• Nenhum resultado encontrado

Alguns índices que compõem a qualidade dos assentamentos

estradas de acesso, auxílio à produção e à comercialização. Quanto maior o número de parcerias e quanto mais elas forem vinculadas a organismos não diretamente relacionados à reforma agrária, maior será o valor do índice. Assim, os autores mencionados, supõem que seria desejada para o desenvolvimento e emancipação do assentamento, uma situação em que se reduz a dependência do crédito e das ações específicas da reforma agrária, inserindo-se formalmente na região através de parcerias e articulado com outras organizações para atender suas necessidades. Além disso, também compõem o índice, ainda que com menor peso, a participação dos moradores em associações e cooperativas, a área utilizada coletivamente para a produção e a comercialização em sistemas integrados.

O valor médio desse índice encontrado para o Brasil foi 42, enquanto os estados do Maranhão, do Espírito Santo e de Roraima, apresentaram um índice de 34, sendo este o valor mais baixo no conjunto dos estados brasileiros. Como se observa no mapa 7, a predominância nos assentamentos no Maranhão foi dos valores entre zero e 50, sendo que em casos isolados foi obtidos valores entre 50 e 75.

Os autores constatam que, no conjunto do país, após a implantação do assentamento, as famílias tendem a optar pela produção individualizada, não sendo comum a opção por soluções coletivas, como cooperativas ou parcerias com agroindústrias. Entretanto, quanto às ações reivindicatórias por benefícios e serviços sociais, as famílias continuam atuando coletivamente, através das associações.

A organização visando obter benefícios coletivos para a produção foi bem menor do que aquela observada nos aspectos reivindicatórios. Parcerias visando conseguir benefícios para a comercialização e/ou produção agrícola foram registrados em 9% dos PAs (média Brasil de projetos criados entre 1985 e 2001) e as parcerias ligadas a benefícios sociais ocorreram em 57% dos casos. A produção coletiva, com exceção de alguns Estados do Nordeste, não apresentou valores significativos. A participação em cooperativas teve alguma expressão maior apenas na região Sul e as parcerias com agroindústrias, com exceção apenas do Estado de Goiás, não foram significativas. (COOPER et al., 2003, p. 106).

Por sua vez, o Índice de Ação Operacional procura avaliar o cumprimento das atribuições dos órgãos públicos diretamente vinculados à execução da reforma agrária (INCRA e gestores locais) e a fase de desenvolvimento em que se encontra o assentamento. O número de casas definitivas com abastecimento de água e energia elétrica, a fase de elaboração do Plano de Desenvolvimento do Assentamento, PDA, a titulação e a consolidação, além da liberação de créditos, foram os fatores considerados na composição do Índice de Ação Operacional. Esses

fatores foram reunidos em grupos, que indicam a infra-estrutura (construção de casas, acesso regular à água de boa qualidade, acesso a eletricidade e existência de estradas internas); a liberação de créditos (de instalação, e habitação e de produção) e, finalmente, a situação de titulação e de consolidação dos projetos.

Valores mais elevados do índice indicam que é maior o cumprimento das obrigações do gestor da política agrária e o assentamento encontra-se próximo da consolidação. O valor médio do índice de ação operacional medido para o Brasil foi de 64. O estado do Maranhão alcançou o valor 40. Mesmo sendo menos desfavorável do que os valores registrados para os estados do Pará (35), do Amapá (30), do Amazonas (28) e de Roraima (10), esta situação aponta um elevado grau de afastamento em relação ao valor médio nacional. Neste caso, conforme ilustra o mapa 7, é visível a predominância dos valores entre zero e 25, tendo o índice para o conjunto do estado alcançado o valor 40, provavelmente, em função da existência de uns poucos casos com valores entre 75 e 100.

O último índice desenvolvido pelos pesquisadores em questão refere-se ao Índice de Qualidade do Meio Ambiente, que procura avaliar o estado de conservação das Áreas de Preservação Permanentes, APP, e a Reserva Legal, RL. São considerados, por um lado, fatores cuja existência contribui para rebaixar o valor do índice, como atividades de extração ilegal de produtos florestais e degradação das terras por erosão, e, por outro lado, fatores que elevam o valor do índice, como ações de recuperação ambiental, através do plantio de árvores e da recuperação de matas ciliares.

O valor médio do índice encontrado para o Brasil foi 64. Outra vez, o valor calculado (49) para o Maranhão aponta o estado na pior situação entre os demais. De acordo com o mapa 7, neste índice a maior freqüência de casos no Maranhão encontra-se entre os valores 25 e 50, sendo que os casos extremos (valores entre zero e 25 ou entre 75 e 100) foram raros.

Ao contrário de todos os outros índices, os valores maiores foram observados nos assentamentos novos, o que dá margem a duas interpretações: a) a qualidade do meio ambiente diminui com o desenvolvimento do projeto e com a intensificação dos sistemas de produção; ou b) as atitudes conservacionistas têm sido intensificadas em tempos mais recentes. Os fatores isolados que mais contribuíram para que o índice assumisse valores relativamente baixos em termos absolutos (com exceção de alguns estados da região Sul) foram a conservação de APP e RL e a falta de ações de melhoria ambiental. (COOPER et al., 2003, 122).

Conforme os autores destacam, os números disponíveis indicam que a reforma agrária no Brasil é realizada com base em significativo um passivo ambiental, resultante da priorização de áreas onde a qualidade ambiental já está comprometida ou em que o desmatamento ainda é imprescindível para a implantação dos sistemas de produção agrícola, dadas as condições técnicas vigentes. Uma possível explicação para essa situação são os critérios adotados na definição de imóvel produtivo para efeito de desapropriação, através dos índices do Grau de Utilização da Terra, GUT, e do Grau de Eficiência na Exploração, GEE, que algumas vezes permitem a caracterização de imóveis improdutivos apenas em regiões remotas, onde ainda é incipiente o estágio em que se encontra o desenvolvimento dos sistemas de produção agrícola.93

Os autores em questão também observam que a insuficiência de créditos específicos para as ações diretamente relacionadas à conservação do meio ambiente (reflorestamento, recuperação de matas ciliares, sistemas agro-florestais), assim como a adoção apenas recente de ações de planejamento dos sistemas de produção (Plano de Desenvolvimento do Assentamento, PDA) e da licença ambiental para a implantação de projetos ou liberação de créditos, explicam a pouca abrangência das ações de recuperação ambiental nos projetos de assentamento.94

Outra dimensão do trabalho liderado por Sparovek (2003) compõe-se de uma abordagem dos assentamentos no contexto de sua localização, levando em conta questões relativas às condições do solo, do clima, as facilidades de acesso e a existência de um potencial mercado consumidor, tendo como base a densidade populacional urbana do entorno.

Quanto às condições do solo, de um modo geral, os autores observam predominam as áreas de solo moderadamente restrito e que a qualidade e os tipos de solo são pouco considerados na escolha da localização dos assentamentos no Brasil. Nessa circunstância, parte dos projetos apresenta uma situação mais favorável do que a média de cada região, mas, ao mesmo tempo, outra parte está

93

Se esse, realmente, for o fator que leva a dificuldades de arrecadação de terras por parte do governo nas

regiões mais desenvolvidas, torna-se imprescindível uma revisão e atualização dos índices para o cálculo de GUT E GEE. (COOPER et al., 2003, p. 127).

94

As diferentes ações de recuperação foram desenvolvidas em uma área que corresponde a 5,2% da área útil e a 3,6% da área total dos assentamentos no país. Por outro lado, quando as ações são analisadas levando-se conta sua extensão relativa ao montante de área das APP e RL que estão degradadas, elas sugerem um quadro um pouco favorável. (COOPER et al., 2003, p. 127).

instalada em áreas que apresentam elevada restrição. O estudo ressalta, então, que seria desejável uma tendência de seleção de áreas de maior aptidão das terras, evitando as

situações de restrições edáficas muito elevadas. (STEEG, et al., 2003, p. 144). No caso do

estado do Maranhão, como se pode observar no mapa 895, as condições dominantes são as de solo restrito a moderadamente restrito, com raros eventos de solo pouco restrito.

No que diz respeito às condições climáticas, o estudo mencionado constata grande variação regional das áreas de localização dos assentamentos, sendo que a situação mais desfavorável foi observada no Nordeste. Esta região, com aptidão climática (representada pela deficiência hídrica) muito restrita, apresentou tendência de localização dos projetos em áreas de condições climáticas inferiores à média regional - 60% dos projetos encontram-se nesta situação. No Maranhão, de acordo com o mapa 8, a quase totalidade dos assentamentos localiza-se em faixas de solo restrito ou muito restrito, com uma pequena parcela situando-se em solo moderadamente restrito. Steeg et al., (2003) advertem que, para o conjunto da região Nordeste, seria desejável a seleção de áreas com condições climáticas mais favoráveis.

Quanto às condições do acesso às áreas de localização dos assentamentos, em todas as regiões apareceram situações muito boas, ou seja, pouco restritivas em relação à média regional, sendo que esta foi muito favorável em todos os casos. A situação menos favorável foi observada na Nordeste. No estado do Maranhão, conforme ilustra o mapa 9, o acesso aos assentamentos é moderadamente restrito, havendo situações de pouca ou nenhuma restrição. Os autores concluem que a seleção das áreas de localização

95

Os pontos brancos nos mapas 8 e 9 indicam a localização dos projetos de assentamento.

Mapa 8: Maranhão - condições de solo e de clima nas áreas de