3- Enquadramento da Prática Profissional
3.2 Contexto Funcional
3.2.2 A Escola, o Meio e os Alunos
3.2.2.2 Alunos
As diferentes motivações, meios, e espaços que cada turma tinha, foram alguns dos diversos paradigmas, de resto, interessantes e desafiantes que consegui superar. Não foi fácil, mas foram as dificuldades que exigiram mais de mim. Quando superadas, deram-me um alento enorme, contribuindo para o consolidar de um professor, cada vez mais completo. Foram constantes a evolução, adaptação, autoavaliação e superação. Tudo isto fez de mim um professor mais capaz, que transmitia e promovia o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, nos alunos. Estes ao sorrirem e demonstrarem o seu sentimento de satisfação, faziam-me feliz.
Tive portanto a nobre oportunidade de lecionar a três turmas distintas. Fui professor nas aulas de APD e acompanhante do DT no 10º AGD durante todo o ano. Lecionei aulas de Educação Física nas turmas de 10º do curso de Eletrónica e Telecomunicações (ET) no primeiro período e de 11º do curso de Contabilidade e Gestão Empresarial (CGE), desta feita, no decorrer do terceiro período.
Foco-me assim na minha turma principal (10º AGD) de uma forma mais empírica e nas restantes de forma mais suave, sem deixar de referir a importância de todas elas para a minha formação.
Nos anexos nº 1 e 2, é possível verificar o questionário utilizado perante as turmas e os resultados obtidos, neste caso, para a turma 10º AGD. Porém, realizei o mesmo trabalho para a turma de 10º ET. A turma de 11º CGE foi também alvo de uma caracterização, mas pelo EE que lhes deu aulas no decorrer do primeiro período. Os dados por mim elaborados, foram apresentados no início do ano letivo, em Power Point aos respetivos conselhos de turma, ainda no decorrer do primeiro período, como forma de dar a conhecer aos professores um conhecimento mais profundo dos seus pupilos. Estas apresentações foram alvo de elogios pelos docentes ora pelo trabalho e dedicação, ora pela forma da apresentação. O Power Point, era um resumo de todos dados obtidos, observação e avaliação descritiva dos mesmos.
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Foi enaltecedor a realização destes trabalhos, apesar de terem demorado mais tempo a realiza-los do que inicialmente tinha previsto. Contudo, se juntamente com os colegas do NE, tinha sido elaborado semelhante e extenso questionário, não faria sentido não analisar os dados que foram adquiridos pelo mesmo. Por outro lado, após refletir e avaliar o questionário, dada a grande extensão dos dados obtidos, penso que ele poderia ter sido mais sucinto e concreto, permeabilizando o que fosse mais pertinente saber para a turma, permitindo-me rentabilizar tempo para o restante trabalho que me foi exigido ao longo do primeiro período.
Para entender melhor o escalão etário a que pertenciam as minhas turmas, parti para a sua caracterização macro. De acordo com Vasconcelos (1999), os alunos, muitas vezes, apresentam a mesma idade cronológica mas divergem na sua idade maturacional, o que torna possível encontrar jovens com a mesma idade cronológica mas com idade maturacional distinta.
Neste sentido é importante caracterizar a faixa etária da 2ªfase pubertária (16 – 18 anos), onde se inserem os alunos das minhas turmas (Vasconcelos, 1999).
A 2ª fase pubertária caracteriza-se por um crescimento contínuo, existindo um equilíbrio entre os parâmetros de crescimento, assim como um equilíbrio psíquico e hormonal (Vasconcelos, 1999).
Esta fase pubertária é considerada a fase da estabilização da diferenciação específica intersexos e da progressiva individualização (Vasconcelos, 1999).
Um primeiro aspeto da estabilização consiste no facto de que a contradição no comportamento motor, que era típica da puberdade, é paulatinamente superada. Esta fase constitui-se, como um novo ponto alto do desenvolvimento motor (Vasconcelos, 1999).
Os jovens, nesta fase da vida, adquirem cada vez mais atitudes determinadas e relativamente bem delineadas em relação à ocupação desportiva em geral, assim como às aulas de Educação Física na escola. Expressam uma atitude cada vez mais individual, sendo dirigida entre os
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extremos “muito” e “pouco”. Estes jovens são muitas vezes pessoas indiferentes, sendo a sua capacidade de exteriorização diminuta, podendo muitas vezes serem considerados preguiçosos (Vasconcelos, 1999).
Nestas idades há uma preferência por grupos espontâneos que incluam ambos os sexos. Relativamente à vida escolar, há uma tendência para se esforçarem mas, se as tarefas forem muito árduas, poderão mergulhar em depressões temporárias. Aborrecem-se muito depressa com o que lhes é familiar, estando sempre ansiosos por novas experiências (Vasconcelos, 1999).
Algumas características referentes ao escalão etário, segundo Vasconcelos (1999):
Desenvolvimento Motor:
Nesta fase há um crescimento acelerado em largura em detrimento do crescimento em altura. A maturação do sistema nervoso promove uma melhoria da coordenação.
O organismo do jovem continua a estar predisposto para o desenvolvimento das capacidades condicionais.
Há um considerável aumento da força, especialmente as forças máxima, rápida e a relação força / carga (a resistência de força não é tão favorável).
O desenvolvimento da velocidade alcança valores próximos dos do adulto.
Desenvolvimento Psicológico
Há um aumento do espírito crítico, porque existe uma grande aspiração e rendimentos máximos. O aluno necessita sentir sucesso na atividade que realiza; rápida compreensão e aprendizagem apesar da sua concentração reduzida.
É uma idade de grandes ideias e de aparecimento da estabilidade psíquica.
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Desenvolvimento Social
Demonstra um grande interesse por jogos e trabalhos de equipa. Aumenta a lealdade ao grupo e o interesse pela aparência pessoal (por vezes com atitudes exibicionistas). Aumenta também o sentido de independência duma capacidade de colaboração, o que torna possível a aprendizagem em grupo. O jovem revela maior confiança em si mesmo e um sentimento de independência mais profundo.
É mais tolerante com as pessoas em geral, o interesse pelo sexo oposto e a maturidade social aumentam.
O jovem parece “afastado” da família, porque anda muitas vezes ocupado com os amigos e com as suas atividades. Prefere, geralmente a companhia dos amigos à da família.
O jovem é uma pessoa simpática, comunicativa, alegre, segura, equilibrada e bem ajustada.
Capacidades Coordenativas
Os tempos modernos exigem das pessoas uma crescente
disponibilidade coordenativa e motora. Sendo esta fase considerada como a “segunda idade de ouro” para a aprendizagem, haverá uma melhoria da coordenação relativamente à fase anterior, uma vez que existe uma boa capacidade de aprendizagem motora e rápidos progressos, que se traduzem numa melhoria do rendimento. Aliada a estes aspetos, existe uma estabilização geral da condução do movimento, bem como uma continuação do desenvolvimento das capacidades de combinação motora (Vasconcelos, 1999).
Durante esta fase estabelece-se uma diferenciação significativa, com as raparigas a estabilizarem o nível das suas prestações, enquanto os rapazes mantêm um ritmo de evolução constante até cerca dos 18 anos. Segundo alguns autores, o ponto mais elevado no desenvolvimento coordenativo é atingido na idade compreendida entre os 17 e os 21 anos (Vasconcelos, 1999).
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A interrupção dos ganhos que as raparigas manifestam parece ser devida a fatores motivacionais e a um processo de socialização diferente dos rapazes, fazendo-as rejeitar as habilidades de tipo gímnico e desportivo que são, precisamente, as utilizadas para desenvolver a coordenação geral (Vasconcelos, 1999).
Capacidades Condicionais
Força
A força é uma capacidade condicional que acompanha a evolução etária, sendo influenciada pela maturação do sistema neuromuscular e do aparelho de sustentação. Pode ser desenvolvida sistematicamente desde os 9 – 10 anos, apresentando, contudo, uma evolução ascendente e possibilidades máximas de aperfeiçoamento após a maturação do organismo (Vasconcelos, 1999).
Nos rapazes, a maioria dos valores das habilidades de força conhecidos mostram cotas de desenvolvimento anuais bem altas e constantes, principalmente no que concerne à força máxima, à força rápida e à relação carga-força. A força resistente desenvolve-se menos favoravelmente, sobretudo a dos braços (Vasconcelos, 1999).
O desenvolvimento da força nas raparigas ocorre de um modo diferente: reconhecem-se-lhe aumentos anuais constantes, embora sejam baixos no que diz respeito à força rápida e à relação carga-força. A força resistente desenvolve-se muito fracamente (Vasconcelos, 1999).
Resistência
Durante esta fase, é a elevada diferença específica entre os sexos neste parâmetro. Enquanto o máximo da capacidade de rendimento é alcançado pelas raparigas já na idade dos 15 – 16 anos, nos rapazes apenas o é entre os 18 e os 22 anos (Vasconcelos, 1999).
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Velocidade
No final da puberdade, o desenvolvimento da velocidade alcança valores próximos daqueles que se verificarão na idade adulta (Vasconcelos, 1999).
As diferenças específicas entre os sexos, nas habilidades de velocidade, permanecem geralmente mínimas durante a adolescência. Por norma, os rapazes conseguem um rendimento de velocidade um pouco mais elevado, principalmente quando as solicitações desta capacidade estão ligadas a componentes mais elevadas de força como, por exemplo, no sprint (Vasconcelos, 1999).
As raparigas treinadas, em algumas expressões de velocidade (aquelas que não requerem força), poderão apresentar melhores valores relativamente aos rapazes não treinados (Vasconcelos, 1999).
Flexibilidade
Após a puberdade, a consolidação do crescimento osteoarticular e o desenvolvimento das massas musculares (em particular nos rapazes) diminuem a mobilidade funcional. Por esta razão, a flexibilidade decresce cada vez mais nas articulações menos solicitadas, sendo este aspeto mais visível nos rapazes (com exceção da articulação escapulo-umeral) (Vasconcelos, 1999).
3.2.2.2.1 Caracterização das Turmas
Partindo agora para uma descrição do ponto de vista micro, passo à caracterização resumida de cada uma das turmas.
A turma do curso de AGD do 10º ano era constituída por 29 alunos, dos quais 12 eram raparigas e 15 eram rapazes. Destes, 25 são nascidos em 1996, 2 em 1997, 1 em 1995 e 1 em 1994.
Os alunos estavam naturalmente motivados para a prática desportiva, sendo que a maioria queria prosseguir estudos na área do Desporto. Alguns alunos necessitavam claramente de evoluir técnicamente e outros, de melhorar
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a sua condição física, para engrandecer a sua performance. Além disso, a maioria dos discentes eram possuidores de um bom leque de conhecimentos em diversas modalidades, sendo inclusive federados em modalidades tais como Andebol, Voleibol, Futebol, Basquetebol e atletismo.
A turma do curso de ET do 10º ano era constituída por 27 alunos, dos quais 23 eram rapazes e 5 eram raparigas. Destes, 14 eram nascidos em 1996, 7 em 1995 e 2 em 1994.
Alguns alunos mostravam interesse pela disciplina, outros tinham algumas dificuldades, mas empenhavam-se. Outros tinham dificuldades e mostravam desinteresse. Particular referência para um aluno com Necessidades Educativas Especiais, com uma síndrome do espectro Autista, Asperger. Alguns alunos eram federados em modalidades desportivas, tais como Voleibol, Futebol e Andebol.
A turma do curso de CGE do 11º ano era constituída por 19 alunos, dos quais 8 eram raparigas e 11 eram rapazes. Todos tinham idades dentro do escalão etário acima caracterizado.
Esta classe era heterogénea a nível físico e motivacional para as aulas de EF. Eram alunos, alguns, motivados para a prática desportiva, contudo, não orientada. Ou seja, gostavam muito das ditas “aulas livres”. Alguns alunos não se interessavam pela EF. Além disso, era uma turma considerada pelos meus colegas de estágio e pelo conselho de turma, um pouco instável a nível de comportamento.
Alguns alunos eram federados na modalidade de Futebol.