4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.3 ARMAZENADORES/PROCESSADORES
4.3.4 Alternativas para pagamento dos royalties
não sendo determinadas as datas em que ocorrerão.
Para maior segurança no recolhimento dos royalties, são feitos testes em todos os caminhões de soja provenientes de uma mesma fazenda, quando o produtor declara o caráter NGM de sua produção.
Encontraram-se situações em que os armazéns fazem os testes de transgenia na própria fazenda dos produtores porque não tinham capacidade de armazenamento para receber a soja. Mesmo nesses casos o procedimento é o mesmo feito nas unidades armazenadoras/processadoras.
Para alguns armazenadores/processadores entrevistados o valor recebido (15% sobre o valor arrecadado) da Monsanto para fazer o recolhimento dos royalties não é condizente com o serviço prestado, uma vez que a reputação do armazenador fica em xeque perante seus clientes. Argumentam que se houver qualquer problema com os testes, os armazenadores ficam expostos à desconfiança dos produtores. Sendo assim, o valor recebido não compensaria a possível perda da reputação, já que os produtores poderiam entregar sua soja a outros armazenadores da região.
4.3.4 Alternativas para pagamento dos royalties
Os produtores podem optar entre duas alternativas para fazer o pagamento dos royalties; na época da compra da semente ou por ocasião da comercialização da produção.
Se o produtor preferir fazer o pagamento na compra de semente é dado a ele um crédito de isenção a ser utilizado no ato da comercialização tomando como base uma determinada quantidade colhida por hectare (70 sacos de soja por hectare plantado com a semente certificada adquirida em Goiás e 74 sacos em Mato Grosso) (MONSANTO, 2007).
Nesta opção os dados cadastrais do produtor e da compra efetuada são registrados nos controles da Monsanto, sendo emitido um boleto em nome do produtor a ser pago até o dia 31 de dezembro do ano vigente. Esse boleto gera os equivalentes créditos de isenção a serem apresentados pelo produtor no ato da comercialização de sua produção junto ao armazenador/processador.
A cada região é atribuída uma quantidade produzida de kg de grãos de soja plantada por kg de sementes que pode ser comercializada. Para fazer esse cálculo foi levada em consideração a produtividade média das últimas safras, sendo concedido ainda um crédito adicional. Esse procedimento visa garantir, aos agricultores que pagaram royalties pelo uso da tecnologia Roundup Ready, que eles não venham a ser descontados no momento da comercialização de sua produção. Vale ressaltar que os créditos gerados por esses licenciamentos terão validade até 31 de janeiro de cada ano subseqüente à colheita da safra, sendo cancelados após tal data. Isso aconteceu na safra 2007/8. Para a safra 2008/9 houve uma mudança considerável para a opção do pagamento na compra da semente, como relatado nessa mesma pesquisa anteriormente nos dados da entrevista realizada com a CNA. Também foi criado um sistema informatizado, ligando os produtores de sementes, cooperativas e distribuidores aos comerciantes de grãos credenciados pela Monsanto, sendo desenvolvido para que não haja cobrança de royalties em duplicidade (MONSANTO, 2007).
A prestação de contas sobre os royalties recolhidos na comercialização é realizada eletronicamente entre a armazenadora e a detentora da tecnologia.
A seguir é mostrado passo a passo como foi o recolhimento dos royalties na compra da semente na safra 2006/7.
Primeiramente o interessado vai até o produtor de sementes, cooperativa ou distribuidor credenciado da Monsanto para comprar as variedades transgênicas; o produtor de sementes, cooperativa ou distribuidor credenciado Monsanto informa que o custo da tecnologia é de R$0,30 por quilo de semente, que poderá ser pago via boleto até 31/12 do ano vigente; o agricultor assina o termo de condições gerais para licenciamento da tecnologia e o entrega ao produtor de sementes, cooperativa ou distribuidor credenciado da Monsanto, caso ainda não o tenha assinado; o produtor de sementes, cooperativa ou distribuidor efetua, no sistema, o lançamento da venda feita ao agricultor e imprime o boleto referente aos royalties da tecnologia; o responsável credenciado mostra ao agricultor os seus créditos de isenção no sistema informatizado que está ligado aos comerciantes de grãos e esses créditos o isentarão do pagamento na hora da comercialização dos grãos, caso os royalties sejam pagos até o último dia do ano. Depois de colhida, o agricultor entrega sua produção nos armazéns. Assim que é entregue os produtores devem informar que têm créditos de isenção de pagamento na comercialização. O comerciante de grãos confere no sistema o valor desses créditos de pagamento do agricultor, informando ao agricultor sobre o volume de grãos isentos do pagamento de royalties, podendo assim comercializar sua produção (MONSANTO, 2007).
Essa sistemática ainda representa uma novidade para os agentes da cadeia produtiva da soja, principalmente para os produtores rurais, os quais não raro mostram-se desinformados ou com pouco nível de informação sobre os royalties, formas de pagamento e/ou valores a serem recolhidos. Encontraram-se relatos de casos em que o produtor esqueceu-se de levar o crédito de isenção quando foi comercializar a soja, tendo que pagar os royalties novamente para o armazenador, pois para buscar as informações sobre seu crédito de isenção ele precisa do boleto devidamente quitado para procurá-lo no sistema da Monsanto e dar sua devida baixa.
Além dessa prática ser menos favorável na visão dos armazenadores/processadores, foi constatado que a maioria dos produtores de Mato Grosso fez o pagamento dos royalties na comercialização do produto na safra 2006/7 (informação levantada na presente pesquisa) onde o principal motivo citado pelos armazenadores é o fato deles não terem recursos para fazerem o pagamento até o último dia do ano. Em Goiás encontrou-se outra realidade, sendo constatado que cerca de 70% dos produtores já entregam a soja nos armazéns com os royalties pagos.
Interessante ressaltar que a prática do pagamento dos royalties na comercialização já não é mais feita pela maioria dos produtores. Foi consenso entre os armazenadores visitados em pesquisa de campo realizada em dezembro de 2008 que a maioria dos produtores já preferem e fazem o pagamento dos royalties na compra das sementes. Os revendedores de insumos e multiplicadores de sementes entrevistados nessa ocasião também deram a mesma opinião.
Na percepção dos armazenadores/processadores, os 2% de royalties cobrados pela detentora da patente da soja RR é satisfatório. Na percepção dos produtores esse valor cobrado é um pouco abusivo, demonstrando que os produtores não estão muito satisfeitos em fazer esse pagamento nos níveis em que é cobrado.