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4.2 APROFUNDANDO NOS PILARES

4.2.2 Aprender a fazer (Competências Produtivas)

O pilar Aprender a Fazer está intimamente ligado ao Aprender a Conhecer. Segundo Delors (2001), são praticamente indissociáveis. O pilar em questão está mais direcionado à questão da formação profissional, preocupando-se como ensinar o aluno a colocar em prática seus conhecimentos, bem como adaptá-los ao trabalho futuro.

O Aprender a Fazer supera a concepção de representar simplesmente a preparação de alguém para uma determinada tarefa material. Nesse sentido, e apesar de apresentar um valor formativo expressivo, o pilar não significa apenas uma mera transmissão de práticas muitas vezes rotineiras e cotidianas.

O aumento das exigências no campo de trabalho e a constante busca de um compromisso pessoal do trabalhador (muitas vezes considerado como um agente de mudança) trazem consigo uma tendência de valorização de qualidades como a capacidade de se comunicar, de trabalhar em grupos, de gerir e resolver conflitos, dentre outros, tratado com freqüência sobretudo no setor de serviços. Em suma, o Aprender a Fazer trata da formação para o trabalho, do desenvolvimento de competências para ser produtivo na vida.

Contudo, a análise feita por Delors (2001) ultrapassa a mera concepção da aprendizagem de uma profissão, preocupa-se principalmente com o tipo de formação dada às novas gerações considerando a constante transformação do mundo do trabalho em virtude dos avanços tecnológicos. Nesse sentido, Hassenpflug (2004) relata que no leque dessas transformações, os conhecimentos e funções específicas tendem a ser ultrapassados. Desta forma, o autor se interroga: o que ensinar hoje aos nossos educandos que seja válido quando ingressarem no mundo do trabalho? Que competências priorizar?

Ainda para o autor, é preferível direcionar nossa atenção para o desenvolvimento de competências que se atrelem a qualquer atividade humana e para a questão do empreendedorismo, capacitando pessoas para colocarem em prática seus conhecimentos e a encarar a diversidade do mundo do trabalho. A atualização permanente torna-se também imprescindível, bem como a predisposição para aprender sempre, renovar saberes, habilidades e comportamentos, além de ser flexível e criativo.

Com isso, o conceito de “competência profissional”, muito utilizado nessa era pós- moderna em que vivemos, aliando formação técnica de qualidade com habilidades de gestão, é cada vez mais requisitado no campo de qualquer atividade profissional. Além disso, capacidade para trabalhar e decidir em grupo, gerir e resolver conflitos, expressar-se com clareza, iniciativa, criatividade e autonomia para pensar e agir.

Deste modo, cabe-nos pensar, assim como Hassenpflug (2004), que contribuição uma organização social que trabalha com crianças e jovens da faixa etária entre 07 e 17 anos pode fornecer para a formação de competências produtivas de seus alunos?

Para isso o Programa Educação pelo Esporte entende que em primeiro lugar seria a questão da valorização da família perante os participantes, buscando uma ação complementar com os professores das crianças e jovens e de suas respectivas famílias. Nesse contexto, cabe à escola o compromisso maior de buscar o desenvolvimento de aptidões e competências essenciais para o exercício de qualquer atividade de cunho empreendedor. Quanto às organizações sociais que exercem função complementar, caberia assumir a co- responsabilidade pela educação das novas gerações, disponibilizando educadores competentes e um espaço rico em oportunidades e vivências educativas. Deste modo, formar as novas gerações para sua inclusão e sucesso no mundo do trabalho pressupõe oferecer um ensino de qualidade dentro e fora do ambiente escolar institucionalizado e motivá-las para a aquisição de novas aprendizagens.

Hassenpflug (2004) aponta ainda duas competências produtivas básicas, que se constituem como o alicerce de todo o pilar, fazendo o elo de compreensão com os diferentes símbolos, dados, códigos, e outras formas de comunicação; são eles:

• Criatividade: Habilidade de imaginar, elaborar e concretizar ideias, caminhos e soluções que possuam o poder de transformação de uma determinada situação existente em outra forma desejada, buscando respostas que contribuam para novas possibilidades de encaminhamento de uma questão.

• Aquisição, gestão e produção do conhecimento: O autodidatismo, o didatismo e o construtivismo (já explicados anteriormente) são partes que não se separam do mundo do trabalho. Assim, a manifestação dessas capacidades acontece por meio de atitudes e valores, e concebem o entendimento da escola e as demais situações e momentos da vida (tempo livre, dentre outros) como ambiente propício para o aprimoramento de nossas habilidades.

Além destas, o ser produtivo carece também do aprofundamento de outros domínios do Aprender a Fazer, reinventando sempre seu trajeto profissional, buscando alguns outros elementos, tais como:

• Especialização;

• Organizar, desenvolver e avaliar o próprio trabalho; • Polivalência e Versatilidade;

• Saber liderar e ser liderado; • Delegar Responsabilidades;

• Aprender a negociar e assumir compromissos; • Trabalhar em grupo;

Ao aplicar o Aprender a Fazer, Hassenpflug (2004) entende que a maior contribuição que a prática esportiva pode oferecer no caminho do desenvolvimento de competências produtivas é a formação de habilidades e atitudes permanentes, de modo a contribuir na participação no mundo do trabalho e na construção de um projeto de vida, condições básicas para o exercício pleno da cidadania.

Essa habilidade se refere a trabalhar em grupo, respeitar decisões, capacidade de iniciativa, resolução de conflitos, atitude solidária, cooperativa, democrática, busca de soluções para problemas comuns a todos; autonomia de organizar, alterar e aperfeiçoar suas próprias atividades. Estas são, em suma, as principais características que a concepção de Educação pelo Esporte prioriza, amplia e potencializa, buscando sempre a melhor vocação educativa do esporte.

Nesse sentido, a ação educativa que utiliza a atividade esportiva como veículo precisa procurar conhecer as expectativas de vida e de futuro que as crianças e jovens participantes trazem consigo, buscando ampliar o horizonte de possibilidades.

Pertinente consiste a ação de oferecer dados claros e discutir essas informações com os participantes sobre o real significado dessas opções de vida no que se refere à formação, oportunidades, exigências, dificuldades, dentre outros, objetivando uma visão crítica das profissões compatíveis com seus interesses, dentro e fora do mundo esportivo.