I AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO
1.1 AMBIENTE ECONÓMICO E FINANCEIRO INTERNACIONAL
Durante o ano 2012, o ambiente económico e financeiro ficou frágil a nível mundial, devido essencialmente às incertezas suscitadas pela persistência da crise das dívidas soberanas na Zona euro. A conjunção dessa crise com outros factores estruturais endógenos traduziu-se por um abrandamento da actividade económica, tanto nos países avançados como nas economias emergentes e em desenvolvimento.
Segundo as últimas estimações do Fundo Monetário Internacional (FMI) realizadas em julho de 2013, a taxa de crescimento da economia mundial cifra-se a 3,1% contra 3,9% em 2011.
Nos países industrializados, a atividade económica foi menos intensa, apesar do impulso registado nos Estados Unidos e no Japão. As estimações recentes calculam a sua taxa de progressão a 1,2%, após uma realização de 1,7% em 2011. Essa situação é devida nomeadamente à recessão na Zona euro, onde o produto interno bruto registou uma queda de 0,6% em 2012 face a um aumento de 1,5% em 2011.
Nos Estados Unidos, a taxa de crescimento económico é estimada a 2,2%, face a 1,8% em 2011. A economia japonesa, que continua o seu endireitamento, realiza uma taxa de crescimento de 1,9%, face a uma contração de 0,6% em 2011.
Nos países emergentes e em desenvolvimento, registou-se um abrandamento do crescimento económico em 2012. Nesses países, o FMI situa a taxa de expansão económica a 4,9% , face a 6,2% em 2011. A atividade económica progrede de 7,8% na China em 2012 face a 9,3% em 2011. Aumentou de 4,0% na Índia, após 7,7% em 2011. No Brasil, o aumento do PIB real cifrou-se a 0,9% face a 2,7% no ano precedente.
Em África sub-sahariana, o crescimento situou-se a 4,9% em 2012 após 5,4% em 2011. Como no ano precedente, esse aumento está ligado principalmente ao dinamismo das exportações de matérias primas, de produtos mineiros em particular. Testemunha também o aumento das despesas nas infrastruturas, nomeadamente nos países da Zona franco.
O ritmo das destruções de empregos reduziu-se em certos países industrializados. Assim, a taxa de desemprego regrediu nos Estados Unidos, passando de 9,0% em 2011, a 7,8% em 2012. No Japão, a taxa de desemprego cifrou-se a 4,2%, e 4,6% em 2011. No entanto, na Europa, a situação no mercado do emprego continua a constituir uma fonte de preocupação. No Reino- Unido, a taxa de desemprego manteve-se num nível elevado de 7,8% em 2012. Para a Zona euro, situou-se a 11,7%, com um aumento de um ponto de percentagem num ano.
Num contexto de abrandamento da atividade económica e de sub-utilização das capacidades de produção, a inflação continuou a baixar. Nos países avançados, a taxa de inflação estabeleceu- se a 2,0% em 2012, após 2,7% em 2011. Nos países emergentes e em desenvolvimento, de 7,2% em 2011, caiu a 5,9% em 2012.
No plano da política monetária, os bancos centrais, tendo em conta a atonia da atividade económica, deram uma orientação complacente à sua política. Assim, a Reserva Federal Americana (FED), o Banco do Japão, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra mantiveram as suas principais taxas de referência a níveis próximos de zero. Em particular, o BCE aumentou o volume das suas operações de injecção de capitais e manteve o seu dispositivo de compra de valores mobiliários. Instalou também, a 6 de setembro de 2012, um novo programa limitado de remissões condicionais de dívidas públicas, chamado Outright Monetary Transactions (OMT). Essa decisão, apreciada positivamente pelos mercados financeiros, provocou uma extensão das taxas de empréstimo dos países mais frágeis da Zona tais como a Espanha e a Itália, a dez anos.
A nível das taxas de juro, o Banco Central Europeu procedeu à redução das suas taxas de referência de 25 pontos básicos com data de efeito a 11 de julho de 2012, reduzindo a taxa das chamadas para ofertas para as operações principais de refinanciamento a 0,75%. Por sua parte, o FED levou a cabo o seu programa de compra de obrigações de Estado antes de se comprometer a 14 de setembro de 2012, a remir todos os meses, junto às instituições financeiras, 40 mil milhões de dólares de obrigações afiançadas sobre créditos imóveis e o novo arranque da atividade no sector do alojamento. Afinal, o FED mostrou a sua vontade de manter a faixa de evolução da taxa objetiva dos fundos federais entre 0,00% e 0,25% até ao fim do ano 2015. Nos países emergentes, foram adotadas políticas monetárias mais flexíveis, como resposta ao abrandamento do crescimento económico e às incertezas atinentes ao financiamento das economias.
Nos mercados dos câmbios, em 2012 o euro sofreu as dificuldades da Zona euro a superar a crise das dívidas soberanas, das inquietações relativas à viabilidade da referida Zona e das tensões socio-políticas ligadas à execução das políticas de austeridade orçamental em certos Estados membros. O preço corrente do euro baixou, em média de 7,7% face ao dólar dos Estados Unidos, de 7,6% e 6,6 % em relação respetivamente ao yen e à libra sterling. O franco CFA, devido à sua ancoragem nominal no euro, registou uma evolução semelhante à da moeda européia, em relação às principais moedas dos países industrializados.
Em 2012, os mercados financeiros mundiais foram bem orientados globalmente. Os principais índices de bolsa endireitaram-se progressivamente, sob o feito da confiança dos investidores nas políticas macroeconómicas executadas na Zona euro. Assim, o índice EuroStoxx 50 registou um aumento de 13,4%. No Reino Unido, o índice Footsie 100 aumentou de 5,8%. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones e Nasdaq tiveram uma evolução semelhante, progredindo respetivamente de 7,3% e 15,9% . No Japão, o índice Nikkei 225 registou um aumento de 22,9%. No que diz respeito às matérias primas, o preço dos principais produtos de base tiveram evoluções diferenciadas segundo os produtos. Essa situação explica-se pela evolução do iato entre a oferta e a procura mundial, consecutiva, conforme o caso, à crise internacional, ao impacto dos acasos climáticos sobre a oferta e aos receios suscitados por factores geopolíticos.
Os preços dos produtos energéticos ficaram a níveis elevados, com um índice, calculado pelo FMI, em aumento, em variação anual, de 0,7% em relação a 2011, refletindo o impacto das tensões geopolíticas persistentes no Médio-Oriente. O índice dos preços correntes do petróleo apareceu em progressão de 1,0% de um ano para o outro.
Porém, o índice dos preços das matérias primas (metais e produtos agrícolas) que servem de insumos para as indústrias regrediu de 15,5%, estando o sector industrial afectado pelo abrandamento da procura chinesa e a situação da Zona euro. Também, o índice dos preços dos produtos alimentícios recuou de 3,7%.
Na sequência da evolução global dos preços dos produtos agrícolas, os preços da maior parte das matérias primas exportadas nos países da UEMOA registaram quedas sensíveis em 2012, em relação aos níveis alcançados em 2011. Em média, no ano 2012, os preços correntes mundiais desses produtos diminuiram de 39,0% para o algodão, 32,9% para o óleo de palmeira, 24,1% para a borracha, 21,8% para a castanha de caju, 19, 7% para o cacau, 11,4% para o óleo de palma e 6,0% para o café.
Porém, o ouro que continuou a desempenhar um papel de valor refúgio, num contexto de incertezas, registou o reforço do seu preço corrente de 6,4% de um ano para o outro.
Tabela 1 : evolução das taxas médias anuais de câmbio (Francos CFA por unidade monetária)
2011 2012 VARIAÇÃO (%)
Direito de saque especial (1 DTS) 744,4048 782,0216 5,05
Dólar dos Estados-Unidos (1 USD) 471,2335 510,5518 8,34
Franco suíço (1 CHF) 532,1735 544,2272 2,26
Libra sterling (1 GBP) 755,8153 808,9546 7,03
Yen japonês (1 JPY) 5,9117 6,4002 8,26
Fonte : BCEAO.
Tabela 2 : evolução taxas médias trimestriais cambiais (FCFA por unidade monetária)
ANO 2011 1o trimestre 2o trimestre 3o trimestre 4o trimestre
Direito de Saque
Especial 749,7380 728,4245 739,6885 759,6967
Dólar dos Estados-
Unidos 479,5007 455,8106 464,3286 486,5428
Franco suíço 509,6395 524,1785 563,1016 533,6020
Libra sterling 768,2255 743,0920 747,4442 765,1697
Yen japonês 5,8271 5,5869 5,9757 6,2940
ANO 2012 1O trimestre 2O trimestre 3O trimestre 4O trimestre
Direito de Saque
Especial (1 DTS) 771,2048 782,6354 796,7789 777,4745
Dólar dos Estados-
Unidos (1 USD) 500,4249 511,9065 524,6817 505,8664
Franco suíço (1 CHF) 543,0108 545,9484 545,0411 543,0108
Libra sterling (1 GBP) 786,0668 809,8435 828,7203 812,4313
Yen japonês (1 JPY) 6,3079 6,3940 6,6730 6,2401