6. Conlusões e Perspetivas
6.1 Resumo e disussão
Maxwell ponderou, há mais de 150 anos, que o ritério global de rigidez de um sistema
é mais exigente que o ritério de estabilidade loal. Em partiular, para um sistema a
d
dimensões, apartirde um ritérioloalonluiríamosquesão neessárias
d + 1
partíulasem ontato parasustentarumapartíula. Noentanto,se, emmédia,este foronúmerode
oordenaçãode umsistema,Mawxellprovouqueelenão seráestável, poissãoneessários
pelo menos
z c = 2d
ontatos por partíulapara que o sistema seja rígido. Abaixo destenúmero de oordenação, apareem os modos maios, os quais têm freqüênia zero e
per-mitemqueosistemarelaxeaolongode suasdireçõessemforçade restauração. Portanto,
aestabilidade meâniade um sólidoexigeaestabilidade frenteamovimentosoletivos e
esta informaçãoestá ontida nos modos de vibração do sistema. Assim, as propriedades
de vibração de um sistemaestão intimamenteonetadas àsua estabilidademeânia.
Esta onexão é diretamente estabeleida na teoria de vibrações de sólidos pouo
o-netados (27; 28; 29). Um sólido pouo onetado é aquele para o qual o número de
oordenação
z
épróximoaolimite deestabilidadez c
,olimiteisostátio. Osautoresmos-tramqueabaixaonetividadede umsólidoimpliaaexistêniadeumexesso demodos
de baixa freqüêniaom relação aoomportamentode Debye, ohamado pio de Bóson.
EstePioésupostamenteumaaraterístiamuitorelevanteemsólidosamorfos,deforma
que entender sua origem e saber a que estes modos orrespondem se tornou imperativo
para a ompreensão das araterístiasdestes materiais. Para sólidos pouo onetados,
os autores assoiaram a existênia destes modos à proximidade do material ao limite de
estabilidade meânia. Ou seja: quando o sistema está exatamente no limite isostátio,
eleérígidoeportantonãoexistemmodos maios. No entanto,dado queeleestá próximo
a perder sua estabilidade,os modos de baixa freqüênia deve ser modos na iminêniade
instabilidade e portanto pareidos om os modos maios. Desenvolvendo rigorosamente
estaidéia,mostra-se quetaismodossão muitodiferentesdos modosvibraionaisde baixa
freqüênia existentes emristaisas ondasplanas pois elessão omplemente
heterogê-l ∗
quediverge quando o sistema atingeo limite isostátio,l ∗ ∼ δz −1
. Como um materialrígidonãopode possuirmodosinstáveis,impõem-seaestabilidadedosmodosanmalose,
apartir disto,surge uma relaçãoentre pressão
p
eoordenaçãoz
quedeve ser respeitadapara que osistema seja rígido: o ritériode Maxwellestendido.
A parte originaldestatese omeçanoapítulo3,onde nos perguntamosomo apliar
estas idéias para entender as propriedades de um vidro de esferas duras. Dado que este
sistemaexperimentauma fase vitrosa entre asdensidades
φ 0
,onde o tempo de relaxaçãoestrututal
τ
é maiordo queos temposde simulaçãoeφ c
, onde sua pressão diverge, ele éum modelo para estudar propriedadesestátias ea dinâmiade um sistemavitroso.
Este sistema é pouo onetado para frações de volume
φ
próximas àφ c
(23; 92;44) e portanto a teoria de vibrações de sólidos pouo onetados se aplia às esferas
duras. No entanto, para alular seus modos vibraionais é neessária a existênia de
um potenial ontínuo entre as partíulas, já que preisamos expandi-lo em torno das
posiçõesdeequilíbrio. Obviamenteestenãoéoasoparaasesferasduras,jáqueosistema
apresentaum potenialompletamentedesontínuo. O primeiroresultado importantefoi
a obtenção de um potenial efetivo para o sistema. Mostramos que, durante um estado
metaestável,podemosrealizarumamédiatemporalsobreasposiçõesdaspartíulaseobter
um potenial efetivo, o qual é exato no limite isostátio. Para derivá-lo analitiamente,
alulamosafunção departição
Z
dosistemaquando eleseenontranolimiteisostátio,à
φ = φ c
,e,apartirdeZ
,denimosaenergialivredeGibbsG
deste sistema. Mostramosqueasorreçõesaestepotenialsãopequenasforadestelimite,daordemde
δz
,de formaque ele ontinua sendo válido para valores de
φ
durante toda a fase vitrosa de líquidosuper-resfriado.
Ao longodestes intervalos de metaestabilidade, osistema seenontraem um mínimo
de sua energia livre e portanto o ritério de rigidez derivado pela teoria de vibrações de
sólidos pouo onetados se aplia. Mostramos que o vidro de esferas duras é
meania-mente estável porque há a formação de uma rede de ontatos que respeita a relação de
oordenação
z
epressãop
emadasubsistemade tamanhol ∗
. Osnossosdadosnumériossão ompatíveisom aigualdade doritériode rigidezdesta rede,ou seja: o sistematem
a oordenação exata para sustentar a sua pressão. Este resultado permite entender a
estruturamirosópiadovidrodeesferas duras:
δz ∼ p −1/2 ∼ (φ C − φ) 1/2
. Ofatode quea oordenação tem um valor limitepara sustentar a sua estrutura signiaque qualquer
utuação nas grandezas
p
ez
pode fazerom queo sistemapera sua rigidez. Logo, estarigidezmarginalimpliaaexistêniadeumexessodemodosdebaixafreqüênia,osquais
são modos muito próximos aos modos maios e foramefetivamente medidosnas
simula-osistemaseenontra emum mínimode sua energialivre,épossívelexpandir
G
emtornodas posições de equilíbrio das partíuals e alular a matriz dinâmia do sistema. Para
o sistemade esferas duras,os modos vibraionaisdesrevem aurvatura dasuperfíiede
energialivre.
Dado que estes modos de baixafreqüênia são modos na iminêniade serem maios,
elesrepresentamasdireçõesdefragilidadedosistema: utuaçõesdepressãoeoordenação
podem fazerom que as partíulas se desloquem aolongo deles sem realizar trabalho. É
natural,portanto,seperguntarqualéainuêniadestesmodosnosproessosderelaxação
do sistema. E a partir daí zemos uma análise omparativa entre a dinâmia real do
sistemae seus modos de vibração. Esta análisepode ser interpretada omouma maneira
de estudarainuêniadasuperfíie de energialivreàdinâmiadosistema,emanalogia
à idéia de Goldsteinsobre a superfíiede energia potenial(68).
Primeiramenteestudamosadinâmiaemesalasdetempoorrespondentesàrelaxação
mirosópiadosistema. Paraisto, alulamos aautoorrelaçãode amplitudedos modos
vibraionais da dinâmia. Mostramos que a autoorrelação dos modos osila durante
todo o intervalo de medida, sugerindo que os modos tenham um aoplamento muito
pequeno. O tempo araterístio de relaxação de ada modo deai om sua freqüênia
e suas amplitudes quadrátias deaem quadratiamente om ela. Este último resultado
signiaqueosmodosvibrainaisquemaisontribuemparaarelaxaçãomirosópiasão
osmodos debaixafreqüêniaequeaontribuiçãodeaimuitorápidoquandoafreqüênia
aumenta. Além disso, estes fatos nos permitem ompreender a aentuada utuação das
posições das partíulas em torno de suas posições de equilíbrio,
h δR 2 i
, om relação aoomportamentoobservadoemristais. Mostramosque
h δR 2 i ∼ p 3/2 ∼ (φ C − φ) −3/2
,oqueé muito maior doque autuação que seria medidaaso estes modos de baixafreqüênia
fossem ondasplanas,
h δR 2 i ∼ (φ C − φ) −2
. Notequeeste resultado justiaaanomalianadinâmiamirosópia,jáqueodesloamentoquadrátiomédiodaspartíulasserelaiona
aofator de Debye-Waller (114; 82;116; 115; 117; 118; 34).
Para estudar a dinâmia intermitente do vidro de esferas duras, omparamos a
di-nâmia real relativa aos eventos de relaxação estrutural, os terremotos, om os modos
vibraionais. Oproedimento ésimples: alulamos os modos de vibração dosistema no
estadometaestávelanterioraoterremoto eprojetamos oampode desloamentorelativo
aoterremotonestesmodosdevibração. Mostramosqueoseventosderelaxaçãoestrutural
se projetam em uma fração muito pequena dos modos de vibração do sistema, os quais
são os de mais baixafreqüênia. Este fato sugere que, ao relaxar durante a fase vitrosa,
o sistemabusa as direções mais maiasda superfíie de energia livre.
metaestáveis durante esta fase (119) e portanto o mesmo método pode ser apliado. As
nossasmedidasmostramqueoseventosderelaxaçãonestafasetambémseprojetamsobre
uma fração muito pequena dos modos vibraionais de baixa freqüênia e que esta fração
étantomenor quantomaispróximoà
φ 0
osistemaesteja. Assim, interpretamosque, du-rantesuafasedelíquidosuper-resfriado,oseventosderelaxaçãodosistemaorrespondemaodesloamentodas partíulasaolongodas direçõesmaisplanasdapaisagemde energia
livre,bemomo oorre nafase vitrosa.
É importantenotar queas nossas onlusões não impliamque os eventos de
relaxa-ção sejam espaialmente os mesmos na fase vitrosa e na fase de líquido super-resfriado;
nossosresultadosmostramqueelesseprojetam, emambasasfases,emumnúmeromuito
pequeno de modos vibraionais de baixa freqüênia. No entanto, os modos de vibração
não são espaialmente os mesmos ao longo da fase vitrosa e na fase de líquido
super-resfriado. A teoria apresentada no apítulo 2 prevê uma esala de omprimento
l ∗
dosmodos anmalosque diverge limite isostátio
φ = φ c
,l ∗ ∼ δz −1
. Portanto, a observaçãode que osmodos de mais baixa freqüênia dominama relaxação dadinâmia sugere que
exista uma esala de omprimento dinâmio no sistema de esferas duras e que ela é
de-orrente da esala de omprimento
l ∗
dos modos anmalos do sistema. A nossa medidade rigidezmarginal nos permiteainda prever um tamanhoaraterístio das regiões que
se rearranjam:
l ∗ ∼ p 1/2 ∼ (φ c − φ) −1/2
. Esta esala de omprimentol ∗
foi reentemente veriada em um trabalho numério (110) e pode ser testada em olóides a grandesφ
,onde as regiõesde rearranjo durante os eventos de relaxaçãosão presumivelmente muito
grandes.
Osresultadosobtidosnestateseorroboraramnumapropostadedesriçãodatransição
vitrosa em termos da estabilização dos modos anmalos, a qual será disutida na seção
seguinte. Paranalizarestetrabalho,apresentaremosummodelosimplesquenospermite
testar alguns meanismos de relaxação que oorre nos sistemas vitrosos em termos da
estabilizaçãodos modos vibraionais.
Enm,antesde disutirmosestasperspetivas,salientamosquenossosmétodode
aná-lisedadinâmiaeresultadospodem ser estendidosamais dimensõesea outrossistemas.
As ferramentas utilizadaspara desrever o sistema em
2d
são failmenteestendidas parasistemas em
3d
. Em3d
,a matriz dinâmiapode ser alulada e, apartir dela, os modosvibraionaissão enontrados. Osmodosanmalosforamaraterizados parasistemasem
qualquer dimensão. Assim, a omparação entre a dinâmia e seus modos vibraionais
ontinuasendopossível. Oenárioproposto pode tambémser apliadoaoutros sistemas
vitrosos que não apenas do tipo desrito por esferas duras. Em sistemas desritos pelo
e que tais modos orrespondem a modos anmalos (? ). No entanto, diferentemente
das esferas duras, estes sistemas têm interação de longo alane. Nestes asos, onúmero
de oordenação deve ser onsiderado não apenas em função das partíulas em ontato
direto, mas deve ser alulado um númeroefetivo de oordenação
z ef
denido para adasistemaemquestão. Nareferênia(? ),osautoresmostramque,quandoépossíveldenir
umahierarquiadeontatos,onde osontatosmais fraospodemser tratadosomouma
perturbação a um sistema isostátio, a análise om modos anmalos pode ser também
apliada a sistemas vitrosos om interação de longo alane. Nestes asos,
l ∗
tem umvalormáximo e não diverge na fase vitrosa omo noaso das esferas duras.