ij
entre duas partíulasi
ej
é denida omo o momentum total queelas troam porunidade de tempo:f ~ ij = 1
Osistemadeveserpolidispersoparaevitararistalização(100).
†
Asonguraçõesnumériasà
φ = φ c
foramedidaspelosautoresdareferênia(23).‡
A idéia de força de ontato foi desenvolvida para estudar meios granulares (104) e reentemente
Fig. 3.2: Diagrama de fases das esferas duras em 2d. A gura destaa dois aspetos
importantes que foram disutidos no texto: (i) durante a fase vitrosa,
τ α
émuito grande e por isto é possível fazer média temporal sobre as partíulas
do sistema e denir suas posições médias. (ii) O diâmetro das partíulas é
reduzido de
ǫ
a partir da onguraçãoφ c ≈ φ RCP
. Mostramos um exemplo deuma onguraçãobidispersa amorfa à
φ = φ c
eN = 256
.onde a somaé feitasobre o número total de olisões
n col [t 1 ]
entrei
ej
que oorreram nointervalo de tempo
t 1
, e∆ P ~ n
é o momentum troado non
-ésimo hoque. A Fig(3.3) éum exemplo doampode forças obtidoutilizando-se uma onguraçãobidispersa auma
fração de volume
φ
próximadeφ c
.Conforme disutiremos mais adiante, na fase vitrosa o sistema apresenta
envelhei-mento (aging): observam-se eventos de relaxação abrupta, os quais hamamos
terre-motos. Nestes asos, uma fração signiativade partíulas se desloa aomesmo tempo,
normalmenteemregiõesdiferentesdaamostra. Entre esteseventosraros,hálongos
perío-dosondenãoseobservarelaxaçãoestrutural
§
. Todasasnossasmedidassãofeitasdurante
estes períodos. É importanteomentar aesolhadointervalo
t 1
porque, emprinípio,o-ordenação eforçapoderiamdepender dele. Noentanto,estas quantidadesnão dependem
de
t 1
se forem respeitadas asseguintes ondições: (i)τ c ≪ t 1 ≪ τ α
e (ii) terremotos nãooorrem durante o intervalo de tempo
t 1
. A disussão detalhada sobre a esolha det 1
etestes darobustez de nossas medidasfrentea esta esolha estãono apêndie A.
§
Estesterremotosserãodesritoseestudadosnoapítulo5. VerFig.(5.1),ondeelessãoaraterizados
pormeiodafunçãodeautoorrelaçãodedensidades
C(~ q, t)
.Fig. 3.3: Forçasdeontatoparaumsistemaom
N = 256
partíulas,ǫ = 10 −4
et 1 = 10 5
olisões. Osentros das partíulas estãorepresentadospelos pontoseasforças
de ontato pelos segmentos de linha. A largura dos segmentos é proporional
à amplitude da força entre as partíulas. Observe que há um balanço entre
as forças sobre ada partíula, omo deve ser paraas esalas de tempo onde a
estrutura é meaniamenteestável.
3.2 Potenial efetivo e energia livre de Gibbs do vidro
de esferas duras
Atéomomento,estabeleemosasbasesneessáriasparadeniropotenialefetivo.
Reap-tulandobrevementeasonsideraçõesfeitasatéaqui: ovidrode esferasduraséumsistema
quepermanee emequilíbriomeâniodurantelongosintervalosde tempo. Introduzimos
movimentotérmioreduzindoodiâmetrodaspartíulas elançandoumadinâmiadotipo
evento dirigido. Relatamos que o sistemapermanee emum estado metaestável durante
longotempo,oqualéinterrompidoporeventos de relaxaçãoabruptos quehamamos
ter-remotos, onde as partíulas se rearranjamaté enontrarem um novo estado metaestável.
Duranteestes longos períodos de metaestabilidade, denimosa rede de forças de ontato
e agora mostraremos omo podemos desrever as interações entre as partíulas om um
potenial efetivo.
Para denir um potenial efetivo para o sistema, preisamos relaionar as forças de
ontato
f ij
om osespaçosh ij
entre aspartíulasi
ej
,ondeh ij
édenido omonagura(3.4). Duranteointervalodetempo
t 1
,osvaloresinstantâneosdestesespaçosvariamentre 0 quando elas estão em ontato e alguns espaços típiosh ≈ ǫ
e portanto esta medidanão retorna uma informação preisa sobre o ontato
ij
. Por isto, ao invés de onsideraraposição instantânea de ada partíula,onsideramossuas posiçãomedia
R ~ m i (t)
duranteo intervalo
t 1
, denida omo:Ovalorde
h ij
deveser denido omooespaço médioentre aspartíulasdurantetodoo intervalode tempo
t 1
:h h ij i = || R ~ m i (t) − R ~ m j (t) || − r i − r j ,
(3.3)onde
r i
éo raiodapartíulai
.Começamosonsiderandoumalinhade esferasdurasequilibradasaumadada pressão
p
. Este sistema é onheido omo gás de Tonks (106), o qual foi o primeiro a mostrarteoriamenteque,sezermos uma médiatemporalnas olisõesemum sistemade esferas
duras limitadasao movimento em uma dimensão, podemos denir uma força efetiva
f ij
entre duas partíulas. A idéia que usamos aqui é exatamente a proposta feita na seção
anterior: onsideramososistemaduranteumintervalodetempoondeeleémeaniamente
estável. Durante este intervalo, o sistema pode ser araterizado por uma pressão
p
, aqual é diretamente proporional à média das forças de ontato entre todas as partíulas
do sistema (apêndie A). Assim, temos um sistema isotérmio e isobário(103), para o
qual podemos alular a função de partição introduzindo espaços
h i
entre as partíulas,denido
h i = r i,i+1 − r i − r i+1
, onder i,i+1
éa distâniaentre asesferasi
ei + 1
:Z ∼ Y
i
Z ∞
0 dh i e −βph i .
(3.4)Ostermosqueontêmaenergiainétiaforamexluídos
¶
. Podemosisolarumontato
entreduaspartíulas
i
ei+1
ealularotrabalhoneessárioparaabri-lodeumadistâniah i
. Otrabalhoédado peloprodutof ij h i
,ondef ij
éa forçade ontato denida naseção¶
Notemosque olimite superior daintegralnão éestritamenteinnito, masélimitado porumvalor
h max
. Comoh max ∼ N/(f β )
(105),e −βph max
deaiazeroparaN ≫ 1
paraqualquervalordeφ
próximoa
φ c
, poisapressãoémuitograndenestelimite.anterior. Podemos esrevera função de partiçãodaseguinteforma:
em umarelaçãoentre asforças de ontato entre duaspartíulas
ij
eseus espaçosmédios:f ij = 1
β h h i i , ∀ i.
(3.6)Esta expressão é válida om ousem forçaexterna.
Agora demonstraremos queaEq.(3.6) podeser estendidaa umvidrode esferas duras
a
φ = φ c
para qualquer dimensão. Conforme omentado no apítulo anterior, aφ c
, seaspartíulas-hoalhosãoremovidas, osistemaémarginalmenteonetadoouisostátio:
z = z c
. Sistemasisostátiostêmapartiularidadede apresentartantosgrausde liberdade de desloamentosquanto foremos número de ontatos. Esta propriedade onduz a duasonseqüênias: (i)aonguraçãodosistemapodeserdenida peloonjuntodedistânias
entre as partíulas em ontato e (ii) estes graus de liberdade são independentes. Isto
impliaque a função de partiçãoé oproduto dos termos orrespondentes aada ontato
individual. Portanto,seumsistemaestá emequilíbriomeânionumestadometaestável,
o ampo de forças
| f i = { f ij }
é bemdenido epodemos esrever:Z ∼ Y
hiji
Z ∞
0 dh ij e −βf ij h ij .
(3.7)Exatamente omo foi feito para o aso
d = 1
, podemos alular a força entre osontatos:
f ij = 1
β h h ij i , ∀ h ij i .
(3.8)Novamente, esta relaçãoéválidaom ousemforças externas. Observequeesta derivação
apenasonsideraargumentostermodinâmioseportantotambéméválidaparapartíulas
brownianas.
A relaçãoentre força e distâniafoi veriada numeriamente. A Fig.(3.5) apresenta
nossos resultados de simulaçãopara valores de
φ
próximosàφ c
emperfeita onordâniaom a Eq.(3.8).
O potenial termodinâmio de um sistema à
T
ep
onstantes é a energia livre de10 -7 10 -6 10 -5 10 -4 10 -3 10 -2
Fig. 3.5: Gráo log-logdaamplitude da forçade ontato vs. osespaços
h
denidos naEq.(3.3) para vários valores de
ǫ
em um sistema deN = 256
partíulas em 2dimensões. Cada pontorepresentaum par (
f ij
,h h ij i
)assoiadoom oontatoij
. Ospontos olapsamna urva teória,denida pelaEq.(3.6).Gibbs
G
,a qual pode ser alulada a partirda expressão(3.7),G = β −1 ln Z
:G = − β −1 X
hiji
ln h h ij i
(3.9)Fisiamente,
G
orresponde à energia de um onjunto de partíulas atérmias omposições
{ R ~ i
m }
queinteragematravés dopotenialV ij
:V ij (r) =
Portanto, as esferas duras se omportam omo um sistema elástio que responde à
apliação de um ampo externo de forças omo se estivesse submetido a um potenial
logarítmio,o qual éexato nolimite
φ = φ c
.Antesde omeçarmosaapliarestepotenialefetivo,enfatizamosqueaequação(3.8)
pode ser obtida a partir de um argumento de esala baseado em idéias físias bastante
intuitivas. A freqüênia de olisões
ν
entre duas partíulasi
ej
depende dos espaçosh
entre elas:
ν ∼ v/h ij
, ondev
é aamplitude médiado vetor veloidade das partíulas. Omomentum linear troado entre elas numa olisão,é tipiamente
|| ∆ P ~ || ∼ mv
,ondem
éamassadapartíula. Considerando
m = 1
equeonúmerode olisõesentrei
ej
duranteo intervalo de tempo
t 1
é igual aν t 1
, ao utilizar a Eq.(3.1), tem-se:f ij ∼ hv h ij i
. Como
h v 2 i ∼ β
, reenontramosf ij ∼ βhh 1 ij i
.3.2.1 Correção da força quando
δz > 0
Quando
φ
é reduzido a partir deφ c
, a oordenação do sistema aumenta e portanto elenão vive mais no limite isostátio. Neste aso,
h ij
não são mais variáveis independentes na Eq.(3.7) e a Eq.(3.8) não é mais válida. Para estimar a orreção que deve ser feitaà Eq.(3.8) quando
δz > 0
, esrevemos a função de partição isolando um ontatoij
daseguinte maneira:
Z ∼
Z ∞
0 dh ij e −βf ij h ij e −βG(h ij ) ,
(3.11)onde
G (h ij )
é a energia livre total do sistema. Podemos esreverG (h ij )
omoG (h ij ) = G 0 +∆ G (h ij )
,omG 0
independentedoespaçoh ij
enesteasoonossotrabalhoonsisteemestimar
∆ G (h ij )
. Para tanto,onsideramosque a Eq.(3.8) éválida emuma aproximação de primeira ordem e que∆ G (h ij )
é o usto de energia neessário para abrir um ontatode amplitude
e = h ij − h h ij i = h ij − f ij −1
num sistema de partíulas queinteragemom opotenial (3.10). Na referênia(29) é alulada a aenergia gasta pelosistema aoefetuar
umarespostaelástiaaumaperturbaçãoloaldeamplitudepequena
e
:δE ∼ δzBe 2
,ondeB
é o módulo de ompressão. Como o potenial é ontínuo,B
pode ser alulado paraum sistema de esferas duras:
B ∼ V ′′ (r) ∼ f ij 2
. Com isto, podemos estimar∆ G (h ij ) ∼ δzf ij 2 (h ij − f ij −1 ) 2
e podemos esrever∆ G (h ij ) = δzC ij f ij 2 (h ij − f ij −1 ) 2
, ondeC ij
é umaonstantede ordemum epode variar de aordoomoontatoonsiderado. Substituindo
∆ G (h ij )
em(3.11), reesrevemos a equação:Z ∼
Z ∞
0 dh ij e −βf ij h ij (1+2δzC ij ) .
(3.12)Calulamos os espaços médios
h h ij i
onsiderando-se uma expansão até a primeira ordem emδz
:h h ij i = βf 1
ij (1 − 2C ij δz)
. Portanto, a relação entre força e distânia paraum sistema om
δz > 0
obedee:f ij = 1
β h h ij i (1 − 2C ij δz).
(3.13)Testamosnumeriamenteesteresultadoalulando
C(δz) ≡ h f ij β h h ij ii ij − 1
,ondehi ij
esta orreção é pequena, da ordem de 3-4% quando
δz ≈ 1
. Como estamos interessados em estudarosistemapróximoaolimiteisostátio,onde asorreçõesde ordemδz
não sãorelevantes, estas serão desprezadas norestante donosso trabalho.
0 0,5 1 1,5 2
δz -0,05
-0,04 -0,03 -0,02 -0,01 0
C ( δ z )
Fig. 3.6: Correçãomédiadaforça,
C(δz) ≡ h f ij β h h ij ii ij − 1
vs.δz
paradiferentesvaloresde
φ
. Ovalorδz ≈ 1.5
orresponde a uma fração de oupação de tipiamenteφ ≈ 0.82
. Alinhaéum ajustelineardospontosqueonvergemparaaprediçãoteória alulada em (3.13). Observe a esala no eixo
y
: as orreções são nomáximo de
5%
naexpressão daforça, Eq.(3.8).3.2.2 Força de ontato média omo parâmetro de ontrole
Normalmenteusamos afração de oupação
φ
omo parâmetrode ontrole das transiçõesde fases do sistema. Esta medida tem a vantagem de ser aessível experimentalmente,
mas ela apresenta uma ambiguidade quando pensamos naforçade ontato média
h f i
dosistema, denida omo:
h f i = 1 N
X N
hiji
|| f ~ ij || ,
(3.14)onde
f ~ ij
é dada pelaEq.(3.1).Relatamos a existênia de terremotos no sistema omo sendo um evento onde uma
onsiderável fração de partíulas serearranjaao mesmotempo. Durante este proesso, o
médias entre as partíulas
h ij
aumentam. Portanto, emboraφ
se mantenha onstante,h f i
diminui. Logo, é possível ter mais de um valordeh f i
para um mesmo valordeφ
.Mostramos noapítulo anterior quea teoria de vibrações de sólido pouo onetados
arateriza as vibrações do sistema om base em duas grandezas: oordenação
z
epres-são
p
. A pressãop
é diretamente proporional àh f i
(ver Anexo A) e portanto, paradesrevermososistemausandoareferidateoria,utilizaremos
h f i
omoparâmetrodeon-trole. Usando este parâmetro, o intervalo de oorrênia da fase vitrosa é entre
h f i ≈ 20
e
h f i → ∞
.Salientamosque, para osistemade esferas duras,
h f i ∼ p ∼ 1/h
, ondeh
é ointervaloaraterístioentreaspartíulas,denidoem3.3. Podemosentãoexpressar
p
omofunçãodafraçãode volume
φ
usandoqueφ = φ C (1 − ǫ) 2
. Comoh ≈ ǫ
,paraǫ
pequenospodemosesrever:
φ = φ C (1 − 2h)
. Assim,p ∼ (φ C − φ) −1
.3.3 Cálulo dos modos vibraionais
Duranteos intervalosde tempo nos quaisas esferas durasestão num estadometaestável,
mostramosque épossíveldeniruma redede forças de ontatoea energialivrede Gibbs
para o sistema,
G
. Podemos expandirG
em torno das posições{ R ~ m i }
de equilíbrio daspartíulas para desrever as vibrações dosistema.
Realizamos um proesso análogo ao que foi feito na seção 2.1 e alulamos a matriz
dinâmia
M
dosistema,ujostermossãodadospelaexpressãoEq.(2.6). Usandopotenialefetivo derivado para as esferas duras, Eq.(2.3), tem-se, para ada ontato
h ij i
,V ij ′ = β/ h h ij i
eV ij ′′ = β/ h h ij i 2
. Assim,tomandoβ = 1
,ostermosdamatrizdinâmiasãodadosPara enontrar os modos normais do sistema suas respetivas freqüênias,
diagona-lizamos
M k
. Representamos os modos normais por| δR α i
, onde o índieα = 1, ..., 2N
lassia os modos em ordem de freqüênia
ω α
. A densidade de estadosD(ω)
éons-truídalassiandoasfreqüênias
ω α
emintervalos, deformaquetemosadistribuiçãodeons-truídalassiandoasfreqüênias