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FIGURA 3 – REGRA MODUS PONENS CONJUNTIVO E MODUS PONENS DISJUNTIVO

FONTE: SANTOS, S. L. (2009, p. 266).

3.8 APROXIMAÇÃO ENTRE TR E TP: PRÓXIMOS PASSOS

A aproximação da polidez à TR é algo novo e existe um campo bastante

vasto para pesquisas que indiquem a possibilidade de aplicar um quadro teórico

relevantista às pesquisas da polidez. Isso se dá porque os estudos de Brown e

Levinson são bastante dependentes do CP de Grice e esse fato mostra que o

modelo griceano não consegue dar conta de discrepâncias socioculturais

apresentadas em avaliações de polidez. Adotar um quadro teórico relevantista nos

estudos da polidez não indicará deixar de lado os pressupostos propostos por

Brown e Levinson. Segundo Christie (2007, p. 293):

[...] como um conceito como "face" pode ser teorizado. Por exemplo, se a face é percebida como uma premissa implicada, ela levantaria questões sobre qual o conteúdo dessa premissa poderia ser, e como ele poderia se relacionar com outros pressupostos contextuais em jogo durante um processo particular de interpretação de enunciados, incluindo aqueles que

derivam o cenário cultural108. (CHRISTIE, 2007, p. 293).

Christie (2007) indica que essa aproximação da TP à TR é justificada pelo

fato de enunciados serem produtos de processos mentais que fazem uso do

código linguístico e do contexto social. Assim sendo, o significado é obtido por

meio de um processo dinâmico em que se seleciona um contexto para um

determinado enunciado.

É importante reconhecer que a polidez tem um importante papel na

comunicação a serviço da cooperação entre os indivíduos. De acordo com

Spencer-Oatey (2008a, p.12), a linguagem possui dupla função: “a transferência de

informações e a gestão das relações sociais”

109

. Para ela, a primeira função é

denominada de componente de conteúdo. Já a segunda função é denominada de

componente de relacionamento. Nesse último componente, o principal objetivo “é

comunicar afabilidade e boa vontade e fazer com que os participantes se sintam

confortáveis e não ameaçados”

110

. (SPENCER-OATEY, 2008b, p. 2). Dessa forma,

muitas estratégias de polidez buscam a harmonia entre os participantes da

conversação, evitando que as pessoas que interagem sintam-se frustradas ou

aborrecidas.

Também se faz necessário ressaltar o papel do ouvinte na avaliação da

polidez e de suas estratégias. Apesar de selecionarmos nossas estratégias de

polidez antes de enunciarmos, sua percepção depende de “avaliação subjetiva,

que depende não apenas do conteúdo da mensagem, mas da interpretação e das

108 how a concept such as ‘face’ might be theorized. For example, if face is perceived as an implicated premise, it would raise questions about what the content of that premise might be, and how it might relate to other contextual assumptions in play during a particular process of utterance interpretation, including those that derive from the cultural setting. (CHRISTIE, 2007, p. 293).

109 “the transfer of information, and the management of social relations”. (SPENCER-OATEY, 2008,

p. 12).

110 “is to communicate friendliness and goodwill and to make the participants feel comfortable and unthreatened”. (SPENCER-OATEY, 2008, p. 2).

reações das pessoas a quem diz o que, em que circunstâncias”

111

.

(SPENCER-OATEY, 2008, p. 20).

A TR também explica as premissas do falante que são demonstradas para

o ouvinte, como por exemplo gênero, raça, classe social. Assim, parece-nos que,

ao se adotar uma base teórica relevantista, seria possível conectar mais

fortemente os fatores sociais e cognitivos presentes no fenômeno da polidez.

Nesta dissertação, temos a intenção de realizar uma primeira aproximação,

por meio das análises de nosso corpus, entre a TP e a TR. Sabemos que esse é

um campo de pesquisa de bastante fôlego, a respeito do qual permanecerão

diversas questões ainda pendentes, as quais poderão ser objeto de pesquisa de

trabalhos futuros. A criação de uma interface entre TP e TR, focada nas análises

das estratégias de polidez escolhidas pelos falantes na produção de enunciados e

na interpretação feitas pelos ouvintes, guiada pela TR, poderá ser um caminho

profícuo para novas pesquisas que abarquem ambas as vertentes da pragmática.

111 “subjective evaluation’s, which depend not simply on the content of the message, but on people’s

interpretation and reactions to who says what under what circumstances”. (SPENCER-OATEY, 2008, p. 20).

4 PUBLICIDADE E PROPAGANDA: CONCEITOS ADVINDOS DAS

TEORIAS DA COMUNICAÇÃO

A publicidade e a propaganda estão inseridas em nossa vida cotidiana de

forma bastante contundente. A linguagem de ambas é muito particular e a

característica mais marcante desse gênero textual é a criatividade, fato que

permite a aplicação de diversos recursos linguísticos, visuais e sonoros (no caso

de spots de rádio, filmes publicitários e anúncios animados para internet) a esse

tipo de comunicação.

No entanto, ainda há dificuldades na compreensão e diferenciação entre

publicidade e propaganda, que muitas vezes são utilizadas como conceitos

sinônimos, mas que possuem diferenças entre si. Ambos os termos vêm do latim,

segundo Magno (2007, p. 2) "propaganda vem do latim propagare que deriva de

pongare que significa plantar uma muda no solo para uma nova reprodução,

publicidade vem de publicus que significa o ato de tornar público um fato ou uma

ideia".

Gomes (2001) aponta três elementos que caracterizam conceitualmente os

termos. Para ela, a publicidade possui: capacidade informativa; força persuasiva e

caráter comercial. Já o segundo termo, propaganda, tem: capacidade formativa;

força persuasiva; caráter ideológico.

De acordo com Gomes, a publicidade é um discurso que tem cerca de um

século de história. Ele foi criado na Revolução Industrial, cujo contexto foi

responsável pelo surgimento da produção em larga escala, das grandes lojas e,

principalmente, dos meios de comunicação de massa: "é necessário que eles

surjam para que a publicidade possa usá-los. Mas, por outro lado, ela financia

esses meios, através da compra de seus espaços, tornando possível sua

existência e sua permanência no tempo". (GOMES, 2001, p. 116).

A existência da publicidade está ancorada em três pilares, segundo Gomes

(2001): o primeiro é a necessidade de haver um produto ou serviço a ser oferecido

ao mercado. Aquilo que precisa ser anunciado deve ter produção em larga escala

para que sejam usados os meios de comunicação de massa em sua promoção. O

segundo pilar é a existência de um anúncio ou de uma campanha completa, que

passe pelo processo de planejamento, criação e produção profissionais. Já o

terceiro passo é a veiculação da campanha nos meios de comunicação, cujos

custos devem ser de responsabilidade do dono do produto ou serviço anunciado.

Já a propaganda remonta a tempos muito mais distantes que a

publicidade. De acordo com Gomes (2001), sua criação ocorreu no período da

Reforma, no qual houve a difusão das ideias de Martin Lutero, que resultou na

ameaça à ideologia e a política católicas da propagadas na época:

A propaganda, no terreno da comunicação social, consiste num processo de disseminação de ideias através de múltiplos canais, com a finalidade de promover no grupo ao qual se dirige os objetivos do emissor, não necessariamente favoráveis ao receptor; o que implica, pois, um processo de informação e um processo de persuasão. Podemos dizer que propaganda é o controle do fluxo de informação, direção da opinião pública e manipulação – não necessariamente negativa – de condutas e, sobretudo, de modelos de conduta. (GOMES, 2001, p. 117).

Ainda segundo Gomes (2001, p. 117), a propaganda é "a expressão de

uma opinião por indivíduos ou grupos, deliberadamente orientada a influir opiniões

ou ações de outros indivíduos ou grupos para fins predeterminados".

Contrastados com os pontos da publicidade, a propaganda, de acordo com

Gomes, também possui um trio de exigências para que seja conceituada de tal forma.

Em primeiro lugar, torna-se necessária a presença de uma ideia ou doutrina a ser

propagada a um público ou indivíduo. Depois, é preciso planejar, criar e produzir o

discurso persuasivo que tem como intuito "reforçar ou modificar comportamentos

ideológicos (religiosos, políticos ou mesmo filosóficos)". (GOMES, 2001, p. 117). Por

fim, existe a veiculação da propaganda nos meios de comunicação, porém não existe

a obrigatoriedade de que seja assinada por aquele que promove a campanha,

diferentemente do que ocorre com a publicidade. Ela pode ser também veiculada em

reportagens, artigos, filmes ou outras formas de comunicação.

Sandmann (2007, p. 10) enfatiza que existem diferentes compreensões do

usado exclusivamente para a propagação de ideias, especialmente políticas, tendo

muitas vezes uma conotação depreciativa”. O tipo de comunicação voltado para a

venda de produtos e serviços é chamado de advertising. Já no português,

Sandmann (2007, p. 10) esclarece que “publicidade é usado para a venda de

produtos ou serviços e propaganda tanto para a propagação de ideias como no

sentido de publicidade. Propaganda é, portanto, o termo mais abrangente e o que

pode ser usado em todos os sentidos”. Essa é a mesma concepção Luppeti (2000),

para quem os conceitos de publicidade e propaganda estão unidos. Ambas são

formas de tornar conhecidos serviços, marcas, empresas e produtos.

Depois dos esclarecimentos apresentados com respeito à nomenclatura

publicidade ou propaganda, vamos nos apropriar da concepção de Luppeti (2000)

e de Sandmann (2007). Consideraremos, portanto, as expressões como fundidas.