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CAPÍTULO 6 MODELO PROPOSTO

6.5 Arquitetura da estrutura de aplicação do modelo

No capítulo 5, dada a experiência negativa do MMA com os municípios em lhes viabilizando material de apoio e não tendo o retorno esperado, foi abordada a necessidade de uma forma de envolvimento sinérgico pró-ativo que potencialize os municípios a construírem sua A21L. Assim, apenas lhes disponibilizando um Roteiro, por melhor que seja, não se teria um resultado significativo.

As reuniões de capacitação promovidas pelo MMA e FNMA se referem apenas a proficiência em montagem de proposta para editais, não se abordando toda a complexidade da construção da A21L.

Assim, há necessidade de algum tipo de interação e envolvimento com os municípios de forma a lhes dar maior motivação e segurança nas lides da construção da A21L. Todavia, a dificuldade é que são milhares de municípios, não havendo condições, como já exposto, de atendê-los um a um ou mesmo em grupos pequenos.

Conforme abordado no capítulo anterior, a utilização de ferramentas da infovia, num procedimento semipresencial, vem a ser uma forma promissora de implantação de políticas públicas, mais propriamente, de viabilizar, de forma maciça, que diferentes municípios situados em regiões diferenciadas possam, simultaneamente, construir sua A21L. Para tanto, pode-se fazer uso de uma rede virtual (um groupware), apoiando alguns encontros presenciais.

Ainda, para demonstrar a aplicabilidade de soluções de Terceira Via (capítulo 4), neste trabalho está-se optando em instituir, na promoção do evento, um arranjo institucional envolvendo entidades do meio social. Em princípio, podem ser quaisquer entidades fortes e com influência na região, mas devem ter o firme propósito de colaborar com a viabilização de caminhos para o desenvolvimento sustentável, e não simplesmente fazer disso, como é comum, ummarketing institucional.

Foi adotada uma arquitetura de estrutura de aplicação constituída de moderador e indivíduos compondo um grupo, sendo que estes indivíduos, chamados de facilitadores locais, por sua vez, formam outros grupos totalmente excludentes (no município de origem).

Enquanto Nonaka e Takeuchi expõem suas assertivas tendo em vista a moderna competitividade das organizações, neste estudo o eixo ontológico é constituído apenas de indivíduo (facilitador) e grupo, pois a estrutura proposta interage diretamente apenas com esses dois níveis. A ontologia, nesse contexto, refere-se a um entendimento comum e compartilhado entre indivíduos sobre um assunto específico, com o objetivo de permitir a comunicação e a atuação conjunta deles. Obviamente, em cada comunidade surge outra composição ontológica, caracterizada pelos facilitadores, GT, FE, e membros da comunidade.

Para satisfazer as condições explanadas no item 5.3.3, em cada um dos seminários, os participantes expõem as facilidades e dificuldades específicas que encontram no ato de construir, na sua localidade, a A21L. Com isso, surge uma intensa interação entre os participantes (facilitadores), cada um aprendendo com os erros e acertos do outro, tendo idéias de adaptação de ações específicas em sua comunidade. A premissa envolvida é a de que esse facilitador necessariamente participa do grupo de trabalho executivo local (GT), devendo repassar a eles as informações obtidas nos seminários. Assim, o facilitador age na sua comunidade também gerando espirais de conhecimento locais.

Contrariamente ao que ocorre no meio acadêmico e, principalmente, no empresarial, durante o processo não há competição no grupo, podendo haver somente uma eventual concorrência pós-evento, numa hipotética busca de recursos.

Ao término de um seminário, cada participante leva algumas tarefas para realizar junto à sua comunidade, devendo trazer retorno delas no próximo seminário. No interregno, utilizando o Eureka, o participante continua uma interação com colegas e com o moderador, autor desse trabalho. Esta configuração é comum no meio acadêmico, mas pouco usual com a comunidade externa, e pela primeira vez utilizada para capacitar facilitadores da A21L, nas palavras representantes da SEMA-PR e do MMA (BRANCO, 2003; MARTINI, 2003; MMA, 2003b).

O aprendizado decorrente abrange todos os integrantes, pois mesmo o moderador aprende sobre as realidades locais e sobre as dificuldades de implementação prática das teorias acadêmicas. A inovação surge naturalmente desses encontros, quando um integrante, trazendo suas realidades locais e seus pré-conhecimentos, recebe novos e interage com os colegas, cada um dividindo conhecimentos, contextos e experiências e sendo um nó de uma rede de conhecimento.

FIGURA 25 Esquema de funcionamento do modelo Elaboração própria.

Na figura esquemática, cada integrante tem o foco de sua ação sobre o município do qual provém, mas discute com os colegas tópicos e teses comuns a todos. Ou seja, a situação espacial é diferenciada, mas o domínio específico é o mesmo – a construção de uma A21L. Na troca de informação, surge a inovação. O moderador tem o papel de criar as condições ideais para os momentos síncronos de criação individual e grupal, provendo ambiente adequado, conhecimento específico (Roteiro de Construção de uma A21L), moderando as discussões e interagindo nos grupos de trabalho. Tem por foco o território somado das abrangências individuais.

No meio acadêmico, essa modelagem é considerada comoe-learning com momentos presenciais. A arquitetura do processo possui algumas características de um sistema multiagente, onde os participantes (agentes) têm sua atenção não para um problema

específico, mas sim, para um domínio específico, no caso, a construção de uma A21L (BOGO, 2003).

6.6 Conclusões do capítulo

Tem sido difundido, mesmo por parte do MMA, de que não existe um modelo que as comunidades possam utilizar para construir suas A21Ls, existindo somente algumas referências onde, mesmo mantendo a assertiva acima, são apresentados procedimentos e orientações para a construção da A21L. Esta posição tem inibido lideranças locais em realizar seu intento, já que não se sentiam seguras para exercerem uma ação junto à comunidade.

Também, dada a promessa de setores governamentais em atender todos os municípios brasileiros, o que é uma tarefa impossível de se concretizar “no varejo”, município a município, foi criado um impasse sobre como trabalhar uma forma que viabilizasse o atendimento de um número muito grande de municípios, de forma simultânea.

Assim, é levantada a hipótese de que possam existir modelos que sirvam de guias para as comunidades, e de que se possam utilizar procedimentos específicos que viabilizam o atendimento de muitas comunidades, situadas em regiões geográficas distintas, de uma forma simultânea, utilizando-se recursos da Tecnologia da Informação e Comunicação.

Desta forma, é apresentado um modelo de construção de A21L - um Roteiro de Construção de uma A21L, que aborda ordenadamente as principais características do processo de construção da A21L, apresentando as várias etapas comuns e as envoltórias existentes, em cinco fases. Este Roteiro procura dar proficiência organizacional a facilitadores locais, estabelecendo, como o nome indica, um roteiro ou guia de elaboração de uma A21L. Com isso, pretende-se responder afirmativamente à pergunta colocada no primeiro capítulo, sobre a viabilidade de existir um “guia” que facilite os organizadores locais a construírem sua A21L.

Todavia, não se teria uma efetividade apenas disponibilizando um Roteiro de Construção de uma A21L aos mais de cinco mil municípios brasileiros. Com outros instrumentos, o MMA já tentou esta estratégia, sem resultados significativos, entendendo-se isso como a ocorrência numérica inexpressiva de municípios realizando a construção de sua A21L.

Assim, para se garantir alguma efetividade no processo, estabeleceu-se um procedimento apoiado em ambiente colaborativo virtual que viabiliza a formação simultânea e

em grandes quantidades, de facilitadores para a construção da A21L, mesmo situados em locais geográficos diferenciados. Para tanto, fez-se uso de um groupware denominado

Eureka.

Optou-se por uma arquitetura de processo na qual cada integrante vem a ser um nó de uma rede de difusão do conhecimento, numa formatação de e-learning assíncrono com cinco momentos presenciais de um dia de duração. Possui, também, características de sistema multiagentes, já que cada participante focaliza sua ação no seu território municipal específico, mas interagindo com os colegas e com o moderador num domínio específico comum, que é a construção da A21L.

Nos momentos presenciais, denominados de seminários, são oportunizados momentos que potencializam a inovação, nos quais é viabilizada a discussão, troca de experiências, exposição de erros e acertos, dificuldades e facilidades, numa dinâmica de agregação de conhecimento ao grupo.

Para corroborar suas características genéricas, a modelagem proposta foi apresentada e aperfeiçoada em Seminário de Capacitação de Facilitadores Locais para a A21L, realizado especificamente para testá-lo e aprimorá-lo, conforme exposto no capítulo a seguir.

CAPÍTULO 7 VERIFICAÇÃO DA APLICABILIDADE