CONCEITO
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 58
Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro.
De acordo com o CPC, o terceiro pode requerer o desfazimento ou a inibição de constrição. Desta forma, os embargos de terceiros podem ter natureza repressiva ou preventiva.
São cabíveis em qualquer tipo de processo em que haja constrição de bens ou direitos alheios , a exemplo do exemplo da execução, da reintegração de posse, da busca e apreensão do devedor fiduciário, da arrecadação de bens do morto.
Destaca-se que há uma hipótese em que os embargos de terceiros não são cabíveis, mesmo que a constrição recaia sobre processo alheio: desapropriação. De acordo com os arts. 20 e 34 do Dec.-Lei n. 3.365/41, qualquer discussão sobre a titularidade do bem expropriado deverá recair sobre o preço, não cabendo embargos de terceiros.
Art. 20. A contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta.
Art. 34. O levantamento do preço será deferido mediante prova de propriedade, de quitação de dívidas fiscais que recaiam sobre o bem expropriado, e publicação de editais, com o prazo de 10 dias, para conhecimento de terceiros.
Parágrafo único. Se o juiz verificar que há dúvida fundada sobre o domínio, o preço ficará em depósito, ressalvada aos interessados a ação própria para disputá-lo.
São, ainda, exemplos de embargos de terceiros os dispositivos abaixo:
Art. 674, § 2º: Considera-se terceiro, para ajuizamento dos embargos: I - o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua meação, ressalvado o disposto no art. 843;
II - o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução;
III - quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte;
IV - o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos expropriatórios respectivos.
Art. 792, § 4º: Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias.
COMPETÊNCIA
A competência para julgar os embargos de terceiros é funcional do juízo que ordenou ou que está em vias de ordenar a constrição. Trata-se de competência absoluta, aplica-se o regime do
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 59
art. 64 do CPC, sendo que eventual violação pode implicar em vício dos atos processuais praticados.
Importante salientar que na execução por carta, em que o juízo da execução depreca para outro juízo os atos de constrição e de expropriação do bem, os embargos de terceiros serão propostos perante o juízo que ordenou a constrição.
Nesse sentido, a Súmula 46 do STJ:
Súmula 46 STJ: Na execução por carta, os embargos do devedor serão decididos no juízo deprecante, salvo se versarem unicamente vícios ou defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens.
O parágrafo único do art. 676 não muda a regra de competência, que tem o intuito de facilitar o trânsito dos embargos de terceiro do juízo deprecante para o juízo deprecado. Assim, o embargante pode, eventualmente, apresentar os embargos na carta.
Art. 676, parágrafo único: Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a carta.
Embargos de terceiros ajuizados pelos entes do inciso I do art. 109 da CF nos feitos em curso na Justiça estadual serão apresentados perante o juízo que ordenou a constrição (Justiça Estadual). Contudo, serão julgados pela Justiça Federal, que é a justiça competente para julgar os entes previstos na CF, art. 109, I, tendo em vista que é necessário que o juízo que ordenou a constrição tenha conhecimento dos embargos e ordene a suspensão do processo no tocante ao bem que foi conscrito.
NATUREZA
Os embargos de terceiros têm natureza de ação de conhecimento desconstitutiva de procedimento especial, tendo em vista que visa desconstituir um ato constritivo praticado indevidamente contra terceiro.
Obs.: em outros países, os embargos de terceiros são tratados como hipótese de intervenção de terceiros.
PRAZO
O prazo para os embargos de terceiros está previsto no art. 675 do CPC, prevalecendo o entendimento de que esse prazo é preclusivo. Desta forma, não apresentado os embargos de terceiros no referido prazo, não mais poderia ser apresentado, restando as perdas e danos contra o eventual responsável.
Art. 675. Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 60
Parágrafo único. Caso identifique a existência de terceiro titular de interesse em embargar o ato, o juiz mandará intimá-lo pessoalmente.
Salienta-se que há quem entenda que o prazo seria decadencial. O CPC diferencia a forma de contagem do prazo. Vejamos:
• Constrição ordenada em processo de conhecimento, o prazo será até o trânsito em julgado da sentença.
• Constrição ordenada em execução de título extrajudicial ou em cumprimento de sentença, o prazo será de até cinco dias após a arrematação ou a adjudicação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta.
Há uma hipótese em que não se aplica o prazo do art. 675 do CPC, tratando-se de uma regra especial, prevista no art. 792, §4º do CPC.
Art. 792, § 4º: Antes de declarar a fraude à execução, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias.
LEGITIMIDADE PASSIVA
Em regra, o autor dos embargos de terceiros é o terceiro que não é parte e está tendo seus bens conscritos, penhorados, bloqueados, arrecadados, inventariados ou apreendidos.
A rigor, a culpa do ocorrido seria do juiz, que determinou a apreensão indevida de um bem. Por isso, há quem faça uma distinção entre embargos de terceiros e possessórias, no sentido de que os embargos ocorreriam quando o esbulho ou a turbação é judicial, enquanto as demais possessórias ocorreriam quando o esbulho ou a turbação não é judicial.
A legitimidade passiva é do autor da ação em que foi ordenada ou em vias de ser ordenada a constrição.
Obs.: o § 4º do art. 677 do CPC estabelece hipótese de litisconsórcio necessário passivo nos embargos de terceiros. Quando quem indicou o bem de terceiro à constrição for o próprio devedor, ele também será réu, junto com o autor da ação nos embargos de terceiros.
Art. 677, § 4º: Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição aproveita, assim como o será seu adversário no processo principal quando for sua a indicação do bem para a constrição judicial.
PROCEDIMENTO
É um procedimento simples, semelhante ao comum do CPC, com as diferenças apontadas abaixo.
• Não há a audiência do art. 334 do CPC, aplicável somente ao procedimento comum; • Na petição inicial deve constar o rol de testemunhas, não sendo aplicado o art. 357 do
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 61
• Possibilidade de designação de audiência de justificação para fins de concessão da liminar nos embargos de terceiro, nos termos dos arts. 677, § 1º e 678 do CPC.
• A citação pode ser no advogado, conforme disposto no art. 677, § 3º do CPC.
Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua posse ou de seu domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas.
§ 1o É facultada a prova da posse em audiência preliminar designada pelo
juiz.
§ 2o O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio alheio.
§ 3o A citação será pessoal, se o embargado não tiver procurador constituído
nos autos da ação principal.
§ 4o Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição aproveita,
assim como o será seu adversário no processo principal quando for sua a indicação do bem para a constrição judicial.
Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o domínio ou a posse determinará a suspensão das medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante a houver requerido.
Parágrafo único. O juiz poderá condicionar a ordem de manutenção ou de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo requerente, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente.
SÚMULAS
A seguir colacionamos algumas súmulas importantes acerca dos embargos de terceiros. a) Compromisso particular
Súmula 84 STJ: É admissível a oposição de embargos de terceiro fundada em alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro.
Súmula 303 STJ: Em embargos de terceiro, quem deu causa à constrição indevida deve arcar com os honorários advocatícios.
b) Cônjuge, embargos à execução e de terceiro
Súmula 134 STJ: Embora intimado da penhora em imóvel do casal, o cônjuge do executado pode opor embargos de terceiro para defesa de sua meação.
Relacionada com o cônjuge estritamente nas hipóteses de penhora de bem imóvel na execução ou no cumprimento de sentença.
O cônjuge que não é co-executado, ao ser intimado da penhora do bem imóvel comum, poderá, ao mesmo tempo, propor embargos à execução ou embargos de terceiros.
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 62
c) Reconhecimento de fraude contra credores
Súmula 195 STJ: Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico, por fraude contra credores.
Para anular qualquer ato jurídico praticado em fraude contra credores existe uma ferramenta própria que é a ação pauliana. Contudo, a súmula não impede o reconhecimento da fraude contra credores em embargos de terceiros em caráter incidental.
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 63
EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O art. 771 do CPC manda aplicar ao cumprimento de sentença, no que for compatível, as disposições da execução de título extrajudicial.
Art. 771: Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título extrajudicial, e suas disposições aplicam-se, também, no que couber, aos procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no procedimento de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou fatos processuais a que a lei atribuir força executiva.
Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do Livro I da Parte Especial.
2. PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO APLICÁVEIS São aplicáveis ao cumprimento de sentença.
PRINCÍPIO DA NULLA EXECUTIO SINE TÍTULO Previsto nos arts. 783 e 803, I do CPC, in verbis:
Art. 783. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível.
Art. 803. É nula a execução se:
I - o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível;
Foi reforçado pelo CPC, em razão da redação do art. 515, I.
No regime anterior, somente era título judicial a sentença. Com isso, vários autores entendiam que, ao ser concedia pelo juiz uma tutela antecipada ou provisória haveria uma exceção ao brocardo nulla executio sine título. Caso o devedor não cumprisse a decisão interlocutória, que concedeu a tutela antecipada, o autor poderia executá-la.
Atualmente, a decisão que concede a tutela antecipada é título executivo judicial, estando de acordo com o brocardo da nulla executio sine título, ou seja, para que se inicie uma execução já é necessária a certeza quanto ao direito, possível somente na presença do documento que a lei considera como essencial, que é o título executivo.
Art. 515:São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa;
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 64
Previsto no art. 797 do CPC, in verbis:
CPC, art. 797: Ressalvado o caso de insolvência do devedor, em que tem lugar o concurso universal, realiza-se a execução no interesse do exequente que adquire, pela penhora, o direito de preferência sobre os bens penhorados.
Parágrafo único. Recaindo mais de uma penhora sobre o mesmo bem, cada exequente conservará o seu título de preferência.
O princípio da máxima efetividade significa que a execução se dá em benefício do credor. Desta forma, não só a atividade executiva, mas também a interpretação das normas do processo de execução, devem se dar em benefício do credor.
Abaixo colacionamos os artigos que são exemplos da tutela da máxima efetividade.
Art. 774: Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que:
I - frauda a execução;
II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos;
III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais;
V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus.
Art. 840:
§ 1º: No caso do inciso II do caput, se não houver depositário judicial, os bens ficarão em poder do exequente.
§ 2º: Os bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente. .
PRINCÍPIO DO MENOR SACRIFÍCIO
Disciplinado no art. 805 do CPC, in verbis:
Art. 805 Quando por vários meios o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados
O princípio do menor sacrifício é subordinado ao da máxima efetividade, sendo o art. 805 aplicado após o 797, ambos do CPC. Consequentemente, somente se observará a menor onerosidade se havendo mais de um meio executivo, ambos forem igualmente benéficos ao credor. Abaixo colacionamos os dispositivos que vão ao encontro do princípio do menor sacrifício. Observe:
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 65
Parágrafo único. Considera-se vil o preço inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e constante do edital, e, não tendo sido fixado preço mínimo, considera- se vil o preço inferior a cinquenta por cento do valor da avaliação.
Art. 833: São impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor;
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as
pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2º;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado;
VI - o seguro de vida;
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra.
Art. 916 - No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês.
PRINCÍPIO PATRIMONIALIDADE
Disposto no art. 789 do CPC, in verbis
Art. 789: O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 66
De acordo com o princípio da patrimonialidade, o executado responde com o seu patrimônio pelas obrigações. Consequentemente, toda a atividade executiva deve ser voltada para atingir o patrimônio do devedor, salvo nas obrigações de fazer, não fazer e entregar.
Obs.: a atipicidade dos meios executivos tem o intuito de fazer com que o patrimônio apareça, não consistindo em uma pena.
PRINCÍPIO DA ATIPICIDADE DOS MEIOS
Trata-se de princípio evidente nas obrigações de fazer, não fazer e dar, nos termos do art. 536, § 1º. Com o advento do CPC/15, a grande e larga maioria da doutrina tem apontado sua existência nas obrigações por quantia.
O STJ tem precedentes a respeito do tema, tendo estabelecido cinco requisitos para poder admitir a atipicidade das medidas nas obrigações por quantia, quais sejam:
• Esgotamento dos meios típicos. • Contraditório (oitiva do devedor). • Fundamentação.
• Proporcionalidade e razoabilidade. • Respeito às garantias constitucionais.
PRINCÍPIO DA ESPECIFICIDADE DA EXECUÇÃO
Previsto no art. 499 do CPC, in verbis:
Art. 499: A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente
É aplicado especialmente para as obrigações de fazer, não fazer e entrega, que trabalham com a ideia de tutela específica.
Busca-se sempre a prestação tal como ela deveria ter sido prestada caso o devedor tivesse cumprido voluntariamente a obrigação.
A conversão em perdas e danos somente ocorrerá se o credor a as aceitar e forem também esgotados os mecanismos para obrigar o devedor a fazer ou a entregar.
PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA
A responsabilidade objetiva deriva dos arts. 776 e 520, I ambos do CPC.
Art. 776: O exequente ressarcirá ao executado os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução
CS – PROCESSO CIVIL PARTE II 67
Art. 520: O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao seguinte regime:
I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;
A ideia de responsabilidade objetiva na execução não é aplicável apenas ao cumprimento provisório, sendo aplicável a qualquer tipo de execução.
No trâmite da execução, o exequente requererá medidas de força contra o devedor (astreinte, bloqueio de bens, perdas e danos, medidas atípicas). Caso o devedor sofra prejuízos fora dos limites da execução, a consequência é que o exequente responde por eventuais perdas e danos causadas ao devedor.
PRINCÍPIO DA BOA-FÉ E PROBIDADE PROCESSUAL
Trata-se de princípios do processo civil em geral
O art. 774 estabelece várias condutas que demonstram que o comportamento das partes deve ser probo, especialmente do devedor. Observe:
CPC, art. 774: Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva do executado que:
I - frauda a execução;
II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos;
III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais;
V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus.
Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza