DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
A doutrina entende que o duplo grau de jurisdição não está previsto expressamente na Constituição Federal, trata-se de princípio implícito. Segundo Cássio Scarpinella Bueno, trata-se de uma meia verdade, tendo em vista que a CF dispõe sobre a estrutura judiciária e faz referência à competência ordinária do STJ e do STF.
Além disso, o Pacto de San José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, prevê o duplo grau para o processo penal e sugere um duplo grau para o processo civil.
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Salienta-se que duplo grau de jurisdição é garantia de que, pelo menos um recurso, terá reexame de forma ampla, a exemplo da apelação.
COLEGIALIDADE
A colegialidade é um dado claro na Constituição Federal, eis que os tribunais julgam colegiadamente. Por essa razão, há a garantia do agravo interno, com o objetivo de colegiar as decisões monocráticas.
Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.
RESERVA DE PLENÁRIO
A declaração incidental de inconstitucionalidade é proferida pelo plenário ou pelo órgão especial, nos termos do art. 97 da CF.
CF - Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.
CPC
Art. 948. Arguida, em controle difuso, a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator, após ouvir o Ministério Público e as partes, submeterá a questão à turma ou à câmara à qual competir o conhecimento do processo.
Art. 949. Se a arguição for:
I - rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II - acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão.
Art. 950. Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento.
§ 1o As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos e as condições previstos no regimento interno do tribunal.
§ 2o A parte legitimada à propositura das ações previstas no art. 103 da Constituição Federal poderá manifestar-se, por escrito, sobre a questão constitucional objeto de apreciação, no prazo previsto pelo regimento interno, sendo-lhe assegurado o direito de apresentar memoriais ou de requerer a juntada de documentos.
§ 3o Considerando a relevância da matéria e a representatividade dos postulantes, o relator poderá admitir, por despacho irrecorrível, a manifestação de outros órgãos ou entidades.
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 119 TAXATIVIDADE
Há recursos na medida em que a lei federal cria recursos, ou seja, os recursos devem estar previstos em lei.
Salienta-se que o Código de Processo Civil não é o único a criar, a exemplo dos embargos infringentes de primeira instância, previsto na Lei de Execução Fiscal, embora de duvidosa constitucionalidade, em razão do duplo grau de jurisdição, já que se trata de um recurso julgado pelo próprio juízo que proferiu a sentença.
O art. 994 do CPC descreve os recursos existentes em um rol taxativo. Observe: Art. 994. São cabíveis os seguintes recursos:
I - apelação;
II - agravo de instrumento; III - agravo interno;
IV - embargos de declaração; V - recurso ordinário;
VI - recurso especial; VII - recurso extraordinário;
VIII - agravo em recurso especial ou extraordinário; IX - embargos de divergência.
Todos os recursos são técnicas de contraste de decisões, que dependem da manifestação de inconformismo no mesmo processo, para fins de reforma, invalidação ou integração da sentença. Segundo a doutrina, a lei deve ser federal, fundamentada na competência constitucional do art. 22, I, da CF. Embora os Estados e o Distrito Federal tenham competência para legislar sobre procedimento, não possuem para os recursos (matéria processual).
UNIRRECORRIBILIDADE
Cada decisão comporta um só recurso, ou seja, cada recurso tem uma predisposição diferente do outro, com relação a determinadas questões.
Salienta-se que unirrecorribilidade não impede que haja recursos sucessivos de uma mesma decisão, a exemplo de embargos de declaração e apelação. Igualmente, não impede recursos concomitantes, mas com fundamentações diversas, a exemplo do RE e Resp, quando o acórdão possui fundamento constitucional e fundamento infraconstitucional.
Segundo a correlação, cada recurso é predisposto a uma espécie de decisão ou espécie de vício. Assim, caberá:
• Apelação (CPC, art. 1.009) contra sentença.
• Agravo de instrumento (CPC, art. 1.015) contra interlocutórias proferidas na etapa de conhecimento, na medida em que haja previsão legal; interlocutórias proferidas nas etapas de liquidação, cumprimento de sentença, execução e inventário, recorríveis generalizadamente.
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Obs.: As interlocutórias, que não são imediatamente agraváveis de instrumento, são recorríveis pela própria apelação ou pelas contrarrazões de apelação.
• Agravo interno (CPC, art. 1.021) contra decisões monocráticas ou unipessoais proferidas no âmbito dos tribunais.
• Embargos de declaração (CPC, art. 1.022) contra qualquer decisão, desde que contenha vícios de obscuridade, omissão, contradição ou erro material.
• Recurso ordinário (CPC, art. 1.027) contra acórdãos denegatórios das ações constitucionais e situações em que há litígios com estados estrangeiros (CF, art. 105, II e CF, art. 102, II).
• RE e REsp (CPC, art. 1.029) contra violação a dispositivo constitucional e violação à lei infraconstitucional federal.
• Agravo em RE ou REsp (CPC, art. 1.042) viabiliza o procedimento de RE ou REsp, desde que não sujeito ao regime de repetitivos.
• Embargos de divergência (CPC, art. 1.043) viabiliza a uniformização da jurisprudência, entre turmas do STJ e STF.
FUNGIBILIDADE
O CPC/15, de uma forma mais clara que o CPC/73, valoriza mais o conteúdo, em comparação à forma. Podendo haver situações em que há dúvida objetiva sobre qual seria o recurso cabível, em determinado caso concreto.
Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade.
Art. 283. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo ser praticados os que forem necessários a fim de se observarem as prescrições legais.
Parágrafo único. Dar-se-á o aproveitamento dos atos praticados desde que não resulte prejuízo à defesa de qualquer parte.
Diante disso, ideia da fungibilidade é a de que o recorrente não possa ser prejudicado pela existência da dúvida. Cita-se, como exemplo, a dúvida acerca do recurso cabível contra a decisão que encerra a fase de liquidação de sentença se cabível o agravo de instrumento ou a apelação.
Destaca-se que CPC, inclusive, unificou os prazos recursais, portanto, havendo dúvida objetiva, aplica-se a fungibilidade.
Em suma, a ideia da fungibilidade está ligada à instrumentalidade das formas, aproveitando a exteriorização de inconformismo, sem prejuízo da forma.
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A voluntariedade é extraída da definição de recurso, que é uma manifestação espontânea de vontade (voluntariedade) da parte.
Por isso, a remessa necessária e a técnica de julgamento, prevista no art. 942 do CPC, não são recursos.
DIALETICIDADE
A dialeticidade não é propriamente uma exigência formal, mas substancial dos recursos. Os recursos devem se voltar à impugnação da decisão, afirmando não que o recorrente está certo, mas que a decisão está errada. Em suma, o recorrente precisa infirmar as razões que sustentam a decisão, impugnando os fundamentos.
IRRECORRIBILIDADE EM SEPARADO DAS INTERLOCUTÓRIAS
O que há no CPC/15 não é propriamente a irrecorribilidade em separado das interlocutórias, tendo em vista que o art. 1.015 prever a recorribilidade das interlocutórias, embora de forma mitigada, ao menos da fase de conhecimento do processo.
CONSUMAÇÃO
O ato de recorrer gera a preclusão consumativa. Desta forma, praticado o ato de recorrer, há o encerramento do prazo recursal.
COMPLEMENTARIEDADE
Trata-se de uma opção legal, em que há uma reabertura de prazo, a fim de que seja oportunizando a complementação às razões recursais.
É específico para os embargos de declaração. VEDAÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS
Ao não recorrer, com a perspectiva de criar uma situação diferente para a outra parte, de ofício, não se pode reformar a decisão. Perceba, portanto, que a ideia da vedação da reformatio in
pejus está relaciona ao efeito devolutivo.
Como visto, a remessa necessária não é recurso. Assim, não há sentindo em aplicar a vedação da reformatio in pejus. Salienta-se que a remessa necessária, que pressupõe uma decisão contrária à Fazenda Pública, poderá criar uma situação de prejuízo.