4 UM MOVIMENTO INTERCULTURAL: DE PROCESSOS FORMATIVOS
4.1 ANÁLISE DAS NARRATIVAS DOCENTES E PRODUTO EDUCACIONAL
Os objetivos previstos para esta Dissertação buscam a) Reconhecer narrativas de histórias de vida de professores indígenas Guarani e Kaingang; b) Discutir um artefato teórico acerca da interculturalidade e seus imbricamentos com a educação escolar indígena; c) Debater saberes interculturais necessários à produção curricular da escola indígena e à formação de professores e d) Interpretar as narrativas dos professores em um movimento autobiográfico, de modo que seus conhecimentos contribuam na construção do produto educacional; assim, realizamos a análise das narrativas dos professores entrevistados neste estudo, considerando os temas abordados nas entrevistas.
Assim, ao entrevistarmos os professores Karay papa, Vhera xunu, Sirai e Professora Lê, consideramos os objetivos da pesquisa com base nas narrativas enunciadas por esses sujeitos participantes. Nas palavras de Martins (2018, p. 59), a narrativa consiste de um enunciado irrepetível, que é, pois, “uma realização histórica, singular e de um momento que é único na sua concretização”. A autora ainda explica que:
A partir do que alguém enuncia podemos identificar as representações que tem das coisas e dos fenômenos que trata, pois ao enunciar, o modo pelo qual o sujeito vê o mundo, seu posicionamento valorativo face às coisas se explicita, incluindo a si mesmo. Este eu que enuncia o faz em função das representações que partilha com os
membros do grupo social ao qual pertence e a partir dos diálogos já realizados na sua historicidade como humano. Esta é uma construção que realizamos ao longo de nossa história, uma realização que também é intermediada. As relações no contexto social são mediadas, semioticamente, neste mundo de linguagens. São signos e significações que nos auxiliam do lugar que estamos e das condições que temos para nos relacionarmos com a realidade. A narrativa é, desse modo, produção viva dos sujeitos que são agentes no texto, pois é criação e possibilidade de interação verbal significativa (MARTINS, 2018, p. 59 – grifos da autora).
Desse modo, ao atentarmos para as narrativas dos professores participantes, traçamos um perfil dos enunciadores para que pudéssemos compreender seus tempos e lugares de vivências e, por conseguinte, buscamos melhor considerarmos seus ditos. Logo,
“interessa-nos os sentidos e os significados, a especificidade do pensamento que tem o texto como princípio” (MARTINS, 2018, p. 61).
No entorno do estudo, faz-se necessário contextualizarmos esses quatro professores participantes das entrevistas, então, explicitamos um perfil dos colaboradores, conforme o Quadro1 que segue:
Quadro 1 – Perfil resumido dos participantes desta investigação
Professores
participantes Formação Experiência/ Tempo de atuação profissional
Karay papa
Trabalhou em uma escola, nos níveis de ensino:
educação infantil até ensino fundamental anos finais com a disciplina de língua guarani, valores guaranis e arte guarani.
Trabalhou em duas escolas, nos níveis de ensino:
educação infantil ao ensino fundamental completo coma as disciplinas de cultura e valores guarani, artes guaranis, língua guarani
Trabalhou em duas escolas, nos níveis de ensino:
Educação infantil e anos finais do fundamental.
Conforme o quadro anterior ilustra e, a partir de informações coletadas anteriormente às entrevistas, os quatro professores têm idades entre, aproximadamente 30 e 45 anos, são três do sexo masculino e a professora 4 do sexo feminino. São profissionais com experiência docente entre dois e cinco anos de atividades, em uma ou em duas escolas indígenas, e, suas formações variam entre Ensino Fundamental Incompleto, Completo, Graduação e Curso de Mestrado. Ou seja, no conjunto do contexto dos entrevistados, há variações acentuadas quanto à formação realizada formalmente. Também é relevante sublinhar que as disciplinas lecionadas pelos participantes dizem respeito, em sua maioria, àquilo que se considera próprio da cultura.
Dentre as temáticas abordadas na entrevista com os professores e que são analisadas neste estudo, estão: cultura, educação indígena, educação escolar indígena, saber indígena, professor indígena, professor não-indígena, escola, saberes interculturais, gestão escolar, políticas educacionais, prática curricular, formação de professores e metodologia de ensino.
As temáticas família e sonho foram abordadas nas entrevistas, no entanto, não foram contempladas na discussão analítica, pois as narrativas fugiram do propósito desses dois temas, que precisariam estar relacionadas com os objetivos.
Iniciamos a análise das narrativas docentes pelo tema da Cultura, cujo conceito pode ser estudado a partir do que declara Rylton Sodré (2028),
Pensar cultura é pensar o conjunto de conhecimentos, crenças e hábitos que as pessoas aprendem de modo dinâmico, a partir das relações de indivíduos e grupos, que exprimem sobre diferenças, identidades, imagens, pensamentos e textos. A cultura constrói comportamentos, valores, instituições e regras que conferem sentido aos sujeitos e às suas práticas. (SODRÉ, 2028, p. 21).
Assim, pensar acerca da cultura exige pensar que não há isolamento, que existem várias culturas dentro do Brasil.
Nas palavras dos professores Karay papa, Vhera xunu, Sirai e Lê, é possível compreender que cultura indígena são muitas coisas, pois envolve o cotidiano, os povos indígenas e suas práticas culturais, suas histórias, costumes e vivências coletivas, conforme os excertos que seguem trazem:
Falar sobre cultura indígena são muitas coisas, pois as pessoas fazem várias coisas, por exemplo, os alunos já sabem o que a gente faz no dia a dia, eu falei para eles que no dia a dia, a gente levanta, dá bom dia aos mais velhos e a gente, pergunta, se aconselha... pergunta, o que podemos fazer hoje? Será que dá prá mim sair para o mato caçar um pouco? Prá a pescaria? Ou sair para a cidade? Aí o mais velho vai dizer assim: hoje não é bom de ir prá pescaria, prá caçar, prá sair para cidade, hoje temos que ficar em casa, se concentrar... porque eu sei que vai acontecer alguma coisa,
aí ... os mais velhos sempre diziam isso... antigamente... hoje até eu próprio não consigo, não posso mais ir lá prá perguntar este tipo de coisa, será que hoje o dia está bom para eu sair para trabalhar? porque já não tem mais os mais velhos... os sábios, tem em algum lugar, mas não é todas as aldeias que tem estes mais velhos, os sábios, prá perguntar alguma coisa que eu que posso fazer... porque no caso, sem perguntar nada se eu vou lá fazer aquilo, com certeza vai acontecer alguma coisa e aí ele vai dizer assim, eu sabia que vai acontecer isso... por que a gente não pergunta mais, parece que não valoriza mais os mais velhos, os sábios, a gente não dá mais valor prá estas pessoas, então por isso que acontece tantas coisas que nunca pensava né ... se vou pro mato, na pescaria, no caso, sem perguntar nada... eu chego lá e faço o meu trabalho, pescar... e de repente eu caio na água, ou talvez algum bicho do mato me pica, acontece alguma coisa, o pau quebra meus braços, meus pés, então tudo isso acontece na vida, se tu vai lá sem perguntar nada para os este pessoal que é mais velho.... sempre se dizia isso, os meus avós. (Professor Karay papa).
Nas famílias, nos guaranis parece que todo o dia é assim, a gente se levanta, fica ali em roda do fogo, primeiro antes de fazer as coisas... e aí fala alguma coisa, o que você sonha, eu sonhei alguma coisa... tipo assim, eu sonhei alguma coisa, acho que hoje não dá prá sair muito porque o meu sonho é horrível... uma coisa vai acontecer, a gente fala sempre isso prá família né... eu vou lá perguntar para outras pessoas mas sábias, mas velhas né, eu sonhei assim... será o que vai acontecer, vamos dizer assim... aí ele vai dizer... ah tá, acho que esse sonho não é muito bom... por que já aconteceu isso aí...mais ou menos assim, e não obedeci e aí aconteceu isso.... o que ele vai dizer... ou senão... ah, então. esse sonho é bom, você pode ir, você pode fazer... você pode crer neste sonho que vai se realizar... é isso que acontece com as famílias. (Professor Karay papa).
A fala do professor Karay papa, confirma o que alguns autores, como Bergamaschi e Silva (2007), afirmam sobre o modo de vida e o modo de educar da tradição Guarani onde seguir os conselhos dos mais velhos faz parte do modo de viver Guarani. A herança cultural dos guaranis vem sendo transmitida, ao longo do tempo, de modo oral pelos mais velhos e quando isso acontece, a vivência de certas práticas culturais prevalece.
O professor Karay papa demonstra uma certa preocupação pois, atualmente, as aldeias estão ficando maiores, e com isto, certos valores estão sendo modificados com o passar do tempo, pois começa-se a ter outros olhares e identidades presentes nas aldeias, pois o olhar dos mais velhos acaba sendo deixados de lado, por não estarem presentes em todas as aldeias.
Neste sentido o professor ressalta a importância de resgatar estes valores que eram vivenciados antigamente e questiona como os mais novos irão vivenciar esta cultura.
A cultura é bem importante, até porque nós vivemos numa aldeia, então acho que quando se vive numa aldeia tu tem que viver na sua cultura. No espaço que a gente tem, a gente pratica a nossa cultura. Acho que na cultura indígena guarani a gente continua junto com os nossos jovens da aldeia, as crianças, junto com pessoas mais velhas também, falando sobre a cultura, porque a cultura é importante na aldeia para que as
pessoas possam saber também lidar com a sua própria cultura, porque a gente está vendo também que nem toda, mas aos poucos vão se perdendo a cultura, acha que a maioria também, por exemplo, vive numa aldeia, mas sem saber o que é cultura indígena e é importante quando se fala na cultura indígena, e no dia a dia a gente vem trabalhando, seja no espaço da escola ou na aldeia. (Professor Vhera xunu).
O professor Vhera xunu, na sua fala, nos traz um aspecto muito importante sobre a cultura indígena que é a questão da territorialidade “No espaço que a gente tem, a gente pratica a nossa cultura”, destacando o seu nhande reco (modo de vida). A questão da luta pela terra, de reivindicar os espaços que tradicionalmente os povos indígenas ocuparam, está muito ligada à preservação da cultura e ao processo de afirmação étnica. Para os Guarani, os espaços de terra são para vivenciar os ensinamentos da sua tradição, pois o mundo onde vivee o cosmo estão interligados, numa visão “holística” do mundo (LITAIFF, 1991).
Na visão dos coordenadores da equipe do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – Região Sul/Porto Alegre, Liebgott e Bonin “a condição primordial para qualquer relação respeitosa que se pretenda com os povos indígenas é a demarcação e garantia de suas terras, não há como asseugura a vida, a cultura, a existência digna desses povos fora de seus territórios” (IHU- ECODEBATE, 2009).
A Cultura para os Kaingang é uma vivência, que a gente vem praticando há anos...
alguns vão se perdendo, como todo o processo dentro da sociedade, ou tendo modificações. E a questão cultural kaingang, nas Três Soitas, como professor, busco trabalhar partes específicas: questão de organização social, sempre valorizando o respeito pelo próximo, pelas pessoas idosas, pela liderança, respeito à organização social da comunidade. A ideia da própria cultura, ela não vai dar certo, dentro de uma aldeia, onde você não respeita essas organizações sociais. A partir disso gente vai ter, então, reuniões envolvendo e se reunindo com estas pessoas para a gente praticar esta ideia, esta fala de cultura né, de praticar, por exemplo, as nossas conversas em kaingang, os nossos diálogos, onde a gente vai se repassando os conhecimentos.
(Professor Sirai).
Para o professor Sirai, a cultura vem passando de geração a geração, através dos conhecimentos e sabedoria dos ancestrais, ratificando o que nos diz Bergamachi (2005), quando afirma que o povo Kaingang, possui seus próprios modos de produzir e transmitir os conhecimentos, através da oralidade que permeia a vida cotidiana das pessoas de modo integral.
Através das conversas na língua materna, os indígenas conservam o vínculo com a sua cultura, mantendo as raízes tradicionais.
O professor Sirai, traz uma colocação importante, de que a cultura indígena, como todo o processo na sociedade, vem sofrendo modificações. Autores como Liegbott e Bonin
(2009), nos dizem que os ensinamentos, na cultura indígena “não se dão em momentos formais, mas em conversas cotidianas, em histórias relatadas, em explicações e aconselhamentos dos anciãos, no dia a dia dessas vidas que, para a maioria dos índios no Brasil hoje, ocorre em interação com espaços urbanos”. O ensino da escola é diferente do vivido no dia a dia das comunidades. Deste modo a inovação na comunicação com o exterior e nas relações interétnicas, contribuem para as modificações que acontecem também nas comunidades indígenas.
No momento atual, isto é um processo que houve uma mudança, pois isso, antigamente, acontecia ao redor do fogo, mas a gente vive num outro tempo, a gente se reúne, às vezes, sempre respeitando esta idéia de respeito ao outro, de respeito aos nossos vizinhos, de respeito aos nossos jamré (cunhado), a gente aí já entra na utilização das marcas, a gente sempre vai ir lá visitar o nosso jamré, no kaingang ele é o contrário da nossa marca, a utilização da marca kamé e kanhru, o meu jamré seria o kanhru, então eu vou lá visitar ele, vamos conversar, e dentro disso a gente vai praticando a cultura kaingang... fazendo juntos então, alimentos, todos juntos realizando... junto praticando esta ideia de cultura que os brancos diz... mas que prá nós ela é uma vivência, é uma vivência que a gente vai ter... faz isso todo o dia... vai lá e visita parente, almoça junto, janta junto... e sempre fazendo este diálogo, conversando, buscando, pensando junto, o que a gente pode pensar para o futuro, o que a gente vai pensar com as nossas crianças. E as crianças vão estar sempre observando isso, como a gente está conversando com os nossos, nossos parentes, nossos vizinhos, nossos jambré, vamos dizer assim, isto também é a cultura sendo passada para as crianças, as crianças vendo né, então esta é a ideia, quando eles crescerem também vão se juntar e praticar isso, esta cultura a gente não vai aprender em algum curso ou em algum lugar, ela vai se aprender, vivendo, a criança ela vai ter uma concepção kaingang se ela viver numa casa ou numa comunidade que pensa e se organiza desta forma. A questão da própria cultura no caso é isso, ela envolve tudo... eu falei das marcas kaingang, do respeito, dentro de tudo a gente vai praticando... a língua kaingang vai sendo valorizada aí, língua kaingang é a cultura também, é uma vivência. (Professor Sirai).
A fala do Professor Sirai, traz fortemente a concepção de mundo dos Kaingangs apontada por Bergamaschi (2005) “unificada e totalizante... consideram a sociedade como um todo, onde a educação não se separa, espacial e temporalmente, das demais práticas”.
Também podemos observar como está presente no cotidiano das práticas kaingangs, a cosmologia manifestada pelo mito de origem, das metades exogâmicas Kamé e Kairu, uma sociedade formada por uma estrutura dualista, por meio da divisão em metades que se complementam. O professor expressa a preocupação de passar as concepções cosmológicas e culturais para as novas gerações, através da vivência.
Eu tive que pesquisar, pois vivenciei muito pouco minha cultura, mas aprendi os costumes com minha avó, ela contava como era antigamente e hoje pequiso bastante para poder ensinar, aprendi também sobre as marcas Kaingang, hoje as crianças tem
mais liberdade, na minha época só trabalhei. Isso eu fui aprender quando eu entrei na Universidade, por que aqui eles me cobravam sobre a minha cultura, para mim falar como eu vivia, isso eu aprendi aqui... aí que eu fui pesquisar com a minha avó, como eram as comidas, o que eles faziam... (Professora Lê).
A professora Lê, com o seu testemunho, exemplifica, o que autores como Nascimento, Maia, Whan (2017) apontam em sua pesquisa sobre o esforço necessário para frear os crescentes índices de perda linguística e cultural que preocupam professores, diretores de escolas, pais e lideranças das comunidades Kaingang. Segundo os autores,
As circunstâncias que impactaram as populações indígenas, acarretando perdas linguísticas e culturais estão historicamente associadas a conflitos de ordens diversas, desde os primeiros contatos, repressão explícita ao uso da língua nativa em escolas, ações missionárias proselitistas, políticas públicas de assimilação e dissolução das populações indígenas, discriminação por parte de populações regionais no entorno das aldeias, o impacto da globalização, entre vários outros fatores. (p. 369).
Segundo os autores, é bem possível que o Kaingang seja falado por cerca de 60 % da população atual, ou seja, em muitas aldeias, a língua kaingang acabou caindo em desuso.
A partir das falas dos professores, evidencia-se a cultura como algo ligado ao dia a dia nas aldeias, ao conhecimento e sabedoria dos mais velhos, que é transmitida para as outras gerações, através da convivência e do diálogo. Evidenciam que as crianças aprendem a cultura de modo natural, através do convívio na aldeia, observando a organização social, a vivência dos valores e do respeito pelos outros. Todos os professores entrevistados consideram que isto está se perdendo. Considero importante o aspecto que os professores comparam a dinamicidade da cultura indígena com as outras culturas, que também vão se transformando.
Na questão indígena esta transformação está ligada, de modo muito forte, ao fato da não convivência diária com os mais velhos, com era antigamente.
Mas, ao falarmos sobre Cultura, podemos relacionar essa à Escola, pois, segundo Moreira e Candau (2003),
[...] a problemática das relações entre escola e cultura é inerente a todo processo educativo. Não há educação que não esteja imersa na cultura da humanidade e, particularmente, do momento histórico em que se situa. A reflexão sobre esta temática é coextensiva ao próprio desenvolvimento do pensamento pedagógico. Não se pode conceber uma experiência pedagógica “desculturizada”, em que a referência cultural não esteja presente. A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural.
Portanto, as relações entre escola e cultura não podem ser concebidas como entre dois pólos independentes, mas sim como universos entrelaçados, como uma teia tecida no cotidiano e com fios e nós profundamente articulados. Se partimos dessas afirmações, se aceitamos a íntima associação entre escola e cultura, se vemos suas relações como intrinsecamente constitutivas do universo educacional, cabe indagar por que hoje essa constatação parece se revestir de novidade, sendo mesmo vista por vários autores como especialmente desafiadora para as práticas educativas.
(MOREIRA; CANDAU, 2003, p. 159-160).
Por conseguinte, o conceito de cultura também está relacionado ao conceito de representação social e de valorização da história de um povo. Neste sentido, a escola como lugar de convívio passa a ser permeada por culturas.
Nas palavras de Paulo Freire (2011, p. 112), é possível entender que a escola é um lugar de encontro, onde “não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que em comunhão buscam saber mais”. Para os docentes Vhera xunu, Sirai e Professora Lê, a Escola é esse lugar onde o ensino e a aprendizagem acontecem e a escola tem o objetivo de atentar para as necessidades da comunidade, conforme os próximos fragmentos das narrativas indicam:
Acho que a família é tudo, porque tendo família é que tem como trazer uma escola para a aldeia, porque sem a família, a escola não vai existir na aldeia. É importante valorizar as famílias, porque é através delas que a gente tem a escola instalada na aldeia. O meu sonho é de ver as nossas crianças da aldeia, não somente da aldeia, mas de outras aldeias também, nós povos indígenas somos todos parentes e nos conhecemos bastante também, acho que o sonho é de ver as crianças estudando, estudando, estudando... e se formando para que eles possam tomar todo aquele espaço, ambiente, aquele espaço que chama de escola, na aldeia... prá todas as crianças na aldeia. Tendo esta visão, este sonho realizado, a gente consegue fazer do nosso jeito, como a gente sonha, trabalhar como a gente gosta de trabalhar né. (Professor Vhera xunu).
O professor Vhera xunu traz na sua fala a expectativa do que a Escola representa para as famílias guaranis, a oportunidade das crianças, no futuro, estarem formadas e aptas a ocupar os espaços que atualmente os juruá ocupam nas aldeias, e desta maneira, terem a sua cultura e o seu modo de ser também vivenciados no ambiente escolar, de um modo mais pleno. Para que isso aconteça é importante a apropriação do conhecimento científico, a fim de
O professor Vhera xunu traz na sua fala a expectativa do que a Escola representa para as famílias guaranis, a oportunidade das crianças, no futuro, estarem formadas e aptas a ocupar os espaços que atualmente os juruá ocupam nas aldeias, e desta maneira, terem a sua cultura e o seu modo de ser também vivenciados no ambiente escolar, de um modo mais pleno. Para que isso aconteça é importante a apropriação do conhecimento científico, a fim de