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Bens encontrados

No documento PROCESSO CIVIL PARTE II (páginas 97-101)

11. PROCEDIMENTO EXECUTIVO POR QUANTIA

11.5.2. Bens encontrados

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Deve seguir a ordem preferencial prevista no art. 835 do CPC. Salienta-se que ordem preferencial não é obrigatória.

Art. 835: A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem:

I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado;

III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; IV - veículos de via terrestre;

V - bens imóveis;

VI - bens móveis em geral; VII - semoventes;

VIII - navios e aeronaves;

IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X - percentual do faturamento de empresa devedora; XI - pedras e metais preciosos;

XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia;

XIII - outros “direitos”.

A indicação de bens penhoráveis é do credor, conforme o art. 798, II, c do CPC. CPC, art. 798: “Ao propor a execução, incumbe ao exequente: (...)

II - indicar: (...)

c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível”. A avaliação é feita por oficial de justiça como regra, salvo nos casos em que: • Forem necessários conhecimentos especializados.

• Dispensa da avaliação, quando uma das partes aceitar a estimativa feita pela outra, por exemplo (CPC, art. 871, I) no negócio jurídico processual de fixação do valor da coisa penhorada.

Além disso, a eleição do depositário seguirá as regras do art. 840 do CPC, in verbis: Art. 840: Serão preferencialmente depositados:

I - as quantias em dinheiro, os papéis de crédito e as pedras e os metais preciosos, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal ou em banco do qual o Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social integralizado, ou, na falta desses estabelecimentos, em qualquer instituição de crédito designada pelo juiz;

II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos e os direitos aquisitivos sobre imóveis urbanos, em poder do depositário judicial;

III - os imóveis rurais, os direitos aquisitivos sobre imóveis rurais, as máquinas, os utensílios e os instrumentos necessários ou úteis à atividade agrícola, mediante caução idônea, em poder do executado.

§ 1º: No caso do inciso II do caput, se não houver depositário judicial, os bens ficarão em poder do exequente.

§ 2º: Os bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente.

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Por fim, a caução é para eventuais deteriorações no imóvel. FORMALIZAÇÃO E AVERBAÇÃO DA PENHORA

A penhora é formalizada por meio da elaboração de um auto de penhora. Caso o exequente ainda não tenha procedido à averbação, poderá realizar a averbação da penhora dos bens com registro, nos termos do art. 844 do CPC.

Art. 844: Para presunção absoluta de conhecimento por terceiros, cabe ao exequente providenciar a averbação do arresto ou da penhora no registro competente, mediante apresentação de cópia do auto ou do termo, independentemente de mandado judicial.

INTIMAÇÃO DA PENHORA

O devedor é intimado da penhora, para eventualmente requerer a substituição (CPC, art. 841).

Há terceiros que também deverão ser intimados da penhora (CPC, arts. 841 e 842 e 799 a 804). Nos casos de:

• Penhora de imóvel: intimação do cônjuge, salvo regime da separação total de bens. • Penhora de bem com mais de um condômino: intimação dos outros condôminos, para

eventual exercício do direito de preferência. ATOS DE EXPROPRIAÇÃO

Com exceção do usufruto, segue a seguinte ordem: • Adjudicação (CPC, art. 876).

• Alienação particular (CPC, arts. 879, I e 880). • Alienação pública (CPC, art. 881 e ss.).

• Usufruto – apropriação dos frutos (CPC, arts. 825, III e 867 a 869).

SATISFAÇÃO DO CRÉDITO E CONCURSO

Satisfação do crédito segue o disposto no art. 904 do CPC.

CPC, art. 904: A satisfação do crédito exequendo far-se-á: I - pela entrega do dinheiro;

II - pela adjudicação dos bens penhorados.

Concurso (preferências de direito material) segue a previsão dos arts. 908 e 909 ambos do CPC.

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Art. 908: Havendo pluralidade de credores ou exequentes, o dinheiro lhes será distribuído e entregue consoante a ordem das respectivas preferências. § 1º: No caso de adjudicação ou alienação, os créditos que recaem sobre o bem, inclusive os de natureza propter rem, sub-rogam-se sobre o respectivo preço, observada a ordem de preferência.

§ 2º: Não havendo título legal à preferência, o dinheiro será distribuído entre os concorrentes, observando-se a anterioridade de cada penhora.

Art. 909: Os exequentes formularão as suas pretensões, que versarão unicamente sobre o direito de preferência e a anterioridade da penhora, e, apresentadas as razões, o juiz decidirá.

Destaca-se que a preferência de direito processual é aquela que vem da anterioridade da penhora, nesse sentido:

Art. 797, Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.

EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO

Da sentença que extingue a execução, é cabível apelação. Art. 924. Extingue-se a execução quando: I - a petição inicial for indeferida;

II - a obrigação for satisfeita;

III - o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida; IV - o exequente renunciar ao crédito;

V - ocorrer a prescrição intercorrente.

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PRECEDENTES

1. PRECEDENTES E SEU PAPEL NO CÓDICO DE PROCESSO CIVIL

O CPC/15, diferentemente do que possa parecer, não inovou em relação aos precedentes. Mas sim regulou e destacou a observância dos entendimentos jurisprudenciais, ou seja, dos denominados precedentes.

Entende-se, atualmente, que as súmulas do STF e do STJ devem ser observadas e respeitadas, não apenas pelos seus Tribunais, mas também pelos TJ’s e pelos TRF’s, bem como pelos juízes de primeiro grau.

O CPC/15 aposta na ideia de que os tribunais devem editar os precedentes e que estes devem ser observados por todos, a exemplo do disposto nos arts. 926 do CPC, a fim de lidar com as inúmeras demandas repetitivas.

Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente.

§ 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento

interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante.

§ 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às

circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação.

De acordo com Cássio Scarpinella Bueno, o termo técnico deveria ser antecedente, tendo em vista que a proposta é criar verdadeiros indexadores jurisprudenciais.

O art. 926 do CPC é claro ao afirmar que a jurisprudência deve ser estável (sem mudanças aleatórias), íntegra (sobre todo o assunto) e coerente, ou seja, as decisões devem ser clara e indicarem o sentindo de sua aplicação. Por exemplo, conta-se tal prazo em dias úteis ou em dias corridos; o rol é taxativo ou exemplificativo.

Por fim, destaca-se que os §§ do art. 926 do CPC estimulam a edição de súmulas pelos tribunais, que, igualmente, devem ser estáveis, íntegras e coerentes.

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