O Caso Aparentes avanços e retrocessos. Como lidar?41 foi originalmente
apresentado à rede no dia 09/09/2015. Desde então, até o dia 15/05/2017, recebeu 17 comentários, sendo seis comentários de autoria da propositora do caso e 11 de outros oito participantes do TNR.
Proposição do Caso: Idade do aluno: 8 anos
Série/Turma: 2º ano do Ensino Fundamental Área de interesse: Deficiência Intelectual Informações sobre o aluno:
A aluna iniciou os estudos nesta mesma Unidade Educacional no primeiro ano do ensino fundamental em 2014. Atualmente está matriculada no 2º ano A do ensino regular durante o período matutino.
A família apresentou laudo médico com os CIDs F79 – Retardo Mental não especificado e F83 – Transtorno Misto do Desenvolvimento. Foi constatado que a aluna possui dificuldades em acessar o currículo escolar proposto para sua série, sendo necessários adaptações e acompanhamento pelo Atendimento Educacional Especializado; portanto desde sua matrícula a mesma frequenta a SAAI (Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão) , duas vezes por semana , no contraturno escolar.
A mesma participa da rotina escolar reconhecendo as pessoas de seu convívio como professores, alunos e funcionários da escola, bem como os ambientes escolares, dente eles a sala de aula, o banheiro, o pátio, a sala de informática, a sala de leitura, a SAAI, entre outros. Alimenta-se de forma compulsiva e autônoma.
Com relação à linguagem verbal, apresenta dificuldade para expressar suas ideias, fala palavras soltas como “xixi” e “água” utilizando a linguagem em momentos pontuais a favor de seus próprios interesses. Não consegue manter um diálogo apresentando ecolalia ao repetir palavras de outras pessoas.
Em atividades de percepção, demonstra reconhecer visualmente pessoas em fotos, partes do corpo, comidas, roupas, objetos de seu convívio, animais domésticos, além de sons do cotidiano.
Apresenta grandes dificuldades em manter a atenção e a concentração, consegue dedicar-se somente durante poucos segundos a uma mesma atividade, exigindo que o professor a retome constantemente. Atende a comandos como “feche a porta”, “pegue o lápis”, “jogue no lixo”, mas apresenta dificuldade em entender a comanda das atividades propostas. A aluna, além da ajuda da professora da sala tem o apoio da professora estagiária, que embora não seja exclusiva para a aluna, colabora muito.
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Disponível em :<http://tnr.nied.unicamp.br/caso/682/visao-geral>. Acesso em 15 maio 2017.
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Sabe o que são cores, mas não consegue nomeá-las. Ainda não classifica objetos, formas geométricas e tamanhos. Sente-se motivada ao ser fotografada. Gosta de empilhar papéis da mesa do professor, e realiza esta ação sem a autorização do mesmo várias vezes por dia.
Com relação ao seu desenvolvimento motor a aluna consegue pular, correr, comandar as partes do corpo e permanecer parada. Apresenta dificuldades com relação ao desenvolvimento motor fino, pois ainda não consegue tracejar em pontilhado, pintar dentro de espaço determinado, encaixar peças e empilhar blocos.
Com relação à área emocional afetiva e social a aluna mantêm uma postura competitiva e, apesar de ser carinhosa em muitos momentos, geralmente demonstra agressividade quando o professor dá atenção para outros alunos ou quando é contrariada. Apresenta atitudes egocêntricas e impactantes alterações de humor durante um mesmo dia de aula. Reconhece seus amigos de turma, mas muitas vezes prefere ficar isolada do grupo.
Neste ano demonstrou grandes avanços relacionados ao controle dos esfíncteres, pois pedia para ir ao banheiro e seu processo de desfralde apresentava sucesso, mas a partir do mês de julho voltou a urinar na roupa necessitando sua troca várias vezes por dia, fato que influenciou na decisão conjunta entre a família e a escola para que a aluna retornasse a usar fraldas retomando novamente as etapas iniciais do processo de desfralde.
A partir desta mesma época a aluna voltou a rasgar atividades, jogar seu material escolar no chão e agredir seus colegas. Em conversa com a família a mãe afirmou que trata-se de uma regressão associada a sua patologia e que seu desenvolvimento ocorre com constantes avanços e retrocessos.
Entreguei um relatório a pedido da família sobre este caso para ser entregue ao médico.
Gostaria de saber se alguém possui casos parecidos com este ou tem alguma dica para me dar.
Beijos
Informações sobre a família do aluno:
A mãe comparece à escola sempre que solicitada. A princípio demonstrou bastante insegurança, mas hoje acredita no trabalho da escola e está aberta para a efetivação desta parceria.
Ao ser indagada sobre a mudança de comportamento da aluna, como o fato dela voltar a fazer "xixi" na roupa e rasgar suas atividades, a mãe informou que o médico havia lhe dito que “ela é assim mesmo, avança e regride, aprende e desaprende”.
Informações sobre a escola:
A escola está aprendendo a cada dia com esta aluna. A professora da turma acredita na inclusão e transpõe este conceito em suas aulas, respeitando as limitações e acreditando nas potencialidades de seus alunos. Costuma registrar as atividades desta aluna em portilfólio e neste ano realizou 2 formações pela diretoria de ensino da região sobre educação inclusiva.
Sempre que possível a aluna possui o apoio de uma estagiária.
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Comentários adicionais da propositora do caso:
1) A aluna terá consulta médica neste mês, já solicitei aos pais o contato do médico para que uma parceria seja firmada. Sua colaboração é sempre bem vinda! Beijos
2) Olá ---! Agradeço a sua disposição de analisar meu relato. Vamos lá: "Neste caso, acredito ser necessário uma investigação dos fatores que estão influenciando para que ela não controle os esfincteres, já que havia deixado de usar as fraldas. Será um fator de ordem emocional ou patológico?" Penso como você, e foi justamente o que tentei fazer: articulei uma reunião em que estavam presentes a mãe da aluna, a professora da sala regular, a diretora e a coordenadora da Unidade Escolar juntamente comigo para investigar o que estava acontecendo. Foi justamente nesta situação que a mãe informou que a mesma situação estava acontecendo em casa e que ao consultar o médico teve aquela resposta. Com relação aos termos avanço / regresso e aprender /desaprender, apenas transcrevi o que a mãe me relatou e também não acredito no termo "desaprender". "Sugiro uma constante interlocução entre o professor do AEE e sala de aula comum para, para que juntos possam elaborar objetivos específicos para desenvolver um plano de trabalho adequado ao desenvolvimento da aluna." Esta interlocução já ocorre cotidianamente, afinal trabalho na mesma unidade onde a aluna frequenta o ensino regular e dentro do meu horário de trabalho estão previstos horários para esta articulação, além do contato com os professores em momentos de formação coletiva e nas "conversas de corredor". Este relato assim como o plano do AEE foram elaborados a partir desta importante parceria entre o ensino regular e o AEE apoiados pela gestão escolar. Agora estou aguardando respostas com relação a área médica para maiores esclarecimentos. Agradeço sua colocação, vamos adiante! Abraços, ---
3) Olá ---! Talvez não tenha sido clara o suficiente, mas todo este relato assim como o plano do AEE foram elaborados a partir desta parceria existente entre a sala regular e a SAAI (Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão) onde realizo o AEE. Acredito ter colocado questões relacionadas a aprendizagem abordando os avanços alcançados e os desafios a serem superados tendo em vista o ensino regular. A incógnita que compartilho com vocês é justamente sobre a questão destes aparentes avanços e retrocessos significativos que a aluna apresenta na escola regular, no AEE e no ambiente familiar. Abraços, ---
4) --- Confesso que tenho uma ansiedade enorme e que casos como este me instigam bastante! É fato que sou "incomodada" e curiosa por natureza, portanto a pesquisa e o estudo estão sempre comigo, além da busca pela troca de experiências com aqueles que me rodeiam. Sei que tudo isto é incessante tendo em vista a complexidade humana. Ensinar meus alunos através do AEE em uma escola pública é realmente um grande desafio, pois trata-se de um trabalho que só tem sentido quando as articulações são realizadas, e sabemos que articular familiares, professores, alunos, funcionários e gestores, além dos profissionais de outras áreas é algo
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complexo que precisa acontecer de forma respeitosa, afinal cada um dos envolvidos possui concepções diferentes e este é um assunto em constante mudanças… Vamos continuar trabalhando! Agradeço a parceria! Abraços, ---- --
5) Olá ---! Agradeço as sugestões. Com certeza novos olhares sobre o mesmo caso expandem horizontes! Seguirei o trabalho desta forma e quando surgirem novidades informo a vocês. Abraços ---
6) Olá ---! Também tenho dúvidas se a família realmente mantêm em casa os combinados firmados com a escola e até que ponto possui influências para a regressão da aluna , mas o que me deixa mais curiosa é que ela não é faltosa e esta mudança de comportamento ocorreu um pouco antes das férias e se agravou no retorno às aulas… Continuarei investigando… Agradeço a colaboração e o carinho. Até mais ---
Critérios de Inclusão Nas Categorias
A. Elogios: Falas elogiosas à atuação da propositora do Caso no cenário descrito;
B. Estudo de Caso: Pontuações sobre o que deve ser considerado para a realização de um estudo de caso qualquer ou este específico: quais aspectos, quais fatos já apresentados apoiam a identificação de demandas, como o caso deve ser analisado;
C. Exemplos de Outros Casos: Falas que apresentam vivências pessoais das autoras em outros Casos com os quais tiveram contato;
D. Encaminhamentos para o AEE: Proposições para encaminhamentos práticos sobre o Caso em Estudo;
E. Considerações sobre o TNR: Considerações acerca da rede social, seu funcionamento, e usos possíveis;
F. Compartilhamento de Materiais: Indicações de materiais complementares para ciência do grupo.
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Resultados Quantitativos
Tabela 12: Dados quantitativos Caso 10
Categorias (n) Frequência Relativa de Ideias Centrais Razão de Compartilhamento entre Membros A - Elogios 4 20.00 % 50.00 % B - Estudo de Caso 5 25.00 % 62.50 %
C - Exemplos de Outros Casos 4 20.00 % 50.00 %
D - Encaminhamentos para o AEE 3 15.00 % 37.50 %
E - Considerações sobre o TNR 3 15.00 % 37.50 % F - Compartilhamento de Materiais 1 5.00 % 12.50 % Total de Ideias 20 Total de Membros 8 Resultados Qualitativos A - Elogios
Você tem agido dentro do que é a proposta do AEE: articulado com professor e demais envolvidos com a estudante na escola, família e buscando formas de articular também com a saúde. Está fazendo o trabalho que cabe ao AEE de fato, com curiosidade, incomodação e articulação: destaca pontos relevantes sobre o processo de ensino e aprendizagem, no processo de avaliação permanente identifica potencialidades, possibilidades, e barreiras... Até aqui você está no caminho certo!
B - Estudo de Caso
É necessária uma investigação dos fatores que estão influenciando para que ela não controle os esfíncteres, já que havia deixado de usar as fraldas. Será
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um fator de ordem emocional ou patológico? Considerando que esta tarefa básica deve ser ensinada desde cedo pela família, e conduzida normalmente na escola, sugiro uma conversa mais detalhada com a família sobre como está sendo conduzido este processo. Seria interessante também uma conversa com os profissionais da saúde que estão envolvidos no caso, já que poderão te orientar melhor estas alterações. Os dados que nos revelam as origens destes problemas levam tempo para emergir.
De qualquer forma, observe bem a relação que a família estabelece com os saberes que a estudante demonstra. Ela retornou das férias com um comportamento que aparentemente estava superado. Será que neste período a família conseguiu manter uma rotina que proporcionasse a manutenção do comportamento esperado? Pode haver algum fator de ordem emocional envolvido e que é difícil para a família lidar com ele... Cabe até a pergunta: o que esta estudante está querendo dizer com estas mudanças de atitudes?
Além disso tudo, também acho importante saber sobre a sala de aula comum: o que a aluna sabe, o que não sabe, o que ela consegue, o que não consegue. O que consegue sozinha, o que consegue com mediações. Enfim, pedagogicamente qual o problema da aluna. Deve-se haver uma clarificação do problema ao elaborar o estudo de caso. Daí focamos nele.
Essas conversas permanentes com médicos, família, e o coletivo escolar são importantes para te ajudar a identificar e a entender as barreiras que estão comprometendo os avanços da aluna e, assim, você poderá vislumbrar possibilidades e caminhos possíveis. Este movimento de avaliação é constante!
C - Exemplos de Outros Casos
Também atuo no AEE. Tenho vários casos com DI e, desta forma, várias semelhanças. Na maioria de minhas experiências, os retrocessos observados estão diretamente interligados com contextos familiares conflitivos ou até mesmo com mudanças de endereço com redução de ambientes físicos, e/ dificuldades financeiras. Muitos desses meus alunos já adquiriam maior independência, embora em alguns casos o trabalho tenha sido maior e exigido o envolvimento efetivo da família. Quando você citou que os funcionários da escola auxiliam na troca da fralda
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e roupas, me lembrei de um caso parecido, em que a família desempenhou e desempenha um papel fundamental nessa atividade, já que a criança se sentia mais confiante com a presença sempre da mãe ou uma tia nesse acompanhamento.
Outro caso muito parecido meu teve o agravante de que a criança morava na Espanha até seis anos. Fala muito pouco, algumas palavras soltas, apresenta comprometimentos intelectuais importantes, e apresenta comportamentos bastante complicados, como por exemplo, além de agredir, bater nos colegas sem causa aparente, deliberadamente fazer cocô e xixi no chão (mesmo apresentando controle de esfíncter), em situação de desafiar o adulto.
Com crianças com comportamentos assim, tenho adotado as indicações da abordagem comportamental, uma vez que fica difícil compreender o que a está incomodando, e, sem ter resolvido essas questões mínimas comportamentais, é muito complicado que ela participar da aula e aprender. Analiso sempre as situações que antecederam o comportamento, buscando associar reforçadores positivos quando o comportamento adequado aparece. Na situação do xixi e coco que citei, percebemos que estava usando desse artifício para chamar a atenção da professora e cuidadora para si, pois todos paravam a situação de ensino para banhá-la, trocá- la. Saía da sala, demorava até tomar o banho e trocar-se. Na última vez, a escola tomou a decisão de não dar mais banho, apenas trocá-la, colocar a fralda (que ela não gosta)... por enquanto parece que funcionou, pois como não gosta da fraldas, não tornou a repetir esse comportamento.
D - Encaminhamentos para o AEE
Para o AEE, vamos de acordo com os dados que você passou... Sugiro uma constante interlocução entre o professor do AEE e sala de aula comum, para que juntos possam elaborar objetivos específicos para desenvolver um plano de trabalho adequado ao desenvolvimento da aluna. Fortalecer as potencialidades pode ajudar os alunos a vencerem suas barreiras. Valorizar o protagonismo da aluna, para que ela possa ter oportunidade de construir sua identidade também é importante.
Acredito que o importante agora é dar tempo ao tempo, realizar um plano que proporcione neste primeiro momento um número maior de atendimentos do AEE para que ela se organize.
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Algumas possibilidades de atividades pra você desenvolver com ela são:
● Dificuldade em acessar o currículo proposto: É sabido que cada aluno
tem o seu jeito de aprender e o seu tempo, então dê continuidade aos estímulos na sala de recurso, complementando as atividades da sala de aula comum.
● Diante os problemas: linguagem, emocional, coordenação, cognitivo; a
aluna possui um gosto em empilhar papéis e ser fotografada, quem sabe elaborar um projeto a partir deste prazer? Com certeza ela irá participar melhor das atividades propostas:
● Projeto identidade: com fotos, imagens, objetos, letras, nomes, todos
imantados, etc.
● Projeto cores: com papéis picados cada um de uma cor, todas juntas,
etc. (conceitos básicos). Acho que poderia ser por este caminho.
E - Considerações sobre o TNR
Estou ingressando hoje no TNR. Percebi que todos os comentários das demais colegas são pertinentes ao assunto. Agradeço a oportunidade de conhecer o seu relato. Isso é bom pra que eu possa também lançar um olhar ampliado sobre os meus próprios atendimentos. É muito legal ver que os questionamentos aqui expressos pelas colegas tem a intenção de convidá-la a mergulhar no universo escolar em que a aluna se encontra, fazer uma analise das suas necessidades e dos fatores que impedem ou impossibilitam alcançar o sucesso.
F - Compartilhamento de Materiais
Você já deve até conhecer o material abaixo, mas caso não conheça, fica
como uma referência que temos usado.
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