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1.2 – AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO DA UMOA

No documento RELATÓRIO ANUAL 2012 VERSÃO RESUMIDA (páginas 39-47)

I AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO

1.2 – AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO DA UMOA

1.2.1 – Produto interno bruto

Após um ano 2011 particularmente difícil, marcado pela crise pós-eleitoral em Côte d’Ivoire e a seca no Sahel, os Estados membros da UEMOA voltaram a apresentar uma nova dinâmica de crescimento forte, puxada pela execução de grandes projectos de desenvolvimento e de investimento privado.

Apesar do impacto de uma conjuntura internacional pouco favorável e choques internos, o produto interno bruto da União registou uma progressão de 6,4% em 2012 face a 0,7% no ano precedente. Esse ressalto do crescimento está ligado à forte retoma da atividade económica em Côte d’Ivoire, o impulso da produção mineira consecutivo à valorização de vários projectos nos domínios aurífero e petrolífero, bem como o endireitamento da produção agrícola e a consolidação da produção industrial, num contexto de melhoria da disponibilidade da oferta de energia eléctrica.

Gráfico 1 : taxa de crescimento do PIB real da UEMOA

Fonte : BCEAO.

1.2.2 – Produção agrícola

Globalmente, a campanha agrícola 2012/2013 correu bem dentro da União, graças às ações empreendidas pelos Estados no plano nacional e a nível comunitário para melhorar a segurança alimentar e fortalecer o dinamismo das fileiras de exportação. Beneficiou também das condições climáticas e fitosanitárias favoráveis. Com efeito, a pluviometria foi precoce, abundante e bem distribuída no tempo e no espaço. O total registado durante essa estação aproxima o de 2010, considerado como um dos anos mais chuvosos da última década. Chuvas fortes que provocaram inundações em certos países da União, nomeadamente o Benim, o Níger e o Senegal. Todavia, manteve-se o potencial de crescimento e de desenvolvimento. Também, a situação fitosanitária foi boa globalmente. 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 0 1 2 3 4 5 6 7 E m p e rc e nt a ge m

Segundo as estimações feitas pelos Serviços oficiais em janeiro de 2013, a produção alimentícia cifrava-se a 48.967.785 toneladas durante a campanha 2012/2013, com um aumento de 10,9% em relação à campanha agrícola precedente. Os melhores resultados foram registados no Senegal, no Bukina Faso e no Níger, onde as ceifas alimentícias tiveram aumentos respetivos de 43,2%, 31,4% e 28,7%. Essa evolução seria essencialmente possibilitada pela consolidação da produção de milho miúdo e de sorgo nesses países. No Mali, o aumento de 13,5% da produção alimentícia, é atribuível, em grande parte, ao aumento de 19,2% da produção de arroz estimada a 2,1 milhões de toneladas. Na Guiné-Bissau, no Togo e em Côte d’Ivoire, as estimações indicam aumentos respetivos de produção de 15,9%, 4,9% e 3,2%. Em comparação com a produção média das cinco campanhas anteriores, as ceifas da campanha 2012/2013 teriam uma progressão de 18,5%.

Gráfico 2 : produções alimentícias

Fontes : Organismos nacionais de comercialização.

No que diz respeito às culturas de exportação, a produção de algodão em grão da União foi de 1.648.263 toneladas, com um aumento de 18,7% em relação à campanha anterior, devido à expansão das superfícies semeadas e dos esforços feitos pelos Estados para apoiar a melhoria dos rendimentos. Os aumentos mais importantes foram notadas no Benim (20,0%), no Burkina Faso (24,4%) e em Côte d’Ivoire (37,5%). Em relação à produção média das cinco campanhas anteriores, a taxa de progressão das ceifas de algodão em grão é de 18,7%.

Graças às ações empreendidas para redinamizar a fileira café, as ceifas desse produto aproximaram-se dos níveis alcançados antes da crise pós-eleitoral, situando-se a 132.501 toneladas durante a campanha 2012/2013, face a 51.238 toneladas, na campanha anterior. As estatísticas disponíveis atinentes à castanha de caju indicam um aumento de 12,3% da produção regional que atingiu 771.330 toneladas, graças à consolidação das ceifas no Benim (+25,0%) e em Côte d’Ivoire (+10,0%). Na Guiné-Bissau, as ceifas registaram uma queda de 7,5%.

Benim Burkina Côte d'Ivoire Guiné-Bissau Mali Niger Senegal Togo 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 2010 - 2011 2011 - 2012 2012-2013 Em m ilh ar es d e to ne la da s

A produção de cacau, realizada essencialmente em Côte d’Ivoire, registou uma queda de 10,6% situando-se a 1.399.000 toneladas para a campanha 2012/2013, por causa do envelhecimento e da falta de manutenção das plantações.

No entanto, a produção de amendoim registou 1.933.976 toneladas, com um aumento de 5,0%, de uma campanha para a outra. Essa evolução registou-se principalmente graças à boa orientação das ceifas no Senegal (+31,3%), atenuada pela queda de 26,3% da produção no Níger.

Gráfico 3 : produções agrícolas de exportação

Fontes : Organismos nacionais de comercialização.

1.2.3 – Extracção mineira

Em matéria de produção mineira, a situação em 2012 aparece contrastada conforme os produtos. A extracção dos fosfatos cifra-se a 2.306.484 toneladas, com uma progressão de 6,3% em relação a 2011. Essa situação resulta do aumento de 22,3% da produção no Togo, consecutivo à modernização dos equipamentos de produção. No Senegal, as quantidades extraídas baixaram de 2,3%. A produção de urânio aumentou de 9,9% no Níger, estabelecendo-se a 4.568,9 toneladas.

Quanto à produção de ouro, registou um aumento de 5,4%, e situa-se a 100.175,7kg. Essa consolidação da extracção de ouro é consecutiva à da produção do Mali (+10,1%) em relação a 2011, com o início da produção da mina de Gounkoto. No Burkina Faso, a produção alcançou 42.419,0 kg em 2012 face a 38.749,0 kg no ano precedente, ou seja um aumento de 9,5%. No Níger, a produção registou uma dimunuição de 15,6%, ficando a 1.581,1 kg. Em Côte d’Ivoire, as estatísticas disponíveis sobre os nove primeiros meses do ano 2012 indicam um aumento de 5,1%, levando a produção acumulada nesse período a 9.903,1 kg, dado o aumento sensível da produção de EQUIGOLD MINES e da Companhia das Minas de ITY (SMI).

Cacau Café Algodao Amendoim Castanha de Caju

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 2010 - 2011 2011 - 2012 2012-2013 Em m ilh ar es d e to ne la da s

No que diz respeito ao petróleo bruto, os dados disponíveis situam a produção em Côte d’Ivoire a 9.623.810 barris, com uma queda de 22,3% em relação a 2011, devido a certas dificuldades técnicas e ao declínio natural dos campos petrolíferos.

1.2.4 – Produção industrial e volume do comércio de retalho

A produção industrial dos países da UEMOA manteve a sua orientação de aumento em 2012.

Com efeito, o índice calculado pelo BCEAO aumentou em média de 4,0% em 2012, contra uma progressão de 2,4% observada em 2011. O dinamismo da produção industrial explica-se pelo aumento de 18,5% do índice do ramo «Electricidade, água e gás». Depende também do desempenho do ramo industrial (+5,2%) e do sector mineiro (+5,2%).

Por país, observou-se um aumento da produção industrial no Benim (+15,8%), no Burkina Faso (+28,2%), em Côte d’Ivoire (+9,0%) , no Togo (+8,9%), no Níger (+2,4%) e no Mali (+0,6%). Porém, registou-se uma regressão na Guiné-Bissau (-2,6%) e no Senegal (-1,6%).

O índice do volume do comércio de retalho do sector moderno aumentou de 15,1%, em média,

nos países da UEMOA em 2012, face a 8,2% em 2011. Essa progressão global da actividade comercial é atribuível, nomeadamente, ao fluxo das vendas de produtos de petróleo (+22,3%), de artigos de vestuário (+17,6%) e de automóveis, de motociclos e de peças sobressalentes (+12,2%).

Por país, as vendas registaram um aumento na Guiné-Bissau (+42,6%), em Côte d’Ivoire (+28,8%), no Benim (+26,1), no Burkina Faso (+18,3%), no Níger (+8,3%), no Mali (+5,2) e no Senegal (+0,2%). Porém, as vendas baixaram no Togo (-2,7%).

1.2.5 – Evolução dos preços

Em 2012, registou-se uma queda dos preços, após a forte progressão dos preços de 2011. Com efeito, o aumento do nível geral dos preços ao consumo dentro da UEMOA, passou em média, de 3,9% em 2011 para 2,4% em 2012. Esse abrandamento é causado pela dissipação do impacto da crise pós-eleitoral em Côte d’Ivoire que tinha provocado o aumento dos preços nesse país em 2011. Está ligado também à queda dos preços dos produtos petrolíferos no Níger graças ao início da produção doméstica de petróleo e de gás e à incidência das medidas tomadas por certos países para aumentar a produção alimentícia fora da estação e limitar o aumento dos preços dos cereais.

Todavia, a variação dos preços é sentida na inflação dos cereais locais ligada à queda da produção de cereais da campanha agrícola 2011/2012 e ao aumento dos preços dos combustíveis na maior parte dos países, atribuível à subida dos preços internacionais do petróleo bruto, nomeadamente no primeiro semestre de 2012, e à desvalorização do franco CFA em relação ao dólar. Além disso, os preços dos produtos petrolíferos na bomba aumentaram no Benim, depois dos subsídios aos preços dos combustíveis na Nigéria em janeiro de 2012 e das medidas de luta contra o comércio informal de produtos petrolíferos tomadas pelo Governo do Benim.

Tabela 3 : variação dos preços ao consumo em 2011 e 2012 em (%)

2011 2012

Média anual Variação homóloga

no final de dezembro

Média anual Variação homóloga

no final de dezembro Benim 2,7 1,8 6,7 6,8 Burkina 2,8 5,1 3,8 1,7 Côte d’Ivoire 4,9 1,9 1,3 3,4 Guiné-Bissau 5,1 2,2 2,1 1,7 Mali 3 5,3 5,3 2,4 Níger 2,9 1,5 0,5 0,7 Senegal 3,4 2,7 1,4 1,1 Togo 3,6 1,4 2,6 2,9 UEMOA 3,9 2,5 2,4 2,8

Fontes : Institutos Nacionais da Estattística dos Estados.

1.2.6 – Finanças públicas

A execução das operações financeiras dos Estados em 2012 efectuou-se num contexto difícil caracterizado por pressões sobre as despesas, provocadas pela crise alimentar em muitos países e um pedido social forte, com vista a atenuar o aumento do custo da vida. Paralelamente, o reforço dos esforços de investimentos públicos em infraestruturas deveria continuar para constituir as bases de um crescimento sustentável.

Apesar desses constrangimentos, as finanças públicas apresentaram um perfil favorável em 2012, em comparação com o ano anterior. O défice global, numa base de compromissos, excluindo doações, atenuou-se, situando-se a 2.189,9 mil milhões contra 2.352,8 mil milhões no ano anterior. Em percentagem do PIB, esse défice situou-se a 5,4% em 2012 face a 6,4% em 2011. O saldo orçamental básico teve um défice de 906,8 mil milhões, com uma diminuição líquida em relação ao seu nível do ano precedente. Porém, essa situação esconde disparidades. Notou-se uma melhoria do défice no Benim, em Côte d’Ivoire, no Mali e no Senegal. Apontou-se uma degradação do défice nos outros países. A situação do Mali explica-se pelas medidas tomadas pelas Autoridades para preservar os equilíbrios orçamentais num contexto de crise.

Essa evolução favorável do perfil das finanças públicas em 2012 é atribuível aos esforços feitos por todos os Estados para melhorar as receitas orçamentais estimadas a 7.768,3 mil milhões no final de dezembro de 2012, registando um aumento de 1.389,4 mil milhões em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa progressão é atribuível nomeadamente a uma cobrança mais rigorosa das receitas fiscais em quase todos os países, resultado das reformas empreendidas nesses últimos anos para melhorar a eficácia das autoridades financeiras e alargar a base tributária. Os aumentos mais significativos foram notados em Côte d’Ivoire (+49,4%) em relação ao dinamismo renovado da atividade económica e no Burkina Faso (+28,1%) onde as receitas provenientes do sector mineiro registam um aumento forte. A carga tributária cifra-se a 17,0% face a 15,6% em 2011, voltando assim a ultrapassar o seu nível antes da crise pós-eleitoral em Côte d’Ivoire.

As despesas e os empréstimos líquidos aumentaram de 14,0%, passando de 8.731,8 mil milhões no final de dezembro de 2011 a 9.958,4 mil milhões no final de dezembro de 2012. Essa situação explica-se pelo aumento das despesas correntes, nomeadamente a massa salarial e as cargas de juro na dívida pública que registaram respetivamente uma progressão de 17,0% e 8,8%.

Quanto às despesas em capital, aumentaram de 45,3 mil milhões, e calcularam-se a 3.011,3 mil milhões em 2012, de acordo com a continuação da execução dos programas de investimentos públicos nos domínios das infraestruturas. Em percentagem do PIB, ficaram a 7,5% face a 7,0% em 2011. A análise por país permitiu distinguir três grupos. O primeiro é constuído por países em que os esforços de investimento registados são mais significativos, isto é o Burkina Faso (11,2% do PIB em 2012 face a 9,9% em 2011), a Côte d’Ivoire (4,9% do PIB em 2012 face a 2,6% em 2011), o Níger (11,7% do PIB em 2012 face a 7,1% em 2011) e o Togo (8,8% do PIB em 2012 face a 8,3% em 2011). O segundo grupo é constituído pelo Senegal onde as despesas em capital, em percentagem do PIB, são quase estáveis de um ano para o outro (11,0% do PIB em 2012 face a 10,5% em 2011. O Benim, a Guiné-Bissau e o Mali, que constituem o terceiro grupo, registaram uma queda nas suas despesas de investimento, respetivamente de 1,0 ponto, 3,5 pontos e 6,3 pontos de percentagem do PIB. As quedas fortes registadas na Guiné-Bissau e no Mali têm a ver com a crise socio-política que sofreram em 2012.

O défice orçamental da União em 2012, foi financiado até 86,0% por recursos externos (doações e empréstimos). O financiamento bancário líquido cifrou-se a 312,0 mil milhões, com um aumento de 93,2% em relação ao ano precedente.

1.2.7 – Balança dos pagamentos

As contas externas dos países da União são elaboradas segundo a metodologia da sexta edição do Manual da balança dos pagamentos e da posição exterior do FMI (MBP6), a partir dos dados do ano 2011 (ver enquadrado no2). Nessa base, as estimações para o ano 2012 anunciam um perfil das transações exteriores menos favorável do que em 2011. Globalmente, a evolução dos intercâmbios apresenta uma forte degradação das contas corrente e financeira, compensada em parte, por uma melhoria dos fluxos da conta de capital.

O défice da conta das transações correntes deveria intensificar-se de 113,6% em 2012, para se cifrar a 2.373,5 mil milhões, dada a deterioração do saldo da balança dos bens e serviços e do rendimento primário, cujos efeitos foram atenuados por um aumento do rendimento secundário. O saldo da balança comercial apresentaria um défice de 530,7 mil milhões em 2012, após 407,8 mil milhões em 2011, em relação com um aumento das importações (+18,1%), nitidamente superior ao das exportações (+8,9%).

O dinamismo das importações é apoiado pela aceleração das compras de bens de equipamento e intermediários, o aumento dos abastecimentos em produtos alimentares e outros de bens de consumo corrente e o aumento da factura petrolífera. A evolução das importações de bens de equipamento e intermediários está ligada à continuação e à intensificação dos investimentos públicos e privados, devido nomeadamente à execução de projectos de construção de infraestruturas económicas e sociais em Côte d’Ivoire e do desenvolvimento de novos projectos mineiros e petroleiros em vários países da União.

No que diz respeito às importações de produtos alimentares e outros bens de consumo corrente, o seu aumento traduz essencialmente, os esforços feitos no âmbito da gestão da crise alimentar nos países do Sael bem como a melhoria dos rendimentos dos lares em Côte d’Ivoire. No respeitante à factura petrolífera, o seu aumento é provocado principalmente por tensões nos mercados internacionais e pela procura renovada em Côte d’Ivoire, apesar do aumento da oferta intra- comunitária, com a entrada em fase de produção da Companhia de Refinaria de Zinder (SORAZ).

As exportações, por sua parte, foram orientadas, de acordo com o aumento das vendas de ouro e de algodão, cujos efeitos seriam moderados pela baixa das de cacau e petróleo. A melhoria das exportações de ouro traduz a boa orientação dos preços bem como o aumento da produção, provocado pelo início de produção da mina de Gounkoto no Mali e o alcance do regime da de Tongon em Côte d’Ivoire, apesar da queda do regime de produção no Burkina, devido a turbulências sociais registadas no domínio. Tratando-se do Algodão, a calma resulta essencialmente do aumento da produção de cerca de 76,0% no Mali, vendida a preços bem superiores aos do mercado internacional. Porém, o volume de vendas da fileira do cacau registou uma queda sensível (-20,2), devido à queda dos preços nos mercados internacionais e da diminuição das quantidades enviadas para o exterior. A redução dos envios de favas de cacau está ligada ao regresso à normalidade, após o nível excepcionalmente elevado alcançado em 2011 e o pousio vegetativo observado nas plantações. Quanto à queda das exportações de petróleo, resulta da depleção natural de certos campos e da suspensão de certos poços para manutenção.

O défice da balança dos serviços acentuou-se, devido ao aumento do transporte das mercadorias e dos outros serviços especializados solicitados pelos sectores das indústrias extractivas e das telecomunicações, em plena expansão, junto às pessoas não-residentes.

A respeito do saldo da conta de rendimento primário, continua a apresentar uma deterioração, de acordo com os pagamentos de dividendos pelas principais empresas exportadoras e as das telecomunicações, que registam uma evolução favorável dos seus volumes de vendas. No entanto, o saldo da conta de rendimento secundário aumentou, sob o efeito de uma melhoria das ajudas orçamentais e dos apoios recebidos no âmbito dos apoios às populações vítimas da crise alimentar nos países do Sael. As remessas dos trabalhadores emirgantes mantêm também uma tendência de aumento, apesar do contexto de crise económico nos países de acolhimento. Essa situação explica- se principalmente pelo impulso de solidariedade dos emigrantes para com os membros das suas famílias, nomeadamente nos países afectados pelos défices alimentares e as inundações.

Acrescentado ao PIB, fora das doações, deveria o défice da conta corrente, cifrar-se a 7,6% face a 4,1% em 2011. O excedente da conta do capital subiu sensivelmente, passando de 749,0 mil milhões em 2011 a 3.625,0 mil milhões em 2012, essencialmente de acordo com as remissas de dívida concedidas à Côte d’Ivoire e as doações-projectos que os Estados receberam.

As transacções correntes acumuladas e em capital apresentam assim um sobejo de 1.251,5 mil milhões em 2012, após um défice de 364,5 mil milhões no ano precedente. Esse sobejo permitiu uma redução líquida dos compromissos financeiros exteriores de 1.251,5 mil milhões em 2012, face a uma acumulação líquida de 364,5 mil milhões realizada em 2011.

A orientação das transações da conta financeira em 2012 traduz uma diminuição do endividamento líquido no respeitante aos outros investimentos, todavia, os compromissos líquidos relativamente aos investimentos diretos estrangeiros e as carteiras de crédito aumentaram. A orientação dos fluxos dos «outros investimentos» é atribuível às operações financeiras do sector público, em harmonia com a tomada em consideração do cancelamento de dívida concedido à Côte d’Ivoire. O aumento dos compromissos líquidos como investimentos diretos está ligado à continuação dos investimentos mineiros e petrolíferos em certos países da União e o regresso dos investidores à Côte d’Ivoire, graças a várias acções iniciadas pelas Autoridades nacionais.

Em relação com essas evoluções, o saldo total da balança dos pagamentos dos Estados membros da UEMOA apresenta um défice de 261,1 mil milhões em 2012, face a 10,4 mil milhões em 2011. Um défice da balança dos pagamentos estimado em todos os países da União em 2012, menos no Benim, no Mali e no Níger.

1.2.8 – Mobilização dos recursos e situação da dívida exterior

O valor global por liquidar da dívida exterior dos Estados membros da UEMOA cifra-se a 8.728,2 mil milhões FCFA no final de dezembro de 2012 face a 11.810,3 mil milhões no ano precedente, ou seja uma queda de 26,1%. Essa diminuição está ligada com os alijamentos obtidos pela Côte d’Ivoire, após o alcance do ponto de conclusão da Iniciativa PPTE em junho de 2012.

Os saques sobre os empréstimos dos países da União ficaram a 975,4 mil milhões de FCFA face a 1.222,0 mil milhões em 2011.

O rácio da dívida por liquidar sobre o PIB ficou baixo, cifrando-se a 21,6% em 2012 face a 32,1% no ano precedente. Por país, ficou a 16,6% face a 17,8% em 2011 no Benim, 23,3% face a 23,9% no Burkina, 19,0% face a 54,2% em Côte d’Ivoire, 36,0% face a 33,9% na Guiné-Bissau, 26,3% face a 24,5% no Mali, 15,9% face a 16,4% no Níger, 28,4% face a 25,7% no Senegal e 14,0% face a 13,9% no Togo.

No documento RELATÓRIO ANUAL 2012 VERSÃO RESUMIDA (páginas 39-47)