´E essencial a an´alise dos custos do sistema para provar a viabilidade de sua implantac¸˜ao. Temos que analisar o custo referente ao investimento das empresas, assim como temos que avaliar o ganho esperado pelo Estado. O protocolo G-DEF, co- mo deve ter sido percebido desde o in´ıcio, possui como seus objetivos o incremento da arrecadac¸˜ao pela diminuic¸˜ao da sonegac¸˜ao fiscal. Se este incremento for baixo, deve-se pensar duas vezes antes de investir o dinheiro p´ublico. Por´em, se este incremento for con- sideravelmente alto, teremos um grande incentivo para realizar o investimento necess´ario, uma vez que haver´a retorno substancial para os cofres p´ublicos.
8.5.1 Viabilidade Econˆomica Para as Empresas
Quando abordamos pela primeira vez o tema da viabilidade econˆomica, na sec¸˜ao 7.6.2, na p´agina 127, ficou estabelecido um custo m´aximo de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) a ser assumido pelas empresas participantes. Quando pensamos em termos fiscais, pensamos em um per´ıodo de 5 (cinco) anos, quer seja pela exigˆencia da guarda de documentos, quer seja pela depreciac¸˜ao de itens do imobilizado das empre- sas. Parece justo portanto, que o gasto com notas fiscais impressas em papel seja avaliado tamb´em com base nos 5 (cinco) anos. Uma empresa m´edia, perfil da maioria dos parti- cipantes do protocolo, deve emitir 1.000 notas fiscais/ano. Estas notas fiscais impressas em formul´arios cont´ınuos em uma cor, representam o custo aproximado de R$ 400,00 (Quatrocentos Reais) por ano. Em trˆes cores, representam o custo aproximado de R$ 600,00 (Seiscentos Reais) por ano. Em m´edia, uma empresa padr˜ao de nosso protocolo gastaria R$ 500,00 (Quinhentos Reais) por ano para a impress˜ao de notas fiscais, ou em 5 (cinco) anos, o total de R$ 2.500,00 (Dois Mil e Quinhentos Reais), o que justifica a determinac¸˜ao do limite de gastos para as empresas. Uma vez que as empresas gastam em m´edia este valor no per´ıodo de 5 (cinco) anos apenas com a impress˜ao dos documentos fiscais. A economia gerada com o novo sistema ´e justamente o custo das notas fiscais impressas, que deixar˜ao de ser utilizadas no prazo de cinco anos. O Fisco modificar´a os procedimentos, exigindo um comprometimento com investimentos pelas empresas n˜ao superior `a economia proporcionada.
8.5.2 Viabilidade Econˆomica Para o Estado
Quando abordamos o tema da viabilidade econˆomica, na sec¸˜ao 7.6.2, na p´agina 127, vimos que os custos relativos ao Fisco se restringiriam ao desenvolvimento de sistemas de informac¸˜ao, uma vez que a infra-estrutura dispon´ıvel j´a ´e prevista para os outros sistemas de controle tais como GIAs, DIEFs e principalmente as informac¸˜oes do Convˆenio ICMS 57/95. N˜ao havendo necessidade de grandes investimentos.
Por outro lado, espera-se um ganho financeiro expressivo em favor do Estado, em decorrˆencia da reduc¸˜ao da sonegac¸˜ao e eliminac¸˜ao total de uso de cr´editos
indevidos. Para sabermos se a implantac¸˜ao do protocolo realmente compensa econo- micamente, devemos analisar o impacto econˆomico m´ınimo esperado pela reduc¸˜ao da sonegac¸˜ao obtida.
A ´area de atuac¸˜ao do protocolo refere-se `a substituic¸˜ao da nota fiscal. A nota fiscal ´e utilizada para que as empresas se creditem do ICMS relativo `as suas compras para que posteriormente, confrontando com os valores lanc¸ados a d´ebito, relativo `as suas vendas, possa ser apurado o imposto a ser recolhido. O Protocolo G-DEF prevˆe que:
as notas fiscais eletrˆonicas ser˜ao todas emitidas pela entidade SEF-SC; a apurac¸˜ao do imposto ser´a realizada pela entidade SEF-SC; e
as notas fiscais ter˜ao seu trajeto junto `as mercadorias monitorado.
Utilizaremos portanto como parˆametro, os valores do ICMS sonegados que podem ser efetivamente medidos, relativos `as operac¸˜oes de cr´edito do imposto. Para isto, utilizamos um relat´orio gerencial da SEF-SC, que apresenta os valores notificados por item de infrac¸˜ao. Os itens que nos interessam dizem respeito `a utilizac¸˜ao de cr´editos. Dentre os ´ındices apontados no relat´orio, de n´umeros 61 a 64, interessa-nos os seguintes:
61 - Utilizac¸˜ao de cr´editos indevidos;
64 - Aproveitamento de cr´edito constante em nota fiscal inidˆonea de firma inexis-
tente.
As infrac¸˜oes classificadas no item 64 ser˜ao totalmente eliminadas com a utilizac¸˜ao do Protocolo G-DEF, uma vez que as firmas inexistentes n˜ao poder˜ao emitir notas fiscais eletrˆonicas e as notas fiscais ser˜ao todas elas idˆoneas, uma vez que ser˜ao emitidas pela pr´opria SEF-SC.
As infrac¸˜oes classificadas no item 61 ser˜ao eliminadas quando o Pro- tocolo tiver sua ´ultima etapa de implementac¸˜ao conclu´ıda, onde a pr´opria SEF-SC far´a a apurac¸˜ao do ICMS devido.
Como poder´a ser observado em detalhes no Apˆendice D, na sec¸˜ao D.2, os valores do imposto (ICMS) recuperado relativo aos itens mencionados s˜ao:
Tabela 8.1: Imposto Efetivamente Recuperado Sobre Cr´editos Indevidos
Ano Item 61 Item 64 Soma
2000 88.195.994,52 2.302.786,66 90.498.781,18 2001 47.857.307,18 7.743.014,58 55.600.321,75 M´edia 68.026.650,85 5.022.900,62 73.049.551,47 Observac¸˜oes:
Os valores est˜ao em Reais;
Os valores se referem apenas ao imposto recuperado (notificado). N˜ao foram aqui consideradas multas e juros devidos que, apesar de fazerem parte dos valores no- tificados n˜ao s˜ao relevantes para a nossa an´alise, uma vez que com a adoc¸˜ao do protocolo proposto teoricamente n˜ao existir˜ao mais as infrac¸˜oes, e portanto n˜ao ser˜ao devidas multas e juros; e
Os valores apenas nos indicam os valores m´edios do imposto relativo `as infrac¸˜oes deste tipo que foram identificados nos per´ıodos identificados.
Considerando-se que o Fisco apenas consegue apurar uma parcela do que ´e efetivamente sonegado e que o tempo gasto pelo Fisco na apurac¸˜ao destes valores poder´a ser direcionado para outra ´area de atuac¸˜ao, acarretando um incremento no valor do imposto recuperado atrav´es de outros tipos de infrac¸˜oes, poderemos chegar a um valor ainda muito mais expressivo do que o apresentado. Todavia, em nossa an´alise conser- vadora, conseguimos chegar a um n´umero m´ınimo esperado de retorno ao Estado de R$ 73.049.551,47 por ano decorrentes da implantac¸˜ao do protocolo proposto.