CABIMENTO
Nos termos do art. 1.009 do CPC, caberá apelação contra a sentença, desde que esta implique em uma das hipóteses do art. 485 e 487 do NCPC (critério do conteúdo), bem como coloque fim ao procedimento em primeiro grau ou a extinção da execução (critério dos efeitos da decisão), nos termos do art. 203, §1º.
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
Art. 203, § 1oRessalvadas as disposições expressas dos procedimentos
especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nosarts. 485e487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.
JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE
A apelação, no antigo regime, era interposta perante o juiz da causa, que ouvia o apelado (contrarrazões), fazia o juízo de admissibilidade, e aí remetia para o tribunal.
Na sistemática do CPC/15, NÃO HÁ MAIS JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE da apelação feito pelo juiz que sentenciou. Consequentemente, não há mais agravo de instrumento para destrancar a apelação.
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O juiz apenas ouve (contrarrazões) o apelado e remete ao tribunal.
POSSIBILIDADE DE APELAÇÃO CONTRA DECISÃO INTERLOCUTÓRIA
Inicialmente, deve-se partir da premissa que agora existem duas espécies de decisões interlocutórias:
• Decisões interlocutórias agraváveis – aquelas impugnáveis imediatamente;
• Decisões interlocutórias apeláveis – aquelas que não são impugnáveis imediatamente. Perceba, portanto, que é um erro dizer que agora existem interlocutórias irrecorríveis. Assim, como é equivocado afirmar que que há decisões interlocutórias que não precluem, tendo em vista que haverá preclusão caso não haja apelação (nos casos das decisões interlocutórias apeláveis).
Dessa forma, a apelação tem um duplo objeto: • Sentença;
• Decisão interlocutória.
Será muito frequente que a apelação tenha, no mínimo, dois pedidos: um pedido dirigido à sentença e um pedido dirigido à interlocutória (se houver mais de uma interlocutória, serão mais pedidos).
Igualmente, é possível uma apelação que seja só contra as interlocutórias e, nesse caso, a sentença não preclui, porque a modificação dessas interlocutórias pode influenciar na sentença.
Perceba, portanto, que o vencedor também pode apelar das interlocutórias, quando o vencido apelar, o vencedor tem o direito de, já que os autos vão subir, apelar contra as interlocutórias proferidas contra si. Imagine, por exemplo, que Ana ajuizou uma ação e o juiz indeferiu seu pedido de produção de prova, mas, mesmo assim, a sentença foi procedente. Ana decide não apelar. Contudo, o réu apela. Nesse caso, Ana pode apelar da interlocutória que indeferiu a prova (só que apela nas contrarrazões).
Salienta-se que em uma mesma peça, Ana (exemplo acima) responderá as questões suscitadas na apelação do vencido e apelará da interlocutória (indeferimento de produção de provas, por exemplo). Perceba que é um recurso embutido nas contrarrazões.
Nesse sentindo, o art. 1.009, §1º do CPC:
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
§ 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu
respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.
A peculiaridade desse recurso do vencedor é que é um recurso CONDICIONADO, porque depende da existência da apelação do vencido e se o recurso do vencido for provido (o interesse do vencedor só existirá se o vencido ganhar na apelação), e SUBORDINADO, porque só será examinada se o recurso do vencido for examinado.
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Indaga-se: é um recurso adesivo? Não, porque o recurso adesivo cabe também no REsp e no RE, além disso, o recurso adesivo pressupõe sucumbência recíproca. Por fim, é pressuposto que a apelação do vencedor seja provida para que a apelação do vencedor seja analisada.
Destaca-se que há subordinação tanto no recurso adesivo quanto na apelação (apresentada nas contrarrazões). Porém, no recurso adesivo basta que o recurso seja conhecido, na apelação o recurso deve ser provido.
E se houver sucumbência recíproca? Pode-se interpor recurso adesivo contra a sentença e apelar contra as interlocutórias? SIM.
Art. 1.009, § 2º Se as questões referidas no § 1º forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas.
O §3º do art. 1.009 do CPC deixa claro que tudo que estiver na sentença é impugnável por apelação, mesmo se na sentença houver a solução de questões que se fossem selecionadas em outro momento seriam impugnáveis por agravo.
Imagine, por exemplo, que durante o processo o juiz concede uma tutela provisória, caberá agravo de instrumento. Contudo, caso seja concedida na sentença, caberá apelação.
Art. 1.009, § 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se mesmo quando as questões mencionadas no art. 1.015 integrarem capítulo da sentença
EFEITO SUSPENSIVO
Na vigência do CPC/73 havia lacuna sobre como pedir o efeito suspensivo da apelação. Com a entrada em vigor do CPC/15, o tema foi disciplinado no §3º do art. 1.012, in verbis:
Art. 1.012 A apelação terá efeito suspensivo
§ 3o O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do §
1o poderá ser formulado por requerimento dirigido ao:
I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá- la;
II - relator, se já distribuída a apelação.
§ 4o Nas hipóteses do § 1o, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação, houver risco de dano grave ou de difícil reparação.
Salienta-se que, como regra, o efeito suspensivo da apelação é automático, ou seja, a sentença não irá produzir efeitos. Contudo, em determinados casos (art.1.012, §1º), a sentença produz efeitos desde a sua publicação, são eles:
• Sentença que homologa ou demarca terras; • Sentença que condena a pagar alimentos
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• Sentença que extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado;
• Sentença que julga procedente o pedido de instituição de arbitragem;
• Sentença que confirma, concede ou revoga tutela provisória – a tutela provisória pode ser de urgência ou de evidência, e se a decisão estiver lastreada em precedente obrigatório poderá produzir efeitos imediatamente porque se trata de uma nova hipótese de tutela de evidência.
• Sentença que decreta a interdição.
EFEITO DEVOLUTIVO
Nos termos do art. 1.013 do CPC, a apelação devolve a matérias impugnadas ao tribunal. Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada.
§ 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as
questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado.
Salienta-se que mesmo as questões não impugnadas serão devolvidas ao Tribunal, caso sejam relativas ao capítulo impugnado. Caso um capítulo não tenha sido impugnado, não há como Tribunal analisar.
Por fim, em relação ao saneamento consensual homologado pelo juiz (art. 357, § 2º), as questões devolvidas ao tribunal são relacionadas apenas ao que foi acordado pelas partes e que foi homologado pelo juiz, ou seja, o saneamento consensual homologado pelo juiz diminui o efeito devolutivo da apelação.
TEORIA DA CAUSA MADURA
A teoria da causa madura é aquela em que o tribunal ao julgar o recurso de apelação, em sendo possível, irá julgar o próprio mérito dos recursos, nos casos em que a sentença de primeiro grau for nula ou manifestamente equivocada.
Está prevista nos §§ 3º e 4º do CPC, in verbis: Art. 1.013,
§ 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal
deve decidir desde logo o mérito quando: I - reformar sentença fundada no art. 485;
II - decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir;
III - constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo;
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§ 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição,
o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau.