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APOIO À INOVAÇÃO POR INSTITUTOS PÚBLICOS DE PESQUISA: LIMITES E POSSIBILIDADES LEGAIS DA

4 HIPÓTESES DA PESQUISA E ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS 4.1 Hipóteses da pesquisa

5 LIMITES E POSSIBILIDADES DO APOIO DAS ICTS SELECIONADAS A ATIVIDADES DE INOVAÇÃO

5.6 Apoio do NIT na interação de ICTs com empresas

A Lei de Inovação estabelece que as ICTs devem dispor de “núcleo de inovação tecnológica, próprio ou em associação com outras ICTs, com a finalidade de gerir sua política de inovação” (Brasil, 2004, Artigo 16). Dessa forma, é previsto que os NITs façam parte da estrutura de uma ICT (sob a modalidade de diretoria, coordenação ou divisão) ou estejam a ela associados, cumprindo a função de agentes intermediadores da relação entre ICTs e empresas no apoio à inovação, em especial na gestão de atividades relacionadas à propriedade intelectual e à transferência de tecnologias.

No que diz respeito especificamente às ICTs do MCTI, a Portaria MCTI no

251/2014 criou a figura dos arranjos de NITs, aos quais suas unidades de pesquisa e organizações sociais devem se associar. A portaria estabelece que tais arranjos operem:

em forma de rede colaborativa, com a finalidade de otimizar e compartilhar recursos, disseminar boas práticas de gestão da inovação e de proteção à propriedade intelectual e transferência de tecnologia, bem como facilitar a aplicação da Lei de Inovação e da política de inovação das ICT do MCTI (Brasil, 2014, Artigo 9o, parágrafo único).

Além disso, conforme diretrizes da portaria, a vinculação de unidades de pesquisa e organizações sociais a arranjos de NITs não inviabiliza a existência de NITs internos a essas ICTs, tampouco qualquer outro tipo de estrutura interna dedicada à gestão de atividades de inovação.

Os arranjos de NITs foram definidos pela Portaria MCTI no 22/2015, que vinculou as ICTs desse ministério a quatro núcleos estabelecidos regionalmente:

• arranjo NIT Rio, que atende as ICTs do estado do Rio de Janeiro: CBPF, que o sedia, Cetem, Impa, INT, LNCC,30 Mast31 e ON;

30. Laboratório Nacional de Computação Científica, localizado na cidade de Petrópolis (Rio de Janeiro). 31. Museu de Astronomia e Ciências Afins, localizado na cidade do Rio de Janeiro.

• arranjo NIT Mantiqueira, que atende o CTI Renato Archer,32 que o sedia,

o CNPEM, o Inpe e o LNA;33

• arranjo NIT Amazônia Oriental, que atende o MPEG,34 que o sedia; • arranjo NIT Amazônia Ocidental, que atende o Inpa,35 que o sedia,

e o IDSM.36

De acordo com as diretrizes do MCTI, o papel dos NITs deve ser tanto administrativo quanto estratégico, tendo em vista que cabe a eles a função de apoiar os dirigentes das ICTs na tomada de decisão em questões relacionadas à política de inovação, assim como organizar as atividades de apoio ao desenvolvimento tecnológico, prospecção de possíveis parceiros, representação da instituição na intermediação com os arranjos de NITs estabelecidos, bem como nos demais fóruns externos, além de capacitação da instituição em assuntos pertinentes ao tema.

Apesar de ter atribuições de cunho estratégico previstas em lei e portarias específicas, com exceção de alguns casos pontuais já destacados neste capítulo, observa-se que o papel dos NITs em atividades de apoio à gestão de inovação em ICTs ainda é muito pequeno e bastante circunscrito a ações exclusivamente relacio-nadas à gestão de atividades de propriedade intelectual/transferência de tecnologia. Em determinadas situações, as ICTs acabam, inclusive, prescindindo de tal apoio.

Os achados da pesquisa mostraram que quatro das oito instituições entre-vistadas possuem NITs internos ou estruturas próprias dedicadas à gestão de atividades de inovação: INT, que possui uma Divisão de Inovação Tecnológica; Cetem, que possui uma Coordenação de Planejamento, Gestão e Inovação; Inpe, que possui uma Coordenação de Gestão Tecnológica; e CBPF, que, devido ao fato de ser a sede no arranjo de NIT das instituições do Rio de Janeiro – o NIT Rio –, utiliza-se de seu apoio diretamente. Apesar de não ter um NIT próprio, o ON utiliza o apoio do arranjo do NIT Rio. O DCTA, por questões relacionadas à própria compreensão de sua missão, não possui um NIT próprio nem estrutura voltada à gestão de atividades de apoio à inovação.

Por sua vez, devido ao fato de serem instituições de natureza jurídica privada, Impa e CNPEM não teriam a obrigatoriedade de possuir ou se associar a NITs, conforme estabelecido no Artigo 16 da Lei de Inovação (versão original). No entanto, por serem ICTs do MCTI, ambas as instituições estão contempladas nas diretrizes para a gestão da política de inovação previstas na Portaria MCTI no 251/2014,

32. Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, localizado na cidade de Campinas (São Paulo). 33. Laboratório Nacional de Astrofísica, localizado na cidade de Itajubá (Minas Gerais).

34. Museu Paraense Emílio Goeldi, localizado na cidade de Belém (Pará).

35. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, localizado na cidade de Manaus (Amazonas). 36. Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizado na cidade de Tefé (Amazonas).

assim como se vinculam aos arranjos de NITs regionais estabelecidos na Portaria MCTI no 22/2015, conforme já mencionado.

De acordo com entrevistados do CNPEM, os serviços do NIT Mantiqueira utilizados por esse instituto restringem-se a atividades como cursos, palestras e capacitações, bem como aos serviços de disponibilização de oportunidades de transferência de tecnologias e licenciamento de patentes na chamada vitrine tecnológica.37 As demandas empresariais são atendidas nesse instituto diretamente pelas equipes de coordenação de inovação que existem em cada um de seus labora-tórios. Por sua vez, os entrevistados do Impa mencionaram que esse instituto não possui NIT interno nem unidade responsável por tratar de assuntos de inovação. No entanto, alguns de seus laboratórios que prestam serviços a empresas utilizam o apoio do NIT Rio em atividades como análises de patentes e assessoria jurídica em casos de propriedade intelectual/transferência de tecnologia.

Conforme mencionado na subseção 2.2, de acordo com os entrevistados, mesmo nas instituições que possuem NITs ou estruturas organizacionais voltadas à gestão de atividades de inovação, a atuação dos NITs na aproximação com empresas é muito pequena. De acordo com eles, em geral, o acesso das empresas às ICTs é sempre informal e muito mais motivado pelo contato que o técnico ou pesquisador estabe-lece em encontros em suas respectivas áreas de especialização (eventos, workshops) ou por meio do atendimento de editais de fomento de pesquisa conjunta entre ICT-empresa. Além disso, atividades previstas como competências de NITs, tais quais precificação dos serviços prestados a empresas, definição do número de horas de dedicação do corpo técnico e da estrutura laboratorial a essas atividades, também acabam ficando a cargo dos chefes de laboratórios ou de pesquisadores e técnicos a eles vinculados.

A despeito dessa atuação bastante circunscrita dos NITs na interação ICT--empresa, os entrevistados do NIT Rio afirmaram haver uma procura crescente por atividades relacionadas à gestão de propriedade intelectual/transferência de tecnologia entre as instituições associadas a esse arranjo. Atualmente, o NIT Rio realiza o acompanhamento de cerca de duzentas patentes das sete ICTs associadas a ele. No entanto, os entrevistados mencionaram que há questões operacionais que ameaçam a continuidade da prestação de seus serviços. Entre elas, as principais dizem respeito à alta rotatividade e ao perfil de seus recursos humanos. No caso do NIT Rio, apenas dois de seus nove funcionários são servidores de carreira do MCTI. Os demais funcionários são bolsistas do PCI (mencionados na subseção 2.4) cedidos pelas instituições associadas. Essa situação traz extrema vulnerabilidade

37. A vitrine tecnológica do NIT Mantiqueira consiste em uma ferramenta que mostra as tecnologias e os serviços disponíveis para transferência de tecnologia e licenciamento das ICTs que fazem parte dos arranjos de NITs do MCTI para as empresas. Mais informações em: <https://goo.gl/45GZZX>.

à continuidade das ações do núcleo, tendo em vista que bolsas PCI têm duração máxima de três anos, não passíveis de renovação.

Somada à questão da alta rotatividade encontra-se o problema, também mencionado pelos entrevistados, da baixa especialização dos colaboradores de NITs em atividades de gestão da inovação. Por serem estruturas pertencentes a órgãos públicos, a contratação de recurso humano dos NITs fica condicionada à realização de concurso público. No entanto, devido ao fato de as ICTs entrevistadas não terem realizado, até o momento, concursos públicos voltados à seleção de profissionais da área de gestão da inovação, os NITs acabam tendo que identificar interessados e atrair servidores atuantes em outras áreas das ICTs para compor suas estruturas.

De fato, era previsto que os NITs tivessem papel relevante na intermediação de atividades de inovação com o setor produtivo; entretanto, acabam não conseguindo ter o reconhecimento e a flexibilidade operacional necessários para levar a cabo suas possibilidades de atuação. As baixas participação e influência dos NITs nas atividades de gestão de inovação em ICTs têm origem, principalmente, no fato de os núcleos, assim como as próprias ICTs às quais se vinculam, não terem personalidade jurídica própria. Na medida em que se configuram em unidades atreladas a ICTs – como coordenações ou divisões delas –, os NITs têm limitadas autonomias gerencial, orçamentária (pois dependem de repasses de recursos das ICTs ou de escassos editais de agências de fomento) e de recursos humanos38 (pois, uma vez vinculados a órgãos públicos, dependem de concursos públicos para contratação de pessoal).

A despeito das questões mencionadas, todos os entrevistados reconhecem a relevância estratégica e a importância do papel dos NITs enquanto estruturas responsáveis pela intermediação entre a oferta de serviços e de infraestrutura de ICTs e as demandas empresariais por apoio a atividades de inovação. Todos concordam que os problemas relacionados ao quantitativo, à rotatividade e ao perfil dos recursos humanos alocados em NITs poderiam ser solucionados caso esses núcleos fossem estruturas desvinculadas das ICTs, o que traria ganhos relacionados à maior autonomia administrativa e à profissionalização de suas atividades finalísticas.

De fato, a autonomia dos NITs foi uma das questões contempladas no processo de aprimoramento do marco legal da inovação. A alteração conferida pela Lei no

13.243/2016 na redação da Lei de Inovação conferiu aos NITs a possibilidade de adquirirem personalidade jurídica própria, inclusive conforme alteração conferida à Lei no 8.958/1994, podendo assumir a personalidade jurídica de fundações de apoio. Tais alterações promoverão a essas instituições maior flexibilidade na gestão

38. De acordo com Brasil (2015c, p. 151), “a alocação de recursos humanos para os NITs depende da criação de vagas em concursos específicas para a instituição, o que é raro; geralmente pessoas sem formação na área de gestão de inovação e sem interesse em trabalhar na área são alocadas, a contragosto, nos NITs, contrariando suas expectativas de trabalhar em suas áreas de expertise técnicas. Como resultado dessa incerteza, os núcleos recorrem a bolsistas e estagiários de alta rotatividade, muitos deles contratados via os editais mencionados acima”.

de seus recursos financeiros (dissociados, portanto, dos orçamentos das ICTs), maior celeridade e possiblidade de atração de perfis e contratação de funcionários mais qualificados em relação às atribuições previstas, e, como consequência, maior profissionalismo na gestão da política de CT&I das ICTs.