3 FRAMEWORK TEÓRICO PROPOSTO
3.1 ANÁLISE DAS PROPOSIÇÕES TEÓRICAS
O referencial teórico foi desenvolvido tendo como base uma perspectiva sistêmica, onde foram utilizados autores e trabalhos acadêmicos que fazem referência às organizações percebendo no seu contexto uma visão mais ampla, holística e complexa na sua gestão, nos processos produtivos, na administração, nas negociações, na inserção na sociedade e no mercado de atuação.
Morgan (1986) contribui com a visão de que as organizações podem ser analisadas sob aspectos que apresentam amplitude tanto para análise como para identificação de desenvolvimento. Esta visão de Morgan passa pelas noções de entendimento da natureza da ciência, pela dimensão subjetivo-objetiva, pela natureza da sociedade, pela dimensão da regulação-mudança radical. Além disso, as contribuições de Morgan para o entendimento do contexto que envolve as organizações passam também pelo conceito de sistema aberto, onde as empresas tendem a se auto-organizarem, além de interagirem umas com as outras influenciando e sendo influenciadas também. Tudo isto é realizado com a intenção de sobrevivência de readaptação no seu ambiente.
Morgan (1986) contribui também com a noção de transposição a partir da metáfora da máquina onde a empresa tem estrutura estática e fechada e pode ser vista como um organismo, que interage com o ambiente e que passa por constantes mudanças buscando satisfazer suas necessidades.
Das contribuições de Morgan (1986), Bauer (1999) e Morin (1977) são destacadas as noções de que uma empresa para entender o ambiente em que está inserida precisa, em um primeiro momento, entender a si mesma. Para estes autores, após este entendimento, a empresa perceberá que o ambiente é resultado da sua própria projeção, isto ocorre em função de que a interação com seu ambiente propiciam a autorreprodução, a auto-organização através do ruído, cuja origem está na desordem, na incerteza, na instabilidade e na aleatoriedade.
A inserção da inovação no contexto da empresa passa pela percepção e inclusão de elementos conforme citado no capítulo 2 como: educação, propriedade intelectual, análise fiscal e jurídica, treinamento, mercado, qualidade, eficiência, conhecimento, habilidades, pesquisa, tecnologia, recursos humanos, financiamento e suporte financeiro, investimentos, dentre outros não menos importantes (INNOVATE AMERICA, 2004; OECD, 2005; MILBERGS; VONORTAS, 2007; EUROPEAN COMISSION, 2011).
A inovação é apresentada também como um ecossistema - comunidade ecológica e ambientes que interagem entre si em um contexto complexo no que se refere as relações entre os elementos vivos e inanimados e que compõem uma unidade. Milbergs e Vonortas (2007) apresentam o ecossistema de inovação, o qual abrange dentre as diferentes ligações para o contexto das organizações, nas entradas ou insumos para inovação: P&D, talento, capital e redes; nos processos de inovação há uma composição entre empresa privada gerando ideias com desenvolvimento de produto, com gestão das estratégias e das práticas; e o resultado da inovação se apresenta como uma integração entre conhecimento e outros fatores e atores que interligados buscam criar valor para o cliente.
Na visão de Milbergs e Vonortas (2007) um ecossistema de inovação em um ambiente com evolução proporciona aos seus integrantes mesmo trabalhando dentro dos limites de suas empresas tem como enfoque central a criação de valor para o cliente, isso ocorre, pois respondem com rapidez às mudanças que ocorrem na demanda, aumentam a transferência das pesquisas para a produção e tem facilidade para se adaptarem às mudanças.
Dentre os macroelementos que Milbergs e Vonortas (2007) propõem para o ecossistema da inovação podem ser aqui destacados as condições macroeconômicas envolvendo o ambiente fiscal e monetário, as taxas de juros, o crescimento econômico e as tendências de investimento; as condições de políticas públicas envolvendo os financiamentos para P&D, impostos, propriedade intelectual, regulamentação, normas e políticas de mercado; as condições de infraestrutura compostas pelo sistema legal, informação, qualidade na infraestrutura física.
Na proposição de Milbergs e Vonortas (2007) e Innovate América (2004) são destacados nos processos de inovação as interações entre os diferentes recursos, humanos, físicos, materiais, econômicos, internos e externos, a infraestrutura, a cultura, as informações e as interações. Todos estes fatores ou ecossistema com interação constante entre clientes, fornecedores, parceiros e instituições obtendo como resultado novos produtos ou serviços.
Com o contexto apresentado entende-se que os conceitos de inovação em se tratando do nível intraorganizacional pode ser ser entendida sob os aspectos evolucionista que compõem processos de aprendizagem onde as empresas se adaptam as condições do ambiente em que se inserem e geram e adotam novos conhecimentos e novas técnicas constantemente. Em uma perspectiva interacionista onde o foco central são as interligações que acontecem tanto com os parceiros como com a sociedade e o ambiente em que está inserida as inovações trazem para os envolvidos nos seus processos novos contextos, novas realidades baseadas em novos rumos para o negócio de cada componente.
Percebe-se também a partir das proposições teóricas apresentadas que a composição das inovações é permeada pelos fatores sociais, econômicos, políticos e ambientais, onde todos estes aliados aos processos de criação e transferência de conhecimento estabelecem ligações entre as oportunidades percebidas pela empresa e as necessidades apresentadas pelo mercado e as competências que a empresa demonstra.
O framework proposto para análise do contexto que envolve os processos de inovação na cadeia produtiva da maçã brasileira foi construído a partir dos pressupostos teóricos apresentados e as demais análises feitas in loco e entrevistas com especialistas. A partir do exposto, é que foram elaboradas e analisadas as quatro proposições construídas, que serão apresentadas a seguir.